PM prende 8 suspeitos por tráfico de drogas no ABC Paulista

A Polícia Militar (PM) deteve oito pessoas suspeitas de tráfico e apreendeu 50 kg de drogas e mais R$ 60 mil em duas ações realizadas na madrugada deste sábado (4) em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Na primeira ocorrência, os PMs abordaram o motorista de um carro e encontraram cinco tijolos de maconha e uma sacola com R$ 34 mil. No imóvel do homem, a polícia apreendeu mais três tijolos de maconha e R$ 6 mil que estavam em outro automóvel.

A mulher do suspeito, que estava no imóvel, e também foi presa, contou onde estavam guardados mais entorpecentes na cidade. A Polícia Militar seguiu para o outro endereço e encontrou mais seis homens, que também foram presos por suspeita de tráfico.

Dentro da segunda residência, foram encontrados seis tabletes de maconha, cerca de R$ 20 mil em espécie, cinco celulares, documentos, uma balança e dois veículos.

Os oitos detidos foram levados ao 2º Distrito Policial (DP) em São Bernardo, onde foram indiciados pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico e corrupção ativa.

Autoridades discutem estratégias para combate às drogas

Por Ludmilla Souza 

Região entre a Estação da Luz e o Viaduto Santa Ifigênia, conhecida como Cracolândia (Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, o governador do estado, João Doria, secretários municipais, estaduais, representantes de autarquias e inspetorias se reuniram nesta segunda-feira (3) na sede da prefeitura para alinhar as estratégias, mapear as necessidades e identificar os avanços da segunda fase do Programa Redenção, que oferece tratamento aos dependentes químicos.

As ações para a evolução do programa serão articuladas em quatro eixos principais, saúde, assistência social, segurança e trabalho, que atuarão com protocolos e metas a curto e médio prazo.

Para fazer um acompanhamento das ações, estão previstas reuniões setoriais envolvendo representantes das pastas estaduais e municipais.

A prefeitura informou que também está aberta a uma interlocução com agentes do Governo Federal, com o objetivo de trabalhar de forma complementar e integrada.

“Chamamos o ministro [da Cidadania Osmar Terra] para trabalharmos juntos em três frentes. Comunidades terapêuticas; a ideia de abstinências com muitos modelos, mas não o único, e em terceiro lugar, nós achamos que cada indivíduo tenha seu projeto terapêutico singular, e em cima disso vamos conversar com o Ministério da Cidadania”, disse o coordenador de Saúde do Programa Redenção, Arthur Guerra. Segundo ele, o convite é para uma conversa. Depois, pode haver um pedido de transferência de recursos do governo federal.

Internação compulsória

Quanto a internação compulsória, Guerra afirmou que, ainda que necessária em alguns casos, o programa pretende trabalhar com o modelo de internações voluntárias, que é quando o usuário de drogas aceita ser internado e tratado.

“A internação compulsória é um procedimento médico que existe há milhares de anos, ela não pode ser vista como o único modelo milagroso de resolver todo o problema de saúde e social também. Em alguns casos ela é indicada. Nós trabalhamos no município com a internação voluntária, nós tivemos em dois anos 10 mil internações voluntárias”, disse Guerra.

O coordenador disse ainda que três ações imediatas serão iniciadas essa semana. “Temos uma ação de grupos específicos de trabalho entre estado e prefeitura nas áreas de saúde, assistência social, segurança e geração de renda e trabalho; uma segunda meta importante, é buscar, junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), um modelo de pesquisa que possa avaliar como esse esforço tem a sua credibilidade, ou seja, se está dando certo, e em terceiro lugar é ter a parceria do governo federal para buscar recursos que possam implementar nossa atividade”, disse.

Segundo o coordenador do programa Redenção, a taxa de internações involuntárias hoje no programa em São Paulo é em torno de 12%. “Nos seis anos do projeto Recomeço [do governo do estado], tivemos 0,03% de internações compulsórias [quando o juiz determina] e involuntárias entre 12% e 15%. O Programa Redenção [municipal] deve manter esses índices”.

De acordo com Guerra, a meta da Prefeitura de São Paulo de acabar com 80% da Cracolândia – área no centro da cidade onde há concentração de tráfico e usuários de drogas- até o fim do ano que vem está mantida. “É uma meta que estamos perseguindo de forma bastante objetiva”.

Já o prefeito Bruno Covas disse que o esforço da equipe tem sido fundamental para o sucesso do programa. “Eu só tenho que agradecer todo o empenho dessa equipe e a coordenação do governador João Doria para enfrentar esse problema que se arrasta aqui na capital”, disse.

Lei

A prefeitura sancionou em maio deste ano a lei que instituiu a Política Municipal Sobre Álcool e Outras Drogas, com o objetivo de executar ações de prevenção, atenção e reinserção social de usuários de álcool e outras drogas.

A iniciativa foi marcada pela nova etapa do Programa Redenção, criado em 2017 para atender aos usuários abusivos de crack e outras drogas que se encontram em situação de vulnerabilidade ou risco social.

Prefeitura lança política de combate ao álcool e outras drogas

Por Flávia Albuquerque

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, sancionou hoje (20) a lei que determina a Política Municipal sobre Álcool e Outras Drogas, com o objetivo de executar ações de prevenção, atenção e reinserção social de usuários de álcool e outras drogas, em especial àqueles que se encontram em vulnerabilidade e risco social. O projeto terá atuação intersecretarial e envolverá o Programa Redenção, iniciado em 2017, e que agora será regulamentado por decreto.

A principal área de atuação será na região da Luz, conhecida como Cracolândia, além de outros pontos da capital paulista que tenham concentração de usuários de drogas. O orçamento previsto até 2020 para o Redenção é R$ 276,1 milhões.

“Começamos uma nova fase do Programa Redenção. É importante transformar uma política de governo para uma lei porque se trata de um problema crônico de saúde pública que não se resolve da noite para o dia. Deve ser uma política de longo e médio prazo para que a cidade possa enfrentar o tema. Para que essa política seja efetiva precisamos alinhar a ação com a assistência social, desenvolvimento econômico, direitos humanos e segurança pública”, disse Covas. 

O prefeito disse que é preciso encarar o desafio, mesmo com muitos movimentos de direitos humanos entendendo que o poder público não deveria atuar nessa situação.  “Nada mais contra os direitos humanos do que deixar aquelas pessoas naquela situação”, disse Covas. Segundo o prefeito, desde 2017, já é possível comemorar o fim de áreas comandadas pelo tráfico, onde o poder público era impedido de entrar até para realizar a coleta de lixo. “Onde antes tínhamos 4 mil pessoas por dia, hoje temos 400 pessoas durante o dia e 1.500 à noite”.

Nova fase

Na nova fase do Programa Redenção, que tem como meta reduzir em 80% o número de usuários de drogas nas ruas de São Paulo, a prefeitura pretende oferecer 600 novas vagas em locais específicos e capacitados para atendimento humanizado em saúde e assistência social para os dependentes químicos. “Nosso objetivo é a prevenção, atenção e reinserção social. As diretrizes são o tratamento com observância da singularidade de cada indivíduo, acesso aos serviços de saúde”, disse o coordenador do Programa Redenção, Artur Guerra.

Para aprimorar o trabalho nessa fase será criado o Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica (Siat), que terá ações nas áreas de saúde, assistência e reinserção social, divididos em três eixos: abordagem, acolhida temporária e tratamento e profissionalização, com inserção social. 

De acordo com Guerra, o Siat compreenderá três momentos: os usuários abordados no Siat I serão encaminhados voluntariamente aos Siat II ou III. Os dois últimos serão montados em pontos estratégicos da cidade, onde as pessoas terão acolhimento e poderão optar pelos tratamentos oferecidos, sem qualquer tipo de coação ou internação compulsória. Para ser encaminhado, o atendido deverá estar apto ao trabalho, pelo qual receberá uma bolsa de R$ 698,46, por até dois anos de serviço prestado. A capacidade do indivíduo será avaliada por um núcleo que analisará caso a caso.

Balanço

Segundo dados da prefeitura, de 26 de maio de 2017 até o dia 7 de maio de 2019 foram realizados na Unidade de Saúde do Redenção, na Praça Princesa Isabel, 15.874 atendimentos, entre eles 9.723 internações voluntárias em leitos de desintoxicação em hospitais contratados, 370 encaminhamentos para leitos de pronto-socorro e hospitais municipais e gerais, 285 para centros de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (Caps-AD), 14 para o Centro de Referência de Álcool Tabaco e Outras Drogas (Cratod) e 545 para a rede de atendimentos sociais.

As equipes do Redenção na Rua, que começaram a atuar na região em 11 de abril de 2018, fizeram, até dia 7 de maio de 2019, 25.334 abordagens, 5.5716 atendimentos médicos, 11.480 atendimentos de enfermagem e 4.958 encaminhamentos para a rede de assistência social.

As cinco unidades emergenciais de Atendimento (Atende) registraram, da inauguração da primeira unidade em junho de 2017 até o dia 16 de maio de 2019, 2.317.861 atendimentos, entre banhos, refeições, pernoites, oficinas e cortes de cabelo. 

Desde o dia 21 de maio de 2017 foram realizadas pela equipe da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) 319.106 abordagens na região da Nova Luz, sendo 279.288 abordagens com encaminhamento socioassistencial e 39.818 abordagens com recusa.

Paulistano acha que aumentou número de menores usuários de drogas

Flávia Albuquerque/Agência Brasil

(Valter Campanato/Agência Brasil)

Oito em cada dez paulistanos acreditam que aumentou o número de crianças e adolescentes usando álcool e drogas na cidade nos últimos doze meses. Para 76%, cresceu o número daqueles que pedem dinheiro e para 73%, o de crianças morando na rua. Além disso, para 51% aumentou o número de crianças e adolescentes trabalhando em São Paulo.

Os dados fazem parte da Pesquisa Viver em São Paulo – Criança, feita pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ibope e divulgada hoje (9), na capital paulista.

De acordo com o estudo, 45% da população de São Paulo mora com crianças ou adolescentes – 26% mora apenas com crianças, 11% com adolescentes e 8% com ambos.

Entre os entrevistados, 71% afirmam que as crianças e adolescentes por quem são responsáveis estudam em escola pública, 21% em escola particular e 3% em ambas.

Quem circula pela cidade com crianças e adolescentes diz que a principal dificuldade é a lotação do transporte público (22%), seguida da falta de respeito da população (11%), insegurança do transporte (11%), a multidão nas ruas da cidade (10%). Outros 21% dizem utilizar outro tipo de meio de transporte e não o ônibus por ser muito cheio.

Espaços públicos

Quando questionados sobre a utilização dos espaços públicos, quatro em cada dez avaliaram a qualidade dos Centros Culturais e bibliotecas públicas como ótimas ou boas. Um em cada dez disse que é ruim ou péssimo.

A qualidade dos espaços de lazer e convivência dos CEUs (Centros de Artes e Esportes Unificados) é boa ou ótima para 34% dos paulistanos e ruim ou péssima para 16%. Parques e praças são bem avaliados por 20% e mal avaliados por 30%.

Os parquinhos públicos receberam a pior classificação do paulistano: 40% dizem que a qualidade é ruim ou péssima e 20% que é boa.

“Fica evidente que o paulistano entende que São Paulo é uma cidade pouco acolhedora para as crianças. Infelizmente são apenas destaques negativos que a pesquisa traz e que reforça o que já sabíamos que ainda há muito a fazer na cidade de São Paulo para a primeira infância”, disse o gestor da Rede Nossa São Paulo, Américo Sampaio.

Segundo ele, crianças que crescem em uma cidade que não consegue garantir qualidade de vida na primeira infância são extremamente prejudicadas em sua formação até a idade adulta, porque normalmente se garante um bom crescimento para os setores da classe média e elite e não se dá atenção para as crianças da periferia e as mais pobres.

“Faltam políticas públicas que priorizem as crianças da periferia, negras e mais pobres. Para resolver esse cenário, é preciso ter uma cidade que prioriza a criança em detrimento das outras parcelas da população no orçamento público, no investimento, na gestão das políticas públicas. Para todas as áreas precisaria ter um trabalho de começar as políticas públicas pela criança e depois olhar para os diferentes extratos da sociedade”, disse Sampaio.