China ganha terreno na América Latina, publica DW

Luiz Fernando Pezão, ex-governador do Rio, acompanhou o Primeiro Ministro da China, Li Keqiang, em visita ao centro administrativo do MetrôRio onde foi apresentado um dos 15 novos trens chineses (Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil)

Minas de metais preciosos, linhas ferroviárias e usinas hidrelétricas: a gama de projetos com financiamento chinês na América Latina é ampla. No início dos anos 2000, a potência emergente da Ásia descobriu a região do outro lado do Pacífico como um mercado de vendas, fonte de matéria-prima e destino de investimentos. Mas, depois de um verdadeiro boom chinês, especialmente na América do Sul, o interesse da China pela região pareceu diminuir.

De acordo com um estudo da Universidade de Boston e da organização sem fins lucrativos Inter-American Dialogue, com sede nos EUA, Pequim e seus bancos de desenvolvimento investiram em média 1,7 bilhão de dólares por ano na América Latina entre 2005 e 2015. Desde 2016, esse número vem caindo, para 275 milhões de dólares em 2019. E em 2020 a China não concedeu um único empréstimo na América Latina.

Durante o mesmo período, o comércio de mercadorias também enfraqueceu: entre 2000 e 2013, o comércio bilateral cresceu em média 30% ao ano, no meio tempo chegou a diminuir, só retornando aos níveis de 2014 em 2019.

Dependência mútua

Margaret Myers, uma das autoras do estudo, não vê isso como um verdadeiro resfriamento. “Muitos países latino-americanos tiveram dificuldades econômicas”, diz a chefe do programa da China e da América Latina na organização Inter-American Dialogue.

As relações já são intensas demais para que haja grandes mudanças de rumo, diz Myers: “Se, digamos, o fornecimento de soja da Argentina e do Brasil vacilar, os governos de ambos os lados terão um grande problema”. Por sua vez, o Brasil já fornece quase 100% de sua safra de soja para a China, afirma. “A relação comercial é saudável, mas é improvável que vejamos taxas de crescimento como uma década atrás”, diz Myers.

China apostou em regimes de esquerda

No entanto, quando se trata de investimentos diretos, aparentemente está ocorrendo uma mudança na forma de pensar dos chineses. Durante anos, o país havia concedido enormes empréstimos, especialmente a governos de esquerda, inclusive os do Equador, Argentina, Brasil e − acima de tudo − Venezuela.

Quase metade do dinheiro que a China emprestou à região entre 2005 e 2019 foi para o regime socialista de Caracas, que deveria usá-lo para expandir a produção de petróleo, entre outras coisas, a fim de pagar suas dívidas. “Em vez disso, a produção de petróleo caiu desde então para 20% a 25%”, observa Harold Trinkunas, especialista em América Latina da Universidade de Stanford nos EUA. “A China poderia se decepcionar amargamente com a América Latina, como já aconteceu com muitos doadores internacionais.”

Segundo Margaret Myers, a mídia chinesa evita mencionar a Venezuela, talvez porque a liderança do partido esteja esperando que o investimento ainda compense no longo prazo.

Riscos em investir

Críticos costumam acusar os Estados Unidos e a Europa de assistirem sem reação à expansão da China na América Latina. Mas há boas razões para os investidores ocidentais relutarem em investir na região. Embora a Venezuela possa ser um caso extremo, é sabido que investir na América Latina acarreta altos riscos comerciais e políticos.

Os compradores de títulos do governo argentino já tiveram más experiências. Um exemplo é a empresa petrolífera espanhola Repsol, cuja participação na subsidiária argentina YPF foi expropriadapor Buenos Aires em 2012. Já a aventura de construir uma siderúrgica no Brasil custou ao tradicional grupo alemão ThyssenKrupp cerca de 10 bilhões de euros. E esses são apenas dois exemplos.

Também a China já teve experiências negativas. Isso levou Pequim a repensar seus investimentos, quase não concedendo mais empréstimos de governo a governo, aponta Myers. O investimento direto das empresas chinesas, por exemplo, em projetos de infraestrutura nos setores de energia ou transporte, ganharam em importância. “Apesar de ter cada vez mais experiência com a América Latina, a China continua sendo surpreendida por problemas”, conta Myers.

Infografik Chinas Kredite an Lateinamerika PT

Clara vantagem para ambas as partes

Pequim, entretanto, aceita esses riscos, esperando obter vantagens políticas. “Assim como em outras regiões do mundo, a China usa empréstimos e investimentos para garantir votos nos órgãos da ONU e apoio a sua política”, explica o pesquisador Harold Trinkunas. “Mas isto funciona principalmente com países pequenos e extremamente endividados.”

No fim de 2018, por exemplo, El Salvador rompeu laços diplomáticos com Taiwan em troca da promessa da China de ajudar o país a construir um estádio, uma biblioteca de vários andares e uma estação de tratamento de esgoto. Antes disso, a República Dominicana e o Panamá já haviam reconhecido a política de “uma China única”, voltando as costas também para os Estados Unidos.

“Pode ser muito útil para países menores colocar as duas superpotências uma contra a outra”, diz Trinkunas. O objetivo dessa troca de lados, diz ele, poderia ser não apenas atrair investimentos chineses, mas também conseguir ainda mais apoio americano em troca.

Muitas vezes, no entanto, a China e suas empresas são simplesmente financiadoras mais atraentes para os governos latino-americanos. E isso apesar de muitas vezes vincularem seus investimentos ao uso de equipamentos e mão-de-obra chineses. Porque, ao contrário de parceiros ocidentais, eles não se importam com direitos humanos, conservação da natureza ou corrupção, diz Trinkunas.

Interesse pelo México

A retirada da China da região, portanto, não está absolutamente à vista. Pelo contrário, Pequim até vem cortejando o governo do México, o único país da região que ainda tem fortes laços econômicos com os EUA. Mas é também uma as poucas nações nas quais a China vem investindo mais.

No início de 2021, o ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou que seu país pretende intensificar a parceria estratégica com a China. No fim de janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, enviou mensagens de rápida recuperação ao chefe de Estado mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que contraíra covid-19.

Na crise causada pelo novo coronavírus, a China ajudou muitos países da América Latina, por exemplo, com máscaras de proteção. O Brasil teve um papel importante na pesquisa clínica da vacina chinesa CoronaVac. O Chile deve receber ainda esta semana 2 milhões de doses da vacina chinesa.

“A ajuda da China em tempos de covid-19 é certamente um gesto de solidariedade”, diz Myers. “Mas é também uma oportunidade para apresentar os avanços das empresas chinesas em biomedicina e diagnósticos com inteligência artificial.” Grande parte da ajuda ocorre ainda em nível local, por exemplo, no âmbito da crescente rede global de parcerias de cidades com a China, ressalta Myers.

Da mesma forma como nos níveis econômico e político, isso destaca outro aspecto que distingue a China dos Estados Unidos como parceira dos latino-americanos: “Muitos desses países enfrentam os mesmos problemas e estão abertos a trabalhar em soluções conjuntas”.

Por Jan D. Walter, da Deutsche Welle

Avião com insumos para vacinas decola da China

(FlightRadar24/Reprodução)

O avião da Latam que traz novas doses da vacina Coronavac para São Paulo decolou na noite desta terça-feira (2), em Pequim, na China. O voo JJ-9555 tem previsão de chegar nesta quarta-feira, em Campinas, interior de São Paulo.

Segundo o Governo do Estado, que transmite a viagem no site oficial, em tempo real, a bordo do Boeing 777-W (ER) está o material necessário para produzir 8,6 milhões de doses da vacina contra a covid-19. São 5,4 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) da fábrica da biofarmacêutica Sinovac Life Sciences. Aqui no Brasil, cabe ao Instituto Butantan produzir as doses que serão destinadas aos brasileiros.

Segundo o último dado confirmado, de todas as vacinas disponíveis no país até o momento, 80% foram fornecidas pelo Instituto Butantan. 

De acordo com o Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, as vacinas produzidas com o lote de matéria-prima que chega nesta semana começarão a ser entregues ao Ministério da Saúde no próximo dia 25. Outra carga com 5,6 mil litros de IFA também chegará ao Brasil até o próximo dia 10, viabilizando a produção de mais 8,7 milhões de doses em São Paulo.

As novas cargas permitem que mais 17,3 milhões de doses sejam entregues a partir do final deste mês. Em janeiro, o Butantan entregou 8,7 milhões de vacinas ao Ministério da Saúde. Foram 6 milhões de doses no dia 17, outras 900 mil no dia 22 e mais 1,8 milhão no dia 29, em cumprimento ao contrato que incluiu o imunizante no PNI (Plano Nacional de Imunizações).

Aeronave que traz as vacinas para o Brasil antes da decolagem (Reprodução)

A previsão do Butantan é que a produção local de vacinas contra a COVID-19 alcance até 600 mil doses diárias com as duas novas remessas de matéria-prima. O instituto ainda negocia o recebimento de mais 8 mil litros de IFA para cumprir o contrato com o Ministério da Saúde.

São 46 milhões de doses previstas até o final de abril e um adicional de 54 milhões de vacinas com prazo a definir.

*Erramos: Ao contrário do que informamos, o avião pousará em Campinas e não em Guarulhos; o texto foi atualizado

Missão da OMS visita mercado na China onde teria surgido a covid-19

Sede da Organização Mundial da Saúde, na Suíça (Liu Qu/Xinhua)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que investigam a origem do coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, visitaram neste domingo (31/01) o mercado na cidade chinesa de Wuhan onde teria ocorrido a transmissão do vírus de algum animal para os seres humanos.

O mercado, onde eram vendidos animais selvagens vivos, está fechado desde janeiro de 2020. Apenas a entrada da equipe da OMS, sob um forte esquema de segurança, foi permitida pela autoridades chinesas. Os especialistas ficaram cerca de uma hora no local e partiram sem falar com jornalistas.

Antes do fechamento, dividido em seções de carnes, frutos do mar e vegetais, o mercado atraía centenas de consumidores diariamente. Hoje, ele se tornou um marco na cidade, onde novo coronavírus foi detectado pela primeira vez.

Em 31 de dezembro de 2019, após quatro casos de uma pneumonia misteriosa relacionadas ao mercado, o local foi fechado do dia para noite. Com o rápido aumento de casos na cidade de 11 milhões de habitantes, Wuhan decretou um lockdown de 76 dias.

Segundo especialistas, o mercado ainda desempenha um papel importante para a investigação sobre a origem do Sars-CoV-2, uma vez que o primeiro grupo de casos detectados foi identificado lá.

Atraso na investigação

Após a chegada em Wuhan, a equipe cumpriu uma quarentena de 14 dias, e desde de quinta, quando iniciaram a investigação local, visitaram hospitais, mercados e uma exposição que comemora a batalha bem sucedida da cidade contra o vírus.

A OMS afirmou na sexta que a missão se limitará as visitas organizadas pelo país anfitrião e não terá contato com a população local devido às restrições sanitárias impostas na China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão é composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia. No entanto, é improvável que as origens do vírus sejam confirmadas com apenas uma única visita. Identificar o reservatório animal de um surto costuma levar anos e a pesquisa inclui recolhimento de amostras de animais, análises genéticas e estudos epidemiológicos.

Missão sensível para Pequim

A presença de dez especialistas internacionais é considerada sensível para o regime chinês, que quer evitar qualquer responsabilidade por uma pandemia que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.

A imprensa estatal e as autoridades têm difundido informações que indicam que o vírus teve origem no exterior, possivelmente via importação de alimentos congelados, o que é rejeitado pela OMS. Por vezes apontam para a Itália, outras vezes para Estados Unidos ou até para Índia como locais de origem da doença.

“Não é uma questão de encontrar um país ou autoridades responsáveis. É uma questão de entender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro”, ressaltou o epidemiologista Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch, responsável pela prevenção e controle de doenças na Alemanha. “É preciso entender o que aconteceu para evitar que volte a acontecer”, acrescentou o cientista, que participa da missão.

Por Deutsche Welle

cn (Reuters, Lusa, AP)

Brasil tenta destravar carga de ingredientes das vacinas

(Gov. do Estado de SP)

O atraso na importação de ingredientes produzidos na China e essenciais para a distribuição no Brasil das duas vacinas já aprovadas no país – a Coronavac e a de Oxford/AstraZeneca – ameaça a continuidade do programa de imunização e mobilizou autoridades brasileiras de diferentes níveis para tentar resolver o impasse, ainda sem solução à vista.

Estão parados na China, aguardando a liberação de Pequim, carregamentos do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) da Coronavac, usado pelo Instituto Butantan para elaborar o imunizante em São Paulo, e o da vacina de Oxford/AstraZeneca, que será processada e distribuída pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro.

O Butantan já zerou seu estoque para produzir novas doses, e devido ao atraso a Fiocruz adiou de 8 de fevereiro para março a entrega inicial do seu imunizante. A situação ficou mais dramática após o fracasso do governo brasileiro em tentar importar 2 milhões de doses prontas da vacina de Oxford/AstraZeneca feitas na Índia.

Fontes diplomáticas ouvidas pelo site G1 e pelos jornais O Globo e Folha de S.Paulo afirmam que o atraso envolve questões burocráticas e diplomáticas e que a relação do governo de Jair Bolsonaro com Pequim está desgastada devido a inúmeros ataques do presidente e de seu entorno ao país asiático. Se o problema não for solucionado, a aplicação de vacinas no Brasil pode ter que ser interrompida em fevereiro por falta de doses.

Na quarta-feira (20/01) de manhã, Bolsonaro cobrou de ministros que buscassem uma solução para o caso. Depois, participaram de uma videoconferência com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, os ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, da Agricultura, Tereza Cristina, e das Comunicações, Fábio Faria. Bolsonaro também solicitou uma conversa telefônica com o presidente da China, Xi Jinping, ainda sem data para ocorrer.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, está afastado da interlocução com os chineses, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. O chanceler já se referiu ao coronavírus como “comunavírus” e saiu em defesa do filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), quando ele insinuou que o governo chinês usaria a tecnologia 5G da empresa Huawei para promover “espionagem” no país – o leilão do 5G no Brasil ainda não ocorreu e é de grande interesse para Pequim.

Também entraram no circuito para liberar a exportação dos IFAs para o Brasil o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que conversou com o embaixador chinês na quarta-feira, e o governador de São Paulo, João Doria, que mobilizou o escritório do governo paulista em Xangai para atuar no caso.

Embaixada da China diz buscar solução

Após a reunião com os ministros Pazuello, Cristina e Faria, a embaixada chinesa no Brasil publicou mensagem em rede social afirmando que “a China continuará unida ao Brasil no combate à pandemia para superar em conjunto os desafios colocados pela pandemia”. Não foram divulgados detalhes da conversa.

Maia, que dialogou com Wanming separadamente, afirmou que o embaixador chinês disse que o atraso no envio do IFA ao Brasil decorria de obstáculos técnicos e não políticos. “Ele disse que trabalha junto ao governo chinês para que a gente possa acelerar – a exportação no nosso caso – desses insumos para que possamos restabelecer logo a produção”, afirmou o presidente da Câmara.

Já o governador de São Paulo, João Doria, disse, na quarta-feira, que o “mal-estar claro do governo chinês com o governo brasileiro” estava contribuindo para o atraso no envio do IFA. Segundo o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, a única autorização que falta para a exportação do ingrediente da Coronavac é a do Ministro das Relações Exteriores da China.

Após as manifestações de Maia e Doria sobre o caso, o Palácio do Planalto afirmou em nota que o governo federal “é o único interlocutor oficial com o governo chinês”.

O Butantan aguara a liberação de um lote de 5,4 mil litros do insumo, que seriam suficientes para produzir cerca de 5 milhões de doses da Coronavac. Já a AstraZeneca espera começar a receber duas remessas mensais do IFA, que seriam suficientes para produzir 3,5 milhões de doses por semana.

Araújo nega problema político

Enquanto os ministros do governo se reuninam com o embaixador da China, o chanceler Araújo participou de reunião virtual com deputados da comissão externa da Câmara que avalia o combate à pandemia e negou que as dificuldades para importar doses da vacinas e o IFA sejam consequência de problemas políticos ou diplomáticos.

“Nós não identificamos nenhum problema de natureza política em relação ao fornecimento desses insumos provenientes da China. (…) Nem nós do Itamaraty, aqui de Brasília, nem a nossa embaixada em Pequim nem outras áreas do governo identificaram problemas de natureza política e diplomática”, afirmou.

Para o chefe do Itamaraty, os atrasos se devem à demanda alta pelos insumos em todo o mundo neste momento. Ele não deu prazos para resolver a questão e apenas disse que o tema “está bem encaminhado” e que ele conduz pessoalmente as conversas com autoridades da Índia. Araújo afirmou que o país asiático é imenso e também está em campanha de vacinação, o que tornava o tema “sensível”.

Doses prontas da Índia

A frustração do plano do governo federal de trazer 2 milhões de doses prontas da Índia está ligada não só à prioridade de Nova Déli para vacinar sua população, mas também a uma decisão tomada por Brasília em outubro do ano passado de não apoiar o país asiático em seu pedido de suspensão temporária das patentes de suprimentos e vacinas para o combate à covid-19, feito à Organização Mundial de Comércio (OMC), segundo informou o site G1.

O Brasil foi contra a quebra de patentes e se alinhou aos Estados Unidos, à União Europeia e ao Japão, enfraquecendo a posição da Índia na OMC, o que provocou esfriamento da relação diplomática entre os dois países. O governo da Índia começará a exportar nesta quarta doses prontas da vacina para alguns países, mas o Brasil não está na lista.

Há também irritação na Índia com a publicidade dada pelo governo Bolsonaro à sua tentativa de comprar vacinas do país antes que o negócio tivesse sido fechado, o que envolveu até o adesivamento do avião que sairia do Brasil para buscar imunizantes.

