Vladimir Putine Jair Bolsonaro se cumprimentam dando a mão diante de bandeiras dos dois países.

Bolsonaro conversa com Putin por telefone

O presidente Jair Bolsonaro teve nesta segunda-feira (27/06) uma conversa telefônica com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, na qual o russo garantiu que seu país continuaria a fornecer ininterruptamente fertilizantes para o agronegócio brasileiro.

Segundo um comunicado do Kremlin, Putin “enfatizou que a Rússia está empenhada em cumprir suas obrigações de garantir o fornecimento ininterrupto de fertilizantes russos aos agricultores brasileiros”.

O Brasil é o quarto maior consumidor de fertilizantes do mundo, e 22% dos fertilizantes utilizados no agronegócio brasileiro são importados da Rússia.

Vladimir Putine Jair Bolsonaro se cumprimentam dando a mão diante de bandeiras dos dois países.
(Arquivo/Marcos Corrêa/PR)

O fornecimento de fertilizantes já havia tópico de conversa entre Bolsonaro e Putin quando o brasileiro o visitou no Kremlin em 16 de fevereiro, oito dias antes da invasão russa da Ucrânia. “O Brasil é uma potência, em especial no agronegócio, existe muito interesse da nossa parte no comércio de fertilizantes, no que sou grato ao prezado amigo”, afirmou Bolsonaro à época.

Putin aproveita para criticar sanções

Durante o telefonema, Putin também descreveu “em detalhes” para Bolsonaro o que vê como causas da difícil situação no mercado mundial de produtos agrícolas e fertilizantes, e enfatizou a importância de restaurar a estrutura do livre comércio desses bens, que segundo ele teria sido “colapsada pelas sanções ocidentais”.

Putin tem dito reiteradamente que a Rússia não é culpada pela crise alimentar global, e sim as sanções ocidentais que afetam as exportações do país. O russo alega que as sanções da União Europeia (UE) abrangem os fertilizantes russos, mas a UE afirma que este não é o caso e que também não sancionou produtos agrícolas russos.

No início de junho, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, acusou a Rússia de usar alimentos como “um míssil furtivo contra países em desenvolvimento” e culpou o Kremlin pela iminente crise global alimentar.

Busca por apoio

Putin já havia tentado reunir apoio de outros países contra as sanções do Ocidente que afetam a Rússia durante a cúpula anual dos Brics, na última quinta-feira. O grupo inclui também China, Brasil, Índia e África do Sul.

Durante a cúpula, Putin culpou as “ações impensadas e egoístas de certos países” pela crise econômica global. “Esta situação de crise que se configurou na economia global devido às ações impensadas e egoístas de certos Estados que, usando mecanismos financeiros, essencialmente transferem a culpa por seus próprios erros de política macroeconômica para o mundo inteiro”, disse ele no evento.

O presidente da China, Xi Jinping, também fez durante a cúpula fortes declarações contra as sanções do Ocidente aplicadas contra a Rússia, mas Bolsonaro optou por um discurso mais comedido, no qual defendeu a reforma de organizações internacionais como o Conselho de Segurança da ONU e o Banco Mundial para darem mais peso à representação das “economias emergentes” e evitou se posicionar sobre a guerra na Ucrânia.

Putin e Bolsonaro também discutiram no telefonema desta segunda-feira a intenção mútua de fortalecer a parceria estratégica entre os dois países em campos como agricultura e energia, segundo o Kremlin, e falaram sobre “algumas questões” da agenda internacional, incluindo o início da presidência rotativa do Brasil no Conselho de Segurança da ONU, a partir de 1º de julho.

bl (EFE, Lusa)

Criança deitada em maca e coberta com uniforme de bombeiro é carregada por socorristas após ataque.

Rússia ataca Kiev horas antes do G7

A Rússia bombardeou um bairro residencial de Kiev neste domingo (26/06), horas antes do início da cúpula do G7 na Alemanha, que tem como principal tema justamente os efeitos da guerra de agressão do Kremlin contra a Ucrânia. Pelo menos uma pessoa morreu no ataque.

Quatro explosões foram registradas por volta das 06h30 (00h30 em Brasília) em Kiev. Algumas atingiram um complexo residencial no distrito central de Shevchenkivskiy, causando um grande incêndio. O edifício de nove andares ficou gravemente danificado.

Pelo menos quatro pessoas foram hospitalizadas, incluindo uma menina de sete anos, disse o prefeito da capital ucraniana, Vitaly Klitschko.

Kiev não registrava ataques russos desde o início de junho.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, descreveu os novos bombardeios russos contra Kiev como uma “barbárie” durante a cúpula do G7.

“É mais uma barbárie dele”, respondeu Biden a jornalistas durante a cúpula, que ocorre em em Schloss Elmau, no estado alemão da Baviera.

Trata-se de “intimidar os ucranianos (…) dada a proximidade da cúpula da Otan”, disse o prefeito Klitschko após as explosões, em referência à reunião de cúpula da aliança militar ocidental, marcada para a próxima terça-feira.

Míssil atingiu casa em que estava a criança

Na cúpula do G7, os líderes das sete principais nações industrializadas do mundo – Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos – discutem como ajudar a Ucrânia e mitigar os efeitos da guerra na economia mundial.

O Reino Unido, que anunciou ajuda adicional que pode chegar a US$ 525 milhões, alertou no sábado contra qualquer “fadiga” no apoio a Kiev, o que poderia favorecer o regime de Vladimir Putin.

O Reino Unido, juntamente com os Estados Unidos, Canadá e Japão, também anunciou que proibirá a importação de ouro russo como parte das novas sanções impostas a Moscou

Já o governo ucraniano, após os novos ataques deste domingo, apelou aos países do G7 para enviarem mais armas e aplicarem mais sanções contra a Rússia;

“A cúpula do G7 deve responder com mais sanções contra a Rússia e mais armas pesadas para a Ucrânia”, insistiu o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kouleba, no Twitter, pedindo a “derrota do doentio imperialismo russo”.

“Uma criança ucraniana de 7 anos dormia pacificamente em Kiev até que um míssil de cruzeiro russo explodiu o seu edifício”, disse o ministro ucraniano.

“É extremamente importante que, durante as cúpulas desta semana, o G7 e a Otan demonstrem que o seu compromisso em defender a Ucrânia nunca será mais fraco do que o desejo de [Vladimir] Putin de a assumir”, insistiu Kouleba num artigo de opinião escrito em conjunto com a homóloga britânica, Liz Truss.

O ministro pediu ainda “um aumento e aceleração do fornecimento de armas pesadas, sanções mais duras contra todos aqueles que contribuem para a guerra de Putin e um embargo total das importações de energia russa”.

jps (AFP, Lusa, ots)

Volodymyr Zelensky tem a imagem projetada em um telão durante o Fórum Econômico Mundial

Zelensk diz que mundo precisa aprender “como evitar este tipo de guerra”

Volodymyr Zelensky abriu o Fórum Econômico Mundial nesta segunda-feira (23). Em Davos, na Suíça, o presidente da Ucrânia apelou que os demais líderes mundiais trabalhem na criação de mecanismos que impeçam novas guerras. O evento deste ano proibiu a participação da Rússia, que atualmente invade a nação vizinha.

“Vemos que o mundo escuta e acredita na Ucrânia, mas precisamos aprender a como prevenir esse tipo de guerra no futuro. Não esperem que a Rússia use as armas químicas, biológicas e nucleares. Protejam a liberdade, para que a Rússia e qualquer outro país do mundo que pense em invadir seu vizinho tenha sanções imediatas”, afirmou o ucraniano em seu discurso.

Volodymyr Zelensky tem a imagem projetada em um telão durante o Fórum Econômico Mundial
(Sikarin Fon Thanachaiary/World Economic Forum)

Para Zelensky, “é preciso que haja um precedente de punição aos agressores. Se o agressor perder tudo, isso será o preço que terminará com a motivação para que comece ou continue uma guerra. O mundo ainda não tem as ferramentas prontas para isso. A motivação para nós é muito simples: a humanidade deveria ter as ferramentas para se proteger contra a fome”.

O presidente ucraniano concluiu que seu país precisará de pelo menos US$ 5 bilhões (cerca de R$ 24,4 bilhões na cotação atual) mensais para se reconstruir após o fim do conflito. Autoridades da União Europeia (UE) já estimaram o valor em trilhões de euros.

Imagem aérea mostra teatro bombardeado por russos antes do ataque.

Ataque a teatro na Ucrânia matou cerca de 300 pessoas

O ataque russo contra um teatro em Mariupol, na Ucrânia, deixou cerca de 300 mortos, informou nesta sexta-feira (25/03) o Conselho Municipal da cidade, por meio de mensagem divulgada no Telegram. O bombardeio ocorreu no dia 16 de março.

“Há informações de testemunhas presenciais de que morreram em torno de 300 pessoas no Teatro do Drama, em Mariupol, como resultado do bombardeio russo”, disseram nesta sexta as autoridades de Mariupol.

“Queríamos acreditar, até o fim, que todo mundo conseguiu se salvar. Mas, as palavras dos que estavam dentro do edifício no momento do ataque terrorista dizem o contrário”.

Cerca de 130 pessoas foram resgatadas com vida do refúgio antiaéreo construído sob o teatro da cidade portuária, segundo informou na semana passada a comissária de Direitos Humanos do parlamento ucraniano, Liudmyla Denisova.

De acordo com as autoridades da Ucrânia, o abrigo servia como refúgio para entre 1 mil e 2 mil pessoas, mas ainda não é possível determinar quantas pessoas ocupavam o local no momento do bombardeio. Dos dois lados do prédio, no chão, havia sido escrito em letras grandes e no idioma russo a palavra “crianças”, para alertar pilotos russos de que se tratava de um alvo civil. 

O ministro dos Relaões Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba, considerou o bombardeio como “outro horrível crime de guerra” cometido pela Rússia.

Já o Ministério da Defesa russo negou o ataque e, sem mostrar provas, atribuiu a destruição do teatro ao Batalhão Azov, um grupo ultranacionalista ucraniano. Segundo Moscou, teria sido uma operação clandestina para culpar os russos.

Catástrofe humanitária

As tropas russas controlam parte de Mariupol, que foi arrasada pelos combates e onde seguem sitiados cerca de 100 mil habitantes, sem água, energia elétrica e itens básicos como alimentos ou medicamentos.

Mariupol é uma cidade portuária ucraniana na costa do mar de Azov. É estrategicamente importante, pois fica localizada entre a península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, e a região separatista pró-Moscou do Donbass. Antes da invasão russa, cerca de 450 mil pessoas viviam na cidade, entre elas vários de origem grega.

