Fernando Haddad sentado. Ao fundo, na parede, uma faixa tem o nome "Fernando" escrito em vermelho e é possível ler, em letras menores, na parte de cima, "título de cidadão diademense".

Haddad lidera corrida eleitoral em São Paulo

A mais recente pesquisa realizada pela Quaest Consulturia e contratada pela Genial Investimentos, divulgada na manhã desta quinta-feira (11), aponta para a liderança de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Governo do Estado de São Paulo. De acordo com o levantamento, o ex-prefeito da capital paulista tem 34% das intenções de voto.

Depois do petista, aparecem Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB). Tanto o ex-ministro da Infraestrutura quanto o atual governador de São Paulo contam com o apoio de 14% dos eleitores paulistas. A eleição ocorrerá em pouco menos de dois meses, e o vencedor assumirá o Palácio dos Bandeirantes em 2023.

Vale lembrar que, desde a última pesquisa, diversos nomes foram cortados. Enquanto Márcio França (PSB) concorrerá a uma vaga no Senado Federal, Abraham Weintraub (PMB) se candidatará para a Câmara dos Deputados e Felício Ramuth (PSD) agora compõe a chapa de Tarcísio como seu vice.

Outro fator a se abordar é o fato de que a pesquisa é estimulada, ou seja, os nomes foram apresentados aos entrevistados. Na pesquisa espontânea, quando não há respostas pré-definidas, a porcentagem de eleitores indecisos chegou a 80%. Nesse cenário, Haddad e Tarcísio empatam tecnicamente, com 6% e 7%, respectivamente.

Para a formulação do estudo, foram ouvidas 2 mil pessoas face a face em todo o estado. Enquanto a margem de erro é de 2,4 pontos percentuais para mais ou para menos, o intervalo de confiança é de 95%.

Foto mostra convenção com várias pessoas no palco, enquanto outras assistem a apresentação.

Pros confirma Pablo Marçal como candidato à presidência

O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) oficializou, ontem (31), a candidatura do empresário e influenciador digital Pablo Marçal à Presidência da República. Não ocorreu anúncio do nome do vice.

A confirmação do nome de Marçal, que destacou que é cristão, ocorreu em meio a hinos de louvor; discursos de membros da diretoria nacional do Pros e gritos de “eu acredito”. O evento serviu também para que o partido pedisse que as pessoas votem também nos candidatos a cargos proporcionais da legenda – que, pela primeira vez, tenta chegar à presidência da República. Em todo o país, mais de 1,5 mil filiados ao Pros disputarão os votos dos eleitores brasileiros nas próximas eleições, em 2 de outubro.

“As polarizações nunca vão acabar. Elas têm que ser perfuradas”, disse Marçal sobre uma de suas motivações para ingressar na política. Classificando a si próprio como “o candidato de terceira via que ninguém tem a coragem de assumir”, Marçal diz já ter um plano de governo com 90 diretrizes.

Foto mostra convenção com várias pessoas no palco, enquanto outras assistem a apresentação.
Convenção do Pros (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Entre suas prioridades está a mudança das regras tributárias e eleitorais. “Não se faz uma reforma tributária se não fizer uma eleitoral primeiro”, comentou Marçal, prometendo que, se eleito, estimulará as empresas e as exportações brasileiras.

“Temos que focar absolutamente nas empresas, pois são elas que geram empregos, não [o setor] político”, ponderou Marçal, antes de se posicionar favoravelmente à “desestatização” da Petrobras e da Eletrobras. “Se você desestatiza uma companhia e a entrega a grupos empresariais, eu mesmo quero ser o primeiro da fila a comprá-la. Porque a Petrobras, por exemplo, é a companhia energética que dá o maior lucro em todo o mundo”.

Marçal também afirma que, se eleito, vai estimular à participação política dos cidadãos e defender o direito do feto à vida. “Vamos fazer uma pequena mudança no Código Penal e aborto passará a ser chamado de assassinato de vida inocente”, disse, declarando, contudo, que é favorável à manutenção dos caso em que a lei permite o aborto (em casos da gestação ser resultado de estupro ou ofereça risco de vida à mulher).

Perfil

Esta é a primeira vez que Marçal disputa a um cargo público. Bacharel em Direito e empresário, o goiano de 35 anos é casado e tem quatro filhos. Ele é conhecido como autor de livros de “auto gestão” e por palestras e vídeos motivacionais. Em sua página na internet, ele também se apresenta como empreendedor imobiliário e digital, estrategista de negócios e especialista em gestão de marcas (branding).

Vera Lúcia discursa ao microfone ao lado de uma mesa formada por homens e mulheres. Faixas com o nome da candidata aparecem no local.

Vera Lúcia é confirmada candidata do PSTU à presidência

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) oficializou ontem (31), em convenção nacional, na capital paulista, o nome da operária sapateira Vera Lúcia como candidata à Presidência da República nas eleições de outubro. O partido também referendou o nome da indígena Kunã Yporã (Raquel Tremembé), da etnia Tremembé, do Maranhão, como candidata a vice-presidente.

Durante seu discurso Vera Lúcia defendeu a estatização das 110 maiores empresas do país, os bancos e a agroindústria, além da revogação das reformas e leis que retiraram direitos dos trabalhadores. Segundo ela, a chapa composta por ela e Raquel Tremembé, é uma chapa indígena, negra e operária, que responde aos setores mais oprimidos da classe trabalhadora brasileira.

Vera Lúcia discursa ao microfone ao lado de uma mesa formada por homens e mulheres. Faixas com o nome da candidata aparecem no local.
Vera Lúcia, do PSTU (Reprodução)

“Nós somos a maioria dos desempregados e precisamos construir um governo e, ao mesmo tempo, organizar a classe trabalhadora para controlar esse governo. Nós queremos governar o país com a classe trabalhadora e os indígenas, porque precisamos devolver suas terras, assim como precisamos devolver as terras dos quilombolas e os direitos que foram conquistados por nós”, afirmou.

Perfil

Kunã Yporã (Raquel Tremembé) tem 39 anos de idade, é indígena da etnia Tremembé, do estado do Maranhão, e é pedagoga. É integrante da Associação de Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) e membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. Kunã Yporã (Raquel Tremembé) é parte atuante das mobilizações dos povos indígenas na oposição ao governo atual.

Vera Lúcia, tem 54 anos e é natural de Inajá, Pernambuco. Operária sapateira, é formada em ciências sociais pela Universidade Federal de Sergipe. Iniciou sua militância ao começar a trabalhar em uma fábrica de calçados, aos 19 anos. Está no PSTU desde a sua fundação, em 1994.

Vera já foi candidata ao governo de Sergipe, à prefeitura de Aracaju e à Câmara dos Deputados. Em 2018, foi candidata à presidência da República e teve como vice o professor Hertz Dias, do Maranhão. Em 2020, Vera foi a primeira mulher negra a disputar a prefeitura de São Paulo (SP), cidade onde mora atualmente.

Urna eletrônica sobre a mesa. Na tela aprece a palavra fim.

Urna eletrônica tem apoio de 79% dos brasileiros

Neste sábado (30), a pesquisa Datafolha revelou que 47% dos brasileiros confiam muito na urna eletrônica, enquanto 32% disseram que confiam um pouco. Estes números equivalem a um índice de 79% de credibilidade para o sistema de votação; os dados foram divulgados na edição desta manhã da Folha de S.Paulo.

O levantamento ainda mostrou que 20% dos entrevistados não confiam nas urnas, e o 1% restante não soube opinar. A pesquisa contou com o ponto de vista de 2.556 pessoas de 183 cidades nesta última semana, entre quarta (27) e quinta-feira (28).

Urna eletrônica sobre a mesa. Na tela aprece a palavra fim.
(José Cruz/Agência Brasil)

Os dados apontaram que o eleitorado do presidente Jair Bolsonaro (PL) tem maior desconfiança nas urnas eletrônicas. 31% declararam que não confiam nos aparelhos de votação; 44% disseram que confiam pouco; apenas 25% confiam muito nas urnas.

Entre os possíveis eleitores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 60% declararam que confiam muito nas urnas, 26% confiam pouco e somente 14% disseram que não confiam.

Na pesquisa de número BR-01192/2022 registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a margem de erro foi de dois pontos para mais ou para menos.

Sofia Manzano será candidata do PCB à presidência

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) homologou hoje (30) como candidata à Presidência da República nas eleições de 2022 a professora e economista Sofia Manzano. A chapa terá, como vice-presidente, o sindicalista Antônio Alves. Para as eleições majoritárias, o partido optou por não fazer coligações com outras legendas. A cerimônia de homologação foi no bairro do Tatuapé, em São Paulo.

As propostas do PCB abrangem revogação de “contrarreformas e de toda a legislação neoliberal contrária aos interesses dos trabalhadores, da juventude e da população pobre”, o que inclui a Lei de Responsabilidade Fiscal e do teto dos gastos e a criação de uma Lei de Responsabilidade Social, que garanta recursos para investimento público no desenvolvimento do país e nas áreas sociais.

(Reprodução)

A reforma tributária defendida pelo partido é “progressiva”, taxando lucros e dividendos, grandes fortunas, heranças e transações financeiras, além de isentar quem ganha até cinco salários mínimos da cobrança do Imposto de Renda. A política defendida pelo PCB é de “recomposição das perdas salariais e valorização do salário mínimo, aliada a uma reforma agrária sob o controle popular e ao combate permanente a todas formas de opressão.

Durante o discurso, Sofia Manzano falou sobre os 100 anos de história do “partidão nas ruas, denunciando as mazelas de um capitalismo que não deu certo por destruir seres humanos e meio ambiente”. Ela defendeu a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais sem redução salarial. Abordou também algumas questões polêmicas como a descriminalização das drogas e do aborto.

“Somos a única candidatura que defende a descriminalização das drogas porque a política de guerra às drogas é na verdade uma política de matança e encarceramento da população negra e jovem. E somos a única candidatura que defende a legalização do aborto, porque o aborto em nosso país só é ilegal e criminalizado para a população pobre. Para mulheres ricas ele não é criminalizado, porque é tranquilamente praticado nas estruturas do mais alto luxo da saúde privada”.  Antônio Alves reiterou o compromisso de levar a palavra do PCB a favelas, comunidades, locais de trabalho e de estudo, moradias e aldeias indígenas. “Vamos estar onde o povo está”, disse.

Perfil

Sofia Manzano nasceu em 19 de maio de 1971 na cidade de São Paulo. Graduada em ciências econômicas pela PUC/SP, é mestra em desenvolvimento econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp e doutora em história econômica pela USP. Foi aprovada em primeiro lugar em concurso público para professora do curso de Economia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), motivo pelo qual mudou-se para Vitória da Conquista em 2013.

Desenvolve pesquisas sobre mercado de trabalho e desigualdade social no capitalismo. A militância no PCB teve início durante a campanha presidencial de 1989. Foi também atuante no movimento sindical. Integrou alguns sindicatos de professores, chegando a ser eleita vice-presidente da Associação de Docentes da Universidade de São Paulo entre 2015 e 2016.

Novo oficializa Felipe d’Ávila como candidato à presidência

O Partido Novo oficializou neste sábado (30), em convenção nacional na capital paulista, a candidatura do cientista político Felipe d’Avila à presidência da República. É a primeira vez que d’Avila se candidata ao cargo máximo do poder executivo. 

A chapa terá como candidato à vice-presidência o deputado federal Tiago Mitraud (Novo), presidente da Frente Parlamentar da Reforma Administrativa. A convenção nacional do partido Novo ocorreu no prédio da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), na zona sul da capital paulista. 

Convenção Nacional do NOVO 2022

Em seu discurso, d’Avila defendeu a união do país e o respeito às diversidades. “[O] Brasil melhor começa com um Brasil para todos, não só para sua tribo, para seu partido, mas para todos. E isso começa com o respeito à diversidade de ideias, de raças, essa é a potência desse país”, destacou. 

“País dividido não cresce, não melhora a vida. País dividido vai continuar pobre, desigual e injusto. Não queremos esse Brasil. O Brasil da esperança começa com algo muito importante, a nossa capacidade, união para quebrar várias tribos que estão sabotando a esperança”, acrescentou.

Felipe d’ Avila, nascido em São Paulo, é cientista político, mestre em administração pública pela Universidade de Harvard e coordenador do movimento Unidos Pelo Brasil. Fundou, em 2008, o Centro de Liderança Pública, uma organização sem fins lucrativos dedicada à formação de líderes políticos. É escritor e tem 10 títulos publicados. Essa é a primeira vez em que ele se candidata ao cargo de presidente da República. 

Montagem de foto com Luiz Inácio Lula da Silva, homem de pele branca, barbas e cabelos grisalhos, aparece ao lado de Jair Bolsonaro, homem de pele branca, sem barba, olhos claros e cabelos penteados para o lado, com fios grisalhos nas laterais da cabeça.

Eleições: Lula está 18 pontos a frente de Bolsonaro, aponta Datafolha

Nova pesquisa Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira (28/07) mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sila (PT) com 47% das intenções de votos na corrida ao Palácio do Planalto, 18 pontos à frente do presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem 29%.

Em relação à última pesquisa Datafolha, publicada em 23 de junho, Bolsonaro subiu um ponto, e Lula permaneceu com o mesmo percentual.

O Datafolha ouviu 2.566 eleitores em 183 municípios nesta quarta e quinta-feira. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Em terceiro lugar, aparece o ex-governador de Ceará Ciro Gomes (PDT), com 8%, mesmo patamar da pesquisa anterior. Simone Tebet (MDB)tem 2%, e André Janones (Avante), Pablo Marçal (Pros) e Vera Lúcia (PSTU) aparecem com 1% cada. Votos em branco e nulos somam 6% e não sabem/não opinaram, 3%.

A pesquisa foi a primeira após o lançamento oficial das principais candidaturas e também a primeira após o Congresso aprovar um grande pacote de auxílios sociais, que ainda parece não ter se refletido positivamente para Bolsonaro.

Lula lidera entre mais pobres, e Bolsonaro, entre mais ricos

O ex-presidente petista segue o mais popular entre os que ganham até dois salários mínimos (54% das intenções de voto). Já Bolsonaro vence entre quem ganha de cinco a dez salários (44% dos votos).

Bolsonaro teve uma subida de seis pontos percentuais entre o eleitorado feminino, somando agora 27%, ante os 46% de Lula. O ex-presidente, por outro lado, aumentou em quatro pontos a vantagem entre o eleitorado masculino, ficando agora 48% das intenções de voto, frente a 32% de Bolsonaro.

Na região Norte, os dois principais candidatos aparecem praticamente empatados: 41% para Lula e 39% para Bolsonaro. O ex-presidente lidera no Sudeste (43% a 28%) e no Nordeste (59% a 24%). O Datafolha ainda não divulgou os resultados nas regiões Sul e Centro-Oeste.

Apesar da farra dos pastores, Bolsonaro ampliou a vantagem entre o eleitorado evangélico, aparecendo agora com 43% (antes tinha 40%). Neste recorte, Lula caiu de 35% para 33%.

Pesquisa espontânea

O Datafolha também divulgou número da pesquisa espontânea, quando opções de voto não são apresentadas aos entrevistados.

O ex-presidente Lula aparece em primeiro lugar, com 38% das intenções de voto, um ponto a mais do que no último levantamento. Bolsonaro tem 26%, um ponto a menos que na pesquisa anterior.

Segundo turno

Em um eventual segundo turno, Lula venceria com 55% dos votos, contra 35% de Bolsonaro. Entre os entrevistados, 7% disse que não votaria em nenhum dos dois candidatos e 2% se mostra indeciso. No levantamento anterior, de junho, Lula venceria por 57% a 34%.

Em um cenário entre Lula e Ciro, o ex-presidente venceria por 52% a 33%, com 14% de votos nulos ou brancos e 2% de indecisos. 

Em uma disputa com Bolsonaro, Ciro venceria com 51% dos votos contra 38% do atual presidente. Brancos e nulos somariam 10% e indecisos, 2%.

le (ots)

Integrantes dos partidos, sentados à mesa, enquanto outros permanecem atrás, em pé.

PSDB e Cidadania anunciam apoio a Simone Tebet

Unidos em uma federação partidária, PSDB e Cidadania aprovaram nesta quarta-feira (27), por unanimidade, o apoio à candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República. Em formato híbrido – virtual e presencial – a convenção foi realizada na sede do PSDB, em Brasília. Tebet, que está hoje na convenção do MDB, fez uma breve participação de forma virtual no encontro de seus apoiadores.

A convenção nacional do MDB deve confirmar Tebet como candidata do partido à Presidência da República. Representantes do chamado centro democrático, MDB, PSDB e Cidadania, se uniram nas eleições deste ano para lançar uma candidatura alternativa às do presidente Jair Bolsonaro (PL) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Integrantes dos partidos, sentados à mesa, enquanto outros permanecem atrás, em pé.
(PSDB/via Agência Brasil)

Mesmo com a declaração de apoio do PSDB à Tebet, o nome do candidato a vice na chapa ainda não foi definido pelo partido. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) é um dos cotados. “A definição da vice depende de uma série de conversas e entendimentos internos de sentido político e eleitoral, em que o propósito final será encontrar aquilo que seja o melhor para a candidatura”, disse Jereissati. “Qualquer que seja a decisão, estarei do lado dela [Simone Tebet]”, acrescentou o senador, na convenção da federação hoje.

Com a indefinição sobre o lançamento de Jereissati como vice, nomes de duas senadoras passaram a ser cogitados: Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Mara Gabrilli (PSDB-SP). Segundo o presidente do PSDB, Bruno Araújo, nome de vice será definido até a data limite, 5 de agosto. Nesse dia, termina o prazo da Justiça Eleitoral para escolha de candidatos pelos partidos.

Aliança

A federação formada por PSDB e Cidadania foi lançada em maio deste ano. Por meio desse formato inédito nas eleições brasileiras, as legendas são obrigadas a manterem-se unidas, como uma só sigla, por pelo menos quatro anos.

Foto mostra dedo apontado para a tecla confirma da urna eletrônica. No visor do urna aparece escrito a palavra "Fim"

Eleições: ONGs pedem que Estados Unidos reconheçam vencedor rapidamente

Representantes de ONGs brasileiras se reuniram nesta terça-feira (26/07) com diplomatas do Departamento de Estado dos EUA e membros do Congresso americano para pedir que Washington reconheça rapidamente o vencedor das eleições presidenciais brasileiras em outubro. O pedido ocorre em meio ao aumento da tensão eleitoral no país sul-americano e ao temor de que o presidente Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição, não reconheça uma eventual derrota no pleito.

“A atenção internacional é fundamental neste momento”, disse Paulo Abrão, diretor executivo do Washington Brazil Office (WBO), o think tank que organizou o encontro.

Em um comunicado, delegações de 19 organizações instaram o governo de Joe Biden a “reconhecer imediatamente o resultado” das eleições “tão logo a Justiça Eleitoral divulgue a contagem dos votos, seja quem for o vencedor do pleito”.

“Proteger a integridade do sistema eleitoral brasileiro e do processo eleitoral é urgente e vital para a sobrevivência da democracia”, afirmou Flávia Pellegrino, da ONG Pacto pela Democracia. “Não é apenas bravata ou especulação. Estamos diante de um processo golpista em curso no Brasil. Queremos que os resultados das eleições sejam reconhecidos e respeitados, ganhe quem ganhar”, acrescentou.

Nos últimos meses, Bolsonaro tem multiplicado ataques contra as autoridades eleitorais e frequentemente tenta minar a confiança no sistema de votação eletrônico do país, afirmando, sem provas, que ele é passível de fraude.

As acusações infundadas de Bolsonaro crescem conforme seu nome aparece em desvantagem nas pesquisas eleitorais. Segundo o último Datafolha, Bolsonaro pode perder para seu principal adversário, o petista Luiz Inácio Lula da Silva, já no primeiro turno.

A comitiva das ONGs que foi aos EUA incluiu representantes do Instituto Vladimir Herzog, da Transparência Internacional, da Comissão Arns e de organizações do movimento negro, ambientalistas e grupos LGTBQ, que apontam que houve um “aumento da perseguição” no Brasil nos últimos anos. As ONGs também afirmaram temer que “a situação piore se as eleições de outubro não forem realizadas de maneira livre”.

O Departamento de Estado dos EUA confirmou a reunião. “O Brasil tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores”, disse um porta-voz da pasta responsável pela diplomacia americana. Rejeitando implicitamente as alegações de fraude de Bolsonaro, o porta-voz completou: “Estamos confiantes de que a eleição de 2022 no Brasil refletirá a vontade do eleitorado.”

Sanders traça paralelo com Trump

Os representantes brasileiros também realizaram encontros com o deputado Mark Takano e com os senadores Bob Menéndez e Bernie Sanders, todos do Partido Democrata, o mesmo do presidente americano Joe Biden.

Em um vídeo divulgado pelo Brazil Office, Sanders falou sobre o encontro e traçou um paralelo entre a situação no Brasil e as ações do ex-presidente Donald Trump em janeiro de 2021, quando o republicano não aceitou a derrota para Joe Biden nas eleições presidenciais americanas e instigou uma turba de extremistas a invadir a sede do Congresso dos EUA.

“Infelizmente, isso tudo soa muito familiar para mim por causa dos esforços de Trump e seus amigos para minar a democracia dos Estados Unidos, então eu não estou surpreso que Bolsonaro tente fazer o mesmo no Brasil”, disse o senador.

EUA pedem respeito à democracia no Brasil

Nos últimos dias, diante dos ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral, o governo dos EUA tem divulgado comunicados pedindo respeito à democracia no país sul-americano.

Um dia depois de Bolsonaro organizar um encontro com embaixadores para atacar o sistema eleitoral, a embaixada dos EUA em Brasília, como contraponto às falas do presidente brasileiro, afirmou que as eleições brasileiras são um modelo para o mundo e que os americanos confiam na força das instituições do Brasil.

Nesta terça-feira, em viagem ao Brasil, o secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, enfatizou a necessidade de os militares estarem sob firme controle civil.

As relações entre o governo Joe Biden e Bolsonaro são frias, apesar de algumas tentativas recentes de reaproximação. Bolsonaro torceu abertamente na última eleição americana para Donald Trump, o rival de Biden. Depois da derrota do republicano, Bolsonaro chegou a endossar falsas acusações de fraude no pleito dos EUA. O Brasil também acabou sendo o último país do G20 a reconhecer a vitória de Biden. Até mesmo adversários dos EUA, como Rússia e China, foram mais rápidos que o governo brasileiro em reconhecer o resultado das eleições americanas.

jps/lf (AFP, ots)

Jair Bolsonaro diante de uma bandeira do Brasil, no telão, com a mão direita sobre o peito.

PL oficializa Bolsonaro como candidato à reeleição

Com a presença de uma mistura de caciques do Centrão, militares da reserva saudosos da ditadura militar, líderes evangélicos ultraconservadores, políticos e influenciadores de extrema direita, o PL oficializou, em convenção realizada neste domingo (24/07), no Rio de Janeiro, a candidatura à reeleição de Jair Bolsonaro e a escolha do general Walter Braga Netto como vice na chapa.

O evento, num ginásio do Rio de Janeiro repleto de apoiadores com as cores verde e amarelo, também foi usado como palco pelo presidente para lançar novos ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Após uma oração comandada pelo deputado pastor Marco Feliciano (PL-SP), o microfone foi passado para a primeira-dama Michelle Bolsonaro, que tem trânsito entre igrejas evangélicas conservadoras e cuja imagem vem sendo instrumentalizada pela campanha como forma de diminuir a forte rejeição que o presidente sofre entre o eleitorado feminino.

“A reeleição não é por um projeto de poder, como muitos pensam, não é por status, porque é muito difícil estar desse lado. A reeleição é por um projeto de libertação”, disse Michelle, numa fala carregada de tom religioso. “Declaramos que o Brasil é do Senhor.”

Falando pouco depois, Jair Bolsonaro também fez uso de linguagem religiosa, adicionando ainda paranoia anticomunista e elogios às Forças Armadas. “Esse é um país cristão, de valores, do presente e do futuro.”

Na sequência, Bolsonaro repetiu falas golpistas e incitou seus apoiadores contra o STF. “Nós temos que respeitar a Constituição”, disse Bolsonaro, em um primeiro momento. Pouco depois, uma primeira menção feita por Bolsonaro provocou fortes vaias e gritos de apoiadores. “Supremo é o povo”, gritaram apoiadores. O presidente esperou pacientemente o público encerrar os sons de repúdio.

Era apenas um ensaio. Minutos depois, Bolsonaro foi mais explícito, convocando seus apoiadores a irem às ruas “uma última vez” no feriado de 7 de Setembro, tal como ocorreu na data de 2021, quando o presidente atacou o Tribunal em eventos que reuniram milhares de pessoas em Brasília e São Paulo.

“Convoco todos vocês agora para que todo mundo no 7 de Setembro vá às ruas pela última vez. Vamos às ruas pela última vez”, disse. “Esses poucos surdos de capa preta têm que entender o que é a voz do povo. Têm que entender que quem faz as leis é o Poder Executivo e o Legislativo. Todos têm que jogar dentro das quatro linhas da constituição”, disse Bolsonaro que passou a distribuir ataques ao STF depois que ministros da Corte ordenaram a prisão de aliados do governo e tomaram algumas iniciativas para impedir que o governo tumultue as eleições.

Em outro momento, ao se voltar para Braga Netto, Bolsonaro ecoou de maneira indireta seu discurso golpista que tenta minar a confiança no sistema eleitoral. Após afirmar que seus apoiadores “são nosso exército”, ele disse: “É o Exército que não aceita fraude. É o Exército que quer, merece e terá respeito, formado por 210 milhões de brasileiros”.

O presidente ainda chegou a pedir que seus apoiadores gritassem “juro dar minha vida pela minha liberdade”. “Repitam”, disse o presidente, que foi atendido pelos presentes.

A convenção do PL ocorre 70 dias antes do primeiro turno da eleição presidencial. No momento, o presidente de extrema direita aparece em grande desvantagem nas pesquisas e seu governo é reprovado por 48% dos brasileiros – somente 26% tem uma visão positiva. Levantamento Datafolha divulgado no final de junho mostra que seu principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está 19 pontos à frente de Bolsonaro, marcando 47% contra 28%, e com chances de ganhar já no primeiro turno. O PT oficializou a chapa de Lula na última quarta-feira.

Durante o evento deste domingo, Bolsonaro atacou Lula, repetindo várias mentiras e recitando velhos elementos da paranoica cartilha bolsonarista. Bolsonaro, por exemplo, afirmou falsamente que o petista quer “descontruir a heteronormatividade” e “criou a ideologia de gênero” para que “crianças a partir dos 5 anos de idade” sejam estimuladas a “fazer sexo”.

Convenção mais “recheada” que em 2018

Entre os participantes da convenção estavam o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro; o ex-presidente e senador Fernando Collor; o ex-ministros Eduardo Pazuello, Onyx Lorenzoni e Tarcísio de Freitas; o senador Romário; e figuras do baixo clero da extrema direita bolsonarista como os deputados Daniel Silveira, Hélio Lopes e Carla Zambelli, além do advogado do presidente, Frederick Wassef, que ganhou notoriedade em 2020 após esconder o ex-faz-tudo do presidente Fabrício Queiroz em um sítio em Atibaia quando este era investigado pela Justiça. O ex-PM Queiroz, por sua vez, nesta semana chegou a publicar nas redes sociais convocações para a convenção deste domingo, mas não apareceu no evento.

A convenção que oficializou a candidatura à reeleição neste domingo contrastou com o evento que marcou o lançamento do nome de Bolsonaro em 2018. No último pleito, o evento foi organizado pelo então nanico PSL e não contou com a participação de figuras políticas relevantes, acabando por ser dominado por uma mistura de militares da reserva e membros desconhecidos da extrema direita que ainda projetavam seus nomes. Naquela campanha, Bolsonaro só viria a conseguir fechar uma aliança com o também insignificante PRTB, sigla que à época abrigava seu atual vice, Hamilton Mourão, hoje no Republicanos.

Desta vez, com o poder da máquina federal, Bolsonaro oficializou um leque de alianças mais robusto. Saiu de cena o nanico PRTB. Entraram o PL, PP, Republicanos e PTB – siglas que somam 179 deputados federais e 19 senadores no Congresso. Caciques do Centrão – grupo de legendas sem ideologia definida que se aproxima de governantes em busca de cargos e verbas – também marcaram presença, entre eles Valdemar Costa Neto (presidente do PL), Ciro Nogueira, (presidente licenciado do PP); e Marcos Pereira (presidente do Republicanos).

Em 2018, vários desses partidos apoiaram a candidatura do então tucano Geraldo Alckmin à Presidência. Na ocasião, Bolsonaro atacou o ex-governador, afirmando que sua aliança reunia “a nata do que há de pior do Brasil”. Uma das cenas mais célebres da convenção de 2018 foi o registro do general Augusto Heleno, no palco, ao lado de Bolsonaro, cantarolando “Se gritar pega centrão, não fica um, meu irmão”.

Embora a rejeição retórica contra o Centrão tenha arrefecido nas fileiras bolsonaristas, isso está longe de ser um sinal de moderação do presidente. Diante da desvantagem nas pesquisas, Bolsonaro tem multiplicado ataques ao sistema eleitoral, especialmente às urnas eletrônicas, espalhando mentiras sobre a segurança dos equipamentos e direcionando críticas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A estratégia vem sendo encarada por observadores como um ensaio para uma eventual tentativa de golpe de estado no caso de uma derrota, a exemplo do que ocorreu nos EUA após o pleito de 2020, quando o republicano Donald Trump – ídolo de Bolsonaro – espalhou falsas acusações de fraude na votação e instigou uma violenta insurreição contra o Congresso americano após fracassar na sua tentativa de reeleição. Embora os principais políticos do Centrão tenham evitado abraçar na totalidade a paranoia em relação às urnas e a retórica golpista de Bolsonaro, os caciques partidários têm mostrado pouco incômodo com as ações do presidente. Ciro Nogueira, por exemplo, chegou a afirmar nesta semana que Bolsonaro tem o “direito de criticar” as urnas.

Braga Netto oficializado como vice

Enquanto a modesta convenção de 2018 foi marcada pela ausência de anúncio do companheiro de chapa presidencial, o evento deste domingo oficializou quem será o vice de Bolsonaro: o general Walter Braga Netto. Desta vez, o presidente decidiu não concorrer novamente ao lado do atual vice, general Hamilton Mourão.

General quatro estrelas de 65 anos, Braga Netto ganhou projeção quando chefiou a operação militar de intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, em 2018, durante o governo do presidente Michel Temer. No período, o estado registrou alguma melhora em alguns índices de criminalidade, mas o saldo final foi alvo de críticas: o número de tiroteios registrou um aumento robusto e o número de mortes causadas pela polícia explodiu. A intervenção também foi marcada por episódios trágicos como o assassinato da vereadora de esquerda Marielle Franco por dois ex-policiais.

Sob o governo Bolsonaro, Braga Netto ganhou ainda mais destaque – muitas vezes negativo. Em 2020, ele assumiu o cargo de ministro-chefe da Casa Civil do governo. Na pasta, coordenou as ações do governo federal no primeiro ano da pandemia, no período que foi marcado pela explosão de casos da doença, atrasos na compra de vacinas e promoção de tratamentos ineficazes e até potencialmente perigosos.

Braga Netto, no entanto, foi em grande medida poupado pela CPI da Pandemia, que evitou antagonizar de frente com as Forças Armadas cooptadas por Bolsonaro. Em 2021, quando passou para a comandar o Ministério da Defesa, o general chegou a divulgar uma nota em tom de ameaça contra o presidente da CPI, senador Omar Aziz, após este apontar que “membros da parte podre das Forças Armadas” estavam “envolvidos com falcatrua dentro do governo”.

Ainda em 2021, dez dias após assumir a pasta da Defesa, Braga Netto divulgou uma ordem do dia direcionada aos quartéis no qual defendeu a celebração do golpe militar de 1964. No texto, o então ministro chamou o golpe de “movimento de 31 de março de 1964” e não fez qualquer menção à ditadura que foi instalada posteriormente ou à dura repressão ocorrida neste período, onde reinou a censura e perseguição política.

Braga Netto repetiu a dose em 2022, desta vez afirmando que o golpe “fortaleceu a democracia” e foi “um marco histórico da evolução da política brasileira”.