Imagem mostra dois entregadores com caixas nas costas e capacete roubando um casal com o cachorro e uma mulher.

Falsos entregadores fazem arrastão nos Jardins

Dois homens, disfarçados de entregadores, fizeram um arrastão nos Jardins, ontem (14) à noite. O crime aconteceu na rua José Maria Lisboa, perto do cruzamento com a Avenida 9 de julho.

Três pessoas que caminhavam pela calçada foram rendidas pelos assaltantes. Imagens de uma câmera de segurança mostram quando dois motoqueiros, com caixas de entrega nas costas e capacete abordaram as vítimas.

Um homem e uma mulher que caminhavam com o cachorro percebem quando uma mulher foi rendida, a poucos metros de distância, e tentaram deixar o local. Os dois foram, então, surpreendidos pelo segundo bandido, que apontou a arma e roubou os pertences.

Durante o roubo, o jovem roubado ficou com as mãos levantadas. A ação durou menos de 30 segundos.

Na imagem dá para ver que as duas motos não tinham placas de identificação. A companhia da Polícia Militar na região informou que não registrou chamado para o crime no endereço citado.

Entregadores fazem nova paralisação nacional

Os entregadores de aplicativos promovem hoje (25) a 2ª paralisação nacional da categoria. A primeira foi realizada no dia 1º de julho. Eles reivindicam melhores condições de trabalho, fim de bloqueios indevidos, maior remuneração e apoio para prevenção contra a contaminação durante a pandemia do novo coronavírus.

Os trabalhadores requerem das empresas elevação da taxa mínima e da taxa por quilômetro. Atualmente, eles recebem um valor fixo por corrida e um variável por distância percorrida. Eles argumentam que os dois valores são insuficientes para custear as despesas básicas.

Outro pleito é o fim dos bloqueios indevidos. Entregadores afirmam que são impedidos de continuar prestando o serviço sem explicações. Outra crítica é o fato de que os envolvidos nas paralisações são punidos com esta medida. “Defendemos o fim dos bloqueios. Os caras bloqueia mesmo, aí não quero correr o risco”, relatou um entregador.

O chamado “breque” traz entre suas pautas a adoção de medidas efetivas pelas empresas de proteção no cenário de pandemia. Enquanto algumas empresas forneceram equipamentos e insumos como álcool em gel, outras ainda não tomaram medidas. Eles pedem também um seguro saúde em caso de contaminação ou de acidentes.

Publicações nas redes sociais de grupos de entregadores registravam paralisações marcadas em pelo menos seis unidades da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Paraná.

Agência Brasil entrou em contato com as empresas de entrega e aguarda retorno.

Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil 

Entregadores fazem novo protesto em SP

Entregadores de aplicativos realizam hoje (14), na capital paulista, uma nova paralisação, para pleitear melhores condições de trabalho. A pauta de reivindicações é a mesma do movimento ocorrido em 1ª de julho, e inclui aumento do valor repassado pelas plataformas, por entrega realizada ou por quilômetro rodado, além do fim do sistema de pontuação que é atribuída a eles, depois que um serviço é concluído. 

(Djalma Vassão/Fotos Publica)

A categoria também pede que empresas como Ifood e Rappi ampliem a segurança dos trabalhadores, firmando contratos de seguros de vida, contra acidentes e contra roubo e furto das motocicletas. Outras demandas incluem medidas preventivas contra a covid-19, como fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI) e a disponibilização de endereços fixos para que possam esterilizar as motocicletas e os demais instrumentos de trabalho, evitando a infecção pelo novo coronavírus. Tais pontos já haviam sido recomendados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), em meados de março.

Um grupo de manifestantes está concentrado, desde as 9h, em frente à sede do Sindicato dos Mensageiros, Motociclistas, Ciclistas e Mototaxistas Intermunicipal do Estado de São Paulo (SindimotoSP), mais conhecido como Sindicato dos Motoboys. De lá, eles seguem até o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, localizado em Barra Funda, zona oeste da cidade. No local de destino final, a entidade representativa participará, às 16h, de uma audiência de conciliação com 13 empresas de aplicativos e o MPT, mediada pelo TRT.

Legislação vigente

De acordo com o SindimotoSP, há, ao menos, três leis em vigor que já respaldam a categoria: a Lei nº 12.009, que regulamenta as atividades de motofrete; a Lei nº 12.997, que classifica como perigosas as atividades de trabalhadores que utilizam motocicletas; e a Lei nº 12.436/2011, que proíbe empregadores de estimular competição entre motociclistas, com o objetivo de elevar a quantidade de entregas. Para o presidente interino do sindicato, Gerson Cunha, a mesa de negociação marcada para esta terça-feira deverá servir para que a legislação existente seja, de fato, cumprida.

“Já está judicializada a questão. Já temos ação civil pública julgada pelo tribunal. Agora, referente à paralisação de hoje, a todo o contexto, as empresas não mudaram nada, continuam agindo da mesma forma. Hoje a gente ainda espera que o tribunal ponha uma norma, crie uma regra pra esses aplicativos, pelo menos quanto ao valor da entrega ou do quilômetro rodado”, afirma. 

Ele explica que profissionais com carteira assinada, ou seja, que foram contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), assim como microempreendedores individuais (MEI), aderiram à paralisação, porque a perda de garantia de direitos se estende a todos, não ficando restrita aos motoboys que trabalham por aplicativo, algo próprio da chamada gig economy, ou economia freelancer. “Toda a categoria já estava mobilizada, porque a precarização vem prejudicando todos esses trabalhadores. No caso dos CLT, estamos com cinco dissídios parados, sem conseguir reajuste [salarial]”, diz.

Sobre denúncias feitas por trabalhadores que alegaram ter sido bloqueados dos aplicativos após aderirem à paralisação do início do mês, Gerson Cunha disse que a tendência é que as empresas de aplicativo abandonem essa prática, por ver que o movimento tem ganhado força. “É até uma estratégia deles de não bloquear os trabalhadores, porque sabem que, se bloquear, o sindicato vai estar apontando isso”, argumenta Cunha. 

Muito suor, pouca remuneração

Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) entrevistou 298 motoboys e verificou que mais de 57% têm jornada de trabalho superior a nove horas diárias. Apesar de o expediente já ser longo, aumentou ainda mais durante a crise sanitária de covid-19, para 62% deles. Além disso, a maioria (78,1%) descansa pouco ou quase nada, já que trabalha seis ou sete dias por semana. Apesar de batalhar bastante, 58,9% tiveram renda reduzida, com a pandemia.  

Resposta

O Ifood encaminhou nota à Agência Brasil em que informa que distribui EPIs aos entregadores inscritos na plataforma desde abril e, atualmente, toda a rota do aplicativo tem um ganho mínimo de R$ 5, mas que “a média é muito superior, ficando em cerca de R$ 9”. Sobre os seguros, a empresa informa que já oferece gratuitamente o seguro de vida e o de acidentes e que “os parceiros”(como a empresa se refere aos trabalhadores) podem contratar seguros com desconto, desde que seja com uma seguradora associada.

Sobre o bloqueio de trabalhadores do aplicativo, o Ifood esclarece que “tem regras de desativação claras e um processo de análise de revisões cuja palavra final é dada por pessoas, e não por robôs”, e que “não tem nenhum sistema de pontuação dos entregadores, nem usa estratégias de gamificação”. 

A Rappi informa que, desde o início da pandemia, também tem adotado protocolos de segurança para os entregadores parceiros e que mapeia os pontos onde há maior demanda pelos serviços, para ajudá-los a ter acesso a melhores oportunidades. Segundo a empresa, “o valor do frete varia de acordo com o clima, dia da semana, horário, zona da entrega, distância percorrida e complexidade do pedido” e “quase metade dos entregadores parceiros passa menos de 1 hora por dia conectada ao aplicativo”. 

“A Rappi também oferece, desde o ano passado, seguro contra acidente pessoal, invalidez permanente e morte acidental. Importante lembrar que não há necessidade de se inscrever ou se cadastrar no seguro, todos os entregadores parceiros que estiverem em pedido da Rappi estão automaticamente assegurados”, diz, acrescentando que “sob nenhuma hipótese os entregadores parceiros são bloqueados por exercer o seu direito de manifestar-se”.

Por Letycia Bond – Repórter da Agência Brasil 

Protesto de entregadores fechou avenidas de SP

Entregadores de aplicativos paralisaram as atividades nesta quarta-feira (1) para protestar por melhores condições de trabalho. O protesto faz parte da greve nacional dos entregadores de aplicativos de empresas como de empresas como Rappi, Loggi, Ifood, Uber Eats e James.  

Protesto na Avenida Paulista (Roberto Parizotti/Fotos Publicas)

Na capital paulista, os grupos se concentraram, pela manhã, nos pontos onde costumam esperar os pedidos. Eles também circularam pelas ruas e avenidas da cidade, buzinando e fazendo barulho com o ronco do motor das motos. Por volta das 14h, as motocicletas e as bicicletas fecharam a Avenida Paulista em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e saíram em marcha.

“A pandemia mostrou para todos como nosso trabalho de entregador é essencial. Se o Brasil não parou é porque ele tá andando sobre duas rodas”, diz o texto de um panfleto distribuído nos pontos de concentração para a mobilização, que acrscenta: “Mas corremos muitos riscos, estamos recebendo mal e somos desrespeitados todos os dias pelos aplicativos”.

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, os trabalhadores se concentraram na Igreja da Candelária, no centro da cidade, e percorreram algumas das principais vias da região no fim da manhã. O protesto passou pela sede do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro, que também fica no centro do Rio, e seguiu para bairros da zona sul da cidade. Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, não houve impacto no trânsito.

Outro ato aconteceu em Niterói, reunindo entregadores do município e da cidade de São Gonçalo. Os entregadores se concentraram na Praça Arariboia, também pela manhã, e seguiram por ruas do centro e zona sul de Niterói, incluindo o bairro de Icaraí.

Brasília

Em Brasília, a mobilização juntou cerca de 200 entregadores, segundo os organizadores. Os trabalhadores se concentraram no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e foram até o Congresso Nacional. Segundo Alessandro Sorriso, da Associação dos Motoristas de Aplicativo do DF, a paralisação teve boa adesão não só na capital mas no país todo. Ele informou que deve haver uma nova greve e que o tema está sendo objeto de votação entre os entregadores nos estados envolvidos na mobilização.

Reivindicações

A principal pauta do movimento é o aumento dos valores pagos pelos aplicativos por entrega. A categoria quer não só o aumento do valor mínimo do serviço como também um reajuste do pagamento por quilômetro rodado. “Com a pandemia e o desemprego, os aplicativos estão ganhando como nunca. Em vez deles repassarem o valor para a gente, que está na linha de frente, correndo risco de pegar covid-19, eles jogaram as taxas de entrega lá embaixo”, diz o panfleto do movimento Treta no Trampo.

Os trabalhadores querem ainda benefícios como seguro contra roubo e acidentes, além de auxílios específicos para o período de pandemia do novo coronavírus, como equipamentos de proteção e licença remunerada para quem ficar doente.

Riscos

Nos meses de quarentena em São Paulo, foi registrado um aumento das mortes de condutores de moto, segundo levantamento feito pelo sistema Infosiga do governo do estado de São Paulo. Em abril e maio de 2019, morreram na cidade de São Paulo 46 motociclistas. No mesmo bimestre deste ano houve um aumento de 24%, para 57 mortes. Na comparação dos dois períodos, houve uma queda de 12,3% no total de mortes em acidentes de trânsito em geral na capital paulista, que passaram de 138 em 2019 para 121 em 2020.

Trabalho e remuneração

A pesquisa Condições de trabalho de Entregadores Via Plataforma Digital Durante a Covid-19, publicada na revista Trabalho e Desenvolvimento Humano mostrou que também aumentou a carga de trabalho dos entregadores durante a pandemia. Antes da crise, 57% dos entregadores trabalhavam mais de nove horas por dia, percentual que chegou a 62% durante a pandemia. Os dados mostram ainda que 7,8% dizem que tem carga diária de 15 horas ou mais.

O aumento de trabalho, no entanto, não foi acompanhado por um acréscimo na remuneração dos entregadores. Segundo o estudo, 58,9% dos trabalhadores disseram que houve queda na renda durante a pandemia. A pesquisa mostra que 34,4% ganham menos do que R$ 260 por semana (aproximadamente, R$ 1.040 mensais) e apenas 26,7% conseguem receber mais de R$ 520 por semana (cerca de R$ 2.080 por mês).

Empresas

À Agência Brasil, o iFood afirmou que apoia a liberdade de expressão e negou que entregadores sejam “desativados por participar de movimentos”, acrescentando que isso ocorre quando há “descumprimento dos termos e condições para utilização da plataforma”. “Os principais casos de desativação acontecem quando a empresa recebe denúncias e tem evidências do descumprimento dos termos e condições que pode incluir, por exemplo, extravio de pedidos, fraudes de pagamento ou ainda cessão da conta para terceiros”.

A empresa acrescentou que o valor médio das rotas é R$ 8.46. “Esse valor é calculado usando fatores como a distância percorrida entre o restaurante e o cliente, uma taxa pela coleta do pedido no restaurante e uma taxa pela entrega ao cliente, além de variações referentes à cidade, ao dia da semana e veículo utilizado para a entrega. Todos os entregadores ficam sabendo do valor da rota antes de aceitar ou declinar a entrega”, disse no comunicado. Sobre seguros, a companhia declarou que oferece aos entregadores desde 2019 o Seguro de Acidente Pessoal.

A Agência Brasil entrou em contato também com as empresas Uber Eats e Rappi, mas não recebeu retorno. A agência ainda busca contato com a firma Loggi. Em sua conta no Instagram, o Ifood publicou que “está ao lado dos entregadores”, que investiu R$ 25 milhões em proteção e segurança. De acordo com a companhia, foram distribuídos 4.500 litros de álcool em gel por dia e 800 mil máscaras reutilizáveis. O post argumentou ainda que em maio cada trabalhador recebeu R$ 21,80 por hora.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

*Colaborou o Repórter da Agência Brasil no Rio de Janeiro, Vinícius Lisboa, e em Brasília, Jonas Valente

Sem quarentena: entregadores se arriscam nas ruas

Relatos apontam que a empresa Rappi ofereceu 50 ml de álcool em gel e Ifood, nada; necessidade econômica faz trabalhadores encararem risco da pandemia

Entregadores, como Jeferson, levam álcool próprio para se proteger | Foto: Paulo Eduardo Dias/Ponte 

Matheus Araújo, 18 anos, estava sentado ao lado da bicileta e de sua bolsa de entregas na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, na zona oeste da cidade de São Paulo. Negociava com uma cliente por áudios no WhatsApp a entrega da comida. Ela havia passado o endereço errado e oferecia R$ 10 adicionais para ele pedalar mais 4 quilômetros. “É 17h40, chego lá depois das 18h. Será que vale a pena?”, perguntou à reportagem.

Matheus é um dos tantos entregadores de aplicativos que continuam a trabalhar nas ruas em meio à pandemia de coronavírus Covid-19. A Ponte encontrou pelo menos 15 deles na região do Largo da Batata na tarde deste domingo (22/3). Quebram a recomendação do Ministério da Saúde de ficar em casa e reconhecem o risco, mas contam não ter outra opção. “Preciso trabalhar, não tem jeito. Preciso pagar a prestação do celular e juntar dinheiro para tirar a habilitação de motorista”, explica o jovem.

Mais preocupante do que sair de casa é fazer as entregas sem itens mínimos de proteção, como álcool em gel, máscara e luvas. Em apoio, Matheus relata que recebeu da Rappi, uma das empresas de entrega, dois tubos de 50 ml: um com álcool em gel e outro com sabão. Mas não ficaram com ele. “Ganhei ontem e dei para um outro amigo entregar. Eu tinha máscara e luva, ele, não”, conta. 

Hoje, trabalhou torcendo para não ser infectado. Entre 12h e 18h, entregou apenas seis pedidos. “Está muito fraco, não consegui nem R$ 30”, reclamou. Matheus trabalha em entregas para o Rappi e também Ifood, aplicativo que, segundo ele, não ofereceu nada aos entregadores.

Matheus havia conseguido R$ 30 em 6 horas de trabalho | Foto: Arthur Stabile/Ponte 

Outros trabalhadores reclamam que não conseguiram da Rappi nem mesmo os dois tubos que foram dados a Matheus. “Não deram nada. Está rodando uma imagem que fala que eles vão dar auxílio caixão se alguém morrer. Dá nem para saber se é verdade ou brincadeira”, afirma um entregador, parado ao lado de outro amigo, ambos sem entregas.



A dupla estava sentada em um banco de concreto em frente à estação Faria Lima do metrô. Cada um havia entregado apenas quatro pedidos durante todo o dia. “Normalmente dá para fazer R$ 80, R$ 110 no dia. Hoje não passou de R$ 20”, conta um deles, que mora no Jardim João XXIII, também na zona oeste, mas a 15 quilômetros dali. “Deu para bancar a passagem. Só”.

Trabalhador mostra os dois frascos que recebeu da Rappi: álcool em gel e sabão | Foto: Arthur Stabile/Ponte 

Segundo o entregador, eles só conseguem se proteger por iniciativa própria: ao chegarem nos restaurantes usam o álcool em gel disponível ali e pegam um pouco para colocar no frasco. O amigo mostrou um pequeno recipiente em que leva uma porção do produto. “Tem que pegar na cara larga, senão eles não oferecem. Chegou e já pego para não ter risco de negarem”, conta.

A situação também e similar na zona sul. João Vitor de Almeida, 21 anos, entregador da Rappi. revela não ter recebido nenhum auxílio da empresa, o que faz seu medo do coronavírus ser ainda maior. “Estou com medo, tenho pessoal idoso em casa. Eles que sofrem. Não é que não estamos sujeitos, mas para eles é pior”, revela.

Roberto Silva explica que conta com ajuda de restaurantes para se proteger | Foto: Arthur Stabile/Ponte

O rapaz explica o motivo de ir para a rua apesar do medo: as contas. “Tem que trabalhar, a dívida não espera. Independente do vírus, tem que pagar as contas. Vem o banco e toma a moto, toma tudo. Estou tocando mais entrega para fazer mercado hoje”, afirma. 

João Vitor durante uma pausa no trabalho | Foto: Paulo Eduardo Dias/Ponte

Jefferson Souza, 20 anos, também usa sua bicicleta para trabalhar. Quando volta para casa faz questão de tomar o máximo de cuidado. “Eu estou me preservando. Toda vez que faço uma entrega e quando vou ter contato com pessoas da minha família eu lavo as mãos. Se eu pudesse eu estava em casa”, admite.

Roberto Silva, 26 anos, trabalha há um ano e três meses na rua, já tendo representado a Rappi e Uber Eats. Ele aponta que não recebeu nada da Ifood, empresa para a qual faz entregas atualmente. “Eles mandam mensagem para a gente se conscientizar, passar álcool em gel, usar máscara”, conta. Questionado sobre se a Ifood disponibilizou estes itens, a resposta é negativa.

“Os restaurantes estão se sensibilizando muito. Disponibilizam álcool em gel na hora que entrega [a encomenda], dão local para lavar a mão, mas muitos ainda não estão com essa vontade”, explica.

Ponte questionou a Rappi e a Ifood sobre as afirmações dos entregadores e se as empresas ofereceram itens de higiene para quem faz as entregas. Nenhuma das duas respondeu até a publicação desta reportagem.

Por Arthur Stabile e Paulo Eduardo Dias – Repórteres da Ponte