Polícia encontra corpo com bilhete perto da fronteira de Brasil e Paraguai

A Polícia Nacional do Paraguai encontrou um corpo feminino na estrada vicinal de Pedro Juan Caballero neste domingo (17). Ao lado do cadáver, havia um bilhete escrito: “Matei 3 meninas inocentes, fique de exemplo pjc”.

As autoridades investigam se esse crime tem alguma relação com o atentado em 9 de outubro. As vítimas foram Osmar Grance, 32, Kaline Reinoso de Oliveira, 22, Rhamye Jamilly Borges de Oliveira, 18, e Haylee Carolina Acevedo Yunis, 21, filha de Ronald Acevedo, governador de Amambai, no Paraguai.

As primeiras apurações são de que o corpo encontrado hoje era de uma mulher de 23 anos, que seria sobrinha da pessoa quem organizou o atentado. O boletim de ocorrência diz que a vítima foi localizada por volta das 0h30 e teria sido morta por disparo de uma pistola de calibre de 9 milímetros.

Operações Policiais 

A Polícia Nacional do Paraguai prendeu na última segunda-feira (11) seis pessoas suspeitas de envolvimento em chacina. 

A polícia investiga se há envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) no caso, já que a região tem forte presença de facções do crime organizado voltadas para o tráfico internacional de drogas.

Por TV Cultura

Brasileiro é preso no Paraguai durante entrega de drogas

(Senad/Reprodução)

Um brasileiro foi preso na noite desta quarta-feira (29), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, durante entrega de um carregamento de drogas. O flagrante aconteceu no estacionamento de um centro de compras.

Segundo a Senad, órgão do governo paraguaio responsável pelo combate ao narcotráfico, o brasileiro estava com outros três paraguaios. Nenhum deles teve o nome divulgado.

A maconha encontrada estava dentro de um carro com placas do Brasil. A quantidade de droga não foi divulgada, nem o destino do entorpecente. Uma outra parte da quadrilha conseguiu fugir em um carro.

Bombeiros controlam incêndio em tanque de álcool no Paraguai

(Bombeiros/via IP Paraguay)

O Corpo de Bombeiros Voluntários do Paraguai (CBVP) conseguiu controlar o incêndio registrado em um dos tanques de álcool da Usina da Petróleos Paraguai (Petropar S.A.). Apesar disso, ainda há fogo no local.

A informação foi dada pelo capitão Rubén Valdez, comandante do CBVP, à Rádio Nacional do Paraguai.

“Estamos procedendo ao resfriamento dos tanques e à proteção dos tanques de óleo diesel e gasolina”, explicou

Segundo o oficial, diversas unidades dos Bombeiros Voluntários trabalham desde a madrugada de hoje (31). Já o Chefe de Gabinete do Secretariado Nacional de Emergências (SEN), Miguel Kurita, disse que não existe risco de o incêndio se alastrar.

*com IP Paraguay

Após 5 meses, Paraguai concede liberdade a Ronaldinho Gaúcho

Após cinco meses impedido de deixar o Paraguai, o ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho conseguiu o direito a liberdade. A decisão da Justiça do Paraguai permitiu que Ronaldinho volte ao Brasil, após tentar entrar no país vizinho com passaporte falsificado.

Além de Ronaldinho, o irmão dele e empresário, Roberto de Assis Moreira, também poderá retornar ao Brasil.

Relembre o caso aqui.

*Com informações da Reuters

Nova nuvem de gafanhotos no Paraguai está a 300 km do Brasil

Autoridades paraguaias identificaram, no país, uma “nuvem” de gafanhotos semelhante a que, no fim de junho, se formou na Argentina e chegou próxima às fronteiras com o Brasil, motivando o governo brasileiro a, na ocasião, declarar estado de emergência fitossanitária no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Embora não representem um risco direto para os seres humanos, estes ortópteros saltadores podem, em grupo, causar grandes prejuízos econômicos, devorando plantações em questões de horas.

(Gov. da Provincia de Cordoba/Reprodução)

Segundo o Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Vegetal e de Sementes (Senave) do Paraguai, até a tarde de ontem (15), milhares de gafanhotos da espécie schistocerca cancellata, (também chamada de gafanhoto migratório sul-americano) se encontravam próximos ao Parque Nacional Defensores del Chaco, no estado de Boqueirão, a cerca de 300 quilômetros (km) das fronteiras com o Brasil e a Argentina.

A possibilidade dos gafanhotos se deslocarem para outras regiões colocou não só os técnicos do Senave paraguaio “em vigilância permanente”, mas também motivou o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) da Argentina a reforçar o pedido para que produtores rurais e a população em geral alertem às autoridades sanitárias locais caso avistem os animais.

No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento confirmou ter recebido dos técnicos paraguaios informações sobre a segunda nuvem de gafanhotos. A pasta informou que está monitorando a situação, mas que, no momento, não há como prever o comportamento dos animais, pois isto depende de uma série de fatores climáticos.

Nuvem de gafanhotos vista da cidade argentina Córdoba: insetos voam em direção à fronteira brasileira (Governo de Córdoba/Divulgação)
Nuvem de gafanhotos vista da cidade argentina Córdoba: insetos voam em direção à fronteira brasileira (Governo de Córdoba/Divulgação) – twitter.com/gobdecordoba

“No momento, as condições meteorológicas não são favoráveis à sua entrada no Brasil e, por isso, ainda não é necessário estabelecer uma emergência fitossanitária para essa nuvem”, sustenta o ministério, revelando que ocorrências do tipo já vem sendo monitoradas por especialistas de diversos países sul-americanos desde 2015. Além disso, desde o dia 23 de junho, quando foi emitido o alerta em decorrência da primeira nuvem, também os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná estão mobilizados para, se necessário, adotar as medidas de controle cabíveis.

Explosão demográfica

Conforme a Agência Brasil noticiou no dia 25 de junho, embora o surgimento de nuvens de gafanhotos tenha voltado a ganhar destaque quando a situação na Argentina ameaçava transpor as fronteiras do Brasil e do Uruguai, o fenômeno é antigo na região.

Segundo o Senasa, há muito tempo os argentinos convivem com um espantoso número de gafanhotos migratórios sul-americanos. Durante a primeira metade do século XX, a espécie “foi a praga mais prejudicial” para o setor agropecuário do país, “causando significativas perdas econômicas em cultivos e campos naturais de amplas regiões” do país.

Mesmo com este histórico, em 2017, especialistas se surpreenderam com o que classificaram como uma nova “explosão demográfica dos gafanhotos”. O que motivou a aprovação do Protocolo Interinstitucional de Gestão de Informações – o que não impediu que, dois anos depois, a Argentina tivesse que decretar emergência regional frente aos milhares de insetos provenientes do Paraguai.

Ontem, a Senasa informou que continua acompanhando milhares de animais que faziam parte da nuvem que se formou em junho e que, agora, estão agrupados próximos à cidade de Curuzú Cuatiá,  a cerca de 100 km de Uruguaina (RS). De acordo com o órgão, os gafanhotos estão em uma área de difícil acesso e, nos últimos dias, têm se deslocado pouco, devido às baixas temperaturas.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Preso suspeito de matar jornalista brasileiro

Waldemar Pereira Rivas, o Cachorrão, é suspeito de matar Lourenço Veras em fevereiro; veículo supostamente usado no crime estava em sua casa

Léo Veras escrevia em um portal sobre o crime organizado | Foto: Reprodução/TV Record

Policiais do Paraguai prenderam Waldemar Pereira Rivas, chamado de Cachorrão, suspeito de ter participado do assassinato do jornalista Lourenço Veras, o Léo Veras, 52 anos. Em 12 de fevereiro, o repórter foi morto em sua casa na cidade paraguaia Pedro Juan Caballero, na divisa com o Brasil.

De acordo com informações do jornal local ABC Color, o departamento de investigações trata Cachorrão como o autor do assassinato. Ele está preso na sede da polícia em Pedro Juan. Os policiais sustentam que Waldemar ameaçou Léo antes de sua morte.

A Justiça havia determinado a prisão de Cachorrão após a polícia local ter encontrado uma caminhonete branca, modelo Jeep Renegade, supostamente usada no crime, na casa dele.

Além do carro, os oficiais encontraram no local quatro pistolas, celulares, computadores e outros quatro carros. O suspeito morava em San Antonio, bairro a metros da divisa com Ponta Porã, cidade brasileira localizada no Mato Grosso do Sul e onde vivia Léo Veras.

Os policiais prenderam Cachorrão quando abordaram um veículo e o carro atrás, modelo Kia Picanto, tentou dar marcha à ré. Waldemar Pereira Rivas dirigia o veículo e foi pego.

Além dele, outras dez pessoas foram presas ligadas ao crime: os brasileiros Luís Fernando Leite Ninez, Sanção de Souza e Leonardo de Souza Concepción; os paraguaios Arnaldo Colmán, Anderson Rios Vihalva, Paulo Cespedes Oliveira, Oscar Duarte, Marcos Aurélio Vernequez Santacruz e Cynthia Raquel Pereira de Leite; e o boliviano Juan Vicente Jaime Camaro.

Lourenço Veras era fundador do portal Porã News, no qual escrevia, entre outros assuntos, sobre o crime organizado local. O PCC (Primeiro Comando da Capital) assumiu o controle da região com a morte de Jorge Rafaat, em junho de 2016.

Na noite do dia 12 de fevereiro, Léo Veras jantava com sua família no Jardim Aurora, em Pedro Juan Caballero, quando três homens invadiram sua casa. Ele foi morto no quintal com ao menos 12 tiros.

Em 22 de fevereiro, a polícia encontrou uma pistola modelo Glock 9 mm quando prendeu os outros dez suspeitos de participação no crime. 

Segundo investigação do Programa Tim Lopes, da Abraji (Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos), a arma apreendida tem ligação com ao menos sete mortes relacionadas ao PCC na região. A confirmação veio por meio de confronto balístico em cartuchos recolhidos na casa do jornalista. 

Léo é o 18º jornalista assassinato no Paraguai desde 1997, conforme levantamento do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai. A maioria dos crimes ocorre em cidades próximas da fronteira, com seis crimes em Pedro Juan Caballero.

O jornalista brasileiro reconhecia ser ameaçado. Em entrevista para a Abraji em 2017, Léo Veras comentou sobre as ameaças de morte que sofria. “A gente tem que morrer um dia, né?”, disse.

“Eu sempre peço que não seja tão violenta a minha morte, com tantos disparos de fuzil. Aqui, se um pistoleiro quer te matar ele vem até sua porta, manda você abrir e ele vai te dar um disparo”, disse, antes de brincar que esperava “somente um disparo para não estragar tanto”.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Brasil fecha fronteira para mais 8 territórios da América Latina

Ponte da amizade com veículos parados em cima da estrutura. No canto esquerdo é possível ver a água do rio. Ao fundo, grama e parte da cidade no Paraguai.
Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai (Arquivo/Agência Brasil)

O governo federal publicou portaria hoje (19) restringindo a entrada de estrangeiros pelas fronteiras com países sul-americanos em razão da pandemia do novo coronavírus. 

Fica restrita a entrada por via terrestre de pessoas dos seguintes países: Suriname, Guiana Francesa, Guiana, Colômbia, Bolívia, Peru, Paraguai e Argentina. A limitação para a Venezuela já havia sido divulgada ontem (18). A fronteira com o Uruguai será objeto de uma portaria específica, uma vez que os dois governos ainda analisam a melhor solução.

A medida foi recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em nota técnica elaborada pela equipe do órgão. A justificativa é o risco de contaminação e disseminação do novo coronavírus.



Brasileiros continuam podendo entrar no Brasil vindo dos países mencionados. Imigrantes com autorização de residência definitiva no Brasil e profissionais em missão de organismo internacional ou autorizados pelo governo brasileiro também poderão entrar no país.

Ficam permitidos também o tráfego de caminhões de carga, ações humanitárias que demandem o cruzamento das fronteiras e a circulação de cidades “gêmeas com linha de fronteira exclusivamente terrestre”.

Quem desobedecer às determinações poderá ser processado penal, civil e administrativamente, além de ser deportado e impedido de solicitação de refúgio.

Por Jonas Valente – Repórter da Agência Brasil

Justiça do Paraguai mantém Ronaldinho e o irmão presos

Ronaldinho Gaúcho e o irmão Assis (MP-Paraguai/Fotos Públicas)

A Justiça do Paraguai negou hoje (10) o pedido de transferência para prisão domiciliar que a defesa do ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e de seu irmão e empresário, Roberto de Assis Moreira, apresentou na segunda-feira (9). Segundo o jornal ABC Color, o juiz Gustavo Amarilla alegou que os brasileiros não comprovaram possuir um imóvel no país que sirva como garantia da fiança. E que há o risco dos dois deixarem o Paraguai antes da conclusão da investigação.

Ronaldinho e Assis permanecerão presos em caráter preventivo em uma cela especial da Polícia Nacional, em Assunção, onde estão desde a última sexta-feira (6), acusados de uso de documentos adulterados. A Agência Brasil não conseguiu contato com os representantes legais do ex-atleta e de seu irmão no Brasil e no Paraguai.



O Ministério Público (MP) do Paraguai também determinou a prisão de três funcionários públicos citados na investigação da concessão de documentos paraguaios adulterados para Ronaldinho, Assis e para o representante do ex-jogador no país vizinho, Wilmondes Sousa Lira.

Em nota, o MP informou que os promotores ordenaram a prisão de José Gustavo Molinas, Shirley Delvalle e de Rosa Carolina Miranda. Segundo veículos de imprensa locais, como ABC Color e Hoy, os três trabalham no Departamento Nacional de Aeronáutica Civil (Dinac) e no Departamento-Geral de Migrações.

Também por determinação dos promotores, um outro funcionário do Dinac, Jorge R. Villanueva Torales, foi detido ontem (9) a noite. Todos os quatro suspeitos ficarão à disposição da Unidade Fiscal de Crimes Organizados, especializada na investigação de delitos transnacionais como a Lavagem de Dinheiro, Narcotráfico, Tráfico de Pessoas e outros ilícitos.

Além disso, os promotores solicitaram a prisão preventiva da empresária Dalia Angélica López Troche, cuja prisão já tinha sido determinado na semana passada. O MP suspeita que Dalia integra uma “organização criminal estruturada de forma a facilitar a elaboração e a utilização de documentos de identidade e passaportes com conteúdo falso, com a participação de servidores públicos e empregados de empresas privadas”. De acordo com o MP, o esquema seria usado para permitir aos envolvidos obter vantagens “gerando negócios jurídicos e benefícios patrimoniais”.

Foi Dalia quem, segundo o MP, obteve os passaportes e as cédulas de identidade que a Polícia Nacional originalmente expediu para María Isabel Gayoso e para Esperanza Apolonia Caballero Coronil, e que, posteriormente foram adulterados com a inclusão dos nomes de Ronaldinho e de seu irmão, apresentados como cidadãos naturalizados paraguaios.

María Isabel e Esperanza Apolonia foram detidas na semana passada. Por determinação do MP, também foi detido o empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira, apontado como representante legal do ex-jogador no Paraguai. Lira também recebeu passaporte e cédula de identidade adulterada. De acordo com o MP, foi Dalia quem entregou à mulher de Lira os documentos adulterados de Ronaldinho, Assis e de Lira.

O ex-jogador e seu irmão chegaram ao Paraguai na manhã da última quarta-feira (4). Embora cidadãos brasileiros possam ingressar no país vizinho apenas apresentando o documento de identidade brasileiro, Ronaldinho e Assis entregaram aos agentes da imigração um passaporte paraguaio preenchido com seus dados pessoais, como se fossem cidadãos naturalizados paraguaios.

Apesar de estranharem o fato, os agentes autorizaram o ingresso da dupla. Horas mais tarde, os dois foram alvos de uma operação que levou promotores do Ministério Público e policiais a vasculharem os quartos do resort em que Ronaldinho e Assis estavam hospedados e apreenderem os documentos adulterados.

Em um primeiro momento, o MP divulgou que Ronaldinho e Assis afirmaram ter viajado a convite do dono do cassino Il Palazzo, o brasileiro Nelson Belotti. E que, já no país, foram procurados por representantes de uma fundação de assistência, a Fraternidade Angelical, para participar de eventos beneficentes. Já na nota mais recente, o órgão afirma que foi Dalia Angélica quem “na diâmica de suas atividades empresariais” levou Ronaldinho ao país.

Na quinta-feira (5), promotores da Unidade Especializada em Crime Organizado, do MP paraguaio, propuseram que o ex-jogador de futebol e seu empresário fossem liberados por estarem colaborando com as investigações. Com base nisto, Ronaldinho e Assis prestaram novos depoimentos na sexta-feira (6) a tarde, já preparados a deixar o país. Mas após cerca de seis horas de audiência, o juiz Mirko Valinotti indeferiu o argumento do MP, estabelecendo um prazo de dez dias para que os promotores responsáveis pelo caso reavaliassem a situação.

O MP, então, voltou atrás em sua manifestação. Um novo promotor, Osmar Legal, da Unidade Especializada em Delitos Econômicos, foi designado para o caso e, ainda na sexta-feira, o MP recomendou que Ronaldinho e Assis fossem presos em caráter preventivo. Detidos, os dois brasileiros estão desde então em uma cela especial da Polícia Nacional, em Assunção.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

Preso, Ronaldinho é investigado por outros crimes

Ronaldinho Gaúcho ao ser levado para prestar depoimento no Paraguai
(Ministério Público do Paraguai/Reprodução)

O ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário, Roberto de Assis Moreira, passaram a terceira noite presos em uma cela especial da Agrupação Especializada da Polícia Nacional, em Assunção, Paraguai. O Ministério Público do Paraguai pede ampliação das investigações para saber se o ex-jogador teria cometido outros crimes como lavagem de dinheiro.

Ronaldinho e Assis estão presos em caráter preventivo, a pedido do Ministério Público paraguaio, que temia que os dois deixassem o país antes das autoridades esclareceram porque os dois ingressaram no Paraguai usando documentos paraguaios com dados falsos. Caso não seja revertida, a prisão preventiva pode durar até seis meses.



O ex-atleta e seu irmão chegaram ao Paraguai na manhã da última quarta-feira (4). Embora cidadãos brasileiros possam ingressar no país vizinho apenas apresentando o documento de identidade brasileiro, Ronaldinho e Assis entregaram aos agentes da imigração um passaporte paraguaio preenchido com seus dados pessoais, como se fossem cidadãos naturalizados paraguaios.

Apesar de estranharem o fato, os agentes autorizaram o ingresso da dupla. Horas mais tarde, os dois foram alvos de uma operação que levou promotores do Ministério Público e policiais a vasculharem os quartos do resort em que Ronaldinho e Assis estavam hospedados e apreenderem os passaportes e as cédulas de identidade paraguaias que os dois portavam.

Segundo o promotor Federico Delfino, do MP paraguaio, Ronaldinho e Assis disseram ter viajado a convite do dono do cassino Il Palazzo, o brasileiro Nelson Belotti, e que, já no país, foram procurados por representantes de uma fundação de assistência, a Fraternidade Angelical, para participar de eventos beneficentes. Ainda de acordo com o promotor, os documentos são autênticos, mas foram preenchidos com informações falsas.

Na quinta-feira (5), promotores da Unidade Especializada em Crime Organizado, do MP paraguaio, propuseram que o ex-jogador de futebol e seu empresário fossem liberados por colaborarem com as investigações. Com base nisto, Ronaldinho e Assis prestaram novos depoimentos na sexta-feira (6) à tarde, já preparados a deixar o país. Mas após cerca de seis horas de audiência, o juiz Mirko Valinotti indeferiu o argumento do MP, estabelecendo um prazo de dez dias para que os promotores responsáveis pelo caso reavaliassem a situação.

O MP, então, voltou atrás em sua manifestação. Um novo promotor, Osmar Legal, da Unidade Especializada em Delitos Econômicos, foi designado para o caso, sugerindo que as autoridades locais investigam também a hipótese de lavagem de dinheiro. Ainda na sexta-feira, o MP recomendou que Ronaldinho e Assis fossem presos em caráter preventivo.

Detidos, os dois brasileiros foram conduzidos para a cela especial da Polícia Nacional, onde passaram a noite de sexta para sábado, quando se apresentaram perante a juíza Penal de Garantias, Clara Ruiz Díaz, que manteve a prisão preventiva por considerar graves os fatos investigados. Segundo o MP, a defesa de Ronaldinho e de Assis ainda tentaram converter a medida em prisão domiciliar, mas o pedido foi negado. “Os advogados pediram a prisão domiciliar, mas [Ronaldinho e seu irmão] não tem endereço fixo [no Paraguai]”, comentou o promotor.

Além de Ronaldinho e de Assis, também estão presos por suposto envolvimento no caso o empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira, apontado como representante legal do ex-jogador no Paraguai, e as paraguaias María Isabel Gayoso e Esperanza Apolonia Caballero. O MP pediu também determinou a prisão da empresária Dalia López Troche.

De acordo com informações divulgadas pelo MP paraguaio, Ronaldinho e seu irmão afirmam que após viajarem à convite de Belotti, receberam o convite de Dalia participar de eventos beneficentes. O ex-jogador e seu irmão também afirmam ter recebido os documentos falsificados do empresário Wilmondes Sousa Lira – que, por sua vez, responsabiliza a Dalia.

Já María Isabel e Esperanza Apolonia são investigadas porque, segundo a Polícia Nacional, os documentos encontrados com os brasileiros foram emitidos para as duas, que os solicitaram em janeiro deste ano.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Ronaldinho usou passaporte falsificado, confirmam promotores

(Ministério Público do Paraguai/Reprodução)

Os passaportes paraguaios que o ex-jogador de futebol Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário, Roberto de Assis Moreira, portavam ao ingressar no Paraguai na manhã de ontem (4) são autênticos, mas foram preenchidos com informações falsas.

A afirmação é do delegado antissequestro do país vizinho, Federico Delfino. Ele informou que a origem dos documentos será investigada.

Ao conversar com jornalistas, Delfino confirmou hoje que Ronaldinho, Assis e um terceiro brasileiro, o empresário que representa o ex-atleta no Paraguai, Wilmondes Sousa Lira, responderão por uso de documentos públicos com conteúdo falso. Crime passível de prisão.

Autoridades paraguaias contactaram órgãos oficiais do Brasil para verificar a situação documental de Ronaldinho. O motivo é que, em novembro de 2018, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) determinou que os passaportes do ex-jogador e de seu irmão fossem apreendidos até que uma multa, estipulada em 2015, por condenação por crime ambiental, fosse paga.



Em setembro, a dupla fez um acordo com o Ministério Público estadual (MP-RS), se comprometendo a pagar uma indenização superior a R$ 8,5 milhões para reaver os documentos. De acordo com o MP, as autoridades brasileiras consultadas informaram que a situação já foi regularizada – informação confirmada à Agência Brasil pela assessoria do MP-RS.

Abordados na noite dessa quarta-feira, horas após terem desembarcado no Paraguai, Ronaldinho e o irmão não estão detidos, mas permanecem em Assunção, sob custódia. Já Lira, detido ontem à noite, após policiais e promotores revistarem os pertences dos três brasileiros, continua preso.

Passaportes falsos

Ronaldinho e o irmão durante a abordagem (Ministério Público do Paraguai/Reprodução)

Durante as buscas realizadas na suíte presidencial do Resort Yacht e Golf Club, na cidade de Lambaré, próximo à capital, Assunção, foram apreendidos, além dos passaportes falsos, cédulas de identidade falsificadas com dados pessoais de Ronaldinho e de Assis, além de aparelhos celulares.

Esta manhã, Ronaldinho e Assis compareceram à Unidade Especializada contra o Crime Organizado, do Ministério Público paraguaio. Acompanhados por advogados locais, o ex-jogador e seu irmão prestaram novos depoimentos, reforçando informações já fornecidas ontem.

De acordo com o Ministério Público paraguaio, os três afirmam terem viajado ao Paraguai à convite do dono do cassino Il Palazzo, o brasileiro Nelson Belotti. Já no país, foram procurados por representantes de uma fundação de assistência, a Fraternidade Angelical, que convidou Ronaldinho a participar de eventos beneficentes.

A reportagem não conseguiu contato com os representantes de Ronaldinho Gaúcho e de Roberto de Assis Moreira. Os números de telefones de contato associados a Wilmondes Sousa Lira na internet também não lhe pertencem.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil