Gaeco consegue bloqueio de R$ 4 bilhões do crime organizado

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo conseguiu o bloqueio de R$ 4 bilhões de esquemas de fraude fiscal neste ano. Segundo balanço divulgado pelo grupo, o sequestro de recursos foi um dos resultados das 47 operações realizadas nos primeiros quatro meses de 2021.

Entre os destaques está a Operação Monte Cristo, que teve as investigações iniciadas em 2017. Com diversos desdobramentos, o trabalho, que envolve também a Receita Federal e a Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, identificou fraudes fiscais em um montante que chega a R$ 10 bilhões feitas por redes de farmácias.

As ações do Gaeco atingiram também outras modalidades criminosas, como a adulteração de combustível e o tráfico de drogas.

No primeiro quadrimestre, foram apreendidas 38 armas e 533 munições. Foram também apreendidos mais de R$ 10 milhões em dinheiro. As ações dos promotores levaram ainda à apreensão de 14,6 toneladas de maconha e 1,4 tonelada de cocaína.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

ICMS: Gaeco investiga fraude com empresas de fachada

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpre, na manhã de hoje (1), sete mandados de busca na cidade de Rio Claro, interior de São Paulo. O Ministério Público, com apoio da Secretaria de Estado da Fazenda, investiga uma organização criminosa suspeita de fraudar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Os suspeitos, incluindo contadores, usariam empresas de fachada para simular operações comerciais para utilizar créditos irregulares do ICMS por empresas que se beneficiaram do esquema.

“Trata-se de uma fraude de alta lesividade ao erário, envolvendo dezenas de empresas de fachada e operações simuladas de centenas de milhões de reais”, aponta informe da Autoridade Fiscal Tributária.

Os promotores e os fiscais identificaram, até agora, 44 empresas de fachada, as chamadas “noteiras”, que operavam para gerar créditos frios de ICMS. Segundo o MP-SP, o grupo suspeito emitiu R$ 232,2 milhões em notas frias, com destaque de cerca de R$ 37,5 milhões de ICMS, potencialmente aproveitados pelos destinatários, que se beneficiaram destes créditos indevidos.

Advogados de integrantes do PCC são presos pelo Gaeco

(MPSP/Reprodução)

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), deflagrou hoje (18) operação para desarticular a célula jurídica da organização criminosa que atua no estado, a chamada Primeiro Comando da Capital (PCC). A Operação Fast Track, com o apoio da Polícia Militar, cumpre 13 mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão.

A ação foi deflagrada para interromper a comunicação entre integrantes da organização que estavam presos com os que estão em liberdade, feita por intermédio de advogados pagos com recursos obtidos por meio do tráfico de drogas. 

O principal alvo da operação foi B.F.LF., conhecido como Armani, que, depois da transferência da cúpula da organização para presídios diferentes, visando impedir que eles continuassem a transmitir ordens de dentro dos presídios, foi nomeado o comandante nacional da Célula Setor do Universo.

“Armani contratou advogados com atuação em diversas regiões do território nacional, com a finalidade de permitir que os chefes do PCC, presos, continuassem a se comunicar com integrantes da facção em liberdade. Por meio de atendimentos presenciais, os advogados contratados levavam informações aos líderes e recebiam ordens que deveriam ser transmitidas a outros criminosos”, explicou o MPSP.

Tratamentos médicos milionários 

Acrescentou que outra função de Armani na gestão do chamado Setor do Universo era custear tratamentos médicos milionários para os membros de cúpula do PCC. Diante de um problema oftalmológico apresentado por um dos líderes da organização, Armani autorizou pagamentos no valor de R$ 72 mil. O Setor do Universo providenciava também estadia e casas de apoio para familiares de presos nas penitenciárias federais. 

Ainda segundo o MPSP, os advogados também intermediavam o pagamento de propinas a policiais, transmitiam cobranças de dívidas e até ameaças de morte a mando da organização. 

“Não raro, os próprios advogados se envolviam em disputas que eram solucionadas pelo sistema de disciplina da facção, mediante o exercício de poderes de decisão por Armani, indicando inserção na estrutura hierárquico-piramidal do PCC”, disse o MPSP.

O Gaeco identificou, ainda, uma célula da facção denominada Setor CDHU ou Setor dos APs. Por meio desse núcleo, o PCC assumiu a posse e a propriedade de dezenas de imóveis vinculados à Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e à Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab). Os imóveis eram destinados a familiares de presos ou egressos filiados à organização, estimulando novos recrutamentos para garantir o vínculo entre o integrante da facção e o PCC.

Recrutamento

Destinados exclusivamente a familiares de presos ou egressos que sejam filiados à organização criminosa, os apartamentos estimulam novos recrutamentos e garantem a perpetuação do vínculo entre o integrante da facção e o Primeiro Comando da Capital.

Os responsáveis por gerir os apartamentos procuravam novas unidades que estivessem vazias e as ocupavam. Em seguida, associavam o imóvel a uma outra pessoa, que atuava como laranja.  Síndicos de unidades do CDHU auxiliavam na localização e aquisição desses apartamentos.

“Em diálogos interceptados, foram captadas diretrizes específicas para que se impedisse a ocupação de apartamentos por “famílias necessitadas”, especialmente com crianças. No diagnóstico da facção, “se família entrar com criança, não sai mais”, motivo pelo qual as investidas dos integrantes da célula deveriam ser sempre rápidas”, disse o MPSP.

Equipes do Ministério Público de São Paulo estiveram em Rondônia. Houve, também, cumprimento de mandados em Brasília (DF), Mossoró (RN) e diversos municípios paulistas. As investigações foram realizadas com apoio do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN).

Por Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil 

Operação mira chefes do PCC

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco), com apoio da Polícia Militar e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Choque (Rota), deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14/9), a Operação Sharks para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra lideranças da maior facção criminosa que age nos presídios e nas ruas do país. As investigações, conduzidas por uma força-tarefa composta por oito promotores de Justiça e agentes de investigação do Gaeco e com apoio da PM, foram iniciadas no primeiro semestre de 2019, a partir do cruzamento de múltiplos dados, mirando integrantes dos principais escalões da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).  

As provas colhidas revelaram que a cúpula da facção comanda sistemática que movimenta mais de R$ 100 milhões anualmente, quantia decorrente, primordialmente, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores de seus integrantes, tudo com rigoroso controle em planilhas.  As investigações revelaram a cadeia logística do tráfico de drogas da facção, bem como a sucessão entre suas principais lideranças à frente da fonte de maior renda da organização criminosa, indicando, ao final, a participação de 21 pessoas, algumas presas durante a apuração.

*Com informações do MP-SP

Fiscal de prefeitura é condenado a 11 anos de prisão

O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), obteve a condenação definitiva de Erasmo José da Silva, funcionário público municipal que exercia a função de “fiscal de Posturas Municipais” desde 1995 e estava lotado na Secretaria Municipal de Planejamento da cidade de Bauru. Erasmo foi acusado e, posteriormente, condenado a uma pena de onze anos e oito meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado, por ter falsificado sete sete autos de conclusão de obra (“Habite-se”), prevalecendo-se do cargo público que ocupava.

Após recurso de apelação interposto pela defesa, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a sentença condenatória proferida pelo juiz da 4ª Vara Criminal da Comarca de Bauru, Fábio Correia Bonini. O trânsito em julgado foi certificado no último dia 2 de julho. Além disso, foi confirmada a perda do cargo público do réu. Já em 3 de julho, foi dado cumprimento ao mandado de prisão expedido, dando-se início à execução da pena. 

Na época em que foram cumpridos mandados de busca domiciliar, foram localizadas pelo Gaeco outras provas que permitiram a apresentação de nova denúncia contra Erasmo, por ter falsificado outros 17 autos de conclusão de obra, também fazendo uso do cargo público que ocupava. Neste mesmo procedimento, seu irmão, Nivaldo José da Silva, é acusado de agir em coautoria com Erasmo na prática de, ao menos, oito falsificações. Esta ação aguarda julgamento em primeira instância e tramita perante a 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru.

Além disso, Erasmo é processado também pela prática de atos de improbidade administrativa, em razão das falsificações que praticou, sendo que, em primeira instância, já foi condenado às penas de perda da função pública, suspensão dos direitos políticos pelo prazo de três anos e pagamento de multa civil no valor de 30 vezes a quantia da última remuneração recebida no cargo público. O processo aguarda julgamento de recurso interposto pela defesa perante o Tribunal de Justiça de São Paulo.

*Conteúdo do MPSP

Documentos mostram racha no PCC e sintonia final geral afastado

Por Josmar Jozino

Andrezinho da Baixada e Daniel Vinícius Canônico, o Cego ou Judeu: um decretado e o outro afastado da cúpula da facção por causa das mortes de Gegê do Mangue e Paca (Reprodução)

Os assassinatos de Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e de Fabiano Alves de Souza, o Paca, em fevereiro de 2018, em Fortaleza, no Ceará, causaram uma “baixa” na alta cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo documentos obtidos com exclusividade pela Ponte.

O preso Daniel Vinícius Canônico, também conhecido como Cego ou Judeu, foi ameaçado de morte e afastado da sintonia final geral da maior facção criminosa do país.

Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado) do MPE (Ministério Público Estadual), de Presidente Prudente, Cego foi afastado porque defendeu as mortes dos assassinos de Gegê do Mangue e de Paca.

 A princípio, a ordem do PCC era realmente para matar os autores do duplo homicídio. Posteriormente, porém, eles foram perdoados por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da organização.

Gakiya explicou que Cego foi contra o perdão e, por isso, acabou afastado da sintonia final geral. Além disso – acrescenta o promotor – o PCC ameaçava matar Cego durante resgate de presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, cujo plano foi descoberto e frustrado pela Polícia.

A Polícia Civil do Ceará apurou que Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, planejou e participou das execuções de Gegê e de Paca, e agiu a mando de Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito de Marcola e foragido da Justiça desde 1999.

Cabelo Duro não teve tempo de ser beneficiado com o perdão do PCC. Ele foi morto no Tatuapé, zona leste de São Paulo, com tiros de fuzil uma semana após as mortes de Gegê e de Paca.

Já André Luís da Costa Lopes, o Andrezinho da Baixada, também acusado de envolvimento no duplo homicídio no Ceará, teve mais sorte do que o amigo Cabelo Duro.

Mas o medo de ser executado, e com requintes de crueldade, continua atormentando Andrezinho da Baixada e a família dele, apesar do perdão do PCC.

No dia 13 de março deste ano, quatro homens portando armamentos de grosso calibre, invadiram a casa da mãe dele, no Guarujá, Litoral Sul de São Paulo.

Ela estava sozinha na residência. Os criminosos ficaram 20 minutos no imóvel e reviraram tudo. Eles disseram que retornariam e que iriam matar André. A mãe dele prestou queixa à polícia.

André alega que também chegou a receber ameaças, inclusive por mensagens em seu telefone celular. Uma delas dizia que ele “deu sorte”, mas que “iria ser encontrado, seria cobrado e viraria picadinho”. Os prints, obtidos com exclusividade pela Ponte, mostram que André recebeu mensagens de texto e de áudio.

Um ano atrás, em 25 de outubro de 2018, André, mesmo com a prisão decretada pela Justiça do Ceará,  foi ao 2º DP do Guarujá, onde disse não ter tido envolvimento nas mortes de Gegê e de Paca. Ele não ficou detido porque era véspera de eleição e só poderia ser preso em flagrante. 

No dia seguinte André foi a um cartório na mesma cidade e fez uma declaração para provar que estava vivo e para prometer que vai colaborar com a polícia.

Declaração de vida de Andrezinho registrada em cartório

Os advogados dele entraram com vários recursos de habeas corpus na Justiça, pedindo a revogação da prisão preventiva dele.

 A defesa de André sustenta que ele não está foragido, mas escondido por medo de ser morto e chega até a propor que ele use tornozeleira eletrônica, pois, se for preso, com certeza será morto na cadeia.

André e os parceiros Erick Machado dos Santos, o Neguinho Rick da Baixada, e Tiago Lourenço de Sá de Lima, o Tiririca, também envolvidos nas mortes de Gegê e Paca, continuam foragidos. 

Os três foram dados como mortos. Todos eles, entretanto, são representados por advogados particulares em audiências na Justiça do Ceará, no processo que apura as mortes de Rogério Jeremias de Simone e de Fabiano Alves de Souza.

Segundo a Polícia Civil do Ceará, Gegê e Paca foram mortos porque desviaram dinheiro do PCC e levavam uma vida de luxo em Fortaleza, com aquisição de imóveis milionários (veja aqui a relação de alguns desses imóveis e respectivos valores) e veículos importados caríssimos.

Duas das casas que constam na denúncia da Polícia Civil do Ceará (Reprodução)
Imóvel de Gegê do Mangue (Reprodução)

Ambos foram acusados de gastar R$ 500 mil apenas com passeios de buggy. Além disso, segundo a Polícia Civil cearense, eles estariam traficando drogas não para o PCC, mas para lucro pessoal. Cabelo Duro tinha essas provas em computadores e notebooks.

Cego, por sua vez, não chegou a ser expulso do PCC. Recolhido em um presídio federal, ele continua nos quadros da facção, mas, segundo Lincoln Gakiya, não faz mais parte da sintonia final geral.   

*Reportagem publicada originalmente neste link: https://ponte.org/documentos-mostram-racha-no-pcc-e-afastamento-de-um-dos-lideres-da-cupula/

Veja qual o segundo estado mais importante para o PCC

Por Josmar Jozino, da @PonteJornalismo

Jaqueline Michelle Spessato, a “Loira”, e Edson Chaves de Brito, apontado como uma das principais lideranças do PCC no MS (Instagram/Gaeco)


O Mato Grosso do Sul é o segundo estado da Federação na qual o PCC (Primeiro Comando da Capital) –  maior facção criminosa do País – está mais estruturado, só perdendo para São Paulo.

Investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público do Mato Grosso do Sul mostram com detalhes o sofisticado e preocupante nível de organização do PCC no estado.

O Gaeco identificou 48 líderes da facção criminosa atuando em diversas células nas ruas e nas prisões sul-mato-grossenses, todos usando o telefone celular para coordenar atividades ilícitas. As estimativas, no entanto, apontam pelo menos 6 mil filiados e simpatizantes do PCC local.

A operação foi batizada de Yin Yang, princípio da filosofia chinesa e símbolo da facção criminosa. Os dois documentos do MP que embasam as denúncias podem ser lidos na íntegra aqui: documento 1 e documento 2.

A estrutura do PCC/MS é semelhante a de São Paulo. Enquanto no território paulista a cúpula da organização é denominada de Sintonia Final Geral, no Mato Grosso do Sul ela é chamada de “Resumo”.

Os integrantes do “Resumo” integram o alto escalão do grupo e são responsáveis por supervisionar todos os rumos de atuação da facção criminosa.

Esse núcleo é subdividido em outras células, como o “Resumo Disciplinar”, que controla a disciplina de seus associados.

O “Resumo Financeiro” cuida das finanças e contabilidade. O “Resumo do Progresso” coordena as atividades criminosas, especialmente o tráfico de drogas.

O “Resumo da Rifa” auxilia as atividades financeiras, como a arrecadação de dinheiro proveniente das vendas de rifas nas ruas e prisões, com sorteios de carros e apartamentos para os ganhadores.

O “Resumo do Cadastro” controla os dados dos integrantes da facção, como informações sobre data de batismo para entrar no grupo; quem foram os padrinhos; prisões onde cumpriram pena: se estão presos ou soltos, etc…

Abaixo do “Resumo” vem a “Geral do Estado”, célula responsável pela coordenação das atividades da organização em âmbito estadual e centralização dos assuntos envolvendo o PCC/MS.

Esse núcleo também tem algumas subdivisões, como “Geral do Progresso”, que cuida do “Setor do Óleo” (pasta base de cocaína e crack); “Setor do Bob” (maconha) e “Setor da Pura” (cocaína).

O quadro “Geral da Rua” cuida do planejamento dos grandes roubos, sequestros e também da execução de rivais da organização, principalmente os integrantes do CV (Comando Vermelho), maior inimigo do PCC.

O núcleo “Geral das Ferramentas” tem como atribuição a aquisição e guarda do armamento do PCC no Mato Grosso do Sul. Já a “Geral do Sistema” exerce a liderança nas penitenciárias e cadeias públicas do estado.

São subordinadas à “Geral do Estado” as células “Geral Regional”, “Geral da Capital”, “Geral do Interior” e “Geral das Comarcas”.

Cada uma delas tem o setor da “Disciplina da Rua”, que controla os integrantes do grupo em liberdade, para que cumpram com fidelidade os “deveres” perante a facção.

As investigações do Gaeco do Mato Grosso do Sul foram realizadas no período de 15 de dezembro de 2017 e 30 de março de 2018 e contaram com  interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça.

Nos diálogos monitorados, os líderes do PCC no Mato Grosso do Sul conversam, nas ruas e nas prisões, sobre execuções de rivais; planejam roubos; negociam drogas e discutem problemas enfrentados pelos presos da facção no sistema prisional do estado.

Para evitar prejuízos e demora na fase de instrução processual, o Gaeco decidiu denunciar os 48 líderes do PCC identificados em grupos de no máximo 10 acusados.

Um dos denunciados é Edson Chaves de Brito, apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital no Mato Grosso do Sul.

Brito é considerado preso de altíssima periculosidade e, por isso, o Ministério Público Estadual do MS providenciou a transferência dele para um presídio federal, com autorização da Justiça.

O trabalho de investigação do Gaeco também apurou a participação de mulheres no comando da organização criminosa. Uma delas foi identificada como Jacqueline Michele Spessato, também conhecida como Loira.

Jacqueline teve conversas telefônicas monitoradas e as gravações demonstraram o envolvimento dela no roubo de uma caminhonete e até na realização da contabilidade e divisão de dinheiro do PCC.

Edson Chaves de Brito, Jacqueline Michelle Spessato e outros oito líderes do PCC fazem parte de um dos cinco grupos denunciados à Justiça pelo Ministério Público por crime de associação à organização criminosa.

Em outra denúncia oferecida pelo Gaeco, Hamilton Roberto Dias Júnior, o Moringa, foi apontado como Sintonia Geral do estado e responsável pelo núcleo do Cadastro.

Já Edson dos Santos Vieira, o Strike, coordenava de dentro da Penitenciária de Dourados a função de Sintonia Geral do estado. A Ponte não conseguiu contato com os advogados dos acusados.

No início do ano passado, a Agepen (Agência Estadual de Administração Penitenciária) contabilizava ao menos 6 mil detentos filiados ou simpatizantes do PCC nos presídios do estado, aproximadamente 40% da população carcerária do Mato Grosso do Sul.

O estado faz fronteira com o Paraguai de onde vem as drogas e armas comercializadas pelo grupo e, por isso, o território é de grande importância para os negócios da facção.

A Ponte procurou a Agepen por e-mail pedindo uma posição oficial sobre as denúncias trazidas na reportagem, mas até a publicação, não havia retorno.

*Este texto foi publicado originalmente neste link: https://ponte.org/mato-grosso-do-sul-e-o-segundo-estado-mais-importante-para-o-pcc/

Facções como PCC operam em todo país, diz promotor

Por Vinícius Lisboa

(Marco Gomes/Via Agência Brasil)

Mais de 90 pessoas foram presas hoje (15) na operação contra facções criminosas que reuniu ministérios públicos de nove estados, em diferentes regiões.

“O crime, infelizmente, se nacionalizou. É uma realidade nacional, as facções se espalharam e se transformaram em grandes empresas que têm esses vinculos em todos os estados da federação”, disse o presidente do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), Alfredo Gaspar, em entrevista coletiva, na sede do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo Gaspar, que também é o procurador-geral do Ministério Público de Alagoas, o combate ao crime precisa acompanhar o grau de integração e capilaridade das facções no território nacional.

“As facções se fortaleceram demais no Norte e no Nordeste, mas deixaram tentáculos e o coração financeiro no Centro-Sul. Tem que se ter um olhar globalizado, se não, não vai conseguir combater.”

A operação cumpriu 305 mandados, sendo cerca de 190 de busca e apreensão e os demais de prisão. As ações ocorreram em Alagoas, Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Pelo menos 25 pessoas foram presas no Ceará; 21 em Alagoas; 20 em flagrante no Amapá; 12 detidas na Bahia; 5 no Rio de Janeiro; 5 em Mato Grosso do Sul e uma no Amazonas. Os números devem ser atualizados ao longo do dia.

De acordo com Gaspar, a operação promove a integração entre os procuradores de cada estado e prestigia a independência dos ministérios públicos. “Demonstra também a necessidade de se manter nacionalmente o poder de investigação do Ministério Público.”

Associação ao tráfico

Uma das três operações em curso no Rio cumpriu mandados de busca e apreensão contra nove policiais denunciados por participar de esquema de recebimento de propina de traficantes de drogas. A ação se dá com apoio da Polícia Federal e da Corregedoria da Polícia Militar. O MP-RJ chegou a pedir a prisão dos militares, mas o pleito foi rejeitado pela Justiça.

Segundo o Ministério Público, os PMs recebiam vantagens indevidas para deixar de combater o tráfico na área do 9º Batalhão (Rocha Miranda) e também forneciam aos criminosos informações sobre operações policiais na região. As investigações apontaram que um policial vendia armas e drogas apreendidas em outras operações para traficantes da região do 9º Batalhão.

Sem detalhar valores, o promotor de Justiça Lúcio Pereira afirmou que as investigações chegaram a captar a movimentação de dezenas de milhares de reais por semana, em pagamentos aos policiais.

No grupo denunciado, há sete oficiais da PM, incluindo integrantes do Estado Maior do batalhão. Segundo o MP, foram cumpridos mandados de busca contra outros policiais que ainda não foram denunciados.

A denúncia contra os nove PMs já foi recebida pela Auditoria Militar, que deferiu o afastamento dos agentes públicos de suas funções, apesar de ter rejeitado a prisão dos acusados. Eles também responderão a processos administrativos que podem resultar em expulsão.

Até lá, os policiais não poderão andar armados nem entrar em quartéis, mas continuam a receber salários.

O porta-voz da Secretaria Estadual de Polícia Militar, Mauro Fleiss, disse que bons e maus profissionais existem em quaisquer profissões. “Reafirmamos nossa total intolerância contra qualquer desvio de conduta. A corporação vem se sacrificando a cada dia buscando resultados melhores, é um esforço muito grande, e não podemos permitir ações dessa natureza”.

Madureira

O MP-RJ também realizou hoje operações contra traficantes que atuam em favelas de Madureira, na zona norte do Rio, região dentro da área de atuação do 9º Batalhão. O grupo, da facção Terceiro Comando Puro, comercializava grande quantidade de armas e drogas, e disputava o controle de territórios na capital por meio de homicídios e corrupção policial.

