EUA excluem Brasil de visita do chefe da diplomacia americana

Em mais um sinal de isolamento internacional, o Brasil ficou de fora do roteiro da primeira viagem do secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, à América do Sul. Em vez de visitar o maior país da região, o chefe da diplomacia americana viajará ao Equador e à Colômbia nos dias 19 a 21 de outubro, anunciou sua pasta nesta sexta-feira (15/10).

A agenda de Blinken vai incluir encontros com o presidente do Equador, Guillermo Lasso, e o presidente colombiano, Iván Duque. Na pauta dos encontros estarão temas como imigração, combate ao narcotráfico, direitos humanos, mudanças climáticas e assuntos comerciais, segundo o Departamento de Estado dos EUA.

Antes de viajar à América do Sul, Blinken já havia visitado o México e a Costa Rica.

A decisão de não incluir um país como o Brasil no roteiro parece evidenciar que a Casa Branca sob o presidente Joe Biden ainda procura manter distância do governo de Jair Bolsonaro, embora evitando o confronto direto.

Os dois nunca se encontraram, e Biden evitou ter qualquer contato com Bolsonaro durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no mês passado.

Bolsonaro foi o último chefe de Estado do G20 a reconhecer a vitória eleitoral de Biden nas eleições americanas, depois de até mesmo adversários dos EUA, como o russo Vladimir Putin. Além disso, o brasileiro, que é um fã declarado de Donald Trump, o antecessor de Biden, chegou a afirmar – sem provas – que o democrata só ganhou o pleito por causa de fraudes.

Os americanos até fizeram alguns gestos tímidos de aproximação, mas se depararam com o estilo errático do governo Bolsonaro.

Em agosto, o principal assessor de segurança do governo Biden, Jake Sullivan, esteve em Brasília e se reuniu com o presidente brasileiro. Mas, segundo o jornal O Globo, Bolsonaro deixou a comitiva americana atordoada ao reafirmar sua convicção de que o ex-presidente Trump foi vítima de uma fraude eleitoral. Além disso, os americanos teriam manifestado preocupação com as investidas de Bolsonaro contra as instituições democráticas.

Segundo a revista Veja, os americanos ainda encararam como provocação o fato de Bolsonaro fazer novas ameaças contra o Supremo Tribunal Federal um dia após o encontro.

Alertas de parlamentares americanos

No mesmo mês, membros do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano enviaram uma carta pública a Blinken alertando sobre a ameaça de Bolsonaro liderar um golpe de Estado.

“Pedimos que o senhor deixe claro que os Estados Unidos apoiam as instituições democráticas do Brasil e que um rompimento antidemocrático da atual ordem constitucional terá graves consequências”, afirmou o documento assinado pelo presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Bob Menendez, juntamente com os senadores Dick Durbin, Ben Cardin e Sherrod Brown.

Na quinta-feira, foi a vez de um grupo de 64 deputados democratas enviar uma carta a Biden pedindo que o status do Brasil de aliado extra-Otan seja retirado enquanto Bolsonaro estiver no poder. O status foi concedido pelo governo Trump em 2019, quando os EUA ainda mantinham uma relação próxima com o governo brasileiro, embora não tão próxima como Bolsonaro propagandeava.

“Bolsonaro apoiou as declarações falsas de [Donald] Trump sobre fraude na eleição e foi um dos últimos líderes globais a reconhecer sua vitória eleitoral, o que põe em dúvida a disposição dele de aceitar os resultados da eleição brasileira em 2022”, escreveram os 64 deputados.

Países europeus também mantêm distância

Os EUA não são o único país a manter distância de Bolsonaro. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Carlos França, não foi recebido pelo governo francês quando foi a Paris para uma reunião ministerial da OCDE, mesmo solicitando um encontro, segundo o jornalista Jamil Chade.

O governo alemão, por sua vez, evitou convidar Bolsonaro ao país europeu e chegou a cancelar projetos ambientais na nação sul-americana. A chanceler federal Angela Merkel não visitou o Brasil desde que Bolsonaro tomou posse.

Dois de seus ministros chegaram a ir a Brasília em 2019, incluindo o chefe da diplomacia alemã, Heiko Maas, mas os representantes alemães contrabalancearam a visita agendando encontros com membros da sociedade civil, ONGs e até mesmo um governador filiado ao PT.

Por Deutsche Welle
jps/ek (ots)

Na ONU, Biden diz que EUA não buscam “nova Guerra Fria” com a China

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (ONU/Reprodução)

Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Joe Biden afirmou nesta terça-feira (21/(09) que os Estados Unidos estão de volta à mesa de negociações internacionais, em franco contraste com a posição de seu antecessor, Donald Trump.

“O mundo precisa cooperar mais do que nunca para enfrentar os desafios globais”, declarou no primeiro dia da Assembleia-Geral, diante de “uma década decisiva para o nosso mundo”. Entre esses desafios o presidente americano listou as mudanças climáticas.

“Em abril, anunciei que os Estados Unidos dobrarão nosso financiamento público internacional para ajudar países em desenvolvimento no combate à crise climática. Hoje, estou orgulhoso em anunciar que trabalharemos com o Congresso para dobrar este número novamente, incluindo para esforços de adaptação, para tornar os Estados Unidos líderes no financiamento público sobre o clima”, disse Biden.

