Putin e Biden se encontram nesta quarta-feira

Há semanas, um assunto de política externa domina o noticiário na Rússia: a reunião em Genebra entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o dos Estados Unidos, Joe Biden, nesta quarta-feira (16/06). Mesmo os pequenos detalhes, como o local da reunião, uma mansão do século 18, são noticiados como se se tratasse de uma recepção quase real.

Oficialmente, o Kremlin mantém as expectativas baixas para o encontro. Diz que não se deve esperar nenhum avanço na relação bilateral.

Putin afirmou que o fato de ele estar se reunindo com Biden “por si só não é ruim”. “Eu espero um resultado positivo”, disse o presidente russo. Do ponto de vista dele, isso seria, por exemplo, um acordo sobre os próximos passos para “normalizar as relações russo-americanas”.

Em entrevista ao canal americano NBC, Putin atestou que essas consultas estão no “nível mais baixo em anos”. O ponto de vista russo é que a culpa é da política interna dos EUA.

Anseio por conversas francas

“Há um senso de positividade muito forte” na Rússia, diz Tatiana Stanovaya, especialista do Centro Carnegie de Moscou.

O influente chefe de Segurança Nacional da Rússia, Nikolai Patrushev, por exemplo, expressou um otimismo incomum após conversas com seu homólogo americano, Jake Sullivan. Os dois haviam se reunido em Genebra em maio para se preparar para a cúpula presidencial.

Em alguns pontos foi possível um acordo com os Estados Unidos, Patrushev disse depois ao jornal governamental Rossiyskaya Gazeta. “Os russos não esperavam que os EUA estivessem tão abertos à visão da Rússia”, comentou a especialista Stanovaya.

Desde o colapso da União Soviética, os principais políticos russos expressaram repetidamente o desejo de falar novamente com Washington em condições de igualdade. A Rússia, diz Stanovaya, pode ser economicamente mais fraca que os Estados Unidos, mas como é comparativamente forte em armas nucleares, “nada mais importa”.

“A Rússia precisa urgentemente ser aceita como uma grande potência”, comenta Hans-Henning Schröder, ex-especialista em Rússia no instituto alemão SWP. A atenção midiática que antecede a cúpula, diz ele, sugere que Putin tem um interesse maior nisso do que Biden. Especialistas russos, no entanto, ressaltam que foi o presidente dos EUA que tomou a iniciativa de convocar a reunião.

A cúpula assimétrica de Genebra

A relação tensa entre Moscou e Washington desde a anexação da Crimea sofreu vários contratempos. Biden chamou Putin de “assassino” em uma entrevista em março, e Moscou retirou seu embaixador de Washington.

O líder do Kremlin propôs um debate público ao vivo, mas o presidente dos EUA recusou. Em vez disso, Biden, em seguida, impôs novas sanções à Rússia, inclusive por tentativa de interferência nas eleições presidenciais de 2020, o que Moscou nega.

Diplomatas russos foram expulsos dos EUA. Moscou respondeu expulsando diplomatas americanos e disse ao embaixador dos EUA que ele deveria retornar para casa. Desde então, as embaixadas de ambos os países estão sem conexão. Ao mesmo tempo, houve uma enorme acumulação de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Neste contexto, Biden ligou para Putin em abril e propôs uma cúpula.

Muitos observadores insinuam que o líder do Kremlin acabou forçando Biden a convocar a reunião com a ameaça de escalada no leste da Ucrânia. Andrei Kortunov, diretor do instituto russo de política externa RSMD, não compartilha dessa tese. Ele não descarta, porém, a possibilidade de que a “minicrise sobre a Ucrânia” possa ter “motivado adicionalmente” o presidente dos EUA a se encontrar com Putin.

“Tais cúpulas colocam nossos países em pé de igualdade. Isso é importante para o status e a posição da Rússia na política mundial”, diz Kortunov.

Tatiana Stanovaya também fala de uma “atitude assimétrica”: “Para a Rússia esta cúpula é tudo, enquanto para Biden é apenas um passo no caminho para resolver o ‘problema da China'”, diz a especialista. Para Washington, afirma ela, as futuras negociações com a China são um assunto mais prioritário.

