Na ONU, Biden diz que EUA não buscam “nova Guerra Fria” com a China

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (ONU/Reprodução)

Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Joe Biden afirmou nesta terça-feira (21/(09) que os Estados Unidos estão de volta à mesa de negociações internacionais, em franco contraste com a posição de seu antecessor, Donald Trump.

“O mundo precisa cooperar mais do que nunca para enfrentar os desafios globais”, declarou no primeiro dia da Assembleia-Geral, diante de “uma década decisiva para o nosso mundo”. Entre esses desafios o presidente americano listou as mudanças climáticas.

“Em abril, anunciei que os Estados Unidos dobrarão nosso financiamento público internacional para ajudar países em desenvolvimento no combate à crise climática. Hoje, estou orgulhoso em anunciar que trabalharemos com o Congresso para dobrar este número novamente, incluindo para esforços de adaptação, para tornar os Estados Unidos líderes no financiamento público sobre o clima”, disse Biden.

O presidente democrata também anunciou uma ajuda de US$ 100 bilhões para que os países em desenvolvimento combatam mudanças climáticas. Ele também disse que seu governo planeja um plano de ajuda de US$ 10 bilhões para a luta contra a fome.

Biden falou na ONU logo depois do presidente Jair Bolsonaro, que fez um discurso voltado para sua base no qual exaltou o ineficaz “tratamento precoce” contra a covid-19 e criticou a criação de passaportes sanitários.

O americano disse também que os EUA estão prontos para retomar, em 2022, um assento no Conselho de Direitos Humanos, de onde Trump retirou o país em 2018, sob a acusação de o órgão ser contrário a Israel.

Sobre o Afeganistão, ele afirmou que os Estados Unidos estão abrindo “uma nova era de uma diplomacia intransigente” depois do fim da guerra e que “a força militar dos EUA deve ser a última opção”.

Biden também usou o palco na ONU para defende a retirada dos militares americanos que estavam no Afeganistão desde 2001. “Terminamos 20 anos de conflito no Afeganistão, e estamos abrindo uma nova era de forte diplomacia, de uso do poder do desenvolvimento para investir em novas formas de ajudar os povos mundo afora”, discursou.

“Os EUA não são mais o mesmo país que foi atacado no 11 de Setembro, há 20 anos. Hoje, somos melhor equipados para detectar e prevenir ameaças terroristas e somos mais resilientes na nossa capacidade de combatê-las”, disse.

Ele ainda reiterou o comprometimento dos EUA a impedir que o Irã obtenha armas nucleares e ofereceu a opção de um retorno completo do país ao acordo nuclear se o Irã fizer o mesmo.

Em referência à China, declarou que “os Estados Unidos não querem uma nova Guerra Fria” e acrescentou que está pronto para cooperar com qualquer país que busque a paz. Segundo Biden, os EUA “estão prontos para trabalhar com todas as nações que se comprometam e procurem uma solução pacífica para partilhar os desafios, mesmo que existam intensos desacordos em outros domínios”.  

Por outro lado,  sem se referir diretamente à rival China, ele advertiu que “os Estados Unidos vão participar na competição, e participar com vigor”. “Com os nossos valores e a nossa força, vamos defender os nossos aliados e os nossos amigos e opor-nos às tentativas dos países mais fortes de dominarem os mais fracos”, sustentou, na perspectiva que tem repetido de combater “as autocracias” e “defender a democracia”.  

Os Estados Unidos ainda priorizam uma diplomacia séria e sustentável para a completa desnuclearização da Península Coreana, disse.

Por fim, Biden também defendeu a aplicação de vacinas e exaltou as doações de doses feitas pelos EUA e outras nações. “O luto compartilhado é um lembrete de que nosso futuro coletivo está associado à nossa capacidade de reconhecer nossa humanidade em comum e de agirmos juntos”, disse.

Por Deutsche Welle
jps/as (Lusa, EFE, AFP)

Xi Jinping anuncia que China não vai mais financiar usinas a carvão no exterior

Xi Jinping, presidente da China (Huang Jingwen/Xinhua)

A China deixará de participar da construção de usinas termelétricas a carvão no exterior, anunciou nesta terça-feira (21/09) o presidente Xi Jinping, em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU.

O anúncio vai ao encontro de uma antiga exigência de ambientalistas. O ativista Li Shuo, do Greenpeace chinês, afirmou que se trata de um sinal importante e positivo para a proteção climática. Ele disse esperar agora mais clareza do governo chinês sobre como isso será implementado.

Em discurso gravado em vídeo, Xi disse na ONU que o governo chinês vai reforçar o apoio a países em desenvolvimento para implementar fontes de energia limpa, com o objetivo de combater a crise climática. “Temos de acelerar a transição para uma economia verde e de baixo carbono”, afirmou o presidente chinês, que é um dos principais apoiadores da construção de grandes infraestruturas em outros países, especialmente através da iniciativa criada por ele e conhecida como Nova Rota da Seda.

A China é o maior emissor mundial per capita de gases do efeito estufa, seguida pelos Estados Unidos, e tem estado sob pressão para reduzir o uso de centrais de carvão para produzir eletricidade. O país continua a obter cerca de 60% da sua energia da queima de carvão e planeja construir mais centrais, apesar de manter o compromisso de reduzir o uso do combustível fóssil.

Segundo organizações ambientalistas, o Banco da China é o maior financiador de projetos de carvão no mundo. A instituição estatal financiou usinas a carvão em vários países, especialmente na África e na Ásia, no últimos anos. Em solo chinês, o governo continua investindo em usinas a carvão e ampliando a capacidade de produção de energia elétrica a carvão ano após ano, complicando os esforços climáticos.

Xi reiterou que a China buscará atingir o pico das suas emissões de dióxido de carbono até 2030, ou seja, as emissões continuarão subindo até lá, e alcançar a neutralidade de carbono, ou seja, emitir a mesma quantidade que é removida de outras formas, até 2060. A China estabeleceu como meta gerar 20% do consumo total de energia do país a partir de fontes renováveis até 2025.

Por Deutsche Welle
as (Efe, Lusa)

Talibã pede para falar na Assembleia-Geral da ONU

(Wang Ying/Xinhua)

O regime do grupo fundamentalista Talibã, que governa o Afeganistão, pediu para discursar na Assembleia-Geral da ONU, que começou nesta terça-feira (21/09) em Nova York.

O pedido foi feito numa carta enviada à Secretaria-Geral da ONU pelo ministro do Exterior talibã, Amir Khan Muttaqi. O documento também pede a nomeação de um novo representante do Afeganistão nas Nações Unidas, Suhail Shaheen, substituindo o atual, Ghulam Isaczai, que havia sido escolhido pelo governo afegão deposto.

Segundo a Secretaria-Geral, a ONU já havia recebido outra carta, de Ghulam Isaczai, apresentando-se como o líder da delegação do país nas reuniões da Assembleia-Geral.

Segundo a ONU, as duas cartas foram endereçadas ao comitê de credenciais da Assembleia-Geral, organismo formado por nove países, entre os quais Estados Unidos, China e Rússia, que é responsável pela resolução desse tipo de conflito e que opera normalmente procurando o consenso.

A solicitação, por si só, não garante que os talibãs poderão discursar perante os líderes internacionais. Não há expectativa de que o comitê vá se reunir antes do fim dos debates em andamento na Assembleia-Geral, o que prejudica o plano dos talibãs.

Assim, o atual representante do país na ONU, Ghulam Isaczai, deverá se pronunciar em nome do Afeganistão, o que deve ocorrer no último dia da Assembleia-Geral.

O Afeganistão é uma das questões centrais da cúpula dos chefes de Estado e de governo.

Diversos países mantêm contato com os talibãs desde que eles assumiram o poder, principalmente para organizar retiradas do Afeganistão e oferecer ajuda humanitária a civis, mas até agora o grupo não recebeu nenhum reconhecimento formal.

Durante o primeiro regime do Talibã, entre 1996 e 2001, o representante do governo anterior continuou representando o Afeganistão nas Nações Unidas, já que o regime talibã não foi reconhecido pela comunidade internacional.

Por Deutsche Welle
as (Lusa, Efe, DPA)

Na ONU, Bolsonaro volta a defender ineficaz “tratamento precoce”

(Alan Santos/PR)

O presidente Jair Bolsonaro usou nesta terça-feira (21/09) seu discurso de abertura da 76ª Assembleia-Geral das Nações Unidas para defender o desacreditado “tratamento precoce” promovido pelo seu governo, que consiste num coquetel de drogas ineficazes contra a covid-19, e para atacar o passaporte sanitário.

“Não entendemos porque muitos países se colocaram contra o tratamento precoce. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos”, disse Bolsonaro na sede da ONU, em Nova York, num discurso que pareceu voltado para sua base radical e que teve tom similar ao que o presidente usa em sua lives na internet.

“Desde o início da pandemia apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce”, prosseguiu Bolsonaro. “Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial”, completou.

O Brasil é um dos poucos países do mundo cujo governo ainda promove o desacreditado “tratamento precoce”, que consiste em drogas ineficazes contra a covid-19, como cloroquina e ivermectina, em detrimento das vacinas. Bolsonaro segue defendendo essas drogas mesmo após diversos estudos mostrarem sua ineficácia. Nos EUA, o governo do presidente Donald Trump chegou a promover a cloroquina em 2020, mas logo abandonou políticas nesse sentido e investiu pesadamente em vacinas. Hoje, o “tratamento precoce” só é defendido mundo afora em círculos conspiracionistas e de extrema direita.

Na ONU, Bolsonaro, que afirma não ter tomado vacina, também atacou iniciativas para instituir o passaporte de vacinação para viajantes e consumidores frequentarem espaços fechados. “Apoiamos a vacinação, mas nosso governo tem se posicionado contra o passaporte sanitário e qualquer obrigação relacionada à vacinação”, disse o brasileiro.

Por outro lado, o presidente ainda elogiou a gestão brasileira da pandemia, destacando números da vacinação no país, que vem avançando, apesar de ele mesmo continuar a estimular a paranoia contra os imunizantes e se recusar a dar o exemplo ao evitar ser imunizado. O Brasil já registrou mais de 580 mil mortes por covid-19, a segunda maior marca oficial entre todos os países do mundo.

Ao longo da crise, Bolsonaro reiteradamente minimizou a gravidade da pandemia de covid-19, doença que chamou de “gripezinha”. Ele também atuou sistematicamente para sabotar medidas de isolamento social e participou de eventos públicos nos quais abraçou e cumprimentou apoiadores. Ainda promoveu tratamento ineficazes e alimentou paranoia sobre vacinas. Seu governo também foi amplamente criticado por demorar para comprar imunizantes de laboratórios conceituados ao mesmo tempo em que abria as portas para empresas de fachada suspeitas de participação em esquemas de corrupção. Dois ministros da Saúde deixaram o governo por causa de divergências com o presidente.

Essa é a terceira vez que Bolsonaro discursa na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Política ambiental, corrupção e “socialismo”

Bolsonaro abriu seu discurso afirmando que pretendia “mostrar um Brasil diferente daquilo publicado em jornais e mostrado em televisões”. Ele prosseguiu com elogios ao seu próprio governo, afirmando que sua administração não registrou casos de corrupção – o que é desmentido pelas denúncias envolvendo compras suspeitas de vacinas e negócios envolvendo aliados e sua própria família

Ele ainda descreveu falsamente que o Brasil era um país “à beira do socialismo” antes do seu governo.

“O Brasil tem um presidente que acredita em Deus, respeita a Constituição e seus militares, valoriza a família e deve lealdade a seu povo. Isso é muito, é uma sólida base, se levarmos em conta que estávamos à beira do socialismo. Nossas estatais davam prejuízos de bilhões de dólares, hoje são lucrativas. Nosso Banco de Desenvolvimento [BNDES] era usado para financiar obras em países comunistas, sem garantias. Quem honrava esses compromissos é o próprio povo brasileiro. Tudo isso mudou. Apresento agora um novo Brasil, com sua credibilidade já recuperada”, disse Bolsonaro no início do discurso, que ocorre duas semanas após ele fazer ameaças golpistas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Bolsonaro também descreveu os atos de seus apoiadores no 7 de Setembro como a “maior manifestação de nossa história”, embora o país tenha sido palco de manifestações bem maiores nas últimas décadas, como entre 2015 e 2016 contra o governo Dilma Rousseff, ou nos comícios das Diretas Já nos anos 1980.

O presidente ainda listou investimentos, mencionou leilões de aeroportos e construção de ferrovias e abordou os atos antidemocráticos do Sete de Setembro, que reuniram sua base nas ruas.

Bolsonaro também exaltou sua política ambiental e repetiu afirmações que já havia feito em discursos anteriores na ONU, como o Brasil ter “66% do seu território” ocupado por vegetação nativa.

As falas de Bolsonaro sobre meio ambiente ocorrem um dia após a divulgação de que a Amazônia perdeu uma área equivalente a cinco vezes o tamanho de Belo Horizonte apenas em agosto, o maior índice para o mês em dez anos. O desmatamento acumulado desde janeiro de 2021 também é o pior em uma década, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

O brasileiro ainda fez uma menção indireta ao marco temporal, ao mencionar que terras indígenas ocupam 14% do território nacional. Segundo ele, “indígenas cada vez mais desejam usar suas terras para a agricultura”, o que é contestado por liderança indígenas que temem a destruição de suas terras. No Brasil, Bolsonaro já chamou as terras indígenas de “zoológicos humanos” e reclamou de indígenas que “vivem na idade da pedra”.

O STF está analisando o marco temporal desde o dia 26 de agosto. O mecanismo estabelece que índios só podem reivindicar a demarcação de terras já ocupadas por tribos antes da data de promulgação da Constituição de 1988. A tese é amplamente contestada por representantes indígenas e organizações ambientais e de defesa dos direitos humanos.

Isolamento

O discurso ocorreu em um momento de intensificação do isolamento internacional do governo Bolsonaro. Em 2019 e 2020, o presidente brasileiro já havia falado em ocasiões delicadas, marcadas pelo derretimento da imagem do país por causa do desmonte de políticas ambientais e queimadas, mas em 2021 Bolsonaro se vê na arena internacional sem aliados, como o americano Donald Trump e o israelense Benjamin Netanyahu, que deixaram o poder no primeiro semestre. Nos EUA, o presidente já não conta com a mesma proximidade com a Casa Branca, agora comandada pelo democrata Joe Biden, que já sinalizou adotar uma posição mais incisiva em temas ambientais.

Sem seus velhos aliados, o presidente se limitou, nesta segunda-feira, antes do discurso, a travar encontros bilaterais com o populista premiê britânico, Boris Johnson, e o ultraconservador presidente polonês, Andrezj Duda, que representam países que não aparecem em listas de principais parceiros econômicos do Brasil.

Jair Bolsonaro e Boris Johnson (Alan Santos/PR)

Por outro lado, a política externa de Bolsonaro também passou por mudanças de comando desde o discurso na Assembleia-Geral de 2020. O ultradireitista Ernesto Araújo, conhecido por adotar posições alimentadas por teorias conspiratórias, deixou o comando do Itamaraty em março. No seu lugar entrou Carlos França, que tem tido um comportamento mais discreto, embora não tenha alterado significativamente o rumo da pasta. Já o assessor especial para Assuntos Internacionais Filipe G. Martins, outro seguidor do guru de extrema direita Olavo de Carvalho, continua no cargo, mas enfraquecido. Segundo o jornal O Globo, Martins tem perdido espaço no Planalto. Ele também foi vetado da comitiva que viajou a Nova York. Em 2019, ele havia sido um dos responsáveis por redigir o discurso de Bolsonaro na ONU.  

O discurso de Bolsonaro nesta terça-feira também seguiu uma linha similar às falas do presidente nas aberturas da Assembleia-Geral da ONU em 2019 e 2020. No seu primeiro ano como presidente, Bolsonaro disse que era uma “falácia dizer que a Amazônia é um patrimônio da humanidade”, atacou o que chamou de “ambientalismo radical” e usou o palco internacional para falar de outros temas que têm apelo entre seus apoiadores brasileiros, entre eles membros da direita nacionalista e setores evangélicos. Na ocasião, ele mencionou o “Foro de São Paulo” – um tema que alimenta teorias conspiratórias nesses setores – e também afirmou falsamente que o Brasil estava “à beira do socialismo” antes do seu governo. Ele também reclamou dos seus antecessores e elogiou seu então ministro da Justiça Sergio Moro, com quem romperia poucos meses depois.

Em 2020, com a abertura ocorrendo de maneira virtual por causa da pandemia, Bolsonaro usou a ocasião para mais uma vez atacar ambientalistas. Ele disse que era vítima de uma campanha de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal e, sem apresentar provas, culpou indígenas e caboclos por incêndios nesses biomas. Ele ainda defendeu sua gestão da pandemia, evitando mencionar sua postura negacionista ao longo da crise. À época desse discurso, o Brasil acumulava 140 mil mortes por covid-19 e 4,6 milhões de casos, hoje os totais são 590 mil mortes e mais de 20 milhões de casos.

Tanto em 2019 quanto em 2020, as falas de Bolsonaro provocaram críticas de organizações ambientais.

Tradicionalmente, desde 1949 cabe ao Brasil fazer o discurso de abertura, seguido dos Estados Unidos. O primeiro chefe de Estado brasileiro a falar no encontro foi João Baptista Figueiredo. Desde então, somente Itamar Franco não chegou a discursar na Assembleia-Geral da ONU.

Vacina, pizza, protestos

O presidente chegou a Nova York no domingo, acompanhado de comitiva integrada, entre outros, por ministros, a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e o deputado Eduardo Bolsonaro. Bolsonaro é o único líder de um país do G20 que declarou não ter se vacinado. O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, um costumaz crítico de Bolsonaro, aproveitou a ocasião para criticar a presença do brasileiro. O nova-iorquino também usou seu Twitter para indicar a Bolsonaro uma lista de postos de saúde da cidade que aplicam a vacina.

(Reprodução)

Sem um comprovante de imunização, o presidente se viu obrigado a comer em áreas externas de restaurantes – Nova York exige passaporte sanitário para frequentar espaços internos de estabelecimentos culinários. Ele ainda tentou tirar proveito midiático da situação ao comer pizza e se deixar fotografar com seus ministros numa calçada da cidade, no que foi encarado por críticos como uma tentativa de posar como “homem do povo”.

Já as horas seguintes da comitiva foram mais tensas. Manifestantes brasileiros protestaram contra Bolsonaro em frente ao hotel em que o presidente se hospedou. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, perdeu a compostura e mostrou o dedo médio para os manifestantes quando chegava ao local numa van com outros ministros. Já Carlos França, do Itamaraty, pareceu fazer um gesto imitando uma arma para os manifestantes. Outros manifestantes colocaram um caminhão com três telões para circular pelas ruas de Nova York, exibindo mensagens em inglês como “Bolsonaro está queimando a Amazônia”.

A viagem também foi marcada por um episódio similar ao que ocorreu durante o deslocamento presidencial aos EUA em março de 2020, quando boa parte da comitiva voltou infectada pelo coronavírus. Desta vez, um diplomata brasileiro do cerimonial do Itamaraty que viajou previamente para organizar a chegada do presidente testou positivo para o vírus.

O retorno da comitiva ao Brasil está previsto para esta terça-feira.

Por Jean-Philip Struck, da Deutsche Welle

Cúpula do Clima: ONU defende ação imediata dos líderes mundiais

António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas (Evan Schneider/ONU/Reprodução)

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, defendeu hoje (22), em reunião virtual da Cúpula do Clima, que é preciso mobilizar as lideranças políticas para superar as mudanças climáticas e acabar com a guerra contra a natureza.

“A mãe natureza não está esperando. A última década foi a mais quente já registrada. Gases de efeito estufa perigosos estão em níveis nunca vistos em 3 milhões de anos. As temperaturas globais já subiram 1,2 grau Celsius, chegando a esse limiar da catástrofe”, disse, na cúpula, por videoconferência.

Ele ressaltou que o nível do mar está cada vez mais alto, as temperaturas estão escaldantes, há ciclones tropicais devastadores e incêndios florestais épicos. “Precisamos de um planeta verde, mas o mundo está em alerta vermelho. Estamos à beira do abismo, devemos dar o próximo passo”, ressaltou.

Para Guterres, os líderes mundiais devem construir uma coalizão global para emissões líquidas zero até meados do século, com envolvimento de “todos os países, todas as regiões, todas as cidades, todas as empresas e todos os setores”. “Todos os países, começando com os principais emissores, devem apresentar novas e mais ambiciosas medidas e contribuições para mitigação, adaptação e financiamento, definindo ações e políticas para os próximos 10 anos, alinhadas com as emissões líquidas zero até 2050. Precisamos traduzir esses compromissos em ação imediata concreta”, enfatizou.

China

O presidente da China, Xi Jinping, disse que o país começará a reduzir o consumo de carvão no período 2026-2030, como parte de seus esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa que causam o aquecimento do clima. A China pretende se tornar neutra em carbono até 2060.

Estados Unidos

O governo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, prometeu nesta quinta-feira (22) cortar as emissões de gases de efeito estufa do país entre 50% e 52% até 2030, em comparação com os níveis de 2005. Com a nova meta, espera induzir outros grandes emissores a mostrarem mais ambição no combate à mudança climática.

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, considerou o compromisso do presidente dos Estados, Joe Biden, um divisor de águas.

“Estou realmente emocionado com o anúncio de mudança de jogo que Joe Biden fez”, disse Johnson, elogiando Biden “por devolver os Estados Unidos à linha de frente da luta contra a mudança climática.”

Nessa terça-feira (21), Johnson disse que a Grã-Bretanha cortaria as emissões de carbono em 78% até 2035, a meta mais ambiciosa de mudança climática do mundo, que colocará o país no caminho para a emissão neutra.

Por Agência Brasil

* Com informações da Reuters

Organização brasileira se torna membro signatário do Pacto da ONU

Valentim Biazotti, fundador da Worth a Million

A Worth a Million, aceleradora de inovação corporativa criada em 2014, tornou-se oficialmente membro signatário do Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Na prática, isso significa que a organização, que atua com grandes organizações como Leroy Merlin, Faber-Castell, Danone e Mapfre, passa a integrar o time de lideranças corporativas comprometidas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

“A época em que se podia pensar em atividades econômicas ignorando os impactos sociais e ambientais chegou ao fim. A crença no ‘tripé da sustentabilidade’ – metodologia que une os pilares: ambiental, social e econômico – trouxe primeiros passos importantes, mas que hoje demonstram-se ineficazes. É hora de irmos além”, explica em comunicado Valentim Biazotti, fundador da Worth a Million. 

“Isso significa que o nosso papel é unir múltiplos agentes, por meio da inovação, para alcançarmos, em conjunto, objetivos que desenvolvam conjuntamente as pessoas e o planeta. Nós acreditamos que entidades e governos globais precisam se empenhar, juntos, para acabar com a pobreza, promover saúde, equilíbrio socioambiental e bem-estar para todos. É por isso que hoje somos membros da ONU, para engajar as organizações na promoção da responsabilidade social e da sustentabilidade”.

Além de se comprometer publicamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 17, a Worth a Million informa que passa a se posicionar como Aceleradora de Inovação Corporativa & Socioambiental. “Isso está diretamente ligado à nossa tese: enquanto a inovação é o meio, o modelo pelo qual organizações se transformam, a sustentabilidade é o fim, é o ato de se sustentar como empresa e se gerenciar conscientemente como um peso sustentado pela sociedade e pelo meio ambiente”, conclui.

O comunicado afirma também que, segundo o especialista, o ano de 2020 trouxe novos desafios na análise de riscos e ameaças. “Estar no Brasil e olhar ao redor é um exercício que deve nos causar algum grau de espanto. Em meio à crise sanitária, as ações de autoridades são ambíguas e, por vezes, contraditórias. A capacidade de diálogo entre diferentes formas de pensamento aparenta se deteriorar com mais velocidade do que antes. A renda de pessoas em situação de vulnerabilidade está ainda mais reduzida; a fome e a falta de acesso ao saneamento básico e à água potável também exemplificam a situação calamitosa. Além disso, o meio ambiente está constantemente negligenciado, tanto na proteção legal quanto na fiscalização, e dá sinais óbvios de esgotamento”, pondera.

Sobre a Worth a Million 

A Worth a Million é uma aceleradora de inovação corporativa que apoia grandes organizações em suas jornadas únicas de inovação e transformação. Desde 2014, atua com grandes organizações, como Caixa, Carrefour, Faber-Castell, Itaú, Leroy Merlin, Mastercard, Mapfre e Votorantim. A empresa é dirigida por seu fundador, Valentim Biazotti.

*Com AI

Vacina deve ser do povo, diz secretário-geral da ONU

António Guterres, Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas
(Arquivo/Alan Santos/PR)

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou nesta sexta-feira (18/12) um apelo aos países ricos para que apoiem os mais pobres na aquisição de vacinas e no combate à pandemia de covid-19.

Em pronunciamento ao Parlamento alemão na ocasião dos 75 anos da fundação da ONU, Guterres enfatizou que o mundo precisa assegurar que a imunização contra o coronavírus esteja disponível “para todos, em toda parte” e que as vacinas sejam tratadas como um bem público

Em Berlim, o português exaltou o papel da Alemanha na luta contra a doença e os pesquisadores da empresa alemã de biotecnologia Biontech, que, em parceria com a farmacêutica americana Pfizer, disponibilizou no mercado a primeira vacina contra a doença.

Combate ao “vírus da desinformação”

“Nosso objetivo agora é assegurar que as vacinas seja tratadas como um bem público, acessível e pagável para todos”, destacou. “Uma vacina do povo.”

Guterres disse que a ONU está comprometida a fornecer informações e aconselhamento confiável, “orientada pela ciência, baseada em fatos”, de modo a aumentar a confiança nas vacinas e combater o que chamou de “vírus da desinformação”.

“Em todo o mundo, vimos como o populismo ignora a ciência e desorienta as pessoas. Desinformação, mitos e teorias selvagens da conspiração estão sendo propagadas”, alertou.

Guterres destacou que a iniciativa Covax Facility, criada para garantir o acesso dos países mais pobres às vacinas e apoiado pela ONU, necessita de 5 bilhões de dólares até ao final de janeiro de 2021. No total, o programa, ao qual também o Brasil já formalizou sua adesão, precisará de pelo menos de 20 bilhões de dólares para cumprir seus objetivos, lembrou o secretário-geral da ONU.

“Ao mesmo tempo, vejo países que compraram vacinas em volume várias vezes superior às respetivas populações, ou pelo menos fizeram ofertas nesse sentido”, observou Guterres, exortando os governos a doarem as doses em excesso à iniciativa Covax.

A Covax é o principal sistema global para garantir que os países de renda baixa e média tenham acesso às vacinas. O programa pretende distribuir pelo menos 2 bilhões de doses até ao final de 2021 de forma a imunizar 20% das pessoas mais vulneráveis em 91 países pobres, principalmente na África, Ásia e América Latina.

Alemanha como “força para a paz”

Guterres enalteceu o governo da chanceler federal Angela Merkel. Ele afirmou que seu “racionalismo, firmeza, compaixão e sabedoria” guiaram a Alemanha através da pandemia: “Louvo seus passos imediatos e decisivos orientados pela ciência, com dados e ações locais  que suprimiram a transmissão do vírus e salvaram vidas.”

Ele afirmou que os alemães têm motivos para estar “muito orgulhosos de suas conquistas” e enalteceu o país como uma “força para a paz” e um “pilar do multilateralismo”.

“Como secretário-geral, testemunho diariamente o modo como a Alemanha, com sua profunda consciência histórica e responsabilidade, desempenha papel de liderança no mundo”, afirmou, discursando em alemão. “Vejo como a Alemanha enfrenta os desafios de nosso tempo”, observou.

Após a visita ao Bundestag, Guterres manteve reuniões com Merkel e o presidente alemão, Frank-Walter Steimeier.

Por Deutsche Welle

Brasil cai cinco posições no ranking global de IDH

ONU aponta falta de avanços na educação como responsável pelo índice brasileiro, e alerta para alta desigualdade de renda e de gênero
(Fernando Frazão/Agência Brasil/via Fotos Públicas)

O Brasil caiu cinco posições no ranking mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU e passou da 79ª para a 84ª posição, entre 189 países avaliados.

O cálculo para as colocações no ranking anual elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) se baseia em critérios relacionados à saúde, renda e escolaridade para medir o bem-estar da população. Os dados do relatório divulgado nesta terça-feira (15/12) são de 2019.

O IDH brasileiro teve evolução de 0,003 em relação a 2018, o que o Pnud avalia como crescimento lento. O Brasil não chegou a recuar nos três indicadores, mas acabou sendo ultrapassado por outros países que tiveram melhor desempenho, o que explica a perda de posições.

A estagnação brasileira se deve à falta de avanços na educação. O período de permanência das pessoas na escola ainda é o mesmo de 2016, de 15,4 anos. A média de anos de estudo teve uma pequena alta, de 7,8 anos em 2018 para 8 anos em 2019.

A expectativa de vida no país aumentou de 75,7 anos para 75,9, o que representa um aumento significativo se comparado com a avaliação de 2015, que era de 75 anos.

O Brasil é ainda o 6º entre os países da América do Sul, atrás de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. Estes dois últimos estavam abaixo e empatados com o Brasil no ranking de 2018.

Se comparado aos demais países emergentes que integram o grupo dos Brics, o Brasil perde para a Rússia, mas aparece à frente de China, África do Sul e Índia.

O país com o melhor IDH do mundo continua sendo a Noruega, seguida da Irlanda e da Suíça, empatadas na segunda colocação. A Alemanha, que era a terceira colocada em 2018, caiu para a 6ª posição, atrás de Hong Kong e Islândia, ambos em quarto lugar.

Alta desigualdade

Se os índices referentes à desigualdade forem incluídos no cálculo, a queda do Brasil é ainda mais acentuada, com o país perdendo 20 posições. O IDH brasileiro, que é de 0,765, cai para 0,570, ou seja, uma redução de 25,5%.

Nessa análise, o Brasil é a segunda nação que mais perde posições, atrás apenas de Comores, um país nanico no leste da África com população de 830 mil pessoas. O IDH ajustado para a desigualdade é calculado para 150 países.

Outro ponto negativo para o Brasil diz respeito às questoes de gênero. O país está na 95ª posição do Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), um ranking que inclui 162 nações.

RC/ots

Por Deutsche Welle

Naufrágio mata ao menos 140 migrantes

(Hereward Holland/ONU-Acnur)

Ao menos 140 pessoas morreram depois que um barco que transportava cerca de 200 migrantes naufragou na costa do Senegal no último fim de semana, informou a Organização Internacional para as Migrações (OIM) nesta quinta-feira (29/10).

De acordo com o órgão das Nações Unidas, o número trágico de mortos no naufrágio o torna o mais letal envolvendo um barco de refugiados registrado até agora em 2020.

Duas centenas de migrantes embarcaram na cidade senegalesa de Mbour, no oeste do país, no sábado, rumo às Ilhas Canárias, na Espanha. Mas a embarcação logo pegou fogo e afundou na costa noroeste do Senegal, perto da cidade de Saint-Louis. Segundo a OIM, 59 passageiros foram resgatados com vida.

A organização disse estar “profundamente triste” com a tragédia, que se seguiu a outros quatro naufrágios no Mar Mediterrâneo na semana passada, e outro no Canal da Mancha.

“Apelamos à unidade entre governos, parceiros e a comunidade internacional para desmantelar as redes de tráfico e contrabando que se aproveitam da juventude desesperada”, disse Bakary Doumbia, chefe da OIM no Senegal, em comunicado.

A entidade alertou que o número de barcos que tentam chegar às Ilhas Canárias a partir do Senegal “aumentou significativamente nas últimas semanas”. No mês passado, 14 embarcações tentaram a travessia, e cerca de um quarto “sofreu algum incidente ou naufrágio”, disse a OIM.

O arquipélago espanhol fica a mais de 100 quilômetros da costa africana em seu ponto mais próximo, e a viagem é geralmente feita em barcos de madeira superlotados e mal conservados.

A costa senegalesa já foi um importante ponto de partida para quem quer migrar para a Europa, mas nos últimos anos havia se tornado mais comum viajar por terra para a Tunísia e a Líbia antes de tentar cruzar o Mediterrâneo.

Agora, a rota pelo Atlântico rumo à Europa voltou a ser cada vez mais usada. Pelo menos 414 pessoas morreram nesse trajeto em 2020, segundo o Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM, que registrou 210 óbitos em todo o ano de 2019.

Cerca de 11 mil migrantes chegaram às Ilhas Canárias neste ano, em comparação com 2.557 durante o mesmo período de 2019. O total, contudo, ainda está muito abaixo do pico registrado em 2006, quando mais de 32 mil chegadas foram computadas pela OIM.

EK/afp/ap/lusa/ots

Por Deutsche Welle

Pandemias mais mortais surgirão sem proteção à natureza, alerta ONU

Fogo no Pantanal (Mayke Toscano/Gov. do Estado do MT/via Fotos Públicas)

Futuras pandemias deverão ser mais frequentes, matar mais pessoas que a covid-19 e causar danos ainda piores à economia global se não houver uma mudança fundamental na forma como os seres humanos tratam a natureza em todo o mundo.

O alerta foi feito pelo painel de biodiversidade das Nações Unidas em um relatório publicado nesta quinta-feira (29/10). Segundo o documento, prevenir a eclosão de uma pandemia pode custar mais de 100 vezes menos do que combater seus efeitos mortais e econômicos.

No relatório, a chamada Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas em Serviços de Biodiversidade e Ecossistemas (IPBES), organização criada pela ONU, defende o fim da destruição de áreas florestais e menos consumo de carne pela população, a fim de reduzir o contato com animais que carregam vírus e bactérias capazes de infectar humanos.

O painel estima que haja na natureza 1,7 milhão de vírus desconhecidos pela ciência, dos quais entre 540 mil e 850 mil existem em animais e têm capacidade potencial de infectar pessoas da mesma forma que o coronavírus Sars-Cov-2. Por conta disso, afirma o documento, pandemias representam uma “ameaça existencial” para a humanidade.

“Não há um grande mistério sobre a causa da pandemia de covid-19 – ou qualquer pandemia moderna”, disse Peter Daszak, presidente da ONG EcoHealth Alliance e um dos especialistas responsáveis pela elaboração do relatório da IPBES.

“As mesmas atividades humanas que impulsionam a mudança climática e a perda da biodiversidade também geram o risco de pandemias, por meio de seus impactos em nossa agricultura.”

O painel observa que a covid-19 foi a sexta pandemia a atingir o mundo desde a gripe espanhola, em 1918. Todas elas foram originadas por micróbios presentes em animais e “inteiramente impulsionadas pela atividade humana”, diz o órgão.

Isso inclui a exploração insustentável do meio ambiente por meio do desmatamento, expansão agrícola, além do comércio e consumo de animais selvagens. Esses fatores colocam os humanos em contato cada vez mais próximo com animais selvagens e animais criados para pecuária, bem como com as doenças que eles carregam.

Cerca de 70% das doenças emergentes, como ebola, zika e aids, são de origem zoonótica, ou seja, circulam em animais antes de chegarem às pessoas. A cada ano, cerca de cinco novas doenças surgem entre os humanos, e qualquer uma delas tem potencial para se tornar uma pandemia, alertou a plataforma das Nações Unidas.

A IPBES afirmou ainda que mais de três quartos das terras do planeta já foram gravemente degradados pela atividade humana. Além disso, um terço da superfície terrestre e três quartos da água doce do mundo são atualmente tomados pela agricultura, enquanto o uso de recursos da humanidade disparou 80% em apenas três décadas, disse o relatório.

O custo da pandemia

O órgão, que reuniu centenas de cientistas para a realização do documento, teve dificuldade em calcular o custo econômico total da covid-19, mas estima que, até julho de 2020, a crise tenha custado entre 8 e 16 trilhões de dólares ao planeta.

Somente nos Estados Unidos, país com os maiores números absolutos de casos e mortes ligadas à doença, o custo da pandemia pode chegar a 16 trilhões de dólares até o fim de 2021 – isso se houver uma vacina eficaz para controlar o vírus até lá.

Segundo os especialistas, o custo de responder a pandemias existentes é provavelmente mais de 100 vezes mais alto do que prevenir futuras pandemias de eclodirem, por meio do fornecimento de “fortes incentivos econômicos para mudanças transformadoras”.

Para reduzir o risco de pandemias recorrentes, a IPBES sugere uma resposta global coordenada, com os países acertando metas para evitar a perda da biodiversidade, como parte de um pacto internacional semelhante ao Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.

Entre as medidas que poderiam ser adotadas pelos governos, está a imposição de impostos ou taxas sobre o consumo de carne, a produção de gado e outras formas de “atividades de alto risco de pandemias”.

O relatório também sugere uma melhor regulamentação do comércio internacional de animais selvagens, bem como o empoderamento das comunidades indígenas para que elas preservem os habitats naturais.

Ao todo, mais de 44 milhões de pessoas já contraíram o coronavírus no mundo, e 1,17 milhão de pacientes morreram em decorrência da doença.

EK/afp/efe/ots

Por Deutsche Welle