Covid-19: Mortes chegam a 2.922 em 24 horas

As mortes em virtude da covid-19 chegaram a 328.206 hoje (2). Nas últimas 24 horas, foram registradas 2.922 mortes. Entre ontem e hoje foram 70.238 novos diagnósticos positivos. No total, 12,9 milhões de pessoas foram contaminadas pela covid-19 no Brasil. Dessas, 11,2 milhões se recuperaram.

O balanço, divulgado diariamente pelo Ministério da Saúde, reúne as informações levantadas pelas secretarias estaduais de Saúde de todo o país.

Em geral, os registros de casos e mortes são menores nos feriados, como hoje, sábados e domingos em razão da dificuldade de alimentação dos dados pelas secretarias de Saúde. Já nos primeiros dias úteis seguintes, os totais tendem a ser maiores pelo acúmulo das informações de fim de semana que são enviadas ao ministério.

Estados

São Paulo chegou a 2,5 milhões de pessoas contaminadas. Os outros estados com maior número de casos no país são Minas Gerais (1,1 milhão) e Rio Grande do Sul (858 mil). Já o Acre tem o menor número de casos (70,8 mil), seguido de Roraima (90,1 mil) e Amapá (98,3 mil).

Em número de mortes, São Paulo também lidera, com 76,5 mil. Rio de Janeiro (37,2 mil) e Minas Gerais (25,2 mil) aparecem na sequência. Os estados com menos mortes são Acre (1,2 mil), Amapá (1,31 mil) e Roraima (1,35 mil).

*Com informações da Agência Brasil

Governo inicia distribuição de mais 5 milhões de doses de vacina

O Ministério da Saúde vai distribuir mais de 5 milhões de doses de vacinas contra covid-19, de forma proporcional e igualitária a todos os estados e ao Distrito Federal. A previsão é de que as entregas comecem ainda hoje (20) e sigam neste domingo (21).

Do total de doses, pouco mais de 1 milhão correspondem à primeira remessa de vacinas da AstraZeneca/Oxford (Covishield), produzida no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Outras 3,9 milhões são referentes a mais um lote da vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan.

De acordo a pasta, em seu 7º Informe Técnico da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), a nova remessa da CoronaVac vai atender aos profissionais de saúde e idosos de 70 a 74 anos, enquanto os imunizantes da AstraZeneca contemplarão comunidades ribeirinhas e quilombolas.

A estratégia foi definida pelo Ministério da Saúde considerando as possíveis dificuldades logísticas para o atendimento a essas comunidades e o prazo maior para a aplicação da segunda dose da vacina produzida pela Fiocruz. Como o intervalo entre as doses é de 12 semanas, isso deve facilitar o cumprimento do esquema vacinal em locais de difícil acesso. No caso da vacina do Butantan, o intervalo máximo entre as doses é de quatro semanas.

“A expectativa é que essa distribuição contemple 100% dos moradores de comunidades ribeirinhas e 63% da população em comunidades quilombolas em todo o país”, informou a pasta. A previsão é que as doses pendentes para os povos quilombolas sejam entregues na próxima etapa de distribuição, o que deve acontecer na próxima semana, entre os dias 22 e 26 de março.

Garantia da segunda dose

Ainda segundo o informe, nesta etapa de distribuição, todas as doses da CoronaVac deverão ser usadas pelos estados como primeira dose. “A recomendação vem após a garantia da estabilidade de entregas semanais das remessas de vacinas com produção nacional e matéria-prima (IFA) importada. Essa estratégia vai possibilitar a aceleração da vacinação dos grupos prioritários no Brasil e redução dos casos graves de covid-19”, informou o Ministério da Saúde

O insumo farmacêutico ativo (IFA) da CoronaVac é produzido no laboratório chinês Sinovac, desenvolvedor da vacina e parceiro do Instituto Butantan.

De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento, essa recomendação era destinada apenas para as doses da Covishield, devido ao intervalo de 12 semanas entre a primeira e a segunda aplicação. A pasta ressalta que aplicação das duas doses de cada imunizante deve seguir o intervalo estipulado, para completar o esquema vacinal e consequente imunização.

Cronograma

O Ministério da Saúde informou ainda que já coordenou nove pautas de distribuição de vacinas desde o dia 18 de janeiro, início da campanha de vacinação contra covid-19. Até o momento, foram enviadas aos estados e Distrito Federal cerca de 25 milhões de doses de imunizantes, com mais de 13 milhões de pessoas vacinadas.

Para o mês de março, há a previsão de entrega de um total de 30 milhões de doses: 23,3 milhões da CoronaVac, enviados pelo Butantan em remessas semanais e distribuídas na mesma periodicidade; 3,8 milhões da AstraZeneca/Oxford, vindas da Fiocruz; e mais 2,9 milhões de doses do mesmo imunizante adquiridos via Covax Facility, a aliança internacional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Ministério da Saúde tem ainda contratos finalizados para receber 100 milhões de doses da vacina da Pfizer/BioNTech e 38 milhões de doses da Jonhson & Jonhson (produzida pela Janssen), até o fim do ano. A vacina Sputnik V também já entrou no cronograma da pasta, após contrato celebrado com a União Química, e já tem entregas previstas para abril, maio e junho.

*Com informações da Agência Brasil

Banco francês não vai financiar empresas que compram carne e soja de áreas desmatadas da Amazônia

(Arquivo/Christian Braga/Greenpeace)

O banco francês BNP Paribas, o maior do país europeu, prometeu nesta segunda-feira (15/02) parar de financiar empresas que produzem ou compram carne bovina ou soja cultivadas em terras desmatadas ou convertidas depois de 2008 na Amazônia.

A instituição afirmou ainda que também “incentivará seus clientes a não produzirem ou comprarem carne bovina ou soja em terras desflorestadas ou convertidas […] posteriormente a 1º de janeiro de 2020” no Cerrado, de acordo com os padrões globais.

Segundo o BNP Paribas, a ausência de um mapeamento exaustivo das terras no Cerrado impede, por enquanto, que o banco vá além desse incentivo.

Além disso, a instituição afirmou que, até 2025, solicitará aos seus clientes a rastreabilidade total dos setores de carne bovina e soja, financiando assim apenas aqueles que adotarem uma estratégia de desmatamento zero.

“Instituições financeiras expostas ao setor agrícola no Brasil devem contribuir para essa luta contra o desmatamento. Esse é o caso do BNP Paribas”, disse o banco em comunicado.

Reações de ambientalistas

Organizações ambientalistas afirmaram que a declaração envia um forte sinal para as empresas que comercializam commodities na região, mas pressionaram por ações mais rápidas e firmes.

 “O banco diz que só está pronto para incentivar, e não forçar, as empresas que atuam no Cerrado. […] As únicas medidas de exclusão imediatas aplicam-se às empresas que continuam a derrubar ou converter terras na Amazônia”, criticou a organização não governamental Reclaim Finance.

“Poucas empresas estão, portanto, preocupadas, visto que já existe uma moratória que estipula o fim do desflorestamento relacionado com a soja a partir de 2008 e é amplamente respeitada”, completou. A ONG também considerou a meta estipulada para o ano de 2025 “tarde demais”.

“O BNP Paribas está dando aos comerciantes mais cinco anos para derrubar florestas impunemente”, afirmou, por sua vez, a associação francesa Canopée – Forêts vivantes.

Desmatamento na Amazônia e no Cerrado

A soja e a carne bovina são dois dos maiores motores do desmatamento no mundo. O crescimento populacional e uma expansão rápida da classe média em países como a China estimularam uma explosão na demanda por soja e um aumento do consumo de carne e laticínios.

Cientistas alertam que a Floresta Amazônica, que se entende por nove países, está se dirigindo para um espiral mortal à medida que o desmatamento acelera. Segundo a ONG Amazon Conservation Association, uma área do tamanho de Israel foi derrubada na Amazônia só em 2020.

Já em relação ao Cerrado, que cobre 20% do território brasileiro, metade do bioma já foi desmatado, o que o torna um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, denunciaram quatro organizações ambientalistas em uma declaração conjunta.

Bancos e o desmatamento

Na semana passada, uma investigação da organização não governamental Global Witness apontou que vários bancos franceses, em particular o BNP Paribas, respondem pelo financiamento de empresas agrícolas responsáveis pelo desmatamento no Brasil.

O banco disse à Global Witness que todos os seus clientes na Amazônia “foram certificados ou envolvidos num processo de certificação” para garantir que as suas práticas eram responsáveis.

No mês passado, o BNP Paribas e outros credores europeus, como o banco holandês ING e o suíço Credit Suisse, se comprometeram a parar de financiar o comércio de petróleo bruto do Equador após pressão de ativistas com o objetivo de proteger a Amazônia.

Por Deutsche Welle

ek (Reuters, Lusa, AFP, ots)

Brasil cai cinco posições no ranking global de IDH

ONU aponta falta de avanços na educação como responsável pelo índice brasileiro, e alerta para alta desigualdade de renda e de gênero
(Fernando Frazão/Agência Brasil/via Fotos Públicas)

O Brasil caiu cinco posições no ranking mundial de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU e passou da 79ª para a 84ª posição, entre 189 países avaliados.

O cálculo para as colocações no ranking anual elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) se baseia em critérios relacionados à saúde, renda e escolaridade para medir o bem-estar da população. Os dados do relatório divulgado nesta terça-feira (15/12) são de 2019.

O IDH brasileiro teve evolução de 0,003 em relação a 2018, o que o Pnud avalia como crescimento lento. O Brasil não chegou a recuar nos três indicadores, mas acabou sendo ultrapassado por outros países que tiveram melhor desempenho, o que explica a perda de posições.

A estagnação brasileira se deve à falta de avanços na educação. O período de permanência das pessoas na escola ainda é o mesmo de 2016, de 15,4 anos. A média de anos de estudo teve uma pequena alta, de 7,8 anos em 2018 para 8 anos em 2019.

A expectativa de vida no país aumentou de 75,7 anos para 75,9, o que representa um aumento significativo se comparado com a avaliação de 2015, que era de 75 anos.

O Brasil é ainda o 6º entre os países da América do Sul, atrás de Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Colômbia. Estes dois últimos estavam abaixo e empatados com o Brasil no ranking de 2018.

Se comparado aos demais países emergentes que integram o grupo dos Brics, o Brasil perde para a Rússia, mas aparece à frente de China, África do Sul e Índia.

O país com o melhor IDH do mundo continua sendo a Noruega, seguida da Irlanda e da Suíça, empatadas na segunda colocação. A Alemanha, que era a terceira colocada em 2018, caiu para a 6ª posição, atrás de Hong Kong e Islândia, ambos em quarto lugar.

Alta desigualdade

Se os índices referentes à desigualdade forem incluídos no cálculo, a queda do Brasil é ainda mais acentuada, com o país perdendo 20 posições. O IDH brasileiro, que é de 0,765, cai para 0,570, ou seja, uma redução de 25,5%.

Nessa análise, o Brasil é a segunda nação que mais perde posições, atrás apenas de Comores, um país nanico no leste da África com população de 830 mil pessoas. O IDH ajustado para a desigualdade é calculado para 150 países.

Outro ponto negativo para o Brasil diz respeito às questoes de gênero. O país está na 95ª posição do Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), um ranking que inclui 162 nações.

RC/ots

Por Deutsche Welle

Morre o apresentador Fernando Vannucci

(TV Globo/Reprodução)

Morreu hoje (24), em Barueri, na grande São Paulo, o apresentador e narrador esportivo Fernando Vannucci. Ele tinha 69 anos e a causa da morte ainda não foi divulgada. A informação é o G1.

Atualmente na Rede Brasil de Televisão, Vannucci tinha uma longa trajetória de sucesso na TV Brasileira. Na TV Globo, onde viveu um dos melhores momentos da carreira, apresentou jornais como Globo Esporte, RJTV, Esporte Espetacular, Jornal Nacional, Fantástico e Jornal Hoje.

Fernando Vannucci era natural de Uberaba, Minas Gerais.

Doações de fim de ano são tema de debate online

Filipe Páscoa, da Trackmob (Divulgação)

A Trackmob, empresa de inteligência de doações para instituições sem fins lucrativos, promove, no próximo dia 18, às 17 horas, um webinar com o tema ‘Emoções e storytelling: como captar a atenção e conquistar novos doadores nas campanhas de fim de ano’.  A inscrição é gratuita e pode ser feita pela internet.

Os convidados são Marcelo Douek, fundador da Social Docs, e Marcele Aroca Camy, Gerente de Comunicação e Relacionamento da Fraternidade sem Fronteiras. Filipe Páscoa, diretor de Inovação da Trackmob, media a conversa sobre a relevância das campanhas de mobilização de recursos habituais desta temporada do ano, como Dia de Doar, Natal e 13º, e também sobre a construção de narrativas  para engajamento social. 

De acordo com Páscoa, levantamentos internacionais indicam que dezembro representa pelo menos 30% da receita financeira anual das ONGs. No Brasil, dados da Associação Brasileira de Captação de Recursos (ABCR) informam que o patamar é o mesmo, apesar de não haver estudos científicos.

“O propósito do encontro é aumentar a solidariedade, compartilhar inspirações, boas práticas, compartilhar conhecimentos e refletir sobre o quanto a transformação digital pode ser estratégica nas ações de engajamento para estabelecer captações perto do mês mais representativo do ano em mobilização de recursos para as ONGs”, afirma Páscoa, especialista da Trackmob. 

Serviço

‘Emoções e storytelling: como captar a atenção e conquistar novos doadores nas campanhas de fim de ano’

Violência e fogo: Grilagem ameaça assentados no Pará

Queimada criminosa destruiu casa de família nos limites do assentamento Pilão Poente, em outubro de 2020

Três assentamentos localizados em Anapu, no Pará, viram crescer os focos de queimadas nas últimas semanas. As áreas são pressionadas por práticas de grilagem, degradação ambiental e ameaças a lideranças comunitárias.

Este mês, a Justiça decretou reintegração de posse da Fazenda Sombra da Mata, sobreposta ao Projeto de Assentamento (PA) Pilão Poente III, e uma ação civil pública pede fiscalização contínua para conter os crimes socioambientais nos Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Virola-Jatobá e Esperança, o mesmo onde a missionária norte-americana Dorothy Stang foi executada.

“A gente sabe que aqui custou uma vida. A vida da irmã Dorothy foi embora. A gente tentou preservar essa floresta. Mas, infelizmente, de um certo tempo para cá, bagunçou. O povo não está respeitando a reserva”, conta uma liderança do PDS Esperança, que prefere não ser identificada.

Os conflitos nos assentamentos em Anapu são crônicos, passam pelo assassinato da irmã Dorothy, em 2005, e permanecem impondo violência 15 anos depois. Desde então, pelo menos outras 21 pessoas foram assassinadas em conflitos por terra no município, segundo o Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno da Comissão Pastoral da Terra. 

O desmatamento e as queimadas são usados como instrumentos para tomar posse da terra e inviabilizar a existência dos projetos que abrigam os assentados. Entre 1º e 26 de outubro deste ano, foram registrados 155 focos de calor nos PAs Pilão Poente II e III. Já os PDSs Esperança e Virola-Jatobá, concentraram 102 e 75 focos, respectivamente, no mesmo período. Nos três casos, os dados de queimadas em outubro representam cerca de 65% de todos os focos registrados em 2020 nesses assentamentos pelo satélite S-NPP da Nasa.

Anapu, Pará

Veja o mapa interativo do InfoAmazonia

O fogo também é usado como arma. No início de outubro, a residência de uma família em área atingida pela grilagem nos limites do Pilão Poente sofreu um ataque e foi toda queimada. O pedido de reintegração de posse no Pilão Poente registra essa queimada criminosa, e pede a reintegração contra Moacir Inácio dos Santos e Joana Bezerra Brito, por se apossarem de área pública e impedirem o trânsito de pessoas pela Vicinal Catarina, construída pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), com apoio de verba do município de Anapu.

A retirada dos grileiros já havia sido determinada antes, mas foi suspensa por conta da pandemia do novo coronavírus e dos riscos de contaminação. No processo em que defende a urgência da medida, o procurador Matheus de Andrade Bueno, do Ministério Público Federal (MPF) de Altamira (Pará), aponta a tentativa, por parte dos acusados, de usar a pandemia para acelerar o processo de grilagem, ao citar que a área foi registrada no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em março deste ano.

“Esse caso do Pilão Poente é um caso emblemático, mas não é um caso isolado no contexto de Anapu. Há uma espécie de rede de grilagem, uma atuação sistemática, histórica, de grilagem na região, baseada na lógica de invadir e desmatar, com o intuito de tentar legitimar alguma forma de acesso a terras públicas. Não é apenas uma disputa de propriedade em si, mas uma disputa do sentido da terra: se a terra vai servir a uma forma predatória de produção ou se aquilo vai ter algum respeito socioambiental”, explica o procurador.

Conflito entre modelos de produção

A lógica de grilagem e degradação não atinge apenas assentamentos convencionais, da modalidade PA, como o Pilão Poente. Também alcança os PDS, tipo de assentamento que prevê atividades ambientalmente sustentáveis e titulação coletiva da terra, incluindo uma área de reserva legal [área destinada legalmente que deve ser mantida com vegetação nativa].

A ação civil pública aponta a multiplicidade de focos de desmatamento e queimadas nos PDS Esperança e Virola-Jatobá, além do aumento da retirada de produtos vegetais, como o acapu, espécie madeireira ameaçada de extinção que é encontrada nessas terras.

 A pesquisadora do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares da Universidade Federal do Pará (Ineaf/UFPA) Noemi Miyasaka Porro vê ao menos dois perfis diferentes no mercado ilegal de terras instalado no PDS. Um deles seria o dos invasores: “Eu acho que os que declaram um CAR de 200, 300 hectares ou são grileiros, ou são fazendeiros. São empresários que vão comprando esses lotes de reforma agrária, vão desmatando, colocando pasto, fazendo a venda de toras. Ou que vivem só dessa compra e venda de lote. Esses maiores eu colocaria numa categoria. Seriam empresários rurais, eles vivem disso. São claramente invasores.”

“Mas tem um outro perfil, do agricultor familiar, que em algum momento foi perdendo vínculo com a sua terra e já está passando pelo terceiro, quarto, quinto assentamento. Intencionalmente ou não, acaba sendo peça importante desse mercado. É um invasor? Não. Integra uma família de agricultores familiares sem terra, que está em deslocamento, se assenta ali e, eventualmente, se agrega a esse grupo do PDS”, complementa a pesquisadora.

O Virola-Jatobá foi criado em 2002. Em 2017, houve uma grande invasão nesse PDS. Cerca de 200 pessoas armadas, entre grileiros e madeireiros, demarcaram a área da reserva legal com intenção de lotear. Em 2018 e 2019, foram retiradas do PDS, mas os invasores acabam voltando.

A conta da destruição de floresta causada por pessoas alheias ao projeto de reforma agrária depois recai sobre os assentados, na medida em que, para o licenciamento ambiental, é apresentada como exigência a recomposição de áreas invadidas e degradadas.

Desmatamento em área invadida no PDS Virola-Jatobá, em registro de setembro de 2020

Com Dorothy Stang como importante mobilizadora, a criação do Esperança também data de 2002. A reserva legal desse PDS foi invadida em abril de 2018 duas vezes, sendo que a segunda reuniu cerca de 40 pessoas, também com desmatamento e demarcação de lotes. As invasões no Esperança e no Virola-Jatobá são relatadas na ação civil pública requerendo ação integrada da União, do Incra, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do estado do Pará para fiscalização contínua desses projetos de desenvolvimento sustentável.

“O que está em jogo, no caso dos PDS, é o próprio modelo de Projeto de Desenvolvimento Sustentável. É a destruição da floresta como uma forma de inviabilizar a discussão se será um PDS ou não, porque essa modalidade de assentamento pressupõe a existência de uma área ambiental que possa ser explorada de forma sustentável. Sem área de floresta, isso não é possível”, explica Matheus de Andrade Bueno, do MPF.

Terras com destino incerto

Além dos PAs e PDSs, preocupa o Ministério Público a ocupação irregular e o desmatamento em áreas públicas localizadas no município que não foram destinadas. Para o procurador, a ocupação dessas áreas não destinadas por assentados seria uma forma de proteção ambiental, além de instrumento de justiça social. Bueno pontua as reintegrações de posse e as medidas de proteção a pessoas ameaçadas como as duas abordagens emergenciais no contexto de conflito em Anapu.

Quem defende as terras coletivas costuma ser pressionado. “Pessoas que estão defendendo, que nem eu, são ameaçadas. O negócio aqui para mim não é fácil, não. Eu teimo muito, eu luto pela verdade. Mas é perigoso, não é fácil, não”, diz a liderança do PDS Esperança ouvida pelo InfoAmazonia.

Em nota, o Incra afirma que identificou ocupações irregulares em assentamentos no município de Anapu, que resultaram em processos administrativos e judiciais em curso de retomada de áreas exploradas irregularmente. Em relação às denúncias de desmatamento, o instituto informou que solicitou atuação do Ibama e da Secretaria de Meio Ambiente do Pará para fiscalizar e punir as denúncias de crimes ambientais. Segundo o órgão, quando comunicadas, as ameaças contra famílias assentadas nos projetos em Anapu são encaminhadas à Secretaria de Segurança Pública do Pará para investigação policial.

Por Guilherme Guerreiro Neto/InfoAmazonia

Esta reportagem faz parte do Amazônia Sufocadaprojeto especial do InfoAmazonia com o apoio do Rainforest Journalism Fund/Pulitzer Center.

Bloqueio de benefícios pelo INSS segue suspenso

Uma portaria publicada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no Diário Oficial da União de hoje (15) prorroga a interrupção do bloqueio, por falta de comprovação de vida de seus beneficiários, dos créditos de benefícios que têm como destino pessoas residentes no Brasil ou no exterior.

Segundo a portaria nº 1.053, de 13 de outubro, a prorrogação da interrupção desses bloqueios vale, a princípio, por mais uma competência (outubro de 2020). Assim sendo, só a partir de novembro que o beneficiário correrá risco de perder o benefício, caso a medida não seja novamente prorrogada ou caso ele não faça a comprovação de vida.

O INSS esclarece que essa interrupção não prejudicará a rotina e as obrigações contratuais estabelecidas entre o instituto e a rede bancária pagadora de benefícios. Com isso, a comprovação de vida junto à rede bancária deve ser feita normalmente.

Ainda segundo a portaria, o encaminhamento das comprovações de vida realizadas pelos residentes no exterior deve ser feito junto a representações diplomáticas ou consulares brasileiras no exterior ou por intermédio do preenchimento do Formulário Específico de Atestado de Vida para comprovação perante o INSS.

Esse formulário precisa ser assinado na presença de um “notário público local e devidamente apostilado pelos órgãos designados em cada país, para os casos de residentes em países signatários da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros”.

Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil 

Brasileiros relativizaram democracia durante a pandemia, diz pesquisa

(Rovena Rosa/Agência Brasil)

Em algum grau, 82,5% dos brasileiros aceitam a relativização do regime democrático desde que o objetivo do governo seja resolver os problemas e melhorar a vida da população. Foi o que apontou a primeira etapa da pesquisa “Valores em Crise 2020”, conduzida pelo Instituto Sivis e pelo Instituto Votorantim em meio à pandemia de covid-19.

O objetivo do levantamento, explica a gerente de Pesquisa e Impacto do Instituto Sivis, Thaise Kemer, é descobrir como a percepção dos entrevistados sobre a crise do coronavírus se transformou ao longo da pandemia e como essas mudanças de perspectiva afetaram seus valores morais e orientações sociais.

Para tanto, o estudo será conduzido em três etapas: a primeira, no meio da crise, foi aplicada em maio e junho de 2020 e já teve seus resultados divulgados; a segunda, será realizada no momento em que a vida pública começar a voltar à normalidade, o que se espera que aconteça ainda nos meses finais de 2020; e a terceira deve ocorrer um ano após a primeira, em meados de 2021.

“A pandemia oferece uma oportunidade única para estudar como os valores morais das pessoas se comportam em tempos de crise. Esse cenário de incerteza levanta várias questões importantes de pesquisa: as pessoas mudam seus valores em um contexto de crise? Se sim, como essas mudanças de valores se manifestam?”, comenta a pesquisadora.

Segundo Kemer, a relativização da democracia demonstra um grave problema, indicando que falta conhecimento sobre as implicações desse regime para a vida em sociedade.

Ela também diz que a pandemia aprofundou desigualdades já existentes no país: aproximadamente 40% dos entrevistados receberam dinheiro de algum auxílio emergencial, enquanto 34,6% sofreram impactos econômicos severos, como perda de emprego ou fechamento do negócio próprio.

“Esse cenário pode ter consequências deletérias para a democracia brasileira, ao tornar mais difícil  que parcelas expressivas da sociedade tenham acesso a ferramentas e conhecimentos relevantes para o exercício democrático”, pontua.

‪Amélia do Carmo Sampaio Rossi, doutora em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), afirma que há várias crises ocorrendo simultaneamente. Na visão da docente, a baixa adesão ao regime democrático lhe parece ligada de forma estreita a uma crise econômica mundial, agravada pela pandemia da Sars-CoV-2. ‬‬

Ela também ressalta que o regime democrático não pode ser visto apenas como a vontade da maioria, ou autogoverno popular, mas como o respeito intransponível a todos os direitos fundamentais. Nesse ponto, ela diz acreditar que as democracias atuais têm falhado.

“O medo, a insegurança para com os rumos da vida, as exclusões e assimetrias, a crise das democracias representativas – muitas vezes sequestradas pelo poder econômico-financeiro aliado aos dados digitais – tudo isso colabora para que o valor democrático fique em segundo plano”, esclarece.

Rossi diz ainda que não há como precisar se o dado apontado pela pesquisa do Instituto Sivis seria diferente em tempos de “normalidade”, vez que o conceito é relativo – não há, por exemplo, subjetividade na fome. Só poderia ser considerada “normal” uma sociedade com plena justiça social e acesso a bens básicos, como saúde, educação, segurança alimentar, assistência social, entre outros.

“Não é possível gozar de uma efetiva liberdade para uma comunidade se esta não está associada ao acesso aos bens básicos e à ideia de dignidade e mínimo existencial. Melhorar a vida deve significar criar maiores planos de igualdade material. Ou devemos acreditar que falta dinheiro no mundo?”, questiona a docente.

Fragilidade histórica

Para Marília Veronese, docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), existe uma fragilidade histórica em relação à consolidação da democracia no continente americano.

“O colonialismo ibero-americano a partir do ‘descobrimento’ resultou em um encontro colonial extremamente violento, calcado na relação de exploração e extração das riquezas naturais, que foram depenadas e impulsionaram a revolução industrial europeia” diz. “Aqui, porém, tivemos um genocídio da população indígena e uma destruição dos conhecimentos e culturas originários da América Latina. Mais tarde, tivemos mais violência com a escravização dos africanos.”

A cientista social também aponta que a instabilidade democrática verificada ao longo do século 20, com períodos ditatoriais, como o Estado Novo e o regime militar no Brasil e as demais ditaduras do Cone Sul, é um fator que contribuiu para essa fragilidade.

O fato de os brasileiros aceitarem que o governo passe por cima do Congresso, das leis e das instituições em tempos de crise, como apontaram os resultados da pesquisa “Valores em Crise 2020”, demonstra um comportamento que é sintomático dos déficits existentes na cultura democrática brasileira, diz Kemer.

“A cultura democrática passa por uma internalização dos significados sociais e institucionais da democracia para a vida dos cidadãos. Nesse sentido, ao relegar as bases do regime democrático a um segundo plano, é possível que a pandemia esteja demonstrando fragilidades da democracia brasileira que têm natureza estrutural”, opina.

Fake news

Outro fenômeno atual que pode gerar impactos significativos na democracia são as fake news. Um estudo realizado pela Avaaz, rede para mobilização social global através da internet, apontou que sete em cada dez brasileiros acreditaram em pelo menos uma notícia falsa sobre a pandemia do coronavírus.

Rossi afirma que a digitalização da política e as fake news criaram modos de estabelecer uma pós-verdade. “A manipulação e o uso de informações por meio de algoritmos influenciam as escolhas políticas. Estamos diante de um novo ‘voto de cabresto digital’; não somos obrigados a escolher este ou aquele candidato, mas a manipulação escolhe por nós”, considera. “Há muitos e novos problemas para pensarmos no século 21, muitas perguntas que levam a reflexão, mas, por enquanto, nenhuma resposta.”

Já para Kemer, o índice trazido pela pesquisa da Avaaz é reflexo da desinformação e impacta prejudicialmente o jogo democrático: uma população mal informada, diz a especialista, não tem elementos pertinentes para fiscalizar o trabalho dos governantes e exigir seus direitos.

“Trabalhar contra a desinformação é um requisito fundamental para fortalecer a democracia brasileira, e esse combate passa tanto pela valorização de diálogos plurais quanto pela busca em assegurar que cidadãs e cidadãos brasileiros tenham os conhecimentos necessários para tomar decisões conscientes sobre o futuro”, conclui.

Por Murilo Basso, da Deutsche Welle

Tempo segue firme e quente, dizem meteorologistas

A massa de ar seco e quente que está sobre o interior do Brasil deve permanecer até a próxima semana, elevando as temperaturas e afastando as possibilidades de chuva, em especial nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. 

A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que as temperaturas continuem elevadas, com máximas acima dos 30 graus em praticamente todo o Brasil, podendo ter picos de 40°C na região central; e mínimas entre 14°C e 26°C.

De acordo com Maiane Araújo, meteorologista do Inmet, esse é um fato comum nessa época do ano, na entrada da primavera, uma estação de transição. “A atmosfera ainda está se ajustando para sair de um padrão e ir para a outro. Embora tenham ocorrido chuvas há alguns dias, a massa de ar seco volta a se estabelecer, até que as chuvas consigam se firmar de fato”, explicou.

Como a massa quente impede a formação de nuvens, as temperaturas se elevam. Para hoje (29), o Inmet já emitiu alertas de baixa umidade para estados do Sudeste e Nordeste. Os avisos são atualizados diariamente na página do instituto.

Os picos de 40°C de temperatura podem acontecer em pontos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Em Brasília, segundo Maiane, não há indicativo que isso ocorra. O recorde para a capital federal é de 37,7°C, registrado em outubro de 2017.

A especialista disse, ainda, que há a possibilidade de chuvas no interior do país a partir do dia 8 de outubro, mas como essa é uma fase de transição, as previsões sempre podem mudar. Além disso, cada ano tem suas especificidades. Em 2019, por exemplo, a estação chuvosa se estabeleceu na segunda quinzena de novembro. Para este ano, a previsão é que isso aconteça no fim de outubro.

Já essa semana é de chuvas nas regiões Norte e Sul. No Sul, deverá haver concentração de chuvas, principalmente, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Na Norte, os maiores acumulados deverão ser no noroeste do Amazonas e em Roraima. Já no Nordeste, as chuvas devem ser isoladas e com baixo volume. 

Por Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil