“É lógico que vai ter eleição”, diz Hamilton Mourão

Hamilton Mourão, vice-Presidente da República (Bruno Batista/VPR/via TV Cultura)

Nesta quinta-feira (22), o vice- presidente Hamilton Mourão afirmou que a eleição de 2022 está mantida: “Nós não somos República de banana”. 

A fala, feita entrevista na saída do Palácio do Planalto, vem após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. O texto diz que o ministro da Defesa, Braga Netto, teria declarado ao presidente da Câmara, Arthur Lira, que, caso o voto impresso não fosse aprovado, não haveria eleição em 2022.

Em resposta aos jornalistas, Mourão classificou como “mentira” o conteúdo publicado no jornal e que seria absurda a possibilidade de suspensão das eleições. “Nós não estamos no século 20, nós estamos no século 21, vamos entender isso aí”, disse.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, declarou nas redes sociais que conversou com Braga Netto e Arthur Lira, e ambos negaram qualquer ameaça às eleições de 2022. Barroso é contra a proposta do voto impresso e afirma que o sistema eletrônico é seguro e não oferece riscos à democracia. 

O general Mourão ressaltou que a eleição ocorrerá mesmo sem a mudança: “Mesmo que não faça o voto impresso para essa eleição. É lógico que vai ter eleição, quem é que vai proibir eleição no Brasil?”, declarou.

Por TV Cultura

Mourão define CPI da covid-19 como desorganizada

Hamilton Mourão, vice-presidente da República (Wilson Center/via TV Cultura)

O vice-presidente Hamilton Mourão, em entrevista ao jornalista Alexandre Paz, da TV Ulbra, de Canoas no Rio Grande do Sul, fez criticas a CPI da Covide diz que a comissão é desorganizada. Os senadores investigam a atuação do governo federal no combate a pandemia do coronavírus. 

“Eu acho que a CPI está muito desorganizada. O objetivo da CPI é verificar a atuação do governo diante da pandemia. Quando falo isso, quer dizer governo, não apenas a figura do presidente”, disse Mourão.

Para o vice-presidente, os senadores deveriam focar em três pontos: saúde, economia e social. Na análise dele, a missão do governo era dar condições para o sistema de saúde absorver os doentes, criar uma estrutura para a economia não ser tão afetada e ajudar a população durante a crise sanitária. 

O resultado da desorganização, segundo Mourão, será vista no relatório final da CPI, que é quando os senadores preparam o documento com as conclusões das investigações feitas na comissão. 

Relação com Bolsonaro 

Além da CPI da Covid, o vice-presidente também falou da sua relação com o presidente e admitiu que é pouco provável uma chapa nas eleições presidenciais de 2022. 

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“Tudo indica que o presidente vai escolher outra pessoa (a vice) para sua candidatura a reeleição. Então, eu tenho dois caminhos a seguir. Um é eu cumprir o meu mandato até o último dia e cumprindo a missão que a população me deu. O outro, caso eu entenda, seria a candidatura ao senado”, revelou o vice-presidente. 

Um dos principais motivos para ele não continuar sua parceria com Bolsonaro é a visão de mundo de cada. De acordo com Mourão, os dois tem trajetórias muito diferentes. Enquanto ele foi do exército por quase toda a vida, o presidente foi político a maior parte do tempo. Por isso, ele encontram soluções diferentes para o mesmo problema.

Por TV Cultura

Mourão toma segunda dose da vacina contra covid-19

Hamilton Mourão, vice-Presidente da República (Bruno Batista/VPR)

O vice-presidente Hamilton Mourão, de 67 anos, tomou nesta segunda-feira (26) a segunda dose da vacina CoronaVac contra covid-19, em Brasília. Ele foi atendido em um dos pontos de vacinação drive-thru da capital. 

A CoronaVac é produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, e administrada em duas doses, com intervalo de até quatro semanas. A primeira dose foi aplicada em Mourão no dia 29 de março.

No Distrito Federal, pessoas entre 62 e 63 anos começaram a ser vacinadas no final da semanapassada. 

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil 

Mourão recebe primeira dose da Coronavac

O vice-presidente, Hamilton Mourão, recebeu nesta segunda-feira (29/03) a primeira dose da vacina contra a covid-19. O imunizante utilizado foi a Coronavac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. Em até quatro semanas, o vice-presidente deverá receber a segunda dose.

“Hoje fiz minha parte como cidadão consciente e recebi a primeira dose da vacina contra a covid-19 (Coronavac). Espero que, em breve, o maior número possível de vacinas chegue à população brasileira”, escreveu ele no Twitter, em um post com a foto do momento da vacinação.

Mourão tem 67 anos e recebeu o imunizante, pois, na semana passada, pessoas na sua faixa etária começaram a ser vacinadas no Distrito Federal. O general recebeu a Coronavac em um posto drive-thru, em Brasília.

No final de dezembro, Mourão testou positivo para a covid-19 e ficou 12 dias afastado do trabalho. No mês seguinte, em uma postura diferente da do presidente Jair Bolsonaro, que disse que não tomaria vacina e “ponto final”, o vice-presidente afirmou que iria, sim, se vacinar.

No sábado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, recebeu a primeira dose da vacina. No dia 18, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), general Augusto Heleno, havia sido imunizado.

Por Deutsche Welle
le (Agência Brasil, ots)

Amazônia: Desenvolvimento sustentável depende do setor privado, diz Mourão

Hamilton Mourão, vice-Presidente da República (Arquivo/Adnilton Farias/VPR)

O desenvolvimento sustentável da Amazônia só será possível com a participação do setor privado, defendeu hoje (27) o vice-presidente Hamilton Mourão, durante sua participação, de forma virtual, no Fórum Econômico Mundial. Mourão falou no painel Financiando a Transição da Amazônia para uma Bioeconomia Sustentável.

“O futuro sustentável da Amazônia depende da expansão da bioeconomia e isso só vai se tornar realidade com a participação do setor privado”, disse Mourão.

Segundo o vice-presidente, em um cenário pós-pandemia, os governos da região não terão condições superavitárias para realizar os investimentos necessários para o desenvolvimento da Amazônia, como as ações tecnológicas.

Mourão reconheceu, entretanto, que há problemas de infraestrutura que dificultam a chegada de investimentos na região.

Mourão disse que o ano de 2020 foi o mais “desafiador” no combate às queimadas no país em razão da pandemia do novo coronavírus (covid-19).

“Apesar da escassez de recursos devido à pandemia, o Brasil trabalhou sem parar para tentar lutar contra os incêndios ilegais e desmatamentos. Foi uma causa difícil, mas não impossível de ganhar”, afirmou.

O vice-presidente disse que as ações do governo também resultaram, em 2020, em uma redução de 17% no desmatamento na Amazônia. Ele disse ainda que apesar da pressão internacional em relação ao aumento das queimadas, o mesmo não pode ser dito sobre os investimentos.

“Mesmo que o interesse sobre o estatuto internacional da Amazônia tenha aumentado, não se pode dizer o mesmo da cooperação técnica e financeira, que está aquém do necessário”, disse.

Segundo o vice-presidente, o Brasil voltou a negociar com governos os recursos para o Fundo Amazônico, estabelecido em 2008. 

Mourão disse ainda que o governo está comprometido com a agenda ambiental e citou as metas climáticas apresentadas pelo país no Acordo de Paris, prometendo zerar, até 2060, a emissão de gases do efeito estufa.

“A nossa tarefa é enorme, mas estamos fazendo os nossos melhores esforços para encontrar meios para implementar políticas e projetos para que a Amazônia possa alcançar seu pleno potencial, para os benefícios da população mundial e brasileira, enquanto preserva seus recursos naturais”, disse.

Por Luciano Nascimento, da Agência Brasil

Mourão defende que Pazuello seja investigado

O vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira (25), em coletiva no Palácio do Planalto, que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, “tem feito um trabalho meticuloso e de forma honesta” à frente da pasta. No entanto, Mourão também disse ser a favor ao pedido de abertura de inquérito para investigar a conduta do ministro diante ao colapso na rede de saúde de Manaus. 

O pedido de inquérito foi solicitado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no último sábado (23). A decisão de apurar a conduta do ministro foi tomada para investigar uma possível omissão na crise em Manaus. A capital do Amazonas sofreu, nos últimos dias, com a superlotação de hospitais por conta do aumento de casos de Covid-19 e com a decorrente falta de oxigênio para os pacientes.

“Uma vez que existe muito disse-me-disse a respeito disso, acho que a melhor linha de ação é que se chegue à conclusão do que aconteceu. Eu, pelo o que tenho acompanhado do trabalho do ministro Pazuello, sei que ele tem feito um trabalho meticuloso e de forma honesta e competente. Então, que se investigue e que se chegue à conclusão do que aconteceu na realidade”, conclui Mourão.

Por TV Cultura

Vice-presidente Mourão diz que vai tomar vacina contra Covid-19

Hamilton Mourão, vice-presidente da República (Alan Santos/PR)

O vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta segunda-feira (11/01) que pretende tomar a vacina contra covid-19. A declaração foi feita a jornalistas quando o vice retornava ao trabalho, depois de ficar afastado por duas semanas se recuperando da covid-19.

“[Pretendo tomar a vacina] dentro da minha vez. Eu sou grupo dois de acordo com o planejamento [do Ministério da Saúde]. Não vou furar a fila, a não ser que seja propagandística”, disse o vice, mencionando a possibilidade de tomar vacina antes do prazo previsto como forma de incentivar a população a aderir à imunização.

“Eu acho que a vacina é para o país como um todo, uma questão coletiva, não é individual. Indivíduo aqui está subordinado ao coletivo, nesse caso”, completou o vice, que citou ainda que perdeu dois amigos para a covid-19.

Contraste com Bolsonaro

As declarações de Mourão vão na direção oposta de falas do presidente Jair Bolsonaro nos últimos meses. O chefe de Estado tem afirmado repetidamente que não pretende se vacinar, justificando que essa é uma decisão que diz respeito somente a ele. “Eu não vou tomar vacina e ponto final, problema meu”, disse Bolsonaro em dezembro.

O presidente ainda tem alimentado temores infundados sobre os imunizantes. Em dezembro, ao reclamar das condições impostas pela empresa Pfizer para a compra de vacinas alimentando, ele disse: “Se você virar um jacaré, é problema seu.” 

Paralelamente, redes ligadas ao bolsonarismo tem despejado na internet todo o tipo de informação paranoica sobre vacinas, como fantasias delirantes sobre imunizantes com chips para controle de mente. Seu governo também tem sido acusado de não ter feito um planejamento adequado para iniciar a vacinação.

A posição de Bolsonaro também contrasta com outros líderes mundiais, que estiveram entre os primeiros a tomar a vacina para incentivar suas populações. Entre eles estão até figuras próximas ideologicamente do presidente brasileiro, como o vice-presidente americano, Mike Pence, e o premiê israelense, Benjamin Netanyahu. Especialistas alertam que a vacinação em massa é fundamentalpara que o Brasil deixe a pandemia para trás e comece a recuperação econômica.

Ainda nesta segunda-feira, Mourão deu detalhes do seu período de afastamento. Mourão foi diagnosticado com o coronavírus em 27 de dezembro. Ele disse ter passado três dias com sintomas mais pesados, mas que posteriormente melhorou. No que parece ter sido um aceno ao bolsonarismo, ele afirmou que tomou uma “medicação preconizada”, incluindo a hidroxicloriquina, o medicamento sem eficácia comprovada que é promovido pelo presidente como “cura”.

Vacina da Pfizer

Em uma entrevista à Rádio Gaúcha concedida nesta segunda-feira, Mourão também disse que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, determinou que a próxima reunião com representantes da farmacêutica Pfizer deve ser gravada “para evitar mal-entendido”.

O governo brasileiro e a empresa têm trocado acusações sobre a compra da vacina desenvolvida pelo laboratório em parceira com a empresa alemã Biontech. Pazuello vem se queixando de condições impostas pela Pfizer e disse que a empresa não ofereceu doses suficientes.

No entanto, a Pfizer vem rebatendo publicamente as acusações do governo, afirmando que fez três diferentes propostas ao Brasil para o fornecimento de 70 milhões de doses. A primeira proposta foi feita em agosto, com previsão de entrega das primeira vacinas em dezembro, o que teria permitido o início da imunização no país já no mês passado. No entanto, nenhum contrato foi assinado.

Dezenas de outros países compraram as vacinas da Pfizer e já iniciaram a vacinação, entre eles México, EUA, Alemanha, Reino Unido e Omã.

Por Deutsche Welle

JPS/ots

Grupo de risco, vice-presidente faz tratamento contra covid-19

Hamilton Mourão, Vice-presidente da República (Arquivo)

O general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, recebeu no domingo (27/12) resultado positivo de teste para covid-19. Ele está medicado e em isolamento no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente, segundo nota de sua assessoria.

Antes de fazer o teste, o vice-presidente apresentou mialgia (dor no corpo), cefaléia (dor de cabeça) e febre de até 38 graus. Ele tem 67 anos e pertence ao grupo de risco para o novo coronavírus.

Segundo sua assessoria de comunicação, Mourão está usando hidroxicloroquina, o vermífugo Anitta e o antibiótico azitromicina, além de remédios para dor e febre.

A prescrição de cloroquina para tratamento da covid-19 é promovida pelo presidente Jair Bolsonaro, que mobilizou o Exército para produzir o medicamento, apesar de ele não ter efeito comprovado contra a doença, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde).

O uso do vermífugo Annita, nome comercial no Brasil da nitazoxanida, é promovido pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, mas sua eficácia contra a covid-19 ainda é objeto de pesquisas. 

A azitromicina, substância usada para combater infecções bacterianas, foi objeto de um estudo em oito instituições brasileiras que não encontrou evidência de que ela seja eficaz em casos graves de covid-19 e pode piorar função renal em alguns pacientes.

Em maio, Mourão fez teste para covid-19 e entrou em isolamento depois de um servidor público com quem teve contato ter contraído a doença. O resultado foi negativo. A mulher dele, Paula Mourão, também foi testada na ocasião, e a contraprova teve resultado negativo. Até a noite de domingo, não foi divulgado se ela foi novamente testada.

Após o diagnóstico do vice-presidente, sobe para 16 o número de integrantes do alto escalão do governo federal que já foram infectados pelo coronavírus.

Quatorze ministros de Estado já foram diagnosticados com covid-19, além do presidente Jair Bolsonaro, que contraiu a doença em julho. A contagem inclui Marcelo Álvaro Antônio, contaminado em setembro, quando era ministro do Turismo, que foi exonerado do cargo em 10 de dezembro.

Mais de 190 mil óbitos pela covid-19

O Brasil registrou oficialmente 18.479 casos confirmados de covid-19 e 344 mortes ligadas à doença neste domingo, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Com isso, o total de infecções identificadas no país subiu para 7.484.285, enquanto os óbitos chegam a 191.139.

Diversas autoridades e instituições de saúde alertam, contudo, que os números reais devem ser ainda maiores, em razão da falta de testagem em larga escala e da subnotificação.

Por Deutsche Welle

BL/ots

Mourão diz que Brasil precisa reafirmar posição sobre Amazônia

Hamilton Mourão, Vice-Presidente da República (Romério Cunha/VPR)

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão disse hoje (7), em palestra na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que, sempre que se fala em sustentabilidade no Brasil, remete-se à questão de meio ambiente e que é preciso deixar claro que o país é uma potência agroambiental e que há mais de 60% do território com a cobertura vegetal original.

Segundo Mourão, é preciso reafirmar essa posição, porque o país sofre uma pressão enorme com relação à Amazônia, já que muita gente que vive no centro-sul do país desconhece e não entende o que é a região.

“O presidente da República resolveu, no começo do ano, recriar o Conselho Nacional da Amazônia Legal e me dá a tarefa de presidir esse conselho, que é integrado por 15 ministérios e tem a missão de coordenar e integrar as políticas públicas para ter sinergia e não dispersar esforços. Conversamos com cada governador dos estados da Amazônia, entidades da sociedade civil para entender seus questionamentos e trazê-los para a missão de preservar, proteger e desenvolver a região”, disse.

De acordo com Mourão, entre as missões do conselho estão o combate ao desmatamento, queimadas e garimpo ilegal, atuando com operações de comando e controle, recuperando a capacidade operacional dos órgãos de fiscalização e aumentando a capacidade dos sistemas de monitoramento e apoio para ter o retrato em tempo real das ilegalidades que ocorrem na região.

“O desmatamento vinha aumentando desde 2012, teve um pico no ano passado e, este ano, ainda tivemos um resultado negativo, mas o que eu quero afiançar é que desde o mês de julho estamos com uma tendência de queda no desmatamento e, em novembro, a diferença com relação a novembro do ano passado foi de menos 44%. A Operação Verde Brasil começa a dar seus frutos e passamos a ter resposta eficiente no combate às ilegalidades e às pressões políticas, econômicas e ambientais da comunidade internacional”, afirmou o vice-presidente. 

Mourão destacou também que o ordenamento territorial também é prioritário na Amazônia, seja com zoneamento econômico ecológico ou regularização fundiária, para que a exploração seja feita de forma não predatória. O vice-presidente ressaltou ainda que é preciso ficar atento ao pagamento por serviços ambientais para que o país receba recursos, uma vez que gera créditos de carbono e os países poluidores devem comprar esses créditos.

“Em todas as conversas com representantes da sociedade civil e de bancos, todos são unânimes em dizer que o Brasil teria direito  a receber em torno de US$ 10 bilhões por ano, ou R$ 53 bilhões. É recurso considerável para ser empregado na nossa Amazônia e, consequentemente, avançar na bioeconomia, que é fundamental para o desenvolvimento da área”, afirmou.

Por Flávia Albuquerque, da Agência Brasil

Após comentário sobre torturador, Mourão é acionado no MPF

Hamilton Mourão, Vice-Presidente da República (Romério Cunha/VPR)

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) apresentou nesta quinta-feira (15/10) uma representação contra Hamilton Mourão por causa dos comentários enaltecedores que o vice-presidente fez em relação ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos mais notórios torturadores da ditadura militar (1964-1985). 

No documento, encaminhando ao Ministério Público Federal de São Paulo, Valente aponta que Mourão praticou “conduta absolutamente inadmissível para um Estado Democrático de Direito” ao afirmar que Ustra era “homem de honra e que respeitava os direitos humanos de seus subordinados”. A declaração do vice-presidente ocorreu na semana passada, em entrevista ao programa Conflict Zone, da Deutsche Welle (DW). Na avaliação de Valente, Mourão também praticou um “ato ilegal e lesivo às centenas de vítimas e familiares de vítimas” do coronel Ustra.

Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu em 15 de outubro de 2015
(Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil)

Em 2008, o coronel Ustra se tornou o primeiro oficial do regime a ser condenado por sequestro e tortura. Levantamento do Projeto Nunca Mais aponta que ele foi responsável por pelo menos 500 casos de tortura quando comandou o Doi-Codi entre 1970 e 1974, inclusive participando pessoalmente de sessões de tortura. Já a Comissão Nacional da Verdade relacionou o coronel com pelo menos 45 assassinatos. Ustra morreu em 2015, aos 83 anos, sem nunca ter cumprido um dia na prisão.

Na entrevista à DW, Mourão afirmou que não está “alinhado com a tortura” e sugeriu que há uma interpretação distorcida do período militar e sobre o papel de Ustra e que seria melhor “que esperar que todos esses atores desapareçam para que a história faça sua parte”.

“Ustra (…) foi meu comandante no final dos anos 70 do século passado, e era um homem de honra e um homem que respeitava os direitos humanos de seus subordinados. Então, muitas das coisas que as pessoas falam dele, eu posso te contar, porque eu tinha uma amizade muito próxima com esse homem, isso não é verdade”, disse Mourão. As falas do vice provocaram uma onda de repúdio entre políticos da oposição, ONGs e personalidades públicas. 

Não foi a primeira vez que Mourão elogiou Ustra. Em 2015, quando ainda era general da ativa, Mourão autorizou que suas tropas homenageassem o coronel. Em 2018, disse que Ustra era um “homem de coragem” e que “heróis matam”. Em 2019, já no cargo de vice-presidente, disse que Ustra foi “um dos maiores líderes que o exército já teve” durante visita a um quartel no Rio Grande do Sul. Ustra também costuma ser elogiado pelo presidente Jair Bolsonaro.

No documento entregue ao Grupo de Trabalho Justiça de Transição, que reúne procuradores que lidam com casos de abusos cometidos na ditadura, Valente lista a longa trajetória de crimes cometido por Ustra, inclusive com o apoio do relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV). “A Comissão Nacional da Verdade desnudou o sadismo e crueldade do coronel, que hoje membros do alto escalão do governo federal tentam transformar em comportamento honrado e exemplar.”

“Infelizmente, o tempo decorrido desde o término da ditadura militar vem animando integrantes do Governo Federal saudosistas da ditadura militar a usarem de seus cargos para tentar distorcer a história, de maneira a esconder a violência, o autoritarismo, o sadismo e os crimes daqueles que estiveram à frente do regime militar”, aponta o deputado.

“Não cabe ao agente público negar ou distorcer os fatos apurados pela Comissão da Verdade sobre o que ocorreu durante a ditadura militar, sob pena de infringir a Constituição, a Legislação e as obrigações assumidas pelo país perante as Cortes Internacionais de Direitos Humanos de adotar medidas para que nunca mais se repitam situações como aquelas em que criminosos como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra agiram em nome do Estado para disseminar a dor, o sofrimento e o terror sobre a população impunemente.” 

Entre esses compromissos, Valente lista que o Estado Brasileiro assumiu oficialmente sua responsabilidade pelas mortes e desaparecimentos forçados ocorridos durante o período do regime militar e que reconheceu perante a Comissão Interamericana em 2010 “o sofrimento imposto às famílias das pessoas desaparecidas na Guerrilha do Araguaia”.

Valente, que durante a ditadura viveu na clandestinidade por causa da sua atuação num grupo de esquerda, aponta ainda que Mourão, “ao enaltecer a honra e a carreira de seu antigo comandante, também violou seus deveres constitucionais e causou novo sofrimento às vítimas e familiares das vítimas do criminoso Ustra”. Segundo o deputado, Mourão ainda violou a Lei nº 12.528, de 2011, que estabeleceu a criação da CNV e que reconhece “graves violações de direitos humanos” cometidas durante a ditadura e a “própria Constituição que reconheceu os horrores perpetrados naquele período”.

“Ante o exposto, requer-se o recebimento desta representação e a propositura de ação coletiva em face do vice-Presidente da República Antônio Hamilton Martins Mourão para que repare o dano causado às vítimas e familiares de vítimas do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra pelo fato de enaltecer a honra, a carreira e o respeito aos direitos humanos do militar, mesmo diante das vastas comprovações e do relato oficial sobre sua extensa carreira criminosa”, conclui a representação encaminhada por Valente.

JPS/ots

Por Deutsche Welle