Bandidos morrem em troca de tiros com PM à paisana

O tiroteio ocorreu na noite desta quarta-feira na altura do número 660 da Rua Neá, na Vila Ré.
 
De acordo com a PM, dois jovens tinham acabado de sair de casa e se preparavam para entrar no carro(um Volkswagen Polo preto) quando os três criminosos surgiram, em outro veículo (um Fiat Uno azul).
 
Armados, os ladrões desembarcaram e anunciaram o assalto, exigindo que entregassem o automóvel.
 
A cena foi testemunhada por um policial militar, que estava de folga e à paisana, passando pelo local em seu veículo particular.
 
Ele decidiu intervir, sacou a pistola que carregava consigo e deu voz de prisão aos bandidos, que reagiram, atirando. O Pm revidou, atingindo dois dos assaltantes.
 
Um deles morreu ali mesmo, ao lado do carro em que chegou, e o outro ainda correu por cerca de 50 metros, mas também caiu morto.
 
O terceiro criminoso tentou fugir a pé, mas acabou sendo localizado por policiais militares durante o patrulhamento pelo bairro.  O militar que reagiu ao assalto saiu ileso. 
 
O caso foi comunicado ao delegado plantonista do Distrito Policial da Ponte Rasa e registrado como “mortes decorrentes de oposição à intervenção policial “no DHPP, que vai investigar a ação do PM.
 
 
 
*Com informações do repórter Paulo Édson Fiore,  da rádio Jovem Pan. 

 

 

 

PM mata vizinho idoso por causa de água potável

Vítima já teria denunciado o PM Silvio Lima da Silva duas vezes na Delegacia Geral do município; segundo a Secretaria de Segurança, o soldado confessou o crime e está preso

O caso foi registrado na Delegacia Geral de Itapecerica da Serra
(Paloma Vasconcelos/Ponte Jornalismo)

Um desentendimento por causa de água teria sido a motivação de uma briga entre dois vizinhos que terminou com uma morte em Itapecerica da Serra, na região metropolitana da cidade de SP, na última terça-feira (25/2).

Na quinta-feira (27/2), o soldado PM Silvio Lima da Silva, 30 anos, confessou que matou o vizinho identificado como Armando, 67, depois que os dois brigaram por causa da água potável de um poço que dividiam. Silva está preso no Presídio Romão Gomes desde sexta-feira, após passar por audiência de custódia.

Segundo informações da Polícia Militar de São Paulo, o PM afirmou que a relação dos dois não era boa e que era mal tratado todas as vezes que ia buscar água, já que em sua residência não há abastecimento desse item básico para viver. Ainda de acordo com a polícia, o soldado declarou que chegou a oferecer dinheiro para usar o poço que fica no terreno da vítima.

Na terça-feira de carnaval, ainda segundo as informações da PM, Armando teria ido na direção do policial com uma faca. Para desarmá-lo, o PM teria dado um golpe de imobilização no pescoço com os braços, conhecido como “mata-leão”. O golpe foi fatal. Então, Silvio decidiu jogar o corpo de Armando em uma fossa na sua casa e cobrir com uma placa de concreto e uma caixa d’água.

O idoso já havia ido à delegacia duas vezes nas últimas duas semanas para denunciar o policial. Na primeira vez, informou que um homem que usava roupa cinza e se identificou como policial militar havia entrado em sua casa e o ameaçado.

Alguns dias depois, Armando teria voltado à delegacia, dessa vez completamente machucado. Ele relatou que o mesmo homem havia voltado em sua casa e se identificado: era o PM Silvio. Por conta das desavenças, quando o senhor Armando foi dado como desaparecido, no dia 25 de fevereiro, o delegado Luís Roberto Farias decidiu intimar o PM, que confessou o crime.

Ponte esteve na Delegacia de Itapecerica da Serra neste sábado (29/2) para saber detalhes da investigação, mas foi informada que o funcionamento durante o final de semana é em esquema de plantão e que mais informações deveriam ser obtidas junto aos órgãos oficiais, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) e a PM.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a SSP-SP, por meio da assessoria terceirizada InPress, informou que a Delegacia de Itapecerica da Serra instaurou inquérito policial para apurar o caso e confirmou que o policial confessou o crime. A Ponte solicitou à SSP-SP o contato da defesa do PM Silvio, mas não obteve resposta.