Russos buscam “estabilidade estratégica”

Essa discrepância também se reflete nos preparativos para a cúpula. Um diplomata russo de alto nível lamentou que Washington não estivesse preparado para fazer um balanço completo das relações bilaterais em Genebra. Moscou tem buscado amplas discussões sobre questões-chave com Washington desde a época soviética, diz Andrei Kortunov. Os EUA, por outro lado, são conhecidos por preferirem lidar primeiro com tarefas menores e pragmáticas.

Putin e Biden não devem sentir falta de tópicos para discussão em Genebra. Do ponto de vista de Moscou, “estabilidade estratégica” seria o tema mais importante, diz Kortunov. Hans-Henning Schröder tem uma visão semelhante: “Eles querem um acordo sobre armas nucleares estratégicas.”

Depois que os EUA se retiraram de vários acordos com a Rússia, Biden interrompeu essa tendência quando estendeu o acordo de redução de armamento nuclear “New Start” em janeiro. Moscou quer construir uma conversa a partir disso em Genebra. Não apenas armas nucleares tradicionais estarão em pauta, mas também espaço, ciberataques e uso de drones, diz Andrei Kortunov. O fim do confronto diplomático também deve estar no topo da lista de desejos da Rússia.

Em questões relacionadas à Ucrânia ou aos direitos humanos na Rússia, especialistas veem poucas chances de aproximação. Moscou só está preparado para aceitar as críticas de Biden como uma espécie de “programa obrigatório”, diz Tatiana Stanovaya.

As esperanças russas de um novo começo com os EUA são, portanto, frágeis. A especialista advertiu que o fracasso das conversações em Genebra poderia levar Moscou a “comportar-se ainda mais agressivamente e sem consideração pelo Ocidente”, inclusive a nível interno.

Do ponto de vista da Rússia, um objetivo já foi alcançado antes da cúpula: a reunião será realizada. Mas não haverá uma encenação para a imprensa, o que Putin queria. Biden recusou uma coletiva de imprensa conjunta em Genebra.

Por Roman Goncharenko, da Deutsche Welle

União Europeia aprova sanções contra Rússia e Venezuela

Nicolás Maduro ao lado de Vladmir Putin, durante visita a Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

A União Europeia (UE) decidiu nesta segunda-feira (22/02) impor novas sanções contra a Venezuela e a Rússia. A decisão atinge autoridades de ambos os países e foi tomada numa reunião dos ministros do Exterior do bloco.

No caso da Venezuela, 19 nomes de autoridades foram adicionados à lista de sancionados “por minarem os direitos eleitorais da oposição e o funcionamento democrático da Assembleia Nacional, e por graves violações dos direitos humanos e restrições às liberdades fundamentais”, informou a UE em comunicado.

Já com relação à Rússia, os sancionados estão ligados à prisão e à condenação do líder oposicionista do Kremlin, Alexei Navalny. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, irá divulgar uma lista de pessoas a serem sancionadas. 

Em ambos os casos, as sanções implicam na proibição de entrada no território da União Europeia e no congelamento de bens dessas autoridades no bloco europeu.

Eleições não democráticas 

A União Europeia não reconhece a Assembleia Nacional venezuelana que tomou posse em 5 de janeiro, de maioria governista, por considerar que as eleições de 6 de dezembro não foram democráticas. A maior parte da oposição, sobretudo a ligada a Juan Guaidó, boicotou o pleito por não considerar as eleições livres e justas.

Entre as autoridades venezuelanas sancionadas estão a vice-presidente Delcy Rodríguez Rodríguez e o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello. Também entraram para a lista, que agora conta com 55 nomes, a presidente e o vice-presidente do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, magistrados do Supremo Tribunal e do Tribunal Constitucional da Venezuela e deputados da Assembleia Nacional.

Em comunicado, a UE disse que “manterá o seu compromisso com todos os atores políticos e da sociedade civil que lutam pelo retorno da democracia à Venezuela, incluindo em particular Juan Guaidó e outros representantes da Assembleia Nacional cessante, eleita em 2015, que foi a última expressão livre dos venezuelanos”.

“Estas medidas direcionadas são desenhadas de maneira a não terem efeitos humanitários adversos ou consequências não desejadas para a população venezuelana, e podem ser revertidas”, acrescenta o comunicado.  

Pedidos de liberdade a Navalny

As novas sanções à Rússia vêm após semanas de apelos mal-sucedidos da UE pela libertação de Navalny. Moscou já disse que considera os pedidos do bloco como interferência nos assuntos internos. Apoiadores do opositor consideram as medidas da UE muito brandas e defendem que as sanções deveriam ser em maior escala. 

O envenenamento de Nalvalny e seu posterior tratamento na Alemanha têm sido objetos de atrito entre Moscou e Bruxelas. No fim de 2020, a UE impôs proibições de ingresso e congelou as contas bancárias de diversas autoridades russas, entre as quais o diretor do FSB (órgão de inteligência que sucedeu a KGB), Alexander Bortnikov.

Recentemente, a Rússia expulsou três diplomatas da Alemanha, Polônia e Suécia por, supostamente, terem participado de protestos pró-Navalny. Em represália, os três países expulsaram, cada um, um diplomata russo.

No começo de fevereiro, um tribunal da Rússia sentenciou Navalny a três anos e meio de prisão. A Justiça alegou que o ativista violou as condições de sua liberdade condicional relacionada a uma sentença proferida em 2014, ao não se apresentar regularmente para as autoridades penitenciárias. A sentença original envolve um suposto caso de fraude, num processo que foi considerado politicamente motivado e declarado ilícito pelo Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

O ativista foi preso novamente em 17 de janeiro, ao desembarcar em Moscou. Ele retornava a seu país natal pela primeira vez após ter passado cinco meses na Alemanha, onde se recuperava de um ataque com um agente neurotóxico. Navalny acusa o governo russo pelo envenenamento. O Kremlin, por sua vez, nega as acusações. 

Apesar de ter sido advertido pelas autoridades russas de que seria detido ao desembarcar, Navalny decidiu voltar.

A nova prisão de Navalny foi o estopim para novos protestos contra o Kremlin. Milhares de pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades para exigir a libertação do ativista e demonstrar insatisfação com o governo autoritário do presidente Vladimir Putin. A reação das autoridades foi feroz, e mais de 10 mil pessoas foram detidas.

Por Deutsche Welle

le/cn (efe, afp, ots)

Putin reconhece vitória de Biden, e Bolsonaro segue em silêncio

(Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, parabenizou nesta terça-feira (15/12) o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, por sua vitória nas eleições americanas, e afirmou esperar que seus países possam superar diferenças para promover segurança e estabilidade global.

Putin ainda não havia reconhecido o resultado do pleito nos Estados Unidos, e enviou sua mensagem um dia após o Colégio Eleitoral americano ter confirmado Biden como o próximo presidente do país.

No início de novembro, após Biden ter sido declarado vencedor do pleito, o Kremlin declarou que aguardaria “o fim das disputas políticas internas” antes de parabenizá-lo. O presidente eleito dos Estados Unidos adotou durante a campanha uma posição dura em relação à Rússia, e acusou o país de ter interferido nas eleições de 2016 em benefício do atual presidente americano, Donald Trump.

Em sua mensagem, Putin desejou a Biden “sucesso” e disse confiar que “Rússia e Estados Unidos, que têm uma responsabilidade especial pela segurança e estabilidade global, possam, apesar de suas diferenças, realmente contribuir para resolver muitos dos problemas e desafios que o mundo enfrenta hoje”.

O presidente russo também afirmou que “a cooperação russo-americana baseada nos princípios de igualdade e respeito mútuo são do interesse dos habitantes de ambos os países e de toda a comunidade internacional”. “Da minha parte, estou pronto para colaboração e contatos com o senhor”, disse Putin.

Trump não reagiu de imediato à decisão do Colégio Eleitoral, mas, em uma aparente tentativa de tirar o foco do assunto, foi ao Twitter logo depois para anunciar que o procurador-geral do país, William Barr, deixará o cargo nos próximos dias. Trump vinha expressando sua insatisfação com Barr nas últimas semanas, devido às questões legais relacionadas com a eleição.

Polônia também parabeniza, Bolsonaro silencia

O presidente polonês, Andrzej Duda, também enviou mensagem a Biden nesta terça-feira parabenizando-o pela vitória. Assim como Putin, Duda não havia felicitado Biden no início de novembro, após ele ter sido declarado vencedor das eleições. O presidente polonês é um dos líderes mundiais que mantêm uma relação próxima com Trump.

“Após a votação do Colégio Eleitoral, gostaria de parabenizá-lo por ter concluído com sucesso o processo eleitoral para se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos, e desejo ao senhor um mandato de muito sucesso”, escreveu Duda.