Imagem aérea mostra teatro bombardeado por russos antes do ataque.
Teatro atingido por bombardeio russo antes do ataque (Reprodução)

Mariupol foi palco de cenas avassaladoras da guerra, como um bombardeio a uma maternidade e um ataque a uma escola. A ONG Human Rights Watch (HRW) descreveu ao jornal britânico The Guardian a situação na cidade como uma “paisagem infernal congelante repleta de cadáveres e prédios destruídos”.

Num comunicado divulgado nesta segunda-feira, a organização lembrou que as autoridades locais estimam em 3 mil o número de mortos na cidade, que teria 80% dos edifícios destruídos. As cifras não foram verificadas de forma independente. 

“Residentes que escaparam [de Mariupol] disseram que hospitais, escolas, lojas e inúmeras casas foram danificadas ou destruídas por bombardeios. Muitos disseram que os seus familiares e vizinhos sofreram ferimentos sérios ou fatais, de fragmentos de explosivos”, diz o texto da HRW.

“Não resta mais nada”, diz Zelenski

Nesta terça-feira, após semanas de bombardeios pelas forças russas, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse, em discurso ao Parlamento italiano, que “não resta mais nada” de Mariupol e voltou a apelar à Rússia que permita a saída de dezenas de milhares de pessoas que ainda permanecem na cidade.

Nesta quinta-feira, cerca de 2,7 mil pessoas conseguiram deixar a cidade utilizando veículos privados. No entanto, um comboio com ajuda humanitária foi impedido de chegar a Mariupol pelo terceiro dia consecutivo. 

As autoridades locais informaram que ao menos 6 mil habitantes da cidade foram deportados à força para a Rússia e tiveram seus documentos confiscados.

ONU: 13 milhões de pessoas retidas em áreas de conflito

Cerca de 13 milhões de pessoas estão retidas em áreas afetadas pelo conflito na Ucrânia e sem meios para fugir devido, entre outras coisas, à destruição de estradas e pontes, informou a ONU nesta sexta-feira.

As pessoas “não podem sair de onde estão devido à destruição de estradas ou à falta de informações sobre onde encontrar segurança e alojamento”, explicou a representante do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) na Ucrânia, Karolina Lindholm, numa videoconferência realizada a partir de Lviv.

A incapacidade de milhões de pessoas de fugir do conflito é uma das questões que levam o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos a acreditar que o direito internacional humanitário foi violado na Ucrânia e que foram cometidos crimes de guerra.

Os milhões de pessoas retidas em áreas afetadas, o elevado número de vítimas civis e a extensão dos danos a infraestruturas civis “sugere fortemente a violação do direito internacional humanitário em ataques indiscriminados”, defendeu a líder da missão da ONU para os Direitos Humanos na Ucrânia, Matilda Bogner.

le (Lusa, EFE, ots)

Putin “é um criminoso de guerra”, diz Biden

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta quarta-feira (16/04) que o presidente russo, Vladimir Putin, é “um criminoso de guerra” pela invasão de seu país à Ucrânia, e anunciou mais 800 milhões de dólares em assistência à segurança ucraniana, incluindo armas para abater aviões e tanques russos.

Em conversa com um repórter na Casa Branca, Biden disse: “Ah, eu acho que ele é um criminoso de guerra”, depois de responder inicialmente com um “não” a uma pergunta sobre se ele estava pronto para chamar Putin assim.

Essa foi a primeira vez que Biden classificou publicamente Putin com essa expressão. Na semana passada, durante uma viagem à Polônia, a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, se limitou a afirmar que a Rússia deveria ser investigada por possíveis crimes de guerra.

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (Rede Social/Reprodução)

Depois da fala de Biden, a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, disse que Biden estava falando do seu coração, observando que há um processo legal separado para determinar se Putin violou a lei internacional e cometeu crimes de guerra, e que esse processo está em andamento no Departamento de Estado dos EUA.

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a fala de Biden é uma “retórica inaceitável e imperdoável”, de acordo com a agência de notícias Tass.

Mais cedo, Biden anunciou que os Estados Unidos ofereceram à Ucrânia um total de US$ 800 milhões em ajuda militar.

O anúncio foi feito após o discurso de seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelenski, ao Congresso dos EUA, por transmissão em vídeo, a partir de Kiev.

O novo pacote inclui o envio de 800 sistemas portáteis de mísseis antiaéreos Stinger, 100 lançadores de granadas e 20 milhões de munições para armas de pequeno porte e um número não especificado de drones.

“Vamos dar à Ucrânia armas para lutar e se defenderam nos dias difíceis que tem pela frente”, afirmou Biden.

Zelenski: “A Ucrânia não desistirá”

Volodimir Zelensky, presidente da Ucrânia (Reprodução)

Falando ao Congresso dos EUA, por transmissão em vídeo, a partir de Kiev, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse aos legisladores dos EUA que a Ucrânia não desistirá, apesar de lutar na “pior guerra desde a Segunda Guerra Mundial”.

Zelenski voltou a pedir uma zona de exclusão aérea na Ucrânia, argumentando que a Rússia “transformou os céus em uma fonte de morte” para as tropas e a população na Ucrânia.

Fazendo um paralelo com tragédias históricas vividas pelos EUA, afirmou que seu país enfrenta hoje todos os dias, o que os americanos experimentaram no 11 de Setembro e no ataque a Pearl Harbor. “Peço para que vocês façam mais”, apelou.

Dirigindo-se diretamente ao presidente americano, Joe Biden, disse: “Presidente Joe Biden, você é o líder de sua grande nação. Desejo que seja o líder do mundo. Ser o líder do mundo significa ser o líder da paz”.

Otan descarta missão de paz na Ucrânia

Apesar dos apelos de Zelensky, os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) descartaram nesta quarta-feira a possibilidade de enviar uma missão de paz à Ucrânia ou implementar uma zona de exclusão aérea sobre o território ucraniano.

Por outro lado, o secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, anunciou planos de reforçar a presença de forças da Otan nos países-membros do leste europeu.

“Pedimos à Rússia, ao presidente [Vladimir] Putin, que retire suas tropas [do território ucraniano], mas não temos planos de enviar tropas à Ucrânia”, disse Jens Stoltenberg.

Stoltenberg presidiu nesta quarta-feira em Bruxelas uma reunião dos 30 ministros da Defesa dos países da aliança, na qual foi discutida a proposta polonesa de enviar uma missão de paz ou a implementação da zona de exclusão aérea.

Como ficou claro na reunião entre os ministros da Defesa, a implementação de uma zona desse tipo só poderia ocorrer com militares da aliança transatlântica, numa escalada com consequências imprevisíveis no conflito.

Em 5 de março, Stoltenberg já havia expressado o consenso da maioria dos países da Otan ao afirmar em entrevista coletiva que “os aliados concordaram que não deveríamos ter aeronaves sobre o espaço aéreo da Ucrânia, nem tropas da Otan em território ucraniano”.

Putin defende que Rússia passe por “autopurificação” para livrar país de “escória” pró-Ocidente

Vladimir Putin, homem de pele clara, poucos cabelos loiros, veste terno e gravata. Atrás dele aparece parte de uma bandeira.
Vladimir Putin, presidente da Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sinalizou um aumento da repressão pelo seu regime ao ameaçar nesta quarta-feira os russos que vêm se mostrando críticos ao seu governo e à condução da guerra da Ucrânia. Em um discurso transmitido pela televisão, Putin referiu-se aos russos pró-Ocidente como “escória” e “traidores” que são parte de uma “quinta coluna” que teria como objetivo destruir a Rússia.

“O povo russo sempre será capaz de distinguir verdadeiros patriotas de escória e traidores e simplesmente cuspi-los como uma mosca que acidentalmente voou em suas bocas”, disse Putin. “Estou convencido de que uma autopurificação natural e necessária da sociedade só fortalecerá nosso país, nossa solidariedade, coesão e prontidão para responder a quaisquer desafios”, afirmou Putin.

O recado de Putin pareceu especialmente dirigido aos russos que emulam ou almejam estilos de vida típicos do Ocidente ou a oligarcas com laços na Europa. “Claro que eles (o Ocidente) tentarão apostar na chamada quinta coluna, em traidores – naqueles que ganham dinheiro aqui, mas vivem lá. Vivem não no sentido geográfico, mas em seus pensamentos, em sua mentalidade servil”, disse.

“Não julgo aqueles com vilas em Miami ou na Riviera Francesa. Ou quem não pode viver sem ostras ou foie gras ou as chamadas ‘liberdades de gênero’. O problema é que eles existem mentalmente lá, e não aqui, com nosso povo, com a Rússia”, completou Putin.

Corte da ONU determina que Rússia suspenda guerra na Ucrânia

O mais alto tribunal das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), com sede em Haia, determinou nesta quarta-feira que a Rússia suspenda suas operações militares na Ucrânia.

“A Federação Russa deve suspender imediatamente as operações militares iniciadas em 24 de fevereiro de 2022 em território ucraniano”, declarou o juiz-presidente da CIJ, Joan Donoghue.

Foram 13 votos a favor e dois contra. Os votos contrários partiram do vice-presidente da Corte, o russo Kirill Gevorgian, e da juíza chinesa Xue Hanqin.

A decisão da CIJ é o primeiro veredicto desse tipo proferido por um tribunal internacional desde que a Rússia invadiu a Ucrânia.

No dia 26 de fevereiro, dois dias após o início da invasão, a Ucrânia recorreu à CIJ, pedindo que a Rússia suspendesse as agressões e retirasse suas tropas.

A Rússia boicotou as sessões da CIJ no início deste mês e nenhum representante russo compareceu na leitura da decisão.

A CIJ foi criada após a Segunda Guerra Mundial para julgar disputas entre Estados-membros da ONU, com base em tratados e convenções.

As decisões da CIJ são vinculantes, mas a Corte não tem meios práticos para aplicá-las. Dessa forma, é praticamente certo que a decisão desta quarta-feira não deve ter efeitos práticos imediatos na guerra.

A decisão da CIJ, no entanto, apontam especialistas, deve contribuir para isolar ainda mais a Rússia no cenário internacional e fornecer ainda mais justificativas legais e políticas para reforçar sanções contra o regime de Vladimir Putin.

Rússia bombardeia teatro usado como abrigo em Mariupol

A Câmara Municipal de Mariupol, cidade portuária no sudeste da Ucrânia sob pesado cerco russo, afirmou que militares russos bombardearam um teatro que era usado como abrigo por centenas de civis.

O Legislativo local divulgou uma imagem de um teatro e vídeos mostrando chamas saindo das ruínas do edifício. A informação não pôde ser verificada pela DW de forma independente.

A Câmara Municipal divulgou um comunicado relatando que um avião havia jogado uma bomba no teatro. “Ainda é impossível estimar a escala desse ato terrível e inumano, porque a cidade continua sendo bombardeada em áreas residenciais. É sabido que após o bombardeio a parte central do Teatro de Drama foi destruída, e que a entrada para o abrigo antibomba no edifício foi destruída.”

Petro Andriushchenko, assessor do prefeito de Mariupol, afirmou, segundo a CNN, que o abrigo do teatro era o maior no centro da cidade, e que mais de mil pessoas poderiam estar abrigadas no local. “A probabilidade de irmos lá para retirar os escombros é baixa devido aos constantes bombardeios da cidade”, disse. 

Mais tarde, o Ministério da Defesa russo negou ter efetuado um ataque ao teatro em Mariupol.

Ataque russo teria matado 10 pessoas em fila para pão

Ao menos dez pessoas morreram na cidade de Tchernihiv, no norte da Ucrânia, quando tropas russas dispararam sobre civis que se encontravam na fila para comprar pão, segundo a embaixada dos EUA em Kiev, autoridades ucranianas e a mídia do país. A informação não pôde ser verificada pela DW de forma independente.

“Em Tchernihiv, as tropas russas dispararam sobre pessoas que faziam fila para comprar pão: pelo menos dez mortos”, escreveu o Serviço Estatal de Comunicações Especiais e Proteção da Informação da Ucrânia na sua conta no Twitter.

Um correspondente da televisão estatal ucraniana Suspilne que disse ter sido testemunha do ataque, confirmou o número de vítimas, indicou a agência Interfax-Ukraine. A agência ucraniana Ukrinform, por sua vez, noticiou que o ataque ocorreu por volta das 10h (hora local).

“Hoje forças russas dispararam e mataram dez pessoas que faziam fila para comprar pão em Tchernihiv. Ataques terríveis como esse têm de cessar”, afirmou a embaixada dos Estados Unidos em Kiev, na sua conta do Twitter.

“Estamos considerando todas as opções disponíveis para garantir a responsabilização por qualquer crime de atrocidade na Ucrânia”, acrescentou a representação diplomática americana.

FMI alerta que guerra na Ucrânia é grande golpe na economia global

O FMI alertou em um relatório publicado em seu site que a crise na Ucrânia causará um crescimento mais lento e uma inflação mais rápida em todo o mundo.

Preços mais altos de commodities como alimentos e energia vão impulsionar ainda mais a inflação, disse o FMI. A Ucrânia e a Rússia são grandes exportadores de trigo, e a guerra pode colocar pressão sobre a oferta global do grão. O preço do trigo atingiu um recorde nos últimos dias, disse o FMI.

Os países dependentes das importações de petróleo, do qual a Rússia também é um grande exportador, podem ter déficits maiores e mais pressão inflacionária, de acordo com o FMI. Alguns países exportadores de petróleo do Oriente Médio e da África, porém, podem se beneficiar de preços mais altos.

“As consequências da guerra da Rússia na Ucrânia já abalaram não apenas essas nações, mas também a região e o mundo”, disse o FMI.

90% dos ucranianos em risco de pobreza

De acordo com o especialista em desenvolvimento da ONU Achim Steiner, nove em cada dez ucranianos estão em risco de pobreza no caso de uma guerra duradoura.

Na pior das hipóteses, a economia do país entraria em colapso e acabaria com duas décadas de crescimento, disse Steiner, administrador do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

jps (Reuters, EFE, dpa, AFP, DW, ARD)

Tanque de guerra no meio de campo com chão coberto de neve. Militares dentro do tanque de guerra.

Missão de paz na Ucrânia é descartada pela Otan

Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) descartaram nesta quarta-feira (16/03) a possibilidade de enviar uma missão de paz à Ucrânia, como havia solicitado o vice-primeiro-ministro da Polônia, Jaroslaw Kaczynski.

Por outro lado, o secretário-geral da aliança militar, Jens Stoltenberg, anunciou planos de reforçar a presença de forças da Otan nos países-membros do leste europeu.

“Pedimos à Rússia, ao presidente [Vladimir] Putin, que retire suas tropas [do território ucraniano], mas não temos planos de enviar tropas à Ucrânia”, disse Jens Stoltenberg.

Stoltenberg presidiu nesta quarta-feira em Bruxelas uma reunião dos 30 ministros da Defesa dos países da aliança, na qual foi discutida a proposta polonesa de enviar uma missão de paz.

Tanque de guerra no meio de campo com chão coberto de neve. Militares dentro do tanque de guerra.
Tanque da Otan durante treinamento militar (Otan/Reprodução)

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, havia solicitado mais cedo ao Congresso dos Estados Unidos que reconsiderasse seu pedido de estabelecer uma zona de exclusão aérea sobre o território ucraniano, ideia que a Otan já descartou.

Como ficou claro na reunião entre os ministros da Defesa, a implementação de uma zona desse tipo só poderia ocorrer com militares da aliança transatlântica, numa escalada com consequências imprevisíveis no conflito.

Em 5 de março, Stoltenberg já havia expressado o consenso da maioria dos países da Otan ao afirmar em entrevista coletiva que “os aliados concordaram que não deveríamos ter aeronaves sobre o espaço aéreo da Ucrânia, nem tropas da Otan em território ucraniano”.

O vice-primeiro-ministro Kaczynski havia viajado para a capital ucraniana, Kiev, na terça-feira com os primeiros-ministros da Polônia, República Tcheca e Eslovênia para participar de uma reunião com o presidente Zelenski e o primeiro-ministro Denys Chmygal.

Kaczynski, líder do partido ultraconservador no poder da Polônia e cujo país mantém laços próximos com a Ucrânia, pediu uma missão da Otan “capaz de se defender e agir em território ucraniano, que esteja em território ucraniano com o acordo do presidente e do governo ucraniano”.

Chegando à sede da Otan em Bruxelas na quarta-feira, no entanto, vários ministros expressaram cautela.

“Acho muito difícil conceber uma missão de paz agora que há uma guerra acontecendo, com a intensidade que estamos vendo”, disse a ministra da Defesa da Holanda, Kajsa Ollongren.

“É muito cedo para falar sobre isso. Primeiro temos que ter um cessar-fogo. Temos que ver a retirada da Rússia e tem que haver algum tipo de acordo entre a Ucrânia e a Rússia”, acrescentou.

O ministro da Defesa da Estônia, Kalle Laanet, afirmou que “temos que estudar todas as possibilidades (…) mas o envio de uma missão de paz deve ser decidido pelo Conselho de Segurança da ONU”.

Reforço na presença militar

Apesar da negativa sobre o envio de uma missão de paz ou da implementação de uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia, o secretário-geral Stoltenberg anunciou que a Otan pretende fortalecer ainda mais sua capacidade no flanco leste da aliança.

“Estamos diante de uma nova realidade para nossa segurança. Portanto, devemos restaurar nossa defesa coletiva e dissuasão de longo prazo. Hoje, encarregamos nossos comandantes militares de desenvolver opções em todos os domínios (…). Em campo, nossa nova postura deve incluir substancialmente mais forças na parte leste da Aliança”, disse Stoltenberg.

Segundo a agência de notícias alemã dpa, Stoltenberg chegou a propor um fortalecimento “permanente” da presença militar da aliança na Europa Oriental. No entanto, tal proposta foi encarada com cautela pela Alemanha, já que um eventual reforço permanente poderia violar acordos de segurança com a Rússia. No momento, os membros mais influentes da aliança, como os EUA, não têm bases permanentes ou forças substanciais nos países da Europa Oriental que fazem parte da aliança, apenas instalações administradas de forma conjunta ou tropas temporárias.

Diplomatas não forneceram mais detalhes da proposta, mas enfatizaram que a Rússia não pode esperar que a Otan cumpra acordos anteriores após Moscou ter lançado uma invasão ilegal da Ucrânia.

O Ato Fundador Otan-Rússia, acordado por ambos os lados, obriga a aliança ocidental a abster-se de implantar permanentemente “forças de combate substanciais” nos territórios orientais da aliança, entre outras coisas.

O acordo também inclui uma promessa da Otan de não estacionar armas nucleares nos territórios de membros mais recentes da aliança. Os diplomatas disseram que isso não deve mudar por enquanto.

Os comandantes militares da Otan devem fornecer conselhos sobre os planos nas próximas semanas e uma decisão dos líderes da aliança provavelmente será tomada em uma próxima cúpula em junho, disse Stoltenberg.

Por outro lado, a ministra da Defesa alemã, Christine Lambrecht, afirmou após a reunião que as propostas de Stoltenberg devem ser cuidadosamente consideradas para ver se “essa ordem de magnitude é realmente necessária”.

Americanos mandam mais armas

Ainda nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou o envio de cem drones americanos à Ucrânia e garantiu que ajudará o país europeu a adquirir sistemas antiaéreos “de maior alcance” para se defender dos bombardeios russos.

Biden fez o anúncio em discurso na Casa Branca no qual anunciou a entrega de mais 800 milhões de dólares em assistência à Ucrânia.

“Isto incluirá os drones, o que demonstra o nosso empenho em enviar os nossos sistemas tecnológicos mais avançados para a Ucrânia, para a sua defesa”, explicou, sem esclarecer se os drones estarão armados.

A Casa Branca detalhou mais tarde, em comunicado, que cem “sistemas aéreos táticos não tripulados” serão enviados para a Ucrânia, em pacote que também inclui 800 novos mísseis antiaéreos Stinger, elevando para mais de 1.400 o número fornecido à Ucrânia no último ano.

Além disso, Biden disse que a sua gestão está “ajudando a Ucrânia a adquirir mais sistemas antiaéreos de maior alcance”, como Zelenski solicitou, “para que possam continuar a impedir aviões (russos) e helicópteros de atacarem o seu povo”.

Os EUA também fornecerão à Ucrânia mais 9.000 projéteis antiblindagem, incluindo mais 2.000 mísseis Javelin, 6.000 lança-foguetes AT-4 antitanque e mil armas mais leves utilizadas para destruir veículos blindados.

A assistência inclui também cem lança-granadas, 5.000 espingardas, mil pistolas, 400 metralhadoras e 400 espingardas, assim como mais de 20 milhões de munições e balas para estas armas de fogo.

“Esta pode ser uma batalha longa e difícil, mas o povo americano permanecerá firme no nosso apoio ao povo da Ucrânia”, disse Biden.

jps/bl (dpa, AFP, EFE, ots)

Kiev: Ataque russo a prédio residencial mata duas pessoas

O ataque a um edifício residencial em Obolon, Kiev, deixou pelo menos dois mortos e 12 feridos, informaram os serviços de emergência ucranianos. O prédio foi atingido por fogo de artilharia, que causou incêndio.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que se o espaço aéreo do país não for fechado, os mísseis da Rússia vão acabar caindo em território da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Em vídeo divulgado nesse domingo (13), Zelensky insistiu no fechamento do espaço aéreo ucraniano.

Refugiados

O conflito já levou quase 3 milhões de pessoas a deixarem a Ucrânia. A maioria tem fugido pela fronteira com a Polônia, mas há também milhares todos os dias tentando escapar dos bombardeios pela Moldávia.

O fluxo diminuiu, mas nem por isso deixa de preocupar a Organização Internacional para as Migrações (OIM). O diretor-geral da organização, António Vitorino destaca a necessidade de encontrar soluções duradouras. Várias pessoas fugiram nas últimas horas pela fronteira de Palanca na Moldávia.

Donetsk

Os separatistas pró-russos responsabilizaram hoje (14) as forças ucranianas pela morte de 20 pessoas na cidade de Donetsk, no Leste da Ucrânia, que dizem ter sido atingidas por fragmentos de míssil interceptado pela defesa aérea.

A defesa territorial de Donetesk publicou fotografias no Telegram em que se veem corpos ensanguentados numa rua do centro da cidade industrial.

Os separatistas disseram que suas defesas aéreas interceptaram míssil ucraniano, cujos destroços atingiram pessoas, incluindo crianças.

“As pessoas estavam na fila de uma máquina ATM, algumas em uma parada de ônibus.  De acordo com relatórios preliminares, 20 pessoas foram mortas e nove sofreram ferimentos. Há crianças entre os mortos”, disse o chefe da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Pushilin, citado pela agência oficial russa TASS.

Pushilin disse ainda que o míssil “transportava uma carga de fragmentação” e que “se não tivesse sido abatido, teria causado muito mais baixas”.

Ao determinar a invasão da Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, alegou tratar-se de uma “operação militar especial” para apoiar as autoproclamadas repúblicas pró-Moscou de Donetsk e Lugansk, na região do Donbass.

A guerra no Donbass começou em 2014, com apoio russo, e, segundo a ONU, tinha causado mais de 14 mil mortos até 24 de fevereiro, data em que a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia.

Os combates na Ucrânia, que entraram hoje no 19º dia, provocaram milhares de mortos e feridos, mas o número preciso não está determinado.

As informações sobre baixas militares e civis indicadas por cada uma das partes carecem de verificação independente.

A Organização das Nações Unidas contabilizou cerca de 600 civis mortos e mais de mil feridos até o fim de semana, mas alertou que o número deverá ser substancialmente superior.

Mais de 2,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia para países vizinhos desde a invasão, naquela que já é considerada a pior crise do género na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Foto mostra crachá do jornalista morto. É possível ler o nome do jornalista e o nome do jornal americano The New York Times.

Jornalista americano é morto por forças russas

Um jornalista estadunidense foi morto neste domingo (13) enquanto cobria a guerra na Ucrânia. Aos 50 anos de idade, Brent Renaud foi baleado em Irpin, que fica em uma região próxima à capital Kiev.

O repórter utilizava um crachá do veículo norte-americano “The New York Times”. A polícia local diz que outro profissional estava junto de Renaud no momento do ataque e também foi atingido. Ele segue em um hospital.

Foto mostra crachá do jornalista morto. É possível ler o nome do jornalista e o nome do jornal americano The New York Times.
Crachá utilizado pelo jornalista ajudou na identificação (Reprodução)

Em nota, o jornal dos Estados Unidos destacou que o jornalista não prestava serviços para a empresa há alguns anos e lamentou sua morte. Agências de notícias indicam que ele foi atingido por soldados russos.

Vladimir Putin, presidente da Rússia, sentado, veste terno e gravata, com paletó aberto e as duas mãos cruzadas sobre as pernas. É possível ver uma mesa de centro um flores em cima e papeis, além de uma lareira ao fundo.

Base militar ucraniana perto da Polônia é atacada pela Rússia

Um ataque aéreo da Rússia na manhã deste domingo (13/03) contra uma base militar em Yavoriv, na região de Lviv, no oeste ucraniano próxima à fronteira com a Polônia, deixou dezenas de mortos e feridos neste que é o 18º dia de guerra na Ucrânia.

De acordo com a administração de Lviv, pelo menos 35 pessoas morreram e 134 ficaram feridas. 

Segundo o ministro da Defesa da Ucrânia, Oleksii Reznikov, instrutores militares estrangeiros trabalham na base atingida. Entretanto, ele não disse se algum deles estava presente no momento do ataque.

O governador da região de Lviv, Maxim Kosizky, disse que os russos dispararam mais de 30 mísseis de cruzeiro contra o campo de treinamento militar, localizado 30 quilômetros a noroeste da cidade de Lviv e 35 quilômetros da fronteira da Ucrânia com a Polônia.

“Os ocupantes lançaram um ataque aéreo ao Centro Internacional de Manutenção da Paz e Segurança”, escreveu Kozitsky. Segundo testemunhas, cerca de 25 ambulâncias foram acionadas para levar os feridos a hospitais.

Relatos de ataques em Ivano-Frankivsk

De acordo com relatos da mídia, não houve bombardeios na cidade de Lviv. Mas um alarme de ataque aéreo foi disparado.

Lviv é um ponto de conexão para centenas de milhares de ucranianos que querem deixar seu país rumo a países vizinhos,por causa do ataque russo. Até agora, a cidade vinha sendo considerada relativamente segura. Alguns países chegaram a transferir suas embaixadas de Kiev para Lviv.

O prefeito de Ivano-Frankivsk, outra cidade no oeste da Ucrânia, relatou um ataque ao aeroporto local. “De acordo com informações preliminares, as explosões desta manhã vieram de um ataque ao aeroporto”, escreveu Ruslan Martsinkiv no Facebook. Ivano-Frankivsk fica 100 quilômetros ao sul de Lviv.

Kiev sob cerco

Com ataques de vários lados, o exército russo está aumentando a pressão sobre a capital ucraniana, Kiev. De acordo com o conselheiro presidencial ucraniano Mykhailo Podoliak, Kiev está em “estado de sítio”.

Povoados a noroeste da metrópole vêm sendo há dias abalados por fortes ataques. De acordo com agências de notícias, os tanques russos estão agora avançando rumo a Kiev a partir da região a nordeste da cidade e também na área a nordeste do centro urbano.

Segundo as autoridades locais, o aeroporto em Vasylkiv, 40 quilômetros ao sul da capital, foi destruído por ataques aéreos e um incêndio atinge um depósito de petróleo alvejado por foguetes.

Sirenes também alertaram para ataques aéreos neste sábado nas cidades de Odessa, Dnipro e Kharkiv.

O exército russo bombardeou vários hospitais na cidade portuária de Mykolaiv, no Mar Negro, informou um repórter da agência de notícias AFP.

Intensos ataques em Mariupol

Neste sábado, tropas russas realizaram intensos ataques contra a cidade portuária de Mariupol, no sudeste da Ucrânia, atingindo dezenas de prédios residenciais, segundo imagens de satélites. Autoridades ucranianas relataram que os russos controlaram a periferia leste da cidade e apertaram seu cerco.

Mariupol tem sido uma das localidades mais afetadas pelos ataques russos desde o início da guerra. A cidade de cerca de 430 mil moradores está sitiada e esforços para levar comida, água e remédios e para evacuar seus cidadãos foram frustrados neste sábado.

Mais de 1,5 mil pessoas morreram na cidade desde o início da guerra, segundo a administração local, e os constantes bombardeios interromperam esforços para enterrar os mortos em valas comuns.

Novas imagens de satélite divulgadas pela Maxar Technologies neste sábado mostram dezenas de prédios de apartamentos de Mariupol severamente danificados.

A DW não foi capaz de confirmar as fotos de forma independente. Um jornalista da agência Associated Press testemunhou tanques atirando contra um edifício residencial de nove andares.

“Eles estão bombardeando a cidade 24 horas por dia, lançando mísseis. É ódio. Eles matam crianças”, disse o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, durante um discurso em vídeo. A conquista de Mariupol seria útil para a Rússia criar um corredor terrestre até a Crimeia, região da Ucrânia que Moscou invadiu e controlou em 2014.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, mais de 3.500 instalações militares ucranianas foram destruídos desde o início da guerra, há mais de duas semanas. Esta informação não pôde ser verificada de forma independente.

A Rússia afirma atacar apenas alvos militares. A ONU, por outro lado, tem informações sobre o uso ilegal de bombas de fragmentação por tropas russas na guerra da Ucrânia – inclusive em áreas povoadas.

md (DPA, AFP, AP)

Facebook libera termos violentos contra Putin

A Meta, proprietária das redes sociais Facebook e Instagram, vai permitir a usuários de alguns países que apelem à violência contra o presidente Vladimir Putin e as tropas russas. No entanto, frisa que não permitirá violência contra civis russos.

Nos últimos dias, várias publicações usaram expressões como “morte aos invasores russos”, um apelo que normalmente violaria as regras da Meta.Em resposta, a Rússia apelou aos Estados Unidos (EUA) para que parem com “atividades extremistas”.

“À luz da invasão russa em curso na Ucrânia, fizemos uma exceção temporária para as pessoas afetadas pela guerra, expressarem sentimentos violentos contra as Forças Armadas invasoras”, disse um porta-voz da Meta. 

(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O anúncio da proprietária do Facebook e Instagram surge depois de a agência Reuters ter informado que teve acesso a e-mails internos delineando a mudança de estratégia.

Como parte da nova política, utilizadores das redes sociais de países como a Ucrânia, Rússia e Polônia poderão também apelar à morte de Vladimir Putin e do presidente Alexander Lukashenko, da Bielorrússia.

As mensagens de apelo à morte dos líderes serão permitidas, a menos que contenham outros alvos, ou incluam um local ou métodos.

Os apelos à violência contra russos são também permitidos quando a publicação fizer claramente referência à “invasão da Ucrânia”.

Atividades extremistas

A embaixada da Rússia em Washington reagiu e, no Twitter, acusou a Meta de atividades extremistas.

“Exigimos que as autoridades norte-americanas ponham termo às atividades extremistas da Meta e tomem medidas para levar os responsáveis à Justiça”.

“Os utilizadores do Facebook e Instagram não deram aos proprietários dessas plataformas o direito de determinar critérios de verdade e colocar umas nações contra as outras”, acrescentou.

Na passada semana, Moscou anunciou que estava bloqueando o Facebook e suas plataformas, citando 26 casos de “discriminação” contra os órgãos de comunicação social russos desde outubro de 2020.

Apesar do acesso ao Facebook já ter sido restringido na Rússia, não estava completamente indisponível.

Moscou reprimiu várias plataformas de meios de comunicação social, enquanto prossegue com o que chama de “operação especial” na Ucrânia.