Novo Anhembi poderá movimentar até R$ 5 bi a partir de 2024

(Divulgação)

O projeto que vai modernizar e ampliar o Anhembi, em São Paulo, chamado de Distrito Anhembi, foi apresentado esta semana e, segundo a concessionária GL Events Brasil, que administrará o local pelos próximos 30 anos, tem potencial de movimentar R$ 5 bilhões a partir de 2024. O espaço passará a contar também com uma arena multiuso, um moderno centro de convenções, entre outros equipamentos. A concessionária investirá mais de R$ 1 bilhão no local.

“Esta pandemia trouxe para a cidade de São Paulo e para o mundo grandes desafios, aumentando a pobreza, a desigualdade, e um dos nossos grandes objetivos, orientados pelo Bruno Covas, é de continuar colocando a cidade de São Paulo como referência no mundo, com a preocupação para reduzirmos a desigualdade social”, disse o prefeito Ricardo Nunes em comunicado à imprensa. “Todo este investimento é fundamental para atrair recursos para a cidade em um pós-pandemia, além de ter um espaço maravilhoso e importante para a questão cultural e do empreendedorismo”, concluiu.

A multinacional francesa, que é um dos principais players do mercado de eventos no mundo, venceu a licitação do equipamento no valor de R$ 53.740.236. Com isso, ela será responsável pela gestão, manutenção e exploração comercial. A homologação para a gestão do espaço faz parte da ação conduzida pela Secretaria do Governo Municipal com a SP Parcerias, responsável por estruturar e desenvolver projetos de concessão, privatização e parcerias público-privadas para viabilizar a consecução do Plano Municipal de Desestatização (PMD) e do Programa Municipal de Parcerias Público-Privadas.

“Nós estamos muito orgulhosos de dar consequência ao compromisso assumido com a população para tornar a máquina pública mais eficiente, enxuta e objetiva com a otimização dos recursos. O serviço público não precisa ser estatal e a ideia é não abandonar o serviço público, porque o povo precisa dele, e ao mesmo tempo, não privar o serviço público da criatividade e da competência do setor privado” destacou o secretário municipal de Governo, Rubens Rizek.

Com um plano de investimentos superior a R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, a GL events vai transformar o local em um complexo de entretenimento para congressos, conferência, convenções, eventos culturais e esportivos, festivais e feiras, além de fomentar odesenvolvimento da Zona Norte da capital paulista, com 2,2 milhões de habitantes. A meta da empresa é reinserir o Anhembi no circuito nacional e internacional de eventos.

“Eu tomei posse a convite do prefeito Bruno Covas no dia 8 de janeiro, tendo como uma das missões conduzir, junto a equipe da São Paulo Turismo, o processo de concessão do Complexo do Anhembi e exatamente cinco meses depois estamos aqui. Tenho certeza de que o meu amigo Bruno está muito contente com o resultado do projeto e ficará ainda mais feliz com os frutos dessa concessão”, disse, em comunicado, o diretor-presidente da SPTuris, Luiz Álvaro.

Estudos de mercado, segundo a Prefeitura, mostram que é possível gerar R$ 500 milhões de negócios anuais nos espaços de eventos, a partir do histórico do Anhembi e do potencial do mercado paulistano. Esse valor representa apenas 10% do que ficará na cidade por meio de impostos e gastos de turistas e participantes de eventos com transporte, alimentação, comércio e hospedagem.

“O Complexo Anhembi é um dos grandes marcos de São Paulo e que em seus 50 anos de história foi palco para grandes eventos que o tornou conhecido mundialmente. Nossa missão será devolver o protagonismo deste ícone com a união do que podemos oferecer de melhor em eventos, seja de negócios ou de entretenimento, além de aproveitar todo o potencial construtivo do local, desenvolvendo a região de forma planejada, atendendo a demandas, carências e desejos da população local”, afirma, também em nota, a CEO da GL events no Brasil, Milena Palumbo.

Arena multiuso e complexo audiovisual 

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A GL events desenvolveu um estudo de vocação mercadológica e seu projeto acompanhará o crescimento sustentável da cidade. Além das melhorias previstas no edital, a companhia vai investir para que o espaço atraia novos negócios e serviços que complementem a experiência do visitante e apoie o desenvolvimento da Zona Norte.

A concessionária vai requalificar e modernizar os espaços para eventos já existentes, como o Centro de Convenções, Conferências e Congressos, que será ampliado e qualificado para suprir uma importante carência da cidade. Estudo da KPMG, encomendado pela GL events, mostra que São Paulo deixa de movimentar cerca de R$ 4 bilhões por ano por não contar com um centro de convenções capaz de comportar os grandes congressos mundiais — científicos, políticos ou culturais — que atraem público entre 5.000 e 10.000 pessoas. O novo equipamento terá capacidade para até 15 mil pessoas.

Ao lado do Sambódromo – que durante o Carnaval será gerido pela SPTuris –, será construída uma Arena Multiuso para shows, eventos esportivos, sociais e corporativos. Em uma área com 50 mil m², a arena comportará até 20 mil pessoas.

O masterplan contempla ainda hotel, edifícios com vocações corporativas e de uso misto, coworking e inovação, hospital, centros comerciais e de logística. O Anhembi, que ocupa uma área de 382,5 mil m² em uma localização estratégica de São Paulo (encontro dos eixos Norte/Sul – Leste/Oeste), ganhará também um complexo audiovisual que vai impactar diretamente a indústria criativa, oferecendo estúdios para filmes, streaming, publicidade e games, por exemplo, e para receber o público ávido por inovação, tornando o projeto ainda mais completo.

As obras deverão iniciar a partir do segundo trimestre de 2022, para que seja possível cumprir etapas de autorizações até lá – projetos básicos e executivos, licenciamentos, alvarás de obras, etc. Pela experiência do Grupo, a previsão é de que, a partir do segundo trimestre de 2024, o Centro de Convenções e o Pavilhão de Exposição sejam reinaugurados, assim como a Arena Multiuso.

Atração de investidores

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Antes mesmo da assinatura do contrato, a Prefeitura dedicou uma equipe técnica para trabalhar em conjunto com a GL events, a fim de garantir que cada etapa do projeto e suas aprovações sejam executadas conforme o planejado e com agilidade. Afinal, esse é um empreendimento prioritário para o Município tanto no curto prazo, para a retomada da economia, quanto no longo prazo.

Após a validação do masterplan pela Prefeitura, a multinacional iniciou imediatamente rodadas de apresentação do projeto a investidores, a fim de ancorar os parceiros especializados em cada um dos segmentos.

“Nosso core business é evento e continuará sendo. Por isso, buscamos parceiros estratégicos para aproveitar todo o potencial construtivo do local e, com isso, desenvolver a região de forma planejada, atendendo a demandas, carências e desejos da população local”, complementa Milena Palumbo.

*Com Prefeitura de SP

Capital conclui entrega de 100 mil tablets a estudante

Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo (Marcelo Pereira/via Agência Brasil)

Nove meses após anunciar a compra de 465 mil tablets para acesso a internet, a prefeitura de São Paulo disse ter batido hoje (21) a marca de 100 mil equipamentos entregues a estudantes da rede municipal de ensino. Os tablets foram comprados para auxiliar as crianças que estão em ensino remoto desde o início da pandemia de covid-19.

Em entrevista, o prefeito Ricardo Nunes reconheceu o atraso na entrega dos equipamentos.

“Houve, durante o processo de licitação, o questionamento do Tribunal de Contas e teve que fazer alguns ajustes. É natural os órgãos de controle fazerem alguma anotação ou solicitação de informações e nós, da administração municipal, achamos muito bom, a Câmara Municipal ou o Tribunal de Contas fazer questionamentos. E foi feita a correção e, assim, a licitação teve um pouquinho de atraso”, disse.

Hoje, a prefeitura anunciou novos números ampliando o número de tablets a serem distribuídos. Além dos 465,5 mil equipamentos destinados a alunos do ensino fundamental, mais 40 mil serão adquiridos para alunos dos Centros de Educação Infantil (CEIs).

Segundo o prefeito, o restante dos equipamentos será entregue até o mês de agosto.

O investimento foi de R$ 600 milhões. A prefeitura diz que, após a pandemia, esses dispositivos vão continuar a ser utilizados nas aulas presenciais.

Para a entrega dos equipamentos, a administração municipal diz ter priorizado os alunos que menos tiveram acesso ao ensino remoto em 2020.

Justiça
No dia 26 de abril, o Tribunal de Justiça determinou o prazo de dez dias para que a prefeitura de São Paulo distribuísse os tablets e os chips de internet que foram prometidos ainda no ano passado. Na decisão provisória, o juiz Luís Antônio Nocito Echevarria atendeu um pedido da Bancada Feminista do PSOL na Câmara Municipal.

No dia 11 de maio, entretanto, a liminar foi derrubada pelo desembargador Nogueira Diefenthäler, que acatou argumentos da prefeitura sobre a necessidade de um prazo maior.

Por Elaine Patricia Cruz, da Agência Brasil

Ricardo Nunes assume a Prefeitura da Capital

(Arquivo/Afonso Braga/Câmara de SP)

Com a morte do prefeito Bruno Covas, o vice, Ricardo Nunes, assume em definitivo a prefeitura de São Paulo. O combate à pandemia e a revisão do plano diretor do município estão entre os principais desafios de Nunes, que é filiado ao MDB. Ele havia assumido a prefeitura interinamente em 2 de maio, quando Covas se licenciou, a princípio por 30 dias, para tratamento do câncer.

Covas morreu às 8h20 deste domingo (16), aos 41 anos, em decorrência do câncer da transição esôfago-gástrica e complicações do tratamento. Em ato formal, com base na Lei Orgânica do Município, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Paulo reuniu-se às 11h20 para declarar a extinção do mandato do prefeito Bruno Covas. Nunes decretou luto oficial de sete dias pela morte de Covas.

O empresário tem 53 anos, é casado e foi eleito para a Câmara de Vereadores de São Paulo pela primeira vez em 2012 e novamente em 2016. É filiado ao MDB desde os 18 anos. Ele declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônio de mais de R$ 4,8 milhões.

Ricardo Nunes foi presidente da Associação Empresarial Região Sul (Aesul) e fundador da Associação das Empresas Controladoras de Pragas do Estado de São Paulo (Adesp). Além disso, é voluntário, há mais de 20 anos, na Sociedade Beneficente Equilíbrio de Interlagos (Sobei).

De perfil político mais conservador, Nunes, no mandato de vereador, tentou barrar menções a termos de gênero do Plano Municipal de Educação, argumentando que sexualidade não deveria ser tema nas salas de aula.

Denúncias

Reportagens do jornal Folha de S.Paulo apontam Ricardo Nunes como citado em investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) para apurar relação de políticos com entidades e também aluguéis de imóveis das creches terceirizadas. Segundo o jornal, o político é “próximo de entidades gestoras de creches terceirizadas e de donos de empresas locadoras dos imóveis onde funcionam as escolas ligadas a essas instituições.

Ainda de acordo com a Folha, Nunes foi alvo de boletim de ocorrência em caso de violência doméstica, ameaça e injúria registrado por sua mulher, Regina, em 2011.

Agência Brasil tentou contato com o MPSP e com a assessoria do prefeito, mas não houve retorno até a publicação da reportagem.

Por Camila Maciel, da Agência Brasil

Fundador da Ricardo Eletro presta depoimento a promotores

O fundador da rede de varejo Ricardo Eletro está depondo no Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), no âmbito do inquérito que apura a suspeita de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro que resultou na deflagração, ontem (8), da Operação Direto Com O Dono.

Ricardo Nunes foi preso durante a operação (Reprodução)

Nunes, que está preso em caráter temporário desde a manhã de ontem, em Belo Horizonte, é investigado como o principal beneficiário de um esquema criminoso que, segundo promotores e delegados, desviou cerca de R$ 400 milhões do cofres públicos.

Sua filha Laura Nunes, que chegou a ser detida com autorização judicial no início da manhã desta quarta-feira, foi liberada ontem mesmo, após prestar depoimento à Polícia Civil. O mandado de prisão expedido pela Vara de Inquéritos de Contagem (MG) e cumprido foi, posteriormente, revogado pela 3ª Vara Criminal de Contagem.

O mesmo juiz revogou também o mandado de prisão do superintendente da Ricardo Eletro, Pedro Daniel Magalhães, depois que a defesa de Magalhães garantiu que ele se apresentaria voluntariamente para depor. O mandado de prisão do executivo não havia sido cumprido porque Magalhães não foi encontrado. A expectativa é que ele preste depoimento ainda hoje.

