Morre piloto de helicóptero que caiu no Pantanal

Renato de Oliveira Souza, piloto da Força Nacional (Redes sociais/Reprodução)

O piloto do helicóptero da Força Nacional de Segurança Pública que caiu em Poconé (MT), no último dia 8, com três tripulantes a bordo, morreu na madrugada de hoje (27), no Rio de Janeiro.

Agente especial da Polícia Civil do Distrito Federal, Renato de Oliveira Souza tinha 55 anos de idade e estava na Força Nacional desde maio de 2016. Comandante de aeronaves, ele integrou a equipe que o governo federal enviou para ajudar no combate aos incêndios que, nos últimos meses, destruíram parte do Pantanal mato-grossense.

O helicóptero pilotado por Souza caiu enquanto participava dos esforços conjuntos para apagar as chamas. Os três tripulantes foram socorridos e transportados para Cuiabá, onde o comandante passou por uma cirurgia na coluna.

No último dia 21, Souza recebeu alta e foi transferido para o Rio de Janeiro a bordo de uma UTI Aérea. Ele continuaria o tratamento médico perto da família, no entanto, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Mato Grosso, começou a sentir uma súbita falta de ar na noite desta segunda-feira (26). Socorrido por uma ambulância, Souza não resistiu.

Ainda de acordo com a secretaria estadual, a família informou que os médicos suspeitam de que a morte foi causada por tromboembolismo pulmonar. A reportagem não conseguiu contato com parentes ou pessoas próximas ao piloto.

Em nota, o governo do Mato Grosso lamentou o falecimento de Souza. “O Renato dedicou boa parte de sua vida na defesa da vida, e não foi diferente nesta última missão. Externamos nosso máximo respeito e admiração e nossos sentimentos aos familiares e amigos”, declarou o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Bustamante.

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal lamentou nas redes sociais a morte do piloto.

Também em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública expressou pesar e agradeceu “o profissionalismo e a dedicação” do agente da Força Nacional, que é subordinada à pasta. De acordo com o ministério, Souza participou de diversas ações junto à tropa federativa, entre elas as desenvolvidas por ocasião das Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, e do rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em janeiro de 2019. “Aos familiares e amigos, manifestamos nosso sentimento de solidariedade”, enfatizou o ministério.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Com patas queimadas, Anta é resgatada no Pantanal

Animal com as patas enfaixadas (Michel Coeli/Fotos Públicas)

Uma anta foi resgatada no município de Primavera do Leste com queimaduras causadas por incêndio florestal. O animal está com ferimentos graves nas quatro patas e foi encontrado por fazendeiros da região que acionou a equipe do Posto de Atendimento Emergencial de Animais Silvestres (PAEAS).  

O animal, um macho adulto, foi removido em um helicóptero do Exército até a Base Transpantaneira, onde recebeu atendimento de médicos veterinários. De lá foi enviado ao Sesc Pantanal, onde permanecerá em tratamento.

“A anta foi socorrida com perda de casco. É um macho adulto com cerca de 200 kg. Hoje foi feito uma primeira limpeza e vamos fazendo curativos e acompanhar sua melhora. Até o momento o animal comeu bem”, explicou a médica veterinária Luciana Cataldi, que acompanha o bicho.

Até o momento o Posto de Atendimento Emergencial de Animais Silvestres já atendeu 182 animais.

Toda vida importa

O PAEAS Pantanal é um dos instrumentos de resposta aos incêndios florestais e integra as ações do Centro Integrado Multiagências (Ciman). A força-tarefa para atendimento aos animais reúne esforços de órgãos do Governo de Mato Grosso, Governo Federal, entidades de classe, terceiro setor e instituições privadas.

O grupo é coordenado pelo Comitê Estadual de Gestão do Fogo e é formado pelas secretarias de Meio Ambiente e Segurança Pública, BPMPA, Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros Militar, Programa REM-MT, Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) e Marinha do Brasil. 

Assembleia Legislativa, Prefeitura de Poconé, Juizado Volante Ambiental e Ibama também estão presentes. A UFMT atua por meio do Hospital Veterinário, Centro Acadêmico de Medicina Veterinária e Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres. O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) também apoia as ações.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária e a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso compõem o grupo. Do terceiro setor, a Ampara Silvestre, Associação de Defesa do Pantanal (Adepan), Instituto Mata Ciliar, Ecotrópica, É o Bicho MT, Instituto Luísa Mell, Grupo de Resgate de Animais em Desastres (GRAD), Reprocon e SOS Pantanal somam esforços. Já da iniciativa privada apoiam a ação a Integral Pet, laboratório VET Vida, Vivet, Clínica Anjo da Guarda e Pantaneiro Clínica Veterinária.

