Reduzir maioridade penal pode aumentar a criminalidade, diz Toffoli

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça, ministro Dias Toffoli, afirmou hoje (3) que uma eventual redução da maioridade penal pode resultar no aumento da criminalidade. Toffoli fez a avaliação ao comentar os resultados de uma pesquisa do CNJ sobre indivíduos que são punidos pelo Estado e ainda assim voltam a cometer infrações ou crimes.

Segundo a pesquisa Reentradas e Reiterações Infracionais, divulgada nesta terça-feira pelo CNJ, cerca de 24% dos adolescentes que deixam uma unidade socioeducativa acabam retornando ao sistema após cometer novo ato infracional. A taxa é menor do que a reincidência de 42,5% apurada no sistema prisional, que abriga presos maiores de 18 anos. Os dados dizem respeito ao período entre janeiro de 2015 e junho de 2019.



Isso indica que, uma vez ingressando em uma penitenciária, a chance de um indivíduo não se recuperar e voltar a cometer crimes é maior do que se tivesse sido encaminhado a uma unidade socioeducativa, destacou Toffoli.

“Somados a outros estudos que apontam na mesma direção, esses dados são um forte indicador de que a expansão do sistema prisional para a parcela do público atualmente alcançado pelo sistema socioeducativo pode agravar ainda mais os níveis de criminalidade no país, não podendo, portanto, ser ignorados no debate em curso em nossa sociedade sobre a maioridade penal”, disse o ministro durante abertura de seminário sobre o tema, na sede do CNJ, em Brasília. 

Para Toffoli, a pesquisa contribui para que o assunto seja discutido com base em dados da realidade. “O Estado não pode trabalhar com achismo, com o “penso que”, o “acho que”, afirmou.

A pesquisa do CNJ foi feita a partir do Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei, que é alimentado pelas Varas da Infância e da Adolescência de todo o país. O próprio estudo, porém, reconhece “a fragilidade dos dados” diante da falha no preenchimento de formulários e inconsistências nas informações, embora considere os achados válidos para indicar tendências.

Por Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil 

Adolescente é agredido por seguranças do Metrô

Por Arthur Stabile

Imagens mostram garoto sendo agredido, jogado no chão e sufocado; ‘quanto mais falávamos para parar, mais violentos eles ficavam’, diz testemunha



Mesmo contido pelos seguranças adolescente de 15 anos continuou sofrendo agressão (Reprodução/via Ponte Jornalismo)

Seguranças do Metrô foram gravados agredindo um adolescente negro de 15 anos, neste domingo (8/12), na estação Tamanduateí da Linha 2 – Verde. Nas imagens, obtidas pela Ponte, é possível observar a ação truculenta dos agentes, que seguram o garoto com força, torcem o braço dele e dão um mata-leão, antes de jogá-lo ao chão. Ele pede socorro e parece ter dificuldades para respirar.

Testemunhas apontam que os seguranças estavam justificando a ação afirmando que o adolescente havia cometido um furto no trem. Nas imagens, é possível escutar as pessoas falando que o garoto estaria com uma “sede” em referência ao uso de maconha e que isso também teria contribuído para a violência.

Quem acompanhou a cena ficou em choque. “Cheguei quando eles já estavam torcendo o braço dele. Começou a aglomerar bastante gente, comecei a gritar para soltar, que não precisava daquela força, o pessoal em volta gritou também”, conta a pesquisadora Fernanda Harumi, 26 anos. “Eles [seguranças] só foram intensificando a agressão. Quanto mais falávamos, mais faziam”, continua.

Teve quem concordasse com a agressão e dissesse que “bandido tinha que apanhar, mesmo”. Fernanda conta que, nessa hora, os seguranças começaram a justificar a ação por causa de um suposto furto que teria acontecido na estação minutos antes. Eles afirmaram que o jovem era suspeito. A testemunha relata que nada foi encontrado na bolsa ou na calça do jovem.

“Bateram um rádio para eles e disseram que tinha tido um furto. Eles chegaram e pegaram o primeiro menino negro que viram, ele não estava fazendo nada. Fizeram essa cena horrível”, conta a pesquisadora, se referindo à troca de informações entre seguranças do Metrô, também chamado de “bater rádio”.

A abordagem durou cerca de quatro minutos. Com a multidão em volta, os guardas optaram por levar o jovem até uma sala. Segundo Fernanda, permaneceram trancados com ele por cerca de uma hora. “Deram soco na cabeça dele. Eu fiquei lá e disse que só ia embora quando soubesse que ele estava bem”, relembra.

Da sala, jovem e seguranças partiram para duas delegacias até encontrar a que tinha cobertura da área. No 56º DP (Vila Alpina), testemunhas prestaram depoimento. Fernanda conta que um técnico do Metrô esteve presente e, após o delegado pedir imagens de câmeras de segurança, ele teria explicado que elas “não gravaram”.

A pesquisadora conta que seu José, avô do rapaz, sabia que o neto estava vendendo balas no Metrô como forma de sustento. “Mas no momento ele estava distribuindo papelzinho e comendo batata do MC Donald’s que ganhou”, completa Fernanda.

Ariel de Castro Alves, advogado e conselheiro do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), confirma a informação de Fernanda. “O delegado me mostrou na delegacia o que foi apreendido: uns panfletos pedindo dinheiro para ajudar a família. Os abusos praticados por seguranças do Metrô de São Paulo são comuns e cotidianos. Eles recebem ordens para expulsarem os pedintes e vendedores ambulantes”, critica.

Em nota, o Metrô informou que “a equipe de segurança do Metrô foi alertada por uma passageira sobre um menor com atitude suspeita. Ao ser abordado, constatou-se que o mesmo estava portando drogas ilícitas. O menor reagiu e os agentes precisaram contê-lo. Uma PM, que desembarcava no local, tomou conhecimento do fato e prestou auxílio aos agentes de segurança”.

Ariel critica a nota do Metrô pela falta de provas. “Nenhuma vítima foi apresentada ou identificada pelos seguranças”, destaca.

Ponte questionou a SSP sobre a ação da PM e o registro da ocorrência, mas até a publicação da reportagem não havia um retorno.

*Esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/segurancas-do-metro-de-sp-agridem-adolescente-negro-e-o-acusam-de-um-furto/

Estudante denuncia tortura em estação da CPTM

Por Paloma Vasconcelos

Jovem negro de 16 anos foi espancado por 7 seguranças da CPTM
(Arquivo Pessoal/via Ponte Jornalismo)


“Mãe, eles não me bateram, eles me torturaram”. Foi assim que uma mãe recebeu a notícia de que o filho de 16 anos havia sido espancado por 7 seguranças quando tentou entrar na estação de trem sem pagar a passagem.

O caso aconteceu na estação Corinthians-Itaquera da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), na zona leste de São Paulo.

Segundo relato da mãe do estudante, que teme represálias e pediu para não ser identificada, o filho tentou pular a catraca quando foi impedido por uma funcionária por volta das 18h da sexta-feira (25). Em seguida, ele comprou um bilhete para ter acesso ao trem quando foi surpreendido pelos seguranças.

“Depois que eles entraram, os guardas foram na direção deles, um grudou em um braço e outro grudou pelo outro braço. Depois mais cinco guardas apareceram e levaram ele para uma sala”, detalha.

“Lá, mandaram ele tirar a roupa. Bateram nele, mesmo caído no chão chutavam e davam murros no corpo dele todo, incluindo na cabeça. Tinha um ferro nessa sala e mandaram ele encostar nesse ferro enquanto davam socos na cabeça dele, fazendo com que a cabeça batesse no ferro. Depois de tudo isso, fotografaram ele. Mandaram ele colocar a senha do celular e vasculharam tudo. Quebraram as sete correntes de prata que ele tinha, quebraram todas”, continua a mãe.

Assim que o filho chegou em casa, a mulher voltou com ele na estação de Itaquera para questionar os seguranças. “Chegando lá, eles ignoraram a gente, nos trataram mal, foram bem arrogantes. Falaram que todos os dias acontecia aquilo com ‘os meninos deles’. Ele [o homem que se apresentou como responsável pela segurança] chama os funcionários de ‘meninos’. Esse funcionário riu da minha cara e disse que eu podia procurar a minha providência porque eu não ia ganhar nada. Esse que se dizia responsável pelos seguranças teve que tirar um dos seguranças que veio para cima da gente, querendo bater em mim, na minha filha e no meu filho. E ele ficava falando ‘chamou a mamãezinha, é?’”, relata. 

