Respiradores produzidos no Brasil são distribuídos

O ministro da Saúde, Nelson Teich, informou neste sábado (25), por meio do Twitter, que a pasta distribuirá 272 respiradores produzidos pela indústria nacional. Segundo ele, parte dos equipamentos já foi enviada a nove estados para o atendimento de pacientes graves com o novo coronavírus. Ao todo serão 14.100 respiradores.

“A indústria nacional está ajudando na resposta ao coronavírus, com a produção e entrega de respiradores. Recebemos 272 unidades e grande parte já seguiu para os estados. Ao todo serão 14.100 respiradores”, disse Teich.

Segundo o ministro, nesta semana, o Estado do Amazonas receberá 20 respiradores (ao todo serão 55). O Paraná receberá 5 (ao todo terá recebido 20). Também foram contemplados o Amapá (25), Ceará (45), Espírito Santo (10), Pará (20), Piauí (20), Rio de Janeiro (40) e Santa Catarina (17).

Quase um milhão de testes rápidos serão enviados nos próximos dias para os estados, informou o ministro. A logística de entrega será realizada por meio de parceira com os ministérios da Defesa, Infraestrutura e a Polícia Rodoviária Federal.

Nelson Teich afirmou ainda que, ao fim desta semana, o governo federal terá entregue 79 milhões de equipamentos de proteção individual para proteger os profissionais de saúde, 3 milhões de testes rápidos e 272 respiradores.

Por Heloísa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil 

Ventilador de UTI criado na USP é aprovado em testes

(USP/Reprodução)

O ventilador pulmonar emergencial Inspire, protótipo econômico para produção em até duas horas criado por um grupo de engenheiros da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), passou pelas etapas finais de testes. Como próximos passos, os documentos relativos ao projeto serão enviados aos órgãos competentes, inclusive à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O equipamento foi desenvolvido pela equipe do professor da Poli, Raul González Lima. Além da rapidez de produção, o equipamento tem como principal vantagem o custo: enquanto os ventiladores convencionais custam, em média, R$ 15 mil, o valor do Inspire é de R$ 1 mil.

Animais e seres humanos

A Poli informou que nos dias 17, 18 e 19 de abril foram realizados estudos com pacientes humanos, seguindo os trâmites da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. O ensaio, sob a coordenação do professor José Otávio Auler Junior, teve também a colaboração da professora Filomena Galas, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), e do fisioterapeuta Alcino Costa Leme.

Os testes foram realizados com quatro pacientes, nas dependências do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP, e o respirador foi considerado aprovado em todos os modos de uso. Não houve nenhum problema com os pacientes ventilados.

Antes disso, em 13 e 14 de abril, também havia sido realizado um estudo com animais, coordenado pela professora Denise Fantoni e com auxílio da professora Aline Ambrósio, ambas da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. Os ensaios foram realizados no Laboratório de Investigações Médicas 8 (LIM8), da FMUSP. O equipamento foi testado em dois animais e considerado aprovado.

O aparelho desenvolvido pelos pesquisadores da Poli foi registrado com uma licença open source, que permite a qualquer pessoa ou empresa acessar o protocolo de manufatura e fabricá-lo, bastando, para tanto, obter uma autorização da Anvisa. Os interessados podem obter mais informações sobre a licença pela internet.

Provas técnicas

(USP/Reprodução)

Uma das avaliações técnicas que antecederam os ensaios clínicos foi realizada no último dia 12 de abril, com a colaboração do Laboratório de Diagnóstico Avançado de Combustão do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), sediado na Poli. O laboratório coordenado pelo professor Guenther Krieger Filho tem como objetivo original analisar reações de combustão com técnicas a laser, mas se juntou aos pesquisadores nos esforços para conter a pandemia.

