Covid-19 pode deixar sequelas diferentes em cada paciente

Passar pelos 15 dias da Covid-19 pode ser uma experiência diferente para cada pessoa, porém, sabe-se que a doença é multissistêmica, ou seja, as complicações dependem do órgão em que o vírus mais “ataca”, não sendo, necessariamente, o pulmão. O pneumologista Fábio Macchione dos Santos, diretor de Recursos Próprios da Unimed Catanduva, interior de São Paulo, e superintendente do Hospital Unimed São Domingos (HUSD), alerta que a Covid-19 pode causar sequelas e, por isso, os cuidados devem continuar mesmo após o período da quarentena.

Fábio Macchione dos Santos, médico pneumologista (Divulgação)

“Ao contrário do que pensam, a Covid-19 não compromete apenas o pulmão. É um vírus que vai se multiplicando pelo corpo, gerando uma ação inflamatória que atinge outros órgãos e sistemas”, explicou o especialista. 

De acordo com a Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), estudo publicado sobre o efeito a longo prazo da Covid-19 (em inglês More than 50 Long-term effects of COVID-19: a systematic review and meta-analysis), reuniu quase 50 mil pacientes e identificou mais de 50 doenças que se manifestaram após a Covid-19. Dos entrevistados, 58% apresentaram fadiga; 17% suor; 12% problemas de pele; 11% apresentaram dores; 11% febre intermitente; 11% problemas de sono e 8% apneia do sono. 

O pneumologista alerta que quem teve Covid-19 deve se atentar aos cuidados pulmonares, cardiológicos, neurológicos, necrológicos, musculares, hormonais, vasculares e renais.

“Quando atendemos uma pessoa que teve Covid-19, seguimos um protocolo bem desenhado para entender a situação em particular e é necessário termos informações como: quando foi a doença; que tipo de manifestação ela causou; qual o nível de gravidade e como é o dia a dia do paciente”, disse. 

No caso de pessoas que apresentaram problemas pulmonares, o médico reitera a importância de continuar com os cuidados de reabilitação do pulmão, com treinamento fisioterápico para a recuperação pulmonar. Para quem teve perda de olfato e paladar, ou outros sintomas, como: alteração de apetite, perda de força e formigamentos, também exige uma abordagem cuidadosa. O sistema urinário também pode sofrer alterações, como a dificuldade em urinar.

Micrografia eletrônica de varredura colorida de células CCL-81 (verde) infectadas com partículas do vírus da covid-19 – marrom (NIAID/via Fotos Públicas)

Para quem pratica exercícios, os cuidados com o coração são muito importantes. “Recomendamos ao paciente que faça o ecocardiograma, que identifica uma inflamação das células do coração que se chama miocardite, comprometimento comum que pode aparecer após a doença. Ela pode ser assintomática e muito perigosa”, alertou o especialista.

O cooperado reitera a importância dos cuidados em casa para quem precisou ser internado. A perda de massa muscular que ocorre durante a internação exige uma dieta complementar com suplementação de proteínas, acompanhado de fisioterapia regular para a reabilitação motora.

“Infelizmente, a Covid-19 é uma doença multissistêmica. Os cuidados devem continuar após o tratamento. Procure um profissional habilitado e capacitado. Faça um acompanhamento adequado e minucioso para tratar possíveis sequelas”, reiterou o pneumologista.

Outras doenças

O estudo More than 50 Long-term effects of COVID-19: a systematic review and meta-analysis (Mais de 50 efeitos a Covid-19 a longo prazo: uma análise e revisão sistêmica, em tradução livre) também identificou outros sintomas pós-Covid-19 nos entrevistados: 11% tiveram palpitação; 11% insuficiência cardíaca; 11% aumento da frequência cardíaca; 44% dor de cabeça; 27% dificuldade de atenção; 16% perda de memória; 13% ansiedade; 12% depressão; 25% perda de cabelo; 23% perda do paladar; 21% perda de olfato; 15% zumbido no ouvido; 34% raio X de tórax anormal; 24% falta de ar; 21% falta de ar após atividade física; 19% tosse; 16% dor no peito e desconforto; 10% redução da capacidade pulmonar; 16% risco de náusea ou vômito; 12% problemas digestivos; 21% perda de peso; 20% risco elevado de trombose; 19% dor nas articulações. (Fonte: SPPT).

Covid-19 persistente acarreta perda de cabelo reversível

( Arquivo/ilustrativa/Divulgação)

Um dos efeitos sentidos em pessoas acometidas pela chamada covid-19 persistente é a queda de cabelo, mas, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o cabelo costuma voltar a crescer. A perda ocorre, em geral, depois da resolução da doença.

A presidente do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD, Fabiane Brenner, explicou hoje (16) à Agência Brasil que, nas pessoas normais, o cabelo tem um ciclo. “Cada fio fica crescendo por mais ou menos seis anos, entra em uma fase de repouso em que vai cair e ser substituído por um fio igual a ele. Isso deve acontecer de forma aleatória no couro cabeludo, sem que se perceba efetivamente redução do volume geral”, disse a médica.

Segundo Fabianne, no caso de uma infecção importante, como a covid-19, e de diversas outras doenças, de um estresse importante, muitos fios vão entrar nessa fase de repouso do crescimento. “Só que eles [fios] só vão cair entre dois a três meses depois do evento.”

A perda de cabelo ocorre ainda com outras infecções. Não é uma particularidade da covid, acrescentou a médica. Em infecções graves, como pneumonia, a pessoa pode ter queda de cabelo dois ou três meses depois. Trabalhos realizados por pesquisadores estrangeiros revelam que, na covid-19, a queda é muito mais precoce do que nas outras doenças. “Na covid, a gente já vê ali, com seis a oito semanas, um aumento da queda.”

As causas são diversas, e a febre alta é uma delas. “Pacientes que têm mais febre ou mais repercussão da covid têm mais queda de cabelo consequente.” A própria infecção, a redução do oxigênio nos pacientes que têm dificuldade respiratória reduz a oxigenação do folículo capilar e podem justificar essa alteração e a queda de cabelo, informou Fabiane.

Sintomas

De acordo com pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, do México e da Suécia, que analisaram dezenas de estudos sobre o tema, com um total de 48 mil pacientes, os cinco sintomas mais comuns da covid-19 prolongada são: fadiga (58%), dor de cabeça (44%), dificuldade de atenção (27%), perda de cabelo (25%) e falta de ar (24%).

Fabianne Brenner confirmou que um a cada quatro pacientes que têm covid com sintomas estabelecidos, excluindo os assintomáticos, apresenta queixa de queda de cabelo 60 dias depois do evento. A tendência, contudo, é recuperar os fios. “Não é uma queda cicatricial, isto é, não deixa cicatrizes. O paciente vai ter uma perda abrupta, mas esse cabelo vai se recuperar na sequência.”

A dermatologista destacou que acaba havendo mais uma reposição dos fios. “Como caíram muitos fios, eles demoram a recuperar o volume. O cabelo cresce, mais ou menos, 1 centímetro por mês. Ao final de 75 dias, que é a média, ou ao final de três meses iniciais, eles [os fios] acabam voltando na sua densidade e, como vão voltar curtinhos, demora a preencher o volume do rabo de cavalo, em uma mulher.”

Entretanto, advertiu Fabianne,  se o paciente tiver doenças prévias ou alteração anterior no couro cabeludo, como uma calvície de base, nesses casos, a somatória de queda de cabelos da covid-19 pode deixar realmente o couro cabeludo muito aberto. Nessas pessoas, é mais difícil recuperar os fios, porque já tinham doença de base. “Como caíram muitos fios, eles voltam um pouco mais finos e, aí, o couro cabeludo não recupera 100% do que tinha antes da crise.”

Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil

Brasil registra 2.216 mortes por covid-19 em 24 horas

O Brasil registrou 2.216 novas mortes pelo novo coronavírus e 85.663 casos da doença nesta sexta (12). Com isso, o total de mortos chegou a 275.105 e o de casos a 11.363.380, de acordo com o painel atualizado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), um sistema próprio de informações que reúne dados de contaminados e de óbitos em contagem paralela à do governo.

Na quinta (11), o país tinha 272.889 mortes e 11.277.717 casos confirmados de Covid-19, de acordo com o conselho.

Queda na doação de sangue devido à pandemia preocupa hemocentros

Preocupados com os níveis dos estoques de sangue e de hemoderivados, hemocentros de diferentes regiões do Brasil estão tentando sensibilizar a população para a importância da doação de sangue.

A habitual preocupação com os estoques, principalmente durante o período de festas de fim de ano e férias de verão, este ano foi potencializada pelas mudanças comportamentais impostas pela pandemia da covid-19, que afastou muitos doadores ao longo do ano passado.

O Ministério da Saúde ainda não tem os números consolidados, mas estima que, em 2020, o medo da doença que, no Brasil, matou 197,7 mil pessoas até essa terça-feira (5), pode ter causado uma diminuição da ordem de 15% a 20% no total de doações de sangue em comparação a 2019.

No Rio de Janeiro, mesmo com todos os esforços e campanhas para atrair novos voluntários, o HemoRio (Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti) contabilizou uma queda de 4,4% no número de bolsas de sangue coletadas: foram cerca de 78.400 unidades, em 2020, contra aproximadamente 82 mil bolsas, em 2019.

Segundo o Ministério da Saúde, não houve registros de desabastecimento ao longo de 2020. Fato que, segundo representantes de hemocentros consultados pela Agência Brasil, pode ter ocorrido devido à adoção de medidas preventivas, como a suspensão temporária de cirurgias eletivas. Mesmo assim, houve situações em que o ministério precisou acionar o plano nacional de contingência e transferir milhares de bolsas de sangue de unidades da Federação em situação mais folgada para outras onde o nível dos estoques era considerado crítico.

“O principal risco deste cenário seria um possível desabastecimento de sangue e o consequente comprometimento da assistência”, informou o ministério em nota enviada à Agência Brasil. O desabastecimento colocaria em risco a vida de pessoas que precisam receber transfusão de sangue ao serem submetidas a tratamentos, cirurgias e procedimentos médicos complexos, ou que tratam os efeitos de anemias crônicas, complicações da dengue, da febre amarela ou de câncer.

Na nota que enviou à reportagem, o ministério também garantiu que está acompanhando a situação nos maiores hemocentros estaduais para, se necessário, adotar as medidas que minimizem “o impacto de eventuais desabastecimentos de sangue”.

“Através das ações e providências já tomadas pelo ministério, junto com as ações locais realizadas pelos estados, como a mobilização e sensibilização de doadores e estratégias para a redução do consumo de sangue, a situação tem se mantido estável”, garantiu a pasta – que afirma ter investido, em 2020, R$ 1,680 milhão em projetos de ampliação, reforma e qualificação da rede de sangue e hemoderivados, além da compra de medicamentos e equipamentos. Em 2019, foram investidos R$ 1,548 milhão.

Amazonas

Após coletar, em 2020, 4,6% menos bolsas de sangue do que em 2019 (foram 51.800 doações contra 54.300), a Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) começou o ano com metade do volume que considera ideal em termos de estoque.

A maior preocupação é com o volume armazenado de sangue do tipo O+, que representa cerca de 70% da demanda estadual, e com todos os de fator RH negativo, menos comuns entre a população brasileira e, portanto, mais difíceis de obter. 

Infográfico mostra bancos de sangue no DF em janeiro de 2021.

“A pandemia afastou significativamente as pessoas [dos postos de coleta], principalmente em meados de março, abril e maio [de 2020], quando o estoque caiu cerca de 40%”, informou a Hemoam à Agência Brasil. “Para dar conta de toda demanda diária, precisamos do comparecimento de 200 a 250 doadores por dia. Ultimamente esse número está na média de 100 doadores”, acrescentou o órgão em uma mensagem divulgada pelas redes sociais.

Responsável por distribuir sangue para 27 unidades de saúde públicas e privadas de Manaus e para 42 outras cidades amazonenses, a fundação tem mais de 500 mil voluntários cadastrados; mas apenas 150 mil dessas pessoas doam sangue regularmente.

Ceará

Devido às restrições de segurança, como o distanciamento social, a maioria dos hemocentros do país adotou medidas como o agendamento prévio de doações, além de reforçarem os cuidados com a higiene dos postos de coleta de sangue. Ainda assim, o impacto da pandemia se fez sentir.

O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), por exemplo, recebeu, em 2020, 92.524 doações de sangue, enquanto, em 2019, foram coletadas 101.066 bolsas de sangue. O Hemoce garante que o menor número de doadores em função da pandemia não chegou a comprometer o atendimento das cerca de 480 unidades de saúde cearenses, e que chegou até mesmo a fornecer bolsas de sangue para outros estados, como Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Sergipe.

Embora, atualmente, os estoques se encontrem dentro do que o centro classifica como “margem de segurança” para atendimento, o Hemoce segue usando as redes sociais para incentivar as doações.

Distrito Federal

No Distrito Federal, os níveis dos estoques da Fundação Hemocentro de Brasília de dois dos oito tipos sanguíneos mais comuns são considerados críticos. “O ano de 2021 começou com os estoques de O positivo e O negativo em níveis baixos”, informou o órgão responsável por garantir o fornecimento de sangue e seus componentes para a rede de saúde pública local. A quantidade de sangue tipo B- disponível nessa segunda-feira (4) também era considerada baixa. 

Infográfico mostra bancos de sangue no DF em janeiro de 2021.

Segundo a fundação, entre janeiro e dezembro de 2020, os postos de coleta receberam pouco mais de 47,5 mil doações de sangue. Menos que as 51 mil doações registradas no mesmo período de 2019. Já transfusões foram realizadas 72 mil no ano passado, contra 76 mil em 2019.

A fundação afirma ter “estoques estratégicos” para abastecer toda a rede pública e os hospitais conveniados do Distrito Federal por até sete dias, dependendo do hemocomponente (hemácia, plasma ou plaqueta) em caso de falta de doadores.

São Paulo

Vinculada ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e responsável por abastecer a mais de 100 instituições de saúde da rede pública paulista, a Fundação Pró-Sangue coletou, em 2020, 108.707 bolsas de sangue. O resultado é não só inferior ao registrado em 2019, quando foram coletadas 114.050 bolsas, como mantém a tendência de queda dos últimos cinco anos.

AnoColeta de bolsas de sangue (Fundação Pró-Sangue)
2015131.068
2016124.063
2017123.851
2018118.997
2019114.050
2020108.707

A preocupação da fundação é que, geralmente, em janeiro, o número de doações caem ainda mais, podendo chegar a um resultado 30% inferior à média mensal por conta das férias de verão. Neste início de 2021, os níveis dos estoques de sangue do tipo B- e O- já estão em situação crítica, enquanto os dos tipos O+ e A- colocaram a fundação em alerta.

“Os tipos O- e O+ estão sempre críticos”, acrescentou a Pró-Sangue, em nota em que explica que o sangue do tipo O+ é o mais demandado, por ser o mais comum entre a população brasileira e compatível com todos os outros tipos positivos. Já o O-, além de menos comum, é muito usado em atendimentos médicos emergenciais por ser compatível com outros tipos sanguíneos, independente de serem positivos ou negativos.

Segurança

O Ministério da Saúde garante que os hemocentros de todo o país estão preparados para receber os doadores com segurança, sem aglomerações, e em conformidade com as recomendações das autoridades sanitárias. A maioria, senão a totalidade dos postos de coleta, está funcionando com atendimento pré-agendado, de maneira que vale a pena o interessado consultar, na internet, a página ou as redes sociais do hemocentro do estado em que reside.

Para doar, o candidato tem que ter entre 16 e 69 anos de idade – menores de 18 anos precisam do consentimento formal dos responsáveis. O voluntário deve pesar mais que 50 kg e apresentar-se munido de documento oficial com foto. Pessoas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto não podem doar temporariamente.

O procedimento para doação de sangue é simples, rápido e totalmente seguro. Não há riscos para o doador, porque nenhum material usado na coleta do sangue é reutilizado, o que elimina qualquer possibilidade de contaminação. 

Cada voluntário pode doar sangue até quatro vezes ao ano, no caso de homens, e três vezes caso se trate de uma mulher, com intervalos mínimos de, respectivamente, dois e três meses. Para checar outras restrições, recomendações e informações, acesse a página do Ministério da Saúde.

Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil 

Anvisa divulga nota técnica sobre pós-vacinação em clínicas privadas

(arquivo)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou hoje (6), em Brasília, uma nota técnica sobre o acompanhamento de efeitos adversos em quem se vacina em clínicas privadas.

Segundo a Anvisa, a nota técnica é válida para qualquer vacina, mas logo na introdução do documento a agência destaca o desenvolvimento célere de tratamentos e vacinas para covid-19 como principal desafio sanitário que motivou a publicação.

O documento foi publicado dois dias depois de a Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas (ABCVAC), que representa o setor privado, confirmar a negociação para a compra de 5 milhões de doses de uma vacina contra covid-19 produzida na Índia.

A busca do setor privado pela compra de vacina contra a covid-19 causou polêmica devido ao receio de que a rede privada de saúde possa ter um imunizante disponível antes do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Orientações

Pelo texto da nota técnica, “as autoridades sanitárias e os serviços de saúde devem prezar pelo monitoramento destes medicamentos para verificar a sua segurança e efetividade, principalmente no que tange a vacinas, as quais têm o potencial de serem utilizadas em larga escala para a imunização de toda a população brasileira”.

Nas orientações às clínicas privadas, a Anvisa frisa que, para cumprir a legislação, todos os estabelecimentos devem criar um Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), visando acompanhar todos os vacinados e monitorar quaisquer incidentes e efeitos adversos após a vacinação.

A nota orienta que “a notificação dos eventos adversos deve ser realizada mensalmente, até o 15º (décimo quinto) dia útil do mês subsequente ao mês de vigilância, por meio das ferramentas eletrônicas disponibilizadas pela Anvisa, sendo que os eventos adversos que evoluírem para óbito devem ser notificados em até 72 (setenta e duas) horas a partir do ocorrido”.

Todas as informações devem ser inseridas num sistema chamado VigiMed, versão brasileira do sistema VigiFlow, disponibilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência orienta as vigilâncias sanitárias locais a fiscalizar se as clínicas privadas estão devidamente cadastradas e alimentando o sistema.

Por Felipe Pontes – Repórter da Agência Brasil 

Atraso na transmissão entre neurônios pode gerar fenômenos como as crises epilépticas

(Reprodução)

A atividade cerebral depende do balanço entre sinais excitatórios e sinais inibitórios trocados pelos neurônios. Se as contribuições excitatórias e inibitórias forem transmitidas com um mesmo atraso no tempo, a rede neuronal é capaz de apresentar uma atividade dessincronizada. Contudo, se a inibição atrasar além de certo limite, isso poderá levar a rede a um estado altamente sincronizado, característico das crises epilépticas.

Esta é a conclusão do artigo “Influence of Delayed Conductance on Neuronal Synchronization”, publicado por Paulo Ricardo Protachevicz, Kelly Cristiane Iarosz e colaboradores no periódico Frontiers in Physiology.

Protachevicz e Iarosz são pós-doutorandos no Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), sob a supervisão de Iberê Luiz Caldas, que também assina o artigo.

“Descobrimos que a transmissão inibitória precisa ser rápida o suficiente para evitar que estados altamente sincronizados ocorram na rede. O ideal é que a rede neuronal seja capaz de sincronizar, mas que não fique demasiadamente sincronizada durante todo o tempo”, diz Protachevicz à Agência FAPESP.

“Além disso, observamos que a sincronização encontrada está associada a mudanças (aumento ou redução) da frequência média de disparos na rede neuronal. Também a intensidade da corrente média assume valores mais altos ou mais baixos nas regiões de sincronização”, acrescenta.

O estudo foi apoiado pela FAPESP no âmbito do Projeto Temático “Dinâmica não linear”, coordenado por Caldas, e de duas bolsas de pós-doutorado, uma conferida a Protachevicz e outra a Iarosz.

Os resultados foram obtidos por meio de modelo teórico e simulação computacional. “Consideramos um modelo matemático que descreve a evolução do potencial elétrico de cada neurônio. Estes são conectados por meio de sinapses químicas excitatórias ou inibitórias”, informa Iarosz. “As correntes excitatórias geram despolarização dos neurônios receptores, enquanto as inibitórias evitam que a despolarização aconteça.”

“Diferentemente das sinapses elétricas, que são quase instantâneas, as sinapses químicas possuem um tempo de atraso intrínseco. Esse tempo de atraso pode também ser associado à propagação do sinal pelo dendrito e axônio”, explica Protachevicz.

“Apesar de sua formação ter se dado na área de física, durante a realização desta pesquisa Iarosz e Protachevicz levaram em conta elementos de biologia e fisiologia para que os modelos tivessem interpretações realistas”, salienta Iberê Caldas, supervisor do pós-doutorado de ambos.

O artigo Influence of Delayed Conductance on Neuronal Synchronization pode ser acessado em https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphys.2020.01053/full.

Por José Tadeu Arantes, da Agência FAPESP

*Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

Desinformação e teorias conspiratórias alimentam movimentos antivacina

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Enquanto a maioria dos países se prepara para iniciar campanha de vacinação contra a COVID-19, doença que já matou mais de 1,2 milhão de pessoas em todo o mundo, crescem, inclusive no Brasil, a desinformação e as teorias conspiratórias que alimentam movimentos antivacina.

Especialistas têm reforçado que, além de dispor do imunizante, de seringas, ampolas, refrigeradores, profissionais de saúde e definir logística de distribuição, é essencial também uma campanha de comunicação sobre a importância da vacinação, para que seja possível alcançar a meta de ter, pelo menos, 60% da população imunizada.

“Estamos observando uma espécie de batalha assimétrica. Os grupos antivacina no Brasil cresceram consideravelmente durante a pandemia, reaproveitando conteúdos prévios de fake news que já tinham sido produzidos e foram adaptados para a COVID-19. É muito mais barato e fácil produzir notícias falsas com análises conspiratórias e sem nenhum comprometimento do que um estudo com embasamento científico”, disse João Henrique Rafael, idealizador da União Pró-Vacina, grupo de pesquisadores que tem monitorado grupos antivacina no Facebook.

A iniciativa do Instituto de Estudos Avançados (IEA) Polo Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) conta com a parceria do Centro de Terapia Celular (CTC) e do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) – dois Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) financiados pela FAPESP. Também integram a União Pró-Vacina a Ilha do Conhecimento, a Vidya Academics, o Gaming Club da FEA-RP, o Instituto Questão de Ciência e o Pretty Much Science.

“Nos últimos anos, tem-se observado a tendência de quedas constantes nos índices vacinais no Brasil. O último ano bom foi 2015. Apesar de o movimento antivacina ser um tema multifacetado, havia um forte indício de que a desinformação e a falta de comunicação e educação sobre a importância dos imunizantes eram elementos que estavam afetando a queda vacinal”, disse Rafael.

O projeto de pesquisa foi iniciado em novembro de 2019, quando nem se imaginava que 2020 seria marcado por uma pandemia. Desde o início, o objetivo dos pesquisadores era identificar quem estava produzindo conteúdo antivacina, por onde isso circulava e quais eram os principais mitos. A partir desse levantamento, os pesquisadores passaram a produzir conteúdos baseados em evidências científicas para educar sobre a importância no nível individual e coletivo da vacina e também impedir que essa desinformação ganhasse corpo no país.

“Já estávamos estruturando as análises sobre esses grupos desde novembro do ano passado. Quando veio a pandemia já tínhamos todo esse aparato pronto, o que tornou muito mais fácil fazer o monitoramento e enxergar como esses grupos se comportavam e ganhavam novos adeptos”, disse Rafael à Agência FAPESP.

No entanto, de acordo com o pesquisador, a pandemia se mostrou muito propícia para o crescimento desses grupos, sobretudo por ser também um fenômeno comunicacional. “Esses grupos vinham crescendo e se articulando há anos, já tinham um público cativo e as redes sociais serviram como ferramenta poderosa de distribuição de desinformação difícil de ser revertida”, diz.

De acordo com os pesquisadores da USP, o crescimento desses grupos ocorreu tanto aqui como nos Estados Unidos, onde registrou aumento de milhões de usuários. No Brasil, onde há um longo histórico de campanhas de vacinação, o movimento é menor. “Mesmo assim, o movimento antivacina cresceu 18% por aqui durante a pandemia, reunindo agora mais de 23 mil usuários apenas no Facebook”, disse Rafael.

Espaços vazios

Outro aspecto importante, destacado pelo pesquisador, foi o vácuo deixado pelas grandes plataformas digitais. “Medidas como banimento, desmonetização ou simplesmente apagar conteúdos mentirosos demoraram muito para ocorrer e foram desproporcionais ao volume de desinformação. Além disso, instituições conhecidas por tratar de assuntos ligados à imunização não estavam lidando de maneira eficiente nas plataformas digitais”, disse.

Um dos exemplos investigados é da página sobre vacinas que o Ministério da Saúde administra no Facebook. “A comunicação do Ministério da Saúde e de outros órgãos não estava sendo suficiente para desmistificar conteúdos falsos e criar confiança na população sobre a importância da imunização. A página do ministério específica para vacinação no Facebook, com mais de 1 milhão de usuários, ficou parada. Durante o inicio da pandemia o canal, que já era importante dentro do Facebook, ficou três meses sem nenhuma atualização de conteúdo”, disse Rafael.

Durante o período analisado, os pesquisadores identificaram três eixos principais entre os divulgadores de conteúdos falsos antivacina e integrantes dos grupos analisados. O mais predominante deles é o chamado eixo ideológico, formado por pessoas que realmente acreditam nas teorias antivacina e transformam suas vidas em uma missão.

Há ainda o que os pesquisadores denominaram como eixo comercial, que, de acordo com as análises, pode ser notado mais facilmente no YouTube, onde não existem canais exclusivamente antivacina, mas canais que propagam desinformação e, esporadicamente, produzem vídeos com informações falsas sobre vacinas para gerar visualizações e lucrar com isso.

“O terceiro eixo, que começou no Brasil mais recentemente, é um dos mais problemáticos, pois tem o viés político da vacina. Ele surgiu da politização e da polarização com a pandemia”, disse Rafael.

A análise conduzida pela União Pró-Vacina da USP confirmou ainda que conteúdos com teorias da conspiração Q-Anon também estão ganhando espaço e se mesclando com os grupos antivacina.

O Q-Anon é um movimento que surgiu em fóruns de extrema direita na deep web após a eleição de 2016 nos Estados Unidos. O movimento tem como base teorias da conspiração que se mesclam e ligam celebridades à pedofilia e ao satanismo.

O Departamento Federal de Investigação (FBI) chegou inclusive a classificar o movimento como terrorismo doméstico. A partir dessa classificação, somente em agosto de 2020 o Facebook anunciou a exclusão de páginas, grupos e contas diretamente ligados ao Q-Anon. No Brasil, a plataforma também realizou uma ação semelhante em setembro, derrubando grupos e páginas que totalizavam pelo menos 570 mil seguidores.

“Porém, como essas ações demoraram muito para ocorrer, essas teorias se espalharam muito rapidamente por grupos que tinham afinidades com outras teorias da conspiração, como os grupos radicais políticos e os antivacina. No entanto, o Q-anon tende a acrescentar camadas mais radicais às teorias das conspirações tradicionais. Por exemplo: além de propagar notícias falsas sobre a pandemia, sugerem que seus seguidores invadam e gravem vídeos em hospitais com o intuito de mostrar que estariam vazios e interroguem médicos, entre outras atitudes muito preocupantes”, disse Rafael.

Os dois grupos antivacina brasileiro monitorados pelos pesquisadores, no entanto, não foram derrubados pela ação do Facebook e seguem com mais de 23 mil membros e, segundo o pesquisador, funcionam como um hub de informação falsa.

“Ao contrário de movimentos como terraplanismo e antivacina, o Q-Anon incorpora e se mescla com outras teorias de conspiração, trazendo constantemente conteúdo novo e mais extremo. Ele é ainda mais radical e trabalha adicionando camadas de desespero e medo, que podem levar ao ódio”, disse Rafael.

Rafael faz uma comparação entre o que ocorreu nos Estados Unidos e os próximos anos no Brasil. “Existe o risco de não controlar isso agora e o movimento crescer e chegar muito forte às eleições presidenciais em 2022. Isso ocorreu nos Estados Unidos, onde deputados que acreditam e propagam abertamente as teorias Q-Anon conseguiram se eleger no pleito de 2020. Portanto, o momento de evitar e agir para que esse movimento não se espalhe é agora”, disse o pesquisador.

Por Gov. de São Paulo

Capital tem 300 vagas de emprego na área da saúde

A Prefeitura de São Paulo abre processo seletivo para 319 vagas temporárias para o setor da saúde. As oportunidades são em áreas técnicas para um hospital da Zona Norte da capital, preferencialmente para profissionais que residem na região. Os salários variam entre R$ 2.911 e R$ 7.459. As inscrições ocorrem até o dia 15 de dezembro, às 18h, por meio do site www.bit.ly/vagasnocate. A equipe do Cate – Centro de Apoio ao Trabalho e Empreendedorismo fará a pré-seleção para convocar os candidatos que possuírem perfis que se encaixarem nas exigências da empresa e que estejam com disponibilidade para desenvolver as atividades por até 90 dias.

“Este processo seletivo para vagas temporárias na área da saúde além de gerar emprego, em um ano marcado pela crise do coronavírus, também oferece a possibilidade destes profissionais conseguirem uma recolocação ainda em 2020, seja para conciliar com outro trabalho ou como atividade principal. No primeiro semestre o Cate promoveu outras seleções no segmento com mais de 1.000 vagas dedicadas principalmente aos hospitais de campanha da capital.”, diz a secretária de Desenvolvimento Econômico e Trabalho, Aline Cardoso.

São 200 postos temporários para a colocação de técnico de enfermagem de terapia intensiva, com ganhos de R$ 2.911. É necessário possuir ensino superior completo em Enfermagem. Organizar o ambiente de trabalho, realizar registros e relatórios, comunicação com pacientes e com familiares são algumas das atividades que o prestador de serviços deverá realizar.

A área de enfermagem ainda contempla os cargos de enfermeiro e de profissional especializado em terapia intensiva – salários de até R$ 7459. Ambas as atividades exigem a formação superior completa e documentação profissional ativa.

Quem procura oportunidade para o cargo de fisioterapeuta encontra 45 vagas – salário de R$ 4.994. A formação acadêmica mínima para se candidatar é o ensino superior completo em Fisioterapia. A jornada de trabalho do selecionado será 12X36, das 7h até 19h ou 19h até 7h.

Para a área da fonoaudiologia são três vagas, também temporárias disponíveis, – remuneração de R$ 4.846. Para se candidatar é preciso possuir especialização no setor.

Serviço
Processo seletivo para área da saúde
Dias: Até 15 de dezembro
Horário: 18h
Site:www.bit.ly/vagasnocate

Mais da metade das crianças ainda não foram vacinadas contra a pólio

(Agência Brasil)

Desde o início da Campanha Nacional de Vacinação, no dia 5 de outubro até hoje (26), apenas 35% das crianças (4 milhões) foram vacinadas contra a poliomielite. A campanha irá até o próximo dia 30 e 7,3 milhões de crianças ainda precisam ser levadas pelos pais ou responsáveis até os postos de saúde para vacinar. O público-alvo estimado é de 11,2 milhões das crianças de 1 a menores de 5 anos.

O estado que mais vacinou as crianças até agora foi o Amapá (62,59%), seguido do estado da Paraíba (50,11%). Rondônia foi o estado que menos vacinou, tendo atendido apenas 11,76% do público-alvo. A recomendação aos estados que não atingirem a meta é continuar com a vacinação de rotina, oferecida durante todo o ano nos mais de 40 mil postos de saúde distribuídos pelo país.

A campanha nacional ocorre junto com a campanha de multivacinação, que visa atualizar a situação vacinal de crianças e adolescentes menores de 15 anos. Nesta última são ofertadas todas as vacinas do calendário nacional de vacinação.

A poliomielite, também chamada de pólio ou paralisia infantil, é uma doença contagiosa aguda causada pelo poliovírus, que pode infectar crianças e adultos e, em casos graves, pode levar a paralisias musculares, em geral nos membros inferiores, ou até mesmo à morte. A vacinação é a única forma de prevenção.

Por Agência Brasil

Saúde faz vacinação em estações do Metrô

A partir de hoje (18), o Metrô de São Paulo irá receber uma campanha de vacinação, da Secretaria Municipal da Saúde, contra o vírus Influenza (gripe) e contra Sarampo, Caxumba e Rubéola. A vacinação ocorrerá na estação terminal da Linha 3-Vermelha, Corinthians-Itaquera, dos dias 18 a 22 de agosto, e na estação Vila Prudente, na Linha 2-Verde, no dia 22.

Confira a programação:

– Estação Corinthians-Itaquera: de terça-feira (18) a sexta-feira (21), das 10 às 17h, e sábado (22), das 9h às 16h. Serão aplicadas as vacinas Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) para crianças a partir de um 1 ano e menores de 3 anos, além de pessoas na faixa etária entre 15 e 49 anos. Também será aplicada para menores de 1 ano. De 3 a 14 anos, a vacinação será seletiva e é necessária a apresentação da Carteira de Vacinação. A vacina contra a Gripe Influenza é para pessoas a partir dos 6 meses de vida e que ainda não foram vacinadas neste ano. A aplicação será na área livre do mezanino.

– Estação Vila Prudente: sábado (22), das 10 às 15h. Serão aplicadas as vacinas Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba e Rubéola) para crianças a partir de 1 ano e menores de 3 anos, além de pessoas na faixa etária entre 15 e 49 anos. Também será aplicada para menores de 1 ano. De 3 a 14 anos, a vacinação será seletiva e é necessária a apresentação da Carteira de Vacinação. A vacina contra a Gripe Influenza é para pessoas a partir dos 6 meses de vida e que ainda não foram vacinadas este ano. A aplicação será na área paga do mezanino.

*Com informações do Gov. do Estado de São Paulo