Radiação de micro-ondas seria causa da “síndrome de Havana”

Diplomatas americanos sentiram vertigem e apagão cognitivo na embaixada, em Cuba
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(Embaixada dos EUA/Reprodução)

A exposição direta à radiação de micro-ondas foi a provável causa do que ficou conhecido como “síndrome de Havana”, os distúrbios experimentados por diplomatas americanos e canadenses na capital cubana. A conclusão é de um estudo a cargo de um comitê de pesquisadores e divulgado no sábado (05/12) pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

“O comitê considerou que muitos dos sinais clínicos e sintomas apresentados por aqueles funcionários eram coerentes com efeitos de energia de micro-ondas pulsada e dirigida”, afirma o relatório.

Entre o final de 2016 e maio de 2018, mais de 20 enviados por Estados Unidos e Canadá para Havana, além de alguns de seus parentes, apresentaram problemas como falta de equilíbrio e coordenação, vertigem, enxaqueca, ansiedade e irritabilidade. Muitos relataram uma espécie de “névoa cognitiva”. Também houve relatos similares, ainda que em menor número, no consulado americano em Guanghzhou, na China, no início de 2017.

Na época, nem EUA nem o Canadá deram explicações públicas sobre esse fenômeno, que ficou conhecido como “síndrome de Havana“. Também não confirmaram ou desmentiram se esses sintomas eram reflexos de um ataque com algum tipo de misteriosa arma acústica, como a imprensa americana chegou a sugerir.

Os incidentes levaram o Departamento de Estado americano a expulsar dois diplomatas cubanos de Washington em 2017. O presidente Donald Trump culpou o governo cubano pelos episódios. As autoridades cubanas negaram terminantemente envolvimento e disseram tratar o assunto com a máxima importância.

O estudo encomendado pelo Departamento de Estado é a última tentativa de encontrar uma causa para os misteriosos sintomas. Os pesquisadores constataram que “a energia direcionada de radiofrequência parece ser a explicação mais plausível” para o que foi relatado pelos diplomatas.

Esta explicação, segundo os pesquisadores, é mais provável do que outras causas anteriormente consideradas, tais como doenças tropicais, uso de pesticidas ou problemas psicológicos.

O estudo não cita uma fonte de energia e não afirma categoricamente que ela foi fruto de um ataque deliberado, embora não o descarte. Mas destaca que pesquisas anteriores sobre os efeitos de ondas de radiofrequência pulsadas em lugar de contínuas foram realizadas na antiga União Soviética.

Em seu relatório, o comitê de 19 membros observa que enfrentou desafios significativos na tentativa de desvendar o mistério. Entre eles, o fato de nem todos os pacientes terem relatado os mesmos sintomas. Além disso, a pesquisa da Academia Nacional de Ciências não teve acesso a todos os estudos anteriores sobre os sintomas, já que alguns deles são secretos.

“O comitê considerou esses casos preocupantes, em parte devido ao papel plausível da energia de radiofrequência dirigida e pulsada como mecanismo, mas também devido ao sofrimento e debilidade significativos que ocorreram em alguns destes indivíduos”, disse o presidente do comitê, David Relman, professor de medicina da Universidade de Stanford. “Nós, como nação, precisamos tratar desses casos específicos, bem como da possibilidade de casos futuros com uma abordagem coordenada e abrangente.”

Alguns dos americanos criticaram a resposta do governo dos EUA às suas queixas de saúde e pelo menos um deles entrou com uma ação na Justiça contra o Departamento de Estado.

Entre o final de 2016 e maio de 2018, vários diplomatas americanos e canadenses em Havana reclamaram de problemas de saúde de uma causa desconhecida. Uma contagem do governo dos EUA colocou o número de funcionários americanos afetados em 26. Alguns relataram ter ouvido sons agudos semelhantes aos de grilos enquanto estavam em casa ou hospedados em hotéis. A teoria, então, era de que se tratava de um ataque sonoro.

RPR/ap/ots

Por Deutsche Welle

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