Por Renata Prata, do Gov. do MT

Vídeo mostra Onça ferida no Pantanal de volta à natureza

Uma onça pintada que foi resgata com queimaduras no Pantanal foi reinserida na natureza nesta terça-feira (20), informou o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Cenap/ICMBio). Batizado de Ousado, o animal ficou em tratamento durante 36 dias antes de ser solto em um local próximo de onde foi resgatado, segundo informações divulgadas na página do Facebook do Cenap/ICMBio.  

Quando foi resgatado, Ousado foi tratado no Instituto NEX, em Corumbá de Goiás (GO), com terapia de ozônio e lazer, o que permitiu a recuperação do animal que recebeu alta ontem (19). Na segunda-feira, a onça foi anestesiada e recebeu um colar GPS-Satélite para monitoramento. Segundo a Cenap/ICMBio, o colar vai permitir avaliar e informar os pesquisadores sobre a readaptação de Ousado em seu meio ambiente, que foi muito impactado pelas queimadas, e permitirá uma análise de como as onças da região estão sobrevivendo. Segundo o centro, se for percebido alguma dificuldade de sobrevivência, o rádio-colar também permitirá que se tenha a localização precisa de Ousado, caso seja necessário recapturá-lo.

Para o preparativo de soltura da onça-pintada, assim como no trabalho de resgate e tratamento, o Cenap/ICMBio teve a parceria da Ampara Animal, Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso, Universidade Federal do Mato Grosso, Panthera e Pantanal Relief Fund. Nesta terça-feira, Ousado foi transportado via terrestre até Porto Jofre, cidade mato-grossense inserida no bioma do Pantanal, e levado de bardo até o local onde foi solto. Segundo o centro, a onça será acompanhada de perto por guias locais e pesquisadores nos primeiros dias para uma avaliação direta, enquanto os dados do colar serão avaliados pela equipe do Cenap/ICMBio.

“A volta do Ousado para casa simboliza o esforço de todos que trabalharam no combate aos incêndios florestais e no resgate da fauna afetada”, diz a postagem do Cenap/ICMBio no Facebook.

Por Agência Brasil

Brigada que combate fogo no Pantanal homenageia Lucas, que sonhava ser bombeiro

Lucas Eduardo Martins dos Santos, de 14 anos, conversou com PMs antes de desaparecer, segundo testemunha (Paulo Eduardo Dias/Ponte Jornalismo)

Lucas Eduardo Martins dos Santos, 14 anos, sonhava em ser bombeiro. Mas seu sonho, e sua vida, foram interrompidos. Há 11 meses, o adolescente saiu de casa, na madrugada do dia 13 de novembro, na Favela do Amor, na Vila Luzita, periferia de Santo André (Grande São Paulo), para comprar um pacote de bolachas e um refrigerante e sumiu. 

Seu corpo foi encontrado dois dias depois boiando em um lago no Parque Natural Municipal do Pedroso, na mesma cidade, a 10 quilômetros de sua casa. O exame do IML apontou que Lucas morreu afogado, o que a família afirma não acreditar. Eles contam que duas testemunhas asseguram que o menino foi abordado por dois PMs.

Foi por conta desse sonho interrompido que o cineasta Raoni Gruber, 35 anos, que integra a Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio do ABC, depois de conversar com Maria Marques Martins dos Santos, 39 anos, mãe de Lucas, decidiu homenagear o adolescente. 

“Falei para a família sobre o que estávamos pretendendo fazer e elas autorizaram o uso do nome. Disseram que seria uma honra levar o nome do Lucas para a nossa Brigada e, então, levei para o coletivo a questão. Todos concordaram e acharam que seria importante usar o nome dele”, conta Gruber.

Brigada Antifascista Lucas Eduardo Martins dos Santos (Divulgação/via Ponte)

Foi aí que surgiu a Brigada Antifascista Lucas Eduardo Martins dos Santos. Durante o mês de setembro, acompanhando a televisão e mídias sociais, o grupo viu a situação dos incêndios no Pantanal e Amazônia. “Durante uma semana nos organizamos para tentar viabilizar a nossa ida para lá pra poder atuar de alguma forma nesse combate. Não existia uma brigada de incêndio até o momento, eram ativistas de diversos coletivos que se mobilizaram para ir atuar na região”, conta o cineasta.

Com 13 membros, todos voluntários, a Brigada se dividiu em quatro grupos para fazer os primeiros combates e dar suporte para algumas comunidades e tinham sido afetadas pelos incêndios. Entre elas comunidades quilombolas e indígenas, além de regiões de mata e santuários de animais.

“Recebemos diversas doações de recursos e equipamentos vindos de diversas pessoas que possibilitaram nossa ida e atuação. Lá atuamos ao lado da Brigada Autônoma e pessoas autônomas durante todo esse processo”, conta Gruber.

Brigada é voluntária no Pantanal | Foto: Arquivo pessoal

A ideia da Brigada, continua o ativista, funciona de três formas: a curto prazo, combate incêndios e dá ajuda emergencial para animais feridos e comunidades afetadas, além de fazer mapeamento de comunidades atingidas e listar as necessidades de cada uma; a médio prazo, realizam atendimento com suporte de alimentos, recursos e ferramentas a essas comunidades e animais; a longo prazo vão fornecer formação de brigadas em comunidades isoladas para que possam combater melhor o fogo nos próximos anos, assim como reparação de danos oriundos do incêndio.

Gruber conta que a situação no Pantanal está crítica. “Atuamos na Chapada dos Guimarães, em Cáceres, em quilombos de Livramento, em território Xavante e ao longo da Transpantaneira, próximo a Poconé. Há lugares que já estão completamente devastados”. 

“Em outros lugares, o fogo está incontrolável e em alguns conseguimos combater os incêndios, dar suporte para as comunidades com ferramentas, equipamentos e alimentos, assim como no resgate e tratamento de animais feridos. Também ajudamos a minimizar os efeitos da seca espalhando água e alimentos em viveiros de animais próximo de açudes que haviam secado”, conta.

Para Raoni Gruber, historicamente, existe um plano de extermínio de comunidades tradicionais: povo preto, indígena e periférico. “Existe também um plano de destruição de biomas para o avanço da monocultura e extrativismo predatório”. 

Apesar disso, aponta, não dá pra dizer que todas as queimadas são criminosas. “Vimos casos de fogo acidental, mas indícios que dão a entender que grande parte das queimadas são, sim, criminosas, pois elas atingem principalmente parques nacionais e territórios indígenas, quilombolas e periféricos no entorno de grandes propriedades rurais”.

Por Caê Vasconcelos, da Ponte

Ministro do Meio Ambiente defende ‘boi bombeiro’ no Pantanal

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Em audiência no Senado nesta quarta-feira (13/10), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, procurou minimizar a responsabilidade do governo federal no combate aos incêndios que vêm devastando o Pantanal e defendeu o aumento da criação de gado na região como forma de evitar o fogo na região – uma tese criticada por especialistas.

Ele ainda defendeu “incêndios preventivos” e a aplicação em larga escala de retardantes químicos de fogo para melhorar o combate às queimadas, sem citar possíveis riscos de contaminação. 

Desde que assumiu a pasta, em janeiro de 2019, Salles vem sendo criticado pela inoperância do ministério em reduzir as queimadas e o desmatamento no país e por ter adotado uma política de desmonte de mecanismos de fiscalização. Esses posicionamentos não mudaram nem mesmo com o avanço da devastação dos biomas brasileiros.

Desde o início do ano, incêndios destruíram mais de um quarto da área do Pantanal. Já os alertas de desmatamento na Amazônia subiram 68% em agosto de 2020 na comparação com o mesmo mês do ano passado, de acordo com o Imazon.

Aos senadores da Comissão sobre incêndios no Pantanal, Salles reforçou seu posicionamento de minimizar a responsabilidade da sua pasta nesse cenário. Ele afirmou que o governo federal é responsável por apenas 6% da área total do Pantanal, cabendo aos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a fiscalização do restante do território, que soma 150 mil quilômetros quadrados.

“Apenas 6% do Pantanal são de jurisdição da fiscalização federal. As demais partes do território são de competência estadual. Portanto, o governo federal contribui em sua parcela de jurisdição”, disse o ministro, em referência à porcentagem das áreas das unidades de conservação federal, terras indígenas e assentamentos na região. 

A fala de Salles segue em sintonia com outros posicionamentos do governo federal em meio à crise do coronavírus, na qual o governo Jair Bolsonaro declarou que a responsabilidade do combate à doença cabia aos estados, se abstendo de formular e coordenar uma política nacional de enfrentamento. 

Ao minimizar o papel do governo federal no Pantanal, Salles omitiu que sua pasta possui mecanismos para coordenar ações de proteção ambientais com os estados, como o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). No caso da Amazônia, não é incomum que o governo federal atue em áreas fora de unidades federais de conservação ou terras indígenas.

“Boi bombeiro”

(Mayke Toscano/Gov. do MT/via Fotos Públicas)

Salles ainda demonstrou estar em sintonia com outros posicionamentos recentes de membros do governo federal. A exemplo da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ele defendeu a tese do “boi bombeiro” e a expansão da pecuária na região para conter incêndios. A ideia é que os animais poderiam comer mais mato e retirar matéria orgânica que alimenta as chamas.

“Ouvimos de várias fontes diferentes a necessidade de termos um reconhecimento do papel da criação de gado no Pantanal, uma vez que ele também contribui para diminuir o que há de matéria orgânica [combustível]”, disse o ministro.

Membros do governo vêm afirmando que o Pantanal ficou mais vulnerável a incêndios por causa de supostos entraves que dificultam a pecuária e que teriam diminuído o rebanho na região. 

No entanto, especialistas criticam essa visão, apontando que a criação de gado aumentou no Pantanal nos últimos anos, ao invés de diminuir, rebatendo a ideia de que os bois seriam fundamentais para impedir incêndios. Além disso, um dos focos de incêndio que devastou recentemente uma área de conservação no Pantanal teve início, segundo perícia, numa fazenda de criação de gado nas redondezas.

“Exagero”

O ministro também criticou o que considerou um excesso de medidas para proteger os biomas, afirmando que “proibição de tudo a qualquer momento” não é “preservação e sim exagero”, reforçando seu argumento que o governo estaria de mãos atadas.

No entanto, Salles evitou mencionar o fato de que o Ministério do Meio Ambiente gastou apenas das 35,6% dos valores que foram autorizados para prevenção, combate e fiscalização de queimadas em 2020. Ou seja, faltando apenas três meses para o fim do ano, o governo só gastou um terço da verba prevista, segundo dados levantados pelo UOL. 

Já o gasto esperado com a contratação de pessoal de combate ao fogo por tempo determinado, somado ao de diárias de civis que atuam como brigadistas, caiu de R$ 23,78 milhões em 2019 para R$ 9,99 milhões neste ano – uma redução de 58%, de acordo com dados oficiais do Portal da Transparência. 

Salles defendeu ainda o uso controlado do fogo na região –  também criticado por ambientalistas  –, que, segundo ele, é “boicotado” por visões divergentes. “Há medidas que nós podemos e continuaremos fazendo, para não só prevenir. Para isso, [devemos] fazer os aceiros, permitir a criação de gado no Pantanal, como forma de reduzir a massa orgânica, permitir que seja feita a queima controlada, o uso do fogo frio, e não ter isso como algo a ser indiretamente boicotado por algumas visões que não acreditam nesse formato.”

Retardante de fogo

Por fim, ele defendeu a  utilização de um componente retardante de fogo, que foi usado na semana passada pelo ministério na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Esse produto químico, misturado à água é lançado por aviões sobre a vegetação. Ele tem, segundo os defensores, a propriedade de aumentar a capacidade de retenção do fogo. Mas esse composto ainda não tem regulamentação de uso no Brasil. 

“O estado do Mato Grosso começou a utilizar, nós no governo federal já utilizamos, e utilizamos na Chapada dos Veadeiros com sucesso. E é uma questão que precisa ser encarado de frente. Essa visão de que emprego de tecnologia não é salutar é equivocada”, disse. 

O governo de Goiás informou nesta terça-feira que não foi consultado e que não autorizou o uso de retardante de fogo na região da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, ao redor do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Segundo o governo local, “não há nenhuma regulamentação” sobre o produto no estado.

Salles também não mencionou as advertências de técnicos do Ibama sobre os ricos de contaminação envolvendo o produto. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, os técnicos são taxativos ao recomendar “a suspensão do consumo de água, pesca, caça e consumo de frutas e vegetais na região exposta ao produto pelo prazo de 40 dias”. A constatação está numa nota técnica feita pela Coordenação de Avaliação Ambiental de Substâncias e Produtos Perigosos do Ibama, de julho de 2018.

JPS/ots

Por Deutsche Welle

Queimadas batem recorde da última década em Mato Grosso

(Mayke Toscano/Gov. do MT/via Fotos Públicas)

Em todo o Brasil, as queimadas para fins agrícolas foram proibidas de meados de julho a meados de novembro por um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Mas é como se a lei não existisse ou tivesse o efeito contrário do desejado: o número de incêndios em todas as regiões aumentou em 2020 em relação ao ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em Mato Grosso, as queimadas já estavam proibidas antes do decreto de Bolsonaro, por meio de um decreto estadual. Apesar de o período de proibição ter começado mais cedo que de costume no estado – normalmente vai de 15 de julho a 15 de setembro e, neste ano, iria incialmente de 1º de julho a 30 de setembro e foi prorrogado até 12 de novembro –, o número de focos de calor de julho a setembro aumentou 57% em relação ao mesmo período do ano passado.

Dos 39,9 mil pontos de fogo registrados por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no estado de janeiro a setembro, 83% (33,1 mil) ocorreram durante os meses da proibição, que são também os mais secos. Só no Pantanal, que, proporcionalmente, é o bioma mais impactado pelas queimadas em Mato Grosso, 95% dos focos de calor ocorreram no período proibido.

Além disso, em 2020, as queimadas na região começaram mais cedo: janeiro, fevereiro e abril já haviam superado o número de focos de calor do ano passado. Em setembro deste ano, eles explodiram e atingiram o dobro do registrado no mesmo mês de 2019.  

Os focos registrados no estado de janeiro até esta quinta-feira (07/10) somam 41,8 mil, número que só foi superado na última década em 2010, que teve 52,3 mil focos no mesmo período. Desde que o sistema de monitoramento do Inpe passou a funcionar, em 1998, o ano mais crítico foi 2004, quando a marca chegou a 86 mil focos no período.

“[A proibição] não teve efeito nenhum na redução do cenário de foco de calor e de áreas atingidas pelo fogo”, comenta Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do Instituto Centro e Vida (ICV), que analisou os dados das queimadas no estado.

“A sensação de impunidade é muito grande. Ver o principal órgão de fiscalização, que é o Ibama, enfraquecido como está é uma mensagem de que quem comete o crime não será autuado e, se for, pode recorrer e não pagar a multa”, analisa.

Endereço conhecido

Em Mato Grosso, estado que também é o maior produtor de soja do país, a análise feita pelo ICV tentou demonstrar que é possível rastrear o começo e o endereço das maiores queimadas. Segundo o levantamento, feito com ajuda de dados da Nasa, nove pontos de origem foram responsáveis por queimar 325 mil hectares.

“Cinco deles foram originados dentro de imóveis que estão dentro do Cadastro Ambiental Rural (CAR)”, comenta Silgueiro. “A gente quer mostrar que é possível chegar à origem.”

O CAR é um registro público eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais. O objetivo é gerar informações ambientais das propriedades para que os órgãos possam fiscalizar se o Código Florestal está sendo cumprido. 

Questionada, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente disse à DW Brasil que, de janeiro a setembro, foram aplicadas multas que somam R$ 1,05 bilhão por crimes como desmatamento e incêndios florestais – sendo 100 milhões desse valor relacionados a crimes relacionados ao uso do fogo.

“O aumento dos incêndios nessa época não é o fogo permitido, é o crime mesmo”, justifica o cenário no estado Alex Sandro Antônio Marega, secretário adjunto Executivo da secretaria.

Sobre a eficiência da proibição, Marega diz que essa legislação tem a ver com o uso permitido do fogo, já que é preciso autorização dos órgãos responsáveis para o manuseio dessa técnica nas propriedades rurais. “O decreto não permitiu que nenhuma licença fosse expedida e, as que saíram antes do decreto, foram suspensas”, explica. 

“As pessoas que estão cometendo esses crimes hoje vão passar por dificuldades grandes nos próximos anos, porque elas irão responder no administrativo, no Ministério Público, e vão ser responsabilizadas pelo Ministério Público Federal na Justiça Federal”, diz o secretário sobre a ação integrada entre os órgãos.

De janeiro a setembro deste ano, o valor de multas aplicadas no estado é quatro vezes maior que a média histórica. Por outro lado, são poucos os proprietários rurais que chegam, de fato, a pagar pelo crime ambiental: 97,2% deles conseguem se livrar da penalidade, segundo dados da própria secretaria.

Entre 2018 e 2019, porém, a taxa de recebimento das multas em Mato Grosso saltou de 2,8% para 19%. “Montamos uma força-tarefa e temos expectativa de aumentar esse índice em 2020”, comenta Marega.

Crime de grilagem

Nem todo fogo começa para limpeza de pasto. Em Novo Mundo, norte de Mato Grosso, famílias do Pré-Assentamento Boa Esperança acusam grileiros de provocar um incêndio para expulsá-las da área.

Há menos de um mês, chamas destruíram casas, plantações, cercas, vegetação e animais no local, onde moram 300 pessoas. Cerca de 90% da área ocupada pelas famílias foi destruída, segundo o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de Mato Grosso (CDDPH) e o Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT/MT).

Disputas nas Justiça em andamento há mais de dez anos deram às famílias o direito de permanecer nas terras, que são da União, e pediram a expulsão do ocupante ilegal, sediado na antiga Fazenda Araúna.

“Em julho, numa reunião, as famílias nos disseram que tinham medo de que o grileiro ateasse fogo como forma de expulsá-las”, conta Inácio Werner, do FDHT. “E foi o que aconteceu. As famílias perderam muitas coisas, mas continuam lá”, afirma, adicionando que foram registrados diversos boletins de ocorrência sobre o caso.

Impunidade como motivação para o crime

A certeza da impunidade também é vista pela secretaria estadual como uma das razões para crimes desse tipo.

“Achar que vai ficar impune é um dos motivos, certamente. A seca, a maior dos últimos 50 anos, também contribui muito. E a pandemia é vista como um fator”, aponta Marega sobre as causas para o recorde de queimadas no estado encontradas pelo comitê que gerencia a situação.

Segundo ele, muitos criminosos aproveitaram a emergência de saúde para cometer os crimes ambientais por acharem que os órgãos estaduais ficariam inoperantes. “Mas em abril nossos equipes já estavam em campo, com todas as medidas de proteção contra o coronavírus”, afirma.

Para Silgueiro, do ICV, o quadro trágico é reflexo do desmonte e corte de recursos do Ibama, principal órgão responsável por fiscalizar delitos ambientais no país e por ações de prevenção contra queimadas.

“É preciso deixar claro que esse tipo de crime ambiental não será tolerado e também fortalecer as equipes de combate e formar brigadistas em regiões que todo ano pega fogo”, diz.

A tragédia já tinha sido, de uma certa forma, anunciada pela ciência. Institutos, como o próprio Inpe, haviam alertado para o risco das chamas mais intensas nesta temporada devido às condições climáticas.

“Existe também uma conivência do setor produtivo em negar o problema, que encontra um governo federal que nega o problema”, comenta Silgueiro.

Por Nadia Pontes, da Deutsche Welle

Força Nacional vai atuar nos incêndios do Pantanal

Brigadistas cercados pelo fogo são resgatados pela Força Aérea Brasileira (Fab), no Pantanal (Jeférson Prado/FAB/via Fotos Públicas)

O Diário Oficial da União publica hoje (5) a autorização do emprego da Força Nacional de Segurança Pública nas ações de combate a incêndios florestais e queimadas no Pantanal, em Mato Grosso do Sul. A medida vale por 30 dias, de 4 de outubro a 2 de novembro, mas pode ser prorrogada, se necessário.

O efetivo, segundo portaria assinada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, também poderá atuar em atividades de defesa civil em defesa do meio ambiente e nos “serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

Equipamentos

Segundo o ministério, o envio atende a pedido do governador do estado, Reinaldo Azambuja. Além do efetivo da Força Nacional, o apoio ao estado conta com o envio de doze viaturas. O combate às queimadas será realizado por profissionais e equipamentos especializados para este tipo de ação.

Assistência

Mais de 40 bombeiros da Força Nacional de Segurança Pública já atuam desde o dia 24 de setembro na região pantaneira, na divisa entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Além do apoio ao estado no combate aos incêndios florestais, o efetivo mobilizado realizou assistência humanitária às famílias ribeirinhas à margem do Rio Paraguai. Elas tiveram suas residências atingidas pelo fogo.

De acordo com ministério, os militares estão atuando em localidades da região do Pantanal, além de auxiliar na contenção em propriedades particulares e de áreas de preservação ambiental. Eles estão apoiando, também, o trabalho no posto de atendimento de emergência a animais silvestres, juntamente com Defesa Civil, Polícia Ambiental, voluntários, biólogos e médicos veterinários, entre outros.

Por Karine Melo – Repórter da Agência Brasil 

Brasil é vítima de desinformação sobre meio ambiente, afirma Bolsonaro

(Marcos Corrêa/PR)

O presidente Jair Bolsonaro disse hoje (22) que o Brasil é vítima de “uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal”. Ao abrir a sessão de debates da 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), Bolsonaro justificou que há interesses comerciais por trás das notícias sobre queimadas e desmatamentos e que os incêndios que atingem as florestas brasileiras são comuns à época do ano e ao trabalho de comunidades locais em áreas já desmatadas.

“A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil”, disse. “O Brasil desponta como o maior produtor mundial de alimentos. E, por isso, há tanto interesse em propagar desinformações sobre o nosso meio ambiente”, completou.

Durante seu discurso, o presidente destacou o rigor da legislação ambiental brasileira, mas lembrou a dificuldade em combater atividades ilegais na Amazônia, como incêndios, extração de madeira e biopirataria, devido à sua extensão territorial. Ele ressaltou que, juntamente com o Congresso Nacional, está buscando a regularização fundiária da região, “visando identificar os autores desses crimes”.

“O nosso Pantanal, com área maior que muitos países europeus, assim como a Califórnia, sofre dos mesmos problemas. As grandes queimadas são consequências inevitáveis da alta temperatura local, somada ao acúmulo de massa orgânica em decomposição”, disse.

Covid-19

Em meio à pandemia do novo coronavírus, esta edição da Assembleia Geral da ONU é realizada de forma virtual. Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a fazer um pronunciamento e o presidente Bolsonaro, assim como os outros líderes mundiais, enviou a declaração gravada.

Ele lamentou as mortes por covid-19 e reafirmou o alerta de que o vírus e as questões econômicas “deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade”. Bolsonaro listou as medidas econômicas implementadas pelo governo federal e disse que, sob o lema “fique em casa” e “a economia a gente vê depois”, os veículos de comunicação brasileiros “quase trouxeram o caos social ao país”. “Como aconteceu em grande parte do mundo, parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população”, opinou.

Para o presidente, a pandemia deixou a lição de que a produção de insumos e meios essenciais para a sobrevivência da população não pode depender apenas de poucas nações. Nesse sentido, ele colocou o Brasil aberto para o desenvolvimento de tecnologias de ponta e inovação, a exemplo da indústria 4.0, da inteligência artificial, nanotecnologia e da tecnologia 5G, “com quaisquer parceiros que respeitem nossa soberania, prezem pela liberdade e pela proteção de dados”.

Bolsonaro falou ainda sobre a ampliação de acordos comerciais bilaterais e com blocos econômicos e disse que, em seu governo, “o Brasil, finalmente, abandona uma tradição protecionista e passa a ter na abertura comercial a ferramenta indispensável de crescimento e transformação”.

Em seu discurso, o presidente também destacou a atuação brasileira no campo humanitário e dos direitos humanos e as reformas que estão sendo implementadas no país.

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

Com patas queimadas, tamanduá é resgatado no Pantanal

Tamanduá foi resgatado após um sitiante encontrar o animal (Juliana Carvalho/Gov. de MT)

Um tamanduá bandeira resgatado em Nossa Senhora do Livramento, no Mato Grosso, está sendo assistido pela equipe de médicos veterinários e biólogos do Posto de Atendimento Emergencial a Animais Silvestres do Pantanal (PAEAS Pantanal).  A equipe de resgate encontrou o animal já cansado e com as quatro patas queimadas graças à ligação de um sitiante pantaneiro. A operação foi realizada na manhã de sábado (19).

Atualmente, três equipes de resgate atuam em Poconé em parceria com voluntários que estão na região prestando atendimento e distribuindo alimentos e águas para os animais. Também foram designadas equipes para o município de Barão de Melgaço. A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, explicou aos senadores e deputados federais e estaduais todo o esforço realizado para mitigar os impactos negativos dos incêndios na fauna silvestre.

“Aqui temos o empenho e dedicação de diversas secretarias, voluntários, terceiro setor e iniciativa privada unidos com o mesmo objetivo. Buscamos formas alternativas de viabilizar esse espaço, como o uso de mão de obra de reeducandos para construção dos recintos e fabricação de móveis a partir de madeira apreendida”, pontuou a gestora do órgão ambiental.

De acordo com o coordenador da força-tarefa, o coronel Bombeiro Militar Paulo André Barroso, esta é a primeira vez que Mato Grosso monta uma estrutura para atendimento à fauna e o projeto pode servir de referência para as próximas temporadas de incêndios florestais.

“Estamos vivendo uma tragédia ambiental e com união e integração estamos atendendo também a nossa fauna silvestre”, contou o militar que também responde pela secretaria executiva do Comitê Estadual de Gestão do Fogo.

Toda vida importa

O PAEAS Pantanal é um dos instrumentos de resposta aos incêndios florestais e integra as ações do Centro Integrado Multiagências (Ciman). A força tarefa para atendimento aos animais reúne esforços de órgãos do Governo de Mato Grosso, Governo Federal, entidades de classe, terceiro setor e instituições privadas. 

*Com informações de Juliana Carvalho, Governo do Mato Grosso

Vice-Presidente rebate críticas sobre queimadas

Hamilton Mourão, Vice-Presidente da República (Romério Cunha/VPR)

Em uma postagem Twitter neste sábado (19), o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, rebateu as acusações que o Brasil tem sofrido de diversos atores ambientalistas de não ser capaz de cuidar do seu patrimônio ambiental, em particular a Amazônia. No texto, o vice-presidente pede que as pessoas “não se deixem levar por narrativas tiradas da cartola, como o coelho daquele mágico”. E garante que o governo do presidente Jair Bolsonaro “não compactua com ilegalidades e manterá esforços constantes no sentido de que criminosos ambientais sejam enfrentados de acordo com a lei”.

“Somos a nação que tem a matriz energética mais limpa e a maior cobertura vegetal original, chegando ao admirável valor de 84% de área nativa preservada na Amazônia e mais de 60% se considerarmos todo o território nacional. Interesses econômicos e políticos a parte, também ocorre uma certa desinformação, que termina por ganhar força junto aos que jamais pisaram na Amazônia”, afirmou.

Queimadas

(Mayke Toscano/Gov. do MT/via Fotos Públicas)

Sobre as queimadas que acometem a Floresta Amazônica e outros biomas do país, Mourão lembrou que o Brasil não é a única nação a enfrentar esse problema, especialmente no período da seca, quando os índices historicamente se elevam. Apesar de admitir o problema, o vice-presidente disse que no Brasil  elas não têm as mesmas proporções vista na Califórnia ou na Austrália. “As queimadas que estão ocorrendo na Amazônia não são padrão Califórnia ou Austrália e as ações do governo federal buscam não só reduzi-las, mas também atenuar seus efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde das pessoas”, destacou.

Segundo Hamilton Mourão, para entender os números divulgados é preciso saber o que significam os focos identificados pelos satélites de referência utilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “As imagens acusam todos os focos de calor, o que não significa incêndio, pois qualquer área com temperatura acima de 47º – uma fogueira por exemplo – é assim identificada. Além disso, como consta no site do instituto, é comum uma mesma queimada ser detectada por vários satélites. Os dados brutos também não distinguem as ilegais das legais, que são aquelas ocorridas dentro dos 20% de terra que, de acordo com nossa legislação, pode ser explorada no bioma Amazônia”, disse.

Na mesma postagem, o vice-presidente avaliou que os fatores que levam a uma queimada não são matemáticos, pois questões ambientais e humanas, observou, influenciam tanto a ignição como a propagação e contenção do evento. Para que o combate às ilegalidades e para que a informação produzida “seja a expressão da verdade”, Mourão defendeu que os dados sejam transparentes.

Números

Na comparação dos números deste ano computados até 15 de setembro com igual período do ano passado, houve, segundo Mourão, um aumento de 11% nas ocorrências, mas um terço ocorreu em áreas já desmatadas, outro terço naquelas que foram objeto de desmatamento recente e o último terço em regiões urbanas, de assentamentos e industriais. Os alvos de repressão na estratégia brasileira estão em áreas recentemente desmatadas, situadas em terras indígenas e unidades de conservação, onde Hamilton Mourão disse ao avanço da criminalidade não é aceito.

Dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) apontam que no bioma amazônico existem cerca de 530.000 imóveis rurais e em aproximadamente 25 mil ocorrem queimadas ilegais, ou seja, em 5% das propriedades. “Essa é a dimensão do problema a ser enfrentado, com paciência, determinação e clareza. Não podemos e não iremos parar. Seguiremos sempre adiante, passo a passo, com foco no aperfeiçoamento contínuo dos métodos, técnicas, equipes, políticas públicas e recursos disponíveis para a prevenção e o combate das queimadas ilegais na Floresta Amazônica, atuando nas frentes política, econômica, social e legal” garantiu.

Por Karine Melo – Repórter Agência Brasil