Na ONU, Biden diz que EUA não buscam “nova Guerra Fria” com a China

Joe Biden, Presidente dos Estados Unidos (ONU/Reprodução)

Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral das Nações Unidas, o presidente Joe Biden afirmou nesta terça-feira (21/(09) que os Estados Unidos estão de volta à mesa de negociações internacionais, em franco contraste com a posição de seu antecessor, Donald Trump.

“O mundo precisa cooperar mais do que nunca para enfrentar os desafios globais”, declarou no primeiro dia da Assembleia-Geral, diante de “uma década decisiva para o nosso mundo”. Entre esses desafios o presidente americano listou as mudanças climáticas.

“Em abril, anunciei que os Estados Unidos dobrarão nosso financiamento público internacional para ajudar países em desenvolvimento no combate à crise climática. Hoje, estou orgulhoso em anunciar que trabalharemos com o Congresso para dobrar este número novamente, incluindo para esforços de adaptação, para tornar os Estados Unidos líderes no financiamento público sobre o clima”, disse Biden.

O presidente democrata também anunciou uma ajuda de US$ 100 bilhões para que os países em desenvolvimento combatam mudanças climáticas. Ele também disse que seu governo planeja um plano de ajuda de US$ 10 bilhões para a luta contra a fome.

Biden falou na ONU logo depois do presidente Jair Bolsonaro, que fez um discurso voltado para sua base no qual exaltou o ineficaz “tratamento precoce” contra a covid-19 e criticou a criação de passaportes sanitários.

O americano disse também que os EUA estão prontos para retomar, em 2022, um assento no Conselho de Direitos Humanos, de onde Trump retirou o país em 2018, sob a acusação de o órgão ser contrário a Israel.

Sobre o Afeganistão, ele afirmou que os Estados Unidos estão abrindo “uma nova era de uma diplomacia intransigente” depois do fim da guerra e que “a força militar dos EUA deve ser a última opção”.

Biden também usou o palco na ONU para defende a retirada dos militares americanos que estavam no Afeganistão desde 2001. “Terminamos 20 anos de conflito no Afeganistão, e estamos abrindo uma nova era de forte diplomacia, de uso do poder do desenvolvimento para investir em novas formas de ajudar os povos mundo afora”, discursou.

“Os EUA não são mais o mesmo país que foi atacado no 11 de Setembro, há 20 anos. Hoje, somos melhor equipados para detectar e prevenir ameaças terroristas e somos mais resilientes na nossa capacidade de combatê-las”, disse.

Ele ainda reiterou o comprometimento dos EUA a impedir que o Irã obtenha armas nucleares e ofereceu a opção de um retorno completo do país ao acordo nuclear se o Irã fizer o mesmo.

Em referência à China, declarou que “os Estados Unidos não querem uma nova Guerra Fria” e acrescentou que está pronto para cooperar com qualquer país que busque a paz. Segundo Biden, os EUA “estão prontos para trabalhar com todas as nações que se comprometam e procurem uma solução pacífica para partilhar os desafios, mesmo que existam intensos desacordos em outros domínios”.  

Por outro lado,  sem se referir diretamente à rival China, ele advertiu que “os Estados Unidos vão participar na competição, e participar com vigor”. “Com os nossos valores e a nossa força, vamos defender os nossos aliados e os nossos amigos e opor-nos às tentativas dos países mais fortes de dominarem os mais fracos”, sustentou, na perspectiva que tem repetido de combater “as autocracias” e “defender a democracia”.  

Os Estados Unidos ainda priorizam uma diplomacia séria e sustentável para a completa desnuclearização da Península Coreana, disse.

Por fim, Biden também defendeu a aplicação de vacinas e exaltou as doações de doses feitas pelos EUA e outras nações. “O luto compartilhado é um lembrete de que nosso futuro coletivo está associado à nossa capacidade de reconhecer nossa humanidade em comum e de agirmos juntos”, disse.

Por Deutsche Welle
jps/as (Lusa, EFE, AFP)

Xi Jinping anuncia que China não vai mais financiar usinas a carvão no exterior

Xi Jinping, presidente da China (Huang Jingwen/Xinhua)

A China deixará de participar da construção de usinas termelétricas a carvão no exterior, anunciou nesta terça-feira (21/09) o presidente Xi Jinping, em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU.

O anúncio vai ao encontro de uma antiga exigência de ambientalistas. O ativista Li Shuo, do Greenpeace chinês, afirmou que se trata de um sinal importante e positivo para a proteção climática. Ele disse esperar agora mais clareza do governo chinês sobre como isso será implementado.

Em discurso gravado em vídeo, Xi disse na ONU que o governo chinês vai reforçar o apoio a países em desenvolvimento para implementar fontes de energia limpa, com o objetivo de combater a crise climática. “Temos de acelerar a transição para uma economia verde e de baixo carbono”, afirmou o presidente chinês, que é um dos principais apoiadores da construção de grandes infraestruturas em outros países, especialmente através da iniciativa criada por ele e conhecida como Nova Rota da Seda.

A China é o maior emissor mundial per capita de gases do efeito estufa, seguida pelos Estados Unidos, e tem estado sob pressão para reduzir o uso de centrais de carvão para produzir eletricidade. O país continua a obter cerca de 60% da sua energia da queima de carvão e planeja construir mais centrais, apesar de manter o compromisso de reduzir o uso do combustível fóssil.

Segundo organizações ambientalistas, o Banco da China é o maior financiador de projetos de carvão no mundo. A instituição estatal financiou usinas a carvão em vários países, especialmente na África e na Ásia, no últimos anos. Em solo chinês, o governo continua investindo em usinas a carvão e ampliando a capacidade de produção de energia elétrica a carvão ano após ano, complicando os esforços climáticos.

Xi reiterou que a China buscará atingir o pico das suas emissões de dióxido de carbono até 2030, ou seja, as emissões continuarão subindo até lá, e alcançar a neutralidade de carbono, ou seja, emitir a mesma quantidade que é removida de outras formas, até 2060. A China estabeleceu como meta gerar 20% do consumo total de energia do país a partir de fontes renováveis até 2025.

Por Deutsche Welle
as (Efe, Lusa)

China cobra investigação de atentado contra Consulado, no Rio

Homem lança explosivo contra muro do Consulado Chinês, no Rio de Janeiro (Reprodução)

O Consulado Geral da China se manifestou hoje (18), por meio de nota, sobre o atentado na noite da última quinta-feira (16), quando um homem, usando um casaco e capuz, atirou um artefato explosivo sobre o muro da missão diplomática, na  Rua Muniz Barreto, em Botafogo, zona sul do Rio. 

A nota diz que foi “um grave ato de violência” e pede “investigação minuciosa sobre o ataque, punição do culpado e que medidas sejam tomadas para evitar que outros incidentes como este voltem a ocorrer”. A declaração diz ainda que “não terá sucesso qualquer conspiração de pouquíssimas pessoas em destruir a amizade China-Brasil”.

Imagens de câmeras de segurança da rua e da própria missão diplomática, recolhidas pela Polícia Civil, mostram a hora em que um homem, vestindo um casaco preto e máscara, joga um explosivo por cima do muro do consulado. A hora exata do atentado é 21h48, quando o artefato explode  e danifica o portão do consulado. Ninguém ficou ferido na ação.

No local, a polícia técnica recolheu fragmentos do explosivo. O caso está sendo investigado pela 10ª delegacia policial, no bairro de Botafogo.  A Polícia Federal também foi acionada e também investiga o caso.

Nota condena atentado

Eis a íntegra da nota do consulado da China. “Em 16 de setembro à noite, um homem não identificado lançou um explosivo ao Consulado Geral da China, no Rio de Janeiro, causando danos no edifício. Foi um grave ato de violência ao qual o Consulado Geral da China manifesta veemente condenação. Mantendo estreita comunicação com as autoridades brasileiras, esta missão consular pede a investigação minuciosa sobre o ataque, a punição do culpado nos termos da lei e medidas cabíveis para evitar que incidentes similares voltem a ocorrer”.

Em outro trecho, a declaração da missão diplomática diz que “o desenvolvimento sem sobressalto das relações sino-brasileiras corresponde aos interesses essenciais dos dois países. Não terá sucesso qualquer conspiração de pouquíssimas pessoas em destruir a amizade China-Brasil. Esperamos e temos a convicção de que o governo brasileiro tomará medidas concretas para proteger esta missão consular e seu pessoal, como prevê a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, garantindo a segurança e a integridade das instalações e de seu pessoal”.

por Agência Brasil

EUA, Austrália e Reino Unido criam pacto para conter China

EUA anunciam doação de vacinas para Ásia, América Latina e África

O Pacto de Aukus reúne os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália para fazer frente às pretensões territoriais da China no Indo-Pacífico. O acordo, no âmbito da Segurança e Defesa, prevê que Camberra possa construir, pela primeira vez, submarinos com capacidade nuclear, mas também a estreita colaboração das três nações ao nível das capacidades cibernéticas, quânticas e de inteligência artificial.

Os analistas consideram o acordo como um dos mais significativos nas áreas de segurança e defesa desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O pacto vai permitir à Austrália a construção de submarinos com propulsão nuclear, com o apoio dos aliados, Estados Unidos e Reino Unido.

“Estamos investindo na maior fonte de força: as nossas alianças. Estamos nos atualizando para enfrentar, da melhor forma, as ameaças de hoje e de amanhã. Estamos ligando os aliados e parceiros da América de novas formas”, afirmou o presidente norte-americano,Joe Biden, ladeado pelas imagens dos líderes britânico e canadense, em imagens transmitidas pelos canais de televisão.

Sobre os submarinos, os Estados Unidos e a Austrália garantiram que Camberra não irá recorrer a armas nucleares, ainda que tenham capacidade para as transportá-las.

“Permitam-me ser muito claro: a Austrália não quer obter armas nucleares ou alcançar uma capacidade nuclear civil”, disse Scott Morrison, o primeiro-ministro australiano.

O país é um dos signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que visa a impedir a aquisição e o desenvolvimento de armas nucleares.

Ainda assim, este é o primeiro acordo em várias décadas de partilha de informação e tecnologia com capacidade de propulsão nuclear. Antes dessa quarta-feira, a última vez que os Estados Unidos tinha firmado esse tipo de entendimento foi em 1958, com o Reino Unido.

Esses submarinos, que no âmbito do acordo passam a ficar estacionados na Austrália, são muito mais rápidos e difíceis de detectar do que os submarinos convencionais, o que confere maior influência norte-americana na região do Indo-Pacífico.

Camberra torna-se, dessa forma, o sétimo país do mundo a operar submarinos com capacidade nuclear, depois dos Estados Unidos, do Reino Unido, da França, China, Índia e Rússia.

Com esse entendimento, cai um acordo assinado pela Austrália em 2016, com a França, para a construção de 12 submarinos convencionais, no valor de 56 bilhões de euros.

Mentalidade de “Guerra Fria”

O pacto prevê uma cooperação ainda mais estreita, ao nível da segurança e defesa, entre os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália, três países que já integravam o grupo Five Eyes, em que também estão o Canadá e a Nova Zelândia.

Além dos submarinos, o acordo Aukus prevê a estreita colaboração dos três países no conhecimento e capacidade cibernéticos, quânticos e de inteligência artificial, bem como de novas tecnologias submarinas.

Na conferência conjunta, nenhum dos três líderes fez referências diretas à China, tendo assumido apenas que os desafios de segurança regionais “aumentaram significativamente”.

No entanto, o acordo é visto como uma resposta dos Estados Unidos ao expansionismo de Pequim no Mar do Sul da China e das ameaças chinesas a Taiwan. Em entrevista, Joe Biden falou da importância de “um Indo-Pacífico livre e aberto”.

“Esta é uma oportunidade histórica para as três nações, aliadas e parceiras com ideais semelhantes, protegerem os valores partilhados e promoverem a segurança e a prosperidade na região”, diz a declaração conjunta.

A embaixada chinesa em Washington criticou o acordo trilateral e pediu às nações que “deixem a mentalidade de guerra fria e o preconceito ideológico”, afirmou o porta-voz Liu Pengyu.

Por RTP

China determinação confinamento de cidade após casos de covid-19

Cerca de 5 milhões de habitantes de Xiamen, no sudeste da China, foram hoje (14) colocados em confinamento, após terem sido detectados 32 casos de covid-19, naquela que é uma das mais populosas cidades da província de Fujian.

No total, a província de Fujian registrou 60 novos casos nas últimas 24 horas, incluindo um assintomático.

Análises preliminares citadas pela imprensa local indicam a presença da variante Delta entre os contagiados.

O jornal The Paper alertou para a entrada em vigor, a partir da última meia-noite local (horário local), da suspensão dos serviços de ônibus de longa distância, no âmbito de uma série de medidas, que incluem o regresso às aulas online, em todos os níveis de ensino, e o fechamento de vários locais públicos.

A imprensa local também informou que todos os complexos residenciais de Xiamen permanecerão “fechados”, para evitar que os moradores saiam. Apenas viajantes com teste negativo terão acesso ao aeroporto da cidade, feito, no máximo, 48 horas antes da partida.

De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, todas as celebrações e eventos do Festival do Meio de Outono, que ocorrem no próximo dia 21, foram cancelados, enquanto as reuniões com grande número de pessoas, como casamentos, foram proibidas. Os funerais devem ser realizados de “maneira simples”, disseram as autoridades.

As cidades de Putian e Quanzhou (esta última, com mais de 6 milhões de habitantes), também na província de Fujian, registraram casos positivos, como parte do mesmo surto.

No caso de Putian – onde começa hoje a ser feita uma campanha massiva de testes – a imprensa local informou que as infecções estão concentradas numa escola e numa fábrica de calçado.

Nessa segunda-feira (13), as autoridades afirmaram que o surto deve alastrar-se a outras regiões do país, mas que poderão controlá-lo antes do início do feriado da “semana dourada”, que se realiza no início de outubro.

A China pratica uma estratégia de tolerância zero contra o novo coronavírus, que envolve rígido controle sobre entradas no país, com quarentenas de até três semanas e vários exames, além da realização de testes em massa, nos locais onde é detectado novo surto.

O país somou 95.340 casos e 4.636 mortos desde o início da pandemia.

A covid-19 provocou pelo menos 4.627.854 mortes em todo o mundo, entre mais de 224,56 milhões de infecções pelo novo coronavírus registradas desde o início da pandemia. 

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detectado no fim de 2019 em Wuhan, cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, a Índia, África do Sul, o Brasil e o Peru.

Por RTP

Astronautas chineses são enviados para estação espacial

(Jin Liwang/Xinhua)

A primeira missão tripulada enviada pela China para a estação espacial que o país está construindo partiu nesta quinta-feira (17/06), do noroeste do país, com três astronautas a bordo.

O foguete Longa Marcha-2F Y12 partiu do centro de lançamento espacial de Jiuquan, no deserto de Gobi, levando consigo a nave Shenzhou-12. Cerca de seis horas depois, a nave alcançou a estação espacial.

Os três astronautas a bordo, o comandante Nie Haisheng e seus colegas Liu Boming e Tang Hongbo, vão passar três meses no módulo Tianhe (Harmonia Celestial), que é o primeiro da estação espacial Tiangong (Palácio Celestial). Ela deverá estar concluída em 2022 e ter uma vida útil de pelo menos dez anos no espaço.

O Tianhe é o centro de controle e também espaço de habitação dos astronautas. Ele foi colocado na órbita terrestre, entre 350 e 390 quilômetros de altitude, em abril.

Dois dos astronautas participaram de missões anteriores, enquanto o terceiro vai para o espaço pela primeira vez, segundo a agência espacial da China. Com a missão atual, chega a 14 o número de astronautas enviados pela China ao espaço, entre eles duas mulheres.

Durante os três meses no espaço, os três homens deverão realizar trabalhos de manutenção e experiências científicas. O principal objetivo da missão Shenzhou-12 é colocar em funcionamento o módulo Tianhe.

Fora da ISS

Esta é a terceira de 11 missões planejadas até ao final de 2022 pela China, para construir e manter a estação espacial e enviar tripulantes e suprimentos. Os outros dois módulos da estação devem ser lançados no próximo ano.

A decisão de construir uma estação espacial chinesa surgiu depois da recusa dos Estados Unidos de deixarem a China participar da Estação Espacial Internacional (ISS). Os EUA alegam falta de transparência do programa chinês e fortes relações deste com as Forças Armadas.

A ISS, que reúne os Estados Unidos, a Rússia, o Canadá, a Europa e o Japão, deve parar de funcionar em 2024, apesar de a Nasa já ter mencionado a possibilidade de prolongar o funcionamento até 2028.

Espera-se que missões científicas estrangeiras e possivelmente astronautas estrangeiros visitem a estação chinesa no futuro.

China acumula experiências

Trata-se da primeira missão chinesa tripulada em cinco anos. A China enviou 11 astronautas para o espaço desde que se tornou o terceiro país a fazê-lo, em 2003.

O Tianhe baseia-se na experiência adquirida pela China ao operar duas estações espaciais experimentais no início do seu programa espacial.

Astronautas chineses passaram 33 dias na segunda das estações anteriores, realizaram uma caminhada no espaço e deram aulas de ciência que foram transmitidas para estudantes de todo o país.

Depois de concluído, o Tianhe deve permitir estadas de até seis meses, semelhante à Estação Espacial Internacional, que é muito maior do que a estação chinesa.

A China pousou uma sonda, a Tianwen-1, em Marte, no mês passado, que transportava um rover, um veículo de exploração espacial.

Nos últimos anos, a China também trouxe de volta amostras lunares, as primeiras do programa espacial de qualquer país desde os anos 1970, e pousou uma sonda e um rover no lado oculto da lua.

Por Deutsche Welle

as/lf (Lusa, AP, AFP)

China afirma que Otan exagera e faz calúnia

A China afirmou nesta terça-feira (15/06) que a Otan exagera e calunia ao afirmar, em comunicado divulgado no fim de uma reunião nesta segunda-feira em Bruxelas, que as ambições e o comportamento de Pequim representam um desafio sistêmico à ordem mundial.

“Exigimos racionalidade à Otan, na avaliação do desenvolvimento da China, e que pare de exagerar a teoria da ameaça chinesa”, afirmou o governo chinês.

A aliança militar “não deve usar os nossos interesses e direitos legítimos como desculpa para manipular e criar confrontos artificiais”, advertiu.

“A China não representa um desafio sistêmico a ninguém, mas se alguém quiser impor-nos algo, não ficaremos indiferentes”, disse o governo do país asiático.

Mentalidade de guerra fria

O secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, disse após o encontro que o “mundo inteiro reconhece que a China está aumentando suas capacidades militares e que mantém um comportamento coercitivo”.

Stoltenberg também afirmou que o país asiático está expandindo rapidamente seu arsenal nuclear e que o regime chinês é opaco sobre seu programa de modernização militar.

O governo chinês disse que as declarações são calúnias para atacar o “desenvolvimento pacífico da China”, e acusou a aliança de manter uma mentalidade típica da Guerra Fria.

Desafio à ordem mundial

Líderes dos 30 Estados-membros da Otan se reuniram em Bruxelas na segunda-feira para discutir uma série de questões de segurança internacional, que foram resumidas em um comunicado conjunto.

No texto final, os líderes da aliança focaram na China e na Rússia, que têm intensificado a cooperação entre si.

“As declaradas ambições da China e o comportamento assertivo da China representam desafios sistemáticos à ordem mundial baseada em regras e a outras áreas relevantes para a segurança da aliança”, advertiram.

“Continuamos preocupados com a habitual falta de transparência e do uso da desinformação por parte da China”, frisaram.

No fim de semana, os países-membros do G7, que incluem membros da Otan, já haviam enviado recados a Pequim, repreendendo o país asiático sobre as violações dos direitos humanos em Xinjiang e exigindo garantias para a autonomia de Hong Kong e uma investigação completa das origens da covid-19. A China criticou em duros termos o comunicado do G7.

Por Deutsche Welle

as/ek (Lusa, AP)

Marte: China publica fotos coloridas tiradas no planeta vermelho

(Rede Social/Reprodução)

A Administração Espacial da China divulgou hoje (11) uma imagem panorâmica de 360 graus e duas fotografias em cores da superfície de Marte e dos dispositivos da sonda Tianwen-1, que chegou ao planeta vermelho em 15 de maio.

A imagem mostra os arredores da zona de pouso, um terreno plano e pedregoso, e foi registrada pelo veículo Zhurong – uma homenagem ao Deus do Fogo da antiga mitologia chinesa.

“A superfície próxima é relativamente plana, com pedras lisas, de cores claras e de diferentes tamanhos, espalhadas e semienterradas. Há um buraco no fundo com pedras mais escuras e angulares na margem”, detalhou a Administração Espacial da China em comunicado.

A imagem também mostra a rampa de descida para o terreno marciano e a parte traseira do Zhurong, com painéis solares. “A abundância e o tamanho das pedras correspondem às expectativas”, diz a nota.

A outra fotografia mostra a plataforma de aterrissagem, com a rampa de descida do Zhurong e uma bandeira chinesa desfraldada.

No final da rampa, podem ser vistas as marcas deixadas pelo veículo na superfície marciana, que formam um círculo.

Na terceira imagem, o Zhurong afastou-se da câmara descartável, que normalmente carrega no porão, e recuou alguns metros.

Assim, tanto o veículo quanto a plataforma podem ser vistos mais ao fundo.

“A imagem foi transmitida sem ligação por fio ao veículo, que então a reencaminhou para a Terra por meio do módulo de órbita”, detalhou o texto.

De acordo com a agência chinesa, o módulo de órbita está em boas condições, e o veículo opera na superfície de Marte há 28 dias marcianos.

O Zhurong faz parte da missão chinesa Tianwen-1, que partiu para o espaço em julho de 2020 e cuja sonda de pouso atingiu a superfície do planeta em 15 de maio, na parte sul da chamada Utopia Planitia, uma planície localizada no hemisfério norte.

Tianwen-1 é a primeira missão de exploração da China a Marte e a primeira na história a combinar viagem, entrada em órbita e descida numa única missão.

Cientistas chineses pretendem encontrar mais evidências da existência de água ou gelo no planeta, bem como realizar pesquisas sobre a composição material da superfície ou sobre as características do clima.

Por RTP

China é o primeiro país a liberar vacina contra covid-19 para crianças

A China aprovou o uso emergencial de uma vacina contra a covid-19 em crianças com mais de três anos, tornando-se o primeiro país do mundo a autorizar o imunizante para menores de 12 anos.

A informação foi confirmada nesta terça-feira (08/06) pela farmacêutica chinesa Sinovac, fabricante da Coronavac, que no Brasil é produzida em parceria com o Instituto Butantan.

“Nos últimos dias, a vacina da Sinovac foi aprovada para uso emergencial em crianças de três a 17 anos”, disse o porta-voz da empresa.

No entanto, não foi especificado quando as crianças começarão a ser vacinadas. A decisão do cronograma caberá à Comissão Nacional de Saúde, que seguirá critérios como as atuais necessidades de prevenção e controle de epidemias na China e o fornecimento de vacinas.

A Sinovac informou que concluiu os primeiros testes do imunizante em crianças e adolescentes e que os resultados serão publicados em breve na revista científica Lancet.

Em entrevista ao China Media Group, o presidente da Sinovac, Yin Weidong, disse que os estudos clínicos envolvendo centenas de voluntários mostraram que a segurança da vacina em crianças e adolescentes é tão boa quanto em adultos e os níveis de anticorpos são semelhantes.

No fim de semana, a emissora estatal CGTN informou que um funcionário da força-tarefa de resposta a epidemias do Conselho de Estado da China disse que as vacinas foram aprovadas para crianças e que “a segurança e eficácia” foram comprovadas.

Sinopharm garante eficácia e segurança

Outra grande farmacêutica chinesa, a Sinopharm, também afirmou que sua vacina contra covid-19 demonstrou eficácia e segurança na faixa-etária de três a 17 anos. No entanto, a empresa não confirmou se o imunizante foi aprovado para uso emergencial.

A Sinopharm iniciou os ensaios clínicos de fase 1 e 2 nessa faixa etária em julho de 2020, disse o Zhang Yuntao, vice-presidente da Sinopharm, em entrevista à CGTN.

A China já aplicou mais de 777 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 e espera inocular 70% da população de 1,4 bilhão de habitantes até o fim do ano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou as vacinas da Sinovac e da Sinopharm para uso emergencial em adultos com 18 anos ou mais, e ambas as vacinas estão sendo administradas em vários países do mundo.

Embora atualmente a OMS não recomende a vacinação de crianças contra o coronavírus, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e a União Europeia já aprovaram a vacina da Pfizer-BioNTech para crianças e adolescentes a partir dos 12 anos.

A Alemanha já anunciou que pretende vacinar as crianças com mais de 12 anos até o fim de agosto, para o início do novo ano escolar após as férias de verão na Europa.

Por Deutsche Welle

le (afp, ots)

Maratona registra mais de 20 mortes após mudança de temperatura

(Xinhua/Reprodução)

Pelo menos 21 participantes de uma ultramaratona morreram na China após serem surpreendidos por uma queda brusca de temperatura nas montanhas, causada por uma forte tempestade de granizo, informaram as autoridades locais neste domingo (23/05). Oito maratonistas foram levados a hospitais, sem gravidade. 

Os 172 participantes realizavam, no sábado, um percurso de 100 quilômetros pela Floresta de Pedra do Rio Amarelo, na cidade de Baiyin, que fica na província de Gansu, fronteira com a Mongólia.

Quando já haviam percorrido de 20 a 30 quilômetros, os corredores foram atingidos repentinamente por uma tempestade, com chuva forte, vento e granizo. A maioria vestia apenas bermuda e camiseta e o vento levou seus equipamentos de proteção contra o frio. Muitos corredores se perderam no terreno íngreme e sofreram de hipotermia e exaustão.

No momento da tempestade, os maratonistas passavam por um caminho extremamente estreito, em uma altitude de 2 mil a 3 mil metros.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, mais de 700 pessoas participaram do resgate, que se estendeu pela noite de sábado e manhã deste domingo.

Entre as vítimas, estão dois veteranos conhecidos nacionalmente. Liang Jing havia ganhado várias ultramaratonas na China nos últimos anos. Huang Guanjun Huang, que era surdo e mudo, havia vencido a maratona masculina para deficientes auditivos nos Jogos Paraolímpicos Nacionais de 2019, em Tianjin.

A Floresta de Pedra do Rio Amarelo é uma reserva natural famosa pelas suas formações rochosas de quatro bilhões de anos, que são frequentemente utilizadas como cenário de filmes e programas de televisão na China.

Por Deutsche Welle

le (afp, ap, lusa)