Temer se encontra com primeiro-ministro interino do Líbano

O ex-presidente Michel Temer, chefe da missão brasileira no Líbano, se reuniu hoje (14) com o primeiro-ministro interino do Líbano, Hassan Diab. O encontro faz parte das tratativas do governo brasileiro na ajuda ao país do Oriente Médio. Durante o encontro, a delegação brasileira expressou solidariedade do povo brasileiro ao povo libanês e se mostrou pronta para ajudar o Líbano.

(Divulgação)

No encontro, Temer fez questão de ressaltar sua descendência libanesa, bem como de vários integrantes da delegação brasileira. Diab mostrou, da sacada do prédio do governo, a extensão dos estragos provocados pela explosão na região portuária de Beirute. Temer também se encontrou com o presidente do Parlamento do Líbano, Nabin Berri.

A delegação brasileira chegou ontem (13) ao país. A delegação chefiada por Temer foi recebida no Aeroporto Internacional de Beirute por autoridades locais, lideranças religiosas e por integrantes da Força-Tarefa Marítima Unifil, missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ainda no aeroporto, Temer presidiu a Cerimônia de Entrega Oficial da Ajuda Humanitária ao Líbano. Em seu discurso, anunciou que milhares de toneladas de alimentos vindas do Brasil chegarão ao país por via marítima. “O povo brasileiro está muito empenhado em ajudar o Líbano. Estamos trazendo, agora, seis toneladas de alimentos e medicamentos. Mais 4 mil toneladas de arroz virão por via marítima. Além disso, a comunidade libanesa me comunicou, hoje [quinta-feira] pela manhã, que ainda há mais 20 toneladas arrecadadas”, disse o ex-presidente brasileiro.

A aeronave KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB), deixou o Brasil com 6 toneladas de materiais, entre medicamentos, equipamentos de saúde e alimentos, doados pelo Ministério da Saúde e pela comunidade libanesa no Brasil. Outro avião da FAB, o Embraer 190, levou os integrantes da comitiva. 

Além de Temer, chefe da missão e filho de libaneses, compõem a missão os senadores Nelson Trad Filho e Luiz Pastore, além do secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Flávio Viana Rocha, dentre outros.

A delegação brasileira deixou o Líbano na tarde de hoje (14) e a previsão é chegar ao Brasil amanhã (15). Antes de pousar em Anápolis (GO) e Brasília, as aeronaves farão paradas técnicas para abastecimento na Ilha do Sal, em Cabo Verde; em Valência, na Espanha, e em Fortaleza, no Ceará.

Crise

A explosão em Beirute, no dia 4 de agosto, sentida a 240 quilômetros (km) de distância, ocorreu em um período sensível para o Líbano, que vive crescente crise econômica e divisões internas, enquanto lida com os danos provocados pela pandemia da covid-19.

Os últimos tempos têm sido marcados por manifestações nas ruas do país contra o modo como o governo lida com aquela que é considerada a pior crise econômica desde a guerra civil de 1975-1990. 

O Líbano, que tem uma dívida pública de US$ 90 bilhões, importa a maioria da sua comida, e o porto de Beirute, fundamental no armazenamento dessas importações, está agora destruído.

As explosões na região portuária de Beirute foram causadas por problemas no armazenamento de cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, substância usada na produção de explosivos e fertilizantes. 

No dia 10 de agosto o primeiro-ministro, Hassan Diab, renunciou após protestos da população. Ele e seu gabinete, no entanto, continuam no cargo até a formação de um novo governo.

Por Marcelo Brandão – Repórter da Agência Brasil 

Bolsonaro convida Temer para missão humanitária no Líbano

O presidente Jair Bolsonaro participou, na manhã deste domingo (9), de uma videoconferência com outros chefes de Estado e de governo para tratar das ações de apoio ao Líbano. Na última terça-feira (4), uma grande explosão na zona portuária de Beirute, capital do país, deixou um saldo de centenas de mortes e milhares de feridos. Ao detalhar as ações do governo brasileiro, Bolsonaro disse que convidou o ex-presidente Michel Temer, que tem ascendência libanesa, para coordenar a missão. 

(Arquivo/Palácio do Planalto)

“Nos próximos dias, partirá do Brasil, rumo ao Líbano, uma aeronave da Força Aérea Brasileira com medicamentos e insumos básicos de saúde, reunidos pela comunidade libanesa radicada no Brasil. Também estamos preparando o envio, por via marítima, de 4 mil toneladas de arroz, para atenuar as consequências da perda dos estoques de cereais destruídos na explosão. Estamos acertando, com o governo libanês, o envio de uma equipe técnica, multidisciplinar, para colaborar na realização da perícia da explosão. Convidei, como o meu enviado especial e chefe dessa missão, o senhor Michel Temer, filho de libaneses e ex-presidente do Brasil”, afirmou Bolsonaro.

Em nota, a assessoria de Temer informou que o ex-presidente “está honrado” com o convite. “Quando o ato for publicado no Diário Oficial serão tomadas as medidas necessárias para viabilizar a tarefa”, diz a nota.

A videoconferência foi iniciativa do presidente da França, Emmanuel Macron, e contou com a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do presidente do Líbano, Michel Aoun, além dos líderes de países como Egito, Catar e Jordânia, entre outros. Em seu breve pronunciamento, Bolsonaro classificou a reunião como necessária e urgente, reafirmou suas condolências às famílias das vítimas da tragédia e destacou a relação histórica entre Líbano e Brasil. 

“O Brasil é lar da maior diáspora libanesa no mundo, 10 milhões de brasileiros de ascendência libanesa formam uma comunidade trabalhadora, dinâmica e participativa, que contribui de forma inestimável com o nosso país. Por essa razão, tudo que afeta o Líbano nos afeta como se fosse o nosso próprio lar e a nossa própria pátria”, disse.  

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil 

Presidente da França visita Beirute devastada e cobra reformas no Líbano

O presidente da França, Emmanuel Macron, chegou nesta quinta-feira (06/08) ao Líbano e caminhou através de multidões nas ruas devastadas de Beirute. Ele prometeu ajuda após a explosão que devastou parte da cidade e ouviu gritos de protesto contra a elite política local.

Emmanuel Macron, presidente da França, durante visita a Beirute (Redes Sociais/Reprodução)

Na antiga colônia francesa, Macron fez o que nenhum líder político libanês havia feito desde a explosão no porto de Beirute, que dois dias antes matou mais de 130 pessoas e feriu outras 5 mil. E, cobrando reformas políticas por parte dos governantes, se permitiu ser indagado pelos moradores de um dos bairros mais atingidos da capital.

Dezenas de pessoas cantando “revolução” e pedindo ajuda faziam força contra o cinturão de seguranças, enquanto Macron caminhava pela área de Gemmayzeh, a mais atingida pela explosão, por cerca de 45 minutos.

“Se reformas não forem realizadas, o Líbano continuará a se afundar”, disse Macron, que fora recebido no aeroporto pelo presidente libanês, Michel Aoun, mas caminhou sozinho pela região . “O que também é necessário aqui é uma mudança política. Esta explosão deve ser o início de uma nova era”.

A raiva latente contra os líderes libaneses está em alta desde a explosão, que parece ter sido causada por negligência e é amplamente vista como a manifestação mais trágica até agora da corrupção e incompetência da classe dominante.

A França há tempos procura apoiar sua antiga colônia e enviou ajuda de emergência desde a explosão. Mas, ao mesmo tempo, se uniu a outros países ocidentais em pressionar por reformas para erradicar a corrupção, cortar os gastos públicos e reduzir as enormes dívidas do Líbano.

Várias facções políticas, incluindo o grupo radical Hisbolá, apoiado pelo Irã, governam o país desde a guerra civil de 1975-1990. Quase todas as instituições públicas do país estão divididas entre essas facções, que as utilizam como capital político e para benefício de seus apoiadores.

Pouco progresso real de fato ocorre nas instituições, e tudo que requer ação conjunta muitas vezes se torna um emaranhado de conflito. Como resultado, até mesmo serviços básicos como eletricidade e coleta de lixo estão imersos em disputas políticas.

O pequeno país mediterrâneo é, além disso, assolado pelo aumento do desemprego e por uma crise financeira que dizimou a qualidade de vida de parte significativa da população.

“O povo quer que o regime caia”, gritavam os moradores para Macron. O presidente francês respondeu que proporia “um novo pacto político” e pediria a seus interlocutores, incluindo as principais autoridades libanesas, para “mudar o sistema, acabar com as divisões e combater a corrupção”.

Os prejuízos causados pela explosão foram estimados pelo governo de Beirute entre 10 e 15 bilhões de dólares. Mais de 300 mil pessoas estão desabrigadas.

