Ditadura: Relator vota para reexaminar caso Riocentro

Por André Richter

(Reprodução)

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Rogério Schietti votou hoje (28) pela retomada do processo que trata do caso Riocentro, atentado à bomba frustrado, ocorrido em maio de 1981. A ação é resultado de um recurso do Ministério Público Federal (MPF). 

Shietti, que é relator do caso, votou pela retomada do processo, por entender que os ex-militares supostamente envolvidos no atentado, de acordo com o MPF, devem ser processados porque crimes contra a humanidade são imprescritíveis, o que significa que não têm prazo para serem julgados.

A Terceira Seção do STJ começou a julgar hoje (28) o recurso do MPF para reabrir o processo do caso Riocentro. Após o voto do relator, o julgamento foi suspenso por um pedido de vista do ministro Reinaldo Soares da Fonseca. Não há data para a retomada do julgamento. 

Ao trancar a ação penal proposta na primeira instância, a Justiça Federal do Rio entendeu que os acusados não podem ser mais punidos porque a pretensão punitiva prescreveu. Para o MPF, o atentado caracterizou-se como crime contra a humanidade, sobre o qual não incidem regras de prescrição. 

O crime conhecido como Atentado do Riocentro ocorreu no dia 30 de abril de 1981, quando uma bomba explodiu e matou o sargento Guilherme Pereira do Rosário, que estava ao lado do capitão Wilson Machado, dentro de um automóvel Puma. A bomba explodiu no colo de Guilherme. O veículo ficou totalmente destruído. Wilson sobreviveu. Uma outra bomba também explodiu dentro da casa de força do Riocentro, onde cerca de 20 mil pessoas assistiam a um show em homenagem ao Dia do Trabalhador.

Aeroportos e hotéis exibem fotos dos suspeitos de furtar medalha

(Polícia Civil do RJ/Reprodução)

As fotos dos dois homens suspeitos de furtar a medalha Fields, do iraniano de origem curda Caucher Birkar, estão sendo divulgadas pela polícia do Rio nos aeroportos e na rede hoteleira, na expectativa de identificá-los. O furto ocorreu na última quarta-feira (1º), no Riocentro, durante a cerimônia de entrega da medalha, considerada o Nobel da matemática. O material também foi enviado à Polícia Federal.

A delegada responsável pela investigação, Valéria Aragão, titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turista, espera que a divulgação das fotos possa ajudar a elucidar o caso, na expectativa de que alguém faça uma denúncia.

(Polícia Civil do RJ/Reprodução)

“Já divulgamos fotos para a Polícia Federal, para todo o setor hoteleiro e hostels. Vai ser uma investigação muito complexa, pois, ao mesmo tempo em que temos imagens dos autores, não temos pistas sobre quem eles são, se são brasileiros ou estrangeiros”, disse a delegada, que atendeu a Agência Brasil na noite desta quinta-feira (2).

A delegada contou que já há imagens suficientes, gravadas por cinegrafistas e fotógrafos que trabalhavam no evento ou por câmeras de segurança, para concluir que os dois homens foram os responsáveis pelo crime, mostrando a forma como agiram.

“Nós temos as imagens dos autores, inclusive praticando o crime. Temos os rostos deles, em boa qualidade. Por trás da vítima, se vê dois homens cochichando e trocando olhares. Um deles faz um movimento e, em seguida, a pasta marrom desaparece”, relatou a delegada.

(Polícia Civil do RJ/Reprodução)

Valéria já ouviu, no mesmo dia do furto, Caucher Birkar. Segundo ela, pela repercussão negativa internacional que o caso teve, se pudesse, comprava uma medalha do próprio bolso para dar ao iraniano: “Eu estou quase tirando dinheiro da minha conta para comprar outra medalha. Queria poder cunhar outra. Foi a primeira vez que o evento veio para o Hemisfério Sul. Me sinto muito triste por isso”.

(Vladimir Platonow/Agência Brasil)