“Ele foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, permanecendo preso no Presídio Militar Romão Gomes. O autor também responde a um processo administrativo pela corporação”, afirmou a pasta.

Por Paloma Vasconcelos – Repórter da Ponte

PM salvou passageiros e a própria vida ao matar assaltantes em ônibus

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliaram como correta a ação de PM que matou dois suspeitos; “se fosse descoberto pelos ladrões, teria sido morto”, afirmam

O policial militar que matou dois suspeitos durante um arrastão em um ônibus em Guarulhos, na Grande São Paulo, agiu corretamente e para preservar a própria vida. Essas são as avaliações de um policial civil e um PM da reserva ouvidos pela Ponte. O PM não estava fardado.

“Na minha avaliação, foi uma situação extrema e não sobrou muita alternativa para o policial. As normas indicam que quando houver a possibilidade de colocar a vida de terceiros em risco, deve-se evitar ao máximo a ação. O ônibus estava com passageiros, o policial atirou contra a pessoa que estava praticando o roubo e poderia acertar outras pessoas. Esse é um fator que tem que ser levado em consideração. O outro, é que ele poderia ser identificado como policial e ser morto pelos criminosos. Ele se antecipou para não ser morto”, avaliou o tenente-coronel aposentado da PM paulista Adilson Paes de Souza, mestre em Direitos Humanos e autor do livro “O Guardião da Cidade – Reflexões sobre Casos de Violência Praticados por Policiais Militares”.

O policial civil Alexandre Félix Campos, integrante do Movimento Policiais Antifascismo concorda. “Uma prática que é bastante comum em roubos em coletivo é que os caras entram e falam ‘se tiver polícia aqui vai morrer’. A ação desse policial foi 100 por cento correta. Ele agiu em defesa própria e de terceiros. Ele não é herói, mas também não é vilão. Ele é só um trabalhador da segurança pública, que provavelmente estava andando de ônibus por não ter condições de ter um carro próprio, que agiu adequadamente”, explicou.

Alexandre rejeita a expressão “uso progressivo da força”, adotada por especialistas em segurança pública, e afirma que o correto é “uso proporcional da força” e cita como exemplo uma reintegração de posse. 

“Uma ocupação de sem teto, como aconteceu há alguns anos o caso de Pinheirinho, onde havia muitas crianças e mulheres. Em que momento vai ter uma ação violenta por parte dessas pessoas que vai ser necessário a tropa de choque? Nunca. O máximo de resistência que elas vão oferecer é não se retirar do lugar. O uso, nesse caso, não foi proporcional e por isso que virou um caso emblemático de uma ação equivocada. A escolha é entre vidas e patrimônio e o pacto social diz que a vida vale mais. A ação desse policial no coletivo foi completamente adequada e proporcional, porque existia uma violência colocada e ele estava vulnerável”, explicou.

O caso aconteceu no bairro Ponte Grande, na sexta-feira (14/2), e, no dia seguinte, o governador João Doria usou o Twitter para anunciar que o PM será homenageado. “A opção de confronto é do criminoso. Em SP, bandido que enfrentar a polícia perderá”, escreveu.

Na avaliação do investigador Alexandre Félix, a questão não é se o policial merece ou não ser homenageado, mas a intenção do governador e o recado dado. “Será que isso não gera um novo paradigma para que o policial entenda que só é valorizado quando ele mata? [A homenagem] pode reforçar a ideia de que o policial bom é o que mata. Naquela sexta-feira, milhares de policiais voltaram para a casa e tinham protegido vidas, cumpriram a lei e fizeram o uso proporcional da força, como esse policial. Então quer dizer que todos merecem ser homenageados”, disse Alexandre Felix.

Para o policial, há também o risco de expor o profissional ao homenageá-lo. “Ele pode encontrar pessoas ligadas a essas pessoas que morreram no seu dia a dia. Não é segredo para ninguém que a maioria dos policiais moram em periferia e escondem a farda por segurança. A gente esta mais uma vez falando de um trabalhador em situação de vulnerabilidade que precisa ser cuidado”, alerta. “Ele agiu corretamente, mas será que ele está bem? Será que não precisa de um acompanhamento psicológico?”.

Alexandre Félix também questiona a intenção por trás da homenagem. Segundo ele, João Doria pode estar querendo ficar bem entre os policiais, uma vez que ele vetou um projeto de lei do deputado estadual Raul Marcelo (Psol-SP), que previa auxílio a policiais vítimas de violência e seus familiares, uma demanda da categoria. 

“Será que essa homenagem não é uma cortina de fumaça para esconder o desprezo que o governo tem do policial? Talvez o policial mereça, sim, uma homenagem. Mas questiono o governo sobre qual a intenção. E os cuidados a esse policial, quando serão oferecidos?”, conclui.

Ponte procurou a Secretaria de Segurança Pública de SP, através de sua assessoria privada InPress, é questionou como a pasta avaliava a ação do policial e quais seriam os desdobramentos do caso.

Em nota, a SSP-SP confirmou as informações de que duas pessoas foram mortas, duas fugiram e uma quinta foi baleada no ombro. “O Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da cidade investiga e já iniciou diligências para esclarecer todas as circunstâncias e localizar os dois fugitivos. A PM instaurou um inquérito para apurar o caso”.

Por Maria Teresa Cruz – Repórter da Ponte

Policial militar é morto e corpo carbonizado

Cabo Neilo Rego Lione, do 5º Batalhão de PM Metropolitano, estava dentro de um veículo Honda Fit incendiado 



Um policial militar foi encontrado morto em um carro carbonizado na Estrada Morro do Sabão, altura do número 2.000, no bairro Cabuçu, na cidade de Guarulhos, localizada na Grande São Paulo. Familiares identificaram o corpo como sendo do cabo Neilo Rego Lione.

O cabo integrava o 5º BPM/M (Batalhão de Polícia Militar Metropolitano), com cobertura em bairros da zona norte da cidade de São Paulo e também a divisa da capital paulista com cidades vizinhas, entre elas Guarulhos. A área na qual o carro foi localizado integra a cobertura do 15º BPM/M, que atua especificamente em Guarulhos. 

Neilo estava no interior do veículo, modelo Honda Fit, encontrado pela Polícia Militar por volta de 9h da manhã deste sábado (18/1). Perícia feita na cena do crime encontrou uma cápsula deflagrada no local, ainda não especificada de qual calibre.

Ponte questionou a SSP (Secretaria da Segurança Pública) de São Paulo, comandada pelo general João Camilo Pires de Campos neste governo de João Doria (PSDB), que não deu detalhes sobre o caso.

Em nota, a pasta se limitou a explicar que “o caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Guarulhos e as investigações prosseguem pelo Setor de Homicídios da cidade, por meio de inquérito policial. Equipes estão em diligências em busca de imagens que possam auxiliar no esclarecimento dos fatos”, explicou a SSP.

Por Arthur Stabile – Repórter da Ponte

Acusados de estupro, PMs deixam prisão e voltam ao trabalho

Por Maria Teresa Cruz

Caso aconteceu em 12 de junho, quando vítima pegou carona em viatura no litoral de SP; Danilo de Freitas Silva e Anderson Silva da Conceição respondem em liberdade

De acordo com vítima, estupro aconteceu dentro da viatura no trajeto até o terminal rodoviário (Divulgação)

Os soldados Danilo de Freitas Silva, do 40º BPM/M, e Anderson Silva da Conceição, do 37º BPM/M, denunciados pelo estupro de uma jovem de 19 anos dentro de uma viatura, estão soltos desde o dia 16 de dezembro e foram reintegrados ao serviço, segundo o Diário Oficial do Estado de São Paulo. O caso corre em segredo de justiça e os PMs continuam respondendo pela acusação de estupro em liberdade.

O caso aconteceu no dia 12 de junho deste ano, em Praia Grande, no litoral sul paulista. Segundo o relato da vítima, ela perdeu o ponto de desembarque de um ônibus intermunicipal, de onde voltava de uma festa na região de Campinas. Ela tinha que ter descido em São Vicente e quando notou estava em Praia Grande. Desceu do ônibus e avistou uma viatura, onde foi buscar informações sobre a melhor forma de fazer o trajeto de volta. Na viatura estavam os soldados Anderson e Danilo, que ofereceram uma carona para a vítima até o terminal rodoviário Tude Bastos. 

Em entrevista à Ponte em junho, alguns dias após o ocorrido, a jovem contou que aceitou a oferta de carona, por pensar estar mais segura com a PM do que aguardando um ônibus passar na avenida, já que o relógio marcava quase meia-noite. “Assim que a viatura começou a andar, ele pegou a minha mão e colocou no pênis dele. Aí eu puxei e ele colocou de novo. Aí eu falei não, não. Mas ele pegou o meu braço com mais força. Ele abriu a calça e abaixou a minha cabeça, para eu fazer sexo oral nele. Aí ele pegou, levantou a minha cabeça e me deitou. Aí ele tirou a minha calça e me penetrou. Por último ele segurou a minha cabeça e ejaculou na minha boca. Isso tudo foi com a viatura em movimento. Quando chegou, ele desceu, se limpou e sentou no banco da frente. Aí eles foram e me deixaram no terminal”, relatou a vítima.

O Ministério Público de São Paulo denunciou os PMs por estupro à Justiça Militar, que manteve os dois policiais presos preventivamente. No último dia 16 de dezembro, no entanto, Anderson e Danilo receberam liberdade provisória, deixaram o Presídio Militar Romão Gomes e se apresentaram à corporação, retornando ao trabalho. A Ponte apurou que o tempo de prisão – 6 meses – bem como o resultado do laudo que indicaria a presença de esperma e foi questionado pela defesa pesaram na decisão da Justiça de conceder liberdade aos policiais.

De acordo com o ouvidor das polícias de São Paulo, Benedito Mariano, que na época do caso já havia destacado à Ponte a gravidade da situação, o IPM (Inquérito Policial Militar) já apontou que houve crime. “O IPM apontou que cometeram crime, um crime absurdo e grave. Eles não têm condições de fazer serviço operacional pelo o que fizeram com a jovem, estupraram a jovem dentro da viatura”, afirma.

Procurada pela Ponte, a advogada dos policiais Flavia Artilheiro informou que o caso corre em segredo de justiça e, portanto, não pode comentar. 

Em novembro, a Corregedoria da Polícia Militar de SP havia indicado a expulsão dos policiais diante da conclusão do inquérito que indicava o cometimento do crime. A Ponte procurou o corregedor coronel Marcelino Fernandes para comentar o caso, mas não obteve retorno. 

A reportagem procurou a PM e a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) para questionar qual o tipo de atividade que os policiais Danilo de Freitas Silva e Anderson Silva da Conceição estão fazendo desde que foram reintegrados, mas, até a publicação da reportagem, não houve retorno.

*Esta reportagem foi publicada originalmente pela Ponte.

Condenados 42 PMs envolvidos com chefe do PCC

Por Josmar Jozino

Penas variam de 5 a 83 anos por cobrança de propina de quadrilha ligada a Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, braço direito de Marcola e maior traficante do Brasil

PMs fariam vistas grossas para o grupo criminoso mediante o pagamento de propina (Divulgação/SSP)

A Justiça Militar condenou 42 dos 53 policiais militares do 22° Batalhão (Jardim Marajoara, zona sul), acusados de envolvimento com o PCC (Primeiro Comando da Capital), a maior facção criminosa do país.

Escutas telefônicas feitas com autorização judicial apuraram que os PMs trabalhavam para uma quadrilha ligada a Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, o maior traficante de drogas do Brasil.

Foragido há mais de 20 anos, Fuminho é o braço direito de Marco Willlians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelo MPE (Ministério Público Estadual) como o líder máximo do PCC.

O soldado Islei Fabiano da Silva Braz foi o último dos réus a ser julgado – na semana passada – e também foi o que recebeu a pena mais alta entre os demais condenados: 83 anos de prisão. A Ponte não conseguiu contato com a advogada dele. 

Dentre os 53 réus denunciados à Justiça Militar pelo Ministério Público, 32 eram soldados, 13 cabos, sete sargentos e um subtenente. A Justiça absolveu 11 acusados.

Os PMs foram presos em dezembro de 2018 durante a deflagração da Operação Ubirajara, nome do bairro onde, segundo as investigações, eles cobravam propinas de integrantes do PCC para permitir o tráfico de drogas na região patrulhada pelo 22° Batalhão.

Segundo o Ministério Público Estadual, os militares exigiam dos traficantes pagamentos periódicos, semanal ou quinzenal, para não reprimir a comercialização de drogas. As propinas variavam de R$ 300,00 a R$ 50.000,00.

Os policiais militares foram acusados pelos crimes de concussão, corrupção passiva, falsidade ideológica, violação de sigilo funcional e associação do tráfico de drogas.

As penas impostas aos militares variam de cinco anos e quatro meses a 83 anos e dois meses de prisão. Um cabo já havia sido foi condenado a 68 anos e seis meses e outro, a 63 anos de reclusão.

Os réus considerados culpados pela Justiça cumprem pena no Presídio Militar Romão Gomes, na Água Fria, zona norte da cidade de São Paulo. Todos entraram com recurso contra a decisão judicial.

Uma das provas do envolvimento dos PMs com a quadrilha de Fuminho foi a prisão do traficante Sandro Gomes da Silva, preso em fevereiro do ano passado.

Na denúncia do Ministério Público consta que dois PMs do 22° Batalhão prenderam Sandro com grande quantidade de drogas, mas exigiram R$ 10.000,00 para não apresentá-lo como traficante na delegacia de Polícia Civil do bairro.

Em uma das escutas telefônicas, interceptada em 19 de fevereiro de 2018, Sandro pede maior prazo aos PMs para pagar parte da propina exigida pelos policiais corruptos.

Em outro trecho monitorado, o traficante diz que vai mandar um “salve” (recado) para Venceslau, ou seja, a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, onde até hoje estão presos líderes do PCC – outra parte foi transferida para presídios federais. Essa conversa demonstra a relação de Sandro com a cúpula da facção criminosa.

Fuminho é um dos criminosos mais procurados do país. O nome dele também consta na relação de procurados da Interpol. A Polícia Civil de São Paulo acredita que Fuminho está foragido na Colômbia e que deu entrada naquele país usando documentos falsos.

*esta reportagem foi publicada originalmente neste link: https://ponte.org/justica-condena-42-pms-por-ligacao-com-chefe-do-pcc-nas-ruas/

Fim da prisão administrativa para PMs entra na pauta do Senado

Por  Marcelo Brandão

Viatura da Corregedoria da Polícia Militar (Arquivo/Polícia Militar/Reprodução)


O Senado pode votar esta semana um Projeto de Lei (PL) que extingue a prisão administrativa de policiais militares e bombeiros como punição para transgressões disciplinares. O projeto está na pauta de votações do plenário para a próxima terça-feira (10) e foi relatado pelo senador Acir Gurgacz (PDT-RO).

O projeto propõe que essas corporações sejam regidas por um código de ética e disciplina, aprovado por lei estadual específica. Além disso, esse código de ética deve regulamentar o devido processo administrativo-disciplinar, definir as sanções disciplinares e vedar a restrição de liberdade.

O PL foi apresentado originalmente na Câmara, em 2014, pelo deputado Subtenente Gonzaga (PDT-MG) e pelo então deputado, hoje senador, Jorginho Mello (PL-SC). Na justificativa do projeto, os parlamentares afirmam que a Constituição de 1988, que encerrou o regime ditatorial, não contemplou policiais e bombeiros militares na garantia de direitos.

“A cidadania ainda não chegou para os policiais e bombeiros militares. Isto porque, a partir de decretos estaduais – flagrantemente inconstitucionais – mantêm-se a pena de prisão para punir faltas disciplinares, sem que seja necessário sequer o devido processo legal. Basta uma ordem verbal do superior hierárquico”, justificaram os parlamentares no PL.

Gurgacz acredita que o projeto valoriza o trabalho do policial, mantendo-os mais tempo em serviço. “Não é correto uma punição por algo simples, que acontece em quartéis, e tira a possibilidade de eles estarem atuando. Com isso, estamos atualizando essa lei, dando uma importância maior para os policiais militares e para os bombeiros”, disse o senador para a Agência Senado, quando o projeto foi apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça, em 2017.

O projeto foi aprovado na Câmara em outubro de 2015 e seguiu para o Senado. Depois de uma longa tramitação, ele foi incluído na ordem do dia do Senado.

Corregedoria investiga vazamento de dados de PMs e viaturas

Por Arthur Stabile

Corregedor da PM, coronel Marcelino Fernandes define o caso como uma ‘porta aberta’ e não hackeamento do sistema da PM (Mariana Ferrari/Ponte Jornalismo)


A Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo abriu investigação para apurar o vazamento de informações do Copom Online, sistema de dados em tempo real da corporação. Reportagem da Ponte denunciou nesta sexta-feira (18/10) que traficantes teriam tido acesso ao sistema, conforme denúncia de PMs que mostram em vídeo o celular de um suspeito com login para a ferramenta. 

Em vídeo, um PM mostra o celular de um homem com as informações pessoas de outros policiais e o posicionamento exato em que estão no patrulhamento. “Só para complementar aí, você, polícia, que acha que tá seguro, os ‘malas’ [gíria policial para se referir a suspeitos] tá vendo aí todas as nossas informações online, mostrando polícia, viatura e equipe”, fala o policial que identificou o vazamento das informações.

De acordo com o coronel Marcelino Fernandes, corregedor da PM paulista, um cabo foi identificado como dono do acesso utilizado pelo rapaz cujo celular foi vistoriado, sem autorização judicial, pelos policiais. Até o momento, ele figura como averiguado no inquérito aberto por garantir não ter repassado o acesso para outras pessoas. A apuração durará 40 dias.

O rapaz detido com o celular explicou à Polícia Civil que obteve o acesso em uma conversa com um policial pelo chat do videogame PlayStation 4. Nela, ele explica que o PM ofereceu o login e senha por R$ 4 mil e era para o jovem conseguir um comprador, conforme informado por Fernandes. 

Na Corregedoria, constatou-se que o policial identificado como dono do login ocupa a patente de cabo, cujo acesso possível no sistema Copom Online é de grau 2 em uma escala que vai até a 5. O último estágio é acessado pela mais alta patente, como o próprio corregedor da PM, para averiguar irregularidades que podem ser cometidas pelos policiais. Apesar de ter acesso grau 2 pelo seu cargo, o acesso do PM encontrado no celular do suspeito era de nível 4, disponível apenas para oficiais superiores.

“Existem três possibilidades: o policial pode ser vítima de um aplicativo malicioso que a pessoa manda para o seu celular e rouba a sua senha; a segunda é que outro PM pode ter pego senha desse policial identificado na máquina dele e vendido, e a terceira, desse policial estar, de fato, envolvido”, explica Marcelino em conversa com a Ponte.

O caso está sendo investigado tanto pela Corregedoria da PM quanto pela 4ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Fraudes Patrimoniais por Meios Eletrônicos, do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais). Haverá perícia do vídeo-game PS4 e celular do rapaz.

Marcelino explica que o sistema Copom Online serve para o policial militar de São Paulo acessar sua escala de serviço, o holerite e e-mail, além de fazer serviços conectado ao tablet da viatura, como consultar placa de veículos suspeitos. Para superiores, os dados servem para localizar onde as viaturas devem ir e se os policiais estão, ou não, no local definido para trabalho, seja patrulhamento rotineiro ou dentro de um atendimento de ocorrência.

“A senha foi cancelada imediatamente. Consegue saber com a perícia quantas vezes foi logado, quem logou, quando logou, em qual máquina. Temos uma investigação cibernética para fazer, além da extração de dados dos aparelhos”, aponta. “É uma fiscalização se os PMs estão cumprindo o itinerário de policiamento. Imagina isso do outro lado: diante de informações, o marginal pode ver que área está com menos policiamento. Onde o policial trabalha, qual dia do seu turno… É importante para segurança do policiamento. Por isso se tornou um ilícito preocupante de sigilo profissional”, descreve.

O corregedor cita que há um caso anterior a esse de acesso irregular ao Copom Online constatado pela PM: em 2017, quando um policial participava de roubo a carga e era o encarregado na quadrilha de informar a posição exata da polícia. “Não existe sistema inviolável, mas mostra que não foi violado: a porta que foi aberta. É que nem se você passar a senha do banco para outra pessoa”, exemplifica o coronel.

Print de um dos vídeos feitos pelos PMs que mostra dados confidenciais da PM no celular de um suspeito (Reprodução)

O exemplo dado pelo corregedor é o mesmo do secretário adjunto Coronel Camilo, que faz o intermédio do comando da PM, cargo ocupado pelo coronel Marcelo Vieira Salles, com o secretario da segurança pública, coronel João Camilo Pires de Campos. “Foi a utilização indevida de uma senha, um rapaz apresentou um celular com uma senha. Todos os policiais podem acessar, o policial já foi identificado, levado à Corregedoria e está sendo aberto inquérito para ver porque houve vazamento da senha”, diz Camilo, em entrevista para a Rádio CBN.

Segundo o secretário adjunto, “não houve vazamento em nenhum dos sistemas da Polícia Militar, o que houve foi a utilização indevida de uma senha de um policia”. “As senhas são fornecidas para os policiais acessarem os sistemas inteligentes da polícia, isso é natural. Em algum momento esse policial, agora está sendo apurado, como que deixou que a senha dele chegasse ao rapaz”, sustenta o secretário. 

A reportagem procurou a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo), mas até o momento não obteve um posicionamento oficial. A Ponte enviou as seguintes perguntas para a SSP:

Há alguma investigação interna ou externa sobre o ocorrido?
O PM que teria vendido essas informações sofrerá alguma sanção?
É possível garantir a segurança dos PMs?
Mesmo com a vulnerabilidade diante das informações expostas, como garantir a segurança das informações daqui para frente?

PM forma novos soldados e recebe viaturas

(Rodrigo Croos/SSP/Reprodução)

A Polícia Militar recebeu o reforço de 1.812 soldados de 2ª classe. A formatura dos novos policiais militares foi realizada na manhã desta sexta-feira (23), no Polo Cultural e Esportivo Grande Otelo, na zona norte da Capital. Durante a solenidade, também foram entregues 70 viaturas modelo GM Spin 1.8, em um investimento do Governo do Estado de R$ 3.759.000. Os veículos fazem parte de uma compra de 1.645 viaturas para a PM, em um investimento total de R$ 91.731.300. 

Os policiais serão destinados ao litoral para atuação na Operação Verão 2018/2019. Após o término da operação, os soldados serão distribuídos para reforçar o patrulhamento em outras unidades policiais. 

“Nós sabemos que a PM de São Paulo nos dá garantia de segurança. De todas as passagens que tive no período de governador, certamente o convívio que tive com a PM ficará mais marcado, pela lealdade, amizade e, acima de tudo, a dedicação”, destacou o governador Márcio França.
Durante seu discurso, o governador ainda agradeceu a escolha dos profissionais em seguir a carreira policial e o empenho da PM paulista no combate à criminalidade.



“Eu tenho bastante orgulho das atividades que os policiais militares exercem em São Paulo. Nós temos a melhor polícia do Brasil, que é exemplo em muitos países do mundo”.

Os novos soldados, entre eles 405 mulheres, se formaram no Curso Superior Técnico de Polícia Ostensiva e Preservação da Ordem Pública, que tem duração de cerca de um ano. 

No total, foram 1.456 horas de aulas, distribuídas em 49 disciplinas, como Direitos Humanos, Tiro Defensivo Pela Preservação da Vida “Método Giraldi”, Inteligência Policial, Gerenciamento de Crises, Doutrina de Polícia Comunitária, entre outras.

O secretário-adjunto da Segurança Pública, Sérgio Turra Sobrane, parabenizou os novos soldados e destacou a responsabilidade por eles assumida. “Hoje vocês encerram o primeiro ciclo e começam uma nova jornada de dedicação à causa pública. Jornada que vai exigir, a cada instante, o cumprimento do juramento que hoje fizeram e que vai garantir a melhoria de nosso Estado democrático de direito”.

Sobrane relembrou o trabalho desenvolvido pelo titular da pasta para reforçar o policiamento no Estado. “O secretário Mágino Alves Barbosa Filho se empenhou diariamente na SSP para que pudéssemos chegar nesse momento, abrindo novas vagas para a PM”, finalizou.

Os soldados foram selecionados em concurso público entre 137.127 candidatos para 2.293 vagas – uma relação 59,8 por vaga.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcelo Vieira Salles, destacou a importância do papel desempenhado pelos PMs. “Dos 27 estados da federação, São Paulo aparece com os melhores indicadores do país. Os grandes atores nesse processo, os grandes protagonistas, são vocês, os policiais militares”.

Salles também agradeceu o empenho do secretário Mágino à frente da SSP. “O secretário Mágino Alves Barbosa Filho é um grande cidadão paulista, que nos ajudou muito. Fica aqui o registro e um agradecimento a ele, um grande amigo da PM e de São Paulo”.


Paraninfo e patrono da turma

(Rodrigo Croos/SSP/Reprodução)


O paraninfo da turma é o coronel Paulo de Tarso Diógenes, que ingressou na PM em fevereiro de 1972. Como oficial, também serviu na Academia da Polícia Militar do Barro Branco e no 24º BPM/M.  Comandou a Escola Superior de Soldados de 2003 a 2006, encerrando sua carreira em 2008, no CPI-1 (região de São José dos Campos).
A turma recebe o nome do patrono, o soldado Joel Lourenço da Silva, que atuava no 38º BPM/M. Ele foi baleado e não resistiu ao ferimento, após atendimento de uma ocorrência, na região de São Mateus.




Reforço de efetivo 

O Governador Márcio França participou da solenidade (Rodrigo Croos/SSP/Reprodução)


Desde 2011, foram contratados 24.704 soldados e 1.935 bombeiros para reforçar o efetivo da Polícia Militar em todo o Estado. Além da turma que se forma hoje, outros 613 alunos-oficiais já estão em curso nas academias da PM. 

Além disso, no dia 13 deste mês, foram nomeados mais 2.200 soldados, que ingressão em breve na Escola Superior de Soldados. 
Há em andamento concursos para preencher 5.400 vagas para soldado e 270 para aluno-oficial. 


Entrega de viaturas


Durante a solenidade, foram entregues 70 viaturas modelo GM Spin 1.8, em um investimento do Governo do Estado de R$ 3.759.000.
Cada viatura deste modelo foi adquirida pelo valor de R$ 53,7 mil. As 70 serão destinadas às unidades da PM da Capital.
Os veículos fazem parte de uma compra total de 1.645 viaturas para a PM, em um investimento total de R$ 91.731.300. 
Além destas, desde 2011, foram entregues 11.672 viaturas para a Polícia Militar, em um investimento de R$ 597 milhões.

*com informações da SSP

Sequestro: PM tenta achar policial desde a tarde de sábado

Vinicius Lisboa/Agência Brasil

Cabo André Luiz Moreira da Silva foi sequestrado quando estava com os filhos (Reprodução)

A Polícia Militar do Rio de Janeiro realiza buscas desde ontem (22) para identificar o paradeiro de um cabo da corporação que foi sequestrado por criminosos na zona oeste. Policiais de diversos batalhões fazem operações hoje (23) nas comunidades do Aço, Antares e Rodo, todas na região de Santa Cruz.

Segundo a PM, o cabo André Luiz Moreira da Silva estava de folga e dirigia com seus filhos no carro quando foi abordado por criminosos armados. Eles deixaram os filhos do PM na via e levaram o agente de segurança pública junto com seu veículo.

A família do policial acionou o 27º Batalhão da Polícia Militar e as buscas começaram a ser realizadas na tarde de sábado. Foi montado um cerco envolvendo também o 24º, o 40º e o Batalhão de Policiamento de Via Expressas, porque, segundo informações preliminares, o veículo seguiu em direção à Rodovia Rio-Santos (BR-101).

A Polícia Rodoviária Federal e a Delegacia Antissequestro da Polícia Civil foram acionadas para participar das buscas, que contam também com o monitoramento do Grupamento Aeromóvel da PM.

A Polícia pede que qualquer informação que possa contribuir com as investigações seja repassada anonimamente ao Disque-Denúncia (2253-1177).