Cúpula do Clima: ONU defende ação imediata dos líderes mundiais

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas (Evan Schneider/ONU/Reprodução)

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu hoje (22), em reunião virtual da Cúpula do Clima, que é preciso mobilizar as lideranças políticas para superar as mudanças climáticas e acabar com a guerra contra a natureza.

“A mãe natureza não está esperando. A última década foi a mais quente já registrada. Gases de efeito estufa perigosos estão em níveis nunca vistos em 3 milhões de anos. As temperaturas globais já subiram 1,2 grau Celsius, chegando a esse limiar da catástrofe”, disse, na cúpula, por videoconferência.

Ele ressaltou que o nível do mar está cada vez mais alto, as temperaturas estão escaldantes, há ciclones tropicais devastadores e incêndios florestais épicos. “Precisamos de um planeta verde, mas o mundo está em alerta vermelho. Estamos à beira do abismo, devemos dar o próximo passo”, ressaltou.

Para Guterres, os líderes mundiais devem construir uma coalizão global para emissões líquidas zero até meados do século, com envolvimento de “todos os países, todas as regiões, todas as cidades, todas as empresas e todos os setores”. “Todos os países, começando com os principais emissores, devem apresentar novas e mais ambiciosas medidas e contribuições para mitigação, adaptação e financiamento, definindo ações e políticas para os próximos 10 anos, alinhadas com as emissões líquidas zero até 2050. Precisamos traduzir esses compromissos em ação imediata concreta”, enfatizou.

China

O presidente da China, Xi Jinping, disse que o país começará a reduzir o consumo de carvão no período 2026-2030, como parte de seus esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento do clima. A China pretende se tornar neutra em carbono até 2060.

Estados Unidos

O governo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (22) cortar as emissões de gases de efeito estufa do país entre 50% e 52% até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Com a nova meta, espera induzir outros grandes emissores a mostrarem mais ambição no combate à mudança climática.

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, considerou o compromisso do presidente dos Estados, Joe Biden, um divisor de águas.

“Estou realmente emocionado com o anúncio de mudança de jogo que Joe Biden fez”, disse Johnson, elogiando Biden “por devolver os Estados Unidos à linha de frente da luta contra a mudança climática.”

Nessa terça-feira (21), Johnson disse que a Grã-Bretanha cortaria as emissões de carbono em 78% até 2035, a meta mais ambiciosa de mudança climática do mundo, que colocará o país no caminho para a emissão neutra.

Por Agência Brasil

* Com informações da Reuters

Organização brasileira se torna membro signatário do Pacto da ONU

Valentim Biazotti, fundador da Worth a Million

A Worth a Million, aceleradora de inovação corporativa criada em 2014, tornou-se oficialmente membro signatário do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Na prática, isso significa que a organização, que atua com grandes organizações como Leroy Merlin, Faber-Castell, Danone e Mapfre, passa a integrar o time de lideranças corporativas comprometidas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“A época em que se podia pensar em atividades econômicas ignorando os impactos sociais e ambientais chegou ao fim. A crença no ‘tripé da sustentabilidade’ – metodologia que une os pilares: ambiental, social e econômico – trouxe primeiros passos importantes, mas que hoje demonstram-se ineficazes. É hora de irmos além”, explica em comunicado Valentim Biazotti, fundador da Worth a Million. 

“Isso significa que o nosso papel é unir múltiplos agentes, por meio da inovação, para alcançarmos, em conjunto, objetivos que desenvolvam conjuntamente as pessoas e o planeta. Nós acreditamos que entidades e governos globais precisam se empenhar, juntos, para acabar com a pobreza, promover saúde, equilíbrio socioambiental e bem-estar para todos. É por isso que hoje somos membros da ONU, para engajar as organizações na promoção da responsabilidade social e da sustentabilidade”.

Além de se comprometer publicamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 17, a Worth a Million informa que passa a se posicionar como Aceleradora de Inovação Corporativa & Socioambiental. “Isso está diretamente ligado à nossa tese: enquanto a inovação é o meio, o modelo pelo qual organizações se transformam, a sustentabilidade é o fim, é o ato de se sustentar como empresa e se gerenciar conscientemente como um peso sustentado pela sociedade e pelo meio ambiente”, conclui.

O comunicado afirma também que, segundo o especialista, o ano de 2020 trouxe novos desafios na análise de riscos e ameaças. “Estar no Brasil e olhar ao redor é um exercício que deve nos causar algum grau de espanto. Em meio à crise sanitária, as ações de autoridades são ambíguas e, por vezes, contraditórias. A capacidade de diálogo entre diferentes formas de pensamento aparenta se deteriorar com mais velocidade do que antes. A renda de pessoas em situação de vulnerabilidade está ainda mais reduzida; a fome e a falta de acesso ao saneamento básico e à água potável também exemplificam a situação calamitosa. Além disso, o meio ambiente está constantemente negligenciado, tanto na proteção legal quanto na fiscalização, e dá sinais óbvios de esgotamento”, pondera.

Sobre a Worth a Million 

A Worth a Million é uma aceleradora de inovação corporativa que apoia grandes organizações em suas jornadas únicas de inovação e transformação. Desde 2014, atua com grandes organizações, como Caixa, Carrefour, Faber-Castell, Itaú, Leroy Merlin, Mastercard, Mapfre e Votorantim. A empresa é dirigida por seu fundador, Valentim Biazotti.

*Com AI

Vacina deve ser do povo, diz secretário-geral da ONU

António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas
(Arquivo/Alan Santos/PR)

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta sexta-feira (18/12) um apelo aos países ricos para que apoiem os mais pobres na aquisição de vacinas e no combate à pandemia de covid-19.

Em pronunciamento ao Parlamento alemão na ocasião dos 75 anos da fundação da ONU, Guterres enfatizou que o mundo precisa assegurar que a imunização contra o coronavírus esteja disponível “para todos, em toda parte” e que as vacinas sejam tratadas como um bem público

Em Berlim, o português exaltou o papel da Alemanha na luta contra a doença e os pesquisadores da empresa alemã de biotecnologia Biontech, que, em parceria com a farmacêutica americana Pfizer, disponibilizou no mercado a primeira vacina contra a doença.

Combate ao “vírus da desinformação”

“Nosso objetivo agora é assegurar que as vacinas seja tratadas como um bem público, acessível e pagável para todos”, destacou. “Uma vacina do povo.”

Guterres disse que a ONU está comprometida a fornecer informações e aconselhamento confiável, “orientada pela ciência, baseada em fatos”, de modo a aumentar a confiança nas vacinas e combater o que chamou de “vírus da desinformação”.

“Em todo o mundo, vimos como o populismo ignora a ciência e desorienta as pessoas. Desinformação, mitos e teorias selvagens da conspiração estão sendo propagadas”, alertou.

Guterres destacou que a iniciativa Covax Facility, criada para garantir o acesso dos países mais pobres às vacinas e apoiado pela ONU, necessita de 5 bilhões de dólares até ao final de janeiro de 2021. No total, o programa, ao qual também o Brasil já formalizou sua adesão, precisará de pelo menos de 20 bilhões de dólares para cumprir seus objetivos, lembrou o secretário-geral da ONU.

“Ao mesmo tempo, vejo países que compraram vacinas em volume várias vezes superior às respetivas populações, ou pelo menos fizeram ofertas nesse sentido”, observou Guterres, exortando os governos a doarem as doses em excesso à iniciativa Covax.

A Covax é o principal sistema global para garantir que os países de renda baixa e média tenham acesso às vacinas. O programa pretende distribuir pelo menos 2 bilhões de doses até ao final de 2021 de forma a imunizar 20% das pessoas mais vulneráveis em 91 países pobres, principalmente na África, Ásia e América Latina.

Alemanha como “força para a paz”

Guterres enalteceu o governo da chanceler federal Angela Merkel. Ele afirmou que seu “racionalismo, firmeza, compaixão e sabedoria” guiaram a Alemanha através da pandemia: “Louvo seus passos imediatos e decisivos orientados pela ciência, com dados e ações locais  que suprimiram a transmissão do vírus e salvaram vidas.”

Ele afirmou que os alemães têm motivos para estar “muito orgulhosos de suas conquistas” e enalteceu o país como uma “força para a paz” e um “pilar do multilateralismo”.

“Como secretário-geral, testemunho diariamente o modo como a Alemanha, com sua profunda consciência histórica e responsabilidade, desempenha papel de liderança no mundo”, afirmou, discursando em alemão. “Vejo como a Alemanha enfrenta os desafios de nosso tempo”, observou.

Após a visita ao Bundestag, Guterres manteve reuniões com Merkel e o presidente alemão, Frank-Walter Steimeier.

Por Deutsche Welle

Brasil cai cinco posições no ranking global de IDH

ONU aponta falta de avanços na educação como responsável pelo índice brasileiro, e alerta para alta desigualdade de renda e de gênero
(Fernando Frazão/Agência Brasil/via Fotos Públicas)

O Brasil caiu cinco posições no ranking mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU e passou da 79ª para a 84ª posição, entre 189 países avaliados.

O cálculo para as colocações no ranking anual elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) se baseia em critérios relacionados à saúde, renda e escolaridade para medir o bem-estar da população. Os dados do relatório divulgado nesta terça-feira (15/12) são de 2019.

O IDH brasileiro teve evolução de 0,003 em relação a 2018, o que o Pnud avalia como crescimento lento. O Brasil não chegou a recuar nos três indicadores, mas acabou sendo ultrapassado por outros países que tiveram melhor desempenho, o que explica a perda de posições.

A estagnação brasileira se deve à falta de avanços na educação. O período de permanência das pessoas na escola ainda é o mesmo de 2016, de 15,4 anos. A média de anos de estudo teve uma pequena alta, de 7,8 anos em 2018 para 8 anos em 2019.

A expectativa de vida no país aumentou de 75,7 anos para 75,9, o que representa um aumento significativo se comparado com a avaliação de 2015, que era de 75 anos.

O Brasil é ainda o 6º entre os países da América do Sul, atrás de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. Estes dois últimos estavam abaixo e empatados com o Brasil no ranking de 2018.

Se comparado aos demais países emergentes que integram o grupo dos Brics, o Brasil perde para a Rússia, mas aparece à frente de China, África do Sul e Índia.

O país com o melhor IDH do mundo continua sendo a Noruega, seguida da Irlanda e da Suíça, empatadas na segunda colocação. A Alemanha, que era a terceira colocada em 2018, caiu para a 6ª posição, atrás de Hong Kong e Islândia, ambos em quarto lugar.

Alta desigualdade

Se os índices referentes à desigualdade forem incluídos no cálculo, a queda do Brasil é ainda mais acentuada, com o país perdendo 20 posições. O IDH brasileiro, que é de 0,765, cai para 0,570, ou seja, uma redução de 25,5%.

Nessa análise, o Brasil é a segunda nação que mais perde posições, atrás apenas de Comores, um país nanico no leste da África com população de 830 mil pessoas. O IDH ajustado para a desigualdade é calculado para 150 países.

Outro ponto negativo para o Brasil diz respeito às questoes de gênero. O país está na 95ª posição do Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), um ranking que inclui 162 nações.

RC/ots

Por Deutsche Welle

Naufrágio mata ao menos 140 migrantes

(Hereward Holland/ONU-Acnur)

Ao menos 140 pessoas morreram depois que um barco que transportava cerca de 200 migrantes naufragou na costa do Senegal no último fim de semana, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta quinta-feira (29/10).

De acordo com o órgão das Nações Unidas, o número trágico de mortos no naufrágio o torna o mais letal envolvendo um barco de refugiados registrado até agora em 2020.

Duas centenas de migrantes embarcaram na cidade senegalesa de Mbour, no oeste do país, no sábado, rumo às Ilhas Canárias, na Espanha. Mas a embarcação logo pegou fogo e afundou na costa noroeste do Senegal, perto da cidade de Saint-Louis. Segundo a OIM, 59 passageiros foram resgatados com vida.

A organização disse estar “profundamente triste” com a tragédia, que se seguiu a outros quatro naufrágios no Mar Mediterrâneo na semana passada, e outro no Canal da Mancha.

“Apelamos à unidade entre governos, parceiros e a comunidade internacional para desmantelar as redes de tráfico e contrabando que se aproveitam da juventude desesperada”, disse Bakary Doumbia, chefe da OIM no Senegal, em comunicado.

A entidade alertou que o número de barcos que tentam chegar às Ilhas Canárias a partir do Senegal “aumentou significativamente nas últimas semanas”. No mês passado, 14 embarcações tentaram a travessia, e cerca de um quarto “sofreu algum incidente ou naufrágio”, disse a OIM.

O arquipélago espanhol fica a mais de 100 quilômetros da costa africana em seu ponto mais próximo, e a viagem é geralmente feita em barcos de madeira superlotados e mal conservados.

A costa senegalesa já foi um importante ponto de partida para quem quer migrar para a Europa, mas nos últimos anos havia se tornado mais comum viajar por terra para a Tunísia e a Líbia antes de tentar cruzar o Mediterrâneo.

Agora, a rota pelo Atlântico rumo à Europa voltou a ser cada vez mais usada. Pelo menos 414 pessoas morreram nesse trajeto em 2020, segundo o Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM, que registrou 210 óbitos em todo o ano de 2019.

Cerca de 11 mil migrantes chegaram às Ilhas Canárias neste ano, em comparação com 2.557 durante o mesmo período de 2019. O total, contudo, ainda está muito abaixo do pico registrado em 2006, quando mais de 32 mil chegadas foram computadas pela OIM.

EK/afp/ap/lusa/ots

Por Deutsche Welle

Pandemias mais mortais surgirão sem proteção à natureza, alerta ONU

Fogo no Pantanal (Mayke Toscano/Gov. do Estado do MT/via Fotos Públicas)

Futuras pandemias deverão ser mais frequentes, matar mais pessoas que a covid-19 e causar danos ainda piores à economia global se não houver uma mudança fundamental na forma como os seres humanos tratam a natureza em todo o mundo.

O alerta foi feito pelo painel de biodiversidade das Nações Unidas em um relatório publicado nesta quinta-feira (29/10). Segundo o documento, prevenir a eclosão de uma pandemia pode custar mais de 100 vezes menos do que combater seus efeitos mortais e econômicos.

No relatório, a chamada Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas em Serviços de Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES), organização criada pela ONU, defende o fim da destruição de áreas florestais e menos consumo de carne pela população, a fim de reduzir o contato com animais que carregam vírus e bactérias capazes de infectar humanos.

O painel estima que haja na natureza 1,7 milhão de vírus desconhecidos pela ciência, dos quais entre 540 mil e 850 mil existem em animais e têm capacidade potencial de infectar pessoas da mesma forma que o coronavírus Sars-Cov-2. Por conta disso, afirma o documento, pandemias representam uma “ameaça existencial” para a humanidade.

“Não há um grande mistério sobre a causa da pandemia de covid-19 – ou qualquer pandemia moderna”, disse Peter Daszak, presidente da ONG EcoHealth Alliance e um dos especialistas responsáveis pela elaboração do relatório da IPBES.

“As mesmas atividades humanas que impulsionam a mudança climática e a perda da biodiversidade também geram o risco de pandemias, por meio de seus impactos em nossa agricultura.”

O painel observa que a covid-19 foi a sexta pandemia a atingir o mundo desde a gripe espanhola, em 1918. Todas elas foram originadas por micróbios presentes em animais e “inteiramente impulsionadas pela atividade humana”, diz o órgão.

Isso inclui a exploração insustentável do meio ambiente por meio do desmatamento, expansão agrícola, além do comércio e consumo de animais selvagens. Esses fatores colocam os humanos em contato cada vez mais próximo com animais selvagens e animais criados para pecuária, bem como com as doenças que eles carregam.

Cerca de 70% das doenças emergentes, como ebola, zika e aids, são de origem zoonótica, ou seja, circulam em animais antes de chegarem às pessoas. A cada ano, cerca de cinco novas doenças surgem entre os humanos, e qualquer uma delas tem potencial para se tornar uma pandemia, alertou a plataforma das Nações Unidas.

A IPBES afirmou ainda que mais de três quartos das terras do planeta já foram gravemente degradados pela atividade humana. Além disso, um terço da superfície terrestre e três quartos da água doce do mundo são atualmente tomados pela agricultura, enquanto o uso de recursos da humanidade disparou 80% em apenas três décadas, disse o relatório.

O custo da pandemia

O órgão, que reuniu centenas de cientistas para a realização do documento, teve dificuldade em calcular o custo econômico total da covid-19, mas estima que, até julho de 2020, a crise tenha custado entre 8 e 16 trilhões de dólares ao planeta.

Somente nos Estados Unidos, país com os maiores números absolutos de casos e mortes ligadas à doença, o custo da pandemia pode chegar a 16 trilhões de dólares até o fim de 2021 – isso se houver uma vacina eficaz para controlar o vírus até lá.

Segundo os especialistas, o custo de responder a pandemias existentes é provavelmente mais de 100 vezes mais alto do que prevenir futuras pandemias de eclodirem, por meio do fornecimento de “fortes incentivos econômicos para mudanças transformadoras”.

Para reduzir o risco de pandemias recorrentes, a IPBES sugere uma resposta global coordenada, com os países acertando metas para evitar a perda da biodiversidade, como parte de um pacto internacional semelhante ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Entre as medidas que poderiam ser adotadas pelos governos, está a imposição de impostos ou taxas sobre o consumo de carne, a produção de gado e outras formas de “atividades de alto risco de pandemias”.

O relatório também sugere uma melhor regulamentação do comércio internacional de animais selvagens, bem como o empoderamento das comunidades indígenas para que elas preservem os habitats naturais.

Ao todo, mais de 44 milhões de pessoas já contraíram o coronavírus no mundo, e 1,17 milhão de pacientes morreram em decorrência da doença.

EK/afp/efe/ots

Por Deutsche Welle

Entidades condenam discurso de Bolsonaro na ONU

Jair Bolsonaro durante discurso online na ONU (Marcos Corrêa/PR)

Organizações não governamentais que lutam pela defesa do meio ambiente condenaram nesta terça-feira (22/09) o discurso do presidente Jair Bolsonaro na Assembleia Geral das Nações Unidas, em que o líder brasileiro voltou a minimizar a crise ambiental que assola o país.

As entidades afirmaram que Bolsonaro “envergonhou” mais uma vez o Brasil perante a ONU, e tacharam o discurso – gravado previamente devido à pandemia de coronavírus – de “delirante”, “constrangedor”, “negacionista”, “irresponsável” e “infundado”.

“Em pouco mais de 14 minutos de uma fala calculadamente delirante, o presidente mais uma vez expôs o país de forma constrangedora e confirmou as preocupações dos investidores internacionais que pensam em sair do Brasil”, escreveu em nota o Observatório do Clima.

“Ao negar simultaneamente a crise ambiental e a pandemia, o presidente dá a trilha sonora para o desinvestimento e o cancelamento de acordos comerciais no momento crítico de recuperação econômica pós-covid”, completa o texto, que ainda acusa Bolsonaro de usar a tribuna das Nações Unidas para fazer campanha à reeleição, em vez de promover o país.

Para a rede composta por 50 organizações não governamentais e movimentos sociais, o discurso “não foi voltado à comunidade internacional, mas sim à claque bolsonarista em casa”.

“Não teve o objetivo real de prestar esclarecimentos sobre a situação do Brasil a parceiros comerciais e consumidores preocupados, muito menos de propor uma visão de país, como era a tradição, mas de combater a realidade e inventar inimigos imaginários.”

Citado na nota, o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, afirmou que Bolsonaro ameaça a economia brasileira ao “negar a realidade e não apresentar nenhum plano para os problemas que enfrentamos”. “O Brasil pagará durante muito tempo a conta dessa irresponsabilidade. Temos um presidente que sabota o próprio país.”

Já o Greenpeace chamou atenção para as queimadas que devastam a Amazônia e o Pantanal e batem índices recordes sob o governo Bolsonaro. “O discurso […] aconteceu enquanto o país arde em chamas e testemunha a destruição de seus biomas e suas riquezas naturais”, alerta.

“A política antiambiental do atual governo está derretendo a imagem do Brasil lá fora e prejudicando a economia nacional”, insiste a ONG. “O país que antes já foi visto como liderança na questão ambiental foi o que mais destruiu suas florestas no mundo todo, em 2019, segundo dados da Global Forest Watch. Em 2020 os dados mostram que a situação só se agravou.”

Mariana Mota, coordenadora de políticas públicas do Greenpeace Brasil, afirmou que o drama ambiental vivido pelo Brasil é resultado da política do governo Bolsonaro, e negar ou minimizar essa realidade só “agrava a difícil situação que o país enfrenta”.

“Lamentavelmente, já estamos habituados a ouvir o presidente faltar com a verdade, desqualificar a ciência e buscar culpabilizar terceiros em vez de assumir a responsabilidade constitucional que possui. Entretanto, quando o faz na Assembleia Geral da ONU, diante de centenas de líderes de países, de investidores e do mundo todo, o presidente piora ainda mais a imagem do Brasil e agrava as sérias crises que enfrentamos”, disse Mota.

“Ao invés de negar a realidade, em meio à destruição recorde dos biomas brasileiros, o governo deveria cumprir seus deveres constitucionais em prol da proteção ambiental e apresentar um plano eficiente para enfrentar os incêndios que consomem o Brasil”, completou.

Por sua vez, a entidade WWF-Brasil considerou que Bolsonaro proferiu “uma fala cheia de acusações infundadas e ilações sem base científica que não condiz com o papel de um chefe de Estado”.

“Declarar que as queimadas são provocadas pelos ‘índios e caboclos’ [povos tradicionais descendentes de indígenas e brancos] é a maior delas”, disse Gabriela Yamaguchi, diretora de sociedade engajada da organização.

“Como um roteiro de ficção, o discurso uniu palavras-chaves das Nações Unidas com descrições de um Brasil que não existiu em 2020, em completo negacionismo da realidade do país e desconsiderando a urgência e seriedade dos desafios globais que o secretário-geral da ONU, António Guterres, tão bem descreveu”, acrescentou Yamaguchi.

A fala de Bolsonaro

Em seu discurso de abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira, o presidente afirmou que o Brasil é vítima de uma campanha de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal, e defendeu sua gestão da pandemia de covid-19.

Em relação ao meio ambiente, ele aproveitou a fala para se defender das críticas à sua política ambiental, proferidas por outros países e uma série de organizações em meio à alta do desmatamento e das queimadas na Amazônia e no Pantanal.

Bolsonaro afirmou que o agronegócio brasileiro segue “pujante” e que o Brasil tem e respeita “a melhor legislação ambiental do planeta”.

“Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos, que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse, sem nomear qualquer instituição.

O presidente ainda culpou os indígenas e caboclos por incêndios na Amazônia e, sem citar estudos científicos ou especialistas, questionou a ocorrência de queimadas de grande porte.

“Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios ocorrem sempre nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam o roçado para sua sobrevivência, em áreas já desmatadas.”

Bolsonaro também afirmou que o Brasil é líder na conservação de florestas tropicais e tem “a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo”.

Em razão da pandemia de covid-19, a assembleia da ONU deste ano ocorre de maneira virtual. O Brasil, como é tradição, abriu as intervenções de líderes mundiais.

EK/efe/lusa/ots

Por Deutsche Welle

Brasil é vítima de desinformação sobre meio ambiente, afirma Bolsonaro

(Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (22) que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”. Ao abrir a sessão de debates da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro justificou que há interesses comerciais por trás das notícias sobre queimadas e desmatamentos e que os incêndios que atingem as florestas brasileiras são comuns à época do ano e ao trabalho de comunidades locais em áreas já desmatadas.

“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse. “O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente”, completou.

Durante seu discurso, o presidente destacou o rigor da legislação ambiental brasileira, mas lembrou a dificuldade em combater atividades ilegais na Amazônia, como incêndios, extração de madeira e biopirataria, devido à sua extensão territorial. Ele ressaltou que, juntamente com o Congresso Nacional, está buscando a regularização fundiária da região, “visando identificar os autores desses crimes”.

“O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”, disse.

Covid-19

Em meio à pandemia do novo coronavírus, esta edição da Assembleia Geral da ONU é realizada de forma virtual. Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a fazer um pronunciamento e o presidente Bolsonaro, assim como os outros líderes mundiais, enviou a declaração gravada.

Ele lamentou as mortes por covid-19 e reafirmou o alerta de que o vírus e as questões econômicas “deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade”. Bolsonaro listou as medidas econômicas implementadas pelo governo federal e disse que, sob o lema “fique em casa” e “a economia a gente vê depois”, os veículos de comunicação brasileiros “quase trouxeram o caos social ao país”. “Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, opinou.

Para o presidente, a pandemia deixou a lição de que a produção de insumos e meios essenciais para a sobrevivência da população não pode depender apenas de poucas nações. Nesse sentido, ele colocou o Brasil aberto para o desenvolvimento de tecnologias de ponta e inovação, a exemplo da indústria 4.0, da inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G, “com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados”.

Bolsonaro falou ainda sobre a ampliação de acordos comerciais bilaterais e com blocos econômicos e disse que, em seu governo, “o Brasil, finalmente, abandona uma tradição protecionista e passa a ter na abertura comercial a ferramenta indispensável de crescimento e transformação”.

Em seu discurso, o presidente também destacou a atuação brasileira no campo humanitário e dos direitos humanos e as reformas que estão sendo implementadas no país.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Chefe da ONU diz que se recusa a ser cúmplice de destruição da Terra

Por ONU News

(Joyce N. Boghosian/Casa Branca/via Fotos Públicas)

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu nesta segunda-feira (23) o Encontro de Cúpula sobre Ação Climática, em Nova York, destacando que o “tempo está a acabar, mas ainda não é tarde demais” para promover mudanças que levem à sustentabilidade.

O encontro reúne mais de 80 líderes internacionais de governos, setor privado e da sociedade civil. Para Guterres, não há mais tempo para conversas, mas sim para ação.

Ele lembrou de desastres naturais recentes e afirmou que “a natureza está respondendo com fúria.” E citou sua visita às Bahamas, este mês, quando viu de perto os estragos do furacão Dorian. O chefe da ONU também lembrou de Moçambique, atingido por dois ciclones no início do ano.

Jovens engajados

Ao falar da Cúpula da Juventude sobre o Clima, realizada no sábado (21), Guterres disse que “os jovens estão oferecendo soluções e cobrando prestação de contas e ação urgentes”. Ele afirmou que a sua geração “falhou com a responsabilidade de proteger o planeta” e que isso deve mudar. Segundo ele, a mudança climática é causada pelas pessoas, e as soluções devem vir delas.

O chefe da ONU citou algumas ferramentas necessárias para este combate, dizendo que existem tecnologias que podem substituir mais de 70% das emissões atuais. O mundo conta com mapas para essa ação, como a Agenda 2030 e o Acordo de Paris, disse.

Segundo os últimos dados do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, se as temperaturas subirem mais de 1.5ºC, haverá danos graves e irreversíveis. E se nada for feito, as temperaturas devem subir 3°C até ao final do século.

Novo modelo

Guterres afirmou que não será “uma testemunha silenciosa do crime de condenar o presente e destruir o direito a um futuro sustentável.” E que para evitar esse cenário é necessário cortar as emissões de dióxido de carbono em 45% até 2030 e atingir a neutralidade de carbono até 2050.

O chefe da ONU afirma que é preciso “ligar a mudança climática a um novo modelo de desenvolvimento, uma globalização justa, com menos sofrimento, mais justiça e harmonia entre as pessoas e o planeta.”

Ele também disse que “tudo tem um custo, mas o maior custo é não fazer nada.” Para ele, “o mais caro é subsidiar uma indústria de combustíveis fósseis que está morrendo e construir mais centrais de carvão.”

O secretário-geral questionou se haveria “bom senso em dar trilhões do dinheiro de contribuintes para que a indústria de combustíveis fósseis fortaleça furacões, espalhe doenças tropicais e aumente conflitos”

Segundo ele, “é tempo de mudar os impostos dos salários para o carbono, e taxar poluição, não pessoas.” Ele acredita que é possível “fazer uma transformação política e dos mercados para um mercado verde, com melhores vidas, trabalhos, saúde, segurança alimentar, igualdade e crescimento sustentável.”

Guterres finalizou seu discurso dizendo que é sua obrigação e obrigação de todo o mundo, fazer tudo o que é possível para parar a mudança climática antes que ela pare a todos.

Bolsonaro embarca para participar da Assembleia da ONU

Por Andreia Verdélio

O presidente Jair Bolsonaro viajou hoje (23) para Nova York, nos Estados Unidos, onde participa da abertura da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas. O avião com a comitiva presidencial partiu da Base Aérea de Brasília por volta das 7h e a chegada esta prevista para as 14h55.

Nesta terça-feira (24), Bolsonaro tem encontro confirmado com o secretário-geral da ONU, António Guterres. No mesmo dia, acontece seu pronunciamento na Assembleia Geral. Tradicionalmente, cabe ao presidente do Brasil fazer o discurso de abertura, seguido do presidente dos Estados Unidos.

Não estão previstos encontros bilaterais com outros chefes de Estado. A previsão é que o presidente embarque de volta ao Brasil já amanhã a noite.

A agenda também inclui, segundo o Palácio do Planalto, um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas ainda não há detalhes sobre a agenda.