Gaeco consegue bloqueio de R$ 4 bilhões do crime organizado

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo conseguiu o bloqueio de R$ 4 bilhões de esquemas de fraude fiscal neste ano. Segundo balanço divulgado pelo grupo, o sequestro de recursos foi um dos resultados das 47 operações realizadas nos primeiros quatro meses de 2021.

Entre os destaques está a Operação Monte Cristo, que teve as investigações iniciadas em 2017. Com diversos desdobramentos, o trabalho, que envolve também a Receita Federal e a Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, identificou fraudes fiscais em um montante que chega a R$ 10 bilhões feitas por redes de farmácias.

As ações do Gaeco atingiram também outras modalidades criminosas, como a adulteração de combustível e o tráfico de drogas.

No primeiro quadrimestre, foram apreendidas 38 armas e 533 munições. Foram também apreendidos mais de R$ 10 milhões em dinheiro. As ações dos promotores levaram ainda à apreensão de 14,6 toneladas de maconha e 1,4 tonelada de cocaína.

Por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil

Bandidos fogem com corpo de vítima do tribunal do crime no banco de trás

Após uma perseguição, a Polícia Militar prendeu dois suspeitos e encontrou, no banco de trás do carro em que eles estavam, o corpo de uma vítima de tribunal do crime. Durante patrulhamento, na madrugada de hoje (16), na Marginal do Tietê, policiais militares foram alertados pelo rádio sobre um veículo com queixa de roubo que havia sido flagrado ao passar por um radar inteligente.

O carro, um Ford Ka preto, foi localizado e passou a ser perseguido. O suspeito acessou a Rodovia Presidente Dutra e, depois, a Rodovia Fernão Dias, no sentido Minas Gerais.

No acesso da rodovia para a Avenida Coronel Sezefredo Fagundes, no Jardim das Pedras, região do Tremembé, o motorista perdeu o controle da direção do carro, que rodou na pista. Alcançados, eles ainda tentaram escapar a pé, mas acabaram detidos.

Com um dos suspeitos foi apreendido um revólver calibre 38, e, no interior do automóvel, no banco de trás, os policiais encontraram o corpo de um homem, decapitado, envolto em um cobertor. A vítima, ainda não identificada, teria sido morta em uma sessão do tribunal do crime a mando da organização criminosa Comando Vermelho, que atua no Rio de Janeiro.

A dupla foi encaminhada ao Distrito Policial do Jaçanã e autuada em flagrante. Segundo a PM,  o carro usado pelos suspeitos havia sido roubado de uma motorista no último sábado.

*Com Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Suspeito tenta fugir, troca tiros com PMs e é baleado

Um criminoso procurado pela Justiça e ligado à facção PCC, segundo a polícia, morreu em troca de tiros com policiais militares na região do Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo. No início da noite desta terça-feira (26), Pms faziam patrulhamento quando desconfiaram do motorista de um veículo e resolveram fazer a abordagem. O condutor, no entanto, acelerou ao perceber a aproximação da viatura, dando início a uma perseguição que terminaria minutos depois na Rua Barcelona, próximo à Avenida Presidente Altino.

No local, o suspeito foi interceptado e teria atirado em direção aos policiais, que reagiram. No revide, o bandido acabou sendo baleado e morreu quando era levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Regional de Osasco, cidade da região metropolitana que está no limite de município com o bairro.

De acordo com a Polícia Militar, o criminoso, identificado posteriormente como sendo Gabriel Almeida Novaes, conhecido por “Biel”, ocupava um cargo na hierarquia na facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios do Estado. O caso foi comunicado ao delegado plantonista do (91º) Distrito Policial da Vila Leopoldina e registrado como “morte decorrente de oposição à intervenção policial” no DHPP, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, que vai investigar a ação dos militares.

*Com informações de Paulo Édson Fiore, da Jovem Pan

Após Criciúma, cidade do Pará vive noite de terror com assalto

Moradores reféns na praça de Cametá, no Pará (Redes Sociais)

Em uma ação bastante parecida com a ocorrida na madrugada do dia 1º em Criciúma, em Santa Catarina, pelo menos 20 criminosos fortemente armados assaltaram uma agência do Banco do Brasil no município paraense de Cametá, na madrugada de hoje (2).

A exemplo do ocorrido em Criciúma, os criminosos fizeram transeuntes reféns, com o objetivo de usá-los como escudo humano durante o enfrentamento com a polícia.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup), os bandidos estavam com armas de grosso calibre, entre elas, fuzis. A ação durou mais de uma hora. 

Informações preliminares apontam que uma pessoa morreu após ter sido usada como refém e alvejada pelos criminosos. Um morador também teria sido atingido na perna. De acordo com a Segup, essa pessoa está internada no hospital da cidade, mas sem gravidade.

Por meio de nota, a secretaria informou hoje (2) que a normalidade já foi restabelecida em Cametá, após a chegada de efetivos policiais de outras cidades.

Uma caminhonete que, segundo as autoridades locais, teria sido utilizada pelos bandidos durante a ação foi encontrada pelas equipes policiais com “diversos explosivos” no km 15 de uma estrada que faz conexão com o município vizinho de Tucuruí.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil 

Operação prende suspeitos de ligação com PCC no litoral

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, nesta quarta-feira (18), com apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo (2º CPChoque), a Operação Colorido, visando a desarticular um grupo dedicado ao tráfico de drogas. Trata-se de desmembramento da Operação Fast Track, deflagrada simultaneamente na capital, om o objetivo de desarticular a célula jurídica da organização criminosa autodenominada Primeiro Comando da Capital (PCC). 

No curso das investigações, apurou-se que, após a transferência de F.G.S., vulgo “Colorido” ou “Azul”, para o sistema penitenciário federal, ele designou W.N.B., vulgo “Bel” ou “Bolacha”, para cuidar de seus negócios relacionados ao tráfico de drogas. A autorização foi transmitida através de uma advogada, alvo da operação deflagrada na capital.

No período do monitoramento do grupo, identificou-se seu envolvimento com a aquisição de mais de R$ 200 mil em entorpecentes oriundos de Corumbá (MS), rota do tráfico de cocaína. “Bel” atuava em sociedade com C.C.S.C., vulgo “Binho”, e ambos ainda contavam com a participação das respectivas companheiras para a movimentação dos valores relacionados ao comércio dos entorpecentes.

Além de atuar no tráfico de drogas, “Bel” exerce a função de apoio da sintonia final do PCC, estando, portanto, próximo ao mais alto escalão da organização criminosa. “Colorido”, por sua vez, é um dos primeiros integrantes do PCC. Ele foi preso em 2001 após uma investigação da Polícia Civil identificá-lo como gerente na receptação de cargas de armas a serem utilizadas em grandes assaltos, principalmente a bancos. Em 2019, “Colorido” recebeu condenação a 36 anos de prisão por envolvimento em homicídios. O homem é considerado como um dos principais líderes da organização criminosa, exercendo a função de sintonia final, o que motivou sua transferência para o sistema penitenciário federal em fevereiro de 2019.

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão e quatro de prisão temporária nas cidades de São Vicente, Santos e Praia Grande.

*MP-SP

PCC é alvo de operação que atinge braço financeiro da facção

Somente contas bancárias bloqueadas superam R$ 730 milhões
(Marco Gomes/via Agência Brasil)

Nesta quarta-feira (30) a Polícia Federal (PF) deflagrou em São Paulo a Operação Rei do Crime. O alvo da ação é um braço financeiro que opera em favor do Primeiro Comando da Capital (PCC) há mais de 10 anos. A investigação interditou mais de 70 empresas e bloqueou, com autorização da Justiça, contas bancárias cujos valores superam R$ 730 milhões.

Em nove cidades – São Paulo (SP), Bauru (SP), Igaratá (SP), Mongaguá (SP), Guarujá (SP), Tremembé (SP), Londrina (PR), Curitiba (PR) e Balneário Camboriú (SC) – mais de 200 policiais federais cumprem em apartamentos de luxo e empresas 13 mandados de prisão preventiva, 43 mandados de busca e apreensão e sequestro de 32 automóveis.

Há ainda nove motocicletas, dois helicópteros, um iate, três motos aquáticas, 58 caminhões e 42 reboques e semirreboques, com valor aproximado que ultrapassa os de R$ 32 milhões em bens sequestrados da facção criminosa. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Entre os investigados estão empresários do setor de combustíveis e até um dos condenados pelo envolvimento no furto ao Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza (CE), em 2005. No total são 20 indiciados. O grupo responderá pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Durante a investigação, a Polícia Federal rastreou movimentações financeiras e identificou a existência de uma rede de combustíveis, inclusive uma distribuidora, que atuava em benefício da facção criminosa, lavando ativos de origem ilícita, por meio de empresas com atuação sólida no mercado e de empresas de fachada ou de laranjas.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras também forneceu relatórios de inteligência financeira à PF. Os documentos apontaram movimentações atípicas do grupo investigado, cujo valor ultrapassa a cifra de R$ 30 bilhões. “De maneira inédita, a Polícia Federal solicitou em juízo a interdição da atividade econômica financeira de 73 pessoas jurídicas (postos de combustíveis, lojas de conveniência e escritórios de assessoria e contabilidade) utilizadas pela facção criminosa para movimentação de valores ilícitos, as quais passarão a ser administradas pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas”, diz nota da assessoria da PF.

A operação foi batizada de Rei do Crime em alusão a empresários que fomentam e financiam organizações criminosas sem praticar as ações violentas por elas perpetradas.

Por Karine Melo – Repórter Agência Brasil 

Sucessor de Marcola no PCC é procurado pela polícia

Membros do Ministério Público e das polícias em entrevista coletiva sobre a Operação Sharks | Foto: Aethur Stabile / Ponte

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) anunciou a prisão de dois integrantes da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) nesta segunda-feira (14/9). A operação, chamada de Sharks, contou com apoio da PM e identificou 21 líderes da facção nas ruas. Destes, um homem morreu em suposto confronto no litoral paulista e outros nove são considerados foragidos. 

Parte dos alvos da investigação já estavam preso, sendo oito dos 21 integrantes da sintonia final das ruas. Durante a coletiva do MP, feita nesta tarde na capital paulista, ainda acontecia movimentação dos policiais para encontrar os nove líderes foragidos. Não foi divulgado se algum deles foi preso após a conversa com os jornalistas. 

Não foi detalhado quem já estava preso anteriormente e quem foi pego nesta ação. Segundo o MP, estão presos Decio Gouveia Luís, o Décio Portugal, Wellington Roberto da Cruz, Patric Uelinton Salomão, Eduardo Aparecido de Almeida, Marcelo Moreira Prado, Robson Sampaio de Lima, Carla Luy Riciotti Lima, Wagner Rodrigo dos Santos, Diego Macedo do Carmo e Levi Adriani Felício.

Nenhuma das investidas policiais feitas pela Sharks encontrou o principal alvo da operação: Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta ou Africano. Ele é considerado o número um do PCC fora das cadeias e sucessor de Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, na liderança da facção desde a transferência da sintonia final para presídios federais, no começo de 2019.

Alem de Tuta, são considerados foragidos Gilberto Flares Lopes Pontes, Gratualino de Sousa Lira, Odair Lopes Mazzi Júnior, Sergio Luiz Ferreira, João Paulo Tomaz de Souza, Edmilson de Menezes, Sergio Luiz de Freitas Filho e Valdeci Alves dos Santos.

“É a operação mais importante depois da transferência da liderança do PCC para o sistema penitenciário federal”, definiu o promotor Lincoln Gakiya, que integra o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), detalhando que não “é a mais importante em quantidade, mas pela qualidade” dos investigados.

Um organograma feito pelos investigadores traça a divisão das ações. A Sintonia Final da Rua, comandada por Marcos Roberto, coordenada todos os trabalhos da Sintonia Raio-X, espécie de ala de informações da cúpula, da Sintonia Progresso, que cuida de determinar missões aos membros, a Sintonia Financeira e a Sintonia de Logística de Fornecimento de Drogas. 

Organograma representando os procurados e presos pela Operação Sharks | Foto: MP-SP / Divulgação

“Conseguimos, através de um trabalho bem feito da força-tarefa, identificar e mapear toda a liderança dessa facção que assumiu as funções com transferência de Marcola [apontado pelo órgão como chefe do PCC] e demais para o sistema federal. “, diz .

Segundo o MP, duas pessoas foram capturadas nesta segunda e uma morreu ao responder com tiros a chegada da polícia, segundo o comandante do Comando de Policiamento de Choque da Polícia Militar de São Paulo, coronel Rogério Silva Pedro. Claudio José Pinheiro Freitas morreu ao atirar nos PMs durante a tentativa de prisão. 

“Infelizmente em Praia Grande (litoral de SP) conseguimos romper a porta de entrada apartamento e o infrator saía de um dos quartos disparando contra policiais, houve necessidade [de responder a tiros]. Não temos policiais feridos”, informa o coronel Rogério.

A investigação aponta para uma nova estrutura dentro do PCC, chamado de setor “Raio X”. É um setor que fica abaixo da cúpula, nomeada internamente de “Sintonia Final” e funcionaria como uma espécie de “escudo” e buscava informações para proteger os demais líderes – ficaria inclusive acima do setor do “Progresso”, focado na arrecadação monetária da facção.

Marcos Roberto de Almeira, conforme investigação do MP, está nas ruas há cerca de três anos, tendo respondido por roubo a banco e tráfico de drogas. Segundo o promotor Lincoln Gakyia, o MP tinha conhecimento de que Tuta assumira a função de Marcola desde a transferências da Sintonia Final Geral para presídios federais, mas não pode agir antes. 

“Uma coisa é identificar, outra coisa é ter provas para pedir a prisão. Tem que ser consistentes”, definiu, segundo complementado pelo procurador-geral do estado de São Paulo, Mário Sarrubbo. “Num estado democrático de direito é necessário ter provas e por isso demora”.

A ação ocorre uma semana após a prisão do advogado Wellington Luiz Pereira de Alcântara por suposta ligação com a cúpula da facção. O defensor teria se comunicado com Marcola e repassado ordens dos líderes para integrantes nas ruas. A promotoria não aponta ligação entre as duas operações da polícia.

Por Arthur Stabile, da Ponte

Operação mira chefes do PCC

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco), com apoio da Polícia Militar e do 1º Batalhão de Polícia Militar de Choque (Rota), deflagrou, na manhã desta segunda-feira (14/9), a Operação Sharks para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra lideranças da maior facção criminosa que age nos presídios e nas ruas do país. As investigações, conduzidas por uma força-tarefa composta por oito promotores de Justiça e agentes de investigação do Gaeco e com apoio da PM, foram iniciadas no primeiro semestre de 2019, a partir do cruzamento de múltiplos dados, mirando integrantes dos principais escalões da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).  

As provas colhidas revelaram que a cúpula da facção comanda sistemática que movimenta mais de R$ 100 milhões anualmente, quantia decorrente, primordialmente, do tráfico de drogas e da arrecadação de valores de seus integrantes, tudo com rigoroso controle em planilhas.  As investigações revelaram a cadeia logística do tráfico de drogas da facção, bem como a sucessão entre suas principais lideranças à frente da fonte de maior renda da organização criminosa, indicando, ao final, a participação de 21 pessoas, algumas presas durante a apuração.

*Com informações do MP-SP

Operação combate lavagem de dinheiro do crime organizado

(PF/Reprodução)

Policiais federais de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro deflagraram, na manhã de hoje (11), a Operação Status com o objetivo de combater a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Na ação estão sendo sequestrados mais de R$ 230 milhões em patrimônio do tráfico de drogas no Brasil e no Paraguai.

O esquema criminoso investigado tinha como ponto principal a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína, por meio de empresas de “laranjas” e empresas de fachada, dentre as quais havia construtoras, administradoras de imóveis, lojas de veículos de luxo, dentre outras. A estrutura, especializada na lavagem de grandes volumes de valores ilícitos, também contava com uma rede de doleiros sediados no Paraguai, com operadores em cidades brasileiras como Curitiba, Londrina, São Paulo e Rio de Janeiro.

Apreensões

No Brasil são 42 imóveis, duas fazendas e estão sendo apreendidos 75 veículos, embarcações e aeronaves, cujos valores somados atingem R$ 80 milhões em patrimônio adquirido pelos líderes da Organização Criminosa. Além das ordens de sequestro, os policiais federais cumprem ainda na operação oito mandados de prisão preventiva e 42 mandados de busca e apreensão, todos expedidas pela 5ª Vara Federal em Campo Grande/MS.

A Operação Status é uma cooperação internacional entre a Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia. Segundo a PF, no Paraguai, estão sendo sequestrados 10 imóveis, no valor aproximado de R$ 150 milhões. Também estão sendo cumpridos no país vizinho quatro mandados de prisão preventiva e busca e apreensão, em 12 locais nas cidades de Assunção e Pedro Juan Caballero.

Ostentação

A operação foi batizada de “Status” em alusão à ostentação de alto padrão de vida mantida pelos líderes da organização criminosa, com participações em eventos de arrancadas com veículos esportivos de alto valor, contratação de artistas famosos para eventos pessoais e residências de luxo.

Por Karine Melo – Repórter Agência Brasil 

Apreensões do tráfico renderam R$ 100 milhões em oito meses

(Reprodução)

O Fundo Nacional Antidrogas (Funad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), arrecadou mais de R$ 100 milhões nos primeiros oito meses do ano em apreensões do tráfico. A soma do dinheiro obtido nas operações de combate ao tráfico é maior do que todo o arrecadado em todo o ano passado (R$ 91,7 milhões).

Entre os recursos das apreensões, R$ 62 milhões vieram da venda de moedas estrangeiras confiscadas nas operações e R$ 19,8 milhões foram obtidos com a venda de patrimônio tomado dos traficantes.

A pasta pretende investir cerca de R$ 40 milhões nas polícias dos estados. Por exemplo, no reaparelhamento do Instituto-Geral de Perícias do Rio Grande do Sul e da Superintendência da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, além de equipamentos de identificação, rastreamento e interceptação de suspeitos para a Polícia Civil do Amazonas.

A decisão de como investir o dinheiro de apreensões cabe à Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do MJSP. “Pegamos os recursos que foram apreendidos do tráfico e investimos nas polícias para equipá-las e capacitá-las para fazerem novas apreensões de bens, gerando novos recursos para o Funad. A estratégia é descapitalizar o narcotráfico por meio dos seus ativos criminais”, explicou o diretor de Políticas Públicas e Articulação Institucional da Senad, Gustavo Camilo Baptista.

O valor arrecadado pelo Fundo também viabilizará a entrega da Escola Nacional de Cães de Faro, na sede da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília, prevista para ser inaugurada em novembro. O investimento de aproximadamente R$ 4 milhões vai reforçar as ações policiais de combate a entorpecentes em todo o país.

Segundo Baptista, a estratégia do governo é concentrar-se na apreensão de bens dos traficantes, para poder reverter isso em benefício da própria polícia. “As drogas têm baixo valor acumulado em si. O governo quer se voltar para a apreensão dos bens do tráfico para enfraquecer as organizações criminosas e fortalecer as polícias”, disse.