PF apreende 329 kg de cocaína em exportadora no Paraná

A Polícia Federal (PF) apreendeu, na madrugada desta quinta-feira (16), uma carga de 329 quilos de cocaína em empresa exportadora de cargas, no município de Paranaguá, no Paraná. A droga estava embalada em tabletes agrupados em 20 fardos.  

Segundo a PF, a cocaína teria sido colocada clandestinamente por criminosos em um contêiner armazenado no pátio da empresa, em meio a uma carga de gergelim cujo destino era o Porto de Rotterdam, na Holanda.

Todo o material foi encaminhado para a Delegacia da PF em Paranaguá, que abriu inquérito para investigar os responsáveis pelo tráfico internacional de cocaína.

por Agência Brasil

Operação contra o tráfico internacional tem buscas em São Paulo e mais 8 Estados

Policiais federais cumpriram nesta quinta-feira (6) 110 mandados judiciais – 38 de prisão e 72 de busca e apreensão – em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Amazonas, Maranhão, Pará, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. A ação faz parte da Operação Grão Branco, cujo alvo é uma quadrilha responsável por tráfico internacional de drogas.

A 1ª Vara da Justiça Federal de Cáceres (MT) determinou ainda a busca e apreensão de dez aeronaves e o sequestro de todos os bens de 103 pessoas físicas e jurídicas investigadas. O valor total de bens sequestrado está sendo apurado.

Como foi o início da investigação

As investigações tiveram início em janeiro de 2019, quando a Polícia Federal (PF) e o Grupo Especial de Fronteira – Gefron, de Mato Grosso – apreenderam 495 kg de cocaína no município de Nova Lacerda (MT). Na operação, foram realizados mais de dez flagrantes com apreensão de aproximadamente quatro toneladas de cocaína, aeronaves e veículos utilizados no transporte e a prisão de mais de 20 pessoas envolvidas com o crime.

“O líder da organização criminosa, já condenado por tráfico de drogas,  encontrava-se foragido da Justiça brasileira e controlava toda a logística do transporte da droga a partir de uma mansão em um condomínio de luxo em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, desde a saída da droga daquele país por meio de aeronaves, até o recebimento dela em pistas clandestinas no Brasil, o carregamento em carretas e a entrega em grandes centros do Brasil”, disse a PF, em nota.

Em 2020, por meio de uma cooperação internacional com a Polícia Boliviana (Cerian – Centro Regional de Inteligência Antinarcóticos), o líder foi expulso do país e entregue às autoridades brasileiras, iniciando o cumprimento da pena pelo crime. Ao mesmo tempo, seus familiares e outros integrantes da organização criminosa continuaram  comandando a logística de transporte da droga.

O nome do líder da organização criminosa não foi divulgado. O nome da Operação Grão Branco deve-se ao transporte de grãos (soja, milho) de Mato Grosso para São Paulo para justificar as viagens das carretas que transportavam a cocaína.

Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil 

Receita apreende 68 quilos de cocaína em carga de limão

(Receita Federal/Reprodução)

A Receita Federal no Porto de Santos, litoral de São Paulo, apreendeu 68 quilos de cocaína escondidos em um contêiner de limão destinado para exportação. Durante a fiscalização de rotina, na manhã de hoje (7), os agentes selecionaram a carga para inspeção.

Segundo a Receita, a carga, de 27 toneladas, precisou ser retirada para que as equipes atingissem o fundo do contêiner e acessassem a parede que separa os equipamentos de refrigeração. Os tabletes de cocaína foram colocados no local do isolamento térmico, em uma tentativa de dificultar o trabalho da fiscalização.

O destino do carregamento era o porto de Roterdã, na Holanda, Europa. A droga interceptada pela Receita foi entregue à Polícia Federal, que acompanhou a operação após a localização do entorpecente e prosseguirá com as investigações com base nas informações fornecidas pela Receita Federal. 

Passageiros são presos em Cumbica tentando embarcar com cocaína

Cão de faro identifica bagagem com droga (Receita Federal)

Agentes da Receita Federal prenderam dois passageiros que tentaram embarcar com carregamento de cocaína no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos. Os flagrantes, totalizando sete quilos de entorpecentes, aconteceram na madrugada de hoje (18) e de ontem (17).

Segundo a Receita, uma das malas com a cocaína foi identificada durante inspeção com cães de faro, na área de bagagem despachada. O entorpecente, cerca de dois quilos, estava escondido em uma adega climatizadora de vinhos. 

A mala era de um passageiro que tinha como destino Addis Ababa, capital da Etiópia. Um vídeo (abaixo), divulgado pela Receita Federal, mostra o momento em que os agentes localizaram a droga dentro do eletrodoméstico e confirmaram se tratar de entorpecente.

(Receita Federal)

Outro caso envolveu um viajante com destino a Maputo, capital de Moçambique. Ele tentou embarcar com 5,124 kg de cocaína escondidos em fundos falsos de bolsas.

Os dois foram presos em flagrante por tráfico internacional de drogas. Eles foram apresentados à Polícia Federal e vão responder pelo crime na Justiça brasileira.

Porto de Santos: sete são presos tentando embarcar droga

Momento do flagrante, gravado por câmeras de vigilância (Receita Federal/Reprodução)

Uma operação prendeu, na madrugada de hoje (9), no Porto de Santos, sete pessoas suspeitas de tráfico internacional de drogas. A quadrilha foi flagrada, segundo a Receita Federal, no momento em que tentava embarcar mais de uma tonelada de cocaína para o exterior.

A estratégia do grupo era incluir a droga em um contêiner carregado com 26 toneladas de madeira, que partiria do Porto de Santos. O destino era o porto de Antuérpia, na Bélgica.

O flagrante foi realizado pela Receita e pela Polícia Federal, que investigava o bando. Ao todo, 1.111 quilos da droga foram apreendidos.


Segundo nota da Receita, os envolvidos no esquema estavam ainda com armas, incluindo um fuzil e duas pistolas, celulares, toucas ninja e alicate para cortar o lacre do contêiner. A Polícia Federal prosseguirá com as investigações.

(Receita Federal/Reprodução)

Tráfico internacional: PF prende 5 pessoas e procura outras 3

(PF/Reprodução)

A Polícia Federal (PF) de São Paulo prendeu hoje (20) cinco integrantes de um grupo responsável pelo aliciamento de pessoas usadas para fazer o transporte de cocaína do Brasil para o Líbano. Outros três investigados estão foragidos. Além de comprar a droga na Colômbia, trazer para o Brasil e aliciar pessoas, os criminosos providenciavam a hospedagem, o transporte com as malas, os contatos e a recepção das remessas no Líbano.

“Eles sempre colocavam com a mula [pessoa que leva a droga] um acompanhante para evitar que o aliciado desistisse de concluir a missão, por meio de intimidação e ameaças.

O objetivo era garantir que as mulas embarcassem, assim o acompanhante ficava até o momento do check-in. Quando ocorriam abordagens pela polícia, essas pessoas desapareciam para não serem pegas. “A droga era transportada na mala que seria despachada”, informou a Polícia Federal.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em São Paulo, Jundiaí e Foz do Iguaçu. Também foram efetivadas medidas judiciais de bloqueio de valores e sequestros de veículos, imóveis e dinheiro, que totalizaram aproximadamente R$ 132 milhões. Com os integrantes da quadrilha foram apreendidos também mais de 60 quilos de cocaína e R$ 250 mil.

“Uma das características desse grupo é a de que os pagamentos para as mulas só eram feitos depois de duas ou três viagens e variavam entre US$ 15 a 25 mil. A organização é libanesa e já atua há pelo menos quatro anos. As mulas são geralmente estrangeiros, libaneses”, afirmou a PF.

As investigações estão em andamento desde 2017 e os membros da organização foram identificados devido a delações premiadas. Uma das dificuldades para concluir a operação Overweight foi a de que os criminosos sempre mudavam de endereço. “Para executar a operação hoje, muitos endereços foram obtidos na semana passada”, disse a PF.

Os envolvidos responderão pelos crimes de tráfico internacional de entorpecentes e organização criminosa.

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil 

Receita apreende 853 kg de cocaína no porto

(Receita Federal/Reprodução))

Durante a execução de trabalhos de rotina de vigilância e repressão aduaneiras, equipes da Alfândega da Receita Federal em Santos, no litoral de São Paulo, apreenderam 853 kg de cocaína escondidos em uma carga de exportação. Realizada na tarde de hoje (18), a apreensão ocorreu em um carregamento de proteína concentrada de soja, destinado ao porto de Roterdã, na Holanda.

Para a seleção de cargas são utilizados critérios objetivos de gerenciamento e análise de risco, bem como a inspeção não intrusiva por imagens de escâner. Outra ferramenta importante é a participação de cães farejadores da Receita Federal. Durante a operação, o cão de faro da Alfândega de Santos sinalizou positivamente para a presença de drogas.

A importância desse trabalho sistemático de seleção é garantir o fluxo do comércio internacional, muito importante para a economia do país, sem perder de vista a segurança das operações.

A droga interceptada pela Alfândega da Receita Federal foi entregue à Polícia Federal, que acompanhou a operação a partir da localização da cocaína, e prosseguirá com as investigações a partir das informações fornecidas pela Receita Federal. O repasse de informações das operações à polícia judiciária tanto pode dar início a novas investigações, como complementar as que estão em curso. 

A Receita Federal apreendeu mais de 20,5 toneladas de cocaína no Porto de Santos em 2020. 

Em 2021, já foram duas apreensões totalizando 1.523 kg da droga.

Na maior parte das apreensões, a droga foi encontrada dentro de contêineres que seriam enviados para a Europa. As cargas em meio as quais o entorpecente é escondido são as mais variadas possíveis. Sucata, óleo, limão, farinha, papel, tripas de carne, açúcar, café, máquinas, goiabada e proteínas vegetais são alguns exemplos. 

*Com informações da Receita Federal

Apreensões do tráfico renderam R$ 100 milhões em oito meses

(Reprodução)

O Fundo Nacional Antidrogas (Funad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), arrecadou mais de R$ 100 milhões nos primeiros oito meses do ano em apreensões do tráfico. A soma do dinheiro obtido nas operações de combate ao tráfico é maior do que todo o arrecadado em todo o ano passado (R$ 91,7 milhões).

Entre os recursos das apreensões, R$ 62 milhões vieram da venda de moedas estrangeiras confiscadas nas operações e R$ 19,8 milhões foram obtidos com a venda de patrimônio tomado dos traficantes.

A pasta pretende investir cerca de R$ 40 milhões nas polícias dos estados. Por exemplo, no reaparelhamento do Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul e da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, além de equipamentos de identificação, rastreamento e interceptação de suspeitos para a Polícia Civil do Amazonas.

A decisão de como investir o dinheiro de apreensões cabe à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do MJSP. “Pegamos os recursos que foram apreendidos do tráfico e investimos nas polícias para equipá-las e capacitá-las para fazerem novas apreensões de bens, gerando novos recursos para o Funad. A estratégia é descapitalizar o narcotráfico por meio dos seus ativos criminais”, explicou o diretor de Políticas Públicas e Articulação Institucional da Senad, Gustavo Camilo Baptista.

O valor arrecadado pelo Fundo também viabilizará a entrega da Escola Nacional de Cães de Faro, na sede da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, prevista para ser inaugurada em novembro. O investimento de aproximadamente R$ 4 milhões vai reforçar as ações policiais de combate a entorpecentes em todo o país.

Segundo Baptista, a estratégia do governo é concentrar-se na apreensão de bens dos traficantes, para poder reverter isso em benefício da própria polícia. “As drogas têm baixo valor acumulado em si. O governo quer se voltar para a apreensão dos bens do tráfico para enfraquecer as organizações criminosas e fortalecer as polícias”, disse.

PF faz operação em São Paulo contra tráfico internacional

A Polícia Federal (PF) deflagrou nas primeiras horas da manhã desta terça-feira (18) a Operação Além Mar, que investiga o tráfico internacional de drogas no país. Segundo a PF, Quatro organizações criminosas autônomas, atuando em conexão, enviaram toneladas de cocaína para a Europa, usando os portos de vários estados, entre eles, o Porto de Natal no Rio Grande do Norte.

A primeira célula criminosa, estabelecida na cidade de São Paulo, fazia sistematicamente a “internação de cocaína através da fronteira do Brasil com o Paraguai, transportando-a via aérea até o estado de São Paulo e distribuindo-a no atacado para organizações criminosas estabelecidas no Brasil e na Europa. Um segundo grupo criminoso, em Campinas, recebia a cocaína para distribuição interna e exportação para Cabo Verde e Europa.

A terceira célula criminosa, localizada no Recife, integrada por “empresários do setor de transporte de cargas, funcionários e motoristas de caminhão cooptados, e provê a logística de transporte rodoviário da droga e o armazenamento de carga até o momento de sua ocultação nos containers”.

A quarta parte da organização criminosa, era estabelecida na região do Braz, em São Paulo, e atuava como “banco paralelo, disponibilizando sua rede de contas bancárias para movimentação de recursos de terceiros, de origem ilícita, mediante controle de crédito/débito, cujas restituições se dão em espécie e a partir de TEDs, inclusive com compensação de movimentação havida no exterior (dólar-cabo)”.

Os policiais federais cumprem 139 mandados de busca e apreensão e 50 de prisão, sendo 30 de prisões temporárias e 20 de prisões preventivas. A Justiça Federal determinou também a apreensão de cinco helicópteros, sete aviões, 42 caminhões e 35 imóveis urbanos e rurais, além do bloqueio de R$ 100 milhões.

As ações ocorrem em endereços relacionados aos investigados nos estados de Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo Alagoas, Mato Grosso do Sul, Goiás, da Bahia, Paraíba, do Ceará, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte e no Distrito Federal.

Segundo a PF, as investigações começaram há 4 anos pela superintendência de Pernambuco.

PCC: Parceiro de Marcola, Fuminho é trazido ao Brasil

Preso em Moçambique, na África, no último dia 13, Fuminho saiu do aeroporto de Maputo na madrugada deste domingo (19/4)

Fuminho é extraditado para o Brasil | Foto: Arquivo Ponte

O megatraficante Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, preso no último dia 13 em Moçambique, na África, foi extraditado hoje para o Brasil.

Ele embarcou 1h30 (horário local) da madrugada deste domingo (19/4) no aeroporto de Maputo, capital moçambicana, em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e estava algemado e com correntes nos pés.

TRAFICANTE FUMINHO SEGUE PARA O BRASIL

FUMINHO EXTRADITADO PARA O BRASIL Procurado pela justiça brasileira há 21 anos, Gilberto Aparecido dos Santos, ou simplesmente Fuminho, já está a caminho do Brasil. O presumível traficante de droga foi expulso administrativamente do território nacional por ordens do Ministro do Interior, Amade Miquidade que fundamenta a expulsão com “ imigração ilegal”. O processo foi gerido de forma ultra secreta, até a confirmação da saída de Fuminho do território nacional, através de uma aeronave da Força Aérea Brasileira. A Miramar sabe que Fuminho saiu da Penitenciária de Máxima Segurança, vulgo BO durante a madrugada de hoje e foi conduzido ao Aeroporto Internacional de Mavalane, donde partiu para o Brasil.Fuminho chegou no aeroporto com uma corrente que isolava as mãos e os pés, tudo para evitar a fuga. Um esquema de segurança desenhado ao detalhe para garantir a expulsão de Moçambique.O Ministro do Interior diz que aquando da entrada no território nacional, o cidadão Luiz Gomes de Jesus, também conhecido por Gilberto Aparecido dos Santos, não obedeceu os procedimentos migratórios e a entrada irregular é fundamento para expulsão administrativa.Alguns juristas esperavam ver o indiciado julgado e condenado em Moçambique e depois expulso, dado que se aventava a possibilidade de ter cometido crimes no território nacional.Fuminho foi detido na tarde da última terça-feira, em Maputo, num hotel de luxo, no bairro Sommerchield.O Ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, afirmou que a prisão do traficante, que estava há 21 anos foragido, foi um “golpe poderoso” na organização criminosa que ele fazia parte.A operação da prisão de Fuminho foi uma acção de cooperação policial internacional entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Moçambique), a Polícia Federal (Brasil) e a DEA (Drug Enforcement Administration), órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos responsável pelo combate às drogas.Fuminho é apontado como responsável pelo fluxo de dinheiro e da logística necessária para o tráfico internacional de drogas na região da Bolívia e Paraguai.A carreira no crime ganhou relevância quando fugiu da prisão, no Carandiru, em São Paulo em janeiro de 1999. Desde então, era procurado pela polícia brasileira.Em abril de 2019, Fuminho teria dado o aval para membros da facção criminosa fazer o resgate de Marcola , líder máximo da facção criminosa, do Presídio Federal de Brasília. Dois aviões e um helicóptero, que seriam caracterizados como da Polícia Militar de São Paulo, seriam usados no plano.Aos órgãos de comunicação assegurou não conhecer Marcola.Posted by TV Miramar on Sunday, April 19, 2020

Considerado o maior traficante de cocaína do Brasil e o principal fornecedor de drogas para o PCC (Primeiro Comando da Capital), Fuminho acabou preso em um hotel de luxo quando estava com dois nigerianos.

Há suspeitas de que os nigerianos não eram amigos de Fuminho, mas homens infiltrados pela DEA (Drug Enforcement Administration), a Polícia Federal dos Estados Unidos, responsável pela prisão do brasileiro.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, é apontado como braço direito de Marcola, líder do PCC (Reprodução)

Ainda não se sabe para qual presídio Fuminho será removido. A expectativa é de que ele seja encaminhado para uma das cinco penitenciárias federais do país: Brasília (DF), Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Catanduvas (PR) ou Campo Grande (MS).

Fuminho estava foragido desde janeiro de 1999, quando escapou da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, junto com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC.

O advogado de Fuminho, Eduardo Dias Durante, contratou dois escritórios de advocacia para auxiliá-lo na defesa de seu cliente em Moçambique. Um deles é ligado à Sara Mandela, filha do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que acompanhou todo o processo desde a prisão de Fuminho até a extradição dele.

Em Maputo, Fuminho ficou preso em uma cela monitorada por diversas câmeras de segurança. Ele permaneceu o tempo todo vigiado por agentes da DEA.

Os policiais norte-americanos caçavam Fuminho desde 2014, período em que ele morou na Flórida, nos EUA, com o parceiro do PCC Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, 42 anos. Ambos escaparam de um cerco e conseguiram fugir para o Panamá.

No Brasil há dois mandados de prisão contra Fuminho. Um deles foi expedido pela Justiça do Ceará, em fevereiro de 2018. Ele foi acusado de comandar os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Ambos eram homens fortes do PCC, apenas abaixo de Marcola e foram executados sob a acusação de desviar dinheiro da facção criminosa. Os dois adquiriram imóveis de luxo no valor de R$ 8 milhões e veículos importados avaliados em R$ 2 milhões no Ceará.

O outro mandado de prisão refere-se a uma ocorrência de tráfico de drogas. Fuminho foi acusado pela Polícia Federal de guardar ao menos 18 armas de grosso calibre, como fuzis e submetralhadoras, e 470 kg de cocaína em um sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo.

A droga e o armamento estavam escondidos em um bunker, um poço com mais de 30 metros de profundidade que contava até com um elevador hidráulico.

Além de Fuminho, foram acusados pelo crime Antonio Farias da Costa, Charles do Reis Araújo, Dirnei de Jesus Ramos, e Vanderlei José Ramos e Ailton José Oliveira, todos considerados megatraficantes.

Dirnei, Charles e Ailton foram condenados a 21 anos de prisão. Charles foi apontado como o dono do sítio de Juquitiba. Antonio recebeu uma pena de 24 anos e Vanderlei de 25 anos.

A Polícia Federal monitorava Fuminho há meses naquela época. Agentes o seguiram e o filmaram em diversas ocasiões, como na Favela Heliópolis, zona sul da cidade de SP, na Favela Pantanal, zona leste, e num posto de gasolina na região de Capivari, interior de São Paulo.

Os agentes federais já tinham montado um plano para prender Fuminho e sua quadrilha, mas policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), invadiram o sítio de Juquitiba em março de 2013 e o bando conseguiu fugir.

A Rota alegou na época que havia recebido denúncia anônima sobre a existência do sítio, das armas e da droga apreendidos. Porém, a invasão ocorreu graças às escutas telefônicas feitas com autorização judicial por policiais militares do 18º Batalhão do Interior, em Presidente Prudente.

Segundo o advogado Eduardo Dias Durante, não há nada que comprove a participação de Fuminho com o tráfico de drogas e com o envolvimento dos assassinatos de Gegê do Mangue e de Paca.

Penitenciária federal de segurança máxima de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Caso Fuminho seja mandado para a Penitenciária de Brasília, ele ficará mais perto de Marcola e de outros homens da cúpula do PCC, como Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pachedo de Andrade, o Vida Loka, Anderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e Paulo Cesar Souza do Nascimento Júnior, o Neblina.

Histórico de Fuminho

Desses líderes do PCC, Fuminho cumpriu pena somente com Marcola, na Casa de Detenção do Carandiru. Esse presídio, palco do massacre de 111 preso pela PM em outubro de 1992, foi a “principal escola, a faculdade do crime” para Fuminho.

Ele foi preso pela primeira vez em 9 de abril de 1990, por uma simples contravenção penal. Foi condenado a pagar uma multa equivalente a 10 dias do salário mínimo da época.

Em 3 de julho de 1991 foi preso novamente, dessa vez por roubo, e pisou pela primeira vez na Casa de Detenção. Acabou condenado a quatro anos. Sobreviveu ao maior massacre da história prisional do país.

Em maio de 1993, três meses antes da fundação do PCC, Fuminho foi mandado para o regime semiaberto em Bauru, no interior paulista. Ele fugiu em 4 de janeiro de 1994.

Nas ruas voltou a roubar. Por um assalto realizado em dezembro de 1993 ele foi condenado a seis anos e oito meses. Em maio de 1998 foi preso e condenado a quatro anos e oito meses por tráfico.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola (Reprodução)

Em janeiro do ano seguinte, Fuminho escapou da Detenção com Marcola e não parou mais de traficar drogas. Ele é apontado pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual como responsável pela exportação de ao menos uma tonelada de cocaína para a Europa por mês.

Agentes federais já interceptaram vários carregamentos de droga atribuídos a Fuminho, com apreensões inclusive de aeronaves. O advogado Eduardo Dias Durante ressalta que seu cliente jamais foi um narcotraficante.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte