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Coreia do Norte anuncia “novos equipamentos militares” na fronteira

Acordo de 2018 foi suspenso após o Norte lançar satélite espião

Um dia depois de a Coreia do Sul suspender parcialmente um acordo militar de 2018 com a Coreia do Norte em resposta ao lançamento de um satélite espião pelo regime de Pyongyang , o Norte ameaçou nesta quinta-feira (23/11) com o uso de ” novos equipamentos militares” e tropas mais “poderosas” na fronteira.

Em declarações reproduzidas pela agência estatal norte-coreana de notícias KCNA, o ministro da defesa do país prometeu restaurar todas as medidas militares que vigoravam antes do acordo. “Vamos desfazer todos os passos militares adotados para evitar militares extremos e conflitos em todas as esferas, incluindo por terra, mar e ar, e usar forças armadas mais poderosas e equipamentos militares de novo tipo na região ao longo da linha de demarcação militar.”

O anúncio veio horas depois do Norte disparar um míssil balístico em direção ao mar, na quarta. O Sul afirma que o disparo parece ter falhado.

O lançamento do satélite norte-coreano, dois dias antes, foi a terceira tentativa do país de garantir uma vantagem militar no espaço após dois fracassos em maio e agosto, e veio na esteira de uma viagem incomum do ditador Kim Jong Un à Rússia em setembro .

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O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu apoiar o Norte na construção de satélites. Em troca, especula-se que Moscou receberá munições – algo que não foi confirmado oficialmente pelos dois países.

Pyongyang afirma que o satélite faz parte do seu “direito de defesa” e anunciou uma primeira missão de reconhecimento para o dia 1º de dezembro. Seul reagiu ao lançamento com a suspensão parcial do acordo militar e o aumento “imediato” da vigilância na fronteira.

Inteligência de Seul confirma lançamento bem sucedido

Posteriormente, a inteligência de Seul confirmou que o lançamento do satélite foi bem-sucedido e atribuiu o feito à colaboração com o Kremlin, mas disse que ainda é muito cedo para dizer se o equipamento funciona conforme alegado por Pyongyang, que afirma ter obtidos imagens de bases militares americanas em Guam, território insular no Oceano Pacífico situado entre a Ásia e a Oceania.

A inteligência de Seul afirma, com base em uma análise de destroços de lançamentos falhos anteriores, que os equipamentos desenvolvidos até então por Pyongyang não eram sofisticados ou bastante para produzir imagens de satélite de alta resolução – mas há incertezas sobre quanto a ajuda russa poderá mudar isso .

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vetou lançamentos de satélites por parte da Coreia do Norte para entender que se tratam de testes disfarçados para tecnologia de mísseis de longo alcance. Já o país se defende alegando ameaças militares recebidas dos EUA.

Desde o ano passado, a Coreia do Norte já fez 100 disparos-teste de mísseis balísticos como parte de um esforço para expandir seu arsenal de armas nucleares – que, segundo especialistas, seria um instrumento de barganha em negociações diplomáticas com os EUA.

Há quem argumente que o fim do acordo entre as duas Coreias poderia aumentar o risco de confronto ao longo da fronteira. “Temos todas as razões para tentar reduzir o risco e a tensão, e, em vez disso, o Sul está indo na direção oposta”, disse à Reuters Moon Chung-in, que leciona na Universidade Yonsei e aconselha os sul-coreanos durante as negociações comKim.

Já os críticos do acordo apontam para Pyongyang e afirmam que o pacto, por não ter sido seguido de outras medidas, enfraqueceu a capacidade de Seul monitorar a Coreia do Norte, limitou treinamentos militares e não prejudicou a ameaça militar.

ra/cn (Reuters, AFP, AP)

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