Unesp suspende vestibular de meio de ano por causa de crise financeira

Por Fernanda Cruz

(Unesp/Reprodução)

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) suspendeu o vestibular de meio de ano, com provas normalmente em maio, para selecionar 360 alunos de nove cursos de graduação em engenharia nos campi de Bauru, Ilha Solteira, Registro, São João da Boa Vista e Sorocaba, no interior de São Paulo. 

Essas vagas, a partir do processo seletivo de 2019, passarão a ser oferecidas no final do ano, com início das aulas tanto em fevereiro, como em agosto.

Segundo a Unesp, o número de ingressos no meio do ano representa apenas 5% do total de vagas da universidade, mas os gastos com logística e operação para a realização de exames eram praticamente iguais nos dois períodos do ano.

A Universidade Estadual Paulista estuda formas alternativas de ingresso, como um melhor aproveitamento da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a busca de talentos entre participantes de olimpíadas estudantis e bolsistas de iniciação científica no ensino médio.

Crise financeira 

Com os pagamentos do 13º salário dos servidos em atraso, a universidade informou que busca o reequilíbrio orçamentário e financeiro. A Unesp conseguiu a antecipação, em caráter emergencial, de R$ 130 milhões do repasse financeiro relativo às dotações orçamentárias de 2019 para honrar os pagamentos aos funcionários.

Houve negociação com o governo estadual e concordância dos reitores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Campinas (Unicamp).

Pelo acordo, está previsto o recebimento de R$ 65 milhões em fevereiro, o que possibilitará o crédito de 50% do 13º salário em atraso, a ser pago no próximo dia 25. A segunda parcela, que totaliza R$ 65 milhões, será paga no mês de maio.

A instituição informou que a falta de orçamento para a folha de pagamento vem sendo um problema de alta complexidade, com déficit de cerca de R$ 175 milhões.

Alunos de escola pública de SP são premiados por aplicativo inovador

Flávia Albuquerque/Agência Brasil

(Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Um projeto desenvolvido por cinco alunos de escola pública de São Paulo venceu o primeiro programa educacional Startup Varejo, desenvolvido para bairros da zona norte, na área de tecnologia e empreendedorismo dedicados ao setor. O grupo criou o aplicativo Serv Pet e receberá como prêmio a mentoria de pré-aceleração profissional, prestada por consultoria de inovação social Ideias de Futuro.

O Serv Pet é um aplicativo que oferece entrega de refeições frescas e balanceadas para animais de estimação como alternativa ao consumo restrito de rações industrializadas. As refeições têm o aval de médicos veterinários e nutricionistas e a ideia é propor  praticidade ao dono e qualidade de vida aos animais. Com a premiação, os estudantes terão a chance de desenvolver ainda mais o projeto e até mesmo lançar a startup e o aplicativo

Durante três meses, 140 alunos de quatro escolas da rede pública da zona norte desenvolveram projetos de startups para apresentar soluções ao varejo. Sete projetos disputaram a final. Os projetos consistiram em soluções criativas para o setor nos segmentos de alimentação, serviços temporários, trocas de livros, e uma consultoria online para microempreendedores.



“O grande objetivo aqui é usar o programa para exercitar e desenvolver competências empreendedoras nos alunos, ao mesmo tempo em que eles possam ter uma experiência de criadores de tecnologia e não apenas de usuários. Isso tudo dentro da temática de  desafios e oportunidades que o comércio e o varejo oferecem hoje em dia. O setor é a principal porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho. Então, aliar tudo isso é o grande diferencial desse projeto”, disse o diretor de operações da consultoria Ideias de Futuro, Oswaldo Cruz.

Segundo Cruz, os vencedores terão um dia inteiro de visitação a vários centros de tecnologia e inovação da capital paulista, para conhecer os locais e ter contato com as pessoas que trabalham nos ambientes. “O grupo também ganhará quatro meses de pré-aceleração profissional da Ideias de Futuro para ter a chance de desenvolver os projetos.”

De acordo com a responsável pelo Instituto Center Norte, um dos parceiros do projeto, Daniela Pavan,  a ideia é apoiar ações e iniciativas em sintonia com estratégias dos negócios e inovação social, voltadas para o empreendedorismo e a mobilidade. “Acreditamos no ambiente de aprendizagem que cria formas para pessoas e instituições conseguirem soluções capazes de melhorar a vida na região em que vivem.”

Este foi o primeiro ano em que o programa foi desenvolvido e já há planos de ampliá-lo para outras escolas públicas da região, no próximo ano. “Já estamos pensando em como dar sequência e ampliar esse projeto para trazer a cultura de sustentabilidade e inovação para a zona norte, como uma grande força de transformação social”, disse Pavan.

Participaram da final, no Expo Center Norte, as plataformas digitais Food Back, que registra as impressões dos clientes de restaurantes encaminhadas aos proprietários para a realização de melhorias; I Force, consultoria para pequenos negócios expandirem sua atuação; I need 2 eat, que estimula o hábito de valorizar as refeições fora de casa para encontrar amigos e familiares; Hungry moving, que reduz o tempo de espera, entre um pedido e a entrega, oferecendo ao consumidor a possibilidade de escolher e fazer seu pedido, antes de sair de casa); Bicos Parati, que conecta pessoas que oferecem e buscam serviços temporários; e Sebo Teen, de venda e troca de livros.

Alunos da rede pública receberão livros literários

Camila Bohem/Agência Brasil

(Arquivo/Valter Campanato/Agência Brasil)

Estudantes da rede pública receberão livros de literatura em 2019, além do material didático, de acordo com o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD). A escolha das obras pelas escolas credenciadas ainda não foi iniciada e deve ocorrer em outubro.

De acordo com o Ministério da Educação, a escolha será feita pelas escolas, a partir de uma lista, e levará em conta a opinião dos professores e diretores de escola. No catálogo para o ensino médio, estão livros como a biografia da paquistanesa Malala – a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Juxley; e poemas de Cecília Meireles.

Até este ano, o programa destinava as obras literárias apenas para as bibliotecas e para serem usadas em salas de aula. A previsão é que os estudantes recebam os dois livros literários.

Para a assessora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, é importante o aspecto individual da leitura, mas o papel didático da biblioteca não se deve ser esquecido. Ela defende que a escolha dos livros deve ser a mais democrática possível, envolvendo não só os professores, como prevê o programa, e que os alunos também sejam consultados.

“Sempre falamos da necessidade sobre o processo de gestão democrática dentro da escola. Então, a escolha dos livros didáticos também tem que passar por isso, existe todo um trabalho que é feito e pensado para que as escolas possam ter de fato gestão democrática”, disse. “Se os professores, os diretores, os coordenadores pedagógicos puderem discutir com os estudantes a escolha dos livros de literatura e também os livros didáticos, isso sempre é muito mais frutífero porque uma gestão democrática gera apropriação de cultura, então gera educação e aprendizado”, acrescentou.

Na avaliação de Cândido Grangeiro, sócio de uma pequena editora que teve livros escolhidos para o catálogo literário do programa, houve conquistas com o novo modelo. “Isso é uma conquista enorme [o livro ficar com o estudante] porque o aluno tem um acesso maior à literatura”, disse, ressaltando ser mais um incentivo para publicações no mercado editorial.

Os professores terão acesso a um guia com resenhas das obras selecionadas pelo programa e a escolha será feita após uma reunião de professores e diretoria da escola. Ainda de acordo com as regras, uma mesma editora não poderá ter dois livros escolhidos. As obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.

O PNLD não permite que as editoras, com obras selecionadas para o catálogo, façam ações promocionais, distribuam brindes ou visitem as escolas. Grangeiro alerta para um disputa desigual entre as grandes e pequenas editoras. “Essas editoras [grandes] trazem toda uma tradição de chegada, um poder comercial mesmo, tem distribuidor, tem dinheiro, enfim, de chegar nas escolas e conseguir concentrar todas as adoções [de livros]. As editoras pequenas não dominam esse universo comercial, nem tem recursos financeiros para esses estudos. A disputa é extremamente desigual”, disse.

Sobre a questão, o MEC foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação.

 *Colaborou Nelson Lin, da Rádio Nacional

Aluno atira em colegas dentro de escola

Pedro Peduzzi/Agência Brasil

Material apreendido com estudantes e na casa deles (PM do Paraná/Reprodução)

Um estudante de 15 anos disparou contra colegas de classe na manhã desta sexta-feira (28) em Medianeira, município localizado no oeste Paraná, próximo a Foz do Iguaçu. Os tiros foram dados no Colégio Estadual João Manoel Mondrone.

De acordo com a Polícia Militar, dois estudantes foram atingidos: um de raspão na perna, e outro nas costas. Um terceiro estudante relatou dores no tímpano em decorrência do barulho emitido pela arma.

O suspeito, que é filho de agricultores, e um outro estudante, suspeito de ter dado cobertura ao ataque, foram levados à delegacia local. Com o autor dos disparos, foi encontrada uma arma calibre 32 e munições. Já com o suspeito de dar cobertura foi encontrada uma faca.

Um vídeo foi gravado por estudantes em que mostra o desespero após ouvirem os disparos.

Começam hoje inscrições para bolsas remanescentes do ProUni

Mariana Tokarnia/Agência Brasil

(Arquivo/Agência Brasil)

A partir de hoje (20), estudantes interessados em concorrer a bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) podem fazer a inscrição pela internet. Ao todo serão ofertadas 106.252 bolsas que não foram preenchidas no processo de seleção regular, das quais 18.070 são integrais e 88.182, parciais de 50%.

O ProUni oferece bolsas de estudo em instituições particulares de ensino superior do país. Podem concorrer brasileiros sem diploma de curso superior que tenham participado de alguma edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a partir de 2010. É preciso ter obtido nota superior a 450 pontos nas provas e não ter zerado a redação.

Os interessados precisam ainda preencher um ou mais dos seguintes requisitos: ter cursado o ensino médio completo em escola pública ou em instituição privada como bolsista integral, ter alguma deficiência, ser professor da rede pública ou estar enquadrado no perfil de renda exigido pelo programa.

As bolsas integrais são para estudantes com renda per capita de até um salário mínimo e meio. Já as bolsas parciais destinam-se a candidatos que têm renda familiar per capita de até três salários mínimos.

O prazo para concorrer às bolsas varia. Os alunos já matriculados nas instituições de educação superior devem se inscrever até 28 de setembro. Para aqueles para aqueles não matriculados, o prazo é menor e vai até 24 de agosto.