O desastre também pode acelerar a epidemia de coronavírus no país, já que milhares de pessoas foram levadas para os hospitais. Dezenas de milhares tiveram que se mudar para a casa de parentes e amigos depois que suas casas foram danificadas, aumentando ainda mais os riscos de exposição ao vírus. 

O ministro da Economia, Raoul Nehme, disse que o Líbano, com seu sistema bancário em crise, uma moeda em colapso e uma das maiores dívidas do mundo, tem recursos “muito limitados” para lidar com o desastre.

O presidente Michel Aoun afirmou que a explosão foi causada por 2.750 toneladas de nitrato de amônio, usado em fertilizantes e bombas, que estavam armazenados há seis anos no porto após serem confiscados. Ele prometeu investigar e responsabilizar os culpados.

O presidente francês, que teve uma breve reunião em uma sala do aeroporto com Aoun antes de partir para o porto da capital, local da explosão, disse que nos próximos dias vai coordenar a assistência logística e anunciou o envio de um avião “com uma equipe de investigação”.

“Minha mensagem é uma mensagem de fraternidade, amor e amizade da França para o Líbano, e buscamos garantir ajuda internacional ao povo libanês”, disse Macron. “Sabemos que a crise no Líbano é grande, e é política e ética, acima de tudo, e sua vítima é o povo libanês. Minha prioridade é apoiar o povo libanês”.

Macron ainda prometeu voltar ao Líbano em setembro para verificar se a ajuda francesa foi bem aplicada. Ele ainda disse que vai se esforçar para que a contribuição “não vá parar nas mãos da corrupção”.

“Minha casa em Gemmayzeh foi devastada e a primeira pessoa a me fazer uma visita é um presidente estrangeiro”, escreveu o ator Ziad Itani em suas redes sociais após a visita de Macron, dizendo ainda aos líderes libaneses: “Que vergonha!”

RPR/afp/ap

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*A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. 

Bolsonaro manifesta solidariedade às vítimas de explosão

O presidente Jair Bolsonaro lamentou hoje (4) a explosão que aconteceu nesta terça-feira em Beirute e deixou mais de 70 mortos e mais 2.700 feridos.  Em sua conta pessoal no Twitter, Bolsonaro disse estar profundamente triste com as cenas.

“O Brasil abriga a maior comunidade de libaneses do mundo e, deste modo, sentimos essa tragédia como se fosse em nosso território. Manifesto minha solidariedade às famílias das vítimas fatais e aos feridos”, escreveu o presidente da rede social.

Nesta terça-feira, uma grande explosão no porto da capital libanesa matou mais de 70 pessoas e deixou mais de 2.750 feridos, além de provocar ondas de choque que estilhaçaram janelas, danificaram edifícios e estremeceram o chão de Beirute.

A expectativa das autoridades locais é que o número de mortos aumente ao longo da noite desta terça-feira, à medida em que as equipes de emergência escavem os destroços para resgatar os corpos. 

A explosão ocorreu por volta das 18h no horário local. Feridos chegaram a ser levados para hospitais fora de Beirute.

Alguns moradores, que estavam vivas durante os bombardeios que ocorreram na guerra civil do país, entre 1975 e 1990, acharam que se tratava de um terremoto.

O ministro do Interior do Líbano disse ao canal de televisão Al Jadeed que nitrato de amônio era armazenado no porto desde 2014.

Israel, que já travou diversas guerras contra o Líbano, negou qualquer tipo de envolvimento e ofereceu ajuda.

Explosão atinge área portuária de Beirute, no Líbano

Uma enorme explosão perto do centro de Beirute matou pelo menos 10 pessoas, hoje (4), e causou ondas de choque pela capital libanesa, quebrando vidros nas casas das pessoas e causando o colapso de sacadas, segundo testemunhas e fontes da área de segurança.

A explosão ocorreu na região portuária de Beirute, onde existem armazéns que abrigam explosivos, disse a agência de notícias estatal libanesa NNA e duas fontes da área de segurança. Uma terceira fonte de segurança disse que havia produtos químicos armazenados no local da explosão.

Imagens compartilhadas nas redes sociais por moradores mostravam uma coluna de fumaça sobre a região portuária no momento em que ocorre uma enorme explosão. Aqueles que estavam gravando o que parecia ser um grande incêndio foram lançados para trás pelo impacto da explosão.

Ao menos 10 corpos foram levados para hospitais, disseram uma fonte de segurança e outra da área médica à Reuters.

Não estava claro de imediato o que causou o incêndio que provocou a explosão ou que tipo de explosivos estavam nos armazéns.

O governador do porto de Beirute disse à Sky News que uma equipe dos bombeiros no local havia “desaparecido” após a explosão.

“Vi uma bola de fogo e fumaça subindo sobre Beirute. Pessoas estavam gritando e correndo, sangrando. Sacadas foram arrancadas de edifícios. O vidro dos prédios se partiu e caiu nas ruas”, disse uma testemunha da Reuters.

O ministro da Saúde do Líbano disse à Reuters disse que havia um “número muito alto” de feridos. A emissora de televisão Al Mayadeen disse que centenas de pessoas ficaram feridas.

Outra testemunha da Reuters disse que viu uma fumaça cinza pesada perto da área do porto e depois ouviu uma explosão e viu chamas de fogo e fumaça preta: “Todas as janelas do centro da cidade estão quebradas e há feridos andando por aí. É um caos total.”

O porta-voz da ONU Farhan Haq disse a repórteres que não ficou claro imediatamente qual era a causa da explosão e que não havia indicação de feridos entre os funcionários da ONU na cidade.

“Não temos informações sobre o que aconteceu com precisão, o que causou isso, seja um ato acidental ou causado pelo homem”, disse.

O Pentágono disse: “Estamos cientes da explosão e estamos preocupados com a potencial perda de vidas devido a uma explosão tão grande”.

No Chipre, uma ilha situada a oeste do Líbano, moradores relataram duas grandes explosões em rápida sucessão. Um morador da capital Nicósia disse que sua casa tremeu.

Marinha diz que militares brasileiros em Beirute estão bem

A Marinha do Brasil informou hoje (4) que os militares que compõem a Força Tarefa Marítima da corporação, em Beirute, estão bem e não foram atingidos pela grande explosão ocorrida na região portuária da capital do Líbano, há algumas horas. 

“A Fragata Independência encontra-se operando no mar, normalmente. O navio estava distante do local onde ocorreu a explosão. Outras informações serão passadas tempestivamente”, informou o Centro de Comunicação Social da Marinha, em nota à imprensa.  

A explosão ocorreu na região portuária de Beirute, onde existem armazéns que abrigam explosivos, informou a agência Reuters. Pelo menos dez mortes já foram confirmadas pelas autoridades locais. 

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil 

Ghosn acusa Nissan de conluio com a Justiça do Japão

Ex-presidente do grupo Renault-Nissan Carlos Ghosn (GlobalNews/Reprodução)


Em entrevista hoje (8), a primeira desde que fugiu do Japão para o Líbano, o ex-presidente do grupo Renault-Nissan Carlos Ghosn, acusou a empresa de “conluio” com a Procuradoria japonesa. Ele disse que é vítima de “perseguição política”.

“O conluio entre a Nissan e os procuradores é em todos os níveis”, afirmou o ex-executivo.

Quando perguntei aos meus advogados, disse Ghosn, eles disseram temer que uma decisão sobre o caso demorasse cinco anos no Japão.

Na entrevista em Beirute, o ex-presidente da Nissan sustentou que, após sua prisão, a valorização da empresa baixou em mais de US$ 10 bilhões: “Eles perderam mais de US$ 40 milhões por dia durante esse período.

Segundo Ghosn, a situação não vai bem para a Renault, porque a valorização baixou, desde a sua detenção, em mais de 5 bilhões de euros, “o que significa 20 milhões de euros por dia”.

O ex-executivo reafirmou que não fugiu da Justiça, “mas sim da injustiça e da perseguição política” em solo japonês. Acrescentou que não lhe restou “outra opção” além da fuga do Japão, onde é acusado de desfalques financeiros, o que considera sem fundamento.

“Eu nunca devia ter sido preso”, disse o ex-número um da fábrica de automóveis. “Não estou acima da lei e vejo com bons olhos a oportunidade para saber a verdade e ter o nome limpo”.

Carlos Ghosn foi detido no Japão em novembro de 2018. Encontrava-se em liberdade, sob fiança, desde 25 de abril do ano passado, mas sujeito a restrições de movimento e comunicação e proibido de abandonar o país asiático. Ele deveria ter sido julgado no Japão no mês da fuga.

Com tripla nacionalidade – libanesa, francesa e brasileira -, o ex-gestor agradeceu às autoridades do Líbano por, nas suas palavras, “não terem perdido a fé”.

*Emissora pública de televisão de Portugal