Anthony Albanese, homem de pele clara, óculos de grau arredondado, sorri enquanto concede entrevista em um estúdio, vestindo terno e gravata.

Partido trabalhista vence conservadores na Austrália

A coalizão conservadora do primeiro-ministro Scott Morrison perdeu as eleições legislativas deste sábado (21/05) na Austrália, segundo projeções da mídia, com cerca de metade dos votos apurados.

O oposicionista Partido Trabalhista, de Anthony Albanese, de 59 anos, se prepara para formar o governo, de acordo com o canal de televisão estatal ABC, embora ainda não esteja claro se ele precisará procurar aliados para garantir uma maioria parlamentar.

“Falei com o líder da oposição e o novo primeiro-ministro, Anthony Albanese, e o parabenizei por sua vitória eleitoral”, disse o premiê Morrison, ao admitir uma derrota que deve colocar fim a um governo de nove anos, formado por uma aliança entre liberais e nacionalistas.

Anthony Albanese, homem de pele clara, óculos de grau arredondado, sorri enquanto concede entrevista em um estúdio, vestindo terno e gravata.
Anthony Albanese durante entrevista (Rede Social/Reprodução)

Com quase metade dos votos apurados, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, tinha a garantia de formar a maior bancada do Parlamento, mas ainda não havia conseguido uma maioria absoluta. 

Independentes

O equilíbrio de poder ainda pode ficar com uma série de candidatos independentes focados principalmente no clima que derrotaram os liberais de Morrison em uma série de assentos urbanos que eram tradicionalmente conquistados pelos conservadores.

Partidos menores e independentes estão tendo resultados excepcionais, aumentando as chances de um Parlamento pulverizado e de um governo de minoria. Um número recorde de cédulas enviadas por correio, devido à pandemia de covid-19, também deve ser contabilizado até domingo.

O sucesso de candidatos e candidatas que defendem temáticas ligadas a meio ambiente, combate à corrupção e igualdade de gênero ocorre depois de três anos marcados pela pandemia e incêndios florestais agravados pelo clima, secas e inundações que destruíram a vida de milhões de australianos.

Os trabalhistas também prometeram impulsionar as políticas ambientais, uma das principais deficiências do governo conservador.

Mais de 17 milhões de australianos foram convocados a escolher os 151 assentos na Câmara dos Deputados para um mandato de três anos e 40 dos 76 senadores para um mandato de seis anos.

De acordo com os números preliminares, o Partido Trabalhista pode contar com pelo menos 71 assentos na Câmara, onde são necessários 76 cadeiras para se chegar a uma maioria. A coalizão conservadora de Morrison ganhou apenas 49 assentos, de acordo com os dados

O partido ou coligação que obtiver a maioria na Câmara dos Deputados recebe automaticamente a tarefa de formar um governo. O voto é obrigatório na Austrália e que não votar pode risco de pagar multa de 20 dólares australianos (R$ 70). 

Crise climática

“As pessoas estão dizendo que a crise climática é algo sobre o qual querem ver ação”, disse um eufórico líder dos verdes australianos Adam Bandt. “Acabamos de ter três anos de seca, depois incêndios e agora inundações e mais inundações. E as pessoas estão vendo o que está acontecendo.”

Albanese prometeu acabar com as “guerras climáticas” da Austrália, adotar metas de emissões mais ambiciosas e introduzir um órgão federal de vigilância da corrupção. Mas ele recusou pedidos para eliminar gradualmente o uso de carvão ou para bloquear a abertura de novas minas de carvão. Ele prometeu também realizar um referendo sobre dar aos povos indígenas uma voz institucional na formulação de políticas nacionais.

md (AFP, AP, Reuters)

EUA anunciam doação de vacinas para Ásia, América Latina e África

EUA, Austrália e Reino Unido criam pacto para conter China

O Pacto de Aukus reúne os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália para fazer frente às pretensões territoriais da China no Indo-Pacífico. O acordo, no âmbito da Segurança e Defesa, prevê que Camberra possa construir, pela primeira vez, submarinos com capacidade nuclear, mas também a estreita colaboração das três nações ao nível das capacidades cibernéticas, quânticas e de inteligência artificial.

Os analistas consideram o acordo como um dos mais significativos nas áreas de segurança e defesa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O pacto vai permitir à Austrália a construção de submarinos com propulsão nuclear, com o apoio dos aliados, Estados Unidos e Reino Unido.

“Estamos investindo na maior fonte de força: as nossas alianças. Estamos nos atualizando para enfrentar, da melhor forma, as ameaças de hoje e de amanhã. Estamos ligando os aliados e parceiros da América de novas formas”, afirmou o presidente norte-americano,Joe Biden, ladeado pelas imagens dos líderes britânico e canadense, em imagens transmitidas pelos canais de televisão.

Sobre os submarinos, os Estados Unidos e a Austrália garantiram que Camberra não irá recorrer a armas nucleares, ainda que tenham capacidade para as transportá-las.

“Permitam-me ser muito claro: a Austrália não quer obter armas nucleares ou alcançar uma capacidade nuclear civil”, disse Scott Morrison, o primeiro-ministro australiano.

O país é um dos signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que visa a impedir a aquisição e o desenvolvimento de armas nucleares.

Ainda assim, este é o primeiro acordo em várias décadas de partilha de informação e tecnologia com capacidade de propulsão nuclear. Antes dessa quarta-feira, a última vez que os Estados Unidos tinha firmado esse tipo de entendimento foi em 1958, com o Reino Unido.

Esses submarinos, que no âmbito do acordo passam a ficar estacionados na Austrália, são muito mais rápidos e difíceis de detectar do que os submarinos convencionais, o que confere maior influência norte-americana na região do Indo-Pacífico.

Camberra torna-se, dessa forma, o sétimo país do mundo a operar submarinos com capacidade nuclear, depois dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, China, Índia e Rússia.

Com esse entendimento, cai um acordo assinado pela Austrália em 2016, com a França, para a construção de 12 submarinos convencionais, no valor de 56 bilhões de euros.

Mentalidade de “Guerra Fria”

O pacto prevê uma cooperação ainda mais estreita, ao nível da segurança e defesa, entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, três países que já integravam o grupo Five Eyes, em que também estão o Canadá e a Nova Zelândia.

Além dos submarinos, o acordo Aukus prevê a estreita colaboração dos três países no conhecimento e capacidade cibernéticos, quânticos e de inteligência artificial, bem como de novas tecnologias submarinas.

Na conferência conjunta, nenhum dos três líderes fez referências diretas à China, tendo assumido apenas que os desafios de segurança regionais “aumentaram significativamente”.

No entanto, o acordo é visto como uma resposta dos Estados Unidos ao expansionismo de Pequim no Mar do Sul da China e das ameaças chinesas a Taiwan. Em entrevista, Joe Biden falou da importância de “um Indo-Pacífico livre e aberto”.

“Esta é uma oportunidade histórica para as três nações, aliadas e parceiras com ideais semelhantes, protegerem os valores partilhados e promoverem a segurança e a prosperidade na região”, diz a declaração conjunta.

A embaixada chinesa em Washington criticou o acordo trilateral e pediu às nações que “deixem a mentalidade de guerra fria e o preconceito ideológico”, afirmou o porta-voz Liu Pengyu.

Por RTP