Venezuela não excluirá estrangeiros da vacinação, diz Maduro

Nicolás Maduro ao lado de Vladmir Putin (Kremlin/via Fotos Públicas)

O líder da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira (29/12) que vacinará gratuitamente contra covid-19 todas as pessoas que residam em seu país, independentemente de sua nacionalidade, e criticou que seu homólogo colombiano, Iván Duque, exclua da imunização os migrantes venezuelanos não regularizados.

“Na Venezuela, a vacina será distribuída gratuitamente a toda a população que vive na Venezuela, sejam colombianos, equatorianos, peruanos, portugueses, italianos. Não faremos como o bárbaro terrorista, sanguinário, de Iván Duque que anunciou que as vacinas serão negadas aos venezuelanos que vivem na Colômbia”, afirmou, sem especificar a data de início da vacinação

Em evento com governadores, o presidente venezuelano também criticou o líder da oposição e chefe do Parlamento, Juan Guaidó, que “aplaudira” a decisão de Duque.

“O bobalhão saiu para aplaudi-lo, criminosos, xenófobos, nazistas”, Maduro.

Ele também lembrou da assinatura do contrato com a Rússia para a compra de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V que, segundo ele, “deve chegar no primeiro trimestre de 2021”.

“Dez milhões em 90 dias”

“Nos próximos 90 dias, a Venezuela vai vacinar 10 milhões de compatriotas priorizados, por idade, por profissão, por nível de vulnerabilidade, de forma segura”, afirmou.

A Venezuela tem sido palco, desde o início, da realização de testes clínicos da vacina russa, cuja eficácia é de 91,4%, de acordo com os resultados da terceira fase, mas os bons resultados são vistos com ceticismo no Ocidente.

Em outubro, a Venezuela recebera um primeiro lote da Sputnik V como parte do “teste clínico de fase três” da vacina, do qual cerca de 2 mil pessoas teriam participado, segundo autoridades venezuelanas.

O governo venezuelano expressou sua confiança na vacina russa por considerá-la “muito segura”, e disse que está preparado para vacinar a população “o mais rápido possível”.

Na semana passada, o país latino-americano ultrapassou as mil mortes por covid-19, por isso recorreu à Organização das Nações Unidas (ONU) para liberar os recursos bloqueados pelas sanções e assim iniciar a vacinação em massa de sua população.

A Venezuela registrou mais de 112 mil casos de coronavírus e 1.018 mortes, segundo dados oficiais. O país enfrenta a pandemia com um sistema de saúde fraco, em meio ao colapso econômico e a uma deterioração de serviços básicos, como eletricidade e água.

Sputnik V na Argentina

Também nesta terça-feira, a Argentina se tornou o primeiro país das Américas a aplicar a vacina russa Sputnik V, ao começar sua campanha nacional de imunização contra o novo coronavírus. A primeira fase abrange um lote de 300 mil doses, de um total de 55 a 60 milhões que o governo planeja receber até julho do ano que vem por meio de contratos com diversas empresas farmacêuticas.

A largada foi dada na província de Buenos Aires, que, por ser a mais populosa, foi a que recebeu o maior número de doses (123 mil). A primeira injeção foi aplicada em uma enfermeira no Hospital San Martín, na cidade de La Plata. Em seguida, foram imunizados uma funcionária da equipe de limpeza da unidade e um médico. 

Na mesma ocasião, também foi imunizado o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof. Pertencente ao mesmo partido do governo nacional, ele tentou assim servir de exemplo e inspirar confiança no imunizante russo. 

Por Deutsche Welle

MD/efe/lusa/rtr

Vacina russa contra covid-19 será testada na Venezuela

(Arquivo)

A Venezuela recebeu nesta sexta-feira (02/10) um carregamento da vacina russa contra a covid-19, batizada de Sputnik V, para participar dos testes clínicos da imunização. A entrega foi a primeira desta vacina feita na América Latina.

“Essa cooperação foi resultado do contato permanente, das reuniões e da estreita cooperação existente entre a Venezuela e a Rússia”, afirmou a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, ao anunciar a chegada do carregamento ao país.

Segundo o ministro da Saúde venezuelano, Carlos Alvarado, 2 mil pessoas participaram dos testes que começa neste mês em Caracas. “Assim que terminar a fase 3, tanto na Rússia, quanto na Venezuela, se iniciará o processo de produção em massa da vacina”, disse.

Em 11 de agosto, a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra a covid-19, mesmo antes da publicação de dados sobre a imunização e sem a conclusão de todas as fases de estudo, que inclui um teste em grande escala. Muitos cientistas no país e no exterior levantaram dúvidas sobre a segurança e eficácia da imunização.

A vacina recebeu o nome de Sputnik V em homenagem ao primeiro satélite do mundo, lançado pela União Soviética em outubro de 1957. Especialistas ocidentais alertaram contra seu uso até que tenham sido tomadas as medidas regulatórias e o produto tenha passado pelos testes aprovados internacionalmente.

Atualmente, testes da fase 3, o último da etapa de desenvolvimento de vacinas, estão sendo realizados na Rússia e contam com mais de 40 mil voluntários. Em agosto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, já tinha dito que o país pretendia participar dos testes e que também deseja produzir a imunização, apesar da grave crise econômica que enfrenta.

Além da Venezuela, as Filipinas e o Paraná, no Brasil, mostraram interesse em testar e produzir a vacina.

Segundo dados oficiais, foram registrados 76.029 casos de covid-19 na Venezuela e 635 mortes. A oposição e organizações de direitos humanos, porém, contestam os dados e afirmam que o governo está escondendo uma situação muito pior.

A Rússia tem sido o principal aliado de Maduro diante da pressão internacional, liderada pelos Estados Unidos, para retirá-lo do poder desde a última eleição presidencial em 2018, que foi marcada por acusações de fraude e intimidação. Em 2019, Brasil, EUA e dezenas de outros países reconheceram Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como líder do país.

CN/rtr/afp

Por Deutsche Welle

Paraná assina acordo com Rússia sobre vacina Sputnik

O governo do Paraná celebrou hoje (12) um memorando de entendimento com a Rússia para dar início às tratativas relativas à vacina anunciada pelo país ontem (11). O acordo não traz vinculação ou firma um compromisso de aquisição ou fabricação da vacina, mas dá os primeiros passos.

Ratinho Júnior, governador do estado do Paraná (Rodrigo Felix Leal/AEN)

De acordo com o governo do Paraná, trata-se de um memorando de “aproximação e início de parceria”. A partir dele representantes do governo paranaense passarão a acompanhar o desenvolvimento da vacina em interlocução com o governo russo.

Uma força-tarefa composta por diversas instituições do estado será montada. A previsão é de que até segunda-feira (17) seja publicado um decreto instituindo o grupo, que ficará responsável por elaborar um protocolo para balizar o intercâmbio de informações entre o colegiado e as autoridades russas.

Vacina

A vacina russa foi anunciada pelo presidente Vladimir Putin ontem (11) com uma projeção de imunização em massa até o fim do ano. A solução foi desenvolvida pelo instituto Gameleya, vinculado do Ministério da Saúde daquele país.

Contudo, a decisão levantou preocupações de pesquisadores e autoridades de saúde internacionais e de governos, uma vez que os resultados dos testes nas fases 1 e 2 ainda não foram publicados.

Até o momento o governo do Paraná não recebeu informações sobre esses resultados. O acesso aos dados deverá ser realizado a partir do estabelecimento do protocolo de pesquisa com equipes russas.

“Não tivemos informações sobre questão de segurança porque a força-tarefa terá essa incumbência juntamente com grupo de pesquisadores da Rússia de fazer intercâmbio de informações”, explicou o presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar), ente pública que ficará a cargo da parceria, Jorge Callado Afonso, em entrevista coletiva após o evento.

A previsão é que os testes da fase 3 sejam feitos até outubro na Rússia. Segundo Afonso, de posse dos resultados dos testes será possível elaborar um protocolo de pesquisa para submeter à Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para dar prosseguimento à parceria.

Sobre as desconfianças com a vacina russa, o diretor-presidente da TecPar afirmou que a análise das autoridades de saúde responsáveis pela avaliação das pesquisas será a condição para a continuidade do projeto.

“Se existem incertezas sobre isso, as análises dirão, os órgãos reguladores confirmarão. Não podemos nos pautar apenas por alguns comentários ou citações. Agora é momento de estarmos em contato com os dados e iniciar essas análises”, comentou.

Acordo de transferência

Se o protocolo de pesquisa for aprovado pela Conep e pela Anvisa, a intenção é promover testes de fase 3 com voluntários no Paraná. Caso os resultados sejam promissores, o intuito é celebrar um acordo com transferência de tecnologia para que a TecPar possa fabricar o medicamento.

De acordo com o instituto, a planta de produção da vacina deve custar R$ 80 milhões. Carlos Afonso disse que o governo do Paraná buscará apoio com investidores internacionais e com o governo federal.

Mas o diretor-presidente da TecPar não quis cravar uma previsão de quando a vacina poderá estar disponível. “Não é só ansiedade nossa. Todas as etapas devem ser vencidas dentro do seu tempo. Antes de falar sobre a validação, aprovação da validação e dos testes, a produção é um segundo passo. A produção no Brasil, de forma muito conservadora, seria no segundo semestre de 2021. Isso não impede que o governo brasileiro faça importações. Ela pode chegar antes, se aprovada e registrada no Brasil”, pontuou.

OMS

Diante do anúncio do presidente da Rússia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que não tem acesso aos dados da pesquisa do laboratório russo Instituto Gamaleya para avaliar a eficácia e segurança da vacina. Disse também que a Rússia não precisa do aval da OMS para fazer o registro.

De acordo com a organização, que monitora o desenvolvimento das vacinas, os russos ainda estão na fase 1 de testes e são necessárias três para fazer o registro. Segundo a entidade, uma vacina só deve ser usada na população depois de aprovada nas três etapas.

*Com informações da Radioagência Nacional