Morre Tabaré Vázquez, ex-presidente do Uruguai

Tabaré Vásquez em visita ao Equador, em 2015
(Carlos Silva/ PR do Uruguai/via Fotos Públicas)

O ex-presidente do Uruguai Tabaré Vázquez faleceu às 3 horas da manhã desde domingo (6), em decorrência do câncer de pulmão.

O filho Alvaro Vázquez informou pelo Twitter que o pai morreu enquanto descansava em casa, acompanhado por alguns familiares e amigos. “Em nome da família, queremos agradecer a todos os uruguaios pelo amor recebido por ele ao longo de tantos anos.” Em 28 de novembro, Tabaré Vázquez sofreu uma trombose aguda na perna esquerda, em consequência do câncer de pulmão, diagnosticado em agosto de 2019. 

Tabaré Ramón Vázquez Rosas nasceu no bairro La Teja, em Montevidéu, em 17 de janeiro de 1940. Ele estudou medicina e se especializou em oncologia. Amante do futebol, foi presidente do time Club Progreso por dez anos (1979-1989). O clube conquistou o título do campeonato nacional em 1984. Pelo Twitter, Club Progresso lamentou a morte de Tabaré Vázquez.  “De La Teja à história … Uma imensa dor nos invade pela morte de Tabaré Vázquez. O vizinho que nunca esqueceu o bairro e que levou o clube de seu amor ao topo.”

Tabaré Vázquez se tornou prefeito de Montevidéu pelo partido de esquerda Frente Ampla. Mais tarde, foi eleito presidente do Uruguai por duas vezes. De 2005 a 2010 e de 2015 a 2019, quando sucedeu José Mujica. 

O atual presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, prestou condolências. “Ele enfrentou sua última batalha com coragem e serenidade. Tivemos momentos de diálogo pessoal e político que valorizo ​​e irei lembrar. Ele serviu seu país e com base no esforço obteve importantes conquistas. Ele era o presidente dos uruguaios. O país está de luto.”

Por Agência Brasil

Nuvem de gafanhotos pode chegar ao Brasil na quarta-feira

A nuvem de gafanhotos que está na Argentina volta a preocupar agricultores no sul do Brasil. Com as temperaturas mais altas, a expectativa é de que ela possa chegar ao Rio Grande do Sul até a próxima quarta-feira (22). 

(Senasa/Fotos Públicas)

A previsão foi feita na tarde deste sábado (19) à Agência Brasil pelo chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti.

Por enquanto, a nuvem de gafanhotos está estável, em Corrientes, na Argentina, a 130 quilômetros do município gaúcho de Barra do Quaraí. As informações sobre os insetos estão sendo repassadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que acompanha a situação com o órgão fitossanitário argentino. 

“Com a elevação das temperaturas no Rio Grande do Sul neste final de semana, estamos apreensivos, mas preparados para o caso de uma eventual ocorrência da praga em território gaúcho. Temos um plano operacional de emergência elaborado como Ministério da Agricultura”, explicou Felicetti. 

Alerta

Ele acrescentou que, apesar do estado de alerta, hoje a tendência é que haja um deslocamento da nuvem para a província de Entre Rios, na fronteira da Argentina com o Uruguai.

Embora não representem um risco direto para os seres humanos, os gafanhotos podem, em grupo, causar grandes prejuízos econômicos, devorando plantações em questões de horas. 

Caso os insetos cheguem ao estado, Felicetti avalia que o potencial de prejuízo é muito grande, especialmente em culturas recém-plantadas como trigo e canola. Além delas, cevada , citricultura e pastagens de inverno para gado de leite e engorda de gado de corte também preocupam.

A orientação é que produtores rurais fiquem atentos à chegada dos insetos e comuniquem sua presença imediatamente à inspetoria de defesa agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural ou ao escritório municipal da Emater mais próximo.

Recursos emergenciais

Na última sexta-feira (17), questões operacionais foram discutidas com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, do Ibama, da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler.

“Falamos também sobre a questão dos recursos emergenciais para trabalhar a supressão dos surtos de gafanhotos”, disse.

Paraguai

Uma segunda nuvem de gafanhotos, que está se movimentando no Paraguai, também está sendo monitorada pelo Brasil, com menos preocupação.

De acordo com o Serviço de Qualidade e Sanidade Vegetal (Senave) do país vizinho, os insetos, que estavam em Madrejón e 4 de Mayio, seguiram para o sudeste, em direção a Teniente Pico, no departamento de Boquerón, também no Paraguai.

Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil 

Luis Lacalle Pou vence eleição no Uruguai

Por Marieta Cazarré, de Montevidéu

Luis Lacalle Pou, presidente eleito do Uruguai (Twitter/via Fotos Públicas)


O candidato de centro-direita Luis Lacalle Pou obteve a maioria dos votos nas eleições presidenciais do Uruguai. Após a revisão dos votos do pleito, realizado no último domingo (24), Lacalle venceu em uma disputa muito acirrada contra Daniel Martínez, candidato da coalizão de esquerda – Frente Ampla. A posse será dia 1º de março de 2020.

A alternância de poder com a vitória por um resultado tão apertado, definido voto a voto, mostra que o Uruguai está dividido. Quase metade dos uruguaios preferia a continuação do governo de esquerda exercido pela Frente Ampla, partido de Martínez, no poder há 15 anos.

Quem é

Lacalle Pou, do Partido Nacional, tem 46 anos e é formado em Direito, mas nunca advogou. Desde os 24 anos se dedica à política e já foi deputado e senador.

Opositor ferrenho do atual governo, Lacalle Pou vem de uma família de políticos. É filho do ex-presidente do Uruguai Luis Alberto Lacalle, que governou de 1990 a 1995 e da ex-senadora Julia Pou. É bisneto de Luis Alberto de Herrera, um dos políticos mais influentes da história do Partido Nacional.

Lacalleu Pou concorreu à presidência nas últimas eleições, em 2014, quando perdeu, em segundo turno, para Tabaré Vázquez, da Frente Ampla.

Adiamento

O resultado parcial das eleições, publicado ainda no domingo (24), apontava para um empate técnico.  Lacalle havia recebido 48,71% dos votos (1.168.019 votos), enquanto Daniel Martínez, 47,51% (1.139.353 votos).

Mas, no Uruguai existe uma segunda contagem, mais demorada, que é a dos votos observados. Assim como no Brasil, cada eleitor deve votar em um colégio eleitoral específico. No entanto, quando isso não é possível, o cidadão tem o seu voto observado. É o caso de uma pessoa que foi convocada a trabalhar de mesária em um colégio eleitoral diferente daquele em que está habilitada a votar. É um procedimento especial para que a validade do voto possa ser confirmada posteriormente.

Os votos observados nessa eleição eram 35.229. A diferença de votos entre Lacalle e Martínez era de 28.666 votos. Hoje, com o avanço da apuração dos votos observados, Luis Lacalle Pou adicionou 3.090 votos, o que confirmou sua vitória numérica sobre Daniel Martinez.

Após resolução contra Venezuela, Uruguai vai deixar tratado

Por Marieta Cazarré

Ministro das Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro das relações exteriores uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, anunciou hoje (24), em uma coletiva de imprensa na sede da Chancelaria do país, em Montevidéu, que o Uruguai deixará o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (Tiar) dentro de dois anos.

O Uruguai foi o único país, entre os 19 membros, que votou contra a ativação do mecanismo que permite desde a ruptura das relações diplomáticas com a Venezuela até uma intervenção militar no país.

O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, afirmou que a finalidade inicial do tratado era “assegurar a paz, prover ajuda efetiva para fazer frente aos ataques armados e enfrentar as ameaças de agressão contra qualquer país da região”. Para ele, a ativação do Tratado representa uma grave violação em matéria de direito internacional, no que se refere ao princípio de resolução pacífica das controvérsias e ao princípio de não-intervenção.

“O Uruguai tomou a decisão de votar contra essa resolução, não a favor do governo da Venezuela, se não a favor do direito internacional e da paz e da institucionalidade das organizações regionais”, disse Novoa.

Ontem (23) à noite, os ministros das Relações Exteriores dos países membros do Tratado, reunidos em Nova York, divulgaram nota conjunta com a aprovação de uma resolução que reconhece a “ameaça representada pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro à segurança e estabilidade do Hemisfério”.

De acordo com a resolução, os países poderão investigar e levar à Justiça pessoas do governo de Maduro vinculadas à guerrilha, ligadas ao tráfico de drogas ou terrorismo ou quem for responsável por violações de direitos humanos, corrupção e lavagem de dinheiro. “O objetivo é evitar que a Venezuela continue sendo território livre para atividades ilícitas e criminosas, que constituem graves ameaças à segurança regional, além de castigo sistemático ao povo venezuelano”, diz a nota conjunta.

Desrespeito

Para o chanceler do Uruguai, a decisão “é um grave desrespeito ao sistema multilateral. A resolução no seu Artigo Primeiro fala em identificar pessoas ou entidades associadas ao regime de Nicolás Maduro envolvidas em atividades ilícitas de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, terrorismo e seu financiamento e vinculadas a redes de delinquência transnacional com a finalidade de utilizar todas as medidas disponíveis para investigar, perseguir, capturar, extraditar e sancionar os responsáveis. O Uruguai não pode acompanhar nem permitir uma medida desta natureza que permita ingressar estrangeiros em um país para capturar, extraditar e sancionar sem o consentimento daquele país”.

A decisão que ativa o Tratado foi tomada por 16 países, dos 19 países-membros, com o objetivo de atuar coletivamente. Entre os países que votaram a favor da resolução estão: Argentina, Bahamas, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Estados Unidos, e Venezuela.

A Venezuela se retirou do tratado há 6 anos, mas em julho deste ano, a Assembleia Nacional liderada por Guaidó aprovou o retorno do país ao pacto. Além do voto contrário uruguaio, ainda houve uma abstenção, de Trinidad e Tobago, e uma ausência, de Cuba.

Diversos países, inclusive Brasil, Chile, República Dominicana e México já se manifestaram contra uma possível intervenção armada na Venezuela.

Mãe e filha brasileiras morrem no Uruguai

A polícia do Uruguai investiga a morte da brasileira Luciana Tessmann, de 44 anos, e sua filha, Laura Tessmann, de 4 anos, após caírem de um edifício no balneário de Punta del Este, litoral sul do país.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, ainda não foram esclarecidas as causas e circunstâncias da queda, ocorrida na noite desta terça-feira (24).

Em mensagem à Agência Brasil, o Itamaraty informou que o Consulado brasileiro em Montevidéu “mantém contato com as autoridades policiais” uruguaias e está “em contato com os familiares, prestando-lhes a assistência consular cabível”.