Em seguida, a mulher chamou a polícia. Mas, ainda segundo ela, os policiais só chegaram por volta da 1h da manhã do sábado (26/10). “Fomos para a delegacia, mas não tinha delegado de plantão. Aí mandaram a gente para outra delegacia, que era mais próxima de nossa casa e que estava funcionando. Chegando lá tinha delegado, mas não podiam atender porque tinha muitas ocorrências”, relata.

No dia seguinte, no sábado, o jovem foi novamente até o 50º DP (Itaim Paulista) acompanhado da irmã mais velha para registrar um boletim de ocorrência por lesão corporal. As investigações serão feitas pelo 65º DP (Artur Alvim). 

O estudante tem hematomas no rosto, nas costas, braços, peito e no pescoço
(Arquivo Pessoal/via Ponte Jornalismo)

A Rede de Proteção e Resistência contra o Genocídio (CDHEP), que acompanha o caso ao lado da Amparar (Associação de familiares e amigos de presos), divulgou uma nota de repúdio ao episódio e criticou a atitude dos seguranças da CPTM.

“As fotos demostram a brutalidade com que os representantes da CPTM agrediram o adolescente. Tortura é crime e não vamos nos calar até que a CPTM se responsabilize por isso”, diz nota. 

“Sabemos que este não é um caso isolado, mas a coragem da mãe do jovem possibilitou que ela procurasse a Railda, da Amparar, e juntas vamos lutar por justiça. Escravos do capital e diante de um micropoder atribuído a eles, estes seguranças explicitam o ódio pelo jovem, negro, pobre e morador da periferia. Se colocam no lugar do patrão, esquecendo o quanto são oprimidos pela mesma lógica que oprimem”, conclui a Rede de Proteção.

Por causa das agressões, a mãe do adolescente conta que o filho está traumatizado. “Ontem ele ficou o dia inteiro deitado, não levantou para nada. Ontem de noite ele me perguntou: ‘Mãe, e amanhã, o que eu vou fazer?’. Ele ficou muito nervoso, suando muito”, relata.

Em nota enviada à Ponte, a CPTM confirma que o jovem de 16 anos foi abordado pelos seguranças e informa que está levantando as imagens do circuito interno para verificar o caso. A CPTM também anuncia que vai abrir investigação para apurar os fatos. 

“Caso seja comprovada a agressão, a empresa deve tomar as medidas legais aplicáveis nesta situação, como o afastamento e a demissão dos envolvidos. A CPTM não admite e não compactua com casos de violência. Segundo informações preliminares, um vendedor ambulante tentou invadir a Estação Corinthians-Itaquera sem pagar pela passagem e foi impedido pelos empregados da empresa”, diz nota.

*Esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/adolescente-negro-de-16-anos-afirma-ter-sido-espancado-por-segurancas-de-estacao-de-trem-em-sp/

Menor de 12 anos foi morto com tiro pelas costas, diz ouvidoria

Por Mariana Ferrari e Maria Teresa Cruz

Miguel de Souza tinha apenas 12 anos (Reprodução)


Sem resitência e com um tiro nas costas. Foi assim que Miguel de Souza, 12 anos, morreu depois de uma perseguição policial em São José dos Campos, interior de São Paulo. O Relatório da Ouvidoria, divulgado nesta sexta-feira (25), contesta a versão oficial, que alegava confronto e ação em legítima defesa.

“Pelas fotos do laudo de local é possível verificar que a vítima foi morta quando saía do banco de trás do veículo e, segundo testemunhas, não estava armado. O laudo necroscópico aponta que o primeiro tiro atingiu a vítima na parte posterior, ou seja, quando ela estava de costas”, diz o documento. 

O laudo nescrocópio aponta que Miguel foi atingido com arma de fogo duas vezes: um tiro no tórax esquerdo e outro no braço, que atravessou e também atingiu o tórax. 

A mãe de Miguel, Andréa Gonçalves, 36 anos, disse que semanas antes o cabo Thiago Santos Sudré, conhecido na região como “Carioca”, apareceu na casa da família com Miguel muito machucado e ameaçou matar o menino, caso o encontrasse novamente na rua.

“Mandei ele [Carioca] sentar no sofá e falei que meu filho era doente, um dependente químico. Foi onde ele falou assim pra mim: ‘Mãe, a senhora compra um caixão pequeno que se eu pegar o seu filho na rua eu vou matar ele”, disse em entrevista à Ponte. 

O ouvidor Benedito Mariano avalia o caso como “muito grave”. “Se comprovado o que foi dito pela mãe, de que duas semanas antes o policial teria ido até sua casa dizendo que se encontrasse o garoto iria matá-lo, é algo muito grave. É indício de crime premeditado, é muito grave. Dos casos que atendo, não vi nenhuma situação parecida. É grave”, disse à Ponte.

A perseguição do dia 6 de setembro começou, de acordo com o boletim de ocorrência, depois que policiais em patrulhamento identificaram um carro Volkswagen, modelo FOX. Os oficiais pediram para o motorista parar, mas não foram respeitados. Nesse momento há controvérsia entre a versão oficial e o laudo da Ouvidoria. 

Os PMs da ação disseram que Miguel estava armado e que não largou a arma após solicitação. Já a Ouvidoria aponta morte sem resistência e sem confronto. Três menores, de 17, 14 e 13 anos, foram detidos e levados para a Fundação Casa. A vítima do roubo não reconhece nenhum dos suspeitos como o assaltante do veículo. 

Desde o dia em que perdeu seu filho, Andréia passou a ser ameaçada e foi buscar proteção na casa de parentes. Segundo ela, o apartamento onde a família morava, no Parque dos Ipês, periferia de São José dos Campos, foi invadido. “Entrou para quê? Me amedrontar? Eu recebi várias ameaças pelo Facebook, de fake, que a polícia da corregedoria vai ver quem são”, afirma.

Devido as ameaças, Mariano explica que Andréa foi incluída no quadro do Porgrama de Proteção a Testemunhas no Brasil (Provita) – que tem uma série de restrições, como afastamento de familiares e amigos, manter o local de abrigamento em sigilo, etc – e que todos os laudos foram formalizados ao corregedor. “Evidentemente precisa ser investigado pelo delegado responsável em São José dos Campos”, completa.

Fama de matador

O laudo da ouvidoria também destaca que o cabo Thiago Santos Sudré já matou outras oito pessoas durante a carreira. Em São José dos Campos o PM é conhecido pelo vulgo “Carioca” e familiares do Miguel alegam que ele atua com truculência na periferia da cidade. 

As novas mortes do policial, incluindo a de Miguel, aconteceram entre janeiro de 2011 e setembro deste ano. “Eu quero justiça. Eu não tenho nada contra a Polícia Militar, o meu problema é só com esse policial”, completou Andréa em entrevista à Ponte.

A reportagem questionou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) sobre a divulgação do relatório e se alguma atitude foi tomada em relação ao cabo Thiago Santos Sudré, o “Carioca”. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

*Esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/menino-de-12-anos-foi-morto-pela-pm-de-sp-sem-resistencia-afirma-ouvidor/

Presa quadrilha que roubava motoristas de aplicativo

Motoristas eram atraídos até a região do Shopping Morumbi, na zona sul (Ilustrativa/Reprodução)


Estão presos dois homens e dois adolescentes suspeitos de roubar e extorquir motorista de aplicativo na zona sul de São Paulo. As prisões foram feitas pelo primeiro distrito policial de Diadema, na grande São Paulo.

Os suspeitos usavam o aplicativo para atrair os motoristas para a região do Shopping Morumbi. O destino das corridas era sempre Diadema.

Após o embarque, eles anunciavam o assalto. Outros dois suspeitos que estavam em um veículo atrás entravam no carro.

Motoristas tinham o rosto coberto com saco plástico, as mãos eram amarradas e a vítima era obrigada a dizer senhas bancárias.

Enquanto o motorista de aplicativo ficava rendido no carro, os suspeitos percorriam lojas fazendo compras. Segundo a Polícia Civil, na casa dos presos foram encontrados objetos roubados.

O carro usado na ação para seguir o veículo do motorista de aplicativo era roubado e estava com placa clonada.

*com informações da Polícia Civil de São Paulo

Menor de 12 anos suspeito de matar Raíssa vai ficar internado

Garota aparece em imagem de câmera de segurança ao lado do menor apreendido
(Record TV/Reprodução)


O menor, de 12 anos, suspeito de matar a menina Raíssa Eloá Capareli Dadona, de 9 anos, vai ficar internado na Fundação Casa do Brás, na área central de São Paulo. A Justiça decretou a internação nesta terça-feira (1), atendendo a pedido da Polícia Civil.

Segundo a família, Raíssa era autista e foi encontrada morta na tarde de domingo (29), no Parque Anhanguera, na Avenida Fortunata Tadiello Natucci, no bairro de Perus.

“Estamos trabalhando há pouco mais de 24 horas, mas já conseguimos obter várias informações que indicam a presença do adolescente na cena do crime”, explicou o delegado Luís Eduardo de Aguiar Marturano. 

A polícia informou ter encontrado contradições no depoimento do menor. “Ele confessou o crime, mas ainda não descartamos nenhuma linha de investigação”, explicou.

Imagens de circuito de segurança foram recolhidas para análise. Uma delas mostra o menor caminhando de mãos dadas com a menina.

A Polícia Civil ainda apura a motivação do crime e não desconsidera a possibilidade de participação de outras pessoas.

*Com informações da SSP

Meninas de até 13 anos são maioria das vítimas de estupro

Por Gilberto Costa

Número de casos bateu recorde (Arquivo/Governo do Estado de São Paulo/Reprodução)

O 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado hoje (10), registrou recorde da violência sexual. Foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil em 2018, maior índice desde que o estudo começou a ser feito em 2007. 

A maioria das vítimas (53,8%) foram meninas de até 13 anos. Conforme a estatística, apurada em microdados das secretarias de Segurança Pública de todos os estados e do Distrito Federal, quatro meninas até essa idade são estupradas por hora no país. Ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil, 4,1% acima do verificado em 2017 pelo anuário.

De acordo com a pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Cristina Neme, “o perfil do agressor é de uma pessoa muito próxima da vítima, muitas vezes seu familiar”, como pai, avô e padrasto conforme identificado em outras edições do anuário. O fórum é o órgão responsável pela  publicação do anuário.

Para a pesquisadora, a reincidência do perfil indica que “tem algo estrutural nesse fenômeno”. Ela avalia que a mudança de comportamento dependerá de campanhas de educação sexual e que o dano exige mais assistência e atendimento integral a vítimas e famílias.

De cada dez estupros, oito ocorrem contra meninas e mulheres e dois contra meninos e homens. A maioria das mulheres violadas (50,9%) são negras.

Feminicídio

Além do crescimento da violência sexual, o anuário contabiliza alta dos homicídios contra mulheres em razão de gênero, o chamado feminicídio descrito no Código Penal, após alteração feita pela Lei nº 13.104. []

Em 2018, 1.206 mulheres foram vítimas de feminicídio, alta de 4% em relação ao ano anterior. De cada dez mulheres mortas seis eram negras. A faixa etária das vítimas é mais diluída, 28,2% tem entre 20 e 29 anos, 29,8% entre 30 e 39 anos. E 18,5% entre 40 e 49 anos. Nove em cada dez assassinos de mulheres são companheiros ou ex-companheiros.

Internos da Fundação Casa fazem curso de pintura de parede

(Fundação Casa/Governo do Estado de SP)

Dezenove adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação na Fundação Casa São Bernardo do Campo I receberam no sábado (10) os certificados de conclusão do curso de formação em pintura. O curso é parte do “Projeto de Capacitação e Revitalização”, realizado em parceria com a Lukscolor Tintas.

A empresa realizou a capacitação e forneceu os materiais para os adolescentes, além de ser apoiado pelo Fundo Social de Solidariedade de São Bernardo do Campo e pela Vara da Infância. O Projeto ainda ocorrerá no Casa São Bernardo II.

“Estou muito feliz por ver um projeto que eu idealizei sendo concluído com sucesso. Com esses cursos, estamos proporcionando aos jovens, além capacitação profissional, uma nova oportunidade. Agradeço ao Fundo Social de Solidariedade de SBC e a empresa Lukscolor por terem me ajudado na execução do projeto. Juntos estamos oferecendo a esses jovens um novo futuro”, disse a deputada estadual, Carla Morando.

O Secretário da Justiça e Cidadania e presidente da Fundação Casa, Paulo Dimas Mascaretti, defende que o projeto incentivou os garotos a desenvolverem trabalhos conjuntos, a fim de reforçar as ações coletivas, além de ter sido uma oportunidade de aprenderem um ofício que possa gerar renda. “Foi, acima de tudo, uma ação educativa que proporcionou a possibilidade de terem um novo trabalho ou mesmo de empreender”, disse.

De acordo com a promotora de Justiça da Infância e Juventude, Vera Lúcia Acayaba de Toledo, os ambientes revitalizados aumentam a responsabilidade dos jovens com o cuidado e o compromisso de conservação do local. “Além dos conhecimentos sobre pintura, a conduta dos jovens durante a realização do projeto reflete também os benefícios sociais trazidos com esta ação”, disse a promotora de Justiça.

A capacitação na unidade São Bernardo I ocorreu entre os meses de maio e julho, totalizando 40 horas de aulas teóricas e práticas. Os jovens aprenderam técnicas de pintura e restauro e praticaram a aprendizagem nos espaços do próprio centro socioeducativo, como quartos, salas de aula, corredores e refeitório. No total, 18 adolescentes concluíram a formação, mas cinco já foram desinternados pelo Poder Judiciário.

Para a Diretora Geral da Lukscolor, Cristina Potomati Fiúza, a empresa tem a satisfação de apoiar projetos sociais como este. “Acreditamos que os benefícios trazidos aos participantes refletem na melhoria de toda a sociedade”, disse.

*Conteúdo do Governo do Estado de SP

Polícia apura sequestro de estudante de 15 anos

Ana Clara Cienta desapareceu a caminho da escola (Arquivo de Família/Via Correio do Interior)

A Polícia Civil de Mairinque investiga o sequestro de uma adolescente de 15 anos, levada da porta da escola, na tarde de segunda-feira (29), no bairro Vila Granada. Uma amiga da estudante Ana Clara Cienta da Rocha Pires contou aos parentes da vítima que o suspeito puxou a menina pelo braço e ameaçou matar a menor se ela não fosse embora com ele.

A história foi revelada em primeira mão pelo portal Correio do Interior.



A mãe da jovem, Josiane Cienta, disse que a filha trocou mensagens com o rapaz pelas redes sociais, mas que a filha parou de responder depois que ele ameaçou se matar caso Ana Clara não namorasse com ele. Ainda segundo a mãe, o rapaz chegou a publicar uma foto na rede social se mutilando.

Com medo, Ana Clara passou a ir pra escola acompanhada pelo avô, mas no dia do sequestro ela estava sozinha porque o familiar havia tido um imprevisto. O suspeito já foi identificado, mas o paradeiro dos dois é desconhecido.

Aluno suspeito de planejar massacre participa de audiência

Por Elaine Patricia Cruz

Equipes da polícia na escola onde massacre aconteceu, em Suzano, no dia do crime (Arquivo/Rovena Rosa/Agência Brasil)

O adolescente apreendido na semana passada, acusado de ser um dos mentores do ataque à Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano (SP), acompanha hoje (26) uma audiência de instrução no Fórum de Suzano. Segundo o Tribunal de Justiça, nessa audiência serão ouvidas testemunhas de acusação e de defesa. O caso segue em segredo de Justiça. O início da audiência estava agendado para as 10h30.

O adolescente é acusado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil de ser um dos mentores do ataque à escola. Ontem (25), em entrevista a jornalistas, o advogado de defesa Marcelo Feller negou que o jovem tenha qualquer ligação com o crime.

O ataque à escola, ocorrido na manhã do dia 13 de março, foi provocado por dois ex-alunos – um adolescente de 17 anos e um rapaz de 25 anos – encapuzados e armados. Dez pessoas morreram: duas funcionárias da escola, cinco alunos, um comerciante que era tio de um dos atiradores e os dois atiradores. O atentado deixou ainda 11 feridos. Um deles, um adolescente de 15 anos, continua internado na enfermaria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em estado estável.