Tabata Amaral acusa Eduardo Bolsonaro por difamação em queixa-crime no STF

A deputada Tabata Amaral (PSB-SP) apresentou uma queixa-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado Eduardo Bolsonaro por difamação pelas publicações feitas no Twitter após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) vetar a distribuição gratuita de absorventes para mulheres em condições vulneráveis.

Na ocasião, o filho do presidente insinuou que a parlamentar, autora da proposta, estaria agindo para beneficiar o “lobby de seu mentor-patrocinador Jorge Paulo Lemann”.

Segundo Eduardo Bolsonaro, o financiamento da campanha de Tabata Amaral estaria ligado à P&G e que a empresa produziria os absorventes distribuídos no projeto.

“Não podemos tolerar que as mentiras guiem o debate público, sobretudo quando envolvem lutas essenciais, como o combate à pobreza menstrual!”, declarou a deputada em publicação no Twitter.

por TV Cultura

Após viagem aos EUA, Eduardo Bolsonaro testa positivo para covid-19

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, está com covid-19. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (24/09) por vários sites brasileiros de notícias. O próprio Eduardo teria confirmado seu diagnóstico ao portal de notícias R7.

Eduardo, que estava em Nova York com a comitiva do presidente na ocasião da Assembleia-Geral da ONU, é o segundo membro da delegação a ser diagnosticado com a doença. O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, teve resultado positivo em um teste feito ainda nos Estados Unidos, e somente poderá retornar ao Brasil após cumprir um período de isolamento.

Ao R7, Bolsonaro disse que fez o teste na quinta-feira e o resultado saiu nesta sexta. Ele afirma esta é sua primeira infecção e covid-19. 

“Na live de ontem, Jair Bolsonaro disse que duas pessoas, que são conhecidas da população, testaram positivo. Certamente, eu sou uma delas. A outra não sei quem é”, disse o deputado.

Em postagens no Twitter, ele aproveitou para criticar o passaporte sanitário, adotado por alguns países como medida de prevenção contra o coronavírus, ao permitir acesso a determinados serviços somente a pessoas vacinadas, e disse que já havia tomado a primeira dose da vacina contra a doença.

“Isso significa que a vacina é inútil? Não creio. Mas, é um argumento contra o passaporte sanitário”, escreveu o deputado.

Ele disse que está se sentindo bem e que já começou o tratamento contra a doença, mas não especificou o tipo de medicamentos que está recebendo. Assim com seu pai, Eduardo é um dos defensores do chamado tratamento precoce e do uso de medicamentos comprovadamente não eficazes contra a doença, como a cloroquina.

Tereza Cristina e Bruno Bianco também testam positivo

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que não estava na comitiva do presidente, comunicou que também está com covid-19. Pelo Twitter, ela disse que cancelou todos os compromissos e que está bem e em isolamento, seguindo orientações médicas.

Na terça-feira, Cristina participou de um jantar com o embaixador do Reino Unido no Brasil, Peter Wilson.

Ainda nesta sexta-feira, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Bruno Bianco, também confirmo que testou positivo para o vírus. Bianco esteve na cerimônia de recondução do procurador-geral da República, Augusto Aras, na quinta-feira, em Brasília.

Por Deutsche Welle
as/rc (OTS)

Relator pede arquivamento de processo contra Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro, deputado federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O deputado Igor Timo (Pode-MG) pediu hoje (5) o arquivamento do processo contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Timo é o relator da representação, assinada pelos partidos Rede, PSOL, PT e PCdoB, que pede punição do deputado por quebra de decoro parlamentar ao sugerir, em uma entrevista, em 2019, a adoção de um novo Ato Institucional nº 5  (AI-5), instrumento que endureceu a ditadura militar, em 1968, permitindo, entre outras medidas, o fechamento do Congresso Nacional. Um pedido de vista conjunta adiou a discussão e votação do parecer no conselho.

Os partidos argumentam que Eduardo Bolsonaro abusou das suas prerrogativas como parlamentar e quebrou o decoro por atentar contra os princípios constitucionais. Além do fechamento do Congresso, o AI-5 dava poder ao presidente da República para cassar direitos políticos e mandatos eletivos, confiscar bens de quaisquer pessoas, suspender a vitaliciedade dos magistrados e também suspender a garantia de habeas corpus.

“O discurso a favor de um AI-5 é uma apologia a tudo que este instrumento previu, servindo de incentivo a outras pessoas agirem nesse mesmo sentido, sobretudo pelo discurso ser amplamente divulgado e ter origem não nas palavras de um deputado federal qualquer, mas de um dos filhos do presidente da República”, diz a representação.

Em seu parecer preliminar, Timo considerou as condutas do deputado como “fatos atípicos” e que não feriam o decoro parlamentar. Na avaliação do relator, somente em casos excepcionais e que afetem a “honra do Parlamento” podem configurar quebra de decoro.

“Assim, mesmo que não concordemos com as opiniões extremadas de forma dura pelo representado, não podemos chegar a outra conclusão senão a de que sua fala não configurou grave irregularidade no desempenho do seu mandato, tampouco afetou a dignidade da representação popular que lhe foi outorgada”, escreveu Timo.

Em sua defesa, Eduardo Bolsonaro disse que foi mal interpretado e que nem ele nem o presidente Jair Bolsonaro têm interesse em que haja uma ditadura no Brasil. “Sou o menos interessado também em qualquer tipo de ditadura, porque o poder já está em nossas mãos. Além disso, que poder eu tenho para fazer o AI-5?”, disse.

Daniel Silveira

Na mesma reunião, foram lidos os planos de trabalho dos deputados Alexandre Leite (DEM-SP) e Fernando Rodolfo (PL-PE), relatores de duas representações no colegiado contra o deputado Daniel Silveira.

Silveira é acusado de gravar ilegalmente uma reunião de seu partido ocorrida em outubro de 2019 e de ofender e ameaçar integrantes do Supremo Tribunal Federal, além de também fazer apologia ao AI-5. Os dois relatores propuseram ouvir diversos parlamentares, entre eles, os deputados delegado Waldir (PSL-GO), coordenador da reunião em que os fatos ocorreram, e Felício Laterça (PSL-RJ).

Também serão ouvidos, a pedido da defesa de Silveira, os deputados Carlos Jordy (PSL-RJ), Felipe Barros (PSL-PR) e Luiz Lima (PSL-RJ). Além disso, os relatores disseram que vão requerer ao Supremo Tribunal Federal informações sobre o caso que possam estar contidas em equipamentos como celulares ou notebooks de Silveira.

Por Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil 

China repudia declarações de Eduardo Bolsonaro sobre 5G

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil)

O governo da China protestou nesta terça-feira (24/11) contra comentários feitos pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, no Twitter.

Eduardo, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, acusou o país asiático de espionagem por meio da tecnologia 5G, que é o futuro padrão da telefonia móvel. Ele acrescentou que o Brasil apoia um projeto do EUA para o 5G, que exclui a China.

A embaixada da China no Brasil afirmou que as declarações de Eduardo são infundadas e difamatórias e “se prestam a seguir os ditames dos EUA”. Acrescentou que os comentários do filho do presidente “não são condignos com o cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados”.

“Isso é totalmente inaceitável e manifestamos forte insatisfação e veemente repúdio”, afirmou.

A embaixada ainda insinuou retaliações, ao afirmar que a China vem sendo o maior parceiro comercial do Brasil por 11 anos consecutivos e também um dos com mais investimentos no país.

Segundo a embaixada, declarações de Eduardo Bolsonaro e outras personalidades “solapam a atmosfera amistosa entre os dois países e prejudicam a imagem do Brasil”, afirmando que pode haver “consequências negativas”.

“Instamos essas personalidades a deixar de seguir a retórica da extrema direita norte-americana, cessar as desinformações e calúnias sobre a China e a amizade sino-brasileira, e evitar ir longe demais no caminho equivocado tendo em vista os interesses de ambos os povos e a tendência geral da parceria bilateral. Caso contrário, vão arcar com as consequências negativas e carregar a responsabilidade histórica de perturbar a normalidade da parceria China-Brasil”, diz a nota.

Depois de fazer as afirmações pelo Twitter, o deputado voltou atrás e apagou a postagem.

Eduardo Bolsonaro é um admirador do presidente Donald Trump e nunca escondeu sua preferência por um alinhamento do Brasil à política externa dos EUA.

Polêmica iniciada por Trump

Trump pressiona parceiros dos Estados Unidos a não usarem a tecnologia 5G da empresa chinesa Huawei, uma das líderes no setor, a afirma que ela é usada pelo governo chinês para espionagem.

No dia 10 de novembro, o Brasil expressou apoio a uma iniciativa dos EUA, conhecida como Clean Network, para criar uma aliança global que exclua a tecnologia chinesa 5G, por meio de um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

O Ministério das Comunicações, que é o responsável pela telefonia móvel no país, não assinou o comunicado.

O apoio brasileiro à iniciativa americana não significa que a Huawei esteja impedia de vender seus produtos no Brasil. O leilão do 5G no Brasil está marcado para 2021, e as regras ainda não foram definidas.

Além disso, a Huawei não é uma operadora de telecomunicações – que de fato concorrem no leilão –, mas uma fornecedora de equipamentos. A empresa chinesa está há mais de 20 anos no Brasil e seus equipamentos representam de 35% a 40% dos que são empregados na redes 3G e 4G no país, segundo estimativas do mercado.

As operadoras de telecomunicações do Brasil já deram sinais de que não pretendem abrir mão dos equipamentos da Huawei.

AS/ots

Por Deutsche Welle

Ex-aliada, Hasselmann denuncia 'milícia' e 'gabinete do ódio' dos Bolsonaro

Por José Carlos Oliveira, da Agência Câmara

Deputada Joice Hasselmann durante depoimento na CPMI das Fake News
(Lula Marques/Fotos Públicas)


Ex-líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) denunciou nesta quarta-feira (4) a existência de uma “milícia digital” para espalhar ameaças e ataques à reputação de críticos do governo Bolsonaro. À frente do que chama de “organização criminosa”, estariam o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro, além de outros parlamentares estaduais e seus assessores. Em depoimento à CPMI das Fake News, Hasselmann disse que a “milícia” age sobretudo em grupos fechados de redes sociais, principalmente no Instagram e no Signal.

“Eles escolhem uma pessoa e essa pessoa é massacrada. Eles se escondem atrás de um perfil, como ‘Ódio do Bem’, ‘Isentões’ e ‘Left Dex’”, revelou. A deputada disse ainda que o perfil ‘Ódio do Bem’ teria atacado recentemente a Operação Lava Jato para proteger o senador Flávio Bolsonaro. A orientação desses grupos, segundo ela, é atacar aqueles considerados ‘traidores’. Outro perfil usado nessa estratégia, segundo Hasselmann, seria o ‘BolsoFeios’, administrado por Dudu Guimarães, assessor do deputado Eduardo Bolsonaro.

A deputada também apontou o uso de robôs para alavancar artificialmente  as hashtags #alcolumbremaquiavélico; #deixadeseguirapepa (contra a própria deputada); e #foragilmarmendes.

Joice Hasselmann informou à CPMI que haveria, inclusive, uma tabela para que, a cada dia, fosse produzido um meme ou uma publicação específica para destruir reputações. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia; ex-colaboradores governistas, como Gustavo Bebianno e o general Santos Cruz; e até o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, já teriam sido alvos desses ataques.

Robôs

Deputada relaciona Bolsonaros ao “gabinete do ódio” (Lula Marques/Fotos Públicas)

Segundo Joice, o Twitter é outro instrumento usado pela “milícia” por meio de contas como “Grupo do Ódio” e “Grupo da Maldade”, que viralizam os ataques virtuais por meio de robôs. A deputada apresentou dados do aplicativo Bottometer para afirmar que, dos 5,4 milhões de seguidores da conta do presidente Jair Bolsonaro no Twitter, mais de 1,4 milhão seriam robôs. E dos 1,7 milhão de seguidores do deputado Eduardo Bolsonaro, 468 mil também seriam robôs.

“São quase 2 milhões de robôs em apenas duas contas de twitter. Eu quero crer que o presidente não sabe disso. Mas, pelo que se vê nas conversas do grupo do ‘Gabinete do Ódio’, o deputado Eduardo Bolsonaro está amplamente envolvido e é um dos líderes desse grupo que nós chamamos de milícia digital”, completou.

Segundo a deputada, cada disparo de tuíte via robô custa em média R$ 20 mil. Ela suspeita que os ataques sejam financiados por quase R$ 500 mil de dinheiro público, já que integrantes do chamado “Gabinete do Ódio” seriam assessores de parlamentares governistas.

Financiamento

A relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), pediu foco na investigação do financiamento da chamada “milícia digital”. Ela considerou as acusações muito graves, em especial, a confirmação da existência do chamado ‘Gabinete do Ódio’. “Como foi aqui demonstrado, há três núcleos: o operacional, que conta com assessores de deputados estaduais e federais; o distribuidor, que envolve sites e blogs; e o núcleo econômico, que todos queremos identificar. Nós agora devemos fazer o caminho do dinheiro”.

Citado nas denúncias de Joice, o deputado Eduardo Bolsonaro está em missão oficial em países do Oriente Médio. Vários parlamentares governistas contestaram as denúncias.

Para o deputado Filipe Barros (PSL-PR), Joice Hasselmann fez uma “denúncia falsa”, sem provas, e estaria agindo com “mágoa” por ter sido afastada da liderança do governo no Congresso e não ter recebido o apoio do presidente Bolsonaro para uma possível candidatura à prefeitura de São Paulo.

Vice-líder do PSL, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) minimizou o depoimento. Para Kicis, casos de injúria ou possível calúnia devem ser tratados pela Justiça. “Isso aqui está se transformando em CPMI do não façam meme, não falem de mim, não me chamem de traidora. Mas a deputada Joice não vai conseguir controlar as redes, porque as redes são utilizadas por pessoas, não por robôs”.

Explicações

O deputado Rui Falcão (PT-SP) apresentou requerimento com pedido de explicações formais por parte do Palácio do Planalto. A oposição também cobra informações sobre suposta articulação do vereador Carlos Bolsonaro para criar uma “mídia paralela” e uma “Abin paralela”, agindo independentemente da Agência Brasileira de Informação (Abin).

Joice Hasselmann também denunciou a existência de 26 mil robôs entre os 164 mil seguidores da Aliança pelo Brasil, partido que está em fase de criação pelo grupo mais próximo ao presidente Bolsonaro. Deputados temem que a recente decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de aceitar a assinatura digital para a criação de partidos políticos aumente o risco de fraude por meio de robôs.

Rodrigo Maia classifica como repugnante fala de Eduardo Bolsonaro

Por Tiago Miranda, da Câmara dos Deputados

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados (Luis Miranda/Câmara dos Deputados)


O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em nota que é “repugnante” a declaração do líder do PSL, deputado Eduardo Bolsonaro (SP), sobre a possibilidade de um novo Ato Institucional 5 (AI-5). O AI-5 resultou na perda de mandatos de parlamentares contrários aos militares, intervenções ordenadas pelo presidente e suspensão de garantias constitucionais.

Em entrevista a um canal de youtube, publicada nesta quinta-feira (30), Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, disse que, caso haja uma radicalização da esquerda, a resposta pode ser “um novo AI-5 “.

Rodrigo Maia afirmou que manifestações como a de Eduardo Bolsonaro “têm de ser repelidas como toda a indignação possível pelas instituições brasileiras”. Segundo o presidente da Câmara, a apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas das instituições democráticas. “Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo”, disse.

Confira a íntegra da nota de Maia:

Uma Nação só é forte quando suas instituições são fortes.

O Brasil é um Estado Democrático de Direito e retornou à normalidade institucional desde 15 de março de 1985, quando a ditadura militar foi encerrada com a posse de um governo civil.

Eduardo Bolsonaro, que exerce o mandato de deputado federal para o qual foi eleito pelo povo de São Paulo, ao tomar posse jurou respeitar a Constituição de 1988.

Foi essa Constituição, a mais longeva Carta Magna brasileira, que fez o país reencontrar sua normalidade institucional e democrática. A Carta de 88 abomina, criminaliza e tem instrumentos para punir quaisquer grupos ou cidadãos que atentem contra seus princípios – e atos institucionais atentam contra os princípios e os fundamentos de nossa Constituição.

O Brasil é uma democracia.

Manifestações como a do senhor Eduardo Bolsonaro são repugnantes, do ponto de vista democrático, e têm de ser repelidas como toda a indignação possível pelas instituições brasileiras.

A apologia reiterada a instrumentos da ditadura é passível de punição pelas ferramentas que detêm as instituições democráticas brasileiras. Ninguém está imune a isso. O Brasil jamais regressará aos anos de chumbo.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Liderança do PSL na Câmara muda e Eduardo Bolsonaro assume

Por Heloisa Cristaldo

Eduardo Bolsonaro, deputado federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil)


Após nova mudança, a liderança da bancada do PSL na Câmara dos Deputados passa a ser ocupada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (SP). A informação foi confirmada pela Secretaria-Geral da Mesa (SGM) após verificação de nova lista com apoio de 28 deputados.

Mesmo com a confirmação da liderança, o cenário ainda pode mudar, já que outras duas listas são analisadas neste momento – uma delas apoia o retorno do líder anterior, deputado Delegado Waldir (GO) e a outra tenta garantir a indicação de Eduardo Bolsonaro no cargo. Para garantir a indicação de líder, a lista precisa assegurar apoio de 27 dos 53 deputados do partido.

Em vídeo divulgado pelas redes sociais, Delegado Waldir reconhece Eduardo Bolsonaro como líder e afirma que aceita “democraticamente a nova lista”. “Vou continuar defendendo todas as prerrogativas do Parlamento. Nós não rasgamos a Constituição e a Constituição prevê que o Executivo não deve interferir no Parlamento”, disse o deputado. Entretanto, ainda há um movimento dentro do partido que trabalha pela manutenção do congressista no cargo.

Eduardo Bolsonaro não se manifestou sobre o assunto.

Até o momento, seis listas já foram apresentadas na tentativa de manter o cargo com Delegado Waldir ou repassá-la para Eduardo Bolsonaro.

Impasse

A crise na liderança do PSL na Câmara teve início na noite de quarta-feira (16), quando o deputado Eduardo Bolsonaro apresentou duas listas para assumir o cargo de líder: a primeira às 21h50 e a segunda às 22h27. Ambas continham 27 assinaturas, das quais 26 foram confirmadas na primeira lista, e 24, na segunda. Já a lista de assinaturas apresentada ontem por Delegado Waldir foi apresentada às 22h18, com 31 assinaturas – das quais 29 foram confirmadas.

A definição da liderança foi assegurada após validação do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na manhã de quinta-feira (17). Na ocasião, o parlamentar afirmou que a decisão sobre o líder do PSL caberia à Secretaria-Geral da Mesa da Casa.

Na lista referendada pela Secretaria Geral da Mesa, há três deputados que haviam assinado um documento que apoiava Delegado Waldir: Coronel Chrisóstomo (RO), Daniel Silveira (RJ) e Léo Motta (MG).

Liderança

Pelo Regimento Interno da Câmara dos Deputados, para ocupar o cargo de líder é preciso receber o apoio formal de metade dos parlamentares da bancada mais um. Cada partido tem autonomia para fazer a troca de líder quantas vezes quiser. Geralmente, há um rodízio no cargo, e os parlamentares costumam ser mantidos por, pelo menos, um ano. Os líderes podem ser definidos por eleição interna da bancada ou por aclamação. Somente os partidos com pelo menos cinco integrantes têm direito à liderança.

Governo confirma indicação de filho de Bolsonaro à embaixada

Por  Akemi Nitahara 

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil)

O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Ernesto Araújo, confirmou hoje (26) que o Brasil já enviou para o governo dos Estados Unidos a consulta para a indicação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) como embaixador no país norte americano. Na diplomacia, essa consulta é chamada de agrément.

“Foi pedido o agrément e esperamos a resposta americana. É uma coisa que ocorre de acordo com a praxe diplomática, por seus canais próprios. Eu tenho a minha grande certeza de que será concedido esse agrément pelo governo americano e que o Eduardo Bolsonaro será um ótimo embaixador”, disse Araújo.

A confirmação de Araújo foi feita durante a entrevista coletiva que o chanceler concedeu após a reunião de ministros das relações exteriores do Brics, bloco de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que aconteceu na manhã de hoje (26) no Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro.

Após a etapa de concessão do agrément pelo governo dos Estados Unidos, o nome do embaixador ainda precisa ser aprovado pelo Senado brasileiro.

Ministro defende investigar declaração de Eduardo Bolsonaro

Daniel Mello/Agência Brasil

Alexandre de Moraes, Ministro do STF (Wilson Dias/Agência Brasil)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes defendeu hoje (22) que a Procuradoria-Geral da República investigue o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). No fim de semana, foi divulgado um vídeo nas redes sociais, gravado meses atrás, em que o deputado diz que bastaria um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF).



“É inacreditável que no Brasil do século 21, a Constituição com 30 anos, ainda tenhamos que ouvir tanta asneira vinda da boca de quem representa o povo”, disse ao participar de um evento sobre os 30 anos da Constituição Federal, no Ministério Público de São Paulo.

Para o ministro, a afirmação de Eduardo Bolsonaro pode configurar crime previsto no Artigo 23 da Lei de Segurança Nacional – incitar animosidade entre as Forças Armadas e outras instituições.

“Não é possível que simplesmente se afirme isso e depois se diga que estava brincando. Não se brinca com a democracia, com o estado democrático de direito, com a estabilidade republicana”, disse após enfatizar que o fato merecia “imediata abertura de investigação.”

Parafraseando Thomas Jefferson, terceiro presidente norte-americano, Moraes ressaltou que situações como essa merecem atenção. “Confirma uma das frases mais importantes de um dos grandes democratas, um dos pais fundadores dos Estados Unidos, Thomas Jefferson, que disse: ‘o preço da liberdade é a eterna vigilância’”, destacou. “Nada justifica a defesa de fechamento de instituições republicanas com legitimidade constitucional.”

No vídeo, gravado antes do primeiro turno, Eduardo Bolsonaro é questionado por um estudante sobre a hipótese de o Supremo impedir a posse de seu pai, uma vez que ele seja eleito, se seria o caso de fechar a instituição. O parlamentar respondeu que: “Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo”.

Ontem (21) na sua conta do Twitter, Eduardo Bolsonaro pediu desculpas e justificou a resposta a uma “hipótese esdrúxula”. O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, rechaçou a possibilidade de fechamento do Supremo.