Ciclovia do Rio Pinheiros recebe iluminação de LED

Entrega dos primeiros kms da Iluminação LED para a Ciclovia do Rio Pinheiros
João Doria, governador de São Paulo, pedalou pelo trecho com a nova iluminação (Reprodução)

Foi entregue nesta sexta-feira (7), o primeiro sistema de iluminação da Ciclovia do Rio Pinheiros. O projeto é uma parceria entre o Governo de São Paulo e a Enel. Foram colocados 130 pontos de lâmpadas inteligentes no trecho da região da Vila Olímpia, com investimento de R$ 1 milhão da Enel, em recursos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Aneel.

A iniciativa faz parte de um plano mais amplo para transformar o local na primeira ciclovia inteligente do país por meio de tecnologias inovadoras.

“São Paulo já é a capital do Brasil e da América Latina em termos de uso de bicicletas e também de ciclovias. E uma belíssima ciclovia que tem os primeiros quilômetros, hoje, com a iluminação da Enel”, disse João Doria, governador do Estado de São Paulo, que pedalou pelo trecho durante a noite de ontem.

A primeira etapa do projeto contempla três quilômetros de vias cobertas com a tecnologia SmartLighting, que permite o gerenciamento do sistema de forma remota. A iluminação será ampliada gradualmente. Até julho, a ciclovia receberá ainda 40 câmeras de segurança instaladas pela concessionária Farah Service, cujas imagens serão monitoradas em um Centro de Controle Operacional. Este conjunto de medidas propiciará mais segurança aos ciclistas e pedestres que frequentam o local.

“Sem onerar o Estado, nós estamos implementando novas áreas de lazer e esportes ao longo das margens do Pinheiros para que as pessoas ocupem estes espaços e tenham uma nova relação com este rio tão importante para a cidade de São Paulo. A nova iluminação aumentará a segurança dos frequentadores”, disse Marcos Penido, secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente.

(Gov. do Estado de SP/Reprodução)

Com 21,5 km de extensão numa área pertencente à CPTM, ao longo da Linha 9-Esmeralda e às margens do Rio Pinheiros, a ciclovia tem atraído cerca de 70 mil ciclistas por mês. Por meio de um chamamento público, o Governo transferiu a gestão da área para a iniciativa privada em 2020 e a Farah Service assumiu os trabalhos de recuperação com direito de explorar comercialmente o espaço.

Desde então, já foram feitos recapeamento e pintura da pista, sinalização, limpeza e jardinagem. Os ciclistas ganharam pontos de apoio com banheiro e bebedouro, além de novos cafés, vending machines e chuveiros distribuídos ao longo do percurso. Em dezembro de 2020, a pista foi rebatizada como “Ciclovia Novo Rio Pinheiros”

Serviço

A pista está aberta diariamente, entre 5h30 e 18h30, e pode ser acessada pelos usuários por seis pontos diferentes, localizados na Rua Miguel Yunes, entre as estações Jurubatuba e Autódromo, Estação Jurubatuba, Passarela da EMAE, junto à estação Vila Olímpia, Estação Santo Amaro, Passarela Parque do Povo e Ponte Cidade Universitária.

*Com Gov. do Estado de SP

Policial é baleado durante assalto em ciclovia

Um policial civil foi baleado por assaltantes em uma ciclovia, na Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo. Atingido no tórax, o investigador do Distrito Policial do Sacomã foi socorrido e está fora de perigo.

O crime aconteceu na noite de ontem (30), na Ponte Laguna, junto à pista sentido Interlagos da Marginal do Pinheiros, a poucos metros do Parque Burle Marx. Segundo a Polícia Militar, o policial estava correndo na ciclovia da ponte quando foi abordado por dois bandidos, um deles armado. 

Os ladrões, que também trajavam roupas esportivas, anunciaram o assalto. O investigador, que estava armado, reagiu, mas acabou baleado.

Os assaltantes fugiram, aparentemente ilesos e sem levar nada. O investigador foi socorrido pelos Bombeiros e encaminhado ao Hospital Municipal do Campo Limpo, onde continua internado.

O delegado Antônio Sucupira Neto esteve no hospital e disse que a bala transfixou o tórax, mas não atingiu nenhum órgão vital. Policiais militares chegaram a fazer buscas, à procura dos bandidos, mas eles conseguiram escapar.

*Com Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Avenida São Miguel começa a receber ciclofaixa

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes, começou as obras de implantação de ciclofaixa na avenida São Miguel, na Zona Leste. A nova estrutura cicloviária terá 4,85 quilômetros de extensão, entre as avenidas Professor Antônio de Castro Lopes e o cruzamento com as avenidas Dom Helder Câmara e Governador Carvalho Pinto.

Esse trecho, de quase cinco quilômetros, atualmente não conta com estrutura apropriada para os ciclistas. Ao cruzar com a avenida Professor Antônio de Castro Lopes, a ciclofaixa existente na avenida São Miguel não continua em direção à avenida Carvalho Pinto, fazendo com que os usuários tenham que buscar alternativas para pedalar com maior segurança. Essa conexão, hoje inexistente, será proporcionada pela nova ciclofaixa.

A obra na ciclofaixa da Avenida São Miguel começa com os trabalhos de fresagem e recapeamento, junto ao canteiro central da via, no sentido centro. Os trabalhos terão início a partir da interseção com a avenida Professor Antônio de Castro Lopes.

Posteriormente, haverá manutenção das guias e sarjetas, e a última etapa será a aplicação da sinalização, que inclui pintura, tachões e placas que garantirão a segurança dos ciclistas. A previsão é de que a obra tenha duração de 36 dias.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) fará o monitoramento do trânsito, garantido segurança aos pedestres, motociclistas e motoristas. Durante os trabalhos, os trechos serão sinalizados. Haverá faixas comunicando as obras na via, para garantir a segurança da população que circula na região.

Plano Cicloviário

A Prefeitura trabalha com prioridade na execução do Plano Cicloviário, que tem foco na ampliação da malha cicloviária e sua integração a outros modais de transporte coletivo como ônibus, trem e metrô, além da melhoria de grande parte da estrutura da rede existente. Até o fim deste ano, São Paulo terá a maior malha dedicada às bicicletas dentre todas as capitais brasileiras, com 676 km. Serão 173,5 km de novas conexões e 310 km de requalificações. Os investimentos são da ordem de R$ 325 milhões nesta etapa de ampliação e recuperação da infraestrutura cicloviária (a reforma inclui asfalto novo, nivelamento da sarjeta, mais tachões de segurança, sinalização horizontal e vertical).

Já foram entregues conexões importantes nas avenidas Ricardo Jafet, Henrique Schaumann, Jacu-Pêssego e Engenheiro Caetano Álvares. Estão em andamento obras de implantação de estruturas cicloviárias na Avenida Rebouças, Waldemar Tietz, Jornalista Roberto Marinho, Domingos de Morais e Vila Jaguara.

*com informações da Prefeitura de SP

Ciclovia da Marginal Pinheiros volta a funcionar segunda

Após quatro meses fechada por causa da pandemia do novo coronavírus, a ciclovia da Marginal Pinheiros, na capital paulista, será reaberta a partir da próxima segunda-feira (3). Segundo o governador de São Paulo, João Doria, a ciclovia foi totalmente modernizada, adaptada para pessoas com deficiência e está agora com o asfalto revitalizado. 

“A partir de segunda-feira (3), os ciclistas terão de volta a ciclovia da Marginal Pinheiros, totalmente modernizada. Ela será utilizada tanto para a mobilidade dos que vão ou retornam para o trabalho quanto pelos que fazem treinamento ou utilizam a ciclovia para o seu lazer”, disse Doria. “Ela passou por completa reforma, com revitalização do asfalto e da sinalização e foram instaladas câmeras de segurança em toda a sua extensão”, acrescentou.

Segundo Doria, as lombadas foram retiradas das ciclovias, os banheiros ao longo da ciclovia foram reformados e foi instalada uma estação especial de apoio na estação Vila Olímpia da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Além disso, foram instalados contêineres com chuveiros, vestiário e armários e totens para carregamento de celulares.

De acordo com o governador, em breve ela receberá também iluminação, o que permitirá que a ciclovia seja utilizada à noite.

A ciclovia da Marginal Pinheiros tem cerca de 22km de extensão e acompanha a linha 9-Esmeralda da CPTM. Ela foi concedida pela CPTM à iniciativa privada.

Câmeras em funcionários do Metrô

Doria também anunciou hoje (31) que, a partir da próxima segunda-feira (3), os agentes de segurança do Metrô de São Paulo vão começar a utilizar câmeras acopladas aos uniformes para aprimorar as ações de prevenção e atendimento a ocorrências.

Segundo ele, foram investidos cerca de R$ 400 mil na compra de 350 câmeras portáteis, as chamadas bodycams. A previsão é de que, até o final de outubro, todas essas câmeras estejam disponíveis para uso.

“Os agentes de segurança do Metrô de São Paulo passarão a utilizar câmeras acopladas aos uniformes, da mesma maneira que fizemos com a Polícia Militar. As câmeras vão aumentar a transparência nas ações da segurança, melhorar a qualidade da segurança para os usuários e garantir bem-estar a todos que frequentam e utilizam o metrô para trabalhar e se deslocar”, disse o governador.

As câmeras, que são acopladas aos uniformes dos funcionários, captam som e imagens, e não podem ser alteradas pelos agentes.  

Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil 

Cresce número de ciclistas na área central

Por  Flávia Albuquerque

Placa instalada no centro da capital (Reprodução)


Um levantamento sobre o uso das bicicletas na região central de São Paulo, feito por uma empresa de mobilidade em parceria com a Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), mostrou que 1.609 ciclistas passaram pela Rua Líbero Badaró (na intersecção com o Viaduto do Chá e a Praça do Patriarca), no bairro da República, ao longo de 14 horas, no dia 3 deste mês. O volume é 65% maior do que o registrado no ano passado.

Segundo a pesquisa, foram 115 deslocamentos em bicicleta por hora. No dia 27 de novembro, passaram pela Avenida Paulista 3.203 ciclistas, 51% a mais que no ano passado.

De acordo com o levantamento, o fluxo de mulheres usando as ciclovias foi de 5% na República e de 11% na Paulista.

Na República, outro dado da pesquisa chamou a atenção: em 2010, quando foi realizado o primeiro estudo na região, 20% dos ciclistas pedalavam na contramão. Este ano, o percentual caiu para 1%. Isso também ocorreu com o número de ciclistas que trafegavam nas calçadas, que passou de 27% para 3%.

Metodologia 

Segundo a Ciclocidade, o método usado para fazer a contagem foi desenvolvido pela Associação Transporte Ativo, do Rio de Janeiro. O método consiste no uso de uma planilha com um desenho esquemático do local, com espaços a serem preenchidos com a origem e o destino do ciclista, além de informações complementares como acessórios, faixa etária, gênero e tipo de bicicleta, entre outros. 

Os desafios da mobilidade urbana na capital paulista

Bruno Bocchini/Agência Brasil

Congestionamentos prolongam a viagem do paulistano na ida e na volta do trabalho (Reprodução)

Apesar de ter apresentado avanços na questão da mobilidade urbana nos últimos anos, como a extensão dos corredores de ônibus, aumento no número de estações de metrô, e a instalação de ciclovias, São Paulo ainda patina em conseguir atingir um nível satisfatório no sistema de transporte urbano.

Motivação primeira das manifestações de junho de 2013, os problemas de mobilidade na capital paulista permanecem até hoje sendo causa de insatisfação da população. Na pesquisa de opinião com os paulistanos, publicada pela Rede Nossa São Paulo em 2017, os aspectos, áreas e serviços de locomoção no município de São Paulo obtiveram nota inferior a 5,5, em uma escala de zero a dez. O tempo de locomoção na cidade recebeu nota 3,4.

Lançado em 2016, o Plano Municipal de Mobilidade Urbana de São Paulo é considerado avançado, mas as gestões municipais não têm conseguido tirá-lo do papel. Entre suas diretrizes está a prioridade aos pedestres e aos modos não motorizados de transporte, bem como ao transporte coletivo.

Também prevê, entre as principais metas, obras dispendiosas, como a construção de 750 mil metros quadrados (m²) de novas calçadas até 2020 e outros 500 mil m² até 2028. Na área do transporte coletivo, estão previstas ainda a implantação de 150 quilômetros de novos corredores de ônibus e 16 terminais até 2020, além de outros 150 km e sete terminais até 2024 e mais 150 km até 2028, totalizando 450 km.

Fundo de investimento

Para o pesquisador de mobilidade urbana do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Calabria, o gargalo que freia o avanço na mobilidade está na falta de recursos, ou em investimentos que não se efetivam. 

“A mobilidade sofre de não ter nenhuma estrutura pré-organizada para investimento, como por exemplo, o SUS [Sistema Único de Saúde] tem, como a educação tem. A Política Nacional de Mobilidade Urbana [PNMU], aprovada em 2012, coloca essa questão de investimentos como diretriz, como objetivo de política nacional ter que fazer isso, mas ela não traz muito detalhamento”, diz. 

Uma proposta, que será apresentada pelo Idec aos atuais candidatos, é a de estruturar, no âmbito federal, a criação de um fundo ou alguma forma de direcionamento de investimentos para a mobilidade, conforme já determina a Política Nacional de Mobilidade.

“A gente precisa organizar o fundo de acordo com a lei federal de 2012 [PNMU] coloca, como organizar os investimentos para conseguir viabilizar obras de corredores, de metrô, e garantir uma maior dinâmica no transporte, e também buscar de todas as formas reduzir o custo da tarifa do usuário, subsidiar um pouco a tarifa para estimular o uso de transporte coletivo”, destaca.

De acordo com levantamento do Idec, dos R$ 150 bilhões disponibilizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade, da Copa 2014, apenas 10% saíram do papel. Segundo Calabria, atualmente, com uma realidade diferente nas contas do governo, a Emenda Constitucional 95 de 2016, que limita por 20 anos os gastos públicos, pode também interferir negativamente nos investimentos em mobilidade.

“A emenda limitou os investimentos, então isso é muito grave para as obras de mobilidade. Claro que a prefeitura pode buscar formas mais baratas, como faixa exclusiva de ônibus, ou ciclofaixas, mas nos eixos estruturais de transporte, precisa de um corredor mais robusto”, ressalta.

PPPs no Metrô 

Corredor subterrâneo entre as estações Consolação e Paulista, que faz a integração entre as linhas verde e amarela do metrô de São Paulo. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Uma das saídas encontradas em São Paulo para driblar a falta de recursos foi a realização de Parcerias Público-Privadas (PPP) na expansão da rede de transportes, principalmente na metroviária. A primeira PPP do Brasil foi a Linha 4-Amarela do Metrô São Paulo. A linha é, ainda hoje, a única do estado a funcionar com gestão privada.

“A mobilidade sobre trilhos exige investimento de grande vulto por parte do setor público. E uma solução que tem se tentado em São Paulo, e a gente ainda não tem elementos para avaliar o resultado, são as PPPs”, diz o pesquisador da área de transporte do Observatório das Metrópoles, Diamantino Augusto Sardinha Neto. 

A construção da Linha 6 do Metrô São Paulo por meio de PPP, por exemplo, não foi exitosa. O governo estadual iniciou no último mês de março o processo de rescisão contratual com a concessionária Move SP. Em 2015, a empresa havia assumido a responsabilidade de construção e operação da linha ao custo de R$ 8 bilhões. No entanto, em 2018 havia entregue apenas 15% da obra. 

As empresas que formam a concessionária (Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC) não conseguiram mais empréstimos depois que passaram a ser investigadas pela Operação Lava Jato. Em setembro de 2016, a construção já havia sido suspensa. 

“Para construção, o modelo de PPP não tem tido muito sucesso. Existe uma tendência do Poder Público de arcar com a construção e depois conceder à iniciativa privada as linhas”, avalia.

“Esse modelo [construir com recursos públicos e depois conceder à iniciativa privada], está correto? No meu entender, é uma experiência que ainda não se comprovou 100% positiva. Mas os candidatos falam em privatizar o metrô como uma alternativa, como uma solução urbana, melhoria do serviço. A gente tem de observar se isso na prática vai acabar ocorrendo mesmo”.

Três horas diárias no trânsito  

O pesquisador ressalta ainda que mesmo investimentos vultosos no metrô ou nos corredores de ônibus do município, que ainda precisam de melhorias, não seriam suficientes se a cidade não passar a se estruturar a partir de uma nova lógica, e se o PNMU, que dá prioridade ao transporte coletivo, não passar a ser cumprida. 

“Por que não se cria emprego na periferia? Hoje você tem 65% a 70% das oportunidades de emprego no centro da cidade ou no centro expandido da cidade. Se a pessoa quiser ter acesso a renda e ao trabalho e morar em Itaquera [na zona sul], ou no Campo Limpo [zona sul], ela é obrigado a fazer grandes deslocamentos”.

Corredor de ônibus na rua da Consolação, região central de São Paulo. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

De acordo com levantamento da Nossa São Paulo, o paulistano gasta, em média, três horas diariamente no trânsito de São Paulo levando em conta todos os deslocamentos pela cidade. E a pesquisa mostra que a maioria da população paulistana utiliza o transporte coletivo: 47% usam ônibus; 22%, carro; 13%; metrô, 8% andam a pé; 4% utilizam trem; 2%, transporte particular como Uber; 1%, motocicletas; e 1%, bicicleta.

“A solução é priorizar ainda mais o coletivo em relação ao individual. Mas também não acredito que você conseguiria convencer as pessoas facilmente: se tiver um metrô um pouquinho melhor,  você deixa o carro em casa? Não. É preciso ter mais do que isso”, destaca Diamantino. 

“Na Europa, por exemplo, foram adotadas algumas soluções amargas. Eu entendo que se você não tiver algum tipo de restrição, as pessoas não vão abandonar o carro. Agora, você não pode penalizar a população e aplicar uma restrição sem antes oferecer um transporte melhor”, acrescenta.

Ciclovias 

Ciclovia da Avenida Paulista facilita a mobilidade urbana na cidade de São Paulo. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Uma outra solução de mobilidade no município de São Paulo foi a implantação de uma rede cicloviária com 498,3 km de vias permanentes, sendo 468 km de ciclovias (faixas separadas fisicamente dos carros por jardins ou grades) e ciclofaixas (faixas separadas dos carros apenas com tachões ou sinalização) e 30,3 km de ciclorrotas (ruas com velocidade reduzida e com avisos aos motoristas de que se trata de local de trânsito de bicicletas). O ciclista conta ainda com 6.149 vagas em bicicletários públicos, e 121 paraciclos públicos instalados em terminais de ônibus e nas estações de trem e metrô. 

De acordo com a União dos Ciclistas Brasileiros (UCB), o modal, no entanto, parece não estar entre as prioridades dos candidatos e das cidades paulistas.  “Quando a gente faz a análise em nível presidencial, vê que a maior parte dos candidatos sequer está falando de mobilidade. Não é só que não está falando de mobilidade por bicicleta; é mais grave. A gente percebe que a bicicleta continua mais uma vez sendo um tema paralelo em que as pessoas não entendem como um eixo principal da cidade”, destaca a coordenadora de Infraestrutura da UCB, Suzana Nogueira.

Segundo ela, um mapeamento da entidade mostra que metade das cidades paulistas não tem plano de mobilidade. Naquelas onde há, os planos não estão sendo seguidos.

No plano de mobilidade paulistano, está prevista a construção de 1,5 mil quilômetros de malha cicloviária até 2030. No entanto, desde o início de 2017, a cidade passou a não ampliar a rede.  

Ciclovia: prefeitura apresenta novo plano

Ciclovia na Avenida Paulista, região central de São Paulo. (Arquivo/Agência Brasil)

A prefeitura de São Paulo apresentou hoje (3) uma sugestão para o plano cicloviário da cidade. O projeto foi concluído depois de 17 reuniões com a Câmara Temática de Bicicleta do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito e ainda será discutido em audiências públicas nas 32 prefeituras regionais da capital.

O objetivo do plano é garantir a melhoria da mobilidade e mais conexão entre os diferentes modais de transportes, reconhecendo a bicicleta como meio de transporte, com rede cicloviária abrangente, segura e integrada.

Segundo a prefeitura, a cidade de São Paulo conta com 498 quilômetros de malha cicloviária permanente e, até 2028, deverá ter mais 1.420 quilômetros. Além da ampliação da rede de ciclovias e ciclofaixas, o projeto prevê a conexão a terminais de ônibus e estações de metrô e trem.

De acordo com o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto, o plano prevê a requalificação e criação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, com base no tráfego da via; implantação de estruturas de acalmamento de tráfego onde forem implantadas ciclorrotas e melhora da infraestrutura de apoio ao ciclista com bicicletários e paraciclos.

O plano também prevê uma ordem de prioridade da rede cicloviária com base nas características da via, tendo a Rede Estrutural composta pelas principais ligações cicloviárias e formada pelos eixos Norte, Sul, Leste e Oeste, e o Minianel Viário (marginais, avenidas dos Bandeirantes, Tancredo Neves, Juntas Provisórias e Salim Farah Maluf), o anel na região central e uma rede que atravessa a cidade.

Na Rede Regional haverá estruturas de ligação entre comércio, serviço, transporte e lazer com a função de conexão entre os eixos estruturais. E a Rede Local estará em ruas que ligam a rede regional aos bairros e às áreas de interesse local. Da rede local farão parte ruas com baixo volume de veículos que terão tratamento para acalmar o tráfego, com intervenções na geometria para redução de velocidade.

Octaviano informou ainda que o novo plano cicloviário propõe a implantação de infraestrutura para que os ciclistas possam guardar a bicicleta e usar o transporte público. Além dos terminais da SPTrans, que já dispõem de bicicletários, a proposta é incentivar a instalação de tais equipamentos em estações da CPTM e do Metrô, para que o ciclista possa fazer o restante de sua viagem em outro meio de transporte. “Queremos dar a máxima utilidade às ciclovias existentes, promovendo a interligação da malha cicloviária com terminais de ônibus, do Metrô e da CPTM”, acrescentou.

Também estão previstas para este semestre a requalificação de estruturas, como a implantação de ciclofaixa conectando ao Terminal Pinheiros na Ciclofaixa Costa Carvalho; Eixo Estrutural Norte, com uma ciclovia conectando o centro à zona norte; Ciclofaixa Fernandes Moreira, que será substituída pela Ciclofaixa Alexandre Dumas; Ciclofaixa Vila Prudente, será substituída pela Ciclovia Luis Ignácio de Anhaia Melo; e Ciclofaixa Lopes de Azevedo, será substituída pela ciclorrota com tráfego mais leve.

“O novo plano vai trazer racionalidade ao sistema. A ampliação da malha cicloviária será feita de forma gradativa, atendendo às necessidades da população. O objetivo é tornar o uso da bicicleta uma alternativa segura, além de oferecer conectividade a vias estruturais e ao sistema de transporte público”, disse o prefeito Bruno Covas.

(Flávia Albuquerque/Agência Brasil)