Funcionárias públicas são presas por roubo de 500 vacinas na Bolívia

Vacinação na Bolívia (Min. da Saúde da Bolívia)

No último sábado (3), três funcionárias públicas da Bolívia foram presas por roubar 500 vacinas contra a Covid-19. A informação foi divulgada pelo Ministério Público do país. Elas eram responsáveis pela guarda das doses em Guayaramerín, cidade próxima a fronteira com o Brasil. 

“Três cidadãs funcionárias do Departamento de Saúde que eram responsáveis pela manutenção dessas doses foram apreendidas”, relatou Ruthiar Vásquez, promotora do estado de Beni.

O Ministério Público informou que todas as doses foram devolvidas no mesmo dia, porém, elas serão descartadas. As autoridades não sabem se a manutenção das vacinas ocorreu de forma correta, como o armazenamento da temperatura correta. 

A vacinação na Bolívia ainda ocorre em baixa velocidade. Foram aplicadas 2,6 vacinas para cada 100 habitantes no país. Porém, a campanha está intensa em cidades próximas a fronteira do Brasil. O plano é tentar barrar a variante brasileira.

Por TV Cultura

Ex-presidente Jeanine Áñez é presa na Bolívia

Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolícia (Ricardo Carvallo Terán/ABI/via Fotos Públicas)

Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolívia, foi detida neste sábado (13/03) no âmbito de uma investigação que a acusa dos crimes de conspiração, sedição e terrorismo, relacionados à crise política de 2019 que resultou na renúncia de Evo Morales da presidência do país.

Áñez foi presa em sua casa, no departamento amazônico de Beni, e foi encontrada pelos policiais escondida dentro de uma cama box, de acordo com a Agência Boliviana de Informação.

Dali, a ex-presidente foi transferida em um avião Hércules da Força Aérea Boliviana para La Paz, onde está presa na sede da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc).

Na capital boliviana, Áñez foi levada para prestar depoimento no Ministério Público sobre o suposto “golpe de Estado”, mas, segundo a imprensa local, ela fez uso de seu direito ao silêncio.

A ex-senadora de 53 anos disse aos meios de comunicação que se trata de uma “intimidação política” e que por trás de todo esse processo está o Movimento pelo Socialismo (MAS), partido de Morales e do atual presidente boliviano, Luis Arce, que tomou posse em novembro de 2020.

“É um ultraje absoluto, porque nos acusam de sermos cúmplices de um suposto golpe, é algo que não tem pé nem cabeça e é uma intimidação absolutamente política”, afirmou.

Áñez também enfatizou que seu “status de ex-presidente” não está sendo respeitado e que recorrerá a organismos internacionais.

A prisão da política de oposição havia sido ordenada no dia anterior pelo Ministério Público da Bolívia, assim como a de quatro ex-ministros de seu governo, sob as mesmas acusações.

Os ex-ministros interinos Álvaro Coímbra (Justiça) e Rodrígo Guzmán (Energia) foram presos ainda na sexta-feira também no departamento de Beni e transferidos para La Paz. Já Fernando López (ex-ministro da Defesa) e Yerko Núñez (Interior) deixaram a Bolívia em novembro do ano passado e se encontram nos Estados Unidos, segundo a Interpol.

A própria Áñez divulgou em suas redes sociais o mandado de prisão contra ela e os ministros do seu governo, que durou de 12 de novembro de 2019 a 8 de novembro de 2020. Setores da oposição boliviana apontaram o que seria um “processo de perseguição” por parte do MAS.

Neste sábado após a prisão, Morales pediu que os responsáveis pelo “golpe de Estado” de novembro de 2019 sejam “investigados e punidos”.

“Pela justiça e a verdade, pelos 36 mortos, os mais de 800 feridos e os 1.500 detidos ilegalmente durante o golpe de Estado. Que sejam investigados e punidos os autores e cúmplices da ditadura que (…) lesaram a vida e a democracia na Bolívia”, declarou o ex-presidente no Twitter.

Por sua vez, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Bolívia pediu um julgamento “justo, independente e imparcial” contra os ex-governantes.

Transição de poder atribulada

Áñez assumiu a presidência do país dois dias depois de Morales e o seu vice-presidente terem renunciado em meio a protestos. Antes, os chefes das Forças Armadas e da polícia haviam exigido que ele abandonasse o cargo como condição para que a estabilidade e a paz regressassem ao país.

Morales havia sido reeleito em 20 de outubro de 2019 para um quarto mandato seguido, sob suspeitas de fraude eleitoral. A Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendou a convocação de novas eleições por conta de adulteração de atas e falsificação de assinaturas, assim como os Estados Unidos e a União Europeia. Um estudo independente apresentado em junho de 2020, porém, apontou falhas da análise estatística feita pela OEA sobre a eleição boliviana.

Após a renúncia, Morales exilou-se no México e depois na Argentina, e regressou ao país em novembro de 2020, após a vitória de Arce.

Quando Morales renunciou, Áñez era então a segunda vice-presidente do Senado e assumiu a presidência do país em meio ao vácuo de poder. Ela permaneceu no cargo até a realização de novas eleições.

Um grupo de investigadores da Comissão Interamericana de Direitos Humanos está na Bolívia apurando os fatos ocorridos em 2019.

Por Deutsche Welle

ek (AP, AFP, Efe, Lusa)

Bolívia tem primeira união civil homoafetiva

O registro civil da Bolívia autorizou pela primeira vez uma união civil entre pessoas do mesmo sexo após  dois anos de batalha judicial. O reconhecimento foi anunciado nesta sexta-feira (11/12), sendo comemorado por ativistas como um sinal de esperança para a revisão das leis sobre casamento no país.

David Aruquipa, empresário de 48 anos, e Guido Montaño, um advogado de 45 anos, tiveram inicialmente negado o direito de registrar sua união em 2018 pelas autoridades da Bolívia, as quais argumentaram que as leis do país não permitem o casamento entre indivíduos do mesmo sexo.

O casal, que mora junto há mais de 11 anos, entrou com recurso judicial. Embora a Constituição boliviana não preveja uniões homossexuais, Montaño e Aruquipa argumentaram com sucesso que a proibição viola padrões internacionais de direitos humanos e constitui discriminação segundo a legislação boliviana.

No seu veredicto, o Tribunal Constitucional do país observou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos assinalou em 2017 que “é obrigação dos Estados reconhecer os vínculos familiares das pessoas do mesmo sexo e protegê-las”.

“É um passo inicial, mas o que nos inspira é (o objetivo) de transformar a lei”, disse Aruquipa, que é um ativista LGBT conhecido localmente.

Organizações de defesa dos direitos LGBT também destacaram que a decisão “coloca a Bolívia em um cenário de maior respeito aos direitos da diversidade, um freio à discriminação e à igualdade entre todos os habitantes de nosso país”.

Apesar da oposição considerável de grupos religiosos, o casamento entre homossexuais é cada vez mais aceito na América Latina. Casais do mesmo sexo podem atualmente se casar em países como Argentina, Equador, Brasil, Colômbia, Uruguai e em partes do México.

MD/afp/rtr

Por Deutsche Welle

Após cerca de um ano de exílio, Evo Morales volta à Bolívia

Evo Morales é recebido por apoiadores (Redes Sociais/Reprodução)

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales voltou nesta segunda-feira (09/11) ao país natal, após ficar cerca de um ano exilado na Argentina. Seu retorno ocorreu um dia depois da posse do esquerdista Luis Arce, que marcou a volta ao poder do Movimento ao Socialismo (MAS).

Morales voltou à Bolívia junto com Álvaro García Linera, que foi seu vice-presidente durante os 13 anos que comandou o país, e de vários ex-ministros do seu governo. O ex-presidente cruzou a fronteira a pé com a Argentina na cidade boliviana de Villazón e foi recebido por uma multidão.

O ex-líder boliviano foi acompanhado pelo presidente argentino, Alberto Fernández, que se despediu de Morales na fronteira entre os dois países.

Morales liderou uma grande carreata, que reuniu grande número de pessoas ainda em La Quiaca, na Argentina, país onde o antigo mandatário chegou em 12 de dezembro, após uma passagem de cerca de um mês pelo México. A carreata seguirá para Chimoré, onde chegará na quarta-feira.

Chimoré foi a cidade de onde, em 11 de novembro de 2019, o ex-presidente embarcou rumo ao México, um dia após renunciar à presidência por pressão dos militares e de setores conservadores, que o acusaram de fraude eleitoral no pleito presidencial de outubro de 2019.

Na época, Morales havia sido declarado vencedor das eleições, obtendo um quarto mandato consecutivo, mas a oposição fez diversas denúncias de fraude e conseguiu anular o pleito e implementar um governo interino. O ex-presidente sempre negou as acusações.

Após sua renúncia, ele deixou o país e um mandado de prisão contra ele foi emitido em dezembro por crimes de terrorismo e sedição. A promotoria boliviana também abriu outro processo por suposta fraude eleitoral. As acusações foram apresentadas pelo governo transitório de Jeanine Áñez, instalado após a queda do ex-presidente.

Morales e seu partido, o MAS, sempre rejeitaram as acusações e alegaram que os processos judiciais tiveram motivação política. No final de outubro deste ano, a Justiça boliviana anulou a ordem de prisão.

A anulação da ordem de prisão ocorreu pouco mais de uma semana depois de seu aliado Luis Arce, sucessor de Morales como líder do MAS, ter conquistado uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais bolivianas, em 18 de outubro.

CN/efe/lusa

Por Deutsche Welle

Bolívia: Boca de urna aponta vitória de aliado de Evo Morales

Luis Arce ao lado de apoiadores (Rede Social/Reprodução)

Enquanto a Bolívia espera nesta segunda-feira (19/10) dados oficiais sobre a eleição presidencial deste domingo, pesquisas de boca de urna apontam a vitória em primeiro turno de Luis Arce, candidato do Movimento para o Socialismo (MAS) apoiado pelo ex-presidente Evo Morales. Arce foi ministro de Economia e Finanças em duas ocasiões, entre 2006 e 2017 e novamente em 2019.

Embora os resultados oficiais possam demorar dias, o governo interino já reconheceu a vitória de Arce. Foi a primeira vez desde 1997 que Morales não participou do pleito como candidato. Ele está exilado na Argentina, desde que renunciou, há quase um ano.

Segundo pesquisa Ciesmori, comnsiderado o mais confiável instituto de pesquisa do país, para as emissoras Unitel e Bolivision, Arce obteve 52,4% dos votos, seguido pelo ex-presidente boliviano Carlos Mesa, da Comunidade Cidadã, com 31,5%, e Luis Fernando Camacho, do Creemos, com 14,1%.

O resultado é semelhante ao apontado pelo levantamento da iniciativa Tu Voto Cuenta, transmitido pela emissora Cadena A, que atribuiu 53% dos votos a Arce, 30,8% a Mesa e 14,1% a Camacho.

A presidente-interina da Bolívia, Jeanine Áñez, publicou no Twitter que ainda não existe uma contagem oficial, mas que, com base nos dados disponíveis, Arce e seu vice, David Choquehuanca, venceram as eleições. “Parabenizo os vencedores e peço-lhes que governem tendo a Bolívia e a democracia em mente”, escreveu a presidente-interina.

“Democracia recuperada”

Arce disse que a Bolívia ”voltou à democracia”. “Vamos trabalhar por todos os bolivianos, vamos constituir um governo de unidade nacional”, declarou em uma coletiva de imprensa. Perante os jornalistas, em La Paz, Arce falou dos planos para liderar o país, enquanto a contagem de votos mal ultrapassava os 5%.

De Buenos Aires, Morales parabenizou Arce e afirmou que o MAS também terá maioria nas duas câmaras da Assembleia Legislativa. ”Irmãos da Bolívia e do mundo, Lucho [Arce] será o nosso presidente”, assegurou Morales.

O ex-presidente deu ”parabéns” aos vencedores e garantiu que este foi um ”dia histórico”, no qual ”a democracia foi recuperada”. 

“Hoje recuperamos a democracia. Recuperamos a pátria. Recuperaremos a estabilidade e o progresso. Recuperaremos a paz. Devolveremos a liberdade e a dignidade ao povo boliviano”, afirmou.

Morales também apelou que líderes se envolvam num grande acordo nacional para tirar o país da crise. ”Devemos deixar de lado as diferenças, os interesses setoriais e regionais para conseguirmos um grande acordo nacional com partidos políticos, empresários, trabalhadores e o Estado. Juntos construiremos um país sem rancores e que nunca recorra à vingança”, disse Morales. 

O órgão eleitoral, o governo interino da Bolívia e as missões internacionais de observadores pediram calma enquanto se aguarda o resultado oficial, que pode levar vários dias. 

Essas foram as segundas eleições presidenciais bolivianas em um ano. O país vive tensão política desde o pleito de outubro do ano passado. De acordo com as autoridades eleitorais do país, Morales venceu a eleição. Porém, a oposição garante que a votação foi fraudada e auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciou irregularidadesem favor de Morales. Após pressão popular, Morales renunciou em novembro de 2019. Novas eleições foram convocadaspara maio, mas foram adiadas duas vezes devido à pandemia. 

A oposição dividida favoreceu a eleição de Arce, apoiado pelas camadas mais pobres da população. Mesa, um moderado professor universitário, é apoiado pela classe média urbana liberal da Bolívia. Já a elite conservadora e empreendedora torcia pelo populista de direita Camacho, que se recusou a desistir da candidatura para aumentar as chances de Mesa.

De acordo com as leis eleitorais da Bolívia, para vencer a eleição presidencial em primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos mais um ou 40% dos votos com uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Renúncia de Morales          

Em 21 de fevereiro de 2016, um referendo constitucional foi realizado na Bolívia para permitir uma emenda que possibilitaria ao chefe de Estado se candidatar à reeleição duas vezes consecutivas. O “Não” venceu com 51,3% dos votos, o que impediria Morales de disputar as eleições presidenciais de 2019. Apesar disso, ele concorreu.

Morales argumentou à Justiça que, se não pudesse concorrer nas eleições, o “direito humano” de cada cidadão de eleger e ser eleito seria reduzido. O Tribunal Constitucional acatou a premissa, e Morales registrou a candidatura em dezembro de 2018, gerando protestos da oposição.

Mesa disse que a decisão da Justiça foi uma “ferida de morte para a democracia”. Outros oponentes chegaram a falar de um “golpe” institucional e do início de uma “ditadura”. Logo em seguida, Mesa afirmou que enfrentaria Morales nas eleições.

Em 20 de outubro de 2019, foram realizadas as eleições gerais, com a participação de mais de 88% dos eleitores. Os resultados, porém, foram sendo entregues a conta-gotas, o que despertou suspeitas na oposição e nos organismos internacionais. Inicialmente, Morales não conseguiu os votos necessários para vencer no primeiro turno, mas, após uma virada surpreendente, ele conseguiu a vitória.

Depois de vários dias, o resultado final confirmou a vitória a Morales, com 47,08% dos votos, contra 36,51% de Mesa. A oposição considerou a eleição fraudada e foi às ruas em protestos.

Mesa convocou seus seguidores a defenderem os votos e forçarem um segundo turno. Os protestos e confrontos começaram logo após as eleições e tornaram-se mais violentos com o passar dos dias.

Outros líderes se juntaram aos protestos, como Camacho, que conseguiu convocar diferentes organizações para solicitar a renúncia de Morales.

A noite de 8 de novembro foi fundamental para a renúncia de Morales. Na data, a polícia se rebelou em diferentes regiões do país. Morales denunciou que havia um golpe de Estado em andamento.

Em 9 de novembro, o país somava 3 mortos e quase 350 feridos, em um ambiente de polarização crescente.

Em 10 de novembro de 2019, após 14 anos no poder, Morales renunciou, depois de perder o apoio das Forças Armadas e da polícia. A renúncia provocou uma onda de incêndios, saques e ataques.

Governo interino

Em 12 de novembro, a senadora da oposição Jeanine Áñez se declarou presidente interina da Bolívia, numa sessão no Parlamento que não contou com a presença dos representantes do MAS.

Añez, uma advogada opositora de Morales de 53 anos, reivindicou o direito de assumir interinamente a chefia do Estado devido às renúncias do vice-presidente da República e dos presidentes e vice-presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

Segundo a Constituição, no caso de renúncia do presidente e vice, o poder passa para o presidente do Senado e o presidente da câmara baixa do Congresso, nessa ordem. Porém, todos eles renunciaram junto com Morales. Mesmo sem quórum, Añez acabou sendo nomeada presidente do Senado e se autodeclarou presidente interina. Em comunicado, o Tribunal Constitucional da Bolívia reconheceu a nomeação da senadora e disse que a manobra estava em conformidade com a Constituição do país, que foi promulgada em 2009 por Morales.

O governo de Áñez também não ficou livre de polêmicas. Ela e seus aliados se envolveram em escândalos de corrupção e manifestaram sentimentos religiosos extremistas e calúnias raciais. Áñez, por exemplo, chegou a se referir aos povos indígenas do país como “selvagens”.

Eleições tranquilas

Apesar do caos político, as eleições deste domingo transcorreram com tranquilidade. Áñez, agradeceu aos cidadãos, às autoridades eleitorais e às forças de segurança por ajudarem a tornar este dia “um feriado pacífico e democrático”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Salvador Romero, destacou que o dia da votação terminou de forma “pacífica e participativa”, de que o país precisava “para fortalecer sua democracia”.

A Missão de Observação Eleitoral da OEA expressou seu agradecimento ao “povo boliviano por sua atitude cívica ao vir de forma massiva e pacífica para exercer seu direito de voto”.

Na mesma linha, a delegação da União Europeia (UE) felicitou “o povo boliviano por ter protagonizado uma jornada eleitoral pacífica e participativa” e apelou a que se preservasse a calma enquanto se aguardam os resultados oficiais.

LE/efe,lusa,ots

Por Deutsche Welle

Brasil fecha fronteira para mais 8 territórios da América Latina

Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai (Arquivo/Agência Brasil)

O governo federal publicou portaria hoje (19) restringindo a entrada de estrangeiros pelas fronteiras com países sul-americanos em razão da pandemia do novo coronavírus. 

Fica restrita a entrada por via terrestre de pessoas dos seguintes países: Suriname, Guiana Francesa, Guiana, Colômbia, Bolívia, Peru, Paraguai e Argentina. A limitação para a Venezuela já havia sido divulgada ontem (18). A fronteira com o Uruguai será objeto de uma portaria específica, uma vez que os dois governos ainda analisam a melhor solução.

A medida foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em nota técnica elaborada pela equipe do órgão. A justificativa é o risco de contaminação e disseminação do novo coronavírus.



Brasileiros continuam podendo entrar no Brasil vindo dos países mencionados. Imigrantes com autorização de residência definitiva no Brasil e profissionais em missão de organismo internacional ou autorizados pelo governo brasileiro também poderão entrar no país.

Ficam permitidos também o tráfego de caminhões de carga, ações humanitárias que demandem o cruzamento das fronteiras e a circulação de cidades “gêmeas com linha de fronteira exclusivamente terrestre”.

Quem desobedecer às determinações poderá ser processado penal, civil e administrativamente, além de ser deportado e impedido de solicitação de refúgio.

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil

Bolívia e Cuba suspendem relações diplomáticas

Jeanine Áñez, presidente interida da Bolívia, durante reunião com militares bolivianos (Arquivo/Senado da Bolívia/via Fotos Públicas)


O governo interino da Bolívia suspendeu hoje (24) as relações diplomáticas com Cuba. A decisão foi comunicada pelo chanceler interino do país, Yerko Núñez, que classificou de inadmissíveis as expressões utilizadas pelo chanceler cubano ao referir-se à presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, escreveu em sua conta no Twitter, no dia 22, que “a golpista e autoproclamada” presidente interina disse “vulgares mentiras e “deveria explicar ao povo que, após a saída dos médicos cubanos, mais de 454.440 atendimentos médicos deixaram de ser feitos”. 

“Dois meses sem a brigada médica cubana na Bolívia se traduzem em quase mil mulheres que não tiveram assistência especializada em seus partos e 5 mil intervenções cirúrgicas e mais de 2,7 mil cirurgias oftalmológicas que não foram realizadas. Não são apenas números, são seres humanos”, disse Rodríguez.

Em coletiva de imprensa hoje, em La Paz, o chanceler boliviano interino afirmou que a decisão de suspender as relações diplomáticas “obedece às recentes e inadmissíveis expressões do chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, à permanente hostilidade e [às] constantes queixas de Cuba contra o governo constitucional boliviano e seu processo democrático”.

Por  Marieta Cazarré – Agência Brasil

México comenta expulsão de embaixadora da Bolívia

Por  Marieta Cazarré 

Jeanine Áñez, presidente da Bolívia, ao anunciar expulsão da embaixadora mexicana e dois diplomatas espanhóis (Presidência da Bolívia/via Fotos Públicas)


Em nota publicada hoje (30), o Ministério de Relações Exteriores do México afirmou que a decisão boliviana de declarar persona non grata a embaixadora mexicana no país, Maria Teresa Mercado, foi uma decisão de “caráter político”.

O órgão afirmou ainda ter instruído a embaixadora a retornar ao México “para proteger sua segurança e integridade”. A embaixada do México na Bolívia ficará a cargo de Ana Luisa Vallejo, atual chefe da chancelaria no país.

“O governo do México confirma que as ações da nossa embaixadora, que ingressou no Serviço de Relações Exteriores do México em 1982 e obteve condecorações de países como Dinamarca e Holanda, sempre cumpriram os princípios de política externa consagrados na Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos e no Direito Internacional, razão pela qual consideramos essa decisão de natureza política”, diz a nota.

Em outro comunicado, divulgado no dia 26 de dezembro, o Ministério das Relações Exteriores Mexicano já havia comentado sobre o posicionamento boliviano. O comunicado tratava sobre a “persistência de assédio à embaixada e à residência oficial do México na Bolívia”.

“O subsecretário anunciou que mais de 50 pessoas, incluindo civis, policiais e militares, chegaram em mais de dez veículos à residência oficial do México. Por isso, reiterou a posição do México sobre a tradição de asilo e denunciou o assédio ao pessoal diplomático mexicano”, afirmava a nota do último dia 26.

O comunicado dizia ainda que a comunicação com as autoridade bolivianas sempre foi feita através dos canais diplomáticos e que, devido aos constrangimentos, o México recorrerá à Corte Internacional de Justiça, principal órgão judicial das Nações Unidas, para aplicação do direito internacional.

“O que o México quer, essencialmente, é que cessem os atos que violam a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, uma vez que a presença de militares, oficiais e policiais (às portas da embaixada mexicana) é um ataque contra esse tratado internacional, porque compromete a dignidade e tranquilidade de nossas instalações diplomáticas em La Paz”, disse o texto.

Posição boliviana

O governo da Bolívia declarou hoje que funcionários das embaixadas do México e da Espanha em La Paz feriram gravemente a soberania e a dignidade do povo boliviano com atividades que violam a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, afirmou que o”governo constitucional decidiu declarar personas non gratas a embaixadora do México na Bolívia, María Teresa Mercado, a encarregada de negócios da Espanha na Bolívia, Cristina Borreguero, o cônsul da Espanha na Bolívia, Álvaro Fernández, e o grupo dos diplomatas supostamente encapuzados e armados”.

Áñez referia-se a autoridades estrangeiras que supostamente tentaram “encobrir e proteger criminosos que cometeram delitos de rebelião, levante armado e terrorismo”, em referência aos colaboradores do ex-presidente Evo Morales.

De acordo com o governo boliviano, pessoas encapuzadas a bordo de veículos com placas diplomáticas tentaram entrar na residência da embaixadora mexicana na última sexta-feira, em uma operação para ajudar ex-autoridades bolivianas a fugir do país.

Embaixadora do México e diplomatas espanhóis são expulsos da Bolívia

Por RTP

Jeanine Áñez reunida com militares bolivianos (Senado da Bolívia/via Fotos Públicas)


O Governo interino da Bolívia declarou hoje (30) a embaixadora do México Maria Teresa Mercado e os diplomatas espanhóis Cristina Borreguero e Álvaro Fernández como `personas non gratas`, dando-lhes 72 horas para deixarem o país.

“Este grupo de representantes dos governos do México e de Espanha prejudicaram gravemente a soberania do povo e do governo constitucional da Bolívia”, afirmou a presidente interina do país, Jeanine Añez. O anúncio foi feito em comunidado do Palácio do Governo de La Paz

Os três diplomatas foram acusados de tentar ajudar ex-membros do governo do presidente deposto, Evo Morales, a sair da residência da embaixadora do México, onde estão desde a renúncia de Morales, em novembro, e a deixar o país.

Embaixada na Bolívia é cercada por militares, denuncia México

Por RTP

(Twitter/Reprodução)


O México denunciou nessa quarta-feira (25) a crescente presença de forças de segurança bolivianas próximo à embaixada em La Paz, onde ex-integrantes do gabinete do governo do ex-presidente Evo Morales procuraram refúgio.

O Ministério das Relações Exteriores do México disse que um número maior de militares cerca a residência desde terça-feira. O subsecretário do México para a América Latina, Maximiliano Reyes, descreveu as patrulhas bolivianas em torno da sede diplomática como um “cerco”.

Numa nota diplomática de queixa endereçada ao Ministério das Relações Exteriores da Bolívia, o México disse que existem drones sobrevoando a residência do embaixador, descrevendo a situação como uma “intromissão indevida”.

Em comunicado divulgado quase ao mesmo tempo, o Ministério disse ter convocado o embaixador da Bolívia para “explicar as ações das autoridades bolivianas”.

(Twitter/Reprodução)

As relações entre os dois países estão tensas desde que o México concedeu asilo a Morales, que renunciou em 10 de novembro, em meio a uma revolta nacional depois de ter reivindicado vitória em eleição supostamente fraudulenta.

Morales, desde então, exilou-se na Argentina e diz que pretende permanecer envolvido na política na vizinha Bolívia, enquanto alguns membros do seu gabinete permanecem escondidos na residência do embaixador mexicano. Eles são considerados fugitivos pelas autoridades bolivianas.

*Emissora pública de televisão de Portugal