Entre os denunciados que tiveram a prisão preventiva decretada pela 2ª Vara Criminal de Madureira está o acusado de chefiar o grupo, Wallace de Brito Trindade, conhecido como Lacoste.

A terceira ação deflagrada hoje no Rio de Janeiro mirou pessoas acusadas de atuar como laranjas que ocultavam recursos para a facção Comando Vermelho. As contas dos seis acusados teriam recebido, em um ano e 11 meses, 3.357 depósitos que somam mais de R$ 1 milhão. Os recursos seriam originados de diversos municípios fluminenses, o que, para o MP, evidencia que a ocultação se dava a favor de toda a facção criminosa.

Operação atinge PCC e outras facções criminosas

Por  Vinícius Lisboa 

(Arquivo/Bruno Cecim/ Agência Pará)

A operação conjunta de nove Grupos de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaecos) de Ministérios Públicos estaduais do país efetuou 89 prisões até as 9h30 de hoje (15).

A ação cumpre 300 mandados judiciais contra integrantes de organizações criminosas, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão. Entre os alvos estão integrantes das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) Família do Norte e Comando Vermelho, além de policiais militares.

Articulada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), a operação ocorre simultaneamente no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Até as 9h30, 25 pessoas tinham sido presas no Ceará; 21 em Alagoas; 20 em flagrante no Amapá; 12 detidas na Bahia; 5 no Rio de Janeiro; 5 em Mato Grosso do Sul e uma no Amazonas.

Atuação dos MPs em cada estado

Acre – O Ministério Público faz uma grande revista na Penitenciária Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, com foco em pavilhões dominados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), facção paulista que tem atuação nacional. Também foram denunciados à Justiça 69 pessoas suspeitas de integrar o Comando Vermelho, outra facção criminosa com atuação nacional, mas que tem base no Rio de Janeiro.

Alagoas – Estão sendo cumpridos 37 mandados de busca e apreensão e 42 de prisão contra integrantes do PCC.

Amapá – A operação tem foco em uma facção criminosa local: Família Terror do Amapá.

Amazonas – São cumpridos três mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão, e, entre os alvos estão suspeitos de liderar a Família do Norte, considerada pelo MP a terceira maior facção do Brasil.

Bahia – São 19 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão, contra suspeitos de integrar uma facção ligada ao PCC que atua com tráfico de drogas e é responsável por diversos homicídios no estado.

Ceará – São duas operações para cumprir 35 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão contra integrantes do PCC.

Mato Grosso do Sul – São 15 mandados de prisão contra suspeitos de integrar o PCC no estado.

Pernambuco – A ação cumpre um mandado de prisão e busca e apreensão  em apoio a operação que combate à lavagem de dinheiro no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro – três operações simultâneas estão em andamento. A primeira cumpre 41 mandados de busca e apreensão contra policiais militares afastados de suas funções por terem sido denunciados por crimes como associação criminosa e corrupção passiva. A segunda mira sete traficantes de comunidades de Madureira, na zona norte, e a terceira busca acusados de lavagem de dinheiro que atuavam como laranjas do Comando Vermelho.

Ex-corregedor é preso em SP por suspeita de corrupção

Por Flavia Albuquerque

O Ministério Público de São Paulo prendeu hoje (6) hoje o ex-corregedor da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, Marcos Vinícius Vannuchi.

A prisão foi feita pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Gedec), em Itatiba, no interior paulista.

Outros nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos em parceria com a Receita Federal.

De acordo com as investigações, Vannuchi é suspeito de cobrar propina de fiscais investigados pela corregedoria.

Ele tinha sido afastado do cargo na última sexta-feira, mas vinha sendo investigado pelo Gedec há um ano.

Vanucchi foi preso na casa da ex-esposa, de quem se separou passando todo seu patrimônio para o nome dela.

“A separação era uma fraude para que ele pudesse se livrar do patrimônio ilícito”, segundo as investigações.

Vários bens de Vanucchi foram sequestrados. As investigações criminais prosseguem para apurar o esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro.