Papa Francisco pede às autoridades que facilitem adoção

Papa Francisco segurando o microfone. Enquanto fala, é observado por dois assessores que usam máscara e terno e gravata.

O papa Francisco pediu hoje (5) às autoridades que simplifiquem os procedimentos de adoção e apelou aos casais para que tenham mais filhos, em mensagem na primeira audiência-geral de 2022 no Vaticano.

“Desejo que as instituições estejam sempre dispostas a ajudar, observando com seriedade, mas também simplificando os procedimentos necessários para que se realize o sonho de tantos pequeninos que precisam de uma família e de tantos cônjuges que querem dar amor”, disse.

Diante de dezenas de pessoas reunidas na Sala Paulo VI do Vaticano, durante a audiência-geral que contou com um número surpreendente de circo, o papa refletiu sobre a figura de São José e a paternidade.

Ele acrescentou que “ter um filho é sempre um risco, mas não o ter é ainda mais”, lembrando que a civilização é hoje “um pouco órfã”.

Francisco destacou que a adoção “não é um vínculo secundário” e que essa escolha “está entre as formas mais elevadas de amor e paternidade”.

“Não se deve ter medo de escolher o caminho da adoção, de assumir o `risco` do acolhimento. Espero que as instituições estejam sempre dispostas a ajudar nesse sentido, monitorando seriamente, mas também simplificando o procedimento necessário. Realizar o sonho de tantos pequeninos que precisam de uma família”, disse.

Ao final da audiência, um grupo de integrantes do circo Ronny Roller, que se encontra em Roma, apresentou, diante do pontífice, uma peça que incluiu malabarismos, exercícios de ginástica e música.

Por RTP

Jovens estão nas redes sociais, mas são pouco sociáveis, diz Papa Francisco

Papa Francisco segurando o microfone. Enquanto fala, é observado por dois assessores que usam máscara e terno e gravata.

O papa Francisco alertou hoje (6) que muitos jovens “estão nas redes sociais, mas não são muito sociáveis”, vivendo “prisioneiros dos seus telemóveis”. Durante encontro em Atenas, na Grécia, Francisco pediu que eles se encontrem e  não se fechem. Ele encerrou visita ao país, onde chegou no sábado passado procedente do Chipre, em sua 35ª viagem.

“Corremos o risco de esquecer quem somos, obcecados por milhares de aparências, por mensagens esmagadoras que fazem a vida depender das roupas que vestimos, do carro que conduzimos, da maneira como os outros nos olham”, alertou o papa, no pavilhão desportivo da escola internacional de São Dionísio das monjas ursulinas de Atenas, diante de jovens, professores e religiosos, sentados a distância devido às medidas de combate ao novo coronavírus.

Papa Francisco segurando o microfone. Enquanto fala, é observado por dois assessores que usam máscara e terno e gravata.
Papa Francisco durante voo (Vatican News/Reprodução)

Francisco aconselhou os jovens a reconhecerem o seu próprio valor, por aquilo que são e não por aquilo que possuem. “Não tens valor pela marca de roupa ou calçado que usas, mas porque és único, és único”, disse.

Ele citou como exemplo uma passagem da Odisseia de Homero, especialmente quando o personagem Ulisses encontra as sereias durante a sua jornada, e elas atraem os marinheiros com os seus cantos para os fazerem chocar contra os recifes.

As sereias de hoje “querem hipnotizá-los com mensagens sedutoras e insistentes” e “visam o lucro fácil, as falsas necessidades do consumismo, o culto ao bem-estar físico, a diversão a todo o custo”, disse.

“Queres fazer algo novo na vida? Queres rejuvenescer?” perguntou Francisco. “Não te contentes em publicar um post ou um tuíte. Não te contentes com encontros virtuais, procura os reais, principalmente com aqueles que precisam de ti; não procures visibilidade, mas sim os invisíveis. Isso é original, isso é revolucionário”, afirmou.

Para o papa, atualmente muitos jovens “estão nas redes sociais, mas não são muito sociáveis, encerrados em si mesmos, prisioneiros do telemóvel que têm nas mãos”. “No ecrã [tela] falta o outro, os seus olhos, a sua respiração, as suas mãos”, insistiu.

“O ecrã facilmente se torna um espelho, onde tu pensas que estás diante do mundo, mas na realidade estás sozinho num mundo virtual cheio de aparências, de fotos alteradas para ficarem sempre lindos e em forma”, disse.

O papa pediu aos jovens que saiam “das suas zonas de conforto” porque, embora “seja mais fácil sentar-se no sofá em frente à televisão”, isso é “algo de velhos”.

“Ser jovem é reagir, abrir-se quando se sente só, procurar os demais quando vier a tentação de se fechar”, acrescentou.

Ele deu um último conselho: “Sonhem grande! E sonhem juntos! Mesmo que haja sempre alguém que vos diga: `Deixem estar, não arrisquem, é inútil`”. O papa considerou esses últimos “como anuladores de sonhos, assassinos da esperança, nostálgicos incuráveis do passado”.

A viagem ao Chipre e à Grécia foi marcada principalmente pela denúncia da indiferença dos países europeus perante o problema das migrações.

Por RTPPapa diz que jovens estão nas redes sociais, mas são pouco sociáveis

Papa expressa vergonha por crimes sexuais na Igreja Católica da França

Papa Francisco (Vatican News/Reprodução)

O papa Francisco expressou nesta quarta-feira (06/10) vergonha pela “longa incapacidade da Igreja” de lidar com casos de padres pedófilos, após a publicação de um relatório que denuncia mais de 300 mil casos de abuso ou agressão sexual dentro da Igreja Católica da França num período de 70 anos.

“É um momento de vergonha”, disse Francisco durante a sua audiência geral semanal, expressando às vítimas a sua “tristeza e dor pelos traumas que sofreram”.

De acordo com o relatório publicado na terça-feira por uma comissão independente, desde 1950 mais de 300 mil menores de idade, a maioria meninos, sofreram abuso ou agressão sexual em instituições da Igreja Católica da França.

Segundo o documento, escrito após dois anos e meio de pesquisas, cerca de 216 mil crianças ou adolescentes foram vítimas de clérigos católicos ou religiosos entre 1950 e 2020.

O número de vítimas sobe para 330 mil se considerados os agressores leigos que trabalham em instituições da Igreja Católica, como professores de escolas, disse o presidente da Comissão Independente sobre os Abusos da Igreja (Ciase, na sigla em francês), Jean-Marc Sauvé, que é vice-presidente do Conselho de Estado da França.

“Infelizmente são números enormes”, disse o papa, referindo-se ao relatório. “Desejo exprimir às vítimas a minha tristeza e a minha dor pelos traumas que sofreram, a minha vergonha, a nossa vergonha, pela longa incapacidade da Igreja em colocá-los no centro das suas preocupações”, afirmou.

Francisco também encorajou bispos, fiéis, superiores e religiosos a continuarem todos os esforços para que fatos semelhantes não se repitam e expressou apoio aos religiosos franceses para superar “esta provação”. 

O papa Francisco convidou também os católicos franceses a assumirem “suas responsabilidades para que a Igreja seja um lar seguro para todos”.

Números podem estar subestimados

Após a publicação do relatório, o Vaticano afirmou que o papa expressava sua dor e dizia que os seus pensamentos se dirigiam “em primeiro lugar às vítimas, com grande dor, pelas suas feridas”, agradecendo pela coragem de denunciar os fatos.

O presidente da Confederação dos Bispos da França, Eric de Moulins-Beaufort, expressou vergonha e horror e pediu perdão às vítimas.

O líder da associação de vítimas Parler et Revivre, Olivier Savignac, que contribuiu com a investigação, sublinhou que a elevada proporção de vítimas por agressor é particularmente “aterrorizante para a sociedade francesa e para a Igreja Católica”.
 
O relatório teve origem no escândalo que envolveu o ex-padre Bernard Preynat, condenado, em 2020, a uma pena de prisão de cinco anos por ter abusado sexualmente de mais de 75 rapazes durante décadas.  

Uma das vítimas de Preynat, François Devaux, líder do grupo de vítimas La Parole Libérée, considerou que “com esse relatório, a igreja francesa vai, pela primeira vez, à raiz desse problema sistêmico”.

Os responsáveis pelo relatório disseram que tanto o número de vítimas como o de agressores sexuais pode estar subestimado. “Algumas vítimas não ousaram falar ou confiar na comissão”, disse Devaux.
  
Por Deutsche Welle
as/lf (Lusa, AFP)

Após cirurgia, Papa reage bem ao procedimento

Papa Francisco durante audiência no Vaticano (Vatican News/Reprodução)

A cirurgia pela qual o papa Francisco passou neste domingo (4) terminou e o pontífice reagiu bem ao procedimento, de acordo com um comunicado do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni. “O Santo Padre, internado à tarde no Hospital A. Gemelli, foi submetido à noite a uma operação cirúrgica programada para tratar uma estenose diverticular do cólon”, informou Bruni,

Segundo Bruni, o papa Franscisco “reagiu bem à operação”. 

O hospital onde o papa Francisco foi operado é um extenso hospital e escola de medicina administrado por católicos e localizado na parte norte de Roma. Tradicionalmente a instituição trata os papas e uma parte de seu 10º andar está permanentemente reservada para eles.

Algumas horas antes da cirurgia, o papa realizou sua benção de domingo para milhares de pessoas que estavam na Praça de São Pedro e anunciou uma viagem para a Eslováquia e para Budapeste em setembro.

Francisco sofre de estenose diverticular sintomática do cólon, uma condição em que bolsas em forma de saco se projetam da camada muscular do cólon, fazendo com que se torne estreito. Além de causar dor, a condição pode causar distensão abdominal, inflamação e dificuldade para evacuar.

Francisco às vezes fica sem fôlego porque uma parte de um de seus pulmões foi removida após uma doença quando ele era jovem e morava na Argentina, sua terra natal.

Por Agência Brasil
* Com informações de agência internacionais

Papa diz que “Brasil vive uma de suas provas mais difíceis”

O papa Francisco manifestou nesta quinta-feira (15/04) solidariedade com as centenas de milhares de famílias que sofrem com a perda de um ente querido no momento em que o Brasil enfrenta “uma das provas mais difíceis da sua história” devido à pandemia de covid-19.

Francisco falou sobre a grave situação no Brasil numa mensagem em vídeo enviada aos participantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que desta vez reúne 485 bispos de forma virtual.

“Jovens e idosos, pais e mães, médicos e voluntários, ministros sagrados, ricos e pobres: a pandemia não excluiu ninguém no seu rastro de sofrimento”, afirmou o pontífice. Ele pediu a Deus que conforte os familiares das vítimas da covid-19, lembrando que muitos sequer puderam se despedir.

O papa convidou os bispos a acompanhar o povo que sofre e a dar consolo aos familiares. “A caridade nos urge a chorar com os que choram e a dar uma mão, sobretudo aos mais necessitados, para que voltem a sorrir.”

Francisco disse que atuar como “instrumento de reconciliação e unidade” é a missão da Igreja Católica no Brasil, “hoje mais do que nunca”. O pontífice instou a Igreja a deixar suas “divisões e desacordos” e a ser um “exemplo de humanidade”.

Dessa forma, continuou, a sociedade e os governantes do Brasil serão inspirados a “trabalhar juntos para superar não só o coronavírus, mas também outro vírus, que há muito infeta a humanidade: o vírus da indiferença, que nasce do egoísmo e gera injustiça social”. 

“É possível superar a pandemia. É possível superar suas consequências, mas só o conseguiremos se estivermos unidos”, disse o papa. “A conferência episcopal deve ser uma neste momento, pois o povo que sofre é um.”

Com mais de 365 mil mortos, o Brasil é o segundo país com mais óbitos ligados à covid-19 no mundo, depois dos Estados Unidos. O número de infectados passa de 13,7 milhões, fazendo do país o terceiro em número de casos, depois dos EUA e da Índia.

O Brasil vive o pior momento da pandemia, com hospitais sobrecarregados e filas por leitos de UTI. Março foi o mês mais mortal da epidemia no país, com mais de 66 mil óbitos, e especialistas afirmam que abril terminará com um saldo ainda pior.

Por Deutsche Welle
lf (AFP, Lusa, ots)

No Iraque, Papa diz que a esperança é ‘mais forte que a morte’

O papa Francisco celebrou, na manhã deste domingo (7), na cidade de Mossul, uma cerimônia de orações pelas vítimas da guerra no Iraque. Na saudação, o pontífice reafirmou que, apesar de tudo, a fraternidade é mais forte que o fratricídio, a esperança, mais forte que a morte, e a paz, mais forte que a guerra.

A cerimônia foi na Hosh al-Bieaa, a praça das quatro igrejas: sírio-católica, armeno-ortodoxa, sírio-ortodoxa e caldeia, destruídas por ataques terroristas entre 2014 e 2017. Depois de ouvir testemunhos de um sunita e do pároco local, que falaram das perdas e dos deslocamentos forçados, o papa fez uma breve saudação e rezou pelas vítimas e pelo povo iraquiano.

“A trágica redução dos discípulos de Cristo, aqui e em todo o Médio Oriente, é um dano incalculável não só para as pessoas e comunidades envolvidas, mas também para a própria sociedade que eles deixaram para trás”, afirmou Francisco.

O papa destacou que um tecido cultural e religioso tão rico de diversidade se enfraquece com a perda de qualquer um dos seus membros, por menor que seja, como, em um dos artísticos tapetes iraquianos, “um pequeno fio rebentado pode danificar o conjunto”.

Papa Francisco desfilou de papa móvel (Vatican News)

“Como é cruel que este país, berço de civilizações, tenha sido atingido por uma tormenta tão desumana, com antigos lugares de culto destruídos e milhares e milhares de pessoas – muçulmanas, cristãs, yazidis e outras – deslocadas à força ou mortas!”, enfatizou Francisco, primeiro papa a visitar o Iraque.

Localizada no norte do Iraque, Mossul é a terceira maior cidade do Iraque, depois de Bagdá e de Baçorá.

Por Vatican News

Em visita surpresa, Papa se encontra com sobrevivente do Holocausto

Edith e Papa Francisco (Vatican News/Reprodução)

O papa Francisco fez uma visita surpresa neste sábado (21/02) à casa de Edith Bruck, autora de origem húngara e sobrevivente do Holocausto, e prestou homenagem a todos que foram mortos pela “insanidade” nazista.

Bruck, de 89 anos, que vive em Roma, nasceu em uma família judaica e foi levada a uma série de campos de concentração, nos quais perdeu o pai, a mãe e o irmão.

Um porta-voz do Vaticano, que anunciou a visita após ela ter acabado, disse que os dois conversaram sobre o que ela viveu nos campos de concentração e o quanto é importante que futuras gerações tenham consciência do que aconteceu.  Segundo o Vaticano, em sua conversa, eles “ressaltaram o valor da memória e o papel dos mais velhos em cultivá-la e transmiti-la aos mais jovens”.

“Eu vim agradecer pelo seu testemunho e prestar homenagem às pessoas martirizadas pela insanidade do populismo nazista”, disse o papa a Bruck segundo o Vaticano.

Bruck, que vive na Itália há décadas e escreve em italiano, tinha aproximadamente 13 anos quando foi levada para o campo de Auschwitz na Polônia ocupada pela Alemanha nazista.

Papa Francisco e Edith (Vatican News/Reprodução)

Sua mãe morreu em Auschwitz, e seu pai, no campo de Dachau, na Alemanha, para onde ela foi levada posteriormente. Em Dachau, ela cavou trincheiras e ajudou a construir ferrovias, disse recentemente ao jornal do Vaticano, Osservatore Romano.

Após a divulgação da visita, o Congresso Judaico Mundial (CJM) saudou, neste domingo, saudou a ação do papa, destacando sua “integridade moral” e seu “senso de história”.

“Enquanto o neonazismo, o antissemitismo e outras formas de racismo voltam a surgir em muitos lugares do mundo, a integridade moral e o senso da história do papa Francisco são um exemplo a ser seguido pelos outros líderes políticos e religiosos”, disse o presidente do CJM, Ronald Lauder, em um comunicado.

Por Deutsche Welle

*jps (reuters, afp)

Papa Francisco e Bento 16 são vacinados contra covid-19

Papa Francisco e Bento 16 (Vatican News/Reprodução)

O papa Francisco, de 84 anos, e o papa emérito Bento 16, de 93, foram vacinados contra a covid-19, informou nesta quinta-feira (14/01) o Vaticano.

“Hoje podemos confirmar que a primeira dose da vacina foi fornecida ao papa Francisco e ao papa emérito como parte da campanha de vacinação iniciada no Vaticano”, explicou o porta-voz da Santa Sé Matteo Bruni.

Francisco recebeu a primeira dose da vacina da Pfizer-Biontech no pátio do Salão Paulo 6º, local preparado para a campanha de vacinação, e receberá a segunda dose em três semanas, assim como Bento 16. Ambos estão na lista de prioridades que inclui os idosos e profissionais da saúde e segurança do Vaticano.

A campanha de vacinação na cidade-Estado teve início nesta quarta-feira, e deve imunizar seus pouco mais de 800 habitantes e cerca de 3 mil funcionários. O Vaticano não divulgou imagens da vacina sendo aplicada nos dois papas.

A Direção de Saúde e Higiene da Cidade do Vaticano informou que cerca de 10 mil vacinas foram reservadas junto aos fornecedores. As primeiras doses chegaram na última terça-feira.

“Todos têm que ser vacinados”, diz o pontífice

Os menores de 18 anos não serão vacinados porque “ainda não foram realizados estudos que incluam esta faixa etária”. No caso de pessoas com alergias, os médicos do Vaticano afirmaram que “é sempre aconselhável uma avaliação médica antes de se submeterem a qualquer tipo de vacinação”.

Em uma entrevista recente à emissora italiana Mediaset, o papa Francisco já havia dito que iria se vacinar e saiu em defesa das campanhas de imunização contra o coronavírus.

“Acredito que, do ponto de vista ético, todos têm que ser vacinados, porque diz respeito à sua vida, mas também a dos outros”, disse Francisco. O papa disse ainda que há um incompreensível “negacionismo suicida” sobre a eficácia da vacina.

“Não sei por que alguns dizem ‘não, a vacina é perigosa’, mas se os médicos a apresentam como algo que pode ser bom, que não apresenta riscos particulares, por que não nos vacinarmos?”, observou o pontífice.

Por Deutsche Welle

RC/lusa/efe

Mundo precisa de “vacina para o coração”, diz Papa

(Vatican News/Reprodução)

O Papa Francisco disse hoje que 2021 será “um bom ano” se as pessoas cuidarem umas das outras e salientou que, além de uma vacina contra o coronavírus, o mundo precisa de uma “vacina para o coração”.

“Não é bom conhecer muitas pessoas e muitas coisas se não tomarmos conta delas. Este ano, enquanto esperamos pela recuperação e novos tratamentos, não negligenciemos os cuidados. Porque, além da vacina para o corpo, precisamos da vacina para o coração, que é o cuidado. Será um bom ano se cuidarmos dos outros”, disse.

As palavras do Papa foram lidas numa homilia pelo secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, durante a Missa de Ano Novo, dedicada à “solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus”, que foi celebrada hoje no Vaticano.

O Papa Francisco foi impedido de presidir a esta missa e também às vésperas de 31 de dezembro de 2020, por causa de uma dor ciática, segundo o porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni.

Jorge Bergoglio deixou, no entanto, a homilia escrita para que o Cardeal Parolin pudesse ler as suas palavras aos poucos participantes e meios de comunicação social que puderam estar na Basílica de São Pedro, no Vaticano, devido às medidas preventivas para evitar a propagação do coronavírus.

A missa foi celebrada sem os fiéis e numa basílica vazia.

O Papa enfatizou três palavras – bênção, nascimento e encontro – , e salientou o papel da Virgem Maria, neste dia em que a Igreja Católica também celebra o 54.º Dia Mundial da Paz, este ano sob o lema “A cultura do cuidado como caminho para a paz”.

“Não estamos no mundo para morrer, mas para gerar vida”, disse o Papa, acrescentando: “O primeiro passo para dar vida ao que nos rodeia é amá-la dentro de nós próprios.

Sublinhou a importância de “educar o coração para cuidar, para valorizar as pessoas e as coisas”, para que as sociedades cuidem dos outros e do mundo.

Considerou que “o mundo está seriamente contaminado por dizer coisas más e por pensar mal dos outros, da sociedade, de si próprios”, e assegurou que “a maldição corrompe, faz tudo degenerar” e que “a bênção regenera, dá força para recomeçar”.

No final da homilia, Francisco perguntou-se a si próprio o que as pessoas deveriam encontrar no início de 2021 e respondeu: “Seria bonito encontrar tempo para alguém. O tempo é uma riqueza que todos temos, mas da qual temos inveja, pois queremos usá-lo apenas para nós próprios”.

Assim, encorajou as pessoas a dedicarem momentos aos outros, especialmente aos “que estão sós, aos que sofrem, aos que precisam de ser ouvidos e cuidados”.

O calendário das celebrações do Natal do Vaticano continua até 6 de janeiro com a Missa da Epifania do Senhor.

Por RTP

Dia Mundial da Paz: Papa lembra vítimas da pandemia

(Vatican News/Reprodução)

O papa Francisco lembrou (17) hoje as vítimas da pandemia e os que se dedicaram ao cuidado dos doentes, em mensagem pelo Dia Mundial da Paz, e pede que as vacinas cheguem também aos países mais pobres.

Na mensagem pelo 54º Dia Mundial da Paz 2021 (1º de janeiro) com o título “A cultura do cuidado como percurso para a paz”, divulgada nesta quinta-feira, ele diz que a pandemia agravou outras crises, como a climática, a alimentar, a econômica e a da migração.

“O ano de 2020 ficou marcado pela grande crise sanitária da covid-19, que se transformou num fenômeno plurissetorial e global, agravando fortemente outras crises interrelacionadas como a climática, alimentar, econômica e migratória, e provocando grandes sofrimentos e incómodos”, escreve o papa na mensagem.

Ele lembra ainda os que perderam familiares ou pessoas queridas, os que ficaram sem trabalho e todos os que trabalham na linha da frente.

“Penso, em primeiro lugar, naqueles que perderam um familiar ou uma pessoa querida, mas também em quem ficou sem trabalho. Lembro de modo especial os médicos, enfermeiras e enfermeiros, farmacêuticos, investigadores, voluntários, capelães e funcionários dos hospitais e centros de saúde, que se prodigalizaram – e continuam a fazê-lo -, com grande fadiga e sacrifício, ao ponto de alguns deles morrerem quando procuravam estar perto dos doentes, a fim de aliviar os seus sofrimentos ou salvar-lhes a vida”.

O papa também reitera seu apelo “aos políticos e ao setor privado para que adotem as medidas apropriadas, a fim de garantir o acesso às vacinas contra a covid-19 e às tecnologias essenciais necessárias para prestar assistência aos doentes e aos mais pobres e frágeis “.

Algumas organizações não governamentais assinaram recentemente um documento alertando que “nove em cada dez pessoas em países pobres não terão acesso à vacina contra a covid-19 no próximo ano.”

O texto adverte também para o ressurgimento de várias formas de “nacionalismo, racismo, xenofobia e também guerras e conflitos”, que “semeiam morte e destruição”.

“É doloroso constatar que, infelizmente, junto com numerosos testemunhos de caridade e solidariedade, várias formas de nacionalismo, racismo, xenofobia e mesmo guerras e conflitos que semeiam morte e destruição estão a ganhar novo impulso”.

Francisco propõe na mensagem “a cultura do cuidado como forma de paz” e “a erradicação da cultura da indiferença, da rejeição e do confronto, que hoje costuma prevalecer”.

“Encorajo todos a se tornarem profetas e testemunhas da cultura do cuidado, para preencher tantas desigualdades sociais”, afirma.

Ele destaca que “isso só será possível com o papel generalizado da mulher, na família e em todas as esferas sociais, políticas e institucionais”.

O papa lamenta que “em muitas regiões e comunidades já não se lembrem de uma época em que viviam em paz e segurança” e denuncia o “desperdício de recursos com armas, em particular com armas nucleares” considerando que os recursos deveriam ser utilizados para prioridades a fim de garantir a segurança das pessoas, como a promoção da paz e do desenvolvimento humano integral, a luta contra a pobreza e a satisfação das necessidades de saúde.

“Que decisão corajosa seria criar um fundo global com o dinheiro usado em armas e outras despesas militares para poder derrotar definitivamente a fome e ajudar o desenvolvimento dos países mais pobres!”, defende.

Francisco observa que a educação solidária deve partir da família, “onde se aprende a conviver na relação e no respeito mútuo”, mas lembra que é também missão da escola e da universidade e, da mesma forma, em alguns aspectos, da comunicação social “.

Por outro lado, considera que “as religiões em geral, e os líderes religiosos em particular, podem desempenhar papel insubstituível na transmissão aos fiéis e à sociedade dos valores da solidariedade, do respeito pelas diferenças” e do cuidado com os mais frágeis.

Francisco pede a todos que “alcancem o objetivo de uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e compreensão mútua”.

O Dia Mundial da Paz foi instituído em 1968 pelo papa Paulo VI (1897-1978) e é celebrado no primeiro dia do ano.

Por RTP