O presidente democrata também anunciou uma ajuda de US$ 100 bilhões para que os países em desenvolvimento combatam mudanças climáticas. Ele também disse que seu governo planeja um plano de ajuda de US$ 10 bilhões para a luta contra a fome.

Biden falou na ONU logo depois do presidente Jair Bolsonaro, que fez um discurso voltado para sua base no qual exaltou o ineficaz “tratamento precoce” contra a covid-19 e criticou a criação de passaportes sanitários.

O americano disse também que os EUA estão prontos para retomar, em 2022, um assento no Conselho de Direitos Humanos, de onde Trump retirou o país em 2018, sob a acusação de o órgão ser contrário a Israel.

Sobre o Afeganistão, ele afirmou que os Estados Unidos estão abrindo “uma nova era de uma diplomacia intransigente” depois do fim da guerra e que “a força militar dos EUA deve ser a última opção”.

Biden também usou o palco na ONU para defende a retirada dos militares americanos que estavam no Afeganistão desde 2001. “Terminamos 20 anos de conflito no Afeganistão, e estamos abrindo uma nova era de forte diplomacia, de uso do poder do desenvolvimento para investir em novas formas de ajudar os povos mundo afora”, discursou.

“Os EUA não são mais o mesmo país que foi atacado no 11 de Setembro, há 20 anos. Hoje, somos melhor equipados para detectar e prevenir ameaças terroristas e somos mais resilientes na nossa capacidade de combatê-las”, disse.

Ele ainda reiterou o comprometimento dos EUA a impedir que o Irã obtenha armas nucleares e ofereceu a opção de um retorno completo do país ao acordo nuclear se o Irã fizer o mesmo.

Em referência à China, declarou que “os Estados Unidos não querem uma nova Guerra Fria” e acrescentou que está pronto para cooperar com qualquer país que busque a paz. Segundo Biden, os EUA “estão prontos para trabalhar com todas as nações que se comprometam e procurem uma solução pacífica para partilhar os desafios, mesmo que existam intensos desacordos em outros domínios”.  

Por outro lado,  sem se referir diretamente à rival China, ele advertiu que “os Estados Unidos vão participar na competição, e participar com vigor”. “Com os nossos valores e a nossa força, vamos defender os nossos aliados e os nossos amigos e opor-nos às tentativas dos países mais fortes de dominarem os mais fracos”, sustentou, na perspectiva que tem repetido de combater “as autocracias” e “defender a democracia”.  

Os Estados Unidos ainda priorizam uma diplomacia séria e sustentável para a completa desnuclearização da Península Coreana, disse.

Por fim, Biden também defendeu a aplicação de vacinas e exaltou as doações de doses feitas pelos EUA e outras nações. “O luto compartilhado é um lembrete de que nosso futuro coletivo está associado à nossa capacidade de reconhecer nossa humanidade em comum e de agirmos juntos”, disse.

Por Deutsche Welle
jps/as (Lusa, EFE, AFP)

EUA admitem que mataram inocentes em ataque com drone, em Cabul

EUA emitem declaração com 60 nações sobre a situação no Afeganistão
EUA emitem declaração com 60 nações sobre a situação no Afeganistão
Inicialmente, EUA haviam dito que ataque matou terrorista que agiria durante retirada de civis de Cabul (Reprodução)

O Pentágono afirmou nesta sexta-feira (17/09) que um ataque de drone em Cabul, realizado em 29 de agosto, matou dez civis por engano, incluindo sete crianças, e não atingiu nenhum terrorista do grupo “Estado Islâmico”, como informado anteriormente.

Após o ataque, o Pentágono sustentou que o alvo era um carro-bomba que se preparava para realizar um atentado no aeroporto da capital afegã, onde os Estados Unidos realizavam os últimos esforços para retirar seus cidadãos, a poucas horas do fim do prazo previsto da ocupação do país.

O Departamento de Defesa dos EUA realizou uma revisão interna sobre o ataque, e concluiu que ele não atingiu o alvo pretendido.

“O ataque foi um erro trágico”, afirmou o general Frank McKenzie, diretor do Comando Central militar dos Estados Unidos, em uma entrevista coletiva.

“Estou agora convencido que dez civis, incluindo até sete crianças, foram tragicamente mortas no ataque. Além disso, agora avaliamos que é improvável que o veículo e aqueles que morreram eram vinculados ao EI-K, ou uma ameaça direta às forças americanas”, ele disse, referindo-se ao braço do “EI” no Afeganistão.

McKenzie pediu desculpas pelo erro e disse que o governo americano está considerando pagar indenizações aos familiares das vítimas.

À épica, uma reportagem do jornal americano The New York Times ouviu de uma família de Cabul que o ataque havia matado dez de seus membros, incluindo sete crianças, um funcionário de organização humanitária americana e um colaborador das Forças Armadas dos EUA. Mas o Pentágono mantinha a até poucos dias atrás a posição de que o ataque tinha sido justificado.

Entre as vítimas, um colaborador dos EUA

Segundo a reportagem do The New York Times, Zemari Ahmadi, que trabalhava para a ONG Nutrition and Education International, voltava de carro para casa depois do trabalho e de deixar alguns colegas em suas residências, na noite de domingo, de acordo com relatos de alguns de seus parentes e colegas ao jornal americano.

Ao chegar na ruela onde morava com três irmãos e suas famílias, diversas crianças viram o carro se aproximar e correram para saudá-lo. Quando o veículo entrava no pátio da casa, um míssil atingiu sua parte traseira, matando Ahmadi e algumas das crianças, além de ferir outras mortalmente no interior da casa.

A filha de Ahmadi Samia, de 21 anos, estava em casa quando o ataque ocorreu. Inicialmente ela pensou se tratar de um atentado do Talibã, até se dar conta de que os americanos estavam por trás do incidente.

Seu noivo, Ahmad Naser, ex-colaborador das tropas americanas no Afeganistão, está entre as vítimas. Ele viera da província de Herat na esperança de deixar o país num dos voos ocidentais.

Ahmadi era engenheiro técnico da representação da ONG com sede em Pasadena, Califórnia. Seus vizinhos e parentes, muitos dos quais trabalhavam nas agora extintas forças de segurança afegãs, asseguram que ele não tinha associação com nenhum grupo terrorista.

Por Deutsche Welle
bl (AP, ots)

EUA, Austrália e Reino Unido criam pacto para conter China

EUA anunciam doação de vacinas para Ásia, América Latina e África

O Pacto de Aukus reúne os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália para fazer frente às pretensões territoriais da China no Indo-Pacífico. O acordo, no âmbito da Segurança e Defesa, prevê que Camberra possa construir, pela primeira vez, submarinos com capacidade nuclear, mas também a estreita colaboração das três nações ao nível das capacidades cibernéticas, quânticas e de inteligência artificial.

Os analistas consideram o acordo como um dos mais significativos nas áreas de segurança e defesa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O pacto vai permitir à Austrália a construção de submarinos com propulsão nuclear, com o apoio dos aliados, Estados Unidos e Reino Unido.

“Estamos investindo na maior fonte de força: as nossas alianças. Estamos nos atualizando para enfrentar, da melhor forma, as ameaças de hoje e de amanhã. Estamos ligando os aliados e parceiros da América de novas formas”, afirmou o presidente norte-americano,Joe Biden, ladeado pelas imagens dos líderes britânico e canadense, em imagens transmitidas pelos canais de televisão.

Sobre os submarinos, os Estados Unidos e a Austrália garantiram que Camberra não irá recorrer a armas nucleares, ainda que tenham capacidade para as transportá-las.

“Permitam-me ser muito claro: a Austrália não quer obter armas nucleares ou alcançar uma capacidade nuclear civil”, disse Scott Morrison, o primeiro-ministro australiano.

O país é um dos signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que visa a impedir a aquisição e o desenvolvimento de armas nucleares.

Ainda assim, este é o primeiro acordo em várias décadas de partilha de informação e tecnologia com capacidade de propulsão nuclear. Antes dessa quarta-feira, a última vez que os Estados Unidos tinha firmado esse tipo de entendimento foi em 1958, com o Reino Unido.

Esses submarinos, que no âmbito do acordo passam a ficar estacionados na Austrália, são muito mais rápidos e difíceis de detectar do que os submarinos convencionais, o que confere maior influência norte-americana na região do Indo-Pacífico.

Camberra torna-se, dessa forma, o sétimo país do mundo a operar submarinos com capacidade nuclear, depois dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, China, Índia e Rússia.

Com esse entendimento, cai um acordo assinado pela Austrália em 2016, com a França, para a construção de 12 submarinos convencionais, no valor de 56 bilhões de euros.

Mentalidade de “Guerra Fria”

O pacto prevê uma cooperação ainda mais estreita, ao nível da segurança e defesa, entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, três países que já integravam o grupo Five Eyes, em que também estão o Canadá e a Nova Zelândia.

Além dos submarinos, o acordo Aukus prevê a estreita colaboração dos três países no conhecimento e capacidade cibernéticos, quânticos e de inteligência artificial, bem como de novas tecnologias submarinas.

Na conferência conjunta, nenhum dos três líderes fez referências diretas à China, tendo assumido apenas que os desafios de segurança regionais “aumentaram significativamente”.

No entanto, o acordo é visto como uma resposta dos Estados Unidos ao expansionismo de Pequim no Mar do Sul da China e das ameaças chinesas a Taiwan. Em entrevista, Joe Biden falou da importância de “um Indo-Pacífico livre e aberto”.

“Esta é uma oportunidade histórica para as três nações, aliadas e parceiras com ideais semelhantes, protegerem os valores partilhados e promoverem a segurança e a prosperidade na região”, diz a declaração conjunta.

A embaixada chinesa em Washington criticou o acordo trilateral e pediu às nações que “deixem a mentalidade de guerra fria e o preconceito ideológico”, afirmou o porta-voz Liu Pengyu.

Por RTP

“Vamos caçá-los e fazê-los pagar”, diz Biden após ataques

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (Rede Social/Reprodução)

O Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (26/08) caçar os responsáveis pelas duas explosões ocorridas no aeroporto de Cabul e disse que pediu ao Pentágono que desenvolva planos de ataque aos militantes islâmicos responsáveis pela ação.

“Não vamos perdoar, não vamos esquecer. Vamos caçá-los e fazê-los pagar”, afirmou Biden visivelmente abalado em pronunciamento na Casa Branca.

“Os terroristas não vão vencer”, acrescentou presidente americano. 

Mais cedo, o Pentágono confirmou que 12 soldados americanos morreram e 15 ficaram feridos. Os ataques também provocaram a morte de cerca de 60 civis afegãos e deixaram pelo menos 150 feridos, incluindo crianças.

Segundo o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os ataques foram cometidos por pelo menos dois homens-bomba do Estado Islâmico. Eles detonaram os explosivos perto da entrada Abbey do aeroporto da capital afegã e nas proximidades do Hotel Baron, na mesma região.

O ramo do grupo terrorista Estado Islâmico no Afeganistão, que é inimigo do Talibã, reivindicou a autoria dos atentados. A informação foi divulgada em comunicado pela agência de notícias da organização radical islâmica, “Amaq”, em seus canais de propaganda na internet.

O autodenominado Estado Islâmico de Khorasan afirmou que um de seus integrantes conseguiu cometer o ataque depois de passar despercebido pelos postos de segurança “das forças dos EUA e das milícias talibãs em torno da capital, Cabul”.

Biden confirma continuidade da operação 

Apesar do ataque, Biden afirmou que os EUA continuarão até 31 de agosto com sua missão de evacuação em Cabul e prometeu que, após a retirada das tropas, seu governo encontrará outros meios de tirar os cidadãos americanos e seus aliados do país asiático.

O chefe do Comando Central dos EUA, general Kenneth McKenzie, disse em entrevista que há atualmente 5 mil pessoas dentro do aeroporto à espera do embarque em algum dos aviões de evacuação. Outras dezenas de milhares se aglomeram do lado de fora dos portões, na esperança de fugirem do país em um dos voos.

Até agora, os Estados Unidos e os países aliados já retiraram mais de 100 mil pessoas do Afeganistão, entre cidadãos estrangeiros e afegãos que colaboraram com as tropas americanas nos últimos 20 anos, além de suas famílias.

EUA compartilham informações com o Talibã

Para seguir com a missão de evacuação, as Forças Armadas dos EUA estão compartilhando informações com o Talibã, para evitar que ocorram mais atentados como os desta quinta-feira.

“Eles [os talibãs] têm uma razão prática para nos quererem fora até 31 de agosto. Eles querem retomar o controle do aeroporto. Também queremos partir até essa data, se for possível. Portanto, compartilhamos um objetivo em comum”, justificou McKenzie.

Segundo o general, a colaboração está sendo “útil” e o Talibã tem evitado “alguns ataques” ao aeroporto.

De acordo com McKenzie, ainda existem “várias ameaças ativas” contra o local e o próximo atentado pode vir sob a forma de um ataque com foguetes ou um carro-bomba.

Por essa razão, as forças americanas pediram que o grupo rebelde feche algumas ruas perto do aeroporto, a fim de impedir a aproximação de veículos que poderiam transportar uma bomba.

Vítimas em estado crítico

Muitas das vítimas dos atentados da tarde desta quinta-feira faziam parte da multidão que tenta embarcar nos voos para fugir do domínio do Talibã, que assumiu o poder no país em meados de agosto. 

Grande parte dos feridos que recebem atendimento médico após o ataque estão em estado crítico, de modo que o número de mortos pode aumentar. O total de vítimas permanece incerto, com novos pacientes e corpos ainda sendo transferidos para hospitais em Cabul.

A ONG italiana Emergency, que tem um hospital em Cabul, informou via Twitter logo após o atentado que tinha recebido pelo menos 60 pessoas feridas.

“As pessoas que chegaram não conseguiam falar, muitos estavam aterrorizados, seus olhos totalmente perdidos no vazio, seu olhar em branco. Raramente vimos tal situação”, descreveu a ONG nas mídias sociais.

Na véspera, Estados Unidos e aliados haviam apelado para que cidadãos saíssem do aeroporto de Cabul devido a ameaças de ataque do “Estado Islâmico”.

Avisos quase idênticos foram emitidos por Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Austrália e Nova Zelândia sobre “ameaças de segurança”. 

Muitos países europeus, como a Alemanha, anunciaram nesta quinta-feira suas últimas operações de evacuação saindo de Cabul, devido à deterioração da segurança no aeroporto, com o medo de ataques iminentes como fator determinante.

Por Deutsche Welle
le (reuters, efe, afp, ap, ots)

Afeganistão: EUA já retiraram mais de 80 mil pessoas

Refugiados desembarcam após retirada feita pelos Estados Unidos
(Daryn Murphy/Força Aérea dos EUA/via Fotos Públicas)

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (25/08) que mais 19 mil pessoas deixaram o Afeganistão no dia anterior. Com isso, aumentou para 82.300 o número total de pessoas que Washington ajudou a retirar do país desde 15 de agosto, e para 87.900 o número de pessoas retiradas de solo afegão desde julho, entre cidadãos americanos e civis afegãos sob risco.

A imprensa americana está classificando a operação como a maior “ponte aérea” da história militar dos EUA. Os números ultrapassam a quantidade de pessoas retiradas de Saigon, no antigo Vietnã do Sul, nos últimos dias da guerra no sudoeste asiático em 1975.

Porém, ficam atrás da maior operação aérea de civis ja registrada, que foi executada pela Índia em 1990, quando mais de 170 mil cidadãos indianos foram retirados do Kuwait ao longo de dois meses durante a Guerra do Golfo.

Segundo o jornal New York Times, o governo do presidente Joe Biden tem procurado destacar a escala da operação numa tentativa de mudar o foco das críticas sobre a rápida retomada de Cabul pelos terroristas do Talibã, após 20 anos de presença americana.

No último domingo, como parte dessa tentativa de destacar algo positivo do fiasco militar, Biden chegou a mencionar a Ponte Aérea de Berlim, um sucesso militar americano (e britânico) da Guerra Fria, quando mais de 200 mil voos abasteceram o setor oeste da cidade alemã durante um bloqueio soviético que se estendeu por quase um ano.

Ainda nesta quarta-feira, os EUA afirmaram que darão prioridade à saída das suas tropas do Afeganistão nos “últimos dias” antes de 31 de agosto, mas asseguraram que continuarão a retirar os seus cidadãos e colaboradores afegãos até o fim, se necessário.

“Começaremos a priorizar a partida de equipamento e recursos militares, o que não significa que se houver pessoas necessitadas de sair do país não tentemos levá-las, mas reservaremos uma parte dessa capacidade nos últimos dias para dar prioridade à saída da presença militar”, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

Ele destacou que as vidas serão sempre mais importantes que qualquer tipo de equipamento militar na retirada do Afeganistão.

Os radicais islâmicos do Talibã rejeitaram um prolongamento da presença militar americana no país além de 31 de agosto, que consideram ser “uma linha vermelha”.

Os EUA já haviam anunciado que começaram a reduzir a sua presença militar, que havia sido reforçada neste mês diante do rápido avanço da ofensiva talibã no país.

O Pentágono confirmou na terça-feira à noite que “várias centenas” de soldados americanos já tinham deixado o Afeganistão, após cumprirem a sua missão no aeroporto de Cabul.

Kirby afirmou nesta quarta-feira que, em vez dos 5.800 dos últimos dias, os EUA têm, neste momento, 5.400 militares destacados no Afeganistão, com a missão concreta de proteger o aeroporto da capital.

Operação russa

Paralelamente, a Rússia lançou nesta quarta-feira uma ponte aérea para retirar do Afeganistão cerca de 500 cidadãos russos e de outros países vizinhos, informou o Ministério da Defesa russo em um comunicado.

As retiradas ocorreram com o apoio de quatro aviões militares, que transportaram russos e cidadãos de países membros da aliança militar Tratado de Segurança Coletiva, como Belarus, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

São as primeiras evacuações do Afeganistão organizadas pela Rússia, cujo governo destacou que oferecerá voos de repatriamento a todos os cidadãos russos que desejarem sair do país.

A retirada sinaliza uma mudança de abordagem. Quando os talibãs retomaram Cabul, há dez dias, a Rússia optou inicialmente por uma atitude mais paciente, avaliando que o grupo estavam enviando sinais positivos para o mundo sobre o respeito das liberdades.

No entanto, em poucos dias, o Talibã, que ficou conhecido nos anos 1990 pela sua extrema brutalidade, logo passou a ser acusado de usar seus antigos métodos. Um porta-voz do Kremlin admitiu que a situação de segurança na capital afegã tem se deteriorado.

Por Deutsche Welle
jps/ek (Lusa, AP, AFP)

Queda de balão mata cinco pessoas nos Estados Unidos

(KTLA5 TV/Reprodução)

Cinco pessoas morreram na queda de um balão de ar quente nos Estados Unidos. Foi na cidade de Albuquerque, no estado do Novo México.

O balão caiu de uma altura de cerca de 30 metros, depois de ter colidido com um dos maiores inimigos, as linhas de eletricidade.

As vítimas têm entre 40 e 60 anos de idade e eram todas ocupantes do balão.

O acidente deixou cerca de 13 mil casas sem energia elétrica.

Por RTP

Policial que matou George Floyd é sentenciado a 22,5 anos de prisão

Derek Chauvin gravado durante abordagem que matou Floyd (Reprodução)

A Justiça dos Estados Unidos sentenciou nesta sexta-feira (25/06) o ex-policial Derek Chauvin a 270 meses (22,5 anos) de prisão pela morte do afro-americano George Floyd, em 25 de maio de 2020.

Chauvin, de 45 anos, já havia sido considerado culpado em abril pelas três acusações que pesavam contra ele, faltando apenas a declaração da sentença, num julgamento considerado o mais importante envolvendo um caso de violência policial nos EUA nas últimas décadas.

A vítima de 46 anos morreu sufocada após Chauvin imobilizá-la no chão de uma rua na cidade de Mineápolis por nove minutos e meio, após a suspeita de Floyd ter passado uma nota falsa de 20 dólares. A morte desencadeou uma série de protestos em todo o país e se tornou um símbolo da luta contra o racismo após décadas de excessos cometidos pela polícia contra as minorias.

A sentença de 22 anos e meio ficou aquém dos 30 anos solicitados pelo promotor Matthew Frank, que afirmou que “torturado é a palavra certa” para definir o que o oficial fez contra Floyd. “Não foi um tiro momentâneo, um soco no rosto. Foram nove minutos e meio de crueldade contra um homem que estava indefeso e apenas implorando por sua vida”, disse Frank.

Antes de a pena ser proferida, Chauvin quebrou seu silêncio de mais de um ano no tribunal para oferecer condolências à família da vítima e lhe desejar “paz de espírito”.

Familiares de Floyd também se pronunciaram nesta sexta-feira durante a audiência. O irmão Philonise Floyd clamou ao juiz que impusesse pena máxima ao ex-policial. “Minha família já foi condenada à prisão perpétua”, disse ele. “Nunca seremos capazes de trazer George de volta.”

Outro irmão da vítima, Terrence Floyd, cobrou explicações de Chauvin sobre a morte do parente. “Por quê? O que você estava pensando? O que se passava pela sua cabeça quando colocou o joelho no pescoço do meu irmão?”, questionou.

George Floyd foi morto durante abordagem policial (Reprodução)

Em fala gravada em vídeo e exibida no tribunal, a filha de Floyd, Gianna Floyd, de 7 de anos, disse que gostaria de poder dizer a seu pai que “eu sinto sua falta e eu te amo”.

“Costumávamos jantar todas as noites antes de irmos para a cama. Meu pai sempre costumava me ajudar a escovar os dentes”, continuou a filha, dizendo que tem uma longa lista de coisas que gostaria de fazer com o pai. “Eu quero brincar com ele, me divertir, viajar de avião.”

Com bom comportamento, Chauvin pode receber liberdade condicional após servir dois terços de sua pena, ou cerca de 15 anos. Após a sentença, ele foi levado imediatamente de volta à prisão.

“Não consigo respirar”

Em audiência em 20 de abril, Chauvin, que havia se declarado inocente de todas as acusações, foi condenado pelos crimes de homicídio involuntário em segundo grau, homicídio em terceiro grau e homicídio doloso em segundo grau.

Durante o julgamento, os 12 jurados ouviram depoimentos de 45 testemunhas, incluindo pessoas que estavam no local quando Chauvin deteve Floyd, policiais, especialistas médicos, além de horas de evidências em vídeo.

Nas imagens registradas por testemunhas, Chauvin aparece forçando seu joelho sobre o pescoço de Floyd, algemado e deitado de bruços na rua, por nove minutos e meio.

“Não consigo respirar”, repetiu a vítima diversas vezes. A frase se tornou um símbolo de resistência contra a violência policial em todo o país. Ele havia sido detido sob a suspeita de tentar comprar cigarros em um mercado com uma nota falsa de 20 dólares.

Derek Chauvin, condenado pela morte de George Floyd (Fotos Públicas/Reprodução)

Durante o julgamento, a defesa alegou que Chauvin teria agido como “um oficial de polícia sensato”. Os advogados tentaram gerar dúvidas quanto às causas da morte, afirmando que as condições da vítima no momento da detenção teriam sido agravadas por problemas cardíacos ou até pela fumaça do escapamento da viatura policial, da qual ela estava próxima.

Mas um médico pneumologista afirmou no julgamento que Floyd morreu sufocado devido aos baixos níveis de oxigênio no sangue. O especialista rejeitou enfaticamente a teoria da defesa de que o uso de drogas e problemas de saúde da vítima teriam sido a causa da morte. 

“Uma pessoa saudável submetida ao que Floyd foi submetido teria morrido”, disse o médico, que era testemunha de acusação e analisou os registros do caso.

Ele disse ao júri que a respiração de Floyd foi severamente enfraquecida pela posição em que estava e com Chauvin e outros policiais de Mineápolis pressionando seu pescoço e costas.

Chauvin foi afastado da força policial junto com os outros três agentes envolvidos na ação que resultou na morte de Floyd. Os outros policiais envolvidos – Tou Thao, Thomas Lane e J. Alexander Kueng – também enfrentam acusações em conexão com a morte e serão julgados separadamente.

Por Deutsche Welle
ek (AFP, AP, Lusa)

Putin e Biden se encontram nesta quarta-feira

Há semanas, um assunto de política externa domina o noticiário na Rússia: a reunião em Genebra entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o dos Estados Unidos, Joe Biden, nesta quarta-feira (16/06). Mesmo os pequenos detalhes, como o local da reunião, uma mansão do século 18, são noticiados como se se tratasse de uma recepção quase real.

Oficialmente, o Kremlin mantém as expectativas baixas para o encontro. Diz que não se deve esperar nenhum avanço na relação bilateral.

Putin afirmou que o fato de ele estar se reunindo com Biden “por si só não é ruim”. “Eu espero um resultado positivo”, disse o presidente russo. Do ponto de vista dele, isso seria, por exemplo, um acordo sobre os próximos passos para “normalizar as relações russo-americanas”.

Em entrevista ao canal americano NBC, Putin atestou que essas consultas estão no “nível mais baixo em anos”. O ponto de vista russo é que a culpa é da política interna dos EUA.

Anseio por conversas francas

“Há um senso de positividade muito forte” na Rússia, diz Tatiana Stanovaya, especialista do Centro Carnegie de Moscou.

O influente chefe de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patrushev, por exemplo, expressou um otimismo incomum após conversas com seu homólogo americano, Jake Sullivan. Os dois haviam se reunido em Genebra em maio para se preparar para a cúpula presidencial.

Em alguns pontos foi possível um acordo com os Estados Unidos, Patrushev disse depois ao jornal governamental Rossiyskaya Gazeta. “Os russos não esperavam que os EUA estivessem tão abertos à visão da Rússia”, comentou a especialista Stanovaya.

Desde o colapso da União Soviética, os principais políticos russos expressaram repetidamente o desejo de falar novamente com Washington em condições de igualdade. A Rússia, diz Stanovaya, pode ser economicamente mais fraca que os Estados Unidos, mas como é comparativamente forte em armas nucleares, “nada mais importa”.

“A Rússia precisa urgentemente ser aceita como uma grande potência”, comenta Hans-Henning Schröder, ex-especialista em Rússia no instituto alemão SWP. A atenção midiática que antecede a cúpula, diz ele, sugere que Putin tem um interesse maior nisso do que Biden. Especialistas russos, no entanto, ressaltam que foi o presidente dos EUA que tomou a iniciativa de convocar a reunião.

A cúpula assimétrica de Genebra

A relação tensa entre Moscou e Washington desde a anexação da Crimea sofreu vários contratempos. Biden chamou Putin de “assassino” em uma entrevista em março, e Moscou retirou seu embaixador de Washington.

O líder do Kremlin propôs um debate público ao vivo, mas o presidente dos EUA recusou. Em vez disso, Biden, em seguida, impôs novas sanções à Rússia, inclusive por tentativa de interferência nas eleições presidenciais de 2020, o que Moscou nega.

Diplomatas russos foram expulsos dos EUA. Moscou respondeu expulsando diplomatas americanos e disse ao embaixador dos EUA que ele deveria retornar para casa. Desde então, as embaixadas de ambos os países estão sem conexão. Ao mesmo tempo, houve uma enorme acumulação de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Neste contexto, Biden ligou para Putin em abril e propôs uma cúpula.

Muitos observadores insinuam que o líder do Kremlin acabou forçando Biden a convocar a reunião com a ameaça de escalada no leste da Ucrânia. Andrei Kortunov, diretor do instituto russo de política externa RSMD, não compartilha dessa tese. Ele não descarta, porém, a possibilidade de que a “minicrise sobre a Ucrânia” possa ter “motivado adicionalmente” o presidente dos EUA a se encontrar com Putin.

“Tais cúpulas colocam nossos países em pé de igualdade. Isso é importante para o status e a posição da Rússia na política mundial”, diz Kortunov.

Tatiana Stanovaya também fala de uma “atitude assimétrica”: “Para a Rússia esta cúpula é tudo, enquanto para Biden é apenas um passo no caminho para resolver o ‘problema da China'”, diz a especialista. Para Washington, afirma ela, as futuras negociações com a China são um assunto mais prioritário.

Russos buscam “estabilidade estratégica”

Essa discrepância também se reflete nos preparativos para a cúpula. Um diplomata russo de alto nível lamentou que Washington não estivesse preparado para fazer um balanço completo das relações bilaterais em Genebra. Moscou tem buscado amplas discussões sobre questões-chave com Washington desde a época soviética, diz Andrei Kortunov. Os EUA, por outro lado, são conhecidos por preferirem lidar primeiro com tarefas menores e pragmáticas.

Putin e Biden não devem sentir falta de tópicos para discussão em Genebra. Do ponto de vista de Moscou, “estabilidade estratégica” seria o tema mais importante, diz Kortunov. Hans-Henning Schröder tem uma visão semelhante: “Eles querem um acordo sobre armas nucleares estratégicas.”

Depois que os EUA se retiraram de vários acordos com a Rússia, Biden interrompeu essa tendência quando estendeu o acordo de redução de armamento nuclear “New Start” em janeiro. Moscou quer construir uma conversa a partir disso em Genebra. Não apenas armas nucleares tradicionais estarão em pauta, mas também espaço, ciberataques e uso de drones, diz Andrei Kortunov. O fim do confronto diplomático também deve estar no topo da lista de desejos da Rússia.

Em questões relacionadas à Ucrânia ou aos direitos humanos na Rússia, especialistas veem poucas chances de aproximação. Moscou só está preparado para aceitar as críticas de Biden como uma espécie de “programa obrigatório”, diz Tatiana Stanovaya.

As esperanças russas de um novo começo com os EUA são, portanto, frágeis. A especialista advertiu que o fracasso das conversações em Genebra poderia levar Moscou a “comportar-se ainda mais agressivamente e sem consideração pelo Ocidente”, inclusive a nível interno.

Do ponto de vista da Rússia, um objetivo já foi alcançado antes da cúpula: a reunião será realizada. Mas não haverá uma encenação para a imprensa, o que Putin queria. Biden recusou uma coletiva de imprensa conjunta em Genebra.

Por Roman Goncharenko, da Deutsche Welle

No G7, Biden corteja europeus a fazer contraponto à China

(Casa Branca/Reprodução)

O G7 e a União Europeia tentaram, durante a reunião de cúpula do fim de semana na Inglaterra, aparentar harmonia. A impressão geral é que de que os diplomatas parecem satisfeitos que o novo presidente americano, Joe Biden, esteja tornando a cooperação transatlântica novamente possível.

Enquanto chefes de Estado e de governo se reuniam em pequenos grupos ou passeavam pela praia de Carbis Bay, os EUA faziam o seu melhor para persuadir os países do G7 a adotar uma linha mais dura em relação à China, como disse um diplomata alemão envolvido nas negociações. Segundo ele, Biden classificou, em encontros privados, os esforços da China para se tornar a economia mais forte do mundo como o maior desafio deste século.

Segundo Anthony Gardner, ex-embaixador dos EUA na UE, Biden precisou se firmar na cúpula do G7 para manter sob controle os críticos e apoiadores de seu antecessor Donald Trump. Os europeus, afirmou o diplomata, fariam bem em seguir Biden se quiserem impedir o retorno de Trump à presidência.

Os representantes alemães na cúpula do G7 deram a impressão de que, em grande parte, concordaram sobre seguir uma linha mais firme frente a Pequim. Eles disseram que as violações dos direitos humanos em relação à minoria uigur, por exemplo, o movimento pró-democracia em Hong Kong e dissidentes, precisam ser abordados e condenados.

Entretanto, a postura conjunta da UE em Carbis Bay é de que a China não é apenas um rival sistêmico e econômico, mas um parceiro necessário em muitas áreas. A chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse que não poderia haver progresso real em relação à crise climática sem Pequim.  Afinal, a China é o maior emissor de gases nocivos. Ela pretende ser neutra em carbono apenas até 2060, enquanto a UE estabeleceu 2050 como meta.

Violação dos direitos humanos em pauta


Um diplomata americano disse que Biden criticou especificamente o trabalho forçado na China, particularmente em relação à minoria ugur –  “muito fortemente”, segundo a fonte. Ele concordou que muitos europeus também haviam condenado o trabalho forçado, mas que não houve acordo quanto à forma de responder a isso. Um diplomata da UE disse que as sanções deveriam ter um efeito e não apenas ser simbólicas.

Os EUA estão mais preocupados que a UE com as provocações e ameaças militares chinesas no Mar do Sul da China, que estarão na agenda da cúpula da Otan nesta segunda-feira.

Tanto os EUA quanto a UE impuseram sanções à China por causa das violações dos direitos humanos. Entretanto, antes disso, a UE assinou um acordo comercial com Pequim, sob críticas de Washington.

O Acordo Global sobre Investimento (CAI), que ainda não foi ratificado, está atualmente congelado. O Parlamento Europeu se recusa a debatê-lo enquanto Pequim mantiver suas sanções contra legisladores europeus.

Parceria de infraestrutura

O que é novo é que as democracias mais ricas do G7 concordaram em estabelecer uma parceria global de infraestrutura. Biden chegou à Inglaterra com a firme intenção de liderar o Ocidente com seu plano de investimento “Reconstruir melhor”. O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que prevê um novo vínculo transatlântico entre a América do Norte e a Europa, elogiou a ideia.

Até agora, não está claro como isso realmente funcionará. O que está claro é que será uma espécie de alternativa à iniciativa “Nova Rota da Seda”, disseram os diplomatas em Carbis Bay. Desde 2013, a China estabeleceu parcerias econômicas com dezenas de países mais pobres na África, Ásia, América Latina e Europa. Foram mais de 3,4 trilhões de dólares investidos nessa parceria.

Os parceiros foram atraídos com empréstimos baratos e enormes investimentos em infraestrutura, como estradas, ferrovias e portos. Pequim espera construir sua influência política no mundo através da cooperação.

Críticos do projeto dizem que Pequim não leva em consideração boa governança, corrupção e direitos humanos ao alocar fundos. 

A alternativa ocidental ao avanço chinês

O plano de infraestrutura alternativa do G7 deve mobilizar bilhões. Embora ainda não tenha sido esclarecido de onde virá o dinheiro, a Casa Branca indicou que capital privado poderia ser investido em um fundo. Um diplomata europeu de alto nível disse que a ideia também é coordenar e promover melhor os projetos de investimento já existentes.

“Não é como se os Estados do G7 não fossem já um grande investidor no mundo”, disse um diplomata. Mas, segundo ele, esta nova iniciativa não será apenas para investir em ferrovias, pontes e estradas, mas também para estabelecer fábricas onde, por exemplo, vacinas podem ser produzidas. Nenhuma decisão foi tomada com relação a quem irá administrar a iniciativa e de onde. “Muitos detalhes ainda não foram discutidos”, disse um diplomata da UE familiarizado com o assunto.

Ceticismo alemão

Do ponto de vista de Washington, a Alemanha é vista especialmente como um obstáculo, disse o eurodeputado alemão Reinhard Bütikofer. “O governo de Merkel é um dos obstáculos mais difíceis para o desenvolvimento das relações transatlânticas. No gabinete da chanceler, há muito ceticismo”, comentou.

Ele explicou que a chanceler alemã é cético em relação à posição dura de Biden sobre Pequim por causa dos fortes interesses econômicos da Alemanha no mercado chinês.

Merkel e Biden terão em breve uma chance de discutir estas questões, quando a chanceler alemã se tornar a primeira líder europeia de a visitar o novo presidente americano em Washington, no próximo mês.

Por Bernd Riegert, da Deutsche Welle