Alemanha: Cresce uso de drogas ilícitas na pandemia

(Arquivo)

Autoridades da Alemanha apontam um aumento no consumo de drogas ilegais no país. As estatísticas indicam crescimento constante nos últimos nove anos, tendência que nem mesmo a pandemia de coronavírus conseguiu interromper.

De acordo com o Departamento Federal de Investigações (BKA, na sigla em alemão), a alta nos registros de delitos ligados a entorpecentes se deve menos a uma fiscalização bem-sucedida que ao efetivo aumento no consumo.

De acordo com o chefe do BKA, Holger Münch, o nível de fiscalização foi tão alto em 2019 quanto no ano anterior.


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De longe, o maior aumento verificado em 2019 foi o de delitos relacionados à cocaína, que apresentaram alta de 12,2%. “Percebemos que ela não é mais uma droga de elite”, afirmou Münch nesta terça-feira (08/09) em Berlim, durante a apresentação das últimas estatísticas sobre criminalidade relacionada a entorpecentes na Alemanha.

Embora a venda de drogas nas ruas tenham sido dificultadas neste ano devido às restrições impostas para conter a pandemia de covid-19, a polícia percebeu que “não houve falta no mercado”, de acordo com Münch. Ele afirmou que narcóticos ainda são fabricados e transportados, seja por ar ou por mar. O consumo também permaneceu constante.

Münch ressaltou que os traficantes se adaptaram rapidamente aos novos tempos. A distribuição de droga através de pedidos pela internet e pelo envio de quantidades menores pelo correio teria aumentado.

De acordo com o relatório da situação das drogas no país, em 2019 foram descobertos 31 laboratórios para fabricação de drogas sintéticas ilegais em todo o país, correspondendo a um aumento de cerca de 63%.

No geral, o número de delitos de drogas registrados em 2019 aumentou 2,6% em comparação com o ano anterior, para 359.747 casos. De longe, a maioria dos delitos esteve relacionado à cannabis (217.929).

De acordo com a lei alemã sobre narcóticos, quem cultiva substâncias intoxicantes como a cannabis sem permissão, fabrica, comercializa ou compra está sujeito a pena de prisão de até cinco anos ou multa. Formalmente, o consumo de entorpecentes não é criminalizado na Alemanha. Mas todas as ações que levam a ele são passíveis de punição.

Portar pequenas quantidades de cannabis para consumo pessoal não é considerado infração penal. Entretanto, a definição do que é considerado “pequena quantidade” difere conforme o estado alemão.

Em 2019, segundo o BKA, a maioria dos suspeitos traficantes de drogas sintéticas era de alemães (80%). Entre os supostos traficantes de heroína, um a cada dois tinham cidadania alemã. Entre os suspeitos de traficar cocaína, 57% eram estrangeiros.

A maior quantidade de cocaína apreendida na Alemanha até hoje foi em julho de 2019 durante uma inspeção de rotina no porto de Hamburgo. A polícia descobriu 4,5 toneladas de cocaína num contêiner com soja do Uruguai que deveria ir, via Hamburgo, para a Bélgica. O valor estimado do carregamento foi de quase um bilhão de euros.

MD/dpa/ots

Por Deutsche Welle 

Cocaína que seria levada para a Alemanha é apreendida no Porto de Santos

Droga estava escondida na parede do contêiner (Receita Federal/Reprodução)

Equipes da Alfândega da Receita Federal apreenderam 54 kg de cocaína escondidos em um contêiner no Porto de Santos. A droga estava escondida e uma carga de limão e que tinha como destino o porto de Hamburgo, na Alemanha.

A carga foi selecionada para conferência em um processo de rotina. O procedimento inclui o uso de imagens de escâner. Semelhante às últimas apreensões realizadas pela Alfândega da Receita Federal em Santos, a droga não estava na carga, mas sim escondida dentro da parede traseira do contêiner.



Durante a inspeção, o cão de faro da Receita Federal sinalizou positivamente para a presença de drogas. Aberta a parede do contêiner, foram localizados diversos tabletes de cocaína em seu interior, no lugar do isolamento térmico.

A droga interceptada pela Alfândega foi entregue à Polícia Federal, que prosseguirá com as investigações a partir das informações fornecidas pela Receita Federal.

*Com informações da Receita Federal

Decisão do STJ pode soltar mais de mil traficantes de SP

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu hoje (8) um habeas corpus coletivo para soltar todos os presos condenados por tráfico privilegiado e que cumprem pena de um ano e oito meses em regime fechado. De acordo com o tribunal, a medida deve atingir mais mil pessoas presas por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). 

Na decisão, por unanimidade, os ministros do colegiado entenderam que o TJSP está descumprindo reiteradamente decisões de instâncias superiores que impedem a fixação do regime fechado nos casos em que ficou configurado o crime de tráfico privilegiado. Uma das decisões citadas foi proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que desconsiderou o caráter hediondo do tráfico privilegiado, autorizando punição mais branda. 

O caso chegou ao STJ a partir de um recurso protocolado pela Defensoria Pública. O processo envolve um homem acusado de guardar 23 pedras de crack e quatro trouxinhas de cocaína com peso de 2,7 gramas. Com a decisão, ele e os demais presos que estão na mesma situação processual vão cumprir pena em regime aberto. 

É chamado de tráfico privilegiado a diminuição de pena prevista no Parágrafo 4º do Artigo. 33 da Lei 11.343/06, que prevê a redução de um sexto a dois terços da pena desde que o réu seja primário, tenha bons antecedentes, não se dedique a atividades criminosas e nem integre organização criminosa.

Por André Richter – Repórter da Agência Brasil

PCC: Parceiro de Marcola, Fuminho é trazido ao Brasil

Preso em Moçambique, na África, no último dia 13, Fuminho saiu do aeroporto de Maputo na madrugada deste domingo (19/4)

Fuminho é extraditado para o Brasil | Foto: Arquivo Ponte

O megatraficante Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, preso no último dia 13 em Moçambique, na África, foi extraditado hoje para o Brasil.

Ele embarcou 1h30 (horário local) da madrugada deste domingo (19/4) no aeroporto de Maputo, capital moçambicana, em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e estava algemado e com correntes nos pés.

TRAFICANTE FUMINHO SEGUE PARA O BRASIL

FUMINHO EXTRADITADO PARA O BRASIL Procurado pela justiça brasileira há 21 anos, Gilberto Aparecido dos Santos, ou simplesmente Fuminho, já está a caminho do Brasil. O presumível traficante de droga foi expulso administrativamente do território nacional por ordens do Ministro do Interior, Amade Miquidade que fundamenta a expulsão com “ imigração ilegal”. O processo foi gerido de forma ultra secreta, até a confirmação da saída de Fuminho do território nacional, através de uma aeronave da Força Aérea Brasileira. A Miramar sabe que Fuminho saiu da Penitenciária de Máxima Segurança, vulgo BO durante a madrugada de hoje e foi conduzido ao Aeroporto Internacional de Mavalane, donde partiu para o Brasil.Fuminho chegou no aeroporto com uma corrente que isolava as mãos e os pés, tudo para evitar a fuga. Um esquema de segurança desenhado ao detalhe para garantir a expulsão de Moçambique.O Ministro do Interior diz que aquando da entrada no território nacional, o cidadão Luiz Gomes de Jesus, também conhecido por Gilberto Aparecido dos Santos, não obedeceu os procedimentos migratórios e a entrada irregular é fundamento para expulsão administrativa.Alguns juristas esperavam ver o indiciado julgado e condenado em Moçambique e depois expulso, dado que se aventava a possibilidade de ter cometido crimes no território nacional.Fuminho foi detido na tarde da última terça-feira, em Maputo, num hotel de luxo, no bairro Sommerchield.O Ministro da Justiça do Brasil, Sérgio Moro, afirmou que a prisão do traficante, que estava há 21 anos foragido, foi um “golpe poderoso” na organização criminosa que ele fazia parte.A operação da prisão de Fuminho foi uma acção de cooperação policial internacional entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Moçambique), a Polícia Federal (Brasil) e a DEA (Drug Enforcement Administration), órgão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos responsável pelo combate às drogas.Fuminho é apontado como responsável pelo fluxo de dinheiro e da logística necessária para o tráfico internacional de drogas na região da Bolívia e Paraguai.A carreira no crime ganhou relevância quando fugiu da prisão, no Carandiru, em São Paulo em janeiro de 1999. Desde então, era procurado pela polícia brasileira.Em abril de 2019, Fuminho teria dado o aval para membros da facção criminosa fazer o resgate de Marcola , líder máximo da facção criminosa, do Presídio Federal de Brasília. Dois aviões e um helicóptero, que seriam caracterizados como da Polícia Militar de São Paulo, seriam usados no plano.Aos órgãos de comunicação assegurou não conhecer Marcola.Posted by TV Miramar on Sunday, April 19, 2020

Considerado o maior traficante de cocaína do Brasil e o principal fornecedor de drogas para o PCC (Primeiro Comando da Capital), Fuminho acabou preso em um hotel de luxo quando estava com dois nigerianos.

Há suspeitas de que os nigerianos não eram amigos de Fuminho, mas homens infiltrados pela DEA (Drug Enforcement Administration), a Polícia Federal dos Estados Unidos, responsável pela prisão do brasileiro.

Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, 49 anos, é apontado como braço direito de Marcola, líder do PCC (Reprodução)

Ainda não se sabe para qual presídio Fuminho será removido. A expectativa é de que ele seja encaminhado para uma das cinco penitenciárias federais do país: Brasília (DF), Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Catanduvas (PR) ou Campo Grande (MS).

Fuminho estava foragido desde janeiro de 1999, quando escapou da Casa de Detenção, no Carandiru, zona norte de São Paulo, junto com Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC.

O advogado de Fuminho, Eduardo Dias Durante, contratou dois escritórios de advocacia para auxiliá-lo na defesa de seu cliente em Moçambique. Um deles é ligado à Sara Mandela, filha do ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, que acompanhou todo o processo desde a prisão de Fuminho até a extradição dele.

Em Maputo, Fuminho ficou preso em uma cela monitorada por diversas câmeras de segurança. Ele permaneceu o tempo todo vigiado por agentes da DEA.

Os policiais norte-americanos caçavam Fuminho desde 2014, período em que ele morou na Flórida, nos EUA, com o parceiro do PCC Wilson José Lima de Oliveira, o Neno, 42 anos. Ambos escaparam de um cerco e conseguiram fugir para o Panamá.

No Brasil há dois mandados de prisão contra Fuminho. Um deles foi expedido pela Justiça do Ceará, em fevereiro de 2018. Ele foi acusado de comandar os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca.

Ambos eram homens fortes do PCC, apenas abaixo de Marcola e foram executados sob a acusação de desviar dinheiro da facção criminosa. Os dois adquiriram imóveis de luxo no valor de R$ 8 milhões e veículos importados avaliados em R$ 2 milhões no Ceará.

O outro mandado de prisão refere-se a uma ocorrência de tráfico de drogas. Fuminho foi acusado pela Polícia Federal de guardar ao menos 18 armas de grosso calibre, como fuzis e submetralhadoras, e 470 kg de cocaína em um sítio em Juquitiba, na Grande São Paulo.

A droga e o armamento estavam escondidos em um bunker, um poço com mais de 30 metros de profundidade que contava até com um elevador hidráulico.

Além de Fuminho, foram acusados pelo crime Antonio Farias da Costa, Charles do Reis Araújo, Dirnei de Jesus Ramos, e Vanderlei José Ramos e Ailton José Oliveira, todos considerados megatraficantes.

Dirnei, Charles e Ailton foram condenados a 21 anos de prisão. Charles foi apontado como o dono do sítio de Juquitiba. Antonio recebeu uma pena de 24 anos e Vanderlei de 25 anos.

A Polícia Federal monitorava Fuminho há meses naquela época. Agentes o seguiram e o filmaram em diversas ocasiões, como na Favela Heliópolis, zona sul da cidade de SP, na Favela Pantanal, zona leste, e num posto de gasolina na região de Capivari, interior de São Paulo.

Os agentes federais já tinham montado um plano para prender Fuminho e sua quadrilha, mas policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), invadiram o sítio de Juquitiba em março de 2013 e o bando conseguiu fugir.

A Rota alegou na época que havia recebido denúncia anônima sobre a existência do sítio, das armas e da droga apreendidos. Porém, a invasão ocorreu graças às escutas telefônicas feitas com autorização judicial por policiais militares do 18º Batalhão do Interior, em Presidente Prudente.

Segundo o advogado Eduardo Dias Durante, não há nada que comprove a participação de Fuminho com o tráfico de drogas e com o envolvimento dos assassinatos de Gegê do Mangue e de Paca.

Penitenciária federal de segurança máxima de Brasília (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Caso Fuminho seja mandado para a Penitenciária de Brasília, ele ficará mais perto de Marcola e de outros homens da cúpula do PCC, como Roberto Soriano, o Tiriça, Abel Pachedo de Andrade, o Vida Loka, Anderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, e Paulo Cesar Souza do Nascimento Júnior, o Neblina.

Histórico de Fuminho

Desses líderes do PCC, Fuminho cumpriu pena somente com Marcola, na Casa de Detenção do Carandiru. Esse presídio, palco do massacre de 111 preso pela PM em outubro de 1992, foi a “principal escola, a faculdade do crime” para Fuminho.

Ele foi preso pela primeira vez em 9 de abril de 1990, por uma simples contravenção penal. Foi condenado a pagar uma multa equivalente a 10 dias do salário mínimo da época.

Em 3 de julho de 1991 foi preso novamente, dessa vez por roubo, e pisou pela primeira vez na Casa de Detenção. Acabou condenado a quatro anos. Sobreviveu ao maior massacre da história prisional do país.

Em maio de 1993, três meses antes da fundação do PCC, Fuminho foi mandado para o regime semiaberto em Bauru, no interior paulista. Ele fugiu em 4 de janeiro de 1994.

Nas ruas voltou a roubar. Por um assalto realizado em dezembro de 1993 ele foi condenado a seis anos e oito meses. Em maio de 1998 foi preso e condenado a quatro anos e oito meses por tráfico.

Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola (Reprodução)

Em janeiro do ano seguinte, Fuminho escapou da Detenção com Marcola e não parou mais de traficar drogas. Ele é apontado pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual como responsável pela exportação de ao menos uma tonelada de cocaína para a Europa por mês.

Agentes federais já interceptaram vários carregamentos de droga atribuídos a Fuminho, com apreensões inclusive de aeronaves. O advogado Eduardo Dias Durante ressalta que seu cliente jamais foi um narcotraficante.

Por Josmar Jozino – Repórter da Ponte

PRF apreende carga de cocaína em rodovia federal

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou sua maior apreensão de cocaína deste ano. Mais de 1 tonelada da droga foi encontrada dentro de uma carreta estacionada no pátio de um posto de combustível, na altura do quilômetro 637, da Rodovia Fernão Dias (BR 381), em Santo Antônio do Amparo, em Minas Gerais, nessa segunda-feira (16).

A apreensão ocorreu durante procedimento de fiscalização, depois que os policiais rodoviários desconfiaram de dois veículos com placas de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, que faziam pernoite no local. Ao fazerem a abordagem dos condutores, os agentes perceberam várias contradições nas informações repassadas, como o motivo do automóvel estar fazendo a viagem junto com a carreta.



Ao vistoriarem o carro e a carreta, que transportava luvas para procedimentos cirúrgicos, os policiais rodoviários localizaram no baú da carreta cerca de 1.120 tabletes de cocaína escondidos dentro de 34 bolsas de viagem, com peso total de aproximadamente 1.120 kg da droga.

Após a identificação da droga os dois motoristas foram detidos e confessaram estar juntos porque o automóvel fazia a escolta da carreta com intuito de informar sobre possíveis ações policiais no decorrer da viagem, que saiu do interior de Santa Catarina e iria para a Itabuna, na Bahia.

A cocaína foi apreendida e os dois motoristas detidos e encaminhados para a Polícia Federal em Belo Horizonte.

Denúncia de tráfico ajudou a prender mentor de roubo em Cumbica

Câmeras gravaram o roubo dentro do terminal de cargas do aeroporto


A Polícia Civil prendeu mais um suspeito de envolvimento no roubo de mais de 700 quilos de ouro ocorrido no terminal de cargas do aeroporto de Guarulhos, em julho de 2019. O mandado foi cumprido na noite dessa sexta-feira (10), pelo Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc).

A Polícia Civil diz que Francisco Teotônio da Silva Pasqualini é o mentor do crime (Reprodução)

Conforme informou a corporação, em nota, o homem, de 55 anos, foi detido na Rua José de França Dias, no bairro Jardim São Caetano. Ele foi localizado após uma denúncia sobre tráfico de drogas, que teria sido praticado em Heliópolis, a aproximadamente cinco quilômetros do local.

Ainda segundo a assessoria de imprensa da corporação, o suspeito confessou ser procurado pelas autoridades policiais, ao ser abordado. Os agentes conduziram-no à delegacia, onde confirmaram estar em aberto um mandado de prisão contra ele, expedido pela 6ª Vara Criminal de Guarulhos. 

Sobre o roubo


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De acordo com a polícia, ao menos dez pessoas teriam participado do crime. As investigações indicam que o grupo chegou ao aeroporto em dois carros identificados como se fossem viaturas da Polícia Federal. Fortemente armados, teriam rendido os funcionários que faziam a manipulação da carga, obrigando-os a transferir o ouro para um dos veículos.

A corporação destacou que a entrada dos ladrões foi facilitada pelo supervisor de logística, que afirmou ter sido rendido na noite anterior. O metal, dividido em 31 malotes, tinha como destino Nova York, nos Estados Unidos, e Toronto, no Canadá.

Corregedoria investiga vazamento de dados de PMs e viaturas

Por Arthur Stabile

Corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes define o caso como uma ‘porta aberta’ e não hackeamento do sistema da PM (Mariana Ferrari/Ponte Jornalismo)


A Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo abriu investigação para apurar o vazamento de informações do Copom Online, sistema de dados em tempo real da corporação. Reportagem da Ponte denunciou nesta sexta-feira (18/10) que traficantes teriam tido acesso ao sistema, conforme denúncia de PMs que mostram em vídeo o celular de um suspeito com login para a ferramenta. 

Em vídeo, um PM mostra o celular de um homem com as informações pessoas de outros policiais e o posicionamento exato em que estão no patrulhamento. “Só para complementar aí, você, polícia, que acha que tá seguro, os ‘malas’ [gíria policial para se referir a suspeitos] tá vendo aí todas as nossas informações online, mostrando polícia, viatura e equipe”, fala o policial que identificou o vazamento das informações.

De acordo com o coronel Marcelino Fernandes, corregedor da PM paulista, um cabo foi identificado como dono do acesso utilizado pelo rapaz cujo celular foi vistoriado, sem autorização judicial, pelos policiais. Até o momento, ele figura como averiguado no inquérito aberto por garantir não ter repassado o acesso para outras pessoas. A apuração durará 40 dias.

O rapaz detido com o celular explicou à Polícia Civil que obteve o acesso em uma conversa com um policial pelo chat do videogame PlayStation 4. Nela, ele explica que o PM ofereceu o login e senha por R$ 4 mil e era para o jovem conseguir um comprador, conforme informado por Fernandes. 

Na Corregedoria, constatou-se que o policial identificado como dono do login ocupa a patente de cabo, cujo acesso possível no sistema Copom Online é de grau 2 em uma escala que vai até a 5. O último estágio é acessado pela mais alta patente, como o próprio corregedor da PM, para averiguar irregularidades que podem ser cometidas pelos policiais. Apesar de ter acesso grau 2 pelo seu cargo, o acesso do PM encontrado no celular do suspeito era de nível 4, disponível apenas para oficiais superiores.

“Existem três possibilidades: o policial pode ser vítima de um aplicativo malicioso que a pessoa manda para o seu celular e rouba a sua senha; a segunda é que outro PM pode ter pego senha desse policial identificado na máquina dele e vendido, e a terceira, desse policial estar, de fato, envolvido”, explica Marcelino em conversa com a Ponte.

O caso está sendo investigado tanto pela Corregedoria da PM quanto pela 4ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Fraudes Patrimoniais por Meios Eletrônicos, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). Haverá perícia do vídeo-game PS4 e celular do rapaz.

Marcelino explica que o sistema Copom Online serve para o policial militar de São Paulo acessar sua escala de serviço, o holerite e e-mail, além de fazer serviços conectado ao tablet da viatura, como consultar placa de veículos suspeitos. Para superiores, os dados servem para localizar onde as viaturas devem ir e se os policiais estão, ou não, no local definido para trabalho, seja patrulhamento rotineiro ou dentro de um atendimento de ocorrência.

“A senha foi cancelada imediatamente. Consegue saber com a perícia quantas vezes foi logado, quem logou, quando logou, em qual máquina. Temos uma investigação cibernética para fazer, além da extração de dados dos aparelhos”, aponta. “É uma fiscalização se os PMs estão cumprindo o itinerário de policiamento. Imagina isso do outro lado: diante de informações, o marginal pode ver que área está com menos policiamento. Onde o policial trabalha, qual dia do seu turno… É importante para segurança do policiamento. Por isso se tornou um ilícito preocupante de sigilo profissional”, descreve.

O corregedor cita que há um caso anterior a esse de acesso irregular ao Copom Online constatado pela PM: em 2017, quando um policial participava de roubo a carga e era o encarregado na quadrilha de informar a posição exata da polícia. “Não existe sistema inviolável, mas mostra que não foi violado: a porta que foi aberta. É que nem se você passar a senha do banco para outra pessoa”, exemplifica o coronel.

Print de um dos vídeos feitos pelos PMs que mostra dados confidenciais da PM no celular de um suspeito (Reprodução)

O exemplo dado pelo corregedor é o mesmo do secretário adjunto Coronel Camilo, que faz o intermédio do comando da PM, cargo ocupado pelo coronel Marcelo Vieira Salles, com o secretario da segurança pública, coronel João Camilo Pires de Campos. “Foi a utilização indevida de uma senha, um rapaz apresentou um celular com uma senha. Todos os policiais podem acessar, o policial já foi identificado, levado à Corregedoria e está sendo aberto inquérito para ver porque houve vazamento da senha”, diz Camilo, em entrevista para a Rádio CBN.

Segundo o secretário adjunto, “não houve vazamento em nenhum dos sistemas da Polícia Militar, o que houve foi a utilização indevida de uma senha de um policia”. “As senhas são fornecidas para os policiais acessarem os sistemas inteligentes da polícia, isso é natural. Em algum momento esse policial, agora está sendo apurado, como que deixou que a senha dele chegasse ao rapaz”, sustenta o secretário. 

A reportagem procurou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), mas até o momento não obteve um posicionamento oficial. A Ponte enviou as seguintes perguntas para a SSP:

Há alguma investigação interna ou externa sobre o ocorrido?
O PM que teria vendido essas informações sofrerá alguma sanção?
É possível garantir a segurança dos PMs?
Mesmo com a vulnerabilidade diante das informações expostas, como garantir a segurança das informações daqui para frente?

Com ajuda de PM, quadrilha distribuía droga nos Jardins

(Arquivo/Edson Lopes Jr/SSP)


Policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) desmantelaram um esquema de distribuição de drogas que era coordenado a partir de um escritório comercial na Alameda Santos, no bairro do Jardins, zona oeste da Capital. A ação resultou na prisão de cinco pessoas.
Uma investigação conduzida por equipes da 2ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Crimes Patrimoniais de Intervenção Estratégica passou a monitorar as atividades desta organização criminosa, envolvida com o abastecimento de entorpecentes na Baixa Santista.

Durante as diligências, a Polícia Civil, inicialmente, suspeitou de um automóvel Mercedes que chegou ao local seguido de um táxi. O táxi deixou o edifício poucos minutos depois e foi abordado pela equipe.

As buscas no veículo resultaram na apreensão de sete quilos de cocaína.
As diligências prosseguiram até o centro comercial, onde a equipe flagrou a responsável pelo escritório, uma mulher de 38 anos, numa sala de reunião, na companhia de outros dois indivíduos. O trio foi flagrado em posse de 23 quilos de cocaína e R$ 258 mil.

Também foram apreendidas duas armas de fogo: uma pistola .40 e um revólver calibre .38.

Um quinto suspeito, apontado pela polícia como intermediador da venda de drogas entre a mulher e o condutor do táxi, também foi preso. Entre os cinco elementos presos durante a operação encontra-se um policial militar.

De acordo com a investigação, ele seria um dos ocupantes do veículo Mercedes e teria sido o responsável por levar as drogas até o escritório comercial. Os cinco indivíduos foram presos em flagrante e autuados por tráfico de drogas e associação. O policial militar foi encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da Capital. 

“Trata-se de um esquema criminoso complexo que envolve fornecedores, intermediários, distribuidores e compradores. Vamos dar continuidade às investigações para elucidar todo este esquema criminoso”, afirma o delegado Fabiano Barbeiro, da 2ª Delegacia da Divisão de Investigações Sobre Crimes Contra o Patrimônio (Disccpat).

*Com informações da SSP

‘Dóris’ leva PM até casa usada para esconder droga

Dóris faz pose ao lado da droga encontrada dentro de uma casa, na zona sul
(Governo do Estado de SP/Reprodução)

A cadela Dóris, da Polícia Militar, ajudou policiais do 5º Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) a localizar, na tarde de hoje (19), uma casa usada para esconder droga em Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Dentro do imóvel, os PMs encontraram dez quilos de entorpecentes.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foram apreendidos maconha, cocaína e crack, preparados para venda, além de anotações com a contabilidade do tráfico. O caso foi registrado no 95º DP da Capital.