Tanques em refinaria da Petrobras. Em cada um deles há a marca BR estampada.

Bolívia quer cobrar mais pelo gás natural vendido ao Brasil

O governo da Bolívia afirmou nesta quarta-feira (25/05) que está tentando renegociar o seu atual contrato de fornecimento de gás natural à Petrobras e que busca um preço mais alto para o insumo.

Na sexta-feira passada, a Petrobras já havia informado que a Bolívia havia cortado em 30% o fornecimento de gás natural à estatal, de 20 milhões de metros cúbicos diários para 14 milhões, sem especificar o motivo para a redução.

Em um comunicado à imprensa divulgado nesta quarta-feira, o ministro dos Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia, Franklin Molina, afirmou que o atual preço vigente no contrato com a Petrobras estaria provocado prejuízos à estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB).

Ele argumentou também que o preço atual foi definido em um adendo contratual assinado durante o governo da presidente interina Jeanine Áñez, que governou o país por um ano, de novembro de 2019, após a renúncia de Evo Morales, até a posse do atual presidente, o esquerdista Luis Arce, do mesmo partido de Morales, em novembro de 2020.

“É um dever renegociar as condições deste adendo, porque foi assinado por um governo de fato que não se preocupou com os interesses do Estado (…) A Bolívia procura um melhor preço para o seu gás natural, melhores condições e um melhor mercado”, afirmou Molina.

O governo Arce e seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), costumam se referir à gestão de Áñez como um “governo de fato” por considerarem que em 2019 houve um golpe de Estado contra Morales e que a transição de poder não foi legal.

Renegociação e novos contratos

Quando o adendo do contrato de venda de gás natural para a Petrobras foi assinado, em março de 2020, o governo interino boliviano esperava obter um rendimento de pelo menos 4 bilhões de dólares até 2026, para fornecer de 14 a 20 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

Ao assinar esse adendo ao contrato, a Petrobras abriu mão de outros 10 milhões de metros cúbicos diários de gás para que pudessem ser negociados com outras empresas no Brasil, como parte da abertura do mercado de gás no país e da quebra do monopólio da estatal no setor.

De acordo com Molina, nos termos atuais do contrato, a Petrobras paga de 6 a 7 dólares por milhão de BTU, uma medida usada na comercialização do insumo. Ele afirmou que existem atualmente no Brasil empresas privadas interessadas em comprar gás boliviano a um preço de 15 a 18 dólares por milhão de BTU.

O ministro relatou que foi feita uma tentativa “formal” de solicitar à Petrobras uma renegociação do contrato e que o presidente da YPFB, Armin Dorgathen, foi ao Brasil em busca de “melhores condições” para a venda de gás ao mercado brasileiro.

“A resposta não foi a esperada e, tendo em conta esta situação, nos concentramos no contrato, no qual uma das suas cláusulas declara que se uma das partes não estiver satisfeita com o preço, essa parte pode procurar renegociar”, afirmou Molina.

O gás natural tem sido o principal produto de exportação da Bolívia e o pilar da economia do país nas últimas duas décadas, sendo os seus principais mercados a Argentina e o Brasil.

Uma das hipóteses discutidas no mercado é que o corte também poderia estaria ligado ao fornecimento de gás da Bolívia para a Argentina por preços superiores aos pagos pela estatal brasileira.

Preços em alta

A Petrobras, ao informar que estava recebendo 30% menos gás natural da Bolívia, disse que tinha tomado medidas para retomar o fornecimento, mas que teria que recorrer à importações de outras fontes.

Nesse caso, a substituição seria feita pelo gás natural liquefeito (GNL), importado de países como Estados Unidos, Trinidad e Tobago e Catar, usando navios que transportam o gás na forma líquida.

A guerra na Ucrânia vem provocando aumento generalizado dos preços do GNL, enquanto países dependentes do gás natural russo, especialmente os da União Europeia, buscam fontes alternativas.

A maior demanda fez os preços do BTU dispararem – se, durante a pandemia, o milhão de BTU era negociado a 5 dólares, nesta semana está em torno de 27 dólares.

Momento delicado

A estatal brasileira atravessa um período turbulento em sua gestão. Na segunda-feira, o governo federal decidiu demitir o então presidente da Petrobras, José Mauro Ferreira Coelho, apenas 40 dias depois de ele assumir o cargo, e indicou para seu lugar Caio Mário Paes de Andrade, secretário especial de Desburocratização do Ministério da Economia.

A troca do comando da estatal foi realizada em meio a crescentes pressões do presidente Jair Bolsonaro contra os reajustes frequentes dos preços de combustíveis e do gás de cozinha e críticas à política de preços praticada pela estatal, que usa como referência os valores do mercado internacional.

O aumento dos combustíveis coloca pressão sobre a inflação dos produtos e tem potencial para afetar a popularidade de Bolsonaro e sua corrida à reeleição. Segundo relatos da imprensa brasileira, o objetivo do governo é postergar ao máximo novos aumentos dos combustíveis.

Essa intenção do governo, no entanto, se choca com os interesses dos acionistas privados da Petrobras. A política de reajustes atual é um dos fatores que explicam os lucros recordes que a estatal vem registrando.

bl (Lusa, ots)

Jogadores disputam a bola durante treino no gramado.

Seleção experimenta novo ritmo de jogo na altitude de La Paz

Com a vaga garantida na Copa do Mundo de 2022 (Catar), a seleção brasileira enfrenta a Bolívia, a partir das 20h30 (horário de Brasília) desta terça-feira (29), com o claro objetivo de fazer algumas experiências. Mas a partida, que é válida pela 18ª rodada das Eliminatórias Sul-Americanas, terá um adversário a mais, os 3.600 metros de La Paz, local de realização da partida.

As equipes vivem momentos completamente opostos na competição, com a equipe comandada pelo técnico Tite liderando a classificação com 46 pontos conquistados (ainda faltando o jogo contra a Argentina, válido pela 6ª rodada, e que foi interrompido após a intervenção de técnicos da Anvisa). Já os bolivianos, que não têm mais chances de irem ao Mundial, ocupam a vice-lanterna com 15 pontos.

Jogadores disputam a bola durante treino no gramado.
Treino da seleção Brasileira (Lucas Figueiredo/CBF)

Considerando apenas o aspecto esportivo, o Brasil é franco favorito a ficar com a vitória. Mas a altitude é um elemento que pode criar dificuldades para os brasileiros, como afirmou o volante Fred em entrevista coletiva: “É mais difícil jogar [na altitude], você não pode gastar energia à toa, tem de ser inteligente, trazer a experiência para o seu lado. Estamos preparados, sabemos das dificuldades, vamos procurar fazer o melhor jogo possível, independente da altitude”.

Já o técnico Tite prevê uma seleção com um ritmo de jogo mais cadenciado, sem apostar tanto nas jogadas de velocidade, para tentar amenizar os efeitos da altitude: “Não teremos um time tão vertical como temos sido nos últimos jogos, porque [o contexto] não permite, é desumano, não há essa condição. Existem outras estratégias de posse de bola. Claro que não vamos conseguir colocar o mesmo ritmo, essa velocidade que empregamos nos jogos em casa ou em condições normais”.

Mesmo em um contexto tão desafiador, o técnico Tite fará mudanças na equipe titular. Duas são certas, as saídas dos atacantes Neymar e Vinícius Júnior, que estão suspensos. Porém, em treino tático realizado no último domingo (27), o comandante da seleção deu mostras de que pode fazer até sete mudanças na equipe titular. Sairiam os laterais Danilo e Guilherme Arana, o zagueiro Thiago Silva, os meios-campistas Casemiro e Fred, e os atacantes Neymar e Vinícius Júnior para a entrada dos laterais Daniel Alves e Alex Telles, do zagueiro Éder Militão, dos volantes Fabinho e Bruno Guimarães, e dos atacantes Philippe Coutinho e Richarlison.

Desta forma o Brasil deve entrar em campo com a seguinte formação: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Éder Miltão e Alex Telles; Fabinho, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá; Philippe Coutinho, Richarlison e Antony.

Transmissão da Rádio Nacional

Rádio Nacional transmite Bolívia e Brasil com a narração de André Luiz Mendes, comentários de Waldir Luiz e reportagem de Bruno Mendes.

Bolivianos são libertados de trabalho análogo à escravidão

Uma operação deflagrada hoje (18) em São Paulo libertou oito imigrantes bolivianos vítimas de trabalho análogo à escravidão em uma confecção no Bom Retiro, no centro da capital paulista. Durante a operação, que foi chamada de Andrápodon, duas pessoas responsáveis pela confecção foram presas por tráfico de pessoas e organização criminosa.

Segundo as investigações, as vítimas chegavam a trabalhar 14 horas por dia e depois dormiam no mesmo local, ao lado da máquina de costura.

A operação foi realizada pela Secretaria de Justiça e Cidadania, por meio do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de São Paulo (NETP), e pela Polícia Civil, com agentes do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e da 1ª Delegacia Seccional da capital.

“Há um trabalho repressivo de prender esses traficantes, que acabam enganando essas pessoas com falsa promessa de oportunidades e de melhor vida”, disse Fernando José da Costa, secretário de Justiça e Cidadania.

“Há também um trabalho humanitário, feito pela Secretaria de Justiça e Cidadania do estado de São Paulo. São três etapas: a primeira inicia hoje, que é a etapa do acolhimento: essas pessoas serão direcionadas a um lugar melhor. A segunda é um trabalho já relacionado à capacitação: essas pessoas farão cursos de português, profissionalizantes, que é um trabalho de inclusão social e profissional. E vem junto o trabalho de regularização através do Centro de Integração da Cidadania do Imigrante (CIC) e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas”, acrescentou o secretário.

Desde 2019, o NETP já recebeu 37 denúncias de casos de tráfico de pessoas, trabalho análogo à escravidão, adoção ilegal, exploração laboral da prostituição e exploração sexual e de desaparecimento. Desse total, 12 denúncias resultaram em força-tarefa e contribuíram para o resgate de 206 vítimas.

Funcionárias públicas são presas por roubo de 500 vacinas na Bolívia

Vacinação na Bolívia (Min. da Saúde da Bolívia)

No último sábado (3), três funcionárias públicas da Bolívia foram presas por roubar 500 vacinas contra a Covid-19. A informação foi divulgada pelo Ministério Público do país. Elas eram responsáveis pela guarda das doses em Guayaramerín, cidade próxima a fronteira com o Brasil. 

“Três cidadãs funcionárias do Departamento de Saúde que eram responsáveis pela manutenção dessas doses foram apreendidas”, relatou Ruthiar Vásquez, promotora do estado de Beni.

O Ministério Público informou que todas as doses foram devolvidas no mesmo dia, porém, elas serão descartadas. As autoridades não sabem se a manutenção das vacinas ocorreu de forma correta, como o armazenamento da temperatura correta. 

A vacinação na Bolívia ainda ocorre em baixa velocidade. Foram aplicadas 2,6 vacinas para cada 100 habitantes no país. Porém, a campanha está intensa em cidades próximas a fronteira do Brasil. O plano é tentar barrar a variante brasileira.

Por TV Cultura

Ex-presidente Jeanine Áñez é presa na Bolívia

Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolícia (Ricardo Carvallo Terán/ABI/via Fotos Públicas)

Jeanine Áñez, ex-presidente interina da Bolívia, foi detida neste sábado (13/03) no âmbito de uma investigação que a acusa dos crimes de conspiração, sedição e terrorismo, relacionados à crise política de 2019 que resultou na renúncia de Evo Morales da presidência do país.

Áñez foi presa em sua casa, no departamento amazônico de Beni, e foi encontrada pelos policiais escondida dentro de uma cama box, de acordo com a Agência Boliviana de Informação.

Dali, a ex-presidente foi transferida em um avião Hércules da Força Aérea Boliviana para La Paz, onde está presa na sede da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc).

Na capital boliviana, Áñez foi levada para prestar depoimento no Ministério Público sobre o suposto “golpe de Estado”, mas, segundo a imprensa local, ela fez uso de seu direito ao silêncio.

A ex-senadora de 53 anos disse aos meios de comunicação que se trata de uma “intimidação política” e que por trás de todo esse processo está o Movimento pelo Socialismo (MAS), partido de Morales e do atual presidente boliviano, Luis Arce, que tomou posse em novembro de 2020.

“É um ultraje absoluto, porque nos acusam de sermos cúmplices de um suposto golpe, é algo que não tem pé nem cabeça e é uma intimidação absolutamente política”, afirmou.

Áñez também enfatizou que seu “status de ex-presidente” não está sendo respeitado e que recorrerá a organismos internacionais.

A prisão da política de oposição havia sido ordenada no dia anterior pelo Ministério Público da Bolívia, assim como a de quatro ex-ministros de seu governo, sob as mesmas acusações.

Os ex-ministros interinos Álvaro Coímbra (Justiça) e Rodrígo Guzmán (Energia) foram presos ainda na sexta-feira também no departamento de Beni e transferidos para La Paz. Já Fernando López (ex-ministro da Defesa) e Yerko Núñez (Interior) deixaram a Bolívia em novembro do ano passado e se encontram nos Estados Unidos, segundo a Interpol.

A própria Áñez divulgou em suas redes sociais o mandado de prisão contra ela e os ministros do seu governo, que durou de 12 de novembro de 2019 a 8 de novembro de 2020. Setores da oposição boliviana apontaram o que seria um “processo de perseguição” por parte do MAS.

Neste sábado após a prisão, Morales pediu que os responsáveis pelo “golpe de Estado” de novembro de 2019 sejam “investigados e punidos”.

“Pela justiça e a verdade, pelos 36 mortos, os mais de 800 feridos e os 1.500 detidos ilegalmente durante o golpe de Estado. Que sejam investigados e punidos os autores e cúmplices da ditadura que (…) lesaram a vida e a democracia na Bolívia”, declarou o ex-presidente no Twitter.

Por sua vez, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos na Bolívia pediu um julgamento “justo, independente e imparcial” contra os ex-governantes.

Transição de poder atribulada

Áñez assumiu a presidência do país dois dias depois de Morales e o seu vice-presidente terem renunciado em meio a protestos. Antes, os chefes das Forças Armadas e da polícia haviam exigido que ele abandonasse o cargo como condição para que a estabilidade e a paz regressassem ao país.

Morales havia sido reeleito em 20 de outubro de 2019 para um quarto mandato seguido, sob suspeitas de fraude eleitoral. A Organização dos Estados Americanos (OEA) recomendou a convocação de novas eleições por conta de adulteração de atas e falsificação de assinaturas, assim como os Estados Unidos e a União Europeia. Um estudo independente apresentado em junho de 2020, porém, apontou falhas da análise estatística feita pela OEA sobre a eleição boliviana.

Após a renúncia, Morales exilou-se no México e depois na Argentina, e regressou ao país em novembro de 2020, após a vitória de Arce.

Quando Morales renunciou, Áñez era então a segunda vice-presidente do Senado e assumiu a presidência do país em meio ao vácuo de poder. Ela permaneceu no cargo até a realização de novas eleições.

Um grupo de investigadores da Comissão Interamericana de Direitos Humanos está na Bolívia apurando os fatos ocorridos em 2019.

Por Deutsche Welle

ek (AP, AFP, Efe, Lusa)

Bolívia tem primeira união civil homoafetiva

O registro civil da Bolívia autorizou pela primeira vez uma união civil entre pessoas do mesmo sexo após  dois anos de batalha judicial. O reconhecimento foi anunciado nesta sexta-feira (11/12), sendo comemorado por ativistas como um sinal de esperança para a revisão das leis sobre casamento no país.

David Aruquipa, empresário de 48 anos, e Guido Montaño, um advogado de 45 anos, tiveram inicialmente negado o direito de registrar sua união em 2018 pelas autoridades da Bolívia, as quais argumentaram que as leis do país não permitem o casamento entre indivíduos do mesmo sexo.

O casal, que mora junto há mais de 11 anos, entrou com recurso judicial. Embora a Constituição boliviana não preveja uniões homossexuais, Montaño e Aruquipa argumentaram com sucesso que a proibição viola padrões internacionais de direitos humanos e constitui discriminação segundo a legislação boliviana.

No seu veredicto, o Tribunal Constitucional do país observou que a Corte Interamericana de Direitos Humanos assinalou em 2017 que “é obrigação dos Estados reconhecer os vínculos familiares das pessoas do mesmo sexo e protegê-las”.

“É um passo inicial, mas o que nos inspira é (o objetivo) de transformar a lei”, disse Aruquipa, que é um ativista LGBT conhecido localmente.

Organizações de defesa dos direitos LGBT também destacaram que a decisão “coloca a Bolívia em um cenário de maior respeito aos direitos da diversidade, um freio à discriminação e à igualdade entre todos os habitantes de nosso país”.

Apesar da oposição considerável de grupos religiosos, o casamento entre homossexuais é cada vez mais aceito na América Latina. Casais do mesmo sexo podem atualmente se casar em países como Argentina, Equador, Brasil, Colômbia, Uruguai e em partes do México.

MD/afp/rtr

Por Deutsche Welle

Após cerca de um ano de exílio, Evo Morales volta à Bolívia

Evo Morales é recebido por apoiadores (Redes Sociais/Reprodução)

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales voltou nesta segunda-feira (09/11) ao país natal, após ficar cerca de um ano exilado na Argentina. Seu retorno ocorreu um dia depois da posse do esquerdista Luis Arce, que marcou a volta ao poder do Movimento ao Socialismo (MAS).

Morales voltou à Bolívia junto com Álvaro García Linera, que foi seu vice-presidente durante os 13 anos que comandou o país, e de vários ex-ministros do seu governo. O ex-presidente cruzou a fronteira a pé com a Argentina na cidade boliviana de Villazón e foi recebido por uma multidão.

O ex-líder boliviano foi acompanhado pelo presidente argentino, Alberto Fernández, que se despediu de Morales na fronteira entre os dois países.

Morales liderou uma grande carreata, que reuniu grande número de pessoas ainda em La Quiaca, na Argentina, país onde o antigo mandatário chegou em 12 de dezembro, após uma passagem de cerca de um mês pelo México. A carreata seguirá para Chimoré, onde chegará na quarta-feira.

Chimoré foi a cidade de onde, em 11 de novembro de 2019, o ex-presidente embarcou rumo ao México, um dia após renunciar à presidência por pressão dos militares e de setores conservadores, que o acusaram de fraude eleitoral no pleito presidencial de outubro de 2019.

Na época, Morales havia sido declarado vencedor das eleições, obtendo um quarto mandato consecutivo, mas a oposição fez diversas denúncias de fraude e conseguiu anular o pleito e implementar um governo interino. O ex-presidente sempre negou as acusações.

Após sua renúncia, ele deixou o país e um mandado de prisão contra ele foi emitido em dezembro por crimes de terrorismo e sedição. A promotoria boliviana também abriu outro processo por suposta fraude eleitoral. As acusações foram apresentadas pelo governo transitório de Jeanine Áñez, instalado após a queda do ex-presidente.

Morales e seu partido, o MAS, sempre rejeitaram as acusações e alegaram que os processos judiciais tiveram motivação política. No final de outubro deste ano, a Justiça boliviana anulou a ordem de prisão.

A anulação da ordem de prisão ocorreu pouco mais de uma semana depois de seu aliado Luis Arce, sucessor de Morales como líder do MAS, ter conquistado uma vitória esmagadora nas eleições presidenciais bolivianas, em 18 de outubro.

CN/efe/lusa

Por Deutsche Welle

Bolívia: Boca de urna aponta vitória de aliado de Evo Morales

Luis Arce ao lado de apoiadores (Rede Social/Reprodução)

Enquanto a Bolívia espera nesta segunda-feira (19/10) dados oficiais sobre a eleição presidencial deste domingo, pesquisas de boca de urna apontam a vitória em primeiro turno de Luis Arce, candidato do Movimento para o Socialismo (MAS) apoiado pelo ex-presidente Evo Morales. Arce foi ministro de Economia e Finanças em duas ocasiões, entre 2006 e 2017 e novamente em 2019.

Embora os resultados oficiais possam demorar dias, o governo interino já reconheceu a vitória de Arce. Foi a primeira vez desde 1997 que Morales não participou do pleito como candidato. Ele está exilado na Argentina, desde que renunciou, há quase um ano.

Segundo pesquisa Ciesmori, comnsiderado o mais confiável instituto de pesquisa do país, para as emissoras Unitel e Bolivision, Arce obteve 52,4% dos votos, seguido pelo ex-presidente boliviano Carlos Mesa, da Comunidade Cidadã, com 31,5%, e Luis Fernando Camacho, do Creemos, com 14,1%.

O resultado é semelhante ao apontado pelo levantamento da iniciativa Tu Voto Cuenta, transmitido pela emissora Cadena A, que atribuiu 53% dos votos a Arce, 30,8% a Mesa e 14,1% a Camacho.

A presidente-interina da Bolívia, Jeanine Áñez, publicou no Twitter que ainda não existe uma contagem oficial, mas que, com base nos dados disponíveis, Arce e seu vice, David Choquehuanca, venceram as eleições. “Parabenizo os vencedores e peço-lhes que governem tendo a Bolívia e a democracia em mente”, escreveu a presidente-interina.

“Democracia recuperada”

Arce disse que a Bolívia ”voltou à democracia”. “Vamos trabalhar por todos os bolivianos, vamos constituir um governo de unidade nacional”, declarou em uma coletiva de imprensa. Perante os jornalistas, em La Paz, Arce falou dos planos para liderar o país, enquanto a contagem de votos mal ultrapassava os 5%.

De Buenos Aires, Morales parabenizou Arce e afirmou que o MAS também terá maioria nas duas câmaras da Assembleia Legislativa. ”Irmãos da Bolívia e do mundo, Lucho [Arce] será o nosso presidente”, assegurou Morales.

O ex-presidente deu ”parabéns” aos vencedores e garantiu que este foi um ”dia histórico”, no qual ”a democracia foi recuperada”. 

“Hoje recuperamos a democracia. Recuperamos a pátria. Recuperaremos a estabilidade e o progresso. Recuperaremos a paz. Devolveremos a liberdade e a dignidade ao povo boliviano”, afirmou.

Morales também apelou que líderes se envolvam num grande acordo nacional para tirar o país da crise. ”Devemos deixar de lado as diferenças, os interesses setoriais e regionais para conseguirmos um grande acordo nacional com partidos políticos, empresários, trabalhadores e o Estado. Juntos construiremos um país sem rancores e que nunca recorra à vingança”, disse Morales. 

O órgão eleitoral, o governo interino da Bolívia e as missões internacionais de observadores pediram calma enquanto se aguarda o resultado oficial, que pode levar vários dias. 

Essas foram as segundas eleições presidenciais bolivianas em um ano. O país vive tensão política desde o pleito de outubro do ano passado. De acordo com as autoridades eleitorais do país, Morales venceu a eleição. Porém, a oposição garante que a votação foi fraudada e auditoria da Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciou irregularidadesem favor de Morales. Após pressão popular, Morales renunciou em novembro de 2019. Novas eleições foram convocadaspara maio, mas foram adiadas duas vezes devido à pandemia. 

A oposição dividida favoreceu a eleição de Arce, apoiado pelas camadas mais pobres da população. Mesa, um moderado professor universitário, é apoiado pela classe média urbana liberal da Bolívia. Já a elite conservadora e empreendedora torcia pelo populista de direita Camacho, que se recusou a desistir da candidatura para aumentar as chances de Mesa.

De acordo com as leis eleitorais da Bolívia, para vencer a eleição presidencial em primeiro turno, o candidato precisa de 50% dos votos mais um ou 40% dos votos com uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Renúncia de Morales          

Em 21 de fevereiro de 2016, um referendo constitucional foi realizado na Bolívia para permitir uma emenda que possibilitaria ao chefe de Estado se candidatar à reeleição duas vezes consecutivas. O “Não” venceu com 51,3% dos votos, o que impediria Morales de disputar as eleições presidenciais de 2019. Apesar disso, ele concorreu.

Morales argumentou à Justiça que, se não pudesse concorrer nas eleições, o “direito humano” de cada cidadão de eleger e ser eleito seria reduzido. O Tribunal Constitucional acatou a premissa, e Morales registrou a candidatura em dezembro de 2018, gerando protestos da oposição.

Mesa disse que a decisão da Justiça foi uma “ferida de morte para a democracia”. Outros oponentes chegaram a falar de um “golpe” institucional e do início de uma “ditadura”. Logo em seguida, Mesa afirmou que enfrentaria Morales nas eleições.

Em 20 de outubro de 2019, foram realizadas as eleições gerais, com a participação de mais de 88% dos eleitores. Os resultados, porém, foram sendo entregues a conta-gotas, o que despertou suspeitas na oposição e nos organismos internacionais. Inicialmente, Morales não conseguiu os votos necessários para vencer no primeiro turno, mas, após uma virada surpreendente, ele conseguiu a vitória.

Depois de vários dias, o resultado final confirmou a vitória a Morales, com 47,08% dos votos, contra 36,51% de Mesa. A oposição considerou a eleição fraudada e foi às ruas em protestos.

Mesa convocou seus seguidores a defenderem os votos e forçarem um segundo turno. Os protestos e confrontos começaram logo após as eleições e tornaram-se mais violentos com o passar dos dias.

Outros líderes se juntaram aos protestos, como Camacho, que conseguiu convocar diferentes organizações para solicitar a renúncia de Morales.

A noite de 8 de novembro foi fundamental para a renúncia de Morales. Na data, a polícia se rebelou em diferentes regiões do país. Morales denunciou que havia um golpe de Estado em andamento.

Em 9 de novembro, o país somava 3 mortos e quase 350 feridos, em um ambiente de polarização crescente.

Em 10 de novembro de 2019, após 14 anos no poder, Morales renunciou, depois de perder o apoio das Forças Armadas e da polícia. A renúncia provocou uma onda de incêndios, saques e ataques.

Governo interino

Em 12 de novembro, a senadora da oposição Jeanine Áñez se declarou presidente interina da Bolívia, numa sessão no Parlamento que não contou com a presença dos representantes do MAS.

Añez, uma advogada opositora de Morales de 53 anos, reivindicou o direito de assumir interinamente a chefia do Estado devido às renúncias do vice-presidente da República e dos presidentes e vice-presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.

Segundo a Constituição, no caso de renúncia do presidente e vice, o poder passa para o presidente do Senado e o presidente da câmara baixa do Congresso, nessa ordem. Porém, todos eles renunciaram junto com Morales. Mesmo sem quórum, Añez acabou sendo nomeada presidente do Senado e se autodeclarou presidente interina. Em comunicado, o Tribunal Constitucional da Bolívia reconheceu a nomeação da senadora e disse que a manobra estava em conformidade com a Constituição do país, que foi promulgada em 2009 por Morales.

O governo de Áñez também não ficou livre de polêmicas. Ela e seus aliados se envolveram em escândalos de corrupção e manifestaram sentimentos religiosos extremistas e calúnias raciais. Áñez, por exemplo, chegou a se referir aos povos indígenas do país como “selvagens”.

Eleições tranquilas

Apesar do caos político, as eleições deste domingo transcorreram com tranquilidade. Áñez, agradeceu aos cidadãos, às autoridades eleitorais e às forças de segurança por ajudarem a tornar este dia “um feriado pacífico e democrático”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Salvador Romero, destacou que o dia da votação terminou de forma “pacífica e participativa”, de que o país precisava “para fortalecer sua democracia”.

A Missão de Observação Eleitoral da OEA expressou seu agradecimento ao “povo boliviano por sua atitude cívica ao vir de forma massiva e pacífica para exercer seu direito de voto”.

Na mesma linha, a delegação da União Europeia (UE) felicitou “o povo boliviano por ter protagonizado uma jornada eleitoral pacífica e participativa” e apelou a que se preservasse a calma enquanto se aguardam os resultados oficiais.

LE/efe,lusa,ots

Por Deutsche Welle

Ponte da amizade com veículos parados em cima da estrutura. No canto esquerdo é possível ver a água do rio. Ao fundo, grama e parte da cidade no Paraguai.

Brasil fecha fronteira para mais 8 territórios da América Latina

Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai (Arquivo/Agência Brasil)

O governo federal publicou portaria hoje (19) restringindo a entrada de estrangeiros pelas fronteiras com países sul-americanos em razão da pandemia do novo coronavírus. 

Fica restrita a entrada por via terrestre de pessoas dos seguintes países: Suriname, Guiana Francesa, Guiana, Colômbia, Bolívia, Peru, Paraguai e Argentina. A limitação para a Venezuela já havia sido divulgada ontem (18). A fronteira com o Uruguai será objeto de uma portaria específica, uma vez que os dois governos ainda analisam a melhor solução.

A medida foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em nota técnica elaborada pela equipe do órgão. A justificativa é o risco de contaminação e disseminação do novo coronavírus.



Brasileiros continuam podendo entrar no Brasil vindo dos países mencionados. Imigrantes com autorização de residência definitiva no Brasil e profissionais em missão de organismo internacional ou autorizados pelo governo brasileiro também poderão entrar no país.

Ficam permitidos também o tráfego de caminhões de carga, ações humanitárias que demandem o cruzamento das fronteiras e a circulação de cidades “gêmeas com linha de fronteira exclusivamente terrestre”.

Quem desobedecer às determinações poderá ser processado penal, civil e administrativamente, além de ser deportado e impedido de solicitação de refúgio.

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil

Bolívia e Cuba suspendem relações diplomáticas

Jeanine Áñez, presidente interida da Bolívia, durante reunião com militares bolivianos (Arquivo/Senado da Bolívia/via Fotos Públicas)


O governo interino da Bolívia suspendeu hoje (24) as relações diplomáticas com Cuba. A decisão foi comunicada pelo chanceler interino do país, Yerko Núñez, que classificou de inadmissíveis as expressões utilizadas pelo chanceler cubano ao referir-se à presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez.

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, escreveu em sua conta no Twitter, no dia 22, que “a golpista e autoproclamada” presidente interina disse “vulgares mentiras e “deveria explicar ao povo que, após a saída dos médicos cubanos, mais de 454.440 atendimentos médicos deixaram de ser feitos”. 

“Dois meses sem a brigada médica cubana na Bolívia se traduzem em quase mil mulheres que não tiveram assistência especializada em seus partos e 5 mil intervenções cirúrgicas e mais de 2,7 mil cirurgias oftalmológicas que não foram realizadas. Não são apenas números, são seres humanos”, disse Rodríguez.

Em coletiva de imprensa hoje, em La Paz, o chanceler boliviano interino afirmou que a decisão de suspender as relações diplomáticas “obedece às recentes e inadmissíveis expressões do chanceler Bruno Rodríguez Parrilla, à permanente hostilidade e [às] constantes queixas de Cuba contra o governo constitucional boliviano e seu processo democrático”.

Por  Marieta Cazarré – Agência Brasil