Violência policial: 1,2 mil adolescentes foram mortos no Estado em seis anos

(Arquivo/ Nivaldo Lima/SP AGORA)

Relatório feito pelo Comitê Paulista pela Prevenção de Homicídios na Adolescência da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mostra que em seis anos, de janeiro de 2015 a dezembro de 2020, 1.253 crianças e adolescentes (população com 19 anos ou menos) morreram em decorrência de intervenção policial no estado de São Paulo. 

Segundo o relatório, divulgado na última terça-feira (23), as crianças e adolescentes representam, no período, 24% do total das vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial no estado. Os dados do documento foram fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) paulista. O relatório utiliza a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica crianças e adolescentes como as pessoas com 19 anos ou menos.

O documento mostra que, apesar de elevada, a quantidade de crianças e adolescentes mortas em intervenções policiais tem diminuído nos últimos anos. Na faixa etária de 15 a 19 anos, a taxa por 100 mil pessoas caiu de 7,26 em 2016 para 4,28, em 2020, uma diminuição de 41%. No entanto, o risco relativo para esses adolescentes serem mortos pela polícia ainda é maior do que o das outras faixas etárias, em 2020: taxa de 3,77 de mortes para a população de 20 a 29 anos, e de 0,68 para 30 anos ou mais.

“Essa redução entre 2015 e 2020 se deve a uma atuação mais destacada da Ouvidoria de Polícia no controle externo das atividades policiais, com uma cobrança maior, denúncias, visibilidade dos casos de violência policial e também a atuação das entidades de direitos humanos, dando evidência e publicidade a esses casos e cobrando esclarecimentos”, disse o advogado, especialista em direitos da infância e juventude e membro do Grupo Tortura Nunca Mais, Ariel de Castro Alves.

No ano de 2020, as intervenções policiais em SP causaram mortes de jovens de 15 a 19 anos, equiparáveis a mais da metade dos óbitos desse público vítima de homicídios, latrocínio, ou lesão corporal seguida de morte. De acordo com o documento, no ano passado, a taxa por 100 mil jovens, de 15 a 19 anos, mortos por homicídio, latrocínio ou lesão corporal foi de 7,16. Para a mesma faixa etária, de mortes causadas por intervenção policial a taxa foi de 4,28.

“Nós estamos em um dos estados mais violentos do país no que diz respeito à violência policial. [Os policiais] falam abertamente que os adolescentes não são punidos pela legislação e pelas varas da Infância e da Juventude. Então, eles acabam fazendo essa espécie de limpeza social por meio desses assassinatos em supostos confrontos que, na maioria dos casos, são verdadeiras execuções sumárias”, destacou Alves. 

O relatório mostra ainda que as mortes causadas pelas intervenções policiais atingem mais as crianças e adolescentes negros. No período de 2015 a 2020, entre as vítimas meninas de 15 a 19 anos, 43% eram não negras e 57% eram negras. Entre os meninos de até 14 anos, 77% das vítimas eram negros e outros 23% eram não negros; e na faixa etária de 15 a 19 anos, 68% eram negros e 32% não negros.

“A desigualdade racial se acentua quando o foco é colocado nas mortes decorrentes das forças policiais: no estado de São Paulo, o risco de um adolescente negro ser morto em uma ocorrência policial é duas vezes maior do que de um adolescente de outra raça/cor: entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de 2,4 mortes por 100 mil para não negros aumenta para 5,6 por 100 mil para negros”, diz o texto do relatório.

Homicídios, latrocínios e lesão seguida de morte

O documento mostra também que, desde 2015, o número de mortes de crianças e adolescentes de até 19 anos, causadas por homicídios, latrocínios e lesão corporal seguida de morte, está reduzindo. Em 2015, 358 menores de 19 anos foram vítimas desses crimes. Em 2020, esse número caiu para 243, uma diminuição de 32%.

“Apesar da importante redução apontada no relatório, é alarmante o total de vidas de crianças e adolescentes que têm sido interrompidas pela violência. É possível e urgente prevenir essa violência”, disse a chefe do escritório do Unicef em São Paulo, Adriana Alvarenga. 

“O estado tem condições de investir em políticas integradas de prevenção, que passem pela criação de oportunidades concretas para adolescentes e jovens mais vulneráveis como também pelo compromisso de apuração e responsabilização pelas mortes ocorridas”, acrescentou.

O relatório ainda aponta que o grupo mais vulnerável a homicídios, latrocínios e lesão corporal seguida de morte são adolescentes negros, do sexo masculino, entre 15 e 19 anos. As taxas de homicídio, latrocínio e lesão corporal para meninos negros são maiores em todas as faixas etárias e, para adolescentes entre 15 e 19 anos, chegam a ser duas vezes maiores do que para não negros.

“A segurança pública tem que assumir a responsabilidade sobre esses números, mas ela sozinha não resolve o problema. Para que políticas de prevenção se desenvolvam, e para que nosso estado não perca nenhuma vida, são necessárias articulações intersetoriais”, destacou a presidente do comitê, a deputada estadual Marina Helou (Rede). 

SSP

Em nota, a SSP destacou que as ocorrências de mortes por intervenção policial envolvendo crianças e adolescentes caíram quase à metade entre 2015 e 2020 no estado de São Paulo. “A redução foi de 49%. Paralelamente, o estado também reduziu taxas de mortalidade para grupo de 100 mil habitantes para os grupos de crianças de 0 a 14 anos e de 15 a 19 anos, 0,02 e 4,28, respectivamente. Ambas são menores do que a atual taxa estadual de homicídios dolosos por 100 mil habitantes, que é de 6,49/100 mil habitantes”. 

Segundo a pasta, todas as circunstâncias relacionadas às mortes decorrentes de intervenção policial são rigorosamente investigadas pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, pela Polícia Militar, com acompanhamento das corregedorias e do Ministério Público, e relatadas ao Poder Judiciário. 

“O confronto não é opção dos policiais que, ao chegarem às ocorrências, são confrontados por criminosos armados que investem contra eles. A polícia paulista trabalha para prender e levar à Justiça aqueles que infringem a lei”, diz a nota.

De acordo com a SSP, somente em 2020, 197 policiais civis, militares e técnico-científicos foram demitidos ou expulsos.

Por Bruno Bocchini – Repórter da Agência Brasil 

Trabalho infantil na Capital aumenta na pandemia

A perda de renda das famílias durante a pandemia de covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus) tem levado a um aumento da incidência do trabalho infantil, segundo pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento feito com 52,7 mil famílias que a entidade tem atendido na cidade de São Paulo mostra um aumento do número de residências onde ao menos uma criança trabalha.

Entre as famílias que foram cadastradas em maio para receber os kits de higiene e as cestas-básicas oferecidas pelo Unicef, a cada mil domicílios, 21,2 disseram ter ao menos uma criança trabalhando. Dentro dessa mesma amostra, o índice cai para 17,5 a cada mil quando as famílias falam da situação antes da pandemia.

Entre as famílias que foram incluídas no cadastro em julho, a incidência de trabalho infantil subiu para 24,2 a cada mil, sendo que antes da pandemia as respostas das pessoas dentro dessa amostra apontam para um índice de 17,4.

Perfil

A coordenadora do Unicef em São Paulo, Adriana Alvarenga, afirma que as famílias selecionadas pelo programa estão em “situação de extrema vulnerabilidade”. “A gente foi atender as que não estavam sendo atendidas de outras maneiras”, enfatiza.

Nas residências cadastradas vivem cerca de 190 mil pessoas. Dessas, 80 mil são crianças e adolescentes – 28 mil tem até 5 anos; 30,9 mil, entre 6 e 12 anos; 21,2 mil, entre 13 e 18 anos de idade.

Sem trabalho

São famílias que já viviam em dificuldade antes da pandemia (42,9% dos adultos estava desempregado antes mesmo do isolamento social). Porém, 30,4% das pessoas perderam o emprego durante a pandemia e 15,7% continuaram trabalhando, mas com a renda reduzida. Apenas 10,9% conseguiram manter as condições de antes da chegada do coronavírus.

“A situação foi se agravando e o impacto entre crianças e adolescentes piorando”, ressalta Adriana a respeito da pressão sobre essas famílias. Além da perda de trabalho, são pessoas que enfrentam empecilhos até para serem beneficiadas pelos programas governamentais. “50% não estavam tendo acesso a auxílio emergencial ou qualquer outro auxílio do governo”, destaca a coordenadora do Unicef.

Evasão escolar

A entrada precoce e precária no mercado de trabalho pode levar, segundo Adriana, ao abandono dos estudos. “Tem outros levantamentos que já mostram que muitos adolescentes dizem que não pretendem voltar à escola. Muitos que desistiram de fazer Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]”, aponta.

O afastamento da escola traz mais prejuízos do que a perda de aprendizado, na avaliação dela. “Isso abre o flanco para outras violências”, ressalta. “A escola, além de ser um espaço de aprendizagem, é um espaço de proteção e acesso a outros serviços”, acrescenta.

Para enfrentar essa situação, Adriana defende que o governo, nas diferentes esferas, promova uma “busca ativa” dessas famílias para que elas possam ser inseridas nos programas de assistência social. “Programas de transferência de renda de médio e longo prazo e apoio a essas famílias para que elas possa se inserir ou permanecer no mercado de trabalho”, enumera.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Migração: 1,6 mil crianças morreram ou desapareceram

Uma mãe rohingya atravessa um lago enquanto cruza a fronteira de Mianmar até Bangladesh, perto da aldeia de Anzuman (Roger Arnald/ONU Brasil/Reprodução)

Mais de 1.600 crianças migrantes morreram ou desapareceram entre 2014 e 2018 quando tentavam chegar sozinhas ou com as suas famílias a um lugar seguro, informou a Organização Internacional das Migrações (OIM) em relatório divulgado hoje (28).

As crianças fazem parte dos 32 mil migrantes mortos ou desaparecidos no mesmo período, embora a OIM alerte que os dados estejam incompletos e que o número real de vítimas seja certamente maior, em particular entre menores, cujos casos são menos relatados do que os de adultos.

Todos esses dados são recolhidos pelo Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM, que divulga um relatório anual desde 2014 e que neste ano conta, pela primeira vez, com a colaboração do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

As duas agências das Nações Unidas (ONU) manifestaram a intenção de reforçar essa colaboração para melhorar os dados sobre as crianças migrantes, incluindo aquelas que permanecem na estrada.

Segundo as estatísticas, o maior número de vítimas é registrado no Mediterrâneo, com 17.900 (2014-2018), havendo ainda 12 mil casos em que se desconhece o paradeiro ou não foram recuperados os corpos.

Em 2018, houve uma redução de 26% nas mortes no Mediterrâneo (2.299 face a 3.239 em 2017), embora a organização alerte que foi acompanhada por uma redução acentuada – de dois terços – no número de migrantes que tentam atravessá-lo (de 144.301 há dois anos para 45.648 em 2018).

O relatório destaca que “o perigo de morrer” no Mediterrâneo “aumentou em 2018”, uma vez que até as estatísticas mais conservadoras estimam que 3% dos migrantes que tentaram atravessar o Mediterrâneo no ano passado acabaram por morrer, face a 2% em 2017.

No ano passado, houve também forte aumento de vítimas na rota ocidental do Mediterrâneo, que corresponde àquela que os migrantes tomam para tentar chegar à costa de Espanha, com 811 mortes, em comparação com 224 um ano antes.

A rota central, para os migrantes que tentam chegar à Itália ou a Malta desde a Líbia, continua a ser a mais perigosa, com 1.314 mortes e desaparecimentos, embora o número significasse uma redução de mais da metade em relação a 2017.

Outra rota arriscada para os migrantes é a fronteira entre o México e os Estados Unidos, onde 1.907 pessoas morreram nos últimos cinco anos, incluindo 26 crianças, embora apenas no primeiro semestre deste ano já tenham sido notificadas 13.

A imagem dos corpos de um pai e de sua filha, que morreram afogados quando tentavam atravessar clandestinamente a fronteira México-Estados Unidos, suscitou indignação internacional ao mostrar o drama migratório vivido na região.

A fotografia divulgada quarta-feira (26) e reproduzida por vários veículos de comunicação internacionais mostra os corpos de Oscar Martinez Ramirez, um cozinheiro de 25 anos de El Salvador, e de sua filha de 2 anos, deitados de barriga para baixo, flutuando na margem do Rio Bravo (ou Rio Grande, para os norte-americanos).

*Conteúdo RTP

Unicef ao vivo: “Educação é Proteção contra a Violência”

Qual é a educação que protege contra a violência? As alternativas a essa questão são discutidas durante o seminário “Educação é Proteção contra a Violência”, promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Cidade Escola Aprendiz no Rio de Janeiro (RJ).

Assista ao vivo.

PROGRAMAÇÃO

Seminário Educação é Proteção contra a Violência

17 de junho de 2019
9h às 9h10 – Abertura do evento

Local: Auditório do Museu do Amanhã

Leitura do O Manifesto Jovem #ENDviolence” do UNICEF

Lays dos Santos, 19 anos, foi a representante brasileira em um encontro que reuniu mais de 100 jovens de todo o mundo, na África do Sul, para debater propostas sobre o fim da violência nas escolas e ao redor delas.

9h10 às 10h – Mesa de Abertura

Local: Auditório do Museu do Amanhã

10h às 12h30 – Mesa Temática: Cenário da Educação como Proteção contra as Violências

Local: Auditório do Museu do Amanhã
Apresentação da brochura: “A Educação que Protege contra a Violência”

Ítalo Dutra (UNICEF) & Rosana Vega (UNICEF) & Miriam Krenzinger (Aprendiz/UFRJ)

Painelistas:

Rocio Aznar Daban (Especialista em Proteção da Criança e do Adolescente, Escritório-sede do UNICEF em Nova Iorque)

Cynthia Brizuela Sperati (Especialista em Educação – diversidade, inclusão e criança e adolescente com deficiência, Escritório Regional do UNICEFpara América Latina e Caribe no Panamá)

Thiago de Holanda (Sociólogo, coordenador da Rede Acolhe e membro do Comitê pela Prevenção de Homicídios na Adolescência da Assembleia Legislativa do Ceará)

Gabriel Victor Brandão de Souza (18 anos, concluiu o Ensino Médio em 2018 e participa das atividades do UNICEF desde 2018)

Maria Clara Monteiro (20 anos, estudante universitária de psicologia e uma das idealizadoras do CiJoga– Caravana Itinerante da Juventude, iniciativa que foi finalista global do YOUTH CHALLENGE – Desafio Jovem – do UNICEF)

12h30 às 14h – Intervalo para almoço 14h às 16h – Grupos de Trabalho

Local: Salas do Museu de Arte do Rio / MAR

GT1 – Redes de Proteção e Comunidades: Políticas e Legislação de Proteção à Criança e ao Adolescente nas Escolas.

Especialistas:

Raquel Willadino (Diretora do Observatório de Favelas)

André Lázaro (Diretor da Fundação Santillana, pesquisador da Flacso-Brasil e do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ)

João Lucas de Gusmão Pereira (16 anos, está no 2o ano do Ensino Médio, bolsista do Instituto Ismart, participou do Projeto Aluno Presente, da RECA – Rede de Educação com Adolescentes – e participa das atividades do UNICEF desde 2016)

Kézia Yasmin Bandeira dos Santos (19 anos, concluiu o Ensino Médio em 2018, lidera os projetos Viva Bem e Educação para a Cidadania e participa das atividades do UNICEF)

GT2 – A Intersetorialidade na Prevenção da Violência.

Especialistas:

José Crus (Vice-presidente do colegiado Nacional de Gestores Municipais da Assistência Social – Congemas)

Danielle Keylla Alencar Cruz (Mestre em Saúde Pública, Coordenadora do Programa Saúde na Escola, Ministério da Saúde – PSE/MS)

Thais Antunes Matozo (18 anos, está no 3o ano do Ensino Médio e participa das atividades do UNICEF desde 2017)

Hugo Sabino dos Santos (22 anos, faz parte do Conselho de Jovens do programa Jovens Construtores, da ONG Cedaps)

GT3 – Normas Sociais e Enfrentamento da Cultura da Violência e do Fracasso Escolar: O Papel do Currículo.

Especialistas:

Paulo Roberto Nunes Ferreira (Especialista em educação escolar indígena, Prefeitura Municipal de Jordão / AC

Edneia Gonçalves, (Educadora, Socióloga e Coordenadora Adjunta da Ação Educativa)

Patrick Medeiros (17 anos, está no 3o ano do Ensino Médio, participa das ações do UNICEF desde 2017 e atualmente acompanha a elaboração da política estadual de enfrentamento da violência letal contra adolescentes, mobiliza a rede META Brasil, junto com a ONG CEDAPS e participa do movimento de estudantes secundaristas)

Gelson Henrique (20 anos, é estudante universitário de Ciências Sociais e um dos idealizados do CiJoga –Caravana Itinerante da Juventude, iniciativa que foi finalista global do YOUTH CHALLENGE – Desafio Jovem– do UNICEF)

GT4 – A Produção e a Reprodução de Violências nas Escolas.

Especialistas:

Liliane Garcéz (Gerente de Projetos do Instituto Rodrigo Mendes) Ricardo Henriques (Superintendente Executivo do Instituto Unibanco)

Gabriel Victor Brandão de Souza (19 anos, concluiu o Ensino Médio em e participa das atividades do UNICEF desde 2018)

Rafael Barbosa (18 anos, está no 3o ano do Ensino Médio e participa das atividades do UNICEF desde 2018)

16h30 às 17h30 – Compartilhando aprendizados

Local: Auditório do Museu do Amanhã

17h30 às 18h – Encerramento

Local: Auditório do Museu do Amanhã

Brasil envia ajuda às vítimas do ciclone em Moçambique

Por André Richter

(Ministério da Justiça/Via Agência Brasil/Reprodução)

Vinte bombeiros da equipe de busca e salvamento da Força Nacional de Segurança Pública embarcaram, no final da noite de ontem (29), no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, para Moçambique, onde vão ajudar no resgate a vítimas do ciclone Idai.

Além da Força Nacional, farão parte da equipe mais 20 militares mineiros que atuaram nos trabalhos de salvamento do desastre em Brumadinho.

As equipes viajaram em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), levando veículos, botes e outros equipamentos fornecidos pela Força Nacional e pelo Corpo de Bombeiros de Minas Gerais.

https://spagora.com.br/mocambique-registra-mais-de-400-mortes-apos-ciclone/
Leia Também.

A ajuda humanitária atende a pedido feito pelo presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, ao presidente Jair Bolsonaro.

Os bombeiros da Força Nacional atuarão prioritariamente na cidade de Beira. A capital do estado de Sofala está entre as mais populosas do país e foi uma das localidades mais afetadas pelos fortes ventos, chuvas e inundações causadas pela passagem do ciclone. Estima-se que, só em Moçambique, 1,8 milhão de pessoas tenham sido prejudicadas e precisem de alguma forma de ajuda.

Moçambique registra mais de 400 mortes após ciclone

(UNICEF/de Wet/Via ONU Brasil)

A passagem do ciclone Idai no sudeste da África já deixou 417 mortos, 1.528 feridos e 89 mil pessoas salvas e recolhidas nos centros de acolhimento, em Moçambique. As informações foram divulgadas pelas autoridades locais hoje (22). 

De acordo com o ministro responsável pelas operações na cidade moçambicana da Beira, Carlos Agostinho do Rosário, o aumento do número de vítimas mortais já tinha sido admitido. Além disso,  Rosário considerou que o número de mortos vai continuar a aumentar. 

Na manhã deste sábado, uma semana depois da passagem do ciclone Idai, a ajuda internacional continua a chegar ao país. O segundo avião da Força Aérea Portuguesa aterrou na cidade da Beira pelas 10h30. O avião transporta uma equipa avançada de peritos da Autoridade Nacional de Proteção Civil, agentes da Força Especial de Bombeiros, da Guarda Nacional Republicana  e do Instituto Nacional de Emergência Médica.

Buscas

A buscas aos desaparecidos e o auxílio às comunidades isoladas continuam. Só no distrito de Búzi, em Sofala, mais de 180 mil pessoas foram afetadas pelos fortes ventos, chuvas e inundações que atingiram também a países vizinhos, como Madagascar, Malaui, Zimbábue e a África do Sul. Aproveitando que, em algumas localidades, as chuvas deram uma trégua, o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) está usando drones para vasculhar áreas isoladas onde moradores ficaram sitiados.

Parte dos desabrigados estão alojados em centros de acomodação e em escolas onde a todo instante chegam novas famílias. Ontem (22), o governo moçambicano prometeu que, dentro de, no máximo, 48 horas, abrirá novos centros “para aliviar as salas de aula ocupadas pelas populações que se abrigaram nos estabelecimentos de ensino”. 

*Com informações da RTP, emissora pública de televisão de Portugal 

SP incentiva hoje teste de HIV, sífilis e hepatites entre jovens

O resultado do teste sai em apenas 30 minutos (Arquivo/Agência Brasil)

Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Instituto Cultural Barong e o Programa Municipal de DST/AIDS (PM DST/AIDS), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo, lançam hoje (25) o Viva Melhor Sabendo Jovem.

A iniciativa tem como objetivo incentivar a testagem de HIV, sífilis e hepatites B e C em jovens da capital paulista, além de reforçar a adesão ao tratamento em caso de positividade do(s) exame(s). Para isso, leva uma van a locais que os jovens mais frequentam, e utiliza a metodologia de educação entre pares, isto é, jovens abordando e orientando jovens. O resultado dos testes é informado em cerca de 30 minutos.

“Sabemos que grande parte dos jovens não vai às unidades de saúde. Por isso, a prevenção precisa acontecer onde eles estão”, diz Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS.

“Temos agentes que são jovens e que frequentam locais de convivência desse público, como bares e baladas, para fazer um trabalho entre pares; colocamos o preservativo gratuito em locais de mais fácil acesso, como os terminais de ônibus e em estações do metrô, além de rodar a cidade com a nossa unidade móvel para tornar os testes rápidos mais disponíveis. O Viva Melhor Sabendo Jovem vem para complementar esse trabalho”, completa.

O lançamento da iniciativa integra a agenda global do UNICEF em comemoração ao Dia Mundial da Criança (20) e contará com diversas atividades, além das testagens, como: dinâmicas sobre prevenção e diversidade, música, teatro, dança e distribuição de preservativos masculinos e femininos.



Jovens de diversas regiões da cidade foram capacitados por profissionais da ONG Barong para se tornar multiplicadores de informações de prevenção às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) nos seus bairros e pontos de convivência, além de incentivar a testagem entre amigos, vizinhos e conhecidos. A iniciativa conta, ainda, com os vinculadores, que auxiliam os jovens no início do tratamento e os acompanham por um tempo, visando à adesão.

“Durante seis semanas jovens de diferentes regiões de São Paulo reuniram-se com diversos profissionais para ir a campo atuar como agentes multiplicadores. A vontade desses jovens de fazer a diferença possibilitará a ampliação das atividades do Barong, realizando intervenções que irão ao encontro da população jovem, utilizando estratégias com base nas diversas “juventudes” vivenciadas em uma grande metrópole”, diz Marta McBritton, presidente do Barong.

Os últimos dados epidemiológicos da cidade de São Paulo, referentes a 2016, revelam que o maior número de casos de HIV está entre jovens de 25 a 29 anos, de ambos os sexos. Entre 2006 e 2015, os casos de AIDS em todas as faixas etárias na capital paulista caíram, com exceção da população de 15 a 24 anos, em que houve crescimento.

“O Viva Melhor Sabendo Jovem vem apoiar o compromisso que governos de todo o mundo assumiram de, até 2030, ter 90% das pessoas vivendo com HIV sabendo que têm o vírus; 90% das que sabem que vivem com HIV recebendo tratamento antirretroviral e, destas, 90% com carga viral indetectável”, explica Adriana Alvarenga, chefe do escritório do UNICEF em São Paulo.

Programação do evento de lançamento do Viva Melhor Sabendo Jovem

Dia 25/11 (domingo) – Largo do Arouche, República
• 14h: Abertura do evento e boas-vindas
• 14h30: Apresentação de dança afrodescendente
• 15h: Apresentação de jovem rapper
• 15h30: Dinâmicas sobre prevenção combinada e diversidade
• 16h: Performance artística
• 16h30: Encerramento

Obs.: Em caso de chuva, o evento será adiado e informaremos nova data.

*Com informações da ONU Brasil

13 motivos para acabar com a violência nas escolas

Os colégios deveriam ser um espaço seguro para crianças aprenderem e crescerem. Mas para metade de todos os adolescentes no mundo, a situação é bem diferente. Milhões de meninos e meninas enfrentam violência, bullying e ameaças, dentro e fora da sala de aula. O problema pode ter consequências duradouras na saúde física e mental das vítimas.

Para conscientizar a população sobre as agressões nos ambientes de ensino, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) listou 13 razões pelas quais é urgente acabar com a violência nas escolas:

1. Um problema de proporções enormes

Em Honduras, Carlos Ricardo Chavez, de 15 anos, era uma criança agressiva, que se dizia "cega pela raiva". A escola resolveu dar uma segunda chance para o menino, que foi transferido para o turno da tarde. Mas na nova turma, Carlos acabou virando vítima de bullying, sendo espancado pelo menos uma vez por semana por seus colegas. Foto: UNICEF/Zehbrauskas

Em Honduras, Carlos Ricardo Chavez, de 15 anos, era uma criança agressiva, que se dizia “cega pela raiva”. A escola resolveu dar uma segunda chance para o menino, que foi transferido para o turno da tarde. Mas na nova turma, Carlos acabou virando vítima de bullying, sendo espancado pelo menos uma vez por semana por seus colegas. (UNICEF/Zehbrauskas)

Cerca de 150 milhões de estudantes, dos 13 aos 15 anos, relataram ter sofrido violência dos seus prórios colegas, dentro e fora da escola. Metade de todos os adolescentes do mundo já passaram por agressões em centros de ensino.

2. Leis que não protegem contra castigo

Em Villanueva, Honduras, o jovem de 16 anos, Darwin, lembra de seu colega Henry, que se suicidou em setembro de 2016. De acordo com um professor, os dois amigos sofriam bullying. Foto: UNICEF/Adriana Zehbrauskas

Em Villanueva, Honduras, o jovem de 16 anos, Darwin, lembra de seu colega Henry, que se suicidou em setembro de 2016. De acordo com um professor, os dois amigos sofriam bullying. (UNICEF/Zehbrauskas)

Quase 720 milhões de jovens em idade escolar vivem em países onde eles não estão completamente protegidos pela lei de castigos corporais nas escolas. Essas crianças correm risco de sofrer castigos físicos, de professores e outras figuras de autoridade.

3. Bullying

Escola Branko Radicevic, em Mitrovica do Norte, no Kosovo, onde o UNICEF promove atividades de mediação de conflitos entre os jovens. Foto: UNICEF/Babajanyan VII Photo

Escola Branko Radicevic, em Mitrovica do Norte, no Kosovo, onde o UNICEF promove atividades de mediação de conflitos entre os jovens. (UNICEF/Babajanyan VII Photo)

Em nível global, um em cada três estudantes, com idade de 13 a 15 anos, já sofreu bullying. Segundo dados coletados pelo UNICEF, o problema é um dos tipos mais comuns de violência relatados nas escolas.

4. Grupos vulneráveis

Em Puerto Cortes, em Honduras, Jose Angel Lizama, de 14 anos, senta ao lado de sua mãe, Lourdes, em casa. O jovem tem autismo e sofreu bullying na escola desde os seus primeiros anos na educação formal. Foto: UNICEF/Zehbrauskas

Em Puerto Cortes, em Honduras, Jose Angel Lizama, de 14 anos, senta ao lado de sua mãe, Lourdes, em casa. O jovem tem autismo e sofreu bullying na escola desde os seus primeiros anos na educação formal. (UNICEF/Zehbrauskas)

Crianças que já são marginalizadas estão especialmente vulneráveis ao bullying. Entre os fatores que aumentam as chances de um jovem sofrer violência escolar, estão deficiência, pobreza extrema, etnia, orientação sexual ou identidade de gênero.

5. Agressores

Alunos participam de uma simulação de bullying na Escola Branko Radicevic, em Mitrovica do Norte, no Kosovo. A atividade é parte de um programa da ONG Domovik, para estimular a mediação de conflitos entre os estudantes e diminuir casos de violência. A instituição recebe apoio do UNICEF. Foto: UNICEF/Babajanyan VII Photo

Alunos participam de uma simulação de bullying na Escola Branko Radicevic, em Mitrovica do Norte, no Kosovo. A atividade é parte de um programa da ONG Domovik, para estimular a mediação de conflitos entre os estudantes e diminuir casos de violência. A instituição recebe apoio do UNICEF. (UNICEF/Babajanyan VII Photo)

Em 39 países da Europa e da América do Norte, 17 milhões de adolescentes admitiram praticar bullying contra seus colegas na escola.

6. Brigas

Na cidade de Puerto Cortés, em Honduras, Geraldine Matute, de 16 anos, conta que foi vítima repetidas vezes de bullying: "Eu nunca fui aceita pelos meus colegas, especialmente as meninas, por causa das minhas características físicas". Foto: UNICEF/Zehbrauskas

Na cidade de Puerto Cortés, em Honduras, Geraldine Matute, de 16 anos, conta que foi vítima repetidas vezes de bullying: “Eu nunca fui aceita pelos meus colegas, especialmente as meninas, por causa das minhas características físicas”. (UNICEF/Zehbrauskas)

Um em cada três estudantes, com idade de 13 a 15 anos, já se envolveu em brigas físicas nas escolas. Ataques físicos por colegas são mais comuns entre os meninos, enquanto as meninas têm mais chances de serem vítimas de formas psicológicas de bullying ou associadas às relações interpessoais.

7. Armas nas escolas

Em Minneapolis, nos Estados Unidos, adolescentes protestam contra a violência armada e pedem reformas nas leis que autorizam a compra e o uso de armas. Foto: Wikimedia (CC)/Fibonacci Blue

Em Minneapolis, nos Estados Unidos, adolescentes protestam contra a violência armada e pedem reformas nas leis que autorizam a compra e o uso de armas. (Wikimedia (CC)/Fibonacci Blue)

Nos últimos 27 anos, houve pelo menos 70 tiroteios fatais dentro de escolas.

8. Cyberbullying: da rede para a vida real

Jovem checa seu smartphone na Escola São Francisco de Assis, na cidade de Cebu, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

Jovem checa seu smartphone na Escola São Francisco de Assis, na cidade de Cebu, nas Filipinas. (UNICEF/Estey)

O bullying na internet, também conhecido como cyberbullying, permite aos agressores se esconder no anonimato, mas tem repercussões concretas. Vítimas de cyberbullying têm mais chances do que os outros alunos de usar álcool e drogas, matar aula, obter notas mais baixas e desenvolver uma baixa autoestima e problemas de saúde.

9. Violência em zonas de guerra

Na Ucrânia, Oleksandr, de 16 anos, é fotografado no antigo ginásio de sua escola em Troitske, na região de Luhansk, palco de um violento conflito armado. Foto: UNICEF/Samoilova

Na Ucrânia, Oleksandr, de 16 anos, é fotografado no antigo ginásio de sua escola em Troitske, na região de Luhansk, palco de um violento conflito armado. (UNICEF/Samoilova)

Estima-se que 158 milhões de crianças, com idade dos seis aos 17 anos, vivam em áreas afetadas por conflitos, onde as salas de aula são frequentemente espaços pouco seguros. Crianças em zonas de confronto armado são obrigadas a arriscar suas vidas para ter uma educação.

10. Violência que custa caro

Em Villanueva, Honduras, o jovem de 17 anos, Victor Fernando (à esquerda, no espelho), conta que sofre bullying por causa de sua orientação sexual: "Eu me sinto sozinho, fraco e vulnerável. Eles (os agressores) já tentaram me bater. Eles me provocam, mas eu não faço nada. Minhas notas caíram e eu perdi um ano na escola". Foto: UNICEF/Zehbrauskas

Em Villanueva, Honduras, o jovem de 17 anos, Victor Fernando (à esquerda, no espelho), conta que sofre bullying por causa de sua orientação sexual: “Eu me sinto sozinho, fraco e vulnerável. Eles (os agressores) já tentaram me bater. Eles me provocam, mas eu não faço nada. Minhas notas caíram e eu perdi um ano na escola”. (UNICEF/Zehbrauskas)

Em nível global, o custo da violência contra as crianças chega a 7 trilhões de dólares por ano. Essas despesas deslocam recursos e acabam reduzindo investimentos em saúde, desenvolvimento da primeira infância e educação.

11. Violência gera violência

Jovem no Centro Escolar Confederacion Suiza, na cidade de San Salvador, capital de El Salvador. Foto: UNICEF/Heger

Jovem no Centro Escolar Confederacion Suiza, na cidade de San Salvador, capital de El Salvador. (UNICEF/Heger)

Crianças que crescem em contextos violentos têm mais chances de reproduzir a violência quando se tornarem jovens adultos.

12. Consequências para a vida toda

Uma menina assiste a outras jovens jogarem vôlei na escola Muntinlupa, nas Filipinas. Foto: UNICEF/Estey

Uma menina assiste a outras jovens jogarem vôlei na escola Muntinlupa, nas Filipinas. (UNICEF/Estey)

Na primeira infância, o estresse associado à exposição repetida a episódios de violência pode interferir no desenvolvimento saudável do cérebro. Também pode levar a comportamentos antissociais, ao uso abusivo de substâncias, ao comportamento sexual de risco e à prática de atividades criminosas.

13. Um problema evitável

Jovens no Centro de Mediação de Pares da ONG Domovik, no Kosovo, onde aprendem a resolver conflitos e lidar com as diferenças sem recorrer à violência. A instituição recebe apoio do UNICEF. Foto: UNICEF/ Babajanyan VII Photo

Jovens no Centro de Mediação de Pares da ONG Domovik, no Kosovo, onde aprendem a resolver conflitos e lidar com as diferenças sem recorrer à violência. A instituição recebe apoio do UNICEF. (UNICEF/Babajanyan VII Photo)

A violência nas escolas pode ser prevenida. Estudantes de todas as partes do mundo estão se manifestando para pedir a segurança e a educação que eles merecem. É hora de seguir os passos desses jovens. Não deixe a violência ser uma aula cotidiana.

*com informações da ONU Brasil