Com as mensagens de Putin e Duda, o presidente Jair Bolsonaro se torna o último líder de um país relevante a não ter ainda parabenizado Biden por sua vitória, gesto que na linguagem diplomática equivale ao reconhecimento do resultado eleitoral. No dia 29 de novembro, Bolsonaro afirmou que tinha havido fraude nas eleições dos Estados Unidos, sem apresentar provas. 

Nos dois primeiros anos de seu mandato, o presidente brasileiro construiu uma relação de alinhamento automático ao governo Trump, em busca de concessões que mostraram poucos resultados para o Brasil. 

“Virar a página”

Em pronunciamento logo após a decisão do Colégio Eleitoral, Biden afirmou que havia chegado a hora de seu país “virar a página”.

“Nesta batalha pela alma da América, a democracia prevaleceu”, disse Biden em discurso depois da confirmação de sua vitória. “Nós, o povo, votamos. A fé em nossas instituições foi mantida. A integridade de nossas eleições segue intacta.”

Biden obteve 306 votos no Colégio Eleitoral. São necessários 270 para vencer a eleição.

O Congresso dos EUA se reunirá em 6 de janeiro para certificar os votos do Colégio Eleitoral. A posse de Biden e de sua vice, Kamala Harris, está agendada para o dia 20 de janeiro.

BL/afp/dpa/ots

Por Deutsche Welle

Paraná anuncia acordo para produzir vacina russa

Poucas horas após Moscou anunciar a aprovação da primeira vacina contra a covid-19, o governo do Paraná divulgou nesta terça-feira (11/08) que pretende assinar um convênio com a Rússia para a produção da controversa vacina, que é questionada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Carlos Massa Ratinho Junior, governador do Paraná (Geraldo Bubniak/AEN)

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, e o embaixador da Rússia no Brasil, Serguei Akopov, devem assinar o acordo na quarta-feira. Segundo o governo paranaense, o convênio estava sendo discutido desde julho.

Em entrevista à GloboNews, o presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Jorge Callado, estimou que a imunização deve estar disponível no segundo semestre de 2021, e afirmou que, após a assinatura do convênio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) avaliará o protocolo russo para avaliar a liberação dos testes.

O Tecpar será o responsável por todas as fases até a distribuição da vacina no país, incluindo a realização de testes. O convênio prevê ainda a transferência de tecnologia.

Callado destacou, porém, que não há um compromisso de produção da vacina enquanto ela não for validada e liberada pela Anvisa e pela Comissão Nacional de Ética e Pesquisa, e garantiu que, se Moscou não fornecer as informações necessárias, o acordo pode ser anulado.

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

A Rússia é o primeiro país do mundo a registrar e aprovar para uso da população uma vacina contra o coronavírus. No entanto, muitos cientistas no país e no exterior têm se mostrado céticos com as declarações do governo russo, questionando a decisão de registrar a vacina antes mesmo dos testes da fase 3, que normalmente duram meses e envolvem milhares de voluntários.

Ainda há desconfiança sobre a falta de publicação de dados em revistas científicas que atestem sua eficácia. Pouco se sabe também sobre as fases de todo o processo de pesquisa e quantas pessoas foram efetivamente testadas.

O anúncio da Rússia foi recebido com cautela pela Organização Mundial da Saúde, que afirmou não ter recebido informações suficientes para avaliar a vacina russa, batizada de “Sputnik V”, em referência ao pioneiro satélite soviético lançado nos anos 1950, que marcou o início da corrida espacial.

“Acelerar o progresso não deve significar comprometer a segurança”, disse o porta-voz da OMS Tarik Jasarevic, acrescentando que a organização está em contato com as autoridades da Rússia e de outros países para analisar o progresso das diferentes pesquisas de vacinas.

O porta-voz enfatizou que a organização está animada “com a velocidade em que as vacinas estão sendo desenvolvidas” e espera que algumas delas “se mostrem seguras e eficientes”.

A Alemanha foi um dos primeiros países a levantar dúvidas sobre a vacina desenvolvida pela Rússia. “Não há dados conhecidos sobre a qualidade, eficácia e segurança da vacina russa”, afirmou uma porta-voz do Ministério da Saúde alemão à rede de jornais RND, lembrando que, na União Europeia, “a segurança do paciente é a principal prioridade”. 