Segundo os promotores e o delegado que cuidam do caso, por cerca de pelo menos dez anos, a Ricardo Eletro fraudou os cofres mineiros, deixando de repassar ao governo estadual o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que cobrava de seus clientes.

“A empresa cobrava o ICMS dos consumidores – o que é comprovado pelas notas fiscais [devidamente emitidas] -, mas não repassava esses valores ao estado. Ao longo de dez anos ela se portou dessa forma”, disse, ontem, o promotor de Justiça Fábio Reis de Nazareth, ao explicar a jornalistas, por videoconferência, detalhes da investigação. “Ela [empresa] tinha como política empresarial a sonegação fiscal”, acrescentou o promotor, afirmando que os valores sonegados eram então usados para pagar por despesas de Nunes e outros investigados, ou diluído por empresas patrimoniais criadas em nomes de laranjas, incluindo parentes do fundador da rede de varejo.

(Waldir Pereira/TV Alterosa)

“O que se nota é um empobrecimento da rede, que chegou praticamente à bancarrota, abrindo um processo de recuperação extrajudicial”, disse o promotor, referindo-se ao plano de pagamento de dívidas negociado com credores em 2019 – e que não contempla a renegociação das dívidas tributárias que a Ricardo Eletro tem com o governo de Minas Gerais e de outros estados.

“De outro lado, observamos o enriquecimento de seu principal sócio [Ricardo Nunes], que utilizava empresas de fachada para ocultar o patrimônio que, direta ou indiretamente, adquiria com os proveitos da sonegação fiscal, o que caracteriza a lavagem de dinheiro, crime mais grave”, acrescentou Nazareth.

Agência Brasil não conseguiu contato com o advogado de Nunes. Em nota enviada ontem, a Ricardo Eletro informou que desde 2019 o empresário e seus parentes não fazem mais parte do seu quadro de acionistas, nem da administração da companhia. Versão contestada pelos promotores de Justiça e pelo delegado a frente do inquérito policial, Vitor Abdala, que afirmam ter provas de que, na prática, o empresário continua respondendo pelas principais decisões do grupo.

“A Ricardo Eletro pertence a um fundo de investimento em participação, que vem trabalhando para superar as crises financeiras que assolam a companhia desde 2017, sendo inclusive objeto de recuperação extrajudicial devidamente homologada perante a Justiça, em 2019”, diz a nota, sem fazer qualquer menção ao fato de que as dívidas com estados não são alvo do plano extrajudicial.

A empresa também sustentou que “a operação realizada pelo Ministério Público de Minas Gerais, pela Receita Estadual e pela Polícia Civil, faz parte de processos anteriores à gestão atual da companhia e dizem respeito a supostos atos praticados por Ricardo Nunes e familiares, não tendo ligação com a companhia”.

Em relação à dívida com o estado de Minas Gerais, a Ricardo Eletro disse que “reconhece parcialmente as dívidas e que, antes da pandemia, estava “em discussão avançada com o estado” para acertar o pagamento dos tributos passados, em consonância com as leis estaduais”.

Ontem, ao falar com jornalistas, o superintendente regional da Fazenda mineira, Antonio de Castro Vaz de Mello Filho, disse que há anos a empresa adota uma “estratégia” de negociação de forma a ser favorecida e, assim mesmo, manter as práticas pelas quais é investigada.

“[Anteriormente] Quando cobrada, a empresa parcelava sua dívida e começava a pagá-la. Houve parcelamentos que ela pagou por mais de um ano”, disse o superintendente. “Só que, durante esse tempo, ela voltava a omitir o recolhimento mensal. Ou seja, a cada vez que ela fazia um novo reparcelamento, ela aumentava sua dívida, pois deixava de pagar [o valor devido pelo] mês em que estava pagando [os débitos atrasados]. Ela continua fazendo isso, pois [recentemente] entrou com novo pedido de parcelamento da dívida junto a Advocacia-Geral do estado”, acrescentou Filho.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Ricardo Eletro usava sonegação como política empresarial, diz promotor

Após mais de um ano e meio de investigação, membros do Ministério Público (MP), da Polícia Civil e da Secretaria de Fazenda de Minas Gerais afirmam ter provas que demonstram que executivos da rede varejista Ricardo Eletro sonegaram impostos devidos ao estado por pelo menos dez anos.

Ricardo Nunes foi preso durante a operação (Reprodução)

Segundo o promotor de Justiça Fábio Reis de Nazareth, o inquérito que resultou na Operação Direto Com O Dono, deflagrada hoje (8), foi instaurado ainda no primeiro semestre de 2018. O objetivo era apurar suspeitas de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e ocultação de bens patrimoniais entre 2012 e 2018. Mas ao longo da investigação surgiram indícios de que a prática recorrente destes crimes transcende ao período de seis anos.

“A empresa cobrava o ICMS dos consumidores – o que é comprovado pelas notas fiscais [devidamente emitidas] -, mas não repassava esses valores ao estado. Ao longo de dez anos ela se portou dessa forma”, disse Nazareth, ao explicar por videoconferência detalhes da investigação. “Ela [empresa] tinha como política empresarial a sonegação fiscal”, acrescentou o promotor.

Prejuízos

A Secretaria de Fazenda e o Ministério Público estaduais estimam que o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 400 milhões. Dinheiro que não era reinvestido na empresa, mas sim diluído por empresas patrimoniais criadas em nomes de laranjas, incluindo parentes do fundador da rede de varejo, Ricardo Nunes, preso em caráter temporário esta manhã.

“O que se nota é um empobrecimento da rede, que chegou praticamente à bancarrota, abrindo um processo de recuperação extrajudicial”, disse o promotor, referindo-se ao plano de pagamento de dívidas negociado com seus credores em 2019, sobretudo com bancos, e que não contempla a renegociação das dívidas tributárias que a Ricardo Eletro tem com os governos estaduais.

“De outro lado, observamos o enriquecimento de seu principal sócio [Ricardo Nunes], que utilizava empresas de fachada para ocultar o patrimônio que, direta ou indiretamente, adquiria com os proveitos da sonegação fiscal, o que caracteriza a lavagem de dinheiro, crime mais grave”, acrescentou Nazareth. 

Segundo o promotor, um dos documentos apreendidos hoje, na sede da empresa, indica que dinheiro do caixa da empresa foi usado para pagar pela compra de mármore destinado à reforma de um imóvel no prédio onde Nunes reside.

“Havia uma intenção muito clara de esvaziar o patrimônio da empresa sonegadora [Ricardo Eletro] para que, uma vez constatado os crimes, dificultar a cobrança pelo estado”, disse Nazareth. Ele informou que as autoridades vão apurar se parte do dinheiro sonegado foi usado para aquisição de imóveis e participação societária em empreendimentos comerciais. 

“O lucro ilícito proveniente do crime tributário não era transferido para as contas dos principais beneficiários [do suposto esquema], mas sim usado para pagar despesas, seja a aquisição ou a reforma de imóveis, seja a aquisição de cotas em outras sociedades”, disse o promotor.

A pedido dos órgãos de investigação, a Vara de Inquéritos de Contagem (MG) decretou o sequestro ao equivalente a R$ 60 milhões em bens imóveis atribuídos a Ricardo Nunes. A medida visa a garantir o eventual ressarcimento dos prejuízos aos cofres mineiros. A Justiça também autorizou a busca e apreensão de documentos e a prisão temporária de três investigados: Nunes; sua filha mais velha, que também foi detida temporariamente esta manhã, e de um executivo da Ricardo Eletro, que não havia sido localizado até o meio-dia. Além destes, um policial penal que trabalhava como segurança em seu dia de folga tentou impedir os agentes públicos de ingressarem em um dos imóveis alvo da operação e também acabou detido. 

Consultada, a secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou à Agência Brasil que, como o servidor não estava em seu horário de trabalho, não está sujeito a qualquer punição imediata. Caso ao fim de  investigações surja elementos que o incriminem, a secretaria aplicará as medidas previstas em lei, respeitado o direito à ampla defesa.  

Se comprovadas as suspeitas que motivaram a deflagração da Operação Direto Com O Dono, os investigados serão denunciados e, se condenados, poderão pegar até dois anos de reclusão por crime tributário, e entre três e dez anos de prisão por lavagem de dinheiro.

Benefícios fiscais

De acordo com o superintendente regional da Fazenda mineira, Antonio de Castro Vaz de Mello Filho, a sonegação fiscal atribuída a Ricardo Eletro é agravada pelo fato da empresa ter sido uma das primeiras beneficiárias do regime especial de tributação criado pelo governo de Minas Gerais para atrair e manter investimentos privados para o estado.

“O que agrava ainda mais a situação é que a empresa, que já vem sendo investigada há quase uma década, era beneficiada com regime diferenciado para que mantivesse suas operações no estado. Ela informava quanto devia pagar, mas não o fazia, sonegando os valores que cobrava dos seus clientes”, disse o superintendente.

De acordo com o superintendente, o benefício concedido a Eletro foi cancelado em julho de 2019, após “quase dez anos em vigor”. Questionado o por que não foi cancelado antes, Filho disse que a empresa sempre adotou uma “estratégia” de negociação que a favorecia.

“Quando cobrada, a empresa parcelava sua dívida e começava a pagá-la. Houve parcelamentos que ela pagou por mais de um ano. Com isto, não haveria porque falar em tirar [a empresa] do regime especial. Só que, durante esse tempo, ela voltava a omitir o recolhimento mensal. Ou seja, a cada vez que ela fazia um novo reparcelamento, ela aumentava sua dívida, pois deixava de pagar [o valor devido pelo] mês em que estava pagando [os débitos atrasados]. Ela continua fazendo isso, pois [recentemente] entrou com novo pedido de parcelamento da dívida junto a Advocacia-Geral do estado”, disse o superintendente.

Outro lado

Em nota, a Ricardo Eletro informou que o empresário Ricardo Nunes e familiares não fazem parte do seu quadro de acionistas e nem mesmo da administração da companhia desde 2019. A versão é contestada pelos promotores de Justiça e pelo delegado a frente da inquérito policial, Vitor Abdala, que afirmam ter provas de que, na prática, o empresário continua respondendo pelas principais decisões do grupo.

“A Ricardo Eletro pertence a um fundo de investimento em participação, que vem trabalhando para superar as crises financeiras que assolam a companhia desde 2017, sendo inclusive objeto de recuperação extrajudicial devidamente homologada perante a Justiça, em 2019”, diz a nota, sem fazer qualquer menção ao fato de que as dívidas com estados não são alvo do plano extrajudicial.

Ainda na nota, a empresa sustenta que “a operação realizada hoje (8) pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), pela Receita Estadual e pela Polícia Civil, faz parte de processos anteriores à gestão atual da companhia e dizem respeito a supostos atos praticados por Ricardo Nunes e familiares, não tendo ligação com a companhia”.

Em relação à dívida com o estado de Minas Gerais, a Ricardo Eletro disse que “reconhece parcialmente as dívidas e, antes da pandemia, estava em discussão avançada com o estado para pagamento dos tributos passados, em consonância com as leis estaduais”. A nota diz ainda que a Ricardo Eletro se coloca à disposição para colaborar integralmente com as investigações.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Operação prende fundador da rede Ricardo Eletro

A Polícia Civil prendeu na manhã de hoje (8) o fundador da rede Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, em uma operação comandada pelo Ministério Público de Minas Gerais e pela Secretaria da Fazenda do Estado. A suspeita é de lavagem de dinheiro e sonegação de quase R$ 400 milhões nos últimos cinco anos.

(Waldir Pereira/TV Alterosa)

“A empresa já vem omitindo recolhimento de ICMS há quase uma década. Fiscalizamos há muito tempo, e a partir da decisão do STF de novembro de 2019, onde apropriação indébita é crime, iniciamos a operação. A empresa declara o débito que deve, mas não faz os pagamentos. Faz os parcelamentos, mas não cumpria”, disse ao jornal Estado de Minas, Antônio de Castro Vaz, superintendente regional da Fazenda. 

Na Grande São Paulo, policiais cumprem mandados na Capital e em Santo André, no ABC. Em Minas Gerais, origem da investigação, há cumprimento de mandados na Capital e região metropolitana de Belo Horizonte.

*Com informações de O Globo e Estado de Minas