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Boate Love Story entra com pedido de recuperação judicial

A geração imersa em celulares e seus aplicativos, mais interessados em curtidas e likes em redes sociais são um dos motivos para a situação difícil da boate Love Story, que entrou com pedido de recuperação judicial na noite desta segunda-feira (6). O objetivo com a medida é conseguir congelar dívidas, que hoje chegam a R$ 1,7 milhão. Os representantes da Love Story dizem que a casa vai continuar funcionando apesar dos problemas.

Na argumentação feita pelo advogado Marcelo Hajaj Merlino, que protocolou o pedido na Vara Especializada em Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo, ele diz que os jovens de hoje não gostam mais de frequentar boates, mas com o status que conseguem no mundo digital.

“A geração que atingiu a maioridade nos últimos 10 anos tende a outras atividades, estão mais ligados com o status da rede social do que estar nas ‘baladas’ como antigamente, é uma geração mais focada aos encontros em ‘clubes fechados’ nas ‘sunset parties’, ‘pool parties’, ‘Raves’ ou ainda nos eventos sertanejos”, disse o representante da casa.

Ainda segundo Merlino, “a boate Love Story está inserida no circuito de casas de entretenimento noturno e discotecas de São Paulo, arrolada como um ponto de encontro de quem gosta da noite paulistana, sendo referencia nos guias de pontos turísticos de São Paulo há mais de uma década.”

A Love Story, conhecida popularmente como “A casa de todas as casas” de São Paulo, é tão popular na boemia paulistana que a petição de 18 páginas feita pelo advogado viralizou nas redes sociais.

No documento, ele cita que “além da crise financeira da população, o mercado de entretenimento adulto, mais precisamente o mercado das discotecas e danceterias tem mostrado nos últimos anos uma tendência de queda, pois a população jovem tem procurado outros meios de diversão noturna, como por exemplo os grandes eventos chamados de mega festivais como o ‘Lolapalooza’, ‘Glastonbury’ e ‘Coachella’”.

História

A casa existe em São Paulo há 26 anos e sempre com funcionamento de terça a sábado, a partir das 23h30 até o último cliente. Desde 2010 migrou para o atual endereço, na Rua Araújo, no Centro de São Paulo. A danceteria tem capacidade de lotação máxima para 500 pessoas e essa sempre foi a rotina do local, casa cheia.

Em 2014, a Love Story teve faturamento de R$ 3,9 milhões, subindo para R$ 4,4 milhões em 2015, seguindo praticamente estável em 2016 com R$ 4,2 milhões de faturamento. O sinal vermelho de alerta começou em 2017, quando o valor caiu para R$ 2,9 milhões.

Problemas

Foi quando a rotina de casa cheia mudou para casa meio cheia, com frequência diária entre 200 a 250 pessoas. “Casas noturnas têm demonstrado uma queda de movimento na clientela. Em 2017, teve um percentual de 30% a 35% de redução de faturamento. Ela atendia 500 pessoas por noite, sempre trabalhou com lotação máxima e, no ano de 2017, a casa teve essa queda e hoje tem atendimento de 200 a 250 por noite”, disse o advogado Marcelo Hajaj Merlino.

Foi aí que o proprietário da casa precisou demitir, nos últimos 18 meses, 30 dos 70 funcionários, entre garçons, garçonetes, cozinheiros, auxiliares de limpeza, bartenders, seguranças, manobristas, DJs e técnicos de som. O passivo trabalhista chega a aproximadamente R$ 580 mil, além de ter deixado de pagar fornecedores e precisado fazer empréstimos bancários para continuar de portas abertas.

Novo Futuro

“Recuperação judicial é quando o devedor pode renegociar todas as dívidas com os todos credores em uma única oportunidade. Em caso de deferimento pela Justiça, a casa apresenta um plano de recuperação judicial em 60 dias, que vai prever a forma de pagamento de todos os credores, sem incidência de juros e multas sobre o passivo”, disse Merlino.

Mesmo com a aparente retomada do faturamento em 2018, que já chega a R$ 1,9 milhão no primeiro semestre do ano, a administração da Love Story quer pagar as dívidas e fazer mudanças que modernizem a casa frente às danceterias concorrentes da noite paulistana.

“A partir daí é marcada uma assembleia com credores e apresentado o plano de quitação. A recuperação judicial tem objetivo de proteger a atividade. A casa vai permanecer de portas abertas, funcionando normalmente, mas vai precisar passar por uma modernização para poder voltar atuar como antes”, disse o advogado.

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