No caso da China, o país sofreu diversos ataques de integrantes do governo Bolsonaro desde o início da atual gestão. O próprio presidente afirmou, em outubro, que não compraria a Coronavac. Seu filho Eduardo faz provocações frequentes à China, culpou o país pela pandemia e insistiu que o uso de tecnologia chinesa na rede 5G no Brasil favoreceria a “espionagem” pelo país asiático. Abraham Weintraub, quando era ministro da Educação, disse que via alta probabilidade de novas pandemias começarem na China, pois os habitantes do país comiam “tudo o que o sol ilumina”, e ridicularizou o sotaque dos chineses que falam português e trocam as letras R por L.

Por Bruno Lupion, da Deutsche Welle

Economia chinesa cresceu 2,3% em 2020

Apesar da pandemia de covid-19, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 2,3% em 2020 em comparação com o ano anterior, anunciou nesta segunda-feira (18/01) o Departamento Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês).

O crescimento, no entanto, é o menor registrado em mais de quatro décadas, desde que o país comunista começou a implementar grandes reformas econômicas nos anos 1970. Em 2019, o avanço havia sido de 6,1%. 

A alta do PIB chinês em 2020 foi impulsionada sobretudo pelos bons resultados do último trimestre de 2020, quando a economia chinesa cresceu 6,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior, surpreendendo economistas. Para 2021, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento econômico superior a 8%.

No entanto, de acordo com o comissário da NBS Ning Jizhe, a base para a recuperação econômica da China “ainda não está firme”. “Existem muitas incertezas quanto à dinâmica da pandemia, bem como no ambiente externo”, afirmou.

O PIB de 2020 totalizou 102 trilhões de yuans (15,6 trilhões de dólares), de acordo com o governo chinês. Isso equivale a cerca de 75% dos 20,8 trilhões de dólares projetados pelo FMI para o PIB dos EUA, que deve encolher 4,3% em relação a 2019. O FMI estima que a China terá cerca de 90% do tamanho da economia dos EUA até 2025.

Demanda por máscaras impulsionou exportações

A recuperação econômica da China foi rápida, após um começo de 2020 difícil. Os primeiros casos oficiais do novo coronavírus foram registrados em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. Para conter a disseminação do vírus, fábricas e lojas foram fechadas em um rígido lockdown. Como consequência, a atividade econômica caiu 6,8% no primeiro trimestre de 2020.

Nos três meses seguintes, de abril a junho, já com o coronavírus controlado, a economia foi retomada e cresceu 3,2%. No trimestre de julho a setembro, o incremento da economia se consolidou e o crescimento do PIB foi de 4,9%. 

As exportações do país aumentaram 3,6% no ano passado, apesar da guerra tarifária com os Estados Unidos, impulsionadas pela demanda global por máscaras chinesas e outros suprimentos médicos.

Os últimos dados comerciais do país mostram que somente em dezembro as exportações aumentaram 18,1% em comparação com o mesmo período do ano anterior. E as importações aumentaram 6,5% no último mês do ano.

Exceção entre grandes economias

A China é uma exceção e deve ser a única grande economia a registrar crescimento em 2020. A economia da Alemanha, a maior da Europa, encolheu 5% em 2020, por exemplo.

Para, Iris Pang, economista do banco ING, ainda é uma questão em aberto quando a China vai conseguir uma recuperação completa, já que, sem estímulos fiscais e monetários do governo, a economia não teria se recuperado tão rapidamente.

Para ela, outro grande obstáculo é que a demanda externa ainda não está totalmente recuperada. Além disso, novas restrições devido a surtos locais de covid-19 também podem prejudicar o crescimento no primeiro trimestre deste ano.

Por Deutsche Welle

LE/ap/lusa/afp/ots

Explosão em mina deixa 22 trabalhadores retidos

Um grupo de 22 mineiros está retido há quase 48 horas em uma mina de ouro em construção no Leste da China, após uma explosão, informaram nessa segunda-feira (12) as autoridades chinesas, nas redes sociais.

A explosão ocorreu no domingo (10), numa mina situada em Qixia, na província de Shandong, causando danos graves na escada que dá acesso ao fundo da mina, bem como nos cabos de comunicação.

As autoridades não indicaram a profundidade em que se encontram os mineiros.

A mina pertence à empresa local Shandong Wucailong Investment.

A China é o maior produtor mundial de ouro, com 11% do total extraído em 2019, segundo o Conselho Mundial do Ouro.

O país contava com mais de 3 mil minas de ouro em 2016, de acordo com estudo dos serviços geológicos chineses.

Os acidentes em minas são frequentes na China, que todos os anos registra dezenas de milhares de mortos em acidentes de trabalho.

Em dezembro, 23 mineiros morreram numa mina de carvão em Chongqing, no sudoeste do país, após um vazamento de gás.

Em setembro de 2020, 16 mineiros morreram numa mina de carvão, também localizada no município de Chongqing, devido a outro vazamento de gás.

Por RTP

China aprova vacina contra covid-19 da Sinopharm

(Sinopharm/Divulgação)

A China anunciou nesta quinta-feira (31/12) a aprovação da primeira vacina para uso público geral no país. O inoculante foi desenvolvido pela farmacêutica estatal Sinopharm.

A aprovação é anunciada um dia depois que a Sinopharm disse que a eficácia do produto é de 79,3%, de acordo com dados iniciais da fase final dos testes.

A China já está vacinando a população contra a covid-19 em caráter emergencial. Entretanto, esta é a primeira vacina que o país aprova para uso geral.

A China planeja vacinar até 50 milhões de pessoas até 12 de fevereiro, quando começa a celebração do Ano Novo Chinês, para evitar que o vírus se espalhe durante as festividades, com imunizantes desenvolvidos por Sinopharma, Sinovac e Cansino Biologics Inc.

Os Emirados Árabes Unidos já aprovaram a vacina da Sinopharm para uso popular generalizado. Na decisiva terceira fase do estudo, foi atestada uma eficácia de 86%, segundo o Ministério da Saúde em Abu Dhabi. O país também disponibilizou doses da substância para seu aliado Egito.

A Sinopharm usa o método do vírus inativado para fabricar vacinas. Assim, o ingrediente ativo não precisa ser resfriado a baixíssimas temperaturas como é o caso do inoculante da Biontech-Pfizer, sendo, portanto, um produto mais fácil de transportar e armazenar.

Números altos na Alemanha

Nesta quinta-feira, a Alemanha relatou 32.552 novos casos de infecções por coronavírus, elevando a contagem total para mais de 1,7 milhão de infecções.

De acordo com os últimos dados do Instituto Robert Koch (RKI), agência governamental para o controle e prevenção de doenças infecciosas, o número de mortos aumentou em 964, somando um total de 33.071.

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, disse esta semana que não vê um fim à vista para o lockdown rigoroso que vigora há duas semanas na Alemanha.

Em seu discurso de Ano Novo nesta quinta-feira, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que a crise “histórica” ​​do coronavírus se estenderá até o próximo ano, mesmo que as vacinas sejam promissoras.

Ela classificou como falsas e perigosas as teorias da conspiração apresentadas pelos negacionistas da pandemia, acrescentando que elas também são cínicas e cruéis com as pessoas afetadas pelo coronavírus.

Um lockdown de quatro dias está definido para começar na Turquia às 21h (hora local), na véspera do Ano Novo, em uma tentativa de conter a propagação do COVID-19. O governo advertiu que festas não serão permitidas e que as autoridades policiais monitorarão as violações.

O governador de Istambul disse nesta quinta-feira que cerca de 34 mil policiais estarão encarregados de fazer cumprir as regras na cidade mais populosa da Turquia.

Novo recorde nos EUA

Os Estados Unidos registraram um novo recorde de mortes por covid-19 nesta quarta-feira, com mais de 3,9 mil novos óbitos. Foram contabilizados 189.671 casos de infecção pelo novo coronavírus e 3.927 mortes em decorrência da covid-19, de acordo com levantamento independente feito pela Universidade Johns Hopkins.

O país é líder mundial em indicadores da pandemia, totalizando 19.715.89 positivos para a covid-19 e 341.845 óbitos em decorrência da doença.

O estado de Nova York segue como o que teve mais óbitos por covid-19 nos EUA, com 37.868, seguido por Texas (27.895), Califórnia (25.357), Flórida (21.550) e Nova Jersey (19.109).

Os novos números aparecem em um momento em que os profissionais de saúde do país estão se preparando para um aumento no número de casos após os feriados.

Por Deutsche Welle

MD/efe/dpa/rtr/ap

China repudia declarações de Eduardo Bolsonaro sobre 5G

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil)

O governo da China protestou nesta terça-feira (24/11) contra comentários feitos pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, no Twitter.

Eduardo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, acusou o país asiático de espionagem por meio da tecnologia 5G, que é o futuro padrão da telefonia móvel. Ele acrescentou que o Brasil apoia um projeto do EUA para o 5G, que exclui a China.

A embaixada da China no Brasil afirmou que as declarações de Eduardo são infundadas e difamatórias e “se prestam a seguir os ditames dos EUA”. Acrescentou que os comentários do filho do presidente “não são condignos com o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados”.

“Isso é totalmente inaceitável e manifestamos forte insatisfação e veemente repúdio”, afirmou.

A embaixada ainda insinuou retaliações, ao afirmar que a China vem sendo o maior parceiro comercial do Brasil por 11 anos consecutivos e também um dos com mais investimentos no país.

Segundo a embaixada, declarações de Eduardo Bolsonaro e outras personalidades “solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”, afirmando que pode haver “consequências negativas”.

“Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e a amizade sino-brasileira, e evitar ir longe demais no caminho equivocado tendo em vista os interesses de ambos os povos e a tendência geral da parceria bilateral. Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”, diz a nota.

Depois de fazer as afirmações pelo Twitter, o deputado voltou atrás e apagou a postagem.

Eduardo Bolsonaro é um admirador do presidente Donald Trump e nunca escondeu sua preferência por um alinhamento do Brasil à política externa dos EUA.

Polêmica iniciada por Trump

Trump pressiona parceiros dos Estados Unidos a não usarem a tecnologia 5G da empresa chinesa Huawei, uma das líderes no setor, a afirma que ela é usada pelo governo chinês para espionagem.

No dia 10 de novembro, o Brasil expressou apoio a uma iniciativa dos EUA, conhecida como Clean Network, para criar uma aliança global que exclua a tecnologia chinesa 5G, por meio de um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O Ministério das Comunicações, que é o responsável pela telefonia móvel no país, não assinou o comunicado.

O apoio brasileiro à iniciativa americana não significa que a Huawei esteja impedia de vender seus produtos no Brasil. O leilão do 5G no Brasil está marcado para 2021, e as regras ainda não foram definidas.

Além disso, a Huawei não é uma operadora de telecomunicações – que de fato concorrem no leilão –, mas uma fornecedora de equipamentos. A empresa chinesa está há mais de 20 anos no Brasil e seus equipamentos representam de 35% a 40% dos que são empregados na redes 3G e 4G no país, segundo estimativas do mercado.

As operadoras de telecomunicações do Brasil já deram sinais de que não pretendem abrir mão dos equipamentos da Huawei.

AS/ots

Por Deutsche Welle

China e mais 14 países criam maior pacto comercial do mundo

Xi Jinping, presidente da China (Xinhua/Reprodução)

Foi oficializada neste domingo (15/11), em conferência virtual, a criação do maior tratado comercial do mundo, que envolve a China e outros 14 países da região Ásia-Pacífico, deixa de fora os Estados Unidos e abarca uma área onde vivem mais de 2,2 bilhões de pessoas.

O tratado RCEP (Parceria Regional Econômica Abrangente) abrangerá um terço da atividade comercial do planeta, e seus signatários esperam que sua criação ajude os países a sair mais rápido da turbulência imposta pela pandemia de coronavírus.

“Tenho o prazer de dizer que, após oito anos de trabalho duro, a partir de hoje, concluímos oficialmente as negociações da RCEP para a assinatura”, afirmou o primeiro-ministro do Vietnã, Nguyen Xuan Phuc, “país-anfitrião” da cúpula online.

Segundo o premiê, a conclusão das negociações da RCEP envia uma mensagem forte ao mundo, ao “reafirmar o papel de liderança da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em defesa do multilateralismo.”

“O acordo apoia o sistema comercial multilateral, criando uma nova estrutura comercial na região, permitindo a facilitação do comércio sustentável, revitalizando as cadeias de abastecimento interrompidas pela covid-19 e ajudando na recuperação pós-pandêmica”, completou Phuc.

Além dos dez membros da Asean, o tratado inclui China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. As autoridades dizem que o acordo deixa a porta aberta para que a Índia, que desistiu devido a uma oposição interna feroz às abertura de mercado, volte a aderir ao bloco.

Menos integração que a UE

O acordo prevê reduzir as já baixas tarifas ao comércio entre os países-membros, mas é menos abrangente do que o Tratado Transpacífico, que envolvia 11 países e do qual o presidente americano, Donald Trump, se retirou logo após tomar posse.

Não se espera que o tratado selado neste domingo vá tão longe quanto a União Europeia na integração das economias nacionais, mas sim que se baseie nos acordos de livre-comércio já existentes para facilitar as trocas entre os países.

O acordo tem fortes ramificações simbólicas, ao mostrar que, quase quatro anos após Trump ter lançado sua política “America First”, de forjar acordos comerciais com países de forma individual, a Ásia continua comprometida com o multilateralismo.

Antes da reunião deste domingo, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse que transmitiria com firmeza o apoio de seu governo “à ampliação de uma zona econômica livre e justa, incluindo a possibilidade de um futuro retorno da Índia ao acordo, e a esperança de ganhar apoio dos outros países”.

“O acordo é também uma vitória para a China, de longe o maior mercado da região com mais de 1,3 bilhão de pessoas. Ele permite que Pequim se lance como líder da globalização e da cooperação multilateral e lhe dá maior influência sobre as regras que regem o comércio regional”, escreveu o economista Gareth Leather, especialista em mercado asiático em relatório do instituto Capital Economics.

China: “Vitória do multilateralismo”

A agência oficial chinesa Xinhua News Agency citou o primeiro-ministro Li Keqiang saudando o acordo como uma vitória contra o protecionismo.

“A assinatura do RCEP não é apenas uma conquista marcante da cooperação regional da Ásia Oriental, mas também uma vitória do multilateralismo e do livre-comércio”, disse Li.

Agora que o oponente do Trump, Joe Biden, foi declarado presidente eleito, a região está atenta para ver como a política americana sobre comércio e outras questões vai evoluir.

Analistas são céticos de que Biden vai se esforçar muito para aderir novamente ao pacto comercial Transpacífico ou para reverter muitas das sanções comerciais impostas à China pelo governo Trump, dada a frustração generalizada com os dados comerciais e de direitos humanos de Pequim e as acusações de espionagem e roubo de tecnologia.

Críticos dizem que acordos de livre-comércio tendem a encorajar as empresas a transferir empregos da indústria local para o exterior. E essa é uma preocupação do eleitorado, por exemplo, das regiões de Michigan e Pensilvânia, que Biden precisou conquistar para vencer as eleições de 3 de novembro.

Mas dada a preocupação com a crescente influência da China, avaliam especialistas, Biden provavelmente buscará muito mais envolvimento com o Sudeste Asiático para proteger os EUA.

O mercado do Sudeste Asiático, em rápido crescimento e cada vez mais influente, tem 650 milhões de pessoas e, duramente atingido pela pandemia, está procurando urgentemente novos motores para o crescimento.

O tratado RCEP originalmente teria incluído cerca de 3,6 bilhões de pessoas e abrangia cerca de um terço do comércio mundial e do PIB global. Sem a Índia, ainda cobre mais de 2 bilhões de pessoas e cerca de um terço de toda a atividade comercial do mundo.

RPR/apafp

Por Deutsche Welle

Bilionário chinês esnoba EUA no maior IPO da história

Investidores caminham na frente de uma tela na bolsa de valores durante o primeiro pregão do Ano do Porco, em Hangzhou, na Província de Zhejiang, leste da China, em 11 de fevereiro de 2019. (Arquivo/Long Wei/Xinhua)

A empresa chinesa de tecnologia financeira Ant, proprietária da gigante de pagamentos online Alipay, anunciou nesta segunda-feira (26/10) que espera obter mais de 34 bilhões de dólares com seu ingresso nas bolsas de valores.

Isso seria a maior oferta pública inicial (em inglês IPO) da história, superando a da petrolífera saudita Saudi Aramco, que detém o recorde de 25,6 bilhões de dólares com seu IPO, em dezembro de 2019, na bolsa de valores de Riad.

O valor total do Ant Group chegaria a 312 bilhões de dólares, pois só 11% das ações serão comercializadas.

A empresa decidiu deixar de lado os mercados financeiros dos Estados Unidos e anunciou que suas ações serão comercializadas de forma equitativa nas bolsas de valores de Xangai e Hong Kong.

Com isso, o dono da empresa, o bilionário chinês Jack Ma, responde a um chamado do governo chinês, que quer que as maiores empresas chinesas negociem suas ações nas bolsas de valores chinesas.

A esnobada nos americanos ocorre em meio às tensões entre Estados Unidos e China. “É a primeira vez que uma abertura de capital tão importante, a mais importante da história da humanidade, será feita fora de Nova York”, declarou Ma em Xangai.

O Ant Group, ligado à líder do comércio eletrônico na China, a Alibaba, é um ator essencial no pagamento eletrônico em seu país com o serviço Alipay. O grupo comunicou ter um volume anual de transações superior a 14,4 bilhões de dólares e mais de 700 milhões de usuários ativos por mês.

O grupo de Jack Ma anunciou que venderá, a partir da próxima terça-feira, 1,67 milhões de ações a 80 dólares por unidade na bolsa de Hong Kong e a mesma quantidade por 68,8 iuanes a unidade em Xangai.

Ma é a pessoa mais rica da China, com uma fortuna estimada em 61 bilhões de dólares, e a 17ª do mundo.

AS/afp/rtr

Por Deutsche Welle