Técnico de enfermagem é morto por ladrões de moto

Um técnico em enfermagem foi baleado e morto ao tentar fugir de ladrões de moto no Jardim São Luís, Zona Sul de São Paulo. A vítima, de 36 anos, foi atacada na noite de ontem (8), na Avenida Guido Caloi, junto à Ponte Transamérica.

Segundo a PM, o técnico seguia para casa em uma motocicleta quando foi abordado por dois bandidos que ocupavam outra moto, de pequeno porte. Os desconhecidos anunciaram o assalto e exigiram que ele entregasse o veículo, mas o jovem tentou escapar, acelerando a moto, momento em que o suspeito que estava na garupa atirou, atingido a vítima nas costas.

A ação foi presenciada por um  agente da CET que passava pelo local. Após o disparo, a dupla fugiu em direção à Avenida Guarapiranga, sem levar nada. 

O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas quando, a equipe chegou ao local, constatou que o técnico em enfermagem já estava morto. A vítima, de acordo com a Polícia Civil, havia comprado a motocicleta recentemente e, inclusive, trazia consigo, em uma pasta, um carnê com as prestações do financiamento.

O caso foi registrado no Distrito Policial do Capão Redondo e vai ser investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

*Com Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Polícia prende suspeito de participar de execução

Vítima é abordada após almoçar com a família (Reprodução)

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu na tarde de ontem (31) um suspeito, 36 anos, de participar da execução de Francisco Fágner Alves da Silva, 36 anos, em frente a um bar na região do Parque Novo Mundo/Vila Maria, na zona norte de São Paulo. O crime foi gravado por câmeras de segurança de um prédio ao lado. A vítima foi surpreendida logo após sair do estabelecimento onde havia almoçado com a família.

Um carro parou ao lado, e um homem desembarcou. Armado com uma pistola, o desconhecido passou a disparar contra a cabeça de Francisco. O criminoso embarcou no veículo e fugiu.

Policiais militares foram acionados, mas encontraram a vítima já sem vida. Segundo a PM, Francisco levou cerca de 10 tiros.O caso foi registrado no Distrito Policial do Jaçanã.

Horas depois, o veículo usado no crime, um Honda Fit branco, foi parado pela PRF na praça de pedágio da Rodovia Fernão Dias, em Vargem, no Interior do Estado. O motorista disse aos policiais que estava indo para Belo Horizonte, para o aniversário da mãe de um amigo, e que o veículo teria sido emprestado por outro colega.

Em revista no celular do condutor, os agentes encontraram a cena da execução, compartilhada através de um aplicativo de troca de mensagens. O homem que conduzia o carro não era o mesmo que cometeu o crime,  mas não quis dar informações sobre seu envolvimento no caso. Ele foi conduzido ao DHPP e teve a prisão temporária decretada.

https://www.facebook.com/spagoraoficial/videos/1000884747030023/

*Com informações de Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Líder comunitária desaparece e carro é encontrado queimado

Vera Lúcia da Silva desapareceu no Grajaú, periferia da zona sul da cidade de SP; em seu carro havia um corpo, mas Polícia Civil ainda não confirmou identidade

A cozinheira Vera Lúcia foi vista a última vez na quinta-feira e seu carro foi encontrado carbonizado | Foto: reprodução

A cozinheira Vera Lúcia da Silva Santos, 64 anos, fundadora da Associação Comunitária Auri Verde, localizada no Grajaú, periferia da zona sul da cidade de São Paulo, desapareceu na manhã da última quinta-feira (16/7). Seu carro foi encontrado dois dias depois, no sábado (18/7), carbonizado e com um corpo no porta-malas.

Segundo consta no boletim de ocorrência, Vera saiu de carro da rua Camilo Cortellini, no Grajaú, por volta das 10h da quinta-feira e não foi mais vista. Seu filho tentou ligar, mas outra pessoa atendeu afirmando que era dona do aparelho. Depois disso, o celular da líder comunitária foi desligado.

No sábado (18/7), por volta das 12h49, o carro de Vera foi encontrado carbonizado com um corpo no porta-malas. A polícia passou a investigar o caso como homicídio qualificado e o caso foi encaminhado para o DHPP. 

O veículo foi encontrado na rua Doutor Pedro de Castro Valente, também no Grajaú, 5 km de distância do local em que Vera foi vista pela última vez. Segundo o delegado Fabio Akira Tokuda, do 101ºDP (Jardim das Imbuias), não é possível afirmar que o corpo encontrado é de Vera, já que a ossada estava carbonizada.

Vera Lúcia transformou a infância difícil em luta. Ela nasceu em Taperoá, no sul da Bahia, e aos 7 anos foi adotada e levada para São Paulo. Começou sua trajetória como doméstica e, em 1992, fundou a Associação Comunitária Auri Verde, que atua como trabalho comunitário para promover a garantira de direitos às pessoas sem acesso a princípios básicos, como saneamento básico, pavimentação e energia elétrica. A associação, inclusive, fez um documentário contando a história dela.

https://www.facebook.com/115044529183634/videos/334048561327642

A Auri Verde também atua em 6 CEIs (Centros de Educação Infantil) e um CCA (Centro para Crianças e Adolescentes), na região do Grajaú, que proporcionam, juntos, espaços culturais e de educação para crianças e adolescentes.

Por Caê Vasconcelos – Repórter da Ponte

Polícia busca 24 suspeitos de homicídio em São Paulo

A Polícia Civil faz uma ação na manhã de hoje (16) para cumprir 24 mandados de prisão e 38 de busca e apreensão contra autores de homicídios. Não foram fornecidos mais detalhes sobre os crimes investigados ou os autores.

A ação é coordenada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa. Estão empenhados nos trabalhos 90 policiais e 53 viaturas.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil 

Ex-PM suspeito de matar Guilherme já é acusado de chacina

Gilberto Eric Rodrigues é apontado como comparsa do PM Adriano Campos no assassinato de adolescente em SP; em 2015, a PM mentiu sobre a fuga dele da prisão 

Gilberto é foragido desde 2015, quando fugiu de presídio militar | Foto: Reprodução

A Polícia Civil de São Paulo identificou o segundo policial militar suspeito de ter sequestrado e matado o jovem Guilherme Guedes, 15 anos, na Vila Clara, zona sul da cidade de São Paulo. O crime aconteceu no dia 14 de junho.

Guilherme estava na frente de sua casa quando dois homens o abordaram. Horas mais tarde o corpo do jovem foi encontrado em Diadema, cidade vizinha a São Paulo e que faz divisa com a zona sul da capital paulista.

(Reprodução)

Imagens de câmeras de segurança registraram dois homens se movimentando no beco em que Guilherme estava antes de sumir. Um deles já estava identificado: o PM Adriano Fernandes de Campos, dono de uma empresa irregular de segurança, que está preso.

Segundo o delegado Fábio Pinheiro, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), o outro homem no vídeo é Gilberto Eric Rodrigues.

“Ele que pegou o Guilherme junto do Adriano e levou para matar”, resume o delegado, detalhando que Adriano dirigia o carro enquanto Gilberto estava no banco traseiro com o rapaz durante o transporte.

Guilherme estava em frente de casa quando foi sequestrado | Foto: Arquivo/Ponte

Gilberto é procurado pela Justiça desde que fugiu do Presídio Militar Romão Gomes, conforme revelou reportagem da Ponte em 2015. Ele respondia por participação na chacina do Jardim Rosana, quando 7 pessoas foram mortas em 4 de janeiro de 2013, em frente ao Bar do Rob. 

Cinco anos atrás, o ex-PM e outro militar preso pularam uma cerca do presídio. A PM mentiu sobre a fuga, dizendo em documento enviado à Ponte que, dois meses depois do desaparecimento, Gilberto ainda estava preso no local.

A corporação relatou a fuga à Polícia Civil somente 12 dias depois dos dois fugirem. Neste intervalo, os dados pessoas e fotos dos dois não foram inseridas no banco de dados dos procurados no estado.

“Está sendo procurado por chacina, é bandidão. Homicida”, resume o delegado Pinheiro à Ponte, sobre o perfil de Gilberto.

Inicialmente, o DHPP considerava que um vigia que trabalhava para o PM Adriano Campos teria participado do crime. No entanto, ele passou da condição de investigado para testemunha protegida após dar informações relevantes para a investigação.

O assassinato de Guilherme gerou comoção e grande revolta à zona sul da capital paulista. Ao menos três protestos cobraram respostas do Estado, o primeiro deles com ônibus incendiados. Em resposta, a PM realizou abordagens violentas e agrediu moradores da região da Vila Clara.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Idosa em situação de escravidão é resgatada de casa em SP

Uma idosa de 61 anos que trabalhava como empregada doméstica em situação análoga à escravidão foi resgatada por uma equipe da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em uma casa, no Alto de Pinheiros, bairro nobre da Zona Oeste de São Paulo. Ela não recebia salários desde 2011, não tinha férias e 13° salário.

A idosa dormia em um sofá velho, sem receber alimentação, sem acesso a banheiro e sem salário regular (Foto: MPT/Divulgação)

De acordo com o Ministério Público do Trabalho em São Paulo (MPT), que solicitou o mandado de busca e apreensão, a idosa estava sendo vítima de agressão, maus tratos, constrangimento, tortura psíquica, violência patrimonial e exploração do trabalho por seus empregadores.

Uma das empregadoras foi presa no local, mas foi liberada após pagar fiança de R$ 2,1 mil. Ela era funcionária da Avon. 

A doméstica trabalhava para a família desde 1998. A inspeção foi motivada por denúncias recebidas pelo Disque 100.

Ao chegarem na residência, os policiais encontraram a empregada doméstica morando em um depósito de tralhas e móveis no quintal da casa, dormindo em um sofá velho, sem receber alimentação, sem acesso a banheiro e sem salário regular. O que a equipe encontrou no local e os relatos ouvidos de testemunhas confirmaram a situação de “trabalho escravo moderno”, agravada pela vulnerabilidade da vítima.

Em depoimento, moradores vizinhos do imóvel informaram que a doméstica trabalhava para os moradores da residência praticamente em troca da moradia, que por várias ocasiões a ajudavam com alimento e itens de higiene e relataram episódios de discussão e de omissão de socorro.

Após o resgate da trabalhadora, a procuradora do MPT Alline Pedrosa Oishi Delena entrou com uma ação cautelar contra três empregadores pedindo pagamento imediato do valor correspondente a um salário-mínimo por mês à vítima até o julgamento final do processo. Também solicitou à Justiça do Trabalho a expedição do alvará judicial para que a vítima possa fazer o saque junto à Caixa Econômica Federal do seguro-desemprego, assim como o bloqueio do imóvel para futuro pagamento de verbas trabalhistas e indenizações.

Os pedidos de urgência visam garantir a subsistência da vítima até o julgamento final do processo. “Não faz sentido algum que após o resgate a vítima acabe em uma situação ainda pior do que já estava, pois além de tudo, desabrigada, e vivendo da boa vontade de vizinhos”, comentou em nota a procuradora.

De acordo com Alline, o quadro se agrava no contexto da pandemia de Covid-19, pois a idosa é do grupo de risco e “porque qualquer trabalho e meio de subsistência tornam-se muito mais difíceis de serem conseguidos nesta época. Dessa forma, precisamos garantir que as necessidades humanas básicas sejam disponibilizadas à trabalhadora, que se encontra em extrema vulnerabilidade, sem casa, sem comida, sem renda, dependendo exclusivamente da ajuda dos vizinhos do local”, explicou Alline.

Em decisão liminar, a juíza que conduz o caso acolheu os pedidos de bloqueio de bens e de expedição do alvará para o recebimento do seguro-desemprego, deixando para após novas oitivas a decisão sobre o pagamento de um salário mínimo por mês até o julgamento final do processo.

Segundo a procuradora, o bloqueio de bens é necessário porque a doméstica é credora de verbas trabalhistas decorrentes de sua rescisão indireta em decorrência do resgate, bem como verbas não pagas no curso do contrato de trabalho, além de danos materiais em morais, tanto individuais como coletivos. “Em um cálculo inicial, esse valor pode chegar a mais de R$ 500 mil reais”, conta Alline.

Histórico

De acordo com o MPT, a trabalhadora foi contratada em 1998 por uma executiva do ramo de cosméticos, sem registro em carteira, sem férias ou 13º.

Nos primeiros anos, a doméstica não morava no emprego, mas em 2011, segundo depoimentos colhidos, a casa em que morava foi interditada e a patroa ofereceu para que ela fosse morar na casa de sua mãe, onde ficou cerca de cinco anos.

De acordo com depoimentos, naquele mesmo ano a patroa passou a residir em outra cidade, mas manteve seus serviços para servir à uma das filhas que continuou na casa. A partir de então, a doméstica passou a receber cerca de 400 reais, esporadicamente, ainda que continuasse a realizar todos os serviços, exceto cozinhar.

Cerca de pouco mais de dois anos depois, a filha da patroa foi morar no exterior e uma outra filha e seu então namorado, atual marido, mudaram-se para a casa de Alto de Pinheiros, ficando responsáveis pelo pagamento do salário da doméstica, que passou a receber o valor de R$ 250, que lhe era pago em dinheiro, no início do mês.

De acordo com depoimentos, a doméstica trabalhava de segunda a sexta-feira na casa da patroa e, paralelamente, cuidava da casa da mãe da patroa, onde morava, fazia a limpeza e pagava as contas de água e luz da residência porque temia que fossem cortadas.

No ano de 2017, a casa da mãe da patroa foi vendida e a doméstica passou a morar no depósito no quintal da casa onde foi encontrada.

Desde o decreto da pandemia, os patrões não permitiram mais a sua entrada na casa, tendo sido mantido trancado o quintal e o banheiro, impedindo que a vítima realizasse suas necessidades sanitárias. Para o banho, a idosa usava um balde e caneca. Segundo consta em depoimentos, em maio a doméstica sofreu um grave acidente de trabalho e não foi socorrida, tendo passado uma semana com dores e hematomas, sem receber alimento ou cuidados.

No dia 16 de junho, os empregadores mudaram-se para Cotia sem comunicar a vítima, que foi abandonada no quintal. Ao chegarem ao local no dia 18, uma equipe da Polícia Civil entrou na casa enquanto outra foi até o novo endereço dos patrões em Cotia. Eles foram localizados via sistemas da polícia, já que nem um número de telefone, nem um endereço fora deixado com a empregada doméstica.

Em seu depoimento, a moradora confirmou que a doméstica dormia, desde o ano de 2017, no cômodo destinado a depósito e que realmente não tinha conhecimento de como ela fazia para usar o banheiro para necessidades e banho. Os réus negam a relação de emprego, alegando que no passado a vítima trabalhava esporadicamente, como diarista, mas que nos últimos anos não mais fazia trabalhos domésticos.

A proprietária do imóvel afirma que a vítima chegou a morar “de favor” na casa de sua mãe e que quando a casa foi vendida, por pena, a acolheu enquanto ela procurava por um lugar para onde eventualmente se mudaria. Após pagamento de fiança, a ré foi liberada. A proprietária da casa, assim como sua filha e o marido desta, os atuais moradores da residência, responderão por omissão de socorro, abandono de incapaz e por redução a condição análoga à de escravo.

O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Proteção à Pessoa.

Identificado 2º suspeito de sequestrar e matar Guilherme

Polícia Civil aponta vigia de terreno contratado por Adriano Campos como possível parceiro do PM no crime ocorrido na zona sul de SP

Guilherme Guedes estava na frente de casa quando foi sequestrado | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

A Polícia Civil do Estado de São Paulo identificou um segundo suspeito de ter participado do sequestro e morte do adolescente Guilherme Guedes, 15 anos, no domingo (14/6). Depois de ter prendido o PM Adriano Fernandes de Campos, o DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) considera que um empregado do policial teria auxiliado no crime. Embora já identificado, ele ainda não se apresentou e, portanto, está sendo procurado pela polícia.

Imagens de câmera de segurança mostram dois homens na viela ao lado da casa em que Guilherme morava. Ele estava em frente ao local por volta de 2h, quando foi sequestrado. 

Homem que aparece no vídeo seria Adriano Campos, segundo investigação do DHPP | Foto: reprodução

Um desses homens seria Adriano, de acordo com o delegado Fábio Pinheiro, responsável pela investigação. O segundo seria um homem identificado apenas como Fábio, o vigia de um terreno de propriedade da Globalsan. A defesa do policial nega sua participação do crime.

À Ponte, Pinheiro confirmou que Fábio é suspeito de ter auxiliado Adriano no crime. O policial civil, no entanto, não deu a identidade completa de Fábio e nem detalhes sobre a sua atuação. De acordo com a investigação, uma chamada para registrar a tentativa de furto foi feita de um celular que está no nome do Adriano, mas que de identificou na ligação foi justamente Fábio. A invasão do local teria sido a motivação para o assassinato de Guilherme.

O homem trabalharia como porteiro contratado por Adriano através de sua empresa que seria de zeladoria, mas presta irregularmente o serviço de segurança particular, já que em seu registro, conforme revelado pela Ponte, estão as atividades de zeladoria e limpeza.

Adriano ainda não foi ouvido pelo DHPP, o que deve acontecer na próxima semana. Hoje o departamento apreendeu um veículo do policial, um Volkswagen Fox, de cor prata.

Segundo o Ministério Público, um veículo do mesmo modelo, mas de cor preta, teria sido usado na Avenida Cupecê no dia do crime. O veículo está registrado no nome do filho de Adriano.

O proprietário do terreno em que atua a empresa terceirizada contratada pela Sabesp, Oswaldo Marchetti, explicou à Ponte que houve uma tentativa de invasão ao local na noite de sábado (13/6).

Segundo o homem, um vigia evitou a entrada, mas não estava no local quando outros trabalhadores chegaram na manhã seguinte. Foi quando, segundo ele, moradores estiveram no local para tirar satisfação pelo desaparecimento de Guilherme.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Justiça decreta prisão de PM suspeito de matar Guilherme

Adriano Fernandes de Campos ingressou na PM paulista em 1999 e já respondeu por outros homicídios; ele é um dos suspeitos de matar Guilherme Guedes, 15 anos

PM Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, é suspeito de participar da morte de Guilherme | Foto: reprodução

O sargento da PM paulista Adriano Fernandes de Campos, 41 anos, foi preso na noite desta quarta-feira (17/6) suspeito de participar do assassinato do estudante negro Guilherme Guedes, 15 anos. O adolescente foi sequestrado na Vila Clara, zona sul da cidade de São Paulo, e encontrado morto em Diadema, Grande São Paulo. Adriano está no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que encabeça as investigações, pediu a prisão temporária ( por 30 dias, podendo ser prorrogável) nesta quarta-feira e a Justiça acatou. A Corregedoria da PM acompanha as investigações junto ao DHPP.

O sargento Adriano ingressou na PM paulista em 9 de agosto de 1999 e já respondeu por 6 homicídios, todos na Justiça comum. O último caso, de 2014, foi arquivado. Adriano integra o Batalhão de Operações Especiais da PM, o Baep, de São Bernardo do Campo.

A prisão foi um pedido do delegado Fábio Pinheiro, responsável pela investigação. A promotora Luciana Jordão Dias remeteu o pedido ao 1º Tribunal do Júri da Capital, que determinou a prisão.

Guilherme Silva Guedes, executado após rapto na zona sul (Arquivo familiar/via Ponte)

No pedido do Ministério Público, há confirmação da informação de que a família tem se sentido ameaçada. “A prisão é imprescindível às investigações do gravíssimo crime praticado, para a realização de interrogatório e apuração de outras testemunhas, que não se apresentam em razão do medo apresentado de represálias. Referido medo é reforçado pela presença de policiais militares próximos da residência da vítima logo após o homicídio”, escreveu a promotora.

“Até então, para nós, o autor do crime é o Adriano e mais um segundo”, definiu Pinheiro. O policial civil explica que há mais um suspeito pelo crime, ainda não identificado. O carro do filho de Adriano foi visto pelo sistema Detecta trafegando pelo local bem próximo da hora do desparecimento de Guilherme.

No local onde Guilherme foi sequestrado, um pedaço de tecido com a inscrição “SD PM Paulo” foi encontrado. Segundo o delegado, o homem foi ouvido, liberado e qualquer possível participação descartada, porque apresentou um “forte álibi”. A promotoria destaca no pedido de prisão que policiais estiveram na casa da família de Guilherme “exigindo a entrega de tarjeta de identificação de PM localizada por familiares da vítima”.

Para o pedido de prisão, o departamento se baseou em imagens de câmera de segurança em que dois homens aparecem no beco ao lado da casa de Guilherme no dia de seu sequestro e morte. Um deles seria Adriano, conforme explicou o delegado.

Até o momento, a linha principal da investigação sobre o que motivou o crime seria uma suposta tentativa de furto de um galpão na região da Vila Clara, cuja segurança era feita pela empresa de propriedade do policial militar.

Adriano e o pai dele, PM aposentado, Sebastião Campos, têm juntos uma empresa chamada Campos Forte Portaria Ldta. Conforme revelou reportagem exclusiva da Ponte, a empresa tem como registro as atividade de zeladoria e limpeza, além de outros serviços administrativos, mas não tem permissão para realizar segurança privada. Além disso, o regulamento interno da PM paulista proíbe que policiais da ativa tenham empresa com esse fim.

A reportagem procurou nesta quarta-feira a empresa de Adriano para tentar saber se ele queria se pronunciar sobre o caso, mas não conseguiu contato até o momento. A última nota enviada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo sobre o caso não confirmava que havia um PM sendo investigado pelo crime e dizia apenas que tudo estava sendo apurado.

Por Maria Teresa Cruz e Paulo Eduardo Dias – Repórteres da Ponte

Polícia pede prisão de PM suspeito de matar garoto

Adolescente de 15 anos foi morto com tiro na cabeça; sargento Adriano Fernandes de Campos é dono de empresa que fazia segurança privada irregularmente 

Um dos suspeitos de sequestrar e matar Guilherme aparece na gravação de câmeras de rua | Foto: reprodução

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo pediu à Justiça a prisão do policial militar Adriano Fernandes de Campos. Ele é investigado pelo sequestro e morte de Guilherme Guedes, 15 anos, na Vila Clara, zona sul da cidade de São Paulo, no domingo (14/6).

A prisão foi um pedido do delegado Fábio Pinheiro, responsável pela investigação. A promotora Luciana Jordão Dias remeteu o pedido de prisão temporária (de 30 dias) ao 1º Tribunal do Júri da Capital e aguarda a decisão da Justiça. 

No pedido do Ministério Público, há confirmação da informação de que a família tem se sentido ameaçada. “A prisão é imprescindível às investigações do gravíssimo crime praticado, para a realização de interrogatório e apuração de outras testemunhas, que não se apresentam em razão do medo apresentado de represálias. Referido medo é reforçado pela presença de policiais militares próximos da residência da vítima logo após o homicídio”, escreveu a promotora. Íntegra pedido do MP de prisão de Adriano Campos Baixar

Guilherme Silva Guedes, executado após rapto na zona sul (Arquivo familiar/via Ponte)

“Uma questão de horas”, afirmou o delegado à Ponte. “Até então, para nós, o autor do crime é o Adriano e mais um segundo”, define Pinheiro. O policial civil explica que há mais um suspeito pelo crime, ainda não identificado. 

O carro do filho de Adriano foi visto pelo sistema Detecta trafegando pelo local bem próximo da hora do desparecimento de Guilherme. 

Ao lado do corpo de Guilherme um pedaço de tecido com a inscrição “SD PM Paulo” foi encontrado. Segundo o delegado, o homem foi ouvido, liberado e qualquer possível participação descartada, porque apresentou um “forte álibi”. A promotoria destaca no pedido de prisão que policiais estiveram na casa da família de Guilherme “exigindo a entrega de tarjeta de identificação de PM localizada por familiares da vítima”.

Para o pedido de prisão, o departamento se baseia em imagens de câmera de segurança em que dois homens aparecem no beco ao lado da casa de Guilherme no dia de seu sequestro e morte. Um deles seria Adriano, conforme explica o delegado.

Adriano e o pai dele, PM aposentado, Sebastião Campos, têm juntos uma empresa chamada Campos Forte Portaria Ldta. Conforme revelou reportagem exclusiva da Ponte, a empresa tem como registro as atividade de zeladoria e limpeza, além de outros serviços administrativos, mas não tem permissão para realizar segurança privada. Além disso, o regulamento interno da PM paulista proíbe que policiais da ativa tenham empresa com esse fim.

“Desconfiávamos que fosse esse soldado Paulo, mas o soldado Paulo não foi. Ele tem um álibi para o dia, muito forte”, explica. “Acreditamos que seja ou o Fábio, funcionário do Adriano, ou uma outra pessoa que o Adriano levou com ele. Pode ser até um outro policial militar”, prossegue. 

Adriano está na Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo onde espera a decisão da Justiça para o pedido de prisão. Caso acatado, ele será transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista. 

Enquanto o DHPP confirma que um policial está envolvido no sequestro e morte de Guilherme Guedes, até o momento, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, liderada pelo coronel João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), omite a informação.

Avó de Guilherme, dona Antônia vestia camisa com foto do neto | Foto: Arthur Stabile/Ponte

Secretário-executivo da PM, o coronel Álvaro Camilo negou na terça-feira(16/6) que existisse qualquer suspeita de participação de policiais militares no desaparecimento e morte. 

“Não teve operação policial, não tem nenhum indicativo de que aquilo tenha sido cometido por policiais militares”, disse, em entrevista à TV Globo naquela manhã.

Sobre a identificação de um PM encontrada no beco em que o adolescente desapareceu, disse que “não tinha naquele momento nenhuma operação policial sendo realizada naquela região”.

Quando ainda era deputado estadual pelo PSD, Camilo homenageou Adriano Campos em 2018, segundo informou o Uol. Então integrante da cavalaria da PM, Adriano foi um dos 26 homenageados numa sessão solene de duas horas, que reuniu cerca de 200 pessoas na Assembleia Legislativa de São Paulo, na manhã de 16 de abril de 2018. Na ocasião, os presentes na cerimônia entoaram a “canção da Cavalaria” e Camilo (PSD) discursou que “sempre haverá uma Cavalaria”, diz a reportagem. 

Por pelo menos quatro vezes a assessoria de imprensa terceirizada da pasta, a InPress, mesmo questionada, deixou de informar que poderia haver policiais militares ligados ao caso, conforme solicitado pela Ponte.

A primeira omissão ocorreu em e-mail enviado às 19h28 de terça-feira (16/6), quando a reportagem perguntou sobre essa possibilidade e foi ignorada. Na mesma hora, veículos como o G1 e a TV Bandeirantes indicavam a suspeita de que dois PMs estariam ligados ao sequestro e morte.

O mesmo correu em três contatos feitos ao longo desta quarta-feira (17/6): às 13h26, 14h04 e 16h42. Em todas as mensagens, a Ponte questionou se policiais militares eram investigados e chegou a solicitar um posicionamento da PM sobre a suposta participação de Adriano Campos. 

Durante a tarde desta quarta, a Corregedoria da PM esteve na casa da família de Guilherme ouvindo testemunhas, entre elas a avó que morava com o garoto, suas tias e demais parentes.

Ao longo desta terça-feira, a mãe do jovem, Joyce da Silva dos Santos, depôs na sede da Corregedoria. Ela permaneceu entre 15h e 22h no local, segundo apurado pela reportagem.

Ainda na noite de terça-feira, a família de Guilherme notou que um viatura do Rocam ficou parada por algum tempo na frente do local onde ele foi sequestrado. Informaram também que policiais à paisana rondaram a região. 

De acordo com a avó do garoto, Antônia Arcanjo, a ação da Corregedoria é positiva. “Mostra que estão fazendo algo. Espero que tudo isso acabe logo. Que eu esqueça disso, mas que nunca me esqueça do Guilherme”, disse, vestindo uma camiseta com o rosto do rapaz. 

Na quarta-feira, a Corregedoria da PM foi novamente ao bairro e ouviu mais uma vez as possíveis testemunhas e os familiares. Procurado pela reportagem, o Tribunal de Justiça afirmou que “o caso está sob segredo de Justiça e, neste momento, não podemos fornecer informações.”

Por Arthur Stabile e Paulo Eduardo Dias – Repórteres da Ponte

Quatro pessoas são mortas em chacina na Zona Leste de SP

O crime teria sido praticado por ocupantes de um automóvel cujas características não foram anotadas(Foto:Nivaldo Lima/SP AGORA)

O crime ocorreu dentro de uma oficina de funilaria localizada na altura do número 3.976 da Avenida Águia de Haia.

Segundo a Polícia Militar, um cliente foi retirar o veículo que havia deixado para o conserto e encontrou a oficina aberta, mas sem ninguém no local.

Desconfiado, o rapaz ligou para um amigo, policial civil, que, ao chegar no local, encontrou quatro pessoas atingidas por disparos de arma de fogo nos fundos do estabelecimento.

Policiais militares que faziam o patrulhamento na região e equipes do Corpo de Bombeiros foram acionados, mas quando elas chegaram constataram que as vítimas já estavam mortas.

Morreram os proprietários do estabelecimento, identificados como Jairo Cordeiro, de 37 anos, e Antônio Carlos, e dois funcionários.

O crime teria sido praticado por ocupantes de um automóvel cujas características não foram anotadas.

Peritos que estiveram no local encontraram os celulares dos outros dois funcionários e do sócio Antônio Carlos, mas o aparelho de Cordeiro não foi encontrado.

Os técnicos recolheram também a CPU que armazena as imagens das câmeras de segurança da oficina.

O caso foi registrado no 63° Distrito Policial, da Via Jacuí, e vai ser investigado pela equipe da 3ª Delegacia de Polícia de Repressão a Homicídios Múltiplos, do DHPP.

Com esta já são quatro chacinas registradas este ano na Capital e Grande São Paulo, com um total de 13 mortos.

Os outros crimes ocorreram no Capão Redondo e Chácara Santo Antônio, na Zona Sul da Capital, e na Vila Guiomar, em Santo André, no ABC.

*Com informações de Paulo Édson