Capital é o melhor lugar para abrir negócios de comércio, educação e imobiliário, diz pesquisa

Imagem panorâmica da cidade de São Paulo mostra prédios e o céu com poucas nuvens

A pandemia da Covid-19 fez de São Paulo uma das cidades brasileiras que mais sofreu economicamente. Somente no ano passado, mais de 97 mil vagas de empregos foram fechadas. Mas a retomada econômica dá sinais positivos para a economia e a população, já que há reação na criação de empregos na cidade.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Previdência, de janeiro até 30 de setembro deste ano, foram criadas, na cidade de São Paulo, 322.027 vagas de empregos.

Essa volta da movimentação econômica foi considerada determinante para São Paulo aparecer, em 2021, em primeiro lugar entre 100 municípios no ranking Melhores Cidades para Fazer Negócios, no setor de comércio, mercado imobiliário e educação.

Imagem panorâmica da cidade de São Paulo mostra prédios e o céu com poucas nuvens
(Pixels/Pixabay)

O levantamento, que apresenta a visão das melhores cidades para investir em diferentes segmentos de negócios, é feito anualmente para a revista Exame pela consultoria Urban Systems, nos setores econômicos: educação, comércio, serviços, indústria, mercado imobiliário e agropecuária. Em 2021, a consultoria também avaliou o ritmo de vacinação e taxa de letalidade da covid-19 em cada um dos municípios para uma fotografia de comparação. Os dados foram coletados no dia 15 de outubro.

Vacinação

Conforme a pesquisa, os municípios com maior incidência de vacinação, conseguiram de forma mais segura retomar atividades econômicas e recuperar empregos e negócios.

A vacinação contra o Covid promovida pela Prefeitura de São Paulo em quase na totalidade de sua população e o fim das restrições de distanciamento de clientes em estabelecimentos comerciais, foi um fator determinante para o crescimento da economia neste ano. Segundo o prefeito Ricardo Nunes, o controle da pandemia adotado pela cidade foi diferente de outros lugares do mundo onde as atividades foram fechadas, exceto nas áreas de segurança pública e saúde. “Adotamos o diálogo de conscientização da população e as nossas posições transparentes fizeram com que os cidadãos entendessem que não era política o que fazíamos e sim, ações respaldados pela ciência”, explicou o prefeito.

Comércio

Para chegar à lista na área de comércio, a Consultoria analisou 11 indicadores, entre eles, saldo de empregos e a renda média do trabalhador do setor, nas cidades com mais de 100 mil habitantes. Para o assessor econômico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP), Guilherme Dietze, o resultado do levantamento mostra que a cidade é o comércio do Brasil e, por isso, se destaca no cenário nacional.

“Ser a melhor cidade para fazer negócio no setor de comércio não é uma grande surpresa diante da importância econômica do município de São Paulo. Se fosse um país, a capital paulista figuraria entre as 50 maiores economias do mundo. E se fosse um Estado, só ficaria atrás do próprio Estado paulista”, disse.

Segundo Dietze, São Paulo tem um mercado consumidor de quase 13 milhões de pessoas, das mais diversas faixas de renda, do público adicional de turistas e empresários que buscam o comércio da cidade para fazer o estoque no seu negócio local. São centros heterogêneos espalhados pela cidade, como comércio de roupa, eletrônicos, móveis e muito mais.

“Portanto, é de se entender que a cidade mais importante economicamente no país figure no topo de melhor local para realizar negócios no comércio com todo o cenário posto do setor”, completou o assessor da

FecomércioSP

Já o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Ulisses Ruiz de Gamboa, destaca a cidade como fonte de receitas aos empreendedores e como atração turística do Brasil.

“São Paulo é o centro econômico do país. Por aqui, o varejo sempre foi referência. Tivemos problemas com as medidas restritivas por conta da pandemia, mas o avanço da vacinação e a consequente flexibilização das medidas de isolamento social, já pudemos notar uma retomada das atividades econômicas. Isso está sendo fundamental para a geração de novos negócios no município, o que reforça a vocação que a cidade já tinha”.

Mercado imobiliário

No setor imobiliário, a capital paulista também conseguiu o primeiro lugar no ranking divulgado. O resultado se deve porque o setor de construção civil foi considerado essencial durante toda a pandemia e, não teve restrição, apesar da incerteza inicial. Conforme o levantamento, de janeiro a junho deste ano, os lançamentos totalizaram 27.114 unidades, superando o recorde anterior do primeiro semestre de 2019, com o registro de 20.157 unidades lançadas.

No acumulado de 12 meses (outubro de 2020 a setembro de 2021), foram comercializadas 65.690 unidades na cidade de São Paulo, um aumento de 32,1% em relação ao período anterior (outubro de 2019 a setembro de 2020), quando foram negociadas 49.715 unidades.

Educação

A Cidade de São Paulo também foi considera a melhor para fazer negócios no setor de educação. Isso se deve muito, às campanhas de vacinação que permitiu a volta quase normal (exceto o uso obrigatório das máscaras) nas escolas municipais, estaduais e particulares.

Para chegar à lista de educação, foram analisados 12 indicadores, entre eles, crescimento no número de matrículas e saldo de empregos no setor, nas cidades com mais de 100 mil habitantes.

Conforme os dados incluídos no Estudo, a educação básica, 5,7% dos alunos de todo o país – 47,3 milhões – estão na capital paulista. Já na educação superior, a cidade tem 10,71% de todos os matriculados – o país tem 8,6 milhões. “Nosso orçamento para a educação está em torno de 13 bilhões anuais e vem crescendo. Nessa pandemia a Secretaria de Educação fez uma busca ativa para prevenir a evasão escolar”, explicou o prefeito Ricardo Nunes.

O saldo de empregos na educação, em 2021, é positivo, com 9.401 empregos a mais do que no início do ano – janeiro a agosto. Em 2020 o número era estável, com apenas 73 novos empregos, no mesmo período.

Segundo dados mais recentes do Ministério da Educação, a maior cidade do país registrou um aumento de 0,56% no número de escolas de educação básica, e de 1,9% em unidades de estabelecimento de ensino superior, na comparação de 2019 com 2020.

Black Friday: 62,5% dos lojistas terão promoções

Mulher caminha de máscara pela calçada em frente a uma loja aberta e com pessoas dentro do estabelecimento.

Uma pesquisa da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), feita em todo o país, mostrou que 62,5% dos 1,2 mil associados farão promoções em seus pontos de venda durante a Black Friday (sexta-feira preta), no fim de novembro, enquanto 18,8% dos lojistas gostariam de participar da data, porém, não conseguirão devido ao aumento de custos que pressionam os preços e as margens de venda.

Os que admitiram que não vão participar são 12,5% e os que apostarão apenas em promoções via internet em plataformas de e-commerce são 6,2%.

Mesmo assim, a expectativa da Alshop com relação à data é positiva, podendo superar os números de 2020 em 5%.

Mulher caminha de máscara pela calçada em frente a uma loja aberta e com pessoas dentro do estabelecimento.
(Rovena Rosa/Agência Brasil)

“Sabemos que o varejo tem se erguido aos poucos, e mesmo diante da alta dos preços, em conversas com outros empresários, há muito mais otimismo para essa nova fase”, disse o diretor institucional da Alshop, Luis Augusto Ildefonso.

Segundo ele, mesmo com a alta do dólar e o aumento de custos indiretos, os consumidores podem visitar as lojas esperando descontos significativos. “Os descontos não serão tão generosos como nos anos anteriores, mas com certeza farão a diferença para o consumidor que está em busca de smartphones, eletrodomésticos ou até outros produtos que já estejam no radar. O importante é aproveitar a data e pesquisar para encontrar bons descontos”, afirmou.

Limite de descontos

A Federação do Comércio (Fecomercio) de São Paulo alertou para o fato de que a preparação para a data requer atenção dos lojistas na hora de identificar o limite de descontos para atrair os consumidores sem comprometer o fluxo de caixa, ainda mais diante de um cenário de incertezas econômicas e com indicadores de consumo deteriorados (desemprego em alta, inflação, deterioração da renda e crédito mais caro). Por outro lado, alguns pontos críticos devem ser analisados quanto à Black Friday deste ano.

“A oferta mais escassa de bens duráveis, como eletroeletrônicos e eletrodomésticos, poderá ter impacto nas vendas, considerando que os insumos necessários para a fabricação destes produtos estão com preços mais altos. Além disso, o crescimento mundial da demanda e a falta de componentes eletrônicos poderão comprometer a oferta de determinados produtos”, disse a entidade.

Segundo a Fecomercio, com a retomada econômica, houve crescimento significativo da demanda, atingindo a logística de transportes, com o número de contêineres, navios e aviões não aumentando para dar conta dos pedidos que já estavam atrasados por causa das medidas restritivas para controle da pandemia e das novas encomendas mundiais simultaneamente, elevando o preço dos fretes e os prazos para a exportação e a importação de produtos. A alta do dólar é outro componente a ser considerando, aumentando o custo dos produtos.

“Em razão de todos estes problemas, os lojistas já trabalham com estoques mais baixos para atender os clientes neste fim de ano. Um dos grandes desafios será realizar promoções que sejam interessantes para os consumidores, considerando o aumento dos custos, sem comprometer as finanças do negócio”, informou a Fecomercio.

Para a entidade, o ponto de atenção para os lojistas na Black Friday deste ano é colocar o consumidor no centro das estratégias do negócio, proporcionando a melhor experiência de compra, desde o primeiro contato até o pós-venda.

Guia ajuda lojistas

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), baseados em um levantamento da consultoria Neotrust/Compre&Confie, mostram que, no ano passado, mesmo com as medidas de distanciamento social mais rígidas e os efeitos mais intensos da crise econômica desencadeada pelo novo coronavírus, as vendas na Black Friday cresceram mais de 30% em relação a 2019 e alcançaram R$ 5,1 bilhões.

Por conta desses números e para impulsionar as vendas este ano, a entidade elaborou um guia para ajudar os lojistas a buscarem alternativas para alavancar as vendas. Em primeiro lugar a associação orienta para aproveitar o alcance das redes sociais. “Muitos empreendedores, especialmente aqueles que têm apenas um negócio físico, ainda não conseguem enxergar a real necessidade de usar as redes sociais a seu favor. Além de abrir uma conta da empresa, vale a pena considerar a ideia de investir em anúncios para impactar mais usuários com as suas ofertas”, salientou a ACSP.

Outra dica é oferecer descontos reais, já que o período é um sucesso de vendas, mas também desperta a desconfiança com relação aos descontos. “Isso porque, nas últimas edições, muitas empresas aumentaram os preços às vésperas do evento para, no dia da campanha, anunciar reduções maiores nos preços. O lembrete é o de que conquistar a confiança do público em uma data como esta pode fidelizar clientes para o ano todo”.

É importante controlar o estoque e o caixa para definir a estratégia de marketing e de precificação, não esquecendo de avaliar o estoque e verificar com os fornecedores se os contratos de compra serão cumpridos ou se podem sofrer atrasos.

“Outro ponto de atenção é garantir que o treinamento da equipe esteja em dia para que não haja falhas no processo. As respostas aos clientes no WhatsAppe-mail, redes sociais e todo o suporte pós-venda devem ser cordiais e transmitir credibilidade para o público”, sugeriu a ACSP.

Por Agência Brasil

Comércio no Estado abre 23,5 mil empregos em julho

O número de postos de trabalhos formais no comércio do estado de São Paulo registrou um saldo positivo de 23,5 mil vagas em julho. O número representa um avanço de 0,87% em relação a junho.

Os dados são da Pesquisa do Emprego no Estado de São Paulo realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O levantamento é feito a partir das informações disponibilizadas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). Segundo a entidade, a alta de julho é a maior para o comércio desde novembro de 2020.

Assim, o comércio fechou o mês com 2,74 milhões de pessoas empregadas no estado. O maior crescimento foi no varejo, com 17,2 mil novas vagas. Com o resultado, o setor emprega 1,92 milhão de pessoas.

O setor de serviços criou 45,2 mil novos postos de trabalho em julho, um crescimento de 0,69% no mês. Assim, o setor passou a empregar 6,57 milhões de pessoas.

O ramo de alojamento e alimentação abriu 7,5 mil vagas e o de transporte e armazenagem, 6,9 mil. O segmento de serviços administrativos e complementares criou 10,5 mil novos postos, impulsionado pelo teleatendimento, que passou a empregar mais 2,4 mil.

Capital

Na cidade de São Paulo, houve crescimento de 0,91% no número de pessoas empregadas no comércio em julho, com abertura de 7,7 mil novas vagas. O setor passou a empregar 862,6 mil pessoas.

No período de avaliação, o setor de serviços gerou 21,5 mil novos postos de trabalho na cidade. O número representa alta de 0,73%, totalizando 2,95 milhões de vínculos formais de trabalho.

Segundo a FecomercioSP, o fim da maior parte das restrições para funcionamento dos setores não essenciais a partir de maio abriu espaços para contratações para suprir a demanda reprimida em diversos setores.

A federação destaca que esse crescimento do emprego acontece apesar da conjuntura econômica adversa. “Estes setores estão gerando vagas, apesar da alta inflacionária, do endividamento das famílias, dos juros ao consumidor e do desemprego”, ressalta a nota da entidade.

Por Agência Brasil

Vendas do comércio crescem em abril

O comércio varejista nacional teve alta de 1,4% em seu volume de vendas na passagem de abril para maio deste ano. Essa é a segunda alta consecutiva do indicador, que já havia subido 4,9% de março para abril. O dado é da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor também teve crescimentos de 1,1% na média móvel trimestral, 16% na comparação com maio de 2020, 6,8% no acumulado do ano e 5,4% no acumulado de 12 meses.

A receita nominal cresceu 2,4% em relação a abril, 29,8% na comparação com maio do ano passado, 18,1% no acumulado do ano e 13,3% no acumulado de 12 meses.

A alta de 1,4% no volume de vendas de abril para maio foi puxada por sete das oito atividades pesquisadas pelo IBGE. A exceção foi o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, que recuou 1,4%.

Entre as altas, o destaque ficou com tecidos, vestuário e calçados (16,8%) e combustíveis e lubrificantes (6,9%). Os demais setores com crescimento foram: outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,7%), livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,3%), supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1%) e móveis e eletrodomésticos (0,6%).

Varejo ampliado

O varejo ampliado, que também inclui veículos e materiais de construção, teve alta de 3,8% em seu volume de vendas na comparação com abril. Os materiais de construção cresceram 5%, enquanto os veículos e peças tiveram alta de 1% no período.

Segundo o IBGE, o varejo ampliado teve altas de 26,2% na comparação com maio de 2020, de 12,4% no acumulado do ano e de 6,8% no acumulado de 12 meses. Na receita nominal, houve aumentos de 4,7% na comparação com abril deste ano, de 41,1% em relação a maio de 2020, de 24,6% no acumulado do ano e de 15% em 12 meses.

Por Vitor Abdala, da Agência Brasil

Comércio varejista recua de fevereiro para março

O volume de vendas do comércio varejista caiu 0,6% na passagem de fevereiro para março. A queda veio depois de uma alta de 0,5% na passagem de janeiro para fevereiro. O dado, da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), foi divulgado hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O comércio varejista também apresentou variação negativa de 0,1% na média móvel trimestral e queda de 0,6% no acumulado do ano. Na comparação com março de 2020, no entanto, o setor cresceu 2,4%. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 0,7%.

Sete das oito atividades comerciais pesquisadas pelo IBGE tiveram perdas na passagem de fevereiro para março, com destaque para tecidos, vestuário e calçados (-41,5%), móveis e eletrodomésticos (-22%), e livros, jornais, revistas e papelaria (-19,1%).

Os demais setores com queda foram: outros artigos de uso pessoal e doméstico (-5,9%), combustíveis e lubrificantes (-5,3%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,1%).

A única atividade com alta no período foi hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3,3%).

No varejo ampliado, que também inclui a venda de veículos e de materiais de construção, houve recuo de 5,3% no volume de vendas, devido a quedas de 20% nos veículos, motos, partes e peças e de 5,6% nos materiais de construção.

O varejo ampliado acumulou queda de 1,1% em 12 meses, mas apresentou altas de 10,1% na comparação com março de 2020 e de 1,4% no acumulado do ano.

Receita

A receita nominal do varejo teve alta de 0,1% na comparação com fevereiro, de 13,1% na comparação com março de 2020, de 9,5% no acumulado do ano e de 6,9% no acumulado de 12 meses.

Já a receita do varejo ampliado apresentou queda de 4,2% na comparação com fevereiro e altas de 22,2% em relação a março de 2020, de 12,3% no acumulado do ano e de 5,5% no acumulado de 12 meses.

Por Vitor Abdala, da Agência Brasil

Chocolates, peixes e hotéis: setores sofrem pelo agravamento da pandemia

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Com a pandemia de covid-19 forçando estados e municípios a adotarem medidas que limitam a circulação de pessoas e o funcionamento de estabelecimentos, comerciantes buscam formas de aproveitar a Semana Santa para incrementar as vendas e faturar.

Na tradição católica, a semana em que se celebra a Sexta-Feira Santa e a Páscoa exalta a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Em tempos normais, a data impulsiona não só as vendas do comércio – principalmente de pescados e de chocolates -, como também o turismo doméstico, já que a sexta-feira é feriado.

No entanto, pelo segundo ano consecutivo, a celebração ocorre em meio às restrições que afetam não só as cerimônias religiosas, como também as atividades comerciais. Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as vendas no varejo em geral devem ser 2,2% inferiores às de 2020, movimentando cerca de R$ 1,62 bilhão – o que, se confirmado, seria o pior resultado desde 2008.

Em nota, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirmou que a retração nas vendas deste ano se deve não só às restrições de funcionamento do comércio, mas também ao fato de que parte da população viu sua renda cair em um momento em que a desvalorização do real frente ao dólar encareceu a importação de alguns produtos típicos. Segundo a confederação, a quantidade de chocolates importada (2,9 mil toneladas) é a menor desde 2013. A de bacalhau (2,26 mil toneladas), a mais baixa desde 2009.

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), Ubiracy Fonsêca, os fabricantes de chocolate tiveram que levar em conta a perda de poder aquisitivo de parte dos consumidores para pensar suas estratégias de vendas, mas, ainda assim, o setor está otimista.

“A perda de poder aquisitivo é real. Há muita gente sem emprego, sem poder trabalhar. Tendo isso em vista, as fabricantes de chocolate procuraram oferecer produtos acessíveis à população. Quem não puder comprar um ovo de Páscoa, pode adquirir uma barra de chocolate. A estratégia do setor é oferecer o que o mercado quer”, disse Fonsêca à Agência Brasil.

A quatro dias do domingo de Páscoa, Fonsêca destacou que a indústria de chocolates previa criar, direta e indiretamente, 11.665 vagas de trabalho temporário e superar as 8,5 toneladas vendidas em 2020. Metas que, segundo ele, vão ser atingidas.

“Apesar das dificuldades, estamos otimistas. Até porque, cerca de 80% das vendas de ovos de Páscoa acontecem nos supermercados, que estão funcionando normalmente em quase todo o país. Além disso, muitos comerciantes se prepararam para atender aos consumidores pela internet”, comentou o presidente da Abicab, garantindo que as vendas online, que já vinham crescendo ano a ano, deram um salto após o início da pandemia.

O gerente de Marketing, Francisco Alves de Faria Neto, confirma a importância do comércio digital. Com duas lojas físicas no Distrito Federal e uma clientela estabelecida ao longo de 20 anos, a Casa do Chocolate expandiu suas vendas para outras unidades da Federação graças à tecnologia.

“Tivemos um aumento das vendas online de cerca de 70% em comparação à Páscoa do ano passado, quando lançamos o site, em meio à pandemia, que nos fez acelerar o processo”, comentou Neto, acrescentando que o comércio eletrônico já representa metade de todas as vendas da empresa.

De acordo com o gerente, também as vendas nas lojas físicas, autorizadas a funcionar por comercializarem alimentos, “vão indo bem”, embora chocolates mais caros, principalmente os importados, tenham vendido menos que o esperado. “Baixou muito o giro de vários dos itens importados que vendemos. Tanto que tivemos que colocar produtos em oferta para não perder mercadoria. Mas, em geral, vendemos muito bem nas últimas semanas.”

PESCADOS

(Susan Horas/via Agência Brasil)

Em Santos (SP), onde o funcionamento de boa parte do comércio e serviços está suspenso até o domingo (4), os comerciantes do tradicional Mercado de Peixes tiveram que se organizar para levar os produtos ainda frescos até a casa dos clientes, que passaram a fazer suas compras por telefone. Ainda assim, de acordo com Alex Vieira, dono de um dos 20 boxes em funcionamento no local, muitos viram as vendas caírem drasticamente.

“No nosso caso, as vendas caíram em torno de 60% a 70%”, afirmou Vieira, cuja família está no ramo há cerca de 40 anos. “Esta é uma situação totalmente nova para todo mundo, incluindo os clientes. Muitos, que comem peixe sempre e são nossos fregueses há tempos, nos telefonaram e anteciparam seus pedidos, mas há também aqueles que gostam de vir ao mercado, de ver o peixe, escolher. Desses, parte não compra sem olhar o produto, não tem uma relação de confiança já estabelecida”, acrescentou o comerciante santista.

O presidente da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros, destacou que o comércio de pescados comporta diferentes realidades. Segundo ele, para os produtores de peixes cultivados (piscicultores), cujos principais clientes são os supermercados (autorizados a funcionar mesmo onde o lockdown foi adotado), as boas expectativas já se concretizaram.

“Os supermercados não estão sofrendo grandes restrições. Pelo contrário. Estão vendendo muito bem. E, ao contrário da indústria pesqueira marítima, afetada pela pandemia, a piscicultura também não parou. Mantivemos a regularidade, entregando aos compradores as quantidades previamente estabelecidas em contratos e sem aumento nos preços”, comentou Medeiros, estimando que o segmento vendeu cerca de 100 mil toneladas ao longo do último mês.

“Mais uma vez, não voltamos a registrar uma explosão das vendas como as de 2018 e 2019, quando, em alguns locais, chegaram a crescer 300%. Isso não aconteceu, mas, neste ano, também não perdemos vendas. Ao contrário de 2020, quando aí sim, fomos afetados negativamente”, afirmou Medeiros.

HOTELARIA

Outro ramo de atividade que costuma aguardar pelo feriado de Páscoa, o setor hoteleiro é o mais afetado dos três. Segundo o presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional), Manoel Linhares, a taxa de ocupação dos hotéis de todo o país não deve chegar a 10%, agravando a crise decorrente da pandemia.

Manoel Linhares, presidente da ABIH Nacional.
Manoel Linhares, presidente da ABIH Nacional. – Divulgação ABIH Nacional

“A hotelaria está preparada para receber os hóspedes, adotando todos os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias, mas com parques, restaurantes e outras atrações fechadas em quase todo o país. A situação está muito difícil. Só em São Paulo, 27 hotéis já fecharam as portas, demitiram funcionários e os responsáveis estão decidindo o que fazer com os imóveis”, disse Linhares. 

Para ele, o setor precisa urgentemente da promulgação de uma iniciativa semelhante à Medida Provisória 936, de abril de 2020, posteriormente transformada na Lei nº 14.020, que permitiu acordos de redução temporária de jornada de trabalho e salários ou a suspensão de contratos trabalhistas até 31 de dezembro do ano passado.

“Se algo assim não for feito, muitos outros hotéis terão que encerrar as atividades. Atualmente, a hotelaria não tem recursos nem para arcar com os salários e encargos dos cerca de 1,1 milhão de profissionais que emprega em todo o país”, disse o presidente da ABIH Nacional.

Ele pediu que o Poder Público promova campanhas para estimular os brasileiros a viajar pelo país depois que a pandemia estiver sob controle, e que governos estaduais e municipais ajudem o setor reduzindo impostos e taxas, mesmo que temporariamente, e renegociando tarifas de serviços essenciais. “Neste momento difícil, um desconto no IPTU [Imposto Predial e Territorial Urbano, cobrado pelas prefeituras] ou no ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, estadual] cobrado na conta de luz pode ajudar a manter negócios e preservar empregos”, concluiu.

Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil

Confiança do comércio cai 18,5 pontos em todo o país

O Índice de Confiança do Comércio, calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), em todo o país, caiu 18,5 pontos de fevereiro para março. Com isso, o indicador chegou a 72,5 pontos, em uma escala de zero a 200, o menor patamar desde maio do ano passado (67,4 pontos).

A confiança dos empresários recuou nos seis segmentos do comércio.

O Índice da Situação Atual, que mede a confiança do empresariado no presente, caiu 10,6 pontos e chegou a 75,9 pontos.

Já o Índice de Expectativas, que apura a confiança no futuro, teve uma queda ainda maior, de 25,7 pontos, e foi para 70,2.

“O recrudescimento recente da pandemia de covid-19, associado à lentidão programa de imunização e à adoção de medidas de restrição à circulação, ajuda a explicar o cenário negativo na visão do setor. Os próximos meses serão desafiadores e o retorno a uma rota de recuperação dependerá da melhora efetiva dos números da pandemia”, disse o pesquisador da FGV Rodolpho Tobler.

Por Victor Abdala, da Agência Brasil

Estado perdeu mais de 20 mil lojas em 2020, aponta CNC

(Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

Um levantamento divulgado hoje (1º) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que 75 mil estabelecimentos comerciais com vínculos empregatícios fecharam as portas no Brasil em 2020, primeiro ano da pandemia da covid-19. Esse número é calculado a partir da diferença entre o total de abertura e de fechamento das lojas.

As micro e pequenas empresas responderam por 98,8% dos pontos comerciais fechados. Todas as unidades da federação registraram saldos negativos. Os estados mais impactados foram São Paulo (20,30 mil lojas), Minas Gerais (9,55 mil) e Rio de Janeiro (6,04 mil).

Essa retração anual do comércio é a maior registrada desde 2016, quando 105,3 mil lojas saíram de cena devido à recessão econômica do período. Apesar do alto número de estabelecimentos que fecharam suas portas no ano passado, as vendas no varejo tiveram queda de apenas 1,5%. Esse percentual, segundo a CNC, foi menor do que o esperado para um momento crítico.

De acordo com a entidade, as perdas foram sentidas já em março, mas o mercado começou a mostrar uma reação a partir de maio, afastando expectativas mais pessimistas. O fortalecimento do comércio eletrônico e o benefício do auxílio emergencial, permitindo que a população mantivesse algum nível de consumo, foram listados como fatores que contribuíram para o reaquecimento do comércio.

“Na primeira metade do ano, quando o índice de isolamento social chegou a atingir 47% da população, as vendas recuaram 6,1% em relação a dezembro de 2019. Na segunda metade do ano, quando se iniciou o processo de reabertura da economia e foram registrados os menores índices de isolamento desde o início da crise sanitária, as vendas reagiram, avançando 17,4%”, diz o estudo.

O levantamento aponta, no entanto, que a população ainda manifesta algum grau de dependência do consumo presencial, o que traz desafios para 2021. A imprecisão dos prognósticos envolvendo a evolução da campanha de vacinação também gera incertezas.

Projeções

A CNC avaliou ainda as perspectivas para o setor. “A inflexão no processo de abertura líquida de lojas com vínculos empregatícios, observado até 2019, não significa necessariamente uma nova tendência de atrofia no mercado de trabalho do varejo para os próximos anos”, registra. O estudo, porém, observa que há menor capacidade de geração de vagas por meio do comércio eletrônico, cujas vendas cresceram 37% em 2020.

Ao estabelecer projeções para 2021, foram traçados três cenários conforme o nível de isolamento social da população. Em um deles, a entidade calcula que as vendas avançariam 5,9% na comparação com o ano anterior e o comércio seria capaz de reabrir 16,7 mil novos estabelecimentos. Para que isso ocorra, o índice de isolamento social precisa sofrer redução de 5% até o fim do ano.

Um cenário mais otimista, no qual sejam restabelecidas as condições pré-pandemia, o volume de vendas cresceria 8,7% e 29,8 mil lojas seriam abertas ao longo deste ano. Já o quadro mais pessimista, com a população se mantendo confinada em níveis apenas ligeiramente inferiores aos observados em dezembro de 2020, somente 9,1 mil estabelecimentos abririam as portas.

Nível de ocupação

A crise decorrente da pandemia também afetou o nível de ocupação no comércio: 25,7 mil vagas formais foram perdidas em 2020. O último ano onde houve queda nesse quesito foi em 2016, quando foi registrada retração de 176,1 mil postos de trabalho.

Conforme o levantamento, considerando o nível de ocupação, o ramo mais afetado foi o de vestuário, calçados e acessórios, com a queda de 22,29 mil vagas. Na sequência, aparecem os hiper, super e minimercados (14,38 mil) e lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos (13,31 mil).

No entanto, o saldo negativo de 2020 não reverteu a quantidade de vagas geradas entre 2017 e 2019. Nesse período, o número de postos criados foi de 220,1 mil.

Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Vendas caem 10,3% na semana do Natal

As vendas no varejo físico na capital paulista caíram 10,3% entre os dias 18 e 24 de dezembro de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com o Indicador de Atividade do Comércio-Natal, da empresa Serasa Experian. Ela analisa o comportamento do consumo.

No fim de semana entre os dias 18 e 20 do último mês de 2020, o recuo foi de 5,6% na comparação com os dias 20 a 22 do mesmo mês do ano anterior. Segundo a entidade, este é o pior desempenho já registrado na série histórica, iniciada em 2003.

“O surgimento de uma segunda onda de contaminação da covid-19, que aqui no Brasil se intensificou a partir da segunda metade de novembro, avançando por todo o mês de dezembro, afugentou o consumidor das lojas”, diz a Serasa.

Segundo ela, além disso parte das vendas de Natal acabou sendo antecipada na Black Friday, em novembro, quando houve alta de 6,1% em 2020, algo considerado razoável pela entidade.

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil 

Polícia reforça vigilância na região da 25 de março

Movimento na Rua 25 de Março e Ladeira Porto Geral no último fim de semana antes do Natal (Paulo Pinto/FotosPublicas)

A Polícia Militar está reforçando a segurança no no comércio popular, no centro de São Paulo. A Operação Compras iniciou em novembro e segue até o dia 24 de dezembro, quando aumenta o fluxo de pessoas para as compras das festas de fim de ano na região da 25 de Março e Rua Santa Ifigênia, centro da capital paulista. 

Segundo a PM, o reforço no policiamento conta com a presença diária de policiais do Sétimo Batalhão de Policiamento Metropolitano e de PMs vindos de outros batalhões da capital paulista, sem que haja qualquer prejuízo ao policiamento de outras localidades. 

“O objetivo da Polícia Militar é o aumento da sensação de segurança pública, bem como manter a ordem pública nesses centros comerciais, com o aumento do policiamento ostensivo e preventivo. Desta forma, inibindo a ação de criminosos que visam cometer crimes como roubos e furtos, aproveitando-se do aumento da circulação de pessoas nessa época do ano. A previsão é prosseguir com a operação até dia 24 de dezembro, véspera de Natal, data em que se encerra o período de compras natalinas”, informou em nota a PM.

Uso de máscaras

Uma força-tarefa está verificando o uso de máscaras e o respeito às orientações para evitar aglomerações nos estabelecimentos comerciais. A ação ocorre desde o último dia 4 em todas as regiões do estado e conta com mais de mil fiscais nas ruas de quarta-feira a domingo. 

A iniciativa é da Secretaria de Estado da Saúde em parceria com os municípios. A pasta já conta com a participação de 100 prefeituras nessa mobilização.

Segundo a pasta, o objetivo das ações é verificar o cumprimento do decreto estadual sobre o uso de máscaras, bem como garantir mais segurança aos clientes, respeito às regras aplicadas para bares e estabelecimentos e ao distanciamento social.

“Com a proximidade do final de ano, as confraternizações, em locais como bares e restaurantes, tornam-se frequentes e precisamos conscientizar a população que o uso de máscaras e o respeito ao distanciamento social são fatores importantíssimos no combate a pandemia da covid-19”, disse o secretário de estado da Saúde, Jean Gorinchteyn.

A população pode contribuir com a mobilização realizando denúncias de aglomerações e de locais onde as pessoas não usam máscaras. Elas podem ser feitas gratuitamente pelo telefone 0800 771 3541, disque-denúncia da Vigilância Sanitária do estado.

A multa é de R$ 5.025,02 para pessoa jurídica, por cliente sem máscara a cada fiscalização. Já em espaços públicos, como ruas e praças, a autuação é de R$ 524,59 para o cidadão que não estiver usando a proteção exigida. A definição prevê o repasse dos valores ao programa assistencial Alimento Solidário, do governo do estado, que distribui cestas de alimentos para famílias carentes.

Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil