Bolsonaro diz ter sido ‘único chefe de Estado do mundo’ contrário ao isolamento

Jair Bolsonaro discursa segurando microfone com a mão direita e com a mão esquerda gesticula.

O presidente Jair Bolsonaro disse que, provavelmente, foi o único chefe de Estado que adotou estratégia diferenciada de combate à pandemia, ao questionar o isolamento social e seus efeitos para a economia do país. Só no Brasil, a pandemia já matou mais de 600 mil pessoas e especialistas em saúde pública dizem que sem o isolamento este número seria ainda maior.

A afirmação foi feita no Rio de Janeiro, quando o presidente estava em um almoço com participantes do Congresso Mercado Global de Carbono – Descarbonização & Investimentos Verdes.

Jair Bolsonaro discursa segurando microfone com a mão direita e com a mão esquerda gesticula.
Jair Bolsonaro, Presidente da República (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

“Talvez o único chefe do Estado do mundo que não aceitou o ‘fica em casa porque a economia a gente vê depois’ tenha sido eu. Lamentavelmente, a condução da pandemia foi retirada da minha mesa presidencial. Mas o Brasil fez sua parte, colaborando com estados e municípios, e mais: com os mais humildes que, quando obrigados a ficar em casa, perderam toda sua renda”, disse ele ao afirmar que, graças a essa “acolhida” dada pelo governo não houve “nenhum problema social no Brasil”.

O presidente reiterou que, enquanto o país volta à normalidade, em muitos países nota-se a possibilidade de desabastecimento. “Com certeza a preocupação de todo chefe de Estado é a segurança alimentar, e, nesse momento, todos voltam os olhos ao Brasil, uma potência agrícola que não parou”, acrescentou ao lembrar que uma em cada cinco pessoas no mundo é alimentada pela produção brasileira.

O Congresso Mercado Global de Carbono terminará na sexta-feira (20). Durante o evento, 24 painéis serão apresentados em quatro salas temáticas. Também serão apresentados 120 cases de sucesso de empreendedores verdes em quatro miniauditórios.

Bolsonaro rebate Lula: “a soberba precede a queda”

Jair Bolsonaro diante de uma bandeira do Brasil, no telão, com a mão direita sobre o peito.

Em mais um ataque direcionado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL), Jair Bolsonaro (PL) disse nesta segunda-feira (16) que o petista “não tem mais humildade”.

Bolsonaro rebateu um comentário que o petista realizou na última semana. Lula disse que o atual chefe do Executivo tem “medo de perder a eleição”. “Não adianta desconfiar de urna. O que você tem é medo de perder e ser preso após as eleições”, afirmou na ocasião.

Em mais uma fala sobre o sistema eleitoral, Jair Bolsonaro declarou que “uma coisa fique bem clara: eu não tive 58 milhões de votos. Eu tive 58 milhões de pessoas que acreditaram em mim. Voto não é mercadoria e não é algo que brota nas urnas eletrônicas por aí. Votos são pessoas e têm que ter respeito com elas”.

Jair Bolsonaro diante de uma bandeira do Brasil, no telão, com a mão direita sobre o peito.
(Reprodução)

O presidente ainda usou uma passagem da bíblia para alfinetar o seu adversário. “Tem uma passagem bíblica que a soberba precede a queda. Esse cara não sabe o que é Deus e não acredita. Não tem respeito por quem acredita, até pelas pautas votadas”, completou.

Durante uma conversa com jornalistas em frente à Praça dos Três Poderes, no último domingo (15), o chefe do Executivo acusou Lula (PT) de já ter negociado os ministérios.

“A informação que eu tenho é que o Lula já negociou os ministérios todos. E essa negociação é para atender os interesses daquele grupo, não do Brasil”, disse o presidente. Na ocasião, Bolsonaro estava prestes a participar de uma “lanchaciata” com seus apoiadores.

Arrependidos de votar em Bolsonaro, 18% declaram voto em Lula

Montagem mostra Lula do lado esquerdo da imagem fazendo sinal de jóia. Já do lado direito está Bolsonaro, com rosto sério.

A nova pesquisa do PoderData divulgada na manhã desta segunda-feira (16) mostra que, em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve ter o voto de aproximadamente 18% dos eleitores que confiaram em Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2018, mas se arrependeram da escolha.

O levantamento aponta que o atual chefe do Executivo perdeu cerca de 39% de seus apoiadores desde o segundo turno de 2018. O ex-presidente e seu principal adversário à República foi o pré-candidato mais beneficiado pela debandada, ainda de acordo com o estudo.

Montagem mostra Lula do lado esquerdo da imagem fazendo sinal de jóia. Já do lado direito está Bolsonaro, com rosto sério.
(TV Cultura/Reprodução)

Enquanto Ciro Gomes (PDT) e João Doria (PSDB) seriam a opção de 4% dos eleitores de Bolsonaro nas eleições anteriores, Simone Tebet (MDB) e André Janones (Avante) teriam 2% dos arrependidos cada um, segundo o PoderData.

Lula também teria a vantagem sobre aqueles que anularam ou votaram em branco. Destes, 34% disseram que votariam em Lula, enquanto 27% podem migrar para Ciro e 14% para Bolsonaro. A pesquisa ouviu três mil pessoas e foi realizada entre os dias 8 e 10 de maio.

Bolsonaro intensifica ataques ao STF

O presidente Jair Bolsonaro intensificou sua ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (27/04) em um evento oficial no Palácio do Planalto, no qual atacou a Corte e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e defendeu uma contagem paralela de votos nas eleições deste ano, controlada pelas Forças Armadas.

A cerimônia em Brasília foi batizada de “ato cívico pela liberdade de expressão” e foi transmitida ao vivo pela TV Brasil. Com duração de quase duas horas, o evento contou com a presença e os discursos de parlamentares governistas e foi mobilizado pelas bancadas evangélica e da bala no Congresso.

Em sua fala, Bolsonaro voltou a levantar suspeitas sobre as urnas eletrônicas e disse que as Forças Armadas sugeriram ao TSE que os militares tenham um computador próprio para receber os votos a fim de realizarem uma apuração paralela das eleições.

O presidente alegou ainda que os votos nas eleições brasileiras são contados por técnicos do TSE em uma “sala secreta”, algo que o próprio tribunal já negou em julho do ano passado, após mais um ataque de Bolsonaro ao sistema eleitoral.

“Como os dados vêm pela internet para cá e tem um cabo que alimenta a sala secreta do TSE, uma das sugestões é que, nesse mesmo duto que alimenta a sala secreta, seja feita uma ramificação um pouquinho à direita para que tenhamos do lado um computador das Forças Armadas, para contar os votos no Brasil”, afirmou o presidente no evento.

Bolsonaro disse esperar uma resposta do TSE às sugestões dos militares nos próximos dias. “Estamos colaborando com o que há de melhor entre nós, e essas sugestões todas foram técnicas. Não se fala ali em voto impresso. Não precisamos de voto impresso para garantir a lisura das eleições. Mas precisamos de uma maneira para a gente confiar nas eleições.”

Ataques a Barroso

O presidente ainda voltou a atacar o ministro do STF Luís Roberto Barroso, que na semana passada, em videoconferência com alunos brasileiros da Hertie School, em Berlim, indicou haver tentativas para “jogar as Forças Armadas no varejo da política” e usá-las para desacreditar o processo eleitoral.

“Que acusação é essa?”, questionou Bolsonaro. “Isso não é o papel de alguém que é democrata, que luta por liberdade, que é o bem do seu povo.”

Barroso é alvo constante de Bolsonaro por ter sido presidente do Tribunal Superior Eleitoral de 2020 a 2022. Durante seu mandato, o ministro repeliu repetidamente questionamentos do presidente sobre a segurança das urnas eletrônicas e do processo eleitoral.

Nesta quarta-feira, Bolsonaro ainda cometeu um ato falho ao atacar Barroso, dizendo que o país tem “um chefe do Executivo que mente”. Chefe do Executivo é o presidente da República, mas ele aparentemente se referia ao ministro do STF, pois chegou a acusar Barroso de mentir em outro ponto do discurso, e ainda emendou: “E eles convidaram as Forças Armadas a participar do processo. Será que ele se esqueceu que o chefe supremo das Forças Armadas se chama Jair Messias Bolsonaro?”

Bolsonaro se referia ao fato de Barroso, enquanto presidente do TSE, ter convidado as Forças Armadas em 2021 para integrar a comissão de transparência das eleições deste ano.

Apoio a Daniel Silveira

A cerimônia no Planalto foi convocada após outra afronta recente de Bolsonaro ao Supremo: a concessão de indulto ao deputado Daniel Silveira, condenado na semana passada pelo plenário da Corte a 8 anos e 9 meses de prisão por ameaças às instituições democráticas do país. Menos de 24 horas depois, Bolsonaro editou um decreto perdoando Silveira e livrando-o de cumprir a pena.

Presente no evento em Brasília, o deputado exibiu um quadro com o decreto do indulto, em uma moldura verde e amarela. Questionado se ele se candidataria nas eleições deste ano, Silveira voltou a ser afrontoso com o STF: “Pela lei, nada me impede. Só se alguém tiver uma imaginação muito fértil para tentar me tirar isso. Pela lei, não.”

Nesta semana, o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, relator do processo contra Silveira, afirmou que o deputado continua inelegível após a condenação pelo STF, apesar do perdão concedido por Bolsonaro.

O presidente, por sua vez, afirmou que foi alertado de que poderia ter “problemas com o Supremo” caso perdoasse Silveira, mas disse que não pode “acreditar em retaliações”. “Temos ações graves que tramitam no Supremo”, alegou.

Estratégia de desgaste

Promover ataques ao Supremo integra o roteiro de líderes de extrema direita em todo o mundo. Nas democracias modernas, as Cortes supremas são responsáveis por limitar a atuação do Executivo quando este age fora da Constituição. Líderes que buscam minar instituições democráticas tentam desgastar as Cortes para alcançar esse objetivo.

Nos governos brasileiros pós-redemocratização, era comum ouvir de presidentes de variados matizes ideológicos o mantra de que “decisão do Supremo não se discute, se cumpre”, reafirmando esse princípio básico das democracias constitucionais. Sob Bolsonaro, essa premissa foi deixada de lado.

Os ataques de Bolsonaro ao Supremo não são novos, e chegaram a delinear crises institucionais durante a pandemia, quando o presidente se irritou com decisões da Corte que reconheciam a autoridade de municípios e estados para definir medidas de controle da pandemia – que iam na direção contrária da orientação do governo federal, contra medidas de isolamento social.

O conflito aberto de Bolsonaro com o Supremo também é útil para o presidente mobilizar sua base radical de apoiadores no ano eleitoral.

ek/lf (DW, Efe, ots)

Leia o decreto de Bolsonaro que perdoa crimes de Daniel Silveira

Deputado Daniel Silveira discursa na tribuna da Câmara dos Deputados

Menos de 24 horas após a condenação no STF, devido a ameaças aos ministros do Supremo e à própria corte, o presidente Jair Bolsonaro (PL) concedeu graça constitucional ao deputado Daniel Silveira.

A “graça constitucional” representa um perdão individual de pena a alguém que foi condenado ou que está cumprindo pena.

O chefe do executivo anunciou a decisão em uma de suas lives na internet. O decreto foi publicado na edição extra do Diário Oficial da União desta quinta-feira (21) logo após o término da transmissão.

Por 10 a 1, Daniel Silveira foi condenado na última quarta-feira (20) a oito anos e nove meses de prisão no regime fechado.

Confira o decreto publicado no DOU na íntegra:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84,caput, inciso XII, da Constituição, tendo em vista o disposto no art. 734 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 – Código de Processo Penal, e

Considerando que a prerrogativa presidencial para a concessão de indulto individual é medida fundamental à manutenção do Estado Democrático de Direito, inspirado em valores compartilhados por uma sociedade fraterna, justa e responsável;

Considerando que a liberdade de expressão é pilar essencial da sociedade em todas as suas manifestações;

Considerando que a concessão de indulto individual é medida constitucional discricionária excepcional destinada à manutenção do mecanismo tradicional de freios e contrapesos na tripartição de poderes;

Considerando que a concessão de indulto individual decorre de juízo íntegro baseado necessariamente nas hipóteses legais, políticas e moralmente cabíveis;

Considerando que ao Presidente da República foi confiada democraticamente a missão de zelar pelo interesse público; e

Considerando que a sociedade encontra-se em legítima comoção, em vista da condenação de parlamentar resguardado pela inviolabilidade de opinião deferida pela Constituição, que somente fez uso de sua liberdade de expressão;

D E C R E T A:

Art. 1º Fica concedida graça constitucional a Daniel Lucio da Silveira, Deputado Federal, condenado pelo Supremo Tribunal Federal, em 20 de abril de 2022, no âmbito da Ação Penal nº 1.044, à pena de oito anos e nove meses de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática dos crimes previstos:

I – no inciso IV docaputdo art. 23, combinado com o art. 18 da Lei nº 7.170, de 14 de dezembro de 1983; e

II – no art. 344 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal.

Art. 2º A graça de que trata este Decreto é incondicionada e será concedida independentemente do trânsito em julgado da sentença penal condenatória.

Art. 3º A graça inclui as penas privativas de liberdade, a multa, ainda que haja inadimplência ou inscrição de débitos na Dívida Ativa da União, e as penas restritivas de direitos.

Brasília, 21 de abril de 2022; 201º da Independência e 134º da República.

PF conclui que Bolsonaro não interferiu na corporação

Quase dois anos após a abertura de um inquérito para apurar uma suspeita de interferência do presidente Jair Bolsonaro na autonomia da Polícia Federal (PF), o órgão concluiu não haver indícios de crimes na conduta do mandatário e encerrou as investigações.

inquérito foi aberto em abril de 2020, por solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR), após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro pedir demissão da pasta e lançar acusações contra o presidente. Segundo o ex-juiz, Bolsonaro decidiu trocar a chefia da PF para ter acesso a informações de inquéritos sobre a família dele. O presidente nega a acusação.

Em seu relatório final enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (30/03), a PF afirma que “nenhuma prova consistente” de crime cometido por Bolsonaro foi encontrada. Ele foi investigado por falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça e corrupção passiva privilegiada, apontou a PF.

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(Arquivo)

“No decorrer dos quase dois anos de investigação, 18 pessoas foram ouvidas, perícias foram realizadas, análises de dados e afastamentos de sigilos telemáticos implementados. Nenhuma prova consistente para a subsunção penal foi encontrada. Muito pelo contrário, todas testemunhas ouvidas foram assertivas em dizer que não receberam orientação ou qualquer pedido, mesmo que velado, para interferir ou influenciar investigações conduzidas na Polícia Federal”, diz o relatório.

“Os vastos elementos reunidos nos autos demonstram a inexistência de ingerência política que viessem a refletir diretamente nos trabalhos de Polícia Judiciária da União”, prossegue o texto.

Ao prestar depoimento em maio de 2020, Moro apontou que Bolsonaro havia pedido em março daquele ano a troca do comando da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, estado que é reduto político da família do presidente e que concentra investigações que já envolveram pessoas próximas do clã. 

Moro deixou o cargo de ministro no dia 24 de abril, após Bolsonaro exonerar Maurício Valeixo da direção-geral da PF. O ex-ministro disse que entendeu “que havia desvio de finalidade na exoneração de Valeixo” e na provável nomeação do delegado Alexandre Ramagem, uma figura próxima da família Bolsonaro para o posto.

Ramagem chegou a ser nomeado para o cargo, mas foi barrado por decisão do STF. Ao final, Bolsonaro nomeou Rolando Alexandre de Souza, um indicado de Ramagem, para a chefia da PF. Um dos seus primeiros atos de Souza foi justamente substituir o comando da PF no Rio.

PF descarta interesses pessoais ou políticos

No relatório divulgado nesta quarta, a PF afirmou mão haver indícios consistentes de que foi ferido o princípio da impessoalidade na troca de Valeixo por Ramagem.

“Não há elementos mínimos suficientes para afirmar que os atos de exoneração e nomeação do Diretor-Geral da PF foram praticados para atender interesses pessoais ou políticos do Presidente da República ou de seus filhos e políticos aliados”, diz o texto. A PF também disse não haver indícios de que Bolsonaro fez a troca no comando da PF “mediante infração de dever funcional cedendo pedido ou influência de outrem.”

Ainda segundo a PF, “não foi obtida qualquer informação acerca da relação entre
o Presidente da República e o DPF [diretor-geral da Polícia Federal] Ramagem senão a estritamente profissional”.

O relatório cita uma fotografia divulgada pela imprensa que mostra Ramagem e um dos filhos do presidente, mas afirma que esta “não é o bastante para afirmar, com convicção, qualquer relação estreitamente pessoal que atentaria contra o princípio da impessoalidade na nomeação do delegado de polícia federal”.

Moro também não cometeu crime, diz PF

O órgão também afirmou não ver crime na conduta de Moro. O inquérito apurava tanto se Bolsonaro de fato tentou interferir na PF quanto se o ex-ministro da Justiça mentiu em suas alegações e teria cometido denunciação caluniosa ou crimes contra a honra.

“Não há nos autos elementos indiciários mínimos de existência de materialidade delitiva imputada ao Senhor Presidente da República Jair Messias Bolsonaro assim como também ao Senhor Sergio Fernando Moro”, concluiu a PF.

O órgão também considerou que Moro não imputou crime a Bolsonaro e, portanto, não agiu contra a lei. “Não há elementos indiciários que demonstrem a falsa imputação de crime pelo noticiante, o que enseja igual arquivamento”, diz o relatório.

Em seu depoimento de maio de 2020, Moro evitou afirmar se Bolsonaro havia cometido algum crime, apontando que “quem falou em crime foi a Procuradoria Geral da República na requisição de abertura de inquérito”, em referência a solicitação feita pela PGR ao STF feita após a acusação do ex-ministro contra Bolsonaro.

Após a divulgação do relatório pela PF, Moro criticou as conclusões em relação à Bolsonaro. “A Policia Federal produziu um documento de 150 páginas para dizer que não houve interferência do presidente na PF. Mas certamente, as quatro trocas de diretores da PF falam mais alto do que as 150 páginas desse documento”, tuitou.

lf (ots)

Bolsonaro passa a noite internado após desconforto abdominal

O presidente Jair Bolsonaro passou a noite desta segunda para terça-feira (29/03) no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, onde foi internado após sentir um desconforto abdominal, segundo informou o ministro das Comunicações, Fabio Faria.

Auxiliares do presidente citados pelo jornal O Globo afirmaram que o mandatário apresentou dores abdominais e refluxo, como já ocorreu em outras ocasiões, e foi levado ao hospital para realização de exames. A equipe médica decidiu, então, que o presidente passaria a noite no hospital, em observação.

Bolsonaro era aguardado num evento de filiação dos ministros Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) e Damares Alves (Mulher, Familia e Direitos Humanos) ao partido Republicanos. O deputado Marcos Pereira, presidente do Republicanos, informou aos participantes que o presidente deixou de comparecer para realizar exames.

A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, participou do evento e, ao final, declarou que o marido “está bem, graças a Deus”, segundo a imprensa.

Dependendo da avaliação médica, Bolsonaro deve viajar para Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, nesta terça.

Cirurgias e internações

Desde que sofreu um atentado a faca durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro passou por seis cirurgias, quatro delas ligadas à facada.

Em 6 de setembro de 2018, dia da facada, médicos colocaram uma bolsa de colostomia no então candidato. Dias depois, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência para retirada de aderências que estavam obstruindo as paredes do intestino delgado.

Pouco mais de quatro meses depois, em janeiro de 2019, ele foi internado para a retirada da bolsa de colostomia e reconstrução do trânsito do intestino.

Em setembro de 2019, Bolsonaro foi operado para correção de uma hérnia na região do abdome. Esta foi a última cirurgia devido a ferimentos causados pela facada.

Em janeiro e setembro de 2020, ele foi internado e operado, respectivamente, para fazer uma vasectomia e para retirada de cálculo na bexiga.

Em julho de 2021, o presidente ficou quatro dias internado no hospital Vila Nova Star para tratamento de uma obstrução intestinal. Na época, os médicos cogitaram uma nova cirurgia, que foi descartada depois que o intestino do presidente voltou a funcionar normalmente.

No início deste ano, Bolsonaro ficou internado durante três dias no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, devido a uma obstrução intestinal, que também acabou se desfazendo sem a necessidade de cirurgia.

lf (DW, ots)

Bolsonaro sobre ministro da Educação: “boto minha cara toda no fogo pelo Milton”

Milton Ribeiro, homem de pele clara, assina um documento sobre uma mesa que contém o brazão da República estampado na frente. Enquanto isso, Jair Bolsonaro, homem de pele clara, sorri e faz sinal de jóia ao fundo.

O presidente Jair Bolsonaro defendeu o ministro da Educação, Milton Ribeiro, na noite desta quinta-feira (24), durante sua live semanal nas redes sociais.

“[Sobre] o Milton, coisa rara eu falar aqui: eu boto minha cara toda no fogo pelo Milton. Estão fazendo uma covardia com ele”, afirmou.

Milton Ribeiro é alvo de investigação por suposto favorecimento na liberação de recursos para prefeituras por meio da intermediação de dois pastores. Os religiosos também são alvo do inquérito que foi aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Procuradoria Geral da República (PGR).

Milton Ribeiro, homem de pele clara, assina um documento sobre uma mesa que contém o brazão da República estampado na frente. Enquanto isso, Jair Bolsonaro, homem de pele clara, sorri e faz sinal de jóia ao fundo.
Jair Bolsonaro, Presidente da República, e Milton Ribeiro, ministro da Educação (Clauber Cleber Caetano/PR)

“Se ele estivesse armando, não teria botado na agenda oficial aberta ao público. É muito simples: quando o cara quer armar, ele vai pelado na piscina, num fim de mundo, na beira da praia. Ele não bota o nome do corruptor na agenda”, acrescentou Bolsonaro, durante a transmissão. 

Em nota divulgada à imprensa, Milton Ribeiro disse não haver nenhum tipo de favorecimento na distribuição de verbas da pasta. Segundo ele, a alocação de recursos federais segue a legislação orçamentária.

“Não há nenhuma possibilidade de o ministro determinar alocação de recursos para favorecer ou desfavorecer qualquer município ou estado”, disse, ao se manifestar. 

Ação de improbidade

Durante a live, Bolsonaro também comentou o envio, por parte do Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal, de uma ação de improbidade administrativa contra o presidente e a ex-secretária parlamentar da Câmara dos Deputados Walderice Santos da Conceição. 

A ação, que pede também o ressarcimento de recursos públicos, é relativa ao período em que Bolsonaro atuou como deputado federal. Segundo o MPF, Walderice, conhecida como Wal do Açaí, não esteve em Brasília durante o período e não exerceu função relacionada ao cargo. A ação cita ainda movimentação atípica na conta bancária da ex-secretária, com saques em espécie de mais de 80% da remuneração. 

“Ela nunca esteve em Brasília. Estou confessando aqui”, disse o presidente. Segundo ele, é prática comum os parlamentares distribuírem os assessores do mandato entre o gabinete em Brasília e o estado de origem.

‘Funcionária fantasma’: MPF pede condenação de Bolsonaro

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou à Justiça uma ação de improbidade administrativa acusando o presidente Jair Bolsonaro de ter mantido uma funcionária fantasma em seu gabinete na Câmara, de 2003 a 2018, quando era deputado federal.

A funcionária em questão, Walderice Santos da Conceição, ficou conhecida como Wal do Açaí, quando a história veio à tona em 2018. A imprensa revelou que, durante seu horário de expediente na Câmara, Walderice trabalhava em um comércio de açaí na mesma rua onde fica a casa de veraneio de Bolsonaro, em Angra dos Reis.

O Ministério Público pede a condenação dos dois por improbidade e solicita o ressarcimento dos recursos públicos que teriam sido desviados durante o período.

Nesta segunda-feira (21/03), a 6ª Vara Federal do Distrito Federal determinou que Bolsonaro e Walderice sejam intimados a apresentarem contestação no prazo de 30 dias.

Funcionária fantasma

Segundo a ação, embora lotada no gabinete de Bolsonaro por mais de 15 anos, Wal do Açaí nunca viajou a Brasília ou exerceu qualquer função relacionada ao cargo.

Por outro lado, neste período, Wal e marido dela, Edenilson Nogueira Garcia, prestaram serviços particulares na casa de Bolsonaro, sobretudo no cuidado com cachorros. De acordo com vizinhos, Edenilson seria o caseiro da residência do presidente.

Em 2018, quando a história veio a público, Bolsonaro negou que Wal fosse funcionária fantasma e disse que a mulher estava vendendo açaí por estar de férias do gabinete. No entanto, tempos depois, Wal foi novamente flagrada pelo jornal Folha de S. Paulo vendendo açaí no mesmo horário em que deveria estar prestando expediente na Câmara. A demissão de Wal foi confirmada em agosto de 2018, quando Bolsonaro já era candidato à Presidência.

Movimentações suspeitas

Além dos flagrantes da imprensa, para o MP, movimentações de dinheiro vivo atípicas também são um indicativo da fraude. Uma análise do MP mostrou que, em média, 83,77% da remuneração recebida nesse período foi sacada em dinheiro vivo. Em alguns anos, esse percentual superou os 95%.

Essas movimentações, com grandes somas em dinheiro sacadas em espécie, se assemelham ao padrão de outros funcionários de gabinetes de familiares do presidente investigados pelo esquema de “rachadinha”, quando a maior parte do salário do empregado laranja é sacada e devolvida ao empregador.

O MPF alega que Bolsonaro atestou falsamente o comparecimento de Waldenice ao gabinete, mesmo sabendo que ela não prestava os serviços correspondentes ao cargo. Ela deveria cumprir jornada de 40 horas semanais de trabalho.

le (ots)

Sem citar países, Bolsonaro defende integridade de territórios

Jair bolsonaro, homem branco, de terno e gravata durante discurso. Ao fundo, uma cortina azul escura

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (26) que o Brasil tem sido claro sobre sua posição “em defesa da soberania, da autodeterminação e da integridade territorial dos Estados”, e que o país já retirou cerca de 50 brasileiros para países vizinhos à Ucrânia, incluindo jornalistas, estudantes, empresários e atletas.

“Volto a afirmar que eu e meu governo estamos focados em garantir a segurança do nosso país, proteger os interesse do nosso povo, auxiliar os cidadãos brasileiros que se encontram nas regiões conflagradas e contribuir para uma resolução pacífica do conflito”, disse Bolsonaro, em uma sequência de três publicações em sua conta no Twitter.

Jair bolsonaro, homem branco, de terno e gravata durante discurso. Ao fundo, uma cortina azul escura
Jair Bolsonaro, presidente do Brasil (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Sem citar os nomes dos países, Bolsonaro destacou que o Brasil tem expressado bem sua posição em pronunciamentos no Conselho de Segurança da ONU e em pronunciamentos oficiais.         

Um dos membros temporários do Conselho de Segurança, o Brasil votou ontem (25) a favor de uma resolução do colegiado para condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia. A iniciativa acabou barrada pelo poder de veto dos próprios russos, um dos cinco membros vitalícios do conselho.