“Era necessário testar o protótipo para conhecer as vazões e as concentrações de oxigênio que o equipamento consegue oferecer aos pacientes, nas diferentes frequências que simulam o processo de respiração pelo pulmão humano”, explica Krieger Filho ao Jornal da USP. “O laboratório tem um analisador de gases e um medidor de vazão de gases, e por isso ofereceu ajuda, já que havia urgência em fazer esses testes”, diz.

Segundo Krieger Filho, na corrida contra o tempo que caracteriza esse período de pandemia, o mais importante é conseguir prover ajuda real em tempo hábil. “A equipe do Inspire tinha pressa e o laboratório estava lá para ajudá-los”, ressalta. “Nesse caso, provavelmente não haveria a opção de esperar a situação ideal para testar em outro laboratório, também ideal – no sentido de mais adaptado ao projeto. Ficamos felizes de poder ajudar. É uma contribuição valiosa do RCGI nesses tempos difíceis que atravessamos”, avalia.

As linhas de gases (oxigênio, nitrogênio e dióxido de carbono), bem como medidores e analisadores de gases do laboratório para desenhar um teste que conseguisse indicar o teor de oxigênio entregue pelos respiradores. Segundo o professor Krieger Filho, como os medidores do laboratório são voltados para a análise de processos de combustão em motores veiculares e queimadores industriais, foi preciso usar a criatividade para adaptar às condições da estrutura aos testes do Inspire no prazo exíguo que a tarefa exigia.

“Por exemplo, o medidor de gases de que dispomos só mede a presença de oxigênio na mistura gasosa até 31%; é o que ele permite. Mas, neste caso, era preciso saber o máximo de oxigênio que o respirador conseguiria entregar ao paciente”, relata. “Sabia-se que era necessário ser mais de 31%, então foi colocando dióxido de carbono ou nitrogênio em lugar do oxigênio. À medida em que eram colocados, proporcionalmente, era possível determinar o quanto de O2 estaria sendo entregue”, pontua.

Criatividade

Segundo Krieger Filho, tal procedimento não se presta a uma análise para uma certificação do equipamento, por exemplo, mas se mostrou útil para que a equipe responsável pelo ventilador pulmonar conseguisse ter uma estimativa laboratorial do teor de oxigênio presente na mistura de gases que sai do aparelho para o paciente. Busca-se um equipamento que consiga entregar algo próximo a 100% de oxigênio.

“O mais importante é que, ao final do dia, conseguimos ser úteis e prover uma medição que se mostrou muito próxima das estimativas teóricas acerca do equipamento”, aponta. “Se houvesse um aparelho que conseguisse medir a presença de oxigênio em até 100%, teria sido perfeito, mas não existia e o tempo era curto. Então, improvisou-se com criatividade”, enfatiza.

Os testes incluíram a simulação de um reservatório para conectar a saída do respirador ao analisador de gases. Aqui também a criatividade contou positivamente. “Foi utilizado um balão de festa de aniversário, uma bexiga. A ponta do medidor de vazão de oxigênio era mais ou menos do diâmetro de um lápis, e encaixava na boca da bexiga. Na parte de baixo do balão, fizemos um outro orifício, e então fomos aumentando o volume do balão, enchendo de ar”, descreve Krieger Filho.

“Neste caso, o objetivo era ter medidas na frequência da respiração do paciente, para permitir a sincronização do fornecimento de oxigênio do aparelho com a frequência respiratória. Foram testadas várias frequências respiratórias, porque havia controle das variáveis, tais como pressão e vazão”, salienta.

Segundo o professor, na corrida contra o tempo que caracteriza esse período de pandemia, o mais importante é conseguir prover ajuda real em tempo hábil. “A equipe do Inspire tinha pressa e o laboratório estava lá para ajudá-lo”, ressalta. “Neste caso, provavelmente não haveria a opção de esperar a situação ideal para testar em outro laboratório, também ideal – no sentido de mais adaptado ao projeto. Ficamos felizes de poder ajudar. É uma contribuição valiosa do RCGI nesses tempos difíceis que atravessamos”, explica o docente.

Sobre o RCGI

O Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) é um centro de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Shell. O espaço conta com cerca de 400 pesquisadores que atuam em 46 projetos de pesquisa, divididos em cinco programas: Engenharia; Físico/Química; Políticas de Energia e Economia; Abatimento de CO2; e Geofísica.

O centro desenvolve estudos avançados no uso sustentável do gás natural, biogás, hidrogênio, gestão, transporte, armazenamento e uso de CO2.

*Com informações do Governo do Estado de São Paulo

Válvula criada por brasileiros e holandeses permite compartilhar respirador

O projeto é resposta a um desafio da Johns Hopkins University(Divulgação)

Um grupo de pesquisadores desenvolveu um mecanismo que pode permitir o compartilhamento de ventiladores respiratórios. São quatro brasileiros e dois holandeses que apresentaram o projeto em resposta a um desafio proposto pela escola de medicina norte-americana Johns Hopkins University.

O mecanismo começa com um aplicativo que monitora os pacientes internados com coronavírus. O programa busca identificar pacientes que possam, em caso de necessidade, dividir um mesmo aparelho respiratório.

O bioengenheiro Alessandro M. Hakme da Silva, um dos idealizadores do projeto, disse que é importante que as pessoas tenham semelhanças de peso, altura e capacidade pulmonar.

A ideia parte de experimentos que já foram feitos para compartilhamento de equipamentos de respiração artificial em situações críticas. “Eles pegaram pacientes que tinham mais ou menos o mesmo peso, a mesma altura, a mesma capacidade pulmonar, a mesma frequência respiratória, e colocaram esses pacientes para compartilhar o mesmo ventilador. E eles foram mantidos vivos por até 3 horas”, explicou Silva.

O trabalho busca melhorar a eficiência dessa possibilidade ao adicionar uma válvula que controla o fluxo de ar para os pacientes. “Para fazer a combinação correta de fluxo de ar para que ambos pacientes pudessem ser tratados no ventilador”, enfatiza o bioengenheiro.

O projeto foi desenvolvido justamente a partir dos problemas apontados nas pequisas que analisaram o uso dos respiradores por mais de uma pessoa. “Pegamos todas as recomendações e incorporamos isso”, acrescentou Silva.

Busca por recursos

Os pesquisadores buscam, agora, recursos para fazer todos os testes necessários para que o protótipo possa ser aprovado para uso clínico. “Algumas empresas já entraram em contato conosco”, disse o pesquisador, que pretende buscar também financiamento de instituições públicas. A estimativa é que cada válvula custe cerca de US$ 150.

Além de Silva, fazem parte do grupo os pesquisadores Beatriz Gandolfi, Emílio Belmonte, Gian Caselato, Marjn Hiep e Friso Schoffelen. O grupo teve mentoria de Dennis McWilliams, Namratha Potharaj e Matthew Petney dentro do programa de inovação médica B.E.S.T Innovation Course promovido pelo do IRCAD América Latina, com sede em Barretos, no interior paulista.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Covid-19: Norte e Nordeste vão receber respiradores e outros insumos

Equipamentos são carregados na Base Aérea de São Paulo (FAB/Reprodução)

A Força Aérea Brasileira (FAB) transporta hoje (10) 30 respiradores para Fortaleza. Segundo a FAB, a aeronave C-105 leva 1,5 tonelada em equipamentos. A previsão é que a aeronave, que parte de Guarulhos (SP), chegue à capital do Ceará às 20h50. Mais 20 respiradores serão entregues em Manaus (AM) e dez em Macapá (AP).

Segundo o Ministério da Saúde, as três capitais têm necessidade de ampliar urgentemente o número de leitos de tratamento intensivo para atender os infectados pelo novo coronavírus. O respirador é um equipamento essencial para tratar pessoas infectadas com o vírus e que apresentam o sintoma mais grave da doença, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

De acordo com o ministério, o Ceará é um dos quatro estados que podem estar entrando numa fase de aceleração descontrolada da pandemia. O Amazonas também está nessa lista. Os outros estados são Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal.

No boletim divulgado ontem (9) pela pasta, o Ceará é o estado da Região Nordeste com mais casos registrados. São 1.291 contaminações confirmadas e 43 mortes. O segundo estado da região com mais contaminações é a Bahia, com 497 casos. Na Região Norte, o Amazonas também se destaca em número de infecções. São 899 casos confirmados e 40 óbitos.



Os respiradores que seguem para Manaus ficarão instalados em leitos do Hospital Delphina Abdel Aziz, na zona norte da cidade. Na capital do Amapá, os equipamentos irão para a Maternidade Dra. Euclélia Américo, também na zona norte.

O Brasil tem encontrado dificuldades para importar respiradores. Segundo informou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta semana, uma empresa chinesa que estaria responsável pela entrega de 15 mil unidades de respiradores mecânicos não deu garantias de que fará a entrega. No início do mês, o governo da Bahia acusou os Estados Unidos de reter em Miami um carregamento de respiradores que haviam sido comprados pelo estado de uma empresa chinesa. A empresa cancelou a venda.

Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil 

USP desenvolve ventilador pulmonar de baixo custo

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Protótipo de ventilador pulmonar desenvolvido por pesquisadores da USP é do tipo aberto, sem linhas de ar comprimido (Poli/USP/Divulgação)

Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) estão desenvolvendo um ventilador pulmonar de baixo custo, que poderá ser fabricado apenas com componentes disponíveis no mercado brasileiro. Batizado de Inspire, o ventilador pretende suprir grande demanda do aparelho hospitalar devido à pandemia do coronavírus.

 “A cadeia de produção instalada atualmente deste tipo de equipamento talvez não consiga sustentar a demanda da população brasileira nas próximas semanas”, destacou um dos coordenadores do projeto, o professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica e um dos coordenadores do projeto, titular do Departamento de Engenharia Mecânica da Poli-USP .

“Esses equipamentos [hoje comercializados] dependem de muitos componentes importados, e nem todos estão em estoque na quantidade necessária. Os componentes podem não chegar a tempo para fazer essa produção”, acrescentou.

O aparelho, cujo protótipo já está em produção, é do tipo aberto. Ele não precisa de linhas de ar comprimido – que também poderão estar em falta nos hospitais brasileiros em razão do grande número de pacientes decorrentes da pandemia.

“Possivelmente faltarão linhas de ar comprimido nos leitos de hospital, o que torna necessário o bombeamento de ar para o paciente, na hipótese da indisponibilidade. É uma demanda crítica e pontual, e depois essa tecnologia pode ser usada em áreas remotas, em que um hospital não esteja próximo”, ressaltou o professor.

Robôs de telepresença



O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP já está testando três robôs para o teleatendimento de pessoas com suspeita de coronavírus e também para “televisitas”, quando o paciente está impossibilitado de receber visitas. 

“O departamento de gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP chegou para a gente com demanda de proteger colaboradores contra a possibilidade de contaminação daqueles pacientes que chegam da rua com sintomas. Procuramos uma solução colocando um funcionário ou enfermeira por trás de uma telepresença para fazer essa triagem”, explicou a coordenadora do projeto, a médica Lilian Arai.

De acordo com a médica, os aparelhos foram emprestados por uma empresa que está fazendo uma ação social durante a crise. De acordo com Arai, os equipamentos têm papel fundamental na humanização dos pacientes internados com coronavírus.

“Os pacientes que estão internados não tem acesso aos contatos com parentes, a atendimentos psicológicos. Então estamos buscando encontrar formas de dar um alento do lado mais humanitário.

É o robô que vai estar trazendo para a gente a possibilidade de humanização no atendimento desses pacientes”, destacou.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil