Astronautas chineses são enviados para estação espacial

(Jin Liwang/Xinhua)

A primeira missão tripulada enviada pela China para a estação espacial que o país está construindo partiu nesta quinta-feira (17/06), do noroeste do país, com três astronautas a bordo.

O foguete Longa Marcha-2F Y12 partiu do centro de lançamento espacial de Jiuquan, no deserto de Gobi, levando consigo a nave Shenzhou-12. Cerca de seis horas depois, a nave alcançou a estação espacial.

Os três astronautas a bordo, o comandante Nie Haisheng e seus colegas Liu Boming e Tang Hongbo, vão passar três meses no módulo Tianhe (Harmonia Celestial), que é o primeiro da estação espacial Tiangong (Palácio Celestial). Ela deverá estar concluída em 2022 e ter uma vida útil de pelo menos dez anos no espaço.

O Tianhe é o centro de controle e também espaço de habitação dos astronautas. Ele foi colocado na órbita terrestre, entre 350 e 390 quilômetros de altitude, em abril.

Dois dos astronautas participaram de missões anteriores, enquanto o terceiro vai para o espaço pela primeira vez, segundo a agência espacial da China. Com a missão atual, chega a 14 o número de astronautas enviados pela China ao espaço, entre eles duas mulheres.

Durante os três meses no espaço, os três homens deverão realizar trabalhos de manutenção e experiências científicas. O principal objetivo da missão Shenzhou-12 é colocar em funcionamento o módulo Tianhe.

Fora da ISS

Esta é a terceira de 11 missões planejadas até ao final de 2022 pela China, para construir e manter a estação espacial e enviar tripulantes e suprimentos. Os outros dois módulos da estação devem ser lançados no próximo ano.

A decisão de construir uma estação espacial chinesa surgiu depois da recusa dos Estados Unidos de deixarem a China participar da Estação Espacial Internacional (ISS). Os EUA alegam falta de transparência do programa chinês e fortes relações deste com as Forças Armadas.

A ISS, que reúne os Estados Unidos, a Rússia, o Canadá, a Europa e o Japão, deve parar de funcionar em 2024, apesar de a Nasa já ter mencionado a possibilidade de prolongar o funcionamento até 2028.

Espera-se que missões científicas estrangeiras e possivelmente astronautas estrangeiros visitem a estação chinesa no futuro.

China acumula experiências

Trata-se da primeira missão chinesa tripulada em cinco anos. A China enviou 11 astronautas para o espaço desde que se tornou o terceiro país a fazê-lo, em 2003.

O Tianhe baseia-se na experiência adquirida pela China ao operar duas estações espaciais experimentais no início do seu programa espacial.

Astronautas chineses passaram 33 dias na segunda das estações anteriores, realizaram uma caminhada no espaço e deram aulas de ciência que foram transmitidas para estudantes de todo o país.

Depois de concluído, o Tianhe deve permitir estadas de até seis meses, semelhante à Estação Espacial Internacional, que é muito maior do que a estação chinesa.

A China pousou uma sonda, a Tianwen-1, em Marte, no mês passado, que transportava um rover, um veículo de exploração espacial.

Nos últimos anos, a China também trouxe de volta amostras lunares, as primeiras do programa espacial de qualquer país desde os anos 1970, e pousou uma sonda e um rover no lado oculto da lua.

Por Deutsche Welle

as/lf (Lusa, AP, AFP)

China afirma que Otan exagera e faz calúnia

A China afirmou nesta terça-feira (15/06) que a Otan exagera e calunia ao afirmar, em comunicado divulgado no fim de uma reunião nesta segunda-feira em Bruxelas, que as ambições e o comportamento de Pequim representam um desafio sistêmico à ordem mundial.

“Exigimos racionalidade à Otan, na avaliação do desenvolvimento da China, e que pare de exagerar a teoria da ameaça chinesa”, afirmou o governo chinês.

A aliança militar “não deve usar os nossos interesses e direitos legítimos como desculpa para manipular e criar confrontos artificiais”, advertiu.

“A China não representa um desafio sistêmico a ninguém, mas se alguém quiser impor-nos algo, não ficaremos indiferentes”, disse o governo do país asiático.

Mentalidade de guerra fria

O secretário-geral da Otan, o norueguês Jens Stoltenberg, disse após o encontro que o “mundo inteiro reconhece que a China está aumentando suas capacidades militares e que mantém um comportamento coercitivo”.

Stoltenberg também afirmou que o país asiático está expandindo rapidamente seu arsenal nuclear e que o regime chinês é opaco sobre seu programa de modernização militar.

O governo chinês disse que as declarações são calúnias para atacar o “desenvolvimento pacífico da China”, e acusou a aliança de manter uma mentalidade típica da Guerra Fria.

Desafio à ordem mundial

Líderes dos 30 Estados-membros da Otan se reuniram em Bruxelas na segunda-feira para discutir uma série de questões de segurança internacional, que foram resumidas em um comunicado conjunto.

No texto final, os líderes da aliança focaram na China e na Rússia, que têm intensificado a cooperação entre si.

“As declaradas ambições da China e o comportamento assertivo da China representam desafios sistemáticos à ordem mundial baseada em regras e a outras áreas relevantes para a segurança da aliança”, advertiram.

“Continuamos preocupados com a habitual falta de transparência e do uso da desinformação por parte da China”, frisaram.

No fim de semana, os países-membros do G7, que incluem membros da Otan, já haviam enviado recados a Pequim, repreendendo o país asiático sobre as violações dos direitos humanos em Xinjiang e exigindo garantias para a autonomia de Hong Kong e uma investigação completa das origens da covid-19. A China criticou em duros termos o comunicado do G7.

Por Deutsche Welle

as/ek (Lusa, AP)

Marte: China publica fotos coloridas tiradas no planeta vermelho

(Rede Social/Reprodução)

A Administração Espacial da China divulgou hoje (11) uma imagem panorâmica de 360 graus e duas fotografias em cores da superfície de Marte e dos dispositivos da sonda Tianwen-1, que chegou ao planeta vermelho em 15 de maio.

A imagem mostra os arredores da zona de pouso, um terreno plano e pedregoso, e foi registrada pelo veículo Zhurong – uma homenagem ao Deus do Fogo da antiga mitologia chinesa.

“A superfície próxima é relativamente plana, com pedras lisas, de cores claras e de diferentes tamanhos, espalhadas e semienterradas. Há um buraco no fundo com pedras mais escuras e angulares na margem”, detalhou a Administração Espacial da China em comunicado.

A imagem também mostra a rampa de descida para o terreno marciano e a parte traseira do Zhurong, com painéis solares. “A abundância e o tamanho das pedras correspondem às expectativas”, diz a nota.

A outra fotografia mostra a plataforma de aterrissagem, com a rampa de descida do Zhurong e uma bandeira chinesa desfraldada.

No final da rampa, podem ser vistas as marcas deixadas pelo veículo na superfície marciana, que formam um círculo.

Na terceira imagem, o Zhurong afastou-se da câmara descartável, que normalmente carrega no porão, e recuou alguns metros.

Assim, tanto o veículo quanto a plataforma podem ser vistos mais ao fundo.

“A imagem foi transmitida sem ligação por fio ao veículo, que então a reencaminhou para a Terra por meio do módulo de órbita”, detalhou o texto.

De acordo com a agência chinesa, o módulo de órbita está em boas condições, e o veículo opera na superfície de Marte há 28 dias marcianos.

O Zhurong faz parte da missão chinesa Tianwen-1, que partiu para o espaço em julho de 2020 e cuja sonda de pouso atingiu a superfície do planeta em 15 de maio, na parte sul da chamada Utopia Planitia, uma planície localizada no hemisfério norte.

Tianwen-1 é a primeira missão de exploração da China a Marte e a primeira na história a combinar viagem, entrada em órbita e descida numa única missão.

Cientistas chineses pretendem encontrar mais evidências da existência de água ou gelo no planeta, bem como realizar pesquisas sobre a composição material da superfície ou sobre as características do clima.

Por RTP

China é o primeiro país a liberar vacina contra covid-19 para crianças

A China aprovou o uso emergencial de uma vacina contra a covid-19 em crianças com mais de três anos, tornando-se o primeiro país do mundo a autorizar o imunizante para menores de 12 anos.

A informação foi confirmada nesta terça-feira (08/06) pela farmacêutica chinesa Sinovac, fabricante da Coronavac, que no Brasil é produzida em parceria com o Instituto Butantan.

“Nos últimos dias, a vacina da Sinovac foi aprovada para uso emergencial em crianças de três a 17 anos”, disse o porta-voz da empresa.

No entanto, não foi especificado quando as crianças começarão a ser vacinadas. A decisão do cronograma caberá à Comissão Nacional de Saúde, que seguirá critérios como as atuais necessidades de prevenção e controle de epidemias na China e o fornecimento de vacinas.

A Sinovac informou que concluiu os primeiros testes do imunizante em crianças e adolescentes e que os resultados serão publicados em breve na revista científica Lancet.

Em entrevista ao China Media Group, o presidente da Sinovac, Yin Weidong, disse que os estudos clínicos envolvendo centenas de voluntários mostraram que a segurança da vacina em crianças e adolescentes é tão boa quanto em adultos e os níveis de anticorpos são semelhantes.

No fim de semana, a emissora estatal CGTN informou que um funcionário da força-tarefa de resposta a epidemias do Conselho de Estado da China disse que as vacinas foram aprovadas para crianças e que “a segurança e eficácia” foram comprovadas.

Sinopharm garante eficácia e segurança

Outra grande farmacêutica chinesa, a Sinopharm, também afirmou que sua vacina contra covid-19 demonstrou eficácia e segurança na faixa-etária de três a 17 anos. No entanto, a empresa não confirmou se o imunizante foi aprovado para uso emergencial.

A Sinopharm iniciou os ensaios clínicos de fase 1 e 2 nessa faixa etária em julho de 2020, disse o Zhang Yuntao, vice-presidente da Sinopharm, em entrevista à CGTN.

A China já aplicou mais de 777 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 e espera inocular 70% da população de 1,4 bilhão de habitantes até o fim do ano.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou as vacinas da Sinovac e da Sinopharm para uso emergencial em adultos com 18 anos ou mais, e ambas as vacinas estão sendo administradas em vários países do mundo.

Embora atualmente a OMS não recomende a vacinação de crianças contra o coronavírus, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e a União Europeia já aprovaram a vacina da Pfizer-BioNTech para crianças e adolescentes a partir dos 12 anos.

A Alemanha já anunciou que pretende vacinar as crianças com mais de 12 anos até o fim de agosto, para o início do novo ano escolar após as férias de verão na Europa.

Por Deutsche Welle

le (afp, ots)

Maratona registra mais de 20 mortes após mudança de temperatura

(Xinhua/Reprodução)

Pelo menos 21 participantes de uma ultramaratona morreram na China após serem surpreendidos por uma queda brusca de temperatura nas montanhas, causada por uma forte tempestade de granizo, informaram as autoridades locais neste domingo (23/05). Oito maratonistas foram levados a hospitais, sem gravidade. 

Os 172 participantes realizavam, no sábado, um percurso de 100 quilômetros pela Floresta de Pedra do Rio Amarelo, na cidade de Baiyin, que fica na província de Gansu, fronteira com a Mongólia.

Quando já haviam percorrido de 20 a 30 quilômetros, os corredores foram atingidos repentinamente por uma tempestade, com chuva forte, vento e granizo. A maioria vestia apenas bermuda e camiseta e o vento levou seus equipamentos de proteção contra o frio. Muitos corredores se perderam no terreno íngreme e sofreram de hipotermia e exaustão.

No momento da tempestade, os maratonistas passavam por um caminho extremamente estreito, em uma altitude de 2 mil a 3 mil metros.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, mais de 700 pessoas participaram do resgate, que se estendeu pela noite de sábado e manhã deste domingo.

Entre as vítimas, estão dois veteranos conhecidos nacionalmente. Liang Jing havia ganhado várias ultramaratonas na China nos últimos anos. Huang Guanjun Huang, que era surdo e mudo, havia vencido a maratona masculina para deficientes auditivos nos Jogos Paraolímpicos Nacionais de 2019, em Tianjin.

A Floresta de Pedra do Rio Amarelo é uma reserva natural famosa pelas suas formações rochosas de quatro bilhões de anos, que são frequentemente utilizadas como cenário de filmes e programas de televisão na China.

Por Deutsche Welle

le (afp, ap, lusa)

Ataques de Bolsonaro à China afetam vacinas, diz Butantan

A direção do Instituto Butantan e o governador de São Paulo, João Doria, afirmaram nesta quinta-feira (06/05) que os ataques do presidente Jair Bolsonaro à China estão afetando a importação de insumos para a fabricação de vacinas contra a covid-19.

Na quarta-feira, Bolsonaro insinuou que a China teria criado o vírus em laboratório como parte de uma “guerra química” – uma acusação que contraria a Organização Mundial de Saúde (OMS), que aponta que o vírus provavelmente tem origem animal.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia dito que os os chineses “inventaram” o coronavírus. Não foram os únicos membros do círculo do presidente que fizeram ataques do gênero. O filho “03” do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro, e os ex-ministros Ernesto Araújo e Abraham Weintraub já haviam distribuído ataques contra os chineses ou espalhado teorias conspiratórias envolvendo o país asiático.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e principal país de origem dos insumos usados no envasamento de vacinas contra a covid-19 distribuídas aos brasileiros. Entre janeiro e abril, dentro do contexto dos ataques do governo Bolsonaro à China, diversas remessas de insumos com origem no país asiático que eram esperadas pela Fiocruz e pelo Butantan sofreram atrasos. Os chineses afirmaram que eram meros entraves burocráticos, mas os episódios levantaram questionamentos sobre eventuais retaliações por parte de Pequim à postura de Bolsonaro e seu círculo.

“Todas as declarações neste sentido têm repercussão. Nós já tivemos um grande problema no começo do ano e estamos enfrentando de novo esse problema”, afirmou nesta quinta-feira Dimas Covas, diretor do Butantan.

“Embora a embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, a nossa sensação de quem está na ponta é que existe dificuldade, uma burocracia que está sendo mais lenta do que seria habitual e com autorizações muito reduzidas e volumes. Então obviamente essas declarações têm impacto e nós ficamos à mercê dessa situação”, completou.  “Pode faltar [insumos]? Pode faltar. E aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra. Essa é a grande conclusão”, disse Covas.

O Butantan é responsável pelo envasamento no Brasil da Coronavac, vacina desenvolvida pela empresa biofarmacêutica chinesa Sinovac. Mais de 75% das vacinas distribuídas contra covid-19 no Brasil até o momento foram envasadas pelo Butantan em parceria com os chineses.

Doria: “É lamentável e inacreditável”

O governador paulista também criticou Bolsonaro pelos recentes ataques à China e fez críticas à falta de atuação na diplomacia do governo brasileiro em relação ao país asiático.

“É lamentável que depois de o ministro Paulo Guedes falar mal da China, da vacina, criticando o governo chinês, agora o presidente Jair Bolsonaro seguindo na mesma linha. É inacreditável que, diante de uma circunstância que precisamos salvar vidas e ter mais vacinas, tenhamos alguém criticando a China, o nosso grande fornecedor de insumos para a vacina”, afirmou Doria.

Ainda na quarta-feira, Bolsonaro fez outras declarações que contrariam o consenso científico em relação à pandemia. Ele chamou de “canalhas” aqueles que se opõem ao ineficaz “tratamento precoce” promovido pelo governo e diz que o uso de máscaras já “encheu o saco”. Ele ainda ameaçou usar as Forças Armadas contra governadores e prefeitos para impedir a imposição de medidas de isolamento. A série de declarações foi encarada por analistas como uma cortina de fumaça para desviar o foco da CPI da pandemia no Senado.

Na quarta-feira, a comissão ouviu o ex-ministro da Saúde Nelson Teich, que relatou que deixou a pasta por não ter contado com autonomia para realizar seu trabalho e por se recusar a ceder à pressão do Planalto para expandir o uso de remédios ineficazes.

Por Deutsche Welle
jps/lf (ots)

Sem saber que era gravado, Guedes diz que “chinês inventou o vírus”

Paulo Guedes, ministro da Economia (Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil)

Paulo Guedes afirmou, nesta terça-feira (27), que “o chinês inventou o vírus”da Covid-19 e que a vacina da Pfizer é “melhor do que as outras”. O ministro da Economia participou de reunião do Conselho de Saúde Complementar, que foi transmitida pelas redes sociais sem que Guedes soubesse.

“O chinês inventou o vírus e a vacina dele é menos efetiva do que a americana. O americano tem 100 anos de investimento em pesquisa. Então, ‘os caras’ falam: ‘Qual é o vírus? É esse? Decodifica’. Está aqui a vacina da Pfizer, é melhor do que as outras”, disse.

Ao ser informado que o conteúdo estava sendo gravado, o ministro pediu que não mandassem ao ar. A transmissão foi excluída das redes sociais do Ministério da Saúde após finalizada a reunião.

Atualmente, a CoronaVac, vacina produzida a partir de acordo entre a farmacêutica chinesa Sinovac e o Instituto Butantan, foi aplicada em 80% dos brasileiros vacinados. 

Leia também: Estudo indica 50% de eficácia da CoronaVac contra a variante de Manaus

A compra de imunizantes da Pfizer pelo governo brasileiro passou por entraves. A farmacêutica alegou, em janeiro de 2021, que tentou negociar a venda de 70 milhões de doses, que seriam entregues em dezembro de 2020. Na época, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello disse que tinha ressalvas sobre a vacina, como a não responsabilização do laboratório por qualquer efeito colateral e a obrigação do governo brasileiro em fornecer material para diluir o imunizante.

A autorização para a compra de vacinas da farmacêutica só aconteceu em março de 2021.

O site da TV Cultura tentou contato com o ministério da Economia para falar sobre as declarações de Paulo Guedes, mas não obteve resposta.

Por TV Cultura

China ganha terreno na América Latina, publica DW

Luiz Fernando Pezão, ex-governador do Rio, acompanhou o Primeiro Ministro da China, Li Keqiang, em visita ao centro administrativo do MetrôRio onde foi apresentado um dos 15 novos trens chineses (Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil)

Minas de metais preciosos, linhas ferroviárias e usinas hidrelétricas: a gama de projetos com financiamento chinês na América Latina é ampla. No início dos anos 2000, a potência emergente da Ásia descobriu a região do outro lado do Pacífico como um mercado de vendas, fonte de matéria-prima e destino de investimentos. Mas, depois de um verdadeiro boom chinês, especialmente na América do Sul, o interesse da China pela região pareceu diminuir.

De acordo com um estudo da Universidade de Boston e da organização sem fins lucrativos Inter-American Dialogue, com sede nos EUA, Pequim e seus bancos de desenvolvimento investiram em média 1,7 bilhão de dólares por ano na América Latina entre 2005 e 2015. Desde 2016, esse número vem caindo, para 275 milhões de dólares em 2019. E em 2020 a China não concedeu um único empréstimo na América Latina.

Durante o mesmo período, o comércio de mercadorias também enfraqueceu: entre 2000 e 2013, o comércio bilateral cresceu em média 30% ao ano, no meio tempo chegou a diminuir, só retornando aos níveis de 2014 em 2019.

Dependência mútua

Margaret Myers, uma das autoras do estudo, não vê isso como um verdadeiro resfriamento. “Muitos países latino-americanos tiveram dificuldades econômicas”, diz a chefe do programa da China e da América Latina na organização Inter-American Dialogue.

As relações já são intensas demais para que haja grandes mudanças de rumo, diz Myers: “Se, digamos, o fornecimento de soja da Argentina e do Brasil vacilar, os governos de ambos os lados terão um grande problema”. Por sua vez, o Brasil já fornece quase 100% de sua safra de soja para a China, afirma. “A relação comercial é saudável, mas é improvável que vejamos taxas de crescimento como uma década atrás”, diz Myers.

China apostou em regimes de esquerda

No entanto, quando se trata de investimentos diretos, aparentemente está ocorrendo uma mudança na forma de pensar dos chineses. Durante anos, o país havia concedido enormes empréstimos, especialmente a governos de esquerda, inclusive os do Equador, Argentina, Brasil e − acima de tudo − Venezuela.

Quase metade do dinheiro que a China emprestou à região entre 2005 e 2019 foi para o regime socialista de Caracas, que deveria usá-lo para expandir a produção de petróleo, entre outras coisas, a fim de pagar suas dívidas. “Em vez disso, a produção de petróleo caiu desde então para 20% a 25%”, observa Harold Trinkunas, especialista em América Latina da Universidade de Stanford nos EUA. “A China poderia se decepcionar amargamente com a América Latina, como já aconteceu com muitos doadores internacionais.”

Segundo Margaret Myers, a mídia chinesa evita mencionar a Venezuela, talvez porque a liderança do partido esteja esperando que o investimento ainda compense no longo prazo.

Riscos em investir

Críticos costumam acusar os Estados Unidos e a Europa de assistirem sem reação à expansão da China na América Latina. Mas há boas razões para os investidores ocidentais relutarem em investir na região. Embora a Venezuela possa ser um caso extremo, é sabido que investir na América Latina acarreta altos riscos comerciais e políticos.

Os compradores de títulos do governo argentino já tiveram más experiências. Um exemplo é a empresa petrolífera espanhola Repsol, cuja participação na subsidiária argentina YPF foi expropriadapor Buenos Aires em 2012. Já a aventura de construir uma siderúrgica no Brasil custou ao tradicional grupo alemão ThyssenKrupp cerca de 10 bilhões de euros. E esses são apenas dois exemplos.

Também a China já teve experiências negativas. Isso levou Pequim a repensar seus investimentos, quase não concedendo mais empréstimos de governo a governo, aponta Myers. O investimento direto das empresas chinesas, por exemplo, em projetos de infraestrutura nos setores de energia ou transporte, ganharam em importância. “Apesar de ter cada vez mais experiência com a América Latina, a China continua sendo surpreendida por problemas”, conta Myers.

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Clara vantagem para ambas as partes

Pequim, entretanto, aceita esses riscos, esperando obter vantagens políticas. “Assim como em outras regiões do mundo, a China usa empréstimos e investimentos para garantir votos nos órgãos da ONU e apoio a sua política”, explica o pesquisador Harold Trinkunas. “Mas isto funciona principalmente com países pequenos e extremamente endividados.”

No fim de 2018, por exemplo, El Salvador rompeu laços diplomáticos com Taiwan em troca da promessa da China de ajudar o país a construir um estádio, uma biblioteca de vários andares e uma estação de tratamento de esgoto. Antes disso, a República Dominicana e o Panamá já haviam reconhecido a política de “uma China única”, voltando as costas também para os Estados Unidos.

“Pode ser muito útil para países menores colocar as duas superpotências uma contra a outra”, diz Trinkunas. O objetivo dessa troca de lados, diz ele, poderia ser não apenas atrair investimentos chineses, mas também conseguir ainda mais apoio americano em troca.

Muitas vezes, no entanto, a China e suas empresas são simplesmente financiadoras mais atraentes para os governos latino-americanos. E isso apesar de muitas vezes vincularem seus investimentos ao uso de equipamentos e mão-de-obra chineses. Porque, ao contrário de parceiros ocidentais, eles não se importam com direitos humanos, conservação da natureza ou corrupção, diz Trinkunas.

Interesse pelo México

A retirada da China da região, portanto, não está absolutamente à vista. Pelo contrário, Pequim até vem cortejando o governo do México, o único país da região que ainda tem fortes laços econômicos com os EUA. Mas é também uma as poucas nações nas quais a China vem investindo mais.

No início de 2021, o ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou que seu país pretende intensificar a parceria estratégica com a China. No fim de janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, enviou mensagens de rápida recuperação ao chefe de Estado mexicano, Andrés Manuel López Obrador, que contraíra covid-19.

Na crise causada pelo novo coronavírus, a China ajudou muitos países da América Latina, por exemplo, com máscaras de proteção. O Brasil teve um papel importante na pesquisa clínica da vacina chinesa CoronaVac. O Chile deve receber ainda esta semana 2 milhões de doses da vacina chinesa.

“A ajuda da China em tempos de covid-19 é certamente um gesto de solidariedade”, diz Myers. “Mas é também uma oportunidade para apresentar os avanços das empresas chinesas em biomedicina e diagnósticos com inteligência artificial.” Grande parte da ajuda ocorre ainda em nível local, por exemplo, no âmbito da crescente rede global de parcerias de cidades com a China, ressalta Myers.

Da mesma forma como nos níveis econômico e político, isso destaca outro aspecto que distingue a China dos Estados Unidos como parceira dos latino-americanos: “Muitos desses países enfrentam os mesmos problemas e estão abertos a trabalhar em soluções conjuntas”.

Por Jan D. Walter, da Deutsche Welle

Avião com insumos para vacinas decola da China

(FlightRadar24/Reprodução)

O avião da Latam que traz novas doses da vacina Coronavac para São Paulo decolou na noite desta terça-feira (2), em Pequim, na China. O voo JJ-9555 tem previsão de chegar nesta quarta-feira, em Campinas, interior de São Paulo.

Segundo o Governo do Estado, que transmite a viagem no site oficial, em tempo real, a bordo do Boeing 777-W (ER) está o material necessário para produzir 8,6 milhões de doses da vacina contra a covid-19. São 5,4 mil litros de IFA (Insumo Farmacêutico Ativo) da fábrica da biofarmacêutica Sinovac Life Sciences. Aqui no Brasil, cabe ao Instituto Butantan produzir as doses que serão destinadas aos brasileiros.

Segundo o último dado confirmado, de todas as vacinas disponíveis no país até o momento, 80% foram fornecidas pelo Instituto Butantan. 

De acordo com o Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, as vacinas produzidas com o lote de matéria-prima que chega nesta semana começarão a ser entregues ao Ministério da Saúde no próximo dia 25. Outra carga com 5,6 mil litros de IFA também chegará ao Brasil até o próximo dia 10, viabilizando a produção de mais 8,7 milhões de doses em São Paulo.

As novas cargas permitem que mais 17,3 milhões de doses sejam entregues a partir do final deste mês. Em janeiro, o Butantan entregou 8,7 milhões de vacinas ao Ministério da Saúde. Foram 6 milhões de doses no dia 17, outras 900 mil no dia 22 e mais 1,8 milhão no dia 29, em cumprimento ao contrato que incluiu o imunizante no PNI (Plano Nacional de Imunizações).

Aeronave que traz as vacinas para o Brasil antes da decolagem (Reprodução)

A previsão do Butantan é que a produção local de vacinas contra a COVID-19 alcance até 600 mil doses diárias com as duas novas remessas de matéria-prima. O instituto ainda negocia o recebimento de mais 8 mil litros de IFA para cumprir o contrato com o Ministério da Saúde.

São 46 milhões de doses previstas até o final de abril e um adicional de 54 milhões de vacinas com prazo a definir.

*Erramos: Ao contrário do que informamos, o avião pousará em Campinas e não em Guarulhos; o texto foi atualizado

Missão da OMS visita mercado na China onde teria surgido a covid-19

Sede da Organização Mundial da Saúde, na Suíça (Liu Qu/Xinhua)

Os especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que investigam a origem do coronavírus Sars-CoV-2, causador da covid-19, visitaram neste domingo (31/01) o mercado na cidade chinesa de Wuhan onde teria ocorrido a transmissão do vírus de algum animal para os seres humanos.

O mercado, onde eram vendidos animais selvagens vivos, está fechado desde janeiro de 2020. Apenas a entrada da equipe da OMS, sob um forte esquema de segurança, foi permitida pela autoridades chinesas. Os especialistas ficaram cerca de uma hora no local e partiram sem falar com jornalistas.

Antes do fechamento, dividido em seções de carnes, frutos do mar e vegetais, o mercado atraía centenas de consumidores diariamente. Hoje, ele se tornou um marco na cidade, onde novo coronavírus foi detectado pela primeira vez.

Em 31 de dezembro de 2019, após quatro casos de uma pneumonia misteriosa relacionadas ao mercado, o local foi fechado do dia para noite. Com o rápido aumento de casos na cidade de 11 milhões de habitantes, Wuhan decretou um lockdown de 76 dias.

Segundo especialistas, o mercado ainda desempenha um papel importante para a investigação sobre a origem do Sars-CoV-2, uma vez que o primeiro grupo de casos detectados foi identificado lá.

Atraso na investigação

Após a chegada em Wuhan, a equipe cumpriu uma quarentena de 14 dias, e desde de quinta, quando iniciaram a investigação local, visitaram hospitais, mercados e uma exposição que comemora a batalha bem sucedida da cidade contra o vírus.

A OMS afirmou na sexta que a missão se limitará as visitas organizadas pelo país anfitrião e não terá contato com a população local devido às restrições sanitárias impostas na China.

Programada para começar no início de janeiro, a investigação da OMS foi afetada por atrasos, preocupação em relação ao acesso aos locais necessários e disputas entre China e Estados Unidos, que acusaram Pequim de esconder a extensão do surto e criticaram os termos para a missão. Especialistas chineses conduziram a primeira parte da pesquisa.

A equipe da missão é composta por especialistas em medicina veterinária, virologia, segurança alimentar e epidemiologia. No entanto, é improvável que as origens do vírus sejam confirmadas com apenas uma única visita. Identificar o reservatório animal de um surto costuma levar anos e a pesquisa inclui recolhimento de amostras de animais, análises genéticas e estudos epidemiológicos.

Missão sensível para Pequim

A presença de dez especialistas internacionais é considerada sensível para o regime chinês, que quer evitar qualquer responsabilidade por uma pandemia que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o mundo.

A imprensa estatal e as autoridades têm difundido informações que indicam que o vírus teve origem no exterior, possivelmente via importação de alimentos congelados, o que é rejeitado pela OMS. Por vezes apontam para a Itália, outras vezes para Estados Unidos ou até para Índia como locais de origem da doença.

“Não é uma questão de encontrar um país ou autoridades responsáveis. É uma questão de entender o que aconteceu para reduzir os riscos no futuro”, ressaltou o epidemiologista Fabian Leendertz, do Instituto Robert Koch, responsável pela prevenção e controle de doenças na Alemanha. “É preciso entender o que aconteceu para evitar que volte a acontecer”, acrescentou o cientista, que participa da missão.

Por Deutsche Welle

cn (Reuters, Lusa, AP)