Maduro diz estar disposto a negociar com oposição

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela
(Arquivo/Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta quarta-feira (12/05) que está disposto a se reunir com representantes da oposição num encontro mediado por governos internacionais. A declaração foi feita um dia após o líder oposicionista Juan Guaidó propor a negociação de acordo entre as “forças democráticas” e o regime.

Durante um ato governamental transmitido pela emissora de televisão estatal VTV, Maduro afirmou que concorda em participar de uma negociação medida pela União Europeia ou pelo governo da Noruega. “Quando eles quiserem, onde quiserem e como quiserem, eu estou pronto para me reunir com toda a oposição para ver o que sai disso”, declarou.

Reconhecido em janeiro de 2019 como presidente interino da Venezuela pelos Estados Unidos e mais de 50 países, Guaidó não conseguir tirar Maduro do poder, que continuou a receber o apoio de Rússia, China e Cuba. Nesta terça-feira, o oposicionista voltou a propor o retorno das negociações, com estabelecimento de um cronograma para eleições e a possibilidade de revisão das sanções impostas à Venezuela.

Guaidó publicou nas redes sociais um vídeo em que disse buscar um grande acerto entre os atores políticos dentro da Venezuela. “Esse acordo precisa surgir através de um processo de negociação entre as forças democráticas legítimas, o regime e os poderes internacionais”, destacou o líder oposicionista.

Proposta da oposição

No vídeo, Guaidó afirmou que o acordo deve incluir “a entrada maciça de ajuda humanitária e vacinas contra a covid-19, garantias para todos os atores das forças democráticas e também do ‘chavismo’, com mecanismos para a reinstitucionalização da Venezuela”.

Ele pediu ainda a libertação de presos políticos, o regresso dos exiliados, o fim progressivo das sanções internacionais contra o país condicionado ao cumprimento de metas estabelecidas nas negociações, e um cronograma para a realização de eleições gerais “livres e justas”.

A Venezuela deve realizar eleições regionais neste ano, mas ainda não está claro se a oposição pretende participar. Os opositores boicotaram o pleito legislativo do ano passado, afirmando que não havia garantias de que o processo seria democrático.

Depois de meses de recusa em participar de negociações, o governo parece ter voltado atrás. Maduro enxerga a investida dos opositores com bons olhos, mas voltou a acusá-los nesta quarta de tentar tirá-lo do cargo através de um golpe de Estado.

“Vamos ver se sai algo de bom disso. Eles abandonaram o caminho da guerra, da invasão, dos ataques, do golpe de Estado e vêm para o caminho eleitoral. Estamos esperando por eles aqui, no caminho eleitoral. A proposta foi aprovada”, afirmou, que, no entanto, ironizou ao dizer que o ex-presidente do Parlamento venezuelano pode ter alguma carta na manga.

“Guaidó quer se sentar comigo. O que trará em suas mãos? Que armadilha trará? Será que lhe deram a ordem do Norte?”, provocou, chamando o rival de “boi de piranha” dos Estados Unidos.

Mediação da Noruega

Nesta quarta, em entrevista coletiva conjunta, representantes da oposição reforçaram a possibilidade de contar com a Noruega como mediadora na negociação e confirmaram que representantes do país escandinavo visitaram a Venezuela em duas ocasiões neste ano.

A Noruega mediou o diálogo entre a oposição e Maduro que fracassou em 2019 e foram suspensos após os Estados Unidos intensificaram as sanções econômicas contra o país. Sem dar mais detalhes, o governo norueguês confirmou estar em contato com atores políticos e sociais venezuelanos.

A Venezuela enfrenta uma grave crise econômica, marcada por sete anos de recessão e quatro de hiperinflação. Os serviços públicos básicos estão em colapso e mais de 5 milhões de venezuelanos já deixaram o país em busca de melhores condições de vida.

Por Deutsche Welle

cn (Efe, Lusa, Reuters, AFP)

Facebook bloqueia conta de Nicolás Maduro por desinformação

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela (Twitter/Reprodução)

A conta do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no Facebook está bloqueada por 30 dias devido a “reiteradas violações” da política da empresa sobre desinformação relativa à pandemia do novo coronavírus.

“Removemos um vídeo publicado na página do presidente Nicolás Maduro por violar nossas políticas sobre desinformação relacionada à covid-19 que poderia colocar a população em risco”, informou neste sábado (27/03) um porta-voz da rede social à agência de notícias AFP.

A publicação de Maduro se referia à droga Carvativir, promovida por ele como “gotinhas milagrosas” para tratar o Sars-Cov-2, sem base em quaisquer estudos médicos publicados. “Seguimos as orientações da Organização Mundial da Saúde, segundo as quais atualmente não existe nenhuma medicação que previna ou cure o vírus”, reforçou a empresa dirigida por Mark Zuckerberg.

Já houvera violações prévias, e os responsáveis haviam sido advertidos. A conta do mandatário não será eliminada nem invisibilizada na plataforma, mas apenas colocada em “modo leitura” por um mês, com os administradores impedidos de fazer publicações ou postar comentários.

“Quem manda na Venezuela?”

O presidente venezuelano já havia criticado o Facebook por censurar seus vídeos relacionados ao medicamento em questão: “Eles dizem que, até a OMS dizer que sim, não posso falar do Carvativir. Quem manda na Venezuela? O dono do Facebook? Abusadores. Zuckerberg, é como se chama? É um tremendo abusador”, declarou Maduro na televisão, em 2 de fevereiro. Antes, também atacara as plataformas Twitter e o Youtube.

Diante da avalanche de informações no contexto da pandemia de covid-19, a Facebook ajustou suas políticas, regulando “anúncios que contenham informações enganosas, falsas ou infundadas sobre temas de saúde, inclusive aquelas assegurando que um produto ou serviço possa oferecer 100% de prevenção ou imunidade, ou que seja capaz de curar o vírus”.

Com 30 milhões de habitantes, segundo as cifras oficiais a Venezuela acumula mais de 154 mil casos confirmados de covid-19 e 1.532 mortes, desde os primeiros registros da doença, em março de 2020. Os dados, contudo, são questionados por entidades como a ONG Human Rights Watch, segundo as quais a realidade é muito mais grave.

Por Deutsche Welle

av (AFP, Lusa)

União Europeia aprova sanções contra Rússia e Venezuela

Nicolás Maduro ao lado de Vladmir Putin, durante visita a Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

A União Europeia (UE) decidiu nesta segunda-feira (22/02) impor novas sanções contra a Venezuela e a Rússia. A decisão atinge autoridades de ambos os países e foi tomada numa reunião dos ministros do Exterior do bloco.

No caso da Venezuela, 19 nomes de autoridades foram adicionados à lista de sancionados “por minarem os direitos eleitorais da oposição e o funcionamento democrático da Assembleia Nacional, e por graves violações dos direitos humanos e restrições às liberdades fundamentais”, informou a UE em comunicado.

Já com relação à Rússia, os sancionados estão ligados à prisão e à condenação do líder oposicionista do Kremlin, Alexei Navalny. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, irá divulgar uma lista de pessoas a serem sancionadas. 

Em ambos os casos, as sanções implicam na proibição de entrada no território da União Europeia e no congelamento de bens dessas autoridades no bloco europeu.

Eleições não democráticas 

A União Europeia não reconhece a Assembleia Nacional venezuelana que tomou posse em 5 de janeiro, de maioria governista, por considerar que as eleições de 6 de dezembro não foram democráticas. A maior parte da oposição, sobretudo a ligada a Juan Guaidó, boicotou o pleito por não considerar as eleições livres e justas.

Entre as autoridades venezuelanas sancionadas estão a vice-presidente Delcy Rodríguez Rodríguez e o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. Também entraram para a lista, que agora conta com 55 nomes, a presidente e o vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, magistrados do Supremo Tribunal e do Tribunal Constitucional da Venezuela e deputados da Assembleia Nacional.

Em comunicado, a UE disse que “manterá o seu compromisso com todos os atores políticos e da sociedade civil que lutam pelo retorno da democracia à Venezuela, incluindo em particular Juan Guaidó e outros representantes da Assembleia Nacional cessante, eleita em 2015, que foi a última expressão livre dos venezuelanos”.

“Estas medidas direcionadas são desenhadas de maneira a não terem efeitos humanitários adversos ou consequências não desejadas para a população venezuelana, e podem ser revertidas”, acrescenta o comunicado.  

Pedidos de liberdade a Navalny

As novas sanções à Rússia vêm após semanas de apelos mal-sucedidos da UE pela libertação de Navalny. Moscou já disse que considera os pedidos do bloco como interferência nos assuntos internos. Apoiadores do opositor consideram as medidas da UE muito brandas e defendem que as sanções deveriam ser em maior escala. 

O envenenamento de Nalvalny e seu posterior tratamento na Alemanha têm sido objetos de atrito entre Moscou e Bruxelas. No fim de 2020, a UE impôs proibições de ingresso e congelou as contas bancárias de diversas autoridades russas, entre as quais o diretor do FSB (órgão de inteligência que sucedeu a KGB), Alexander Bortnikov.

Recentemente, a Rússia expulsou três diplomatas da Alemanha, Polônia e Suécia por, supostamente, terem participado de protestos pró-Navalny. Em represália, os três países expulsaram, cada um, um diplomata russo.

No começo de fevereiro, um tribunal da Rússia sentenciou Navalny a três anos e meio de prisão. A Justiça alegou que o ativista violou as condições de sua liberdade condicional relacionada a uma sentença proferida em 2014, ao não se apresentar regularmente para as autoridades penitenciárias. A sentença original envolve um suposto caso de fraude, num processo que foi considerado politicamente motivado e declarado ilícito pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

O ativista foi preso novamente em 17 de janeiro, ao desembarcar em Moscou. Ele retornava a seu país natal pela primeira vez após ter passado cinco meses na Alemanha, onde se recuperava de um ataque com um agente neurotóxico. Navalny acusa o governo russo pelo envenenamento. O Kremlin, por sua vez, nega as acusações. 

Apesar de ter sido advertido pelas autoridades russas de que seria detido ao desembarcar, Navalny decidiu voltar.

A nova prisão de Navalny foi o estopim para novos protestos contra o Kremlin. Milhares de pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades para exigir a libertação do ativista e demonstrar insatisfação com o governo autoritário do presidente Vladimir Putin. A reação das autoridades foi feroz, e mais de 10 mil pessoas foram detidas.

Por Deutsche Welle

le/cn (efe, afp, ots)

Venezuela coloca oxigênio à disposição do Amazonas

(Herick Pereira/Gov. do Amazonas)

O governo da Venezuela confirmou, por meio de uma rede social, que vai colocar à disposição do Amazonas o “oxigênio necessário para atender a contingência sanitária em Manaus”. O ministro das relações exteriores, Jorge Arreaza, escreveu que “por instruções do presidente Nicolás Maduro”, o insumo será fornecido ao Estado Brasileiro.

“Solidariedade latino-americana antes de tudo”, finalizou o ministro. Pela mesma rede social, o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC) agradeceu a disposição da Venezuela em socorrer os brasileiros de Manaus.

A publicação do ministro venezuelano recebeu milhares de curtidas, além de elogios de celebridade, como Bruno Gagliasso.

E também críticas, como a publicada pelo jornalista da Globo News, Ariel Palácios.

Em meio a uma explosão dramática de casos e internações por covid-19 no Amazonas, o sistema de saúde do estado enfrenta um verdadeiro colapso, com hospitais sobrecarregados, sem leitos disponíveis e sem oxigênio para os pacientes hospitalizados com coronavírus.

Devido à calamidade sanitária, o governador Wilson Lima (PSC) informou nesta quinta-feira (14/01) que 235 pacientes serão transferidos para outros cinco estados – Goiás, Maranhão, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Norte – e para o Distrito Federal para receberem atendimento médico.

“Quero agradecer a esses governadores que, num gesto humanitário, estão estendendo a mão para acolher nossos irmãos que estão precisando de todo apoio possível”, afirmou Lima.

Segundo o portal G1, o governo amazonense disse ter feito uma análise da situação em cada estado antes de tomar a decisão de transferir as centenas de pacientes, a fim de não sobrecarregar o sistema de saúde de outras regiões.

Os pacientes que serão transportados estão em estado moderado da doença, segundo afirmou um representante do Ministério da Saúde, coronel Franco Duarte.

“São pacientes que ainda continuam dependentes do oxigênio, mas eles têm toda a segurança plena para serem aerotransportados”, disse. “O paciente do Amazonas que subir na aeronave terá toda a segurança e assistência, com cobertura até de assistentes psicossociais, para não haver falha.”

Manaus sem oxigênio

Policiais militares escoltam cilindros de oxigênio em Manaus (PM Amazonas/Reprodução)

Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, o governador amazonense confirmou que o estado vive uma crise no abastecimento de oxigênio hospitalar e “clama por socorro”.

“Hoje, o estado do Amazonas, que é referência para o mundo, e para onde todos voltam seus olhares quando há um problema relacionado à preservação do meio ambiente, está clamando, pedindo por socorro. Considerado por muitos o pulmão do mundo, uma floresta que produz uma quantidade significativa de oxigênio, hoje o nosso povo está precisando desse oxigênio”, disse Lima.

Em pronunciamento, o secretário de Saúde amazonense, Marcellus Campêlo, explicou que houve um aumento da demanda por oxigênio muito maior que o esperado.

“Fizemos plano de contingência considerando a elevação dos casos, mas a demanda surpreendeu um dos maiores conglomerados de gás do mundo”, afirmou ele, referindo-se à empresa White Martins, principal fornecedora de oxigênio para o governo amazonense.

Segundo o governo estadual, nos últimos dias a demanda por oxigênio mais que dobrou em relação à primeira onda de covid-19 em Manaus. O consumo diário de oxigênio, que era em torno de 30 mil metros cúbicos entre abril e maio, chegou agora a 70 mil metros cúbicos. Essa demanda é quase três vezes superior ao que os fornecedores do estado são capazes de entregar.

Profissionais de saúde e familiares de vítimas relatam cenas de horror em instituições de saúde de Manaus, como o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e a Fundação de Medicina Tropical, referência em doenças infecciosas, com pessoas morrendo sem conseguir respirar.

“Acabou o oxigênio, e os hospitais viraram câmaras de asfixia”, disse o pesquisador Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo.”Há informações de que uma ala inteira de pacientes morreu sem ar. […] Os que conseguirem sobreviver, além de tudo, devem ficar com sequelas cerebrais permanentes.”

Em vídeo divulgado nesta quinta-feira, o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, afirmou que a categoria já havia alertado que o estado poderia chegar a essa situação e fez um apelo às autoridades: “Transportar oxigênio de outros estados em caráter de guerra é uma necessidade para se salvar vidas”, declarou.

Imagens publicadas pela imprensa local mostram familiares de pacientes que recebem tratamento em casa correndo para reabastecer os cilindros de oxigênio alugados ou fornecidos pelos planos de saúde, mas sem sucesso.

Na terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro chegou a responsabilizar os governos de Manaus e do Amazonas por “deixar acabar” o oxigênio de pacientes com covid-19. Nos últimos dias, o Ministério da Saúde enviou 386 cilindros de oxigênio para a capital amazonense por via aérea, como medida paliativa.

Toque de recolher

Em meio à situação dramática e na tentativa de reduzir os contatos e as infecções, o governador Wilson Lima decretou nesta quinta-feira um toque de recolher em todo o Amazonas. A medida valerá inicialmente por dez dias.

O decreto prevê o fechamento de todas as atividades que envolvem a circulação de pessoas entre 19h e 6h da manhã. Apenas atividades e transportes de produtos essenciais poderão continuar funcionando, enquanto farmácias serão limitadas a serviços de entregas.

Em relação à movimentação dos cidadãos, apenas profissionais de saúde e de outras áreas essenciais, como segurança pública, poderão circular pelas cidades nessa faixa horária.

Explosão nos números da covid-19

Manaus foi a cidade brasileira cujo sistema de saúde foi o primeiro a colapsar durante o primeiro pico de infecções no Brasil, no primeiro semestre do ano passado. Nos últimos dias, a cidade voltou a registrar um aumento dramático no número de novos casos, internações e mortes.

Na quarta-feira, Manaus registrou um recorde de enterros diários pelo quarto dia consecutivo, com 198 sepultamentos realizados em 24 horas. Em todo o Amazonas, a média móvel de mortes cresceu 183% nos últimos sete dias.

Em meio à superlotação de cemitérios, duas câmaras frigoríficas foram instaladas no Cemitério do Tarumã, visando manter conservados os corpos de vítimas que morrerem em horários em que o local estiver fechado. A prefeitura de Manaus ampliou o horário de funcionamento dos cemitérios, até as 18h, na tentativa de atender à alta demanda de sepultamentos.

A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) informou que o número de internações em Manaus chegou a um pico diário de 250 nesta semana, o que representa quase o dobro do registrado no primeiro pico da epidemia, entre abril e maio do ano passado.

Somente nos 12 primeiros dias de janeiro, 2.221 pessoas foram internadas com covid-19 na cidade. Em todo mês de dezembro de 2020, foram registradas 1.371 hospitalizações.

No Amazonas, a taxa de mortalidade por grupo de 100 mil habitantes é atualmente de 143,1 – a terceira mais alta do país, ficando atrás somente do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.

*Com informações da Deutsche Welle

Venezuela não excluirá estrangeiros da vacinação, diz Maduro

Nicolás Maduro ao lado de Vladmir Putin (Kremlin/via Fotos Públicas)

O líder da Venezuela, Nicolás Maduro, disse nesta terça-feira (29/12) que vacinará gratuitamente contra covid-19 todas as pessoas que residam em seu país, independentemente de sua nacionalidade, e criticou que seu homólogo colombiano, Iván Duque, exclua da imunização os migrantes venezuelanos não regularizados.

“Na Venezuela, a vacina será distribuída gratuitamente a toda a população que vive na Venezuela, sejam colombianos, equatorianos, peruanos, portugueses, italianos. Não faremos como o bárbaro terrorista, sanguinário, de Iván Duque que anunciou que as vacinas serão negadas aos venezuelanos que vivem na Colômbia”, afirmou, sem especificar a data de início da vacinação

Em evento com governadores, o presidente venezuelano também criticou o líder da oposição e chefe do Parlamento, Juan Guaidó, que “aplaudira” a decisão de Duque.

“O bobalhão saiu para aplaudi-lo, criminosos, xenófobos, nazistas”, Maduro.

Ele também lembrou da assinatura do contrato com a Rússia para a compra de 10 milhões de doses da vacina Sputnik V que, segundo ele, “deve chegar no primeiro trimestre de 2021”.

“Dez milhões em 90 dias”

“Nos próximos 90 dias, a Venezuela vai vacinar 10 milhões de compatriotas priorizados, por idade, por profissão, por nível de vulnerabilidade, de forma segura”, afirmou.

A Venezuela tem sido palco, desde o início, da realização de testes clínicos da vacina russa, cuja eficácia é de 91,4%, de acordo com os resultados da terceira fase, mas os bons resultados são vistos com ceticismo no Ocidente.

Em outubro, a Venezuela recebera um primeiro lote da Sputnik V como parte do “teste clínico de fase três” da vacina, do qual cerca de 2 mil pessoas teriam participado, segundo autoridades venezuelanas.

O governo venezuelano expressou sua confiança na vacina russa por considerá-la “muito segura”, e disse que está preparado para vacinar a população “o mais rápido possível”.

Na semana passada, o país latino-americano ultrapassou as mil mortes por covid-19, por isso recorreu à Organização das Nações Unidas (ONU) para liberar os recursos bloqueados pelas sanções e assim iniciar a vacinação em massa de sua população.

A Venezuela registrou mais de 112 mil casos de coronavírus e 1.018 mortes, segundo dados oficiais. O país enfrenta a pandemia com um sistema de saúde fraco, em meio ao colapso econômico e a uma deterioração de serviços básicos, como eletricidade e água.

Sputnik V na Argentina

Também nesta terça-feira, a Argentina se tornou o primeiro país das Américas a aplicar a vacina russa Sputnik V, ao começar sua campanha nacional de imunização contra o novo coronavírus. A primeira fase abrange um lote de 300 mil doses, de um total de 55 a 60 milhões que o governo planeja receber até julho do ano que vem por meio de contratos com diversas empresas farmacêuticas.

A largada foi dada na província de Buenos Aires, que, por ser a mais populosa, foi a que recebeu o maior número de doses (123 mil). A primeira injeção foi aplicada em uma enfermeira no Hospital San Martín, na cidade de La Plata. Em seguida, foram imunizados uma funcionária da equipe de limpeza da unidade e um médico. 

Na mesma ocasião, também foi imunizado o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof. Pertencente ao mesmo partido do governo nacional, ele tentou assim servir de exemplo e inspirar confiança no imunizante russo. 

Por Deutsche Welle

MD/efe/lusa/rtr

Oposição na Venezuela boicota eleição

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, durante o voto (Redes Sociais)

Em meio a sua longa e severa crise política, a Venezuela elege uma nova Assembleia Nacional neste domingo (06/12). Quase 21 milhões de cidadãos são convocados a escolher os 277 parlamentares para os próximos cinco anos de legislatura.

Grande parte da oposição considera o pleito uma farsa e, já contando com fraudes, conclamou a um boicote. Em consequência, observadores preveem uma vitória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Nicolás Maduro.

Assim, os oposicionistas perderiam a última instituição ainda sob seu controle. Sem maioria na Assembleia Nacional, poderia ser posta em questão também a legitimidade do autoproclamado presidente encarregado Juan Guaidó, que assumiu o cargo em caráter “interino” em 5 de janeiro de 2019.

Guaidó convoca plebiscito

Apesar de reconhecido como chefe de Estado venezuelano legítimo por cerca de 60 nações, entre as quais Brasil, Estados Unidos e Alemanha, o político de 37 anos nunca conseguiu se impor no próprio país. Para a segunda-feira, Guaidó planeja um plebiscito sobre a prorrogação de seu mandato como presidente da Assembleia Nacional.

Nessa luta de poder, Maduro conta sobretudo com o apoio dos poderosos militares – os quais as Nações Unidas acusam de graves violações dos direitos humanos. Também a favor do líder autoritário está o fato de a oposição ter se fragmentado: apesar da convocação ao boicote, alguns partidos oposicionistas apresentaram candidatos à eleição.

A União Europeia se recusou a enviar observadores para as urnas do país sul-americano: o processo eleitoral no país não seria transparente, justificou o encarregado europeu de assuntos externos, Josep Borrell.

Os locais de votação da Venezuela estão abertos das 7h00 às 18h00 (8h00-19h00 em Brasília, 12h00-23h00 em Berlim) deste domingo. Os primeiros resultados estão previstos para a manhã da segunda-feira.

AV/afp,epd,dpa

Por Deutsche Welle

Sanções internacionais aumentaram pobreza na Venezuela, diz estudo

Em maio de 2019, venezuelanos aguardavam vagas em abrigos para refugiados, em Boa Vista (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Sanções internacionais impostas à Venezuela agravaram a pobreza e pioraram a qualidade de vida da população do país, sem atingir seu objetivo principal de derrubar o governo de Nicolás Maduro. A afirmação é de um estudo divulgado nesta sexta-feira (30/10) pelo think tank Escritório de Washington para Assuntos Latino-Americanos (Wola, na sigla em inglês).

“Depois de três anos, os resultados são bastante medíocres. […] A crise se agravou, e a mudança política não foi alcançada”, destaca o relatório, que se concentra nas medidas punitivas impostas pelos Estados Unidos ao país sul-americano desde 2017.

Várias dessas sanções tiveram “efeitos negativos sobre a população”, causando maior “desigualdade e pobreza”, afirma a entidade, que pede a revogação dessas medidas ou ao menos que elas sejam flexibilizadas.

O estudo afirma que, embora a crise econômica na Venezuela tenha começado antes das primeiras sanções americanas, em agosto de 2017, essas medidas “contribuíram diretamente para seu declínio profundo e para uma deterioração ainda maior da qualidade de vida dos venezuelanos”.

O relatório de 53 páginas examina o impacto das sanções americanas em vários setores do país, incluindo a indústria de petróleo, a importação de alimentos, remédios, combustível e outros bens essenciais, e o trabalho de organizações humanitárias.

O texto deixa claro que a intenção do estudo não é “diminuir a responsabilidade” do governo venezuelano, tanto de Maduro como do ex-presidente Hugo Chávez, na “origem da crise econômica”, mas sim demonstrar com fatos que as sanções americanas não cumpriram seu objetivo de pôr fim ao que os EUA consideram uma “ditadura” na Venezuela.

Mais que isso, o relatório do Wola afirma que as sanções “exacerbam o autoritarismo” no país sul-americano e “estão gerando repercussões significativas” em sua economia, “resultando em uma perda considerável de bem-estar da população”.

Medidas como proibir ao país petroleiro a troca de petróleo cru por combustível, por exemplo, “não afetam o caixa” da petroleira estatal PDVSA, mas sim afetam diretamente a população venezuelana, que teve que lidar com as consequências de viver sem gasolina.

Enquanto isso, alerta o relatório, Maduro “uniu suas forças em uma espécie de épico revolucionário” contra as sanções, já que o governo venezuelano afirma ter recebido 300 punições financeiras somente dos Estados Unidos e as descreve como a causa de todos os problemas do país.

O relatório é assinado pelo economista venezuelano Luis Oliveros, da Universidade Central da Venezuela em Caracas, e foi elaborado com base em avaliações privadas, dados não oficiais e números disponíveis ao público.

Um estudo nacional publicado recentemente pela organização da sociedade civil HumVenezuela mostrou que oito em cada dez venezuelanos estão afundados na miséria e penam para satisfazer suas necessidades mais básicas, como acesso a água potável e alimentação.

EK/efe/ots

Por Deutsche Welle

Em Boa Vista, Pompeo faz discurso linha-dura contra Maduro

Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores do Brasil, ao lado de Mike Pompeo, chefe da Diplomacia dos EUA (Min. Rel. Exteriores/Reprodução)

O secretario de Estado dos EUA, Mike Pompeo, fez duras críticas a Nicolás Maduro nesta sexta-feira (18/09), durante visita a Boa Vista, Roraima. O chefe da diplomacia dos EUA chamou o líder venezuelano de “traficante de drogas” que “destruiu” seu país. Ele ainda afirmou que não pode responder quando Maduro vai cair, “mas que esse dia vai chegar”.

“Não devemos esquecer que ele (Maduro) é um líder que destruiu o seu próprio país, mas também é um traficante de drogas, que envia drogas ilícitas para os EUA todos os dias, impactando americanos todos os dias”, disse Pompeo.

“A questão de quando Maduro partirá só pode ser respondida no dia em que ele partir”, disse Pompeo, comparando o venezuelano com antigos líderes da Alemanha Oriental e da Romênia comunista. “Ninguém pode prever quando será esse dia, mas esse dia vai chegar”, acrescentou.

O secretário do governo Donald Trump ainda afirmou que a missão dos EUA é “assegurar que a Venezuela tenha uma democracia” e que os americanos querem “representar as pessoas” no país sul-americano.

Pompeo deu as declarações durante uma visita a um centro de acolhida de refugiados venezuelanos na capital de Roraima. “As pessoas com que falei hoje estão desesperadas para voltar para casa”, disse o secretário.  Estimativas das Nações Unidas apontam que mais de 250 mil venezuelanos fugiram para o Brasil nos últimos anos, tentando escapar da ruína econômica e da turbulência política no país vizinho. Mas apenas um quinto desse total recebeu o status de refugiado. Dezenas de milhares de pedidos seguem em análise.

Numa etapa anterior da viagem, na Guiana, Pompeo já havia se referido ao líder venezuelano como um “traficante”.

“Nós sabemos que o regime de Maduro dizimou o povo da Venezuela, e que o próprio Maduro é um traficante de drogas que já foi denunciado judicialmente. Isso significa que ele tem que ir embora”, completou. Em março, promotores americanos apresentaram uma denúncia criminal contra Maduro e membros do seu círculo por conspiração de narcoterrorismo e tráfico de cocaína. 

O governo dos EUA também ofereceu uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levem o venezuelano à prisão.

Durante a visita a Roraima, Pompeo também se encontrou com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo. Os EUA e o Brasil não reconhecem Maduro como presidente. Em 2018, o venezuelano foi reeleito para mais um mandato presidencial em um pleito marcado por acusações de fraude e intimidação. Em 2019, Brasil, EUA e dezenas de outros países reconheceram Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, como líder do país. 

A visita de Pompeo foi a terceira etapa de um giro pela América do Sul. Na quinta-feira, ele já havia visitado Georgetown, a capital da Guiana, e Paramaribo, no Suriname, e se reunido com os presidentes desses países. Nas duas etapas anteriores, ele também fez pesadas críticas a Maduro. Parte da imprensa americana interpretou o giro como um gesto para conquistar votos entre o eleitorado de origem latina do estado americano da Flórida, considerado decisivo nas eleições presidências dos EUA, previstas para o início de novembro.

Depois de Roraima, Pompeo segue para Bogotá, onde deve se encontrar com o presidente colombiano, Ivan Duque.

A visita de Pompeo a Roraima foi alvo de críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que apontou que a vinda do americano não era apropriada a menos de 46 dias da eleicao nos EUA.

“A visita do Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”, disse Maia, em nota.

“Como Presidente da Câmara dos Deputados, vejo-me na obrigação de reiterar o disposto no Artigo 4º da Constituição Federal, em que são listados os princípios pelos quais o Brasil deve orientar suas relações internacionais. Em especial, cumpre ressaltar os princípios da: (I) independência nacional; (III) autodeterminação dos povos; (IV) não-intervenção; e (V) defesa da paz.”

“Patrono da diplomacia brasileira, o Barão do Rio Branco deixou-nos um legado de estabilidade em nossas fronteiras e de convívio pacífico e respeitoso com nossos vizinhos na América do Sul. Semelhante herança deve ser preservada com zelo e atenção, uma vez que constitui um dos pilares da soberania nacional e verdadeiro esteio de nossa política de defesa”, concluiu o presidente da Câmara.

Já Maduro classificou o giro de Pompeo como uma viagem “bélica” que , segundo ele, “fracassou”.

“Mike Pompeo está em uma viagem de guerra contra a Venezuela, mas o tiro saiu pela culatra e Mike Pompeo falhou em todas as suas tentativas de organizar os governos do continente em uma guerra contra a Venezuela”, disse Maduro durante uma videoconferência com militares transmitida pela TV.

JPS/afp/ots/efe/lusa

Por Deutsche Welle

Grupo de Lima declara apoio a Guaidó e defende eleição na Venezuela

O Grupo de Lima, composto por Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru, divulgaram hoje (14) uma declaração reiterando seu apoio ao líder da oposição na Venezuela, Juan Guaidó. A Venezuela, representada exclusivamente pela ala de oposição ao presidente Nicolás Maduro, também faz parte do Grupo de Lima e assinou o documento.

Nicolás Maduro durante visita a Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

“Os membros do Grupo de Lima […] renovam sua unidade e firme compromisso em favor do presidente encarregado Juan Guaidó, da transição democrática, e da reconstrução institucional, econômica e social na Venezuela, país que vive uma crise multidimensional sem precedentes, que tem gerado o sofrimento crescente do povo venezuelano e que se agravou em função da pandemia de covid-19”, diz um trecho da declaração conjunta.

O Grupo de Lima também expressou repúdio ao anúncio do governo de Maduro de realizar eleições parlamentares “sem as garantias mínimas e sem a participação de todas as forças políticas”. Além disso, apoiaram a “Declaração Conjunta de Apoio à Transição Democrática na Venezuela”, assinada por 31 países. Esse documento convoca toda a população do país, suas instituições e partidos políticos a apoiarem um processo de transição inclusivo e “que leve o país a eleições presidenciais livres e justas no menor prazo possível”.

O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, durante visita ao Brasil

Guaidó, parlamentar líder da oposição no país, chegou a se autodeclarar presidente da Venezuela e foi reconhecido como tal por países como Brasil e Estados Unidos. Guaidó visitou o Brasil no início de 2019, quando se encontrou com Jair Bolsonaro. Na época, a pressão internacional para uma troca de comando na Venezuela pareceu insustentável, mas Maduro se manteve no poder, onde está desde 2013.

Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil 

Venezuela prolonga estado de exceção até 13 de julho

(Presidência da Venezuela/Fotos Públicas)

A Venezuela prolongou até 13 de julho o estado de exceção em vigor no país desde março, o que permite ao governo decretar decisões drásticas para combater a pandemia da covid-19.

O prolongamento da quarentena, por 30 dias, foi publicado hoje (13) na Gazeta Oficial (equivalente ao Diário da República).

O texto do decreto presidencial justifica o prolongamento “dadas as circunstâncias de ordem social que põem gravemente em risco a saúde pública e a segurança dos cidadãos e das cidadãs da República Bolivariana da Venezuela”, para que o Executivo “adote as medidas urgentes efetivas e necessárias de proteção e preservação da saúde da população”.

O objetivo é “assegurar que a população desfrute plenamente dos seus direitos, preservar a ordem interna, o acesso oportuno a bens, serviços, alimentos e outros produtos essenciais para a vida”.

“Persistem as circunstâncias excepcionais, extraordinárias e conjunturais que motivaram do estado de exceção de alarme”, esclarece o decreto.

Contágio

Ao mesmo tempo, o governo pode “adotar medidas necessárias para conter e evitar o contágio”. 

Na Venezuela, há oficialmente confirmados 2.879 casos e 23 mortes associadas ao novo coronavírus. Foram recuperados 487 pacientes.

A Venezuela está desde 13 de março em estado de alerta, o que permite ao executivo decretar “decisões drásticas” para combater a pandemia. Os voos nacionais e internacionais estão reduzidos no país.

Desde 16 de março que os venezuelanos estão em quarentena e impedidos de circular livremente entre os vários estados do país. A pandemia de covid-19 já provocou 423 mil mortos e infectou mais de 7,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.