Apesar dos questionamentos internacionais, o secretário da Casa Civil do Paraná, Guto Silva, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que o fato de a Rússia não ter seguido os protocolos da OMS não é motivo de preocupação para o governo paranaense, pois a aprovação da vacina no país seguirá regras brasileiras.

Além da vacina russa, duas outras receberam apoio direto de autoridades brasileiras e já contam com acordos que envolvem a compra e produção em território nacional: a desenvolvida pela universidade britânica de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca, escolhida pelo governo federal, e a criada pela chinesa Sinovac, que tem o governo de São Paulo como parceiro.

Segundo a OMS, há atualmente  no mundo seis vacinas contra a covid-19 na fase 3 de ensaios clínicos, a última etapa antes da aprovação.

CN/afp/lusa/efe/ots

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Rússia diz ter registrado a primeira vacina contra a Covid-19

O presidente Vladimir Putin anunciou nesta terça-feira (11) que a Rússia registrou a primeira vacina do mundo contra o novo coronavírus. Ele garantiu que sua filha já tomou a vacina e que ela estará disponível a partir de janeiro. A decisão é questionada e a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu o cumprimento dos protocolos e dos regulamentos.

Vladimir Putin, presidente da Rússia (Kremlin/via Fotos Públicas)

O Ministério da Saúde russo deu a aprovação regulatória para o produto, desenvolvid pelo Instituto Gamaleya de Moscou, após menos de dois meses de iniciados os testes em humanos.

“Esta manhã foi registrada, pela primeira vez no mundo, uma vacina contra o novo coronavírus”, disse Putin durante reunião com membros do governo.

De acordo com o presidente, o produto é “eficaz” e superou todas as provas necessárias, além de permitir uma “imunidade estável” face à covid-19. Putin garantiu também que uma das suas duas filhas já recebeu uma dose e que se está se sentindo bem.

“Uma das minhas filhas tomou a vacina”, afirmou. “Dessa forma, ela participou da experiência. Depois da primeira vacinação, ela teve 38 graus de febre, no dia seguinte 37, e foi apenas isso”.

A Rússia espera agora poder iniciar a aplicação em massa, mesmo que estejam ocorrendo ainda testes clínicos para comprovar a segurança da vacina. As autoridades russas já tinham anunciado que os profissionais de saúde, professores e outros grupos de risco serão os primeiros a serem imunizados.

A vice primeira-ministra da Rússia, Tatyana Golikova, disse que a vacina vai começar a ser administrada a profissionais de saúde, a partir de setembro, e que estará disponível ao público em geral a partir de 1º de janeiro de 2021.

Decisão questionada

Muitos cientistas, no entanto, na Rússia e em outros países, questionaram a decisão de registrar a vacina antes que sejam completada a chamada Fase 3 do estudo – que, por norma, demora vários meses, envolve milhares de pessoas e é a única forma de provar que a vacina experimental é segura e funciona.

Nas últimas semanas, muitos cientistas expressaram preocupação com a velocidade em que estava sendo desenvolvida a vacina. A Organização Mundial da Saúde pediu “diretrizes claras” para o tratamento e o cumprimento dos protocolos e dos regulamentos em vigor. 

Por RTP – Emissora Pública de Portugal

Rússia tenta favorecer reeleição de Trump, diz inteligência dos EUA

Os serviços de inteligência dos Estados Unidos relataram ao Congresso do país que a Rússia tenta interferir na eleição presidencial de novembro em favor do presidente Donald Trump e que a China prefere uma vitória do democrata Joe Biden.

“Avaliamos que a China prefere que o presidente Trump – que Pequim vê como imprevisível – não consiga a reeleição”, disse William R. Evanina, diretor do Centro Nacional de Contra-Inteligência e Segurança, nesta sexta-feira (07/08), no primeiro comunicado dos serviços de inteligência sobre esse tema sensível desde as denúncias de que a Rússia interferiu na eleição de 2016 para ajudar Trump.

Os relatórios de inteligência, segundo Evanina, apontam que a Rússia está usando uma série de medidas para difamar Biden, a quem vê como integrante de um “establishment antirrusso”. O governo russo desaprova as ações de Biden no governo de Barack Obama, quando o então vice-presidente desempenhou um papel na política dos EUA para a Ucrânia.

Trump, que sempre descartou com veemência qualquer interferência da Rússia na eleição de 2016, também rejeitou a informação de que a Rússia esteja lhe ajudando. “Acho que a última pessoa que a Rússia quer ver no cargo é Donald Trump, porque ninguém foi mais duro com a Rússia do que eu fui – jamais”, declarou. “Se Biden for presidente, a China vai ser dona do nosso país”, acrescentou.

Evanina disse que a China tem expandido os seus esforços de influência, antes das eleições de novembro, para tentar influenciar a política nos EUA, mas apresentou bem menos evidências de uma possível interferência. “Embora a China continue a ponderar os riscos e benefícios de uma ação agressiva, a sua retórica pública nos últimos meses tem se tornado cada vez mais crítica em relação à resposta à pandemia de covid-19 dada pelo atual governo dos EUA, com o fechamento do consulado da China em Houston”, afirmou Evanina.

As declarações da inteligência dos EUA também refletem temores em relação ao Irã e alertam que forças estrangeiras podem tentar comprometer a infraestrutura da eleição, interferir no processo de votação ou questionar resultados. Apesar de tudo isso, os serviços de inteligência consideram improvável que alguém consiga manipular votos, disse Evanina.

Ele disse que o Irã também está envolvido “em uma campanha de interferência para dividir o país e minar as instituições democráticas”. “Os esforços do Irã nesse sentido provavelmente vão se concentrar na influência online, como a divulgação de desinformação nas redes sociais e a divulgação de conteúdos anti-EUA”, escreveu Evanina no comunicado.

“A motivação de Teerã para conduzir essas atividades é, em parte, impulsionada por uma perceção de que a reeleição do presidente Trump resultará numa continuação da pressão dos EUA sobre o Irã, num esforço para fomentar a mudança de regime.”

A eleição presidencial dos EUA está marcada para 3 de novembro. Trump, pelo Partido Republicano, tentará o segundo mandato, e Biden, recolocar os democratas na presidência.

AS/efe/ap/lusa

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Putin suspende adesão a tratado de desarmamento nuclear

O presidente russo, Vladimir Putin, assinou hoje (4) um decreto suspendendo a participação do país no tratado de desarmamento nuclear INF, assinado durante a Guerra Fria, informou o serviço de imprensa do Kremlin em nota oficial.

“Dada a necessidade de tomar medidas urgentes seguindo a violação das obrigações dos Estados Unidos sob o tratado, assinado pela União Soviética e pelos Estados Unidos em 8 de dezembro de 1987. O compromisso da Rússia com o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário [INF, na sigla em inglês] está, de agora em diante, suspenso até que os Estados Unidos se manifestem sobre a violação das obrigações sob o tratado ou até o tratado ser revogado”, diz o decreto.

O Ministério de Relações Exteriores da Rússia foi instruído a mandar um comunicado da suspensão aos Estados Unidos. Segundo o Kremlin, o decreto entrou em vigor imediatamente após a assinatura.

Tratado

O tratado INF entrou em vigor em 1º de junho de 1988. Ele se aplica a mísseis baseados em terra de médio alcance (1 mil a 5 mil quilômetros) e de curto alcance (500 a 1 mil quilômetros). Ao longo das últimas três décadas, os Estados Unidos acusaram a Rússia de violar o acordo diversas vezes, com o governo de Moscou desmentindo as acusações.

Em 1º de fevereiro, o presidente norte-americano, Donald Trump, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Michael Pompeo, anunciaram a suspensão das obrigações de Washington sob o tratado INF a partir do dia seguinte. O governo norte-americano prometeu retirar-se definitivamente do acordo em seis meses a menos que a Rússia cumpra o acordo de forma “real e verificável”.

Em 2 de fevereiro, Putin anunciou que o governo de Moscou também estava suspendendo a participação no acordo. Ele deu instruções para interromper conversas iniciais com Washington sobre o assunto e enfatizou que os Estados Unidos precisariam mostrar disposição para um diálogo igual e substantivo.

Em 20 de fevereiro, Putin disse em discurso ao parlamento russo que o país “terá de desenvolver e instalar armas que podem ser usadas não apenas contra áreas das quais uma ameaça direta virá, mas também contra territórios onde estão localizados centros de decisão”. Ele também destacou que os Estados Unidos têm insistentemente ignorado o tratado INF ao instalar lançadores de mísseis na Romênia e na Polônia.

* Com informações da agência pública Tass, da Rússia