Polícia

Operação Escudo: ação policial deixa 20 mortos na Baixada Santista

A operação foi desencadeada após a morte de três policiais na região em menos de uma semana. A polícia diz que os confrontos foram em legítima defesa, mas a ouvidoria e os moradores denunciam abusos e violações de direitos humanos.

A operação foi desencadeada após a morte de três policiais na região em menos de uma semana(Divulgação – SSP-SP)

A Baixada Santista, região litorânea do estado de São Paulo, viveu uma onda de violência durante o Carnaval de 2024. A Operação Escudo, desencadeada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) após a morte de três policiais na região em menos de uma semana, resultou em 20 suspeitos mortos em confrontos com a polícia. A operação tem como objetivo identificar e prender os responsáveis pelos ataques aos agentes de segurança e restabelecer a ordem na região.

A operação começou na sexta-feira (2), após o soldado da Rota Samuel Wesley Cosmo ser baleado no rosto por um suspeito em uma viela no bairro Bom Retiro, em Santos. O policial chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. No mesmo dia, três suspeitos foram detidos na Rodovia Anchieta-Imigrantes, próximo a Cubatão, com uma arma, cartões bancários, celulares e um comprovante de transferência de R$ 96 mil. A polícia investiga se eles têm envolvimento na morte do PM da Rota.

No sábado (3), seis suspeitos foram mortos em diferentes pontos da Baixada Santista. Segundo a SSP-SP, todos eles reagiram a tiros à abordagem policial e foram baleados em legítima defesa. Um deles, que não foi identificado, morreu na madrugada, no bairro São Jorge, em Santos. Outros dois, de 24 e 22 anos, morreram no início da tarde, no bairro Jardim Casqueiro, em Cubatão. Mais três, de 19, 20 e 21 anos, morreram no final da tarde, no bairro Jardim São Manoel, também em Santos.

No domingo (4), mais quatro suspeitos foram mortos em confrontos com a polícia. Um deles, de 18 anos, morreu na madrugada, no bairro Jardim São Manoel, em Santos. Outro, de 19 anos, morreu no início da manhã, no bairro Jardim Rio Branco, em São Vicente. Os outros dois, de 20 e 21 anos, morreram no final da tarde, no bairro Jardim Nova República, em Cubatão.

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Na segunda-feira (5), mais três suspeitos foram mortos em troca de tiros com a polícia. Um deles, de 23 anos, morreu na madrugada, no bairro Jardim São Manoel, em Santos. Outro, de 24 anos, morreu no início da tarde, no bairro Jardim Casqueiro, em Cubatão. O último, de 25 anos, morreu no final da tarde, no bairro Jardim Rio Branco, em São Vicente.

Na terça-feira (6), mais um suspeito foi morto em confronto com a polícia. Ele, que não foi identificado, morreu na madrugada, no bairro Jardim São Manoel, em Santos.

No sábado (10), mais um suspeito foi morto em confronto com a polícia. Ele, que não foi identificado, morreu na noite, no bairro Alemoa, em Santos. Segundo a polícia, ele estava de bicicleta e atirou contra os policiais da Rota, que revidaram.

No domingo (11), o último suspeito foi morto em confronto com a polícia. Ele, que não foi identificado, morreu na noite, no bairro Jardim São Manoel, em Santos. Segundo a polícia, ele estava de bicicleta e atirou contra os policiais da Rota, que revidaram.

A Operação Escudo já resultou em 20 mortes em confrontos com a polícia na região, além de diversas prisões e apreensões de armas e drogas. A SSP-SP montou um gabinete na Baixada Santista para coordenar as ações e ofereceu uma recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro do autor do disparo que matou o PM da Rota.

A operação, porém, tem sido alvo de críticas e denúncias de abusos e violações de direitos humanos por parte da polícia. A ouvidoria da polícia, entidades de direitos humanos, deputados estaduais e moradores da região relataram casos de tortura, execução, invasão de domicílios, agressão e intimidação por parte dos policiais envolvidos na operação. Eles pedem que os casos sejam investigados e que os responsáveis sejam punidos.

A operação também gerou um clima de medo e tensão na Baixada Santista, especialmente nas comunidades mais pobres, onde a maioria dos confrontos ocorreu. Muitos moradores relataram que evitaram sair de casa ou participar das festividades de Carnaval por receio de serem abordados ou alvejados pela polícia. Alguns comerciantes também disseram que tiveram prejuízos com a queda no movimento de clientes.

A Operação Escudo não tem data para terminar e segue em andamento na Baixada Santista. A SSP-SP afirma que todos os casos de morte decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigados pela Polícia Civil, com o acompanhamento do Ministério Público e do Poder Judiciário. A SSP-SP também diz que a Corregedoria da Polícia Militar apura as denúncias de abusos e que a operação visa garantir a segurança e a ordem na região.

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