Governador do Amazonas é alvo de operação da PF

Wilson Lima, governador do Amazonas (Diego Peres/Gov. do Estado do Amazonas)

A Polícia Federal deflagrou, hoje (2), em Manaus e Porto Alegre, a quarta fase da Operação Sangria, que investiga desvio de dinheiro público, organização criminosa e fraude em licitação no Estado do Amazonas. Entre os alvos, segundo apurou o jornal O Globo, está Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas, e o secretário de Saúde do Estado.

A ação da Polícia Federal cumpre 25 mandados judiciais, expedidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sendo 19 mandados de busca e apreensão e 6 de prisão temporária, além de sequestro de bens e valores.

Investigações revelaram indícios de que funcionários do alto escalão da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas realizaram contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais, sob orientação da cúpula do Governo do Estado, de um hospital de campanha.

“De acordo com os elementos de prova, ele não atende às necessidades básicas de assistência à população atingida pela pandemia COVID-19, bem como coloca em risco de contaminação os pacientes e os funcionários da unidade”, informa nota da PF.

Os investigadores também indicam que contratos das áreas de conservação e limpeza, lavanderia hospitalar e diagnóstico por imagem, todos os três firmados em janeiro de 2021 com o Governo do Amazonas, cujos serviços são prestados em apoio ao hospital de campanha, contêm indícios de montagem e direcionamento de procedimento licitatório, prática de sobrepreço e não prestação de serviços contratados.

Os indiciados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de fraude à licitação, peculato e pertencimento a organização criminosa e, se condenados, poderão cumprir pena de até 24 anos de reclusão.

Amazonas recebe primeiro lote da vacina de Oxford

Wilson Lima (PSC) e Eduardo Pazuello
(Diego Peres/Gov. do Amazonas)

O Estado do Amazonas recebeu na noite de ontem (23) o primeiro lote de vacinas de Oxford/AstraZeneca, distribuída no Brasil a partir da Fiocruz, pelo Ministério da Saúde. Nesse primeiro lote são132,5 mil doses. Neste domingo (24), deve chegar ao estado mais um lote de 44 mil doses do imunizante.

A vacina, fabricada pelo laboratório Serum, na Índia, chegou ao Brasil na sexta-feira (22). Em menos de 24 horas, a Fiocruz fez a verificação de segurança dos dois milhões de doses e liberou o imunizante para distribuição.

Pelo acordo firmado com o Ministério da Saúde, o Amazonas ficará com 5% do total de vacinas importadas da Índia. O Estado vive um colapso no sistema de saúde, com falta de oxigênio e superlotação de hospitais.

“Daqui, essas vacinas serão enviadas até a (Fundação de) Vigilância em Saúde para que possamos fazer o registro e catalogar, e a partir de então começar a distribuição na capital e no interior”, explicou Wilson Lima (PSC), governador do Amazonas, que acompanhou o desembarque das doses ao lado do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Com explosão de casos, Manaus decreta toque de recolher

Reportagem do Estadão revela morte de pacientes em Manaus por falta de oxigênio (Mário Oliveira/Pref. de Manaus)

O governador do Amazonas, Wilson Lima, anunciou, hoje (14), novas medidas para tentar conter a disseminação do novo coronavírus (covid-19) e o consequente aumento do número de casos da covid-19 no estado. Entre as restrições está a proibição da circulação de pessoas nas ruas de todo o Amazonas, das 19h às 6h.

O governo estadual também já começou a transferir pacientes diagnosticados com a covid-19 para hospitais de outras seis unidades da federação (Goiás, Piauí, Maranhão, Distrito Federal, Paraíba e Rio Grande do Norte) e recorreu à Justiça para que a empresa White Martins seja obrigada a fornecer todo o oxigênio hospitalar de que a rede pública de saúde do estado precisar.

“Estamos decretando o fechamento das atividades de circulação de pessoas entre 19h e 6h da manhã, exceto de atividades e transporte de produtos essenciais à vida”, informou o governador nas redes sociais. 

Lima explicou que o toque de recolher não atinge quem trabalha em atividades estratégicas e essenciais, como saúde e segurança pública, nem profissionais de imprensa. Farmácias também poderão atender os clientes, mas apenas por meio de entrega em domicílio.

A medida será detalhada em um decreto a ser publicado no Diário Oficial do estado. O decreto também proibirá o transporte coletivo de passageiros por estradas ou barcos.

Quanto à remoção de pacientes para outras unidades da federação, Lima garantiu que, além do traslado, o governo estadual vai oferecer apoio psicossocial para atender aos doentes e a seus parentes. “Estamos montando um grupo de apoio para esses pacientes e familiares que irão ser deslocados para os outros estados”, disse o governador.

“Também já entramos com uma ação na Justiça contra a empresa [White Martins] para garantir que ela abasteça [com oxigênio medicinal] em quantidade suficiente a rede hospitalar para atender nossos irmãos acometidos da covid-19”, acrescentou Lima, que disse que tem conversado com os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello; da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, sobre os riscos do desabastecimento do produto.

https://twitter.com/JuniorWaldick/status/1349824288711434243

Ontem (13), a demanda por oxigênio em estabelecimentos hospitalares públicos de saúde do Amazonas superou em mais de 11 vezes a média diária de consumo da terça-feira (12). Os hospitais particulares também já enfrentam dificuldades de abastecimento. 

Nos últimos dois dias, a Justiça estadual deu decisões favoráveis a estabelecimentos privados para que as empresas White Martins e Nitron da Amazônia sejam obrigadas a manter o fornecimento de uma quantidade mínima do produto.

“Estamos numa operação de guerra, onde os insumos, sobretudo a questão do oxigênio nas unidades hospitalares, é o produto mais consumido diante dessa pandemia”, disse o governador Wilson Lima.

Frentes

De acordo com o governo estadual, até ontem (13) à tarde, o Amazonas contabilizava 219.544 casos confirmados da covid-19 e 5.879 óbitos, com 540 pacientes internados com a suspeita de terem sido infectados pelo novo coronavírus.

No início da semana, o governo estadual já tinha proibido o transporte fluvial e rodoviário intermunicipal de passageiros. A suspensão desses serviços foi estabelecida por decreto publicado na terça-feira (12), e vai vigorar até 17 de janeiro.

No mesmo decreto, foram suspensas o funcionamento de marinas para atividades de lazer e de academias, centros de ginástica e estabelecimentos semelhantes. Também devido aos reflexos da covid-19, o governo estendeu até 31 de janeiro a determinação para que os órgãos e entidades da administração direta e indireta do Poder Executivo estadual que não estejam diretamente envolvidos com o enfrentamento da pandemia mantenham no mínimo 70% de seus servidores e empregados em trabalho remoto.

A gravidade da situação no Amazonas motivou o governo do Pará a proibir a entrada em seu território de embarcações de passageiros provenientes do Amazonas, em vigor a partir de hoje (14).

Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil