‘A Última Floresta’ é um olhar de urgência pela proteção dos Yanomami, diz diretor

Depois de ser exibido em março no Festival de Berlim, filme sobre o povo Yanomami estreia no Brasil, neste domingo (18). A imagem acima é uma foto still do filme (Pedro J Márquez/via Amazônia Real)

Um jovem Yanomami se sente atraído pela sedução do minério e do ouro, ao encontrar um amigo na floresta. De volta à aldeia, fica pensativo e quieto, e Davi Kopenawa Yanomami logo percebe. Com tranquilidade e com a força de uma história de décadas de luta em defesa do território de seu povo e calejado por anos de ameaças e perseguições e perdas de muitos outros jovens para o garimpo, explica ao rapaz, tendo como companhia apenas o silêncio e a escuridão da noite, dentro da maloca:

“As mercadorias deles podem enfeitiçar a gente. Eles parecem bons. Querem ajudar. Mas quando você fica sozinho, ninguém se importa com você, e você passa fome. Tem fome e não tem o que caçar. Não te dão um lugar para dormir. Somente na nossa floresta você pode dormir em paz”. Esta declaração de alerta é um dos momentos mais fortes do filme “A Última Floresta”, dirigido por Luiz Bolognesi (de “Ex-Pajé”).

Depois da estreia mundial, no início de março, no Festival Internacional de Cinema de Berlim, exibido na mostra Panorama, “A Última Floresta” será exibido pela primeira no Brasil neste domingo (18), na 26ª edição do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, às 19h (horário de Brasília), transmitido gratuitamente pela plataforma de streaming Looke. A exibição online é limitada para 2 mil espectadores.

Nesta segunda-feira (19), para marcar o Dia do Índio, a produção do filme promoverá um debate transmitido pelas redes sociais da ong Instituto Socioambiental, a partir de 19h30 (horário de Brasília), com as presenças de Davi Yanomami, Ailton Krenak, Sonia Guajajara e Luiz Bolognesi.

“A Última Floresta” retrata a vida e os costumes do grupo Yanomami, e mostra como a presença ilegal da exploração do ouro no território, que voltou a crescer nos últimos dois anos, está colocando em risco a população indígena e a floresta. Desde 2019, os líderes Yanomami alertam para um novo e ameaçador aumento de garimpeiros no território. Somente em 2020, foram identificados 500 hectares de degradação ambiental causado pela atividade ilegal de extração de ouro.

Em entrevista à Amazônia Real, na última sexta-feira (16), Davi Yanomami, que assina a coautoria do roteiro junto com Bolognesi, disse que o propósito de ter aceitado que a história de seu povo fosse levado ao cinema foi chamar atenção para “o erro do povo da cidade”. “Quero mostrar para a sociedade não-indígena que nunca viu o povo Yanomami, de Roraima e do Amazonas, que nunca conheceu, nunca andou ou viu de perto, a realidade como vivemos”, disse ele. 

No filme, Davi Yanomami faz o mesmo alerta. “Os brancos não nos conhecem. Seus olhos nunca nos viram. Seus ouvidos não entendem nossas falas. Por isso, eu preciso ir lá onde vivem os brancos.”

Davi Kopenawa em foto de still do filme ‘A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, sobre os Yanomami
(Pedro J Márquez/via Amazônia Real)

Davi Kopenawa Yanomami, que ficou a maior parte do período da pandemia da Covid-19, na aldeia Watoriki, está passando uma temporada em Boa Vista (RR), depois de tomar as duas doses da vacina contra a doença. Ele disse à reportagem que não pretende viajar ou participar de lançamentos presenciais.

O longa-metragem, de pouco mais de uma hora, costura uma narrativa que mistura o cotidiano do tempo presente, as ameaças do garimpo, a sedução do ouro e vai até às origens do povo, quando o criador Omama pescou com cipó Thuëyoma, um peixe em forma de mulher, e se apaixonou por ela. O casal gerou os Yanomami.

Aliás, a presença feminina é forte na produção. Em certo momento, uma das “personagens”, em trabalho coletivo de confecção de cestarias, diz às outras mulheres Yanomami: “Os antepassados não ensinam à toa. Criar uma associação de mulheres seria bom. Poderíamos trocar mais cestos por alimentos. Os cestos ensinados por Mamurona. Assim, poderemos depender menos dos homens. Nós, mulheres, podemos tecer mais, se estivermos juntas”, diz ela.

No trecho “fictício” do filme, o marido da jovem mulher Yanomami ‘desaparece’ na águas enquanto caçava, levado por um ser sobrenatural. Angustiada, pede ajuda dos pajés para resgatá-lo. “Os espíritos malignos têm muitas formas. Yawarioma , peixe em forma de mulher, pode ter atraído ele para o rio. Mas também pode ter sido levado pelo espírito maléfico do minério. Muitos foram embora assim”, diz Davi, enquanto conversa com um xamã mais idoso.

A ideia de levar para as telas a vida dos Yanomami partiu de Bolognesi, enquanto ele filmava com povo Paiter Suruí, em Rondônia, o filme “Ex-Pajé”. 

Filme sobre a força dos xamãs

  • O diretor de fotografia de Pedro J. Márquez durante às filmagens (Foto: Instagram de Luiz Bolognesi) 
  • O diretor de fotografia de Pedro J. Márquez durante às filmagens (Foto: Instagram de Luiz Bolognesi) 
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Davi Kopenawa em foto de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)
  • Fotos de still do filme ‘A Última Floresta” de Luiz Bolognesi sobre os Yanomami (Foto: Pedro J Márquez)

“Eu estava fazendo um filme que mostrava o pajé oprimido pela igreja evangélica, destituído de sua potência, de seu poder político, científico e mitológico. E eu sei que em muitas aldeias, nações indígenas, há muita resistência e muito força dos xamãs, e concluí que eu precisava fazer um filme que mostrasse um lado oposto desse pajé, um lugar onde os xamãs estão potentes, no epicentro político, filosófico, científico e cosmológico daquele povo”, conta o diretor.

As filmagens aconteceram em cinco de semanas de imersão na comunidade Watoriki, na região do Demini, localizada no município de Barcelos (norte do Amazonas), na Terra Indígena Yanomami, antes da pandemia do novo Coronavirus.

A agência Amazônia Real também entrevistou o diretor que contou mais detalhes sobre o desenvolvimento do longa. Leia a seguir a entrevista na íntegra:

Luiz Bolognesi e Davi Kopenawa, durante as filmagens de “A Última Floresta” (Foto: reprodução Instagram)

Amazônia Real – Quais foram suas referências para criar o roteiro? 

Luiz Bolognesi – Eu acho que foi um filme meio anti-referências, eu quis esquecer todas as minhas referências e seguir o caminho que os Yanomamis e que o tempo indígena propõe. Talvez o que eu tinha de referência na cabeça um pouco é o “Esculpir o Tempo”, de Andrei Tarkovski [escritor russo], que justamente fala de olhar o tempo de um modo menos linear. O próprio livro “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, me inspira muito e algumas reflexões antropológicas do [antropólogo francês] Pierre Clastres (1934-1977), me inspiravam, mas eu estava justamente procurando trabalhar em um ambiente de anti referência de partir de um ponto de vista indígena da narrativa oral, de que eles se apropriassem do filme e não o contrário.

Amazônia Real – Como aconteceu essa parceria de escrever o roteiro junto com o Davi Yanomami?

Luiz Bolognesi – E eu li “A queda do Céu” e já conhecia o Davi Kopenawa de entrevista, mas não pessoalmente, e eu decidi que seria com ele o filme, que eu gostaria que fosse com ele. A partir dali, quando eu terminei o “Ex-Pajé”, eu procurei o Davi e contei para ele eu queria fazer o filme, que eu gostaria que ele fosse protagonista, e mais que isso, que ele fizesse o roteiro comigo. Foi aí que ele me chamou para passar duas semanas lá em Watoriki, no território Yanomami, e a gente iniciou um relacionamento de muita troca, em uma busca juntos de uma dramaturgia. E esse foi o processo, uma abertura, eu me abrindo para ele e ele se abrindo para mim, e assim a gente construiu o filme.

Amazônia Real – Nos últimos anos os indígenas têm sofrido diversas ameaças, por conta de todo cenário político que o Brasil vive atualmente. Neste contexto, qual a importância do filme? O que você pretende com ele?

Luiz Bolognesi – O Davi sempre dizia que esse não é um filme de denúncia, é um filme de reconhecimento, de conexão. Ele dizia: ‘os brancos não nos conhecem, nos olham com preconceito. Eu queria que o filme fosse uma maneira de eles conhecerem mais os Yanomami, nos verem de dentro para fora, para poder estabelecer uma conexão’. Então é um filme de conexão, para apresentar a potência Yanomami. Mas também faz parte do dia a dia deles enfrentar esse momento político que é marcado por uma invasão de mais de 20 mil garimpeiros no território Yanomami, uma invasão ilegal, já que o território é legalmente constituído.

Tudo isso está no filme e a gente acha que como o filme está tendo uma carreira, e esse é o nosso objetivo. [Uma carreira] internacional muito forte e uma carreira muito potente no Brasil. Vai ser importante para conectar a opinião pública, os brancos, os não-indígenas, a mídia, inclusive o poder público, o Congresso, o Executivo e a Justiça com a verdade Yanomami, com a potência dos Yanomami, com a necessidade de preservar os territórios deles.

Amazônia Real – Por que o nome “A Última Floresta”? Qual o significado dessa escolha?

Luiz Bolognesi – É um nome que a gente acha que vende a urgência e a importância desse filme. Nós sabemos que recentemente a gente está tendo vários retrocessos na política ambiental, a gente acabou de ver um chefe da polícia federal [delegado Alexandre Saraiva, da PF do Amazonas] ser demitido porque ele se lançou em defesa das florestas da Amazônia, do meio ambiente e dos biomas amazônicos, e a gente está vivendo um governo que está atropelando tudo isso. “A Última Floresta” traz poeticamente um olhar de urgência. Precisamos olhar para os Yanomami, não tem floresta preservada sem povos indígenas dentro dela.

Amazônia Real – Quando será a estreia oficial? Será exibido em alguma plataforma de streaming?

Luiz Bolognesi – A pré-estreia acontece neste domingo (18), às 19h (horário de Brasília), no Festival É Tudo Verdade. Depois disso a gente não sabe ainda, provavelmente em junho e julho, vamos ter algumas sessões em cinema, se a pandemia permitir. Se não, o caminho do filme terá que ser streaming. Já tem canais com interesse em fazer um lançamento mundial do filme, afinal, ele está indo para muitos festivais fora do Brasil. Ele estreou no Festival de Berlim, um dos festivais mais importantes do mundo. Ele está em Visions du Rée, na Suíça, em seguida em vai para o Hot Docs, em TorontoJá tem convites para festivais de Barcelona, na Índia, África do Sul, Coreia do Sul e Áustria, o filme está rodando o mundo. (Colaborou Elaíze Farias)

Assista ao trailer do filme:

Por Luana Piotto, da Amazônia Real

“Delicadeza é Azul” chega à TV e ao streaming; Veja o Trailer

Depois de passar por cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, entre outras capitais, o filme “Delicadeza é Azul”, dirigido por Yasmin Garcez e Sandro Arieta, estreia dia 29 de março no GNT e também estará disponível no streaming. O longa-metragem, que aborda o autismo de forma lúdica e mostra os principais desafios do transtorno, poderá ser assistido pelos assinantes da Globoplay a partir de hoje (29) e, na TV linear, será exibida no canal GNT no mesmo dia, à 0h, logo após o programa “Papo de Segunda”.

O documentário conta com depoimentos de artistas convidados que explicam sobre o que seria o valor funcional e poético dos cinco sentidos: o cantor Ney Matogrosso fala sobre a audição, Bob Wolfenson, fotógrafo, sobre a visão, Roberta Sudbrack, chef, sobre paladar, a perfumista Veronika Kato sobre olfato e, por fim, a artista plástica Suzana Queirosa conversa sobre o tato.

Sinopse

“Delicadeza é Azul” sensibiliza o público para um novo olhar sobre o Transtorno do Espectro Autista. Através de entrevistas com crianças de diferentes níveis do espectro, seus familiares, terapeutas, professores e artistas, o filme questiona ludicamente, o que significa no mundo de hoje, uma comunicação relevante através dos cinco sentidos humanos. Cheio de poesia e emoção, o filme vai além das dificuldades práticas da síndrome, gerando reflexão sobre o valor do respeito, do amor e da delicadeza como elementos transformadores de uma realidade que nos chama para uma conscientização cada vez mais urgente de que ser diferente é normal.

Vilão de 007, morre o ator Yaphet Kotto

Yaphet Kotto morreu aos 81 anos (Reprodução)

O ator Yaphet Kotto, conhecido por papéis em “007: Viva e Deixe Morrer” e “Alien: O Oitavo Passageiro”, morreu na noite do último domingo (14), aos 81 anos. A informação foi dada por sua esposa, Sinahon Thessa, em postagem em rede social. A causa da morte não foi revelada.

Na publicação, Sinahon escreveu: “Estou triste e ainda em choque com o falecimento do meu marido, Yaphet, com quem eu estava há 24 anos. Ele morreu ontem à noite por volta das 22:30, horário das Filipinas.

Este é um momento de dor para mim informar a todos os fãs, amigos e familiares do meu marido”.

“Ainda tínhamos muitos planos, muitas entrevistas marcadas e ofertas de filmes, como ‘G. I. Joe’ e um filme de Tom Cruise, e outros. Ainda tinha planos para lançar o teu livro e construir uma organização religiosa baseada nos Ensinamentos de Yogananda. Interpretou vilões em alguns dos seus filmes mas, para mim, é um verdadeiro herói, e para muitas pessoas também”, contou.

Yaphet nasceu em Nova York, era filho de um imigrante camaronês e de uma enfermeira do Exército americano. O ator estreou sua carreira profissional em 1960, na peça teatral de Shakespeare “Otelo”,no Harlem. Depois, atuou na Broadway e foi para o cinema e para a televisão, onde acumula mais de 100 obras na filmografia. 

Kotto foi o primeiro vilão negro na série de James Bond, onde atuou como o ditador Dr. Kananga em “Com 007 Viva e Deixe Morrer”. Também interpretou o engenheiro espacial Dennis Parker no clássico da ficção científica “Alien, O Oitavo Passageiro”, de Ridley Scott, e atuou junto de Arnold Schwarzenegger no filme “O Sobrevivente”.

Por TV Cultura

Globo de Ouro divulga lista dos indicados

(Reprodução)

Nesta terça-feira (03), a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), anunciou os indicados ao Globo de Ouro 2021, prêmio que homenageia os melhores profissionais em cinema e TV. A cerimônia, que costuma acontecer nas primeiras semanas do ano, foi adiada por conta da pandemia de Covid-19 e acontecerá no dia 28 de fevereiro.

Os indicados serão anunciados por Sarah Jessica Parker e a Taraji P. Henson. Os homenageados já foram confirmados: Jane Fonda ficou com o Prêmio Cecil B. de Mille e Norman Lear receberá o Prêmio Carol Burnett.

Um dos destaques da lista foi a indicação póstuma de Chadwick Boseman por “A Voz Suprema do Blues”. O filme “Mank” e a série “The Crown” também se destacaram por liderarem as indicações com seis citações, cada um.

Confira a seguir a lista de indicados ao Globo de Ouro 2021:

Cinema

Melhor Filme – Drama

“Meu Pai”

“Mank”

“Nomadland”

“Bela vingança”

“Os 7 de Chicago”

Melhor filme – Musical ou comédia

“Borat: fita de cinema seguinte”

“Hamilton”

“Palm Springs”

“Music”

“A Festa de Formatura”

Melhor diretor 

Emerald Fennell — Bela Vingança

David Fincher — Mank

Regina King — Uma noite em Miami…

Aaron Sorkin — Os 7 de Chicago

Chloé Zhao — Nomadland

Melhor atriz de filme – Drama

Viola Davis — Ma Rainey’s Black Bottom

Andra Day — The United States vs. Billie Holiday

Vanessa Kirby — Pieces of a Woman

Frances McDormand — Nomadland

Carey Mulligan — Bela vingança

Melhor ator de filme – Drama

Riz Ahmed (“O som do silêncio”)

Chadwick Boseman (“A voz suprema do blues”)

Anthony Hopkins (“Meu pai”)

Gary Oldman (“Mank”)

Tahar Rahim (“The Mauritanian”)

Melhor atriz de filme – Musical ou comédia

Maria Bakalova (“Borat: Fita de cinema seguinte”)

Michelle Pfeiffer (“French Exit”)

Anya Taylor-Joy (“Emma”)

Kate Hudson (“Music”)

Rosamund Pike (“I Care a Lot”)

Melhor ator de filme – Musical ou comédia

Sacha Baron Cohen (“Borat: fita de cinema seguinte”)

James Corden (“A Festa de Formatura”)

Lin-Manuel Miranda (“Hamilton”)

Dev Patel (“The Personal History of David Copperfield”)

Andy Samberg (“Palm Springs”)


Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen (“Os sete de Chicago”)

Daniel Kaluuya (“Judas and the Black Messiah”)

Jared Leto (“The Little Things”)

Bill Murray (“On the Rocks”)

Leslie Odom, Jr. (“Uma noite em Miami”)

Melhor atriz coadjuvante:

Glenn Close (“Era uma vez um sonho”)

Olivia Colman (“Meu pai”)

Jodie Foster (“The Mauritanian”)

Amanda Seyfried (“Mank”)

Helena Zengel (“News of the World”)

Melhor filme em língua estrangeira

“Another Round” (“Druk”) – Dinamarca

“La Llorona” – Guatemala / França

“Rosa e Momo (“The Life Ahead” ou “La vita davanti a sé”) – Itália

“Minari” – EUA

“Nós duas” (“Two of Us” ou “Deux”) – França e EUA

Melhor animação:

“Os Croods 2: Uma Nova Era”

“Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica”

“A caminho da Lua”

“Soul”

“Wolfwalkers”

TV

Melhor atriz em série – drama

Emma Corrin (“The Crown”)

Olivia Colman (“The Crown”)

Jodie Comer (“Killing Eve”)

Laura Linney (“Ozark”)

Sarah Paulson (“Ratched”)

Melhor ator em série de TV – drama

Jason Bateman (“Ozark”)

Josh O’Connor (“The Crown”)

Bob Odenkirk (“Better Call Saul”)

Al Pacino (“Hunters”)

Matthew Rhys (“Perry Mason”)

Melhor série – Drama

“The Crown”

“Lovecraft Country”

“The Mandalorian”

“Ozark”

“Ratched

Melhor série – Musical ou comédia

Emily In Paris

The Flight Attendant

The Great

Schitts Creek

Ted Lasso

Melhor atriz em série de TV – Musical ou comédia

Lily Collins (“Emily in Paris”)

Kaley Cuoco (“The Flight Attendant”)

Elle Fanning (“The Great”)

Jane Levy (“Zoey’s Extraordinary Playlist”)

Catherine O’Hara (“Schitt’s Creek”)

Melhor atriz em série limitada ou filme para TV

Cate Blanchett (“Mrs. America”)

Daisy Edgar-Jones (“Normal People”)

Shira Haas (“Unorthodox”)

Nicole Kidman (“The Undoing”)

Anya Taylor-Joy (“O Gambito da Rainha”)

Melhor série limitada ou filme para TV

“Normal People”

“The Queen’s Gambit”

“Small Axe”

“The Undoing”

“Unorthodox”

Melhor atriz coadjuvante em série

Gillian Anderson – “The crown”

Helena Boham Carter – “The crown”

Julia Garner – “Ozark”

Annie Murphy – “Schitt’s creek”

Cynthia Nixon – “Ratched”

Melhor ator em série limitada ou filme para TV

Bryan Cranston (“Your Honor”)

Jeff Daniels (“The Comey Rule”)

Hugh Grant (“The Undoing”)

Ethan Hawke (“The Good Lord Bird”)

Mark Ruffalo (“I Know This Much Is True”)

Por TV Cultura

Filme ‘Bacurau’ é indicado ao Spirit Awards

(Reprodução)

O longa brasileiro ‘Bacurau’ (2019) é um dos indicados a Melhor Filme Internacional na edição de 2021 do Independent Spirit Awards. Considerada o Oscar dos filmes independentes, a premiação teve sua lista de concorrentes divulgadas nesta terça-feira (26). 

Os longas The Disciple, produzido na Índia, Night of the Kings, da Costa do Marfim, Preparations to be Together for an Unknown Period of Time, da Hungria e Quo Vadis, Aida?, da Bósnia e Herzegovina disputam o título com o filme de Kleber Mendonça e Juliano Dornellas.

Os ganhadores serão anunciados no dia 23 de abril.

Em dezembro de 2020, ‘Bacurau’ foi eleito o Melhor Filme Estrangeiro pelo New York Film Critics Awards.

Por TV Cultura

Com Ney Matogrosso, ‘Delicadeza é Azul’ traz reflexão sobre autismo

(Marcelo Tabach/Divulgação)

“Não existe em lugar nenhum onde esteja determinado que uma coisa seja normal e outra coisa seja anormal. Eu sempre fui transgressor”. São com essas palavras, entre outras, que o artista Ney Matogrosso dá a sua opinião sobre o que é considerado “normal” e “anormal” no documentário “Delicadeza é Azul”, que estreia nos cinemas de diversas capitais do Brasil no dia 14 de janeiro (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Fortaleza, Palmas, Porto Alegre, Salvador e Goiânia). O longa-metragem, dirigido por Yasmin Garcez e Sandro Arieta, traz um panorama sobre o autismo e promove uma reflexão através de depoimentos com famílias que convivem com o Transtorno do Espectro Autista, professores, terapeutas, médicos e artistas.

O filme mostra também os desafios, tanto dos familiares, quanto de especialistas, em busca do melhor tratamento, como também questões que abordam a inclusão escolar e na sociedade como um todo. “Quis fazer este filme porque acho que no Brasil temos poucos produtos audiovisuais que abordam esta questão e sabemos que o quanto antes o diagnóstico for dado para as crianças, melhores chances de desenvolvimento elas terão no decorrer da sua vida”, afirma a diretora Yasmin Garcez.

‘Delicadeza é Azul’ questiona, de forma lúdica, o que significa no mundo de hoje uma comunicação relevante através dos cinco sentidos humanos. Na construção dessa narrativa, artistas convidados explicam sobre o que seria o valor funcional e poético de cada um deles: o cantor Ney Matogrosso fala sobre a audição, Bob Wolfenson, fotógrafo, sobre a visão, Roberta Sudbrack, chef, sobre paladar, a perfumista Veronika Kato sobre olfato e, por fim, a artista plástica Suzana Queirosa conversa sobre o tato.

Com muita poesia e emoção, o roteiro vai além das dificuldades práticas da síndrome e chama para uma conscientização cada vez mais urgente de que ser diferente é normal. “O filme nasceu em 2015, em uma época que eu comecei a assistir alguns documentários estrangeiros sobre o autismo. É um tema que sempre me chamou a atenção. São pessoas que colocam uma lente de aumento sobre os cinco sentidos e isso é muito forte. Pode ser muito potente e, ao mesmo tempo, pouco funcional para quem vive o Transtorno”, diz Yasmin. Produzido pela Ubuntu Filmes e coproduzido pela Afinal Filmes, o documentário terá lançamento nos cinemas no dia 14 de janeiro e também conta com direção de Sandro Arieta. A distribuição é da Pipa Pictures.

Divulgada cena de ‘D.P.A.3 – Uma Aventura no Fim do Mundo’

(Paris Filmes/Reprodução)

Uma das cenas aguardadas do filme ‘D.P.A.3 – Uma Aventura no Fim do Mundo’ foi exibida em primeira mão no último fim de semana, na Arena Globoplay da CCXP. E quem perdeu pode, agora, conferir a sequência em que os detetives Sol (Leticia Braga), Pippo (Pedro Motta) e Bento (Anderson Lima) e a feiticeira Berenice (Nicole Orsini) estão a bordo do avião conduzido pelo Comandante Téo (Rafael Cardoso).

Eles sobrevoam as terras do Fim do Mundo, um lugar congelante e repleto de magia, para onde viajam. O objetivo da missão é solucionar um mistério e tanto.

Filmado em Ushuaia, a cidade mais ao sul do mundo, na Patagônia Argentina, e também no Rio de Janeiro, o terceiro longa da franquia tem direção de Mauro Lima e participações especiais de Lázaro Ramos, Alinne Moraes, Alexandra Richter e Klara Castanho.

Principal produção original e marca líder do canal Gloob, ‘D.P.A. – Detetives do Prédio Azul’ faz tanto sucesso na TV que não poderia ser diferente no cinema. Os dois primeiros filmes da franquia, lançados em 2017 e 2018, levaram juntos mais de 2,5 milhões de espectadores aos cinemas. Com produção da Paris Entretenimento, coprodução do Gloob e da Globo Filmes e distribuição da Paris Filmes,  ‘DPA3 – Uma Aventura no Fim do Mundo’ tem lançamento nos cinemas previsto para 2021. 

O filme pacifista que entrou na mira dos censores nazistas

Cena de “Nada de Novo no Front” (Reprodução)

Na época de seu lançamento, ele se tornou o maior sucesso da história literária alemã: o romance anti-guerra de Erich Maria Remarque Nada de Novo no Front (Im Westen nichts Neues) foi publicado em 29 de janeiro de 1929 e rapidamente traduzido para 26 línguas. Só na Alemanha, quase meio milhão de cópias foram vendidas em poucos meses.

No entanto, o estrondoso sucesso de um livro detalhando os horrores da Primeira Guerra Mundial não foi bem recebido pelos nazistas, que já estavam se preparando para assumir o poder. Eles espalharam boatos de que Remarque havia adotado um sobrenome falso e que, na verdade, chamava-se “Kramer”. E alegaram ainda que ele era um judeu francês e também que não havia lutado como soldado na Primeira Guerra Mundial.

Adaptação para o cinema

Um ano depois, uma produtora americana adaptou o romance para um filme dirigido por Lewis Milestone. Inicialmente, o longa foi aprovado para espectadores alemães pelo Conselho Supremo de Censura em Berlim, em 21 de novembro de 1930. A estreia foi no início de dezembro no Mozartsaal, um grande teatro e sala de concertos em estilo Art Nouveau em Berlim, atraindo intelectuais, celebridades e outras pessoas proeminentes. O jornal liberal Vossische Zeitung escreveu que nunca antes um filme “teve um efeito tão profundo no público”, que saiu do salão “silenciosa e profundamente emocionado” no final da exibição.

Camundongos e bombas de mau-cheiro interrompem sessão

No entanto, espanto e horror se seguiram em outra exibição do filme para o público geral na Nollendorfplatz, em Berlim, quando um grupo de nazistas que haviam se infiltrado na plateia exigiu que o filme fosse interrompido, forçando o desligamento dos projetores. Além disso, membros do NSDAP com assento no Reichstag, explorando sua imunidade parlamentar, soltaram camundongos e jogaram bombas de mau-cheiro no teatro, expulsando o público.

Isso tudo havia sido a mando de Joseph Goebbels, então líder distrital do Partido Nazista de Berlim (e que mais tarde ganharia notoriedade como Ministro da Propaganda nazista). Sentindo que a visão desfavorável do filme sobre a guerra era contrária à ideologia nazista, ele protestou contra o longa em um discurso raivoso na Wittenbergplatz, nas proximidades da famosa avenida Ku’damm. Isso fez com que as exibições subsequentes do filme só pudessem ocorrer sob forte presença policial. Em dezembro de 1930, “por razões de segurança”, o Conselho Supremo de Censura retirou a licença de exibição do filme. Consequentemente, o diretor do Mozartsaal, Hanns Brodnitz, que era judeu, virou alvo de investigação por parte dos nacional-socialistas, sendo morto numa câmara de gás em Auschwitz em setembro de 1944. Em janeiro de 1933, Nada de Novo no Front foi completamente banido pelo regime de Hitler.

Representação implacável da guerra

No entanto, nada disso fez com que o filme perdesse em popularidade diante do público em geral ou da crítica. Pelo contrário, ele fez sucesso rapidamente devido ao seu retrato sem tabus dos acontecimentos no front.

Ele conta a história do jovem estudante Paul Bäumer antes de sua convocação para o front. Naquela época, o clima ainda era tranquilo na Alemanha. E também na escola, onde o professor patriota de Paulo inspirava seus alunos a “morrerem pela pátria”.

Encorajado, Bäumer e seus colegas se alistam então no exército. Porém, eles rapidamente se desiludem com a realidade no front. Num ataque, Bäumer fere um soldado francês. Ele tenta salvar sua vida e pede seu perdão. No fim, o próprio Bäumer também fica ferido e termina num hospital católico. De volta para casa, de licença, ele visita a antiga escola e seu professor novamente, que o elogia por seu “heroísmo alemão”. Bäumer, no entanto, conta sobre suas desilusões e fortes experiências no campo de batalha e descreve como um erro ter ido para a guerra. Como consequência, os professores e alunos o rotulam de covarde.

“Nada na morte é doce”

Decepcionado com tal reação, Bäumer retorna ao front, onde muitos de seus camaradas já haviam caído. A cena final se passa no outono de 1918, pouco antes do fim da guerra. Nas trincheiras, Bäumer tenta pegar uma borboleta e é baleado por um soldado francês.

Para o crítico de cinema Siegfried Kracauer, o filme ressalta o fato de que a guerra “não é palatável”. Cenas angustiantes como essas jamais haviam sido vistas na história do cinema até então. A trajetória de sacrifício de uma “geração perdida” é realista e implacavelmente retratada na tela.

Vencedor de dois Oscars

O diretor russo-americano Lewis Milestone tinha um orçamento de 1,2 milhão de dólares à sua disposição para o filme, uma quantia substancial para a época. 

Milestone, de família judia, nascera “Leib Milstein” em 1895, no que era então a província da Bessarábia do Império Russo. Ele chegou aos Estados Unidos no final de 1913, poucos meses antes do início da Primeira Guerra Mundial.

Milestone trabalhou com técnicas de travelling, crosscut e perspectivas que atraíam o espectador diretamente para a ação. Nunca antes houve uma análise tão realista com a guerra e suas máquinas de matar, considerada então sem sentido. Em 1930, Milestone foi premiado com dois Oscars – de Melhor Filme e Melhor Diretor.

O sucesso internacional do longa superou até a rudimentar política cultural dos nazistas. Em 1931, uma versão fortemente resumida e censurada do filme voltou aos cinemas alemães, mas a exibição foi só “para certos grupos de pessoas e em eventos fechados”. Após a tomada do poder por Hitler em 1933, o filme foi completamente banido mais uma vez.

Um dos 100 melhores filmes da história do cinema

Mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial, o filme só foi exibido em versões editadas e resumidas: Quando Nada de Novo no Front voltou aos cinemas alemães em 1952, cenas cruciais do filme foram deliberadamente deixadas de fora. Foi só em 1983/84 que o público alemão finalmente conseguiu ver na televisão a versão americana original, recém-dublada e sem cortes.

O filme de Milestone foi constantemente banido, e não apenas na Alemanha. Versões condensadas também foram exibidas na Áustria e na França, e até mesmo nos Estados Unidos. Todas essas tentativas de difamação e censura, no entanto, não prejudicaram o sucesso do filme. Nada de Novo no Front, dirigido por Lewis Milestone, ainda é considerado um dos 100 melhores filmes da história do cinema americano.

Por Antje Allroggen, da Deutsche Welle

Oscar 2021: Filme sobre Hector Babenco representará o Brasil

A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais anunciou nesta quarta-feira (18) que o filme de longa-metragem Babenco – Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, produzido e dirigido pela atriz Bárbara Paz, representará o Brasil na disputa por uma vaga na categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2021.

O filme fala sobre a trajetória do cineasta Hector Babenco (1946-2016), que foi marido de Bárbara Paz, e também é uma coprodução com a emissora GloboNews, de TV por assinatura. O longa já foi premiado como melhor documentário no Festival de Veneza de 2019 e no Festival de Viña Del Mar, no Chile, em 2020.

A obra foi escolhida por um comitê composto por profissionais do setor audiovisual, tendo como integrantes Viviane Ferreira (diretora e roteirista), André Ristum (diretor e roteirista), Clélia Bessa (produtora), Leonardo Monteiro de Barros (produtor de cinema e TV), Lula Carvalho (diretor de fotografia), Renata Maria de Almeida Magalhães (produtora) e Toni Venturi (diretor).

Ao todo, foram 19 longas inscritos para concorrer à indicação. A Academia Brasileira de Cinema é entidade independente que representa os profissionais da indústria e foi reconhecida oficialmente pela Academy of Motion Picture, Arts and Sciences como única responsável pela seleção das obras para concorrer ao prêmio, o mais importante do cinema mundial.

Nascido em Mar del Plata, na Argentina, Babenco naturalizou-se brasileiro e dirigiu filmes como Pixote, a Lei do Mais FracoCarandiru e O Beijo da Mulher Aranha, pelo qual recebeu a indicação ao Oscar de melhor direção em 1986.

Em decorrência da pandemia de covid-19, a 93ª cerimônia de entrega do Oscar será realizada no dia 25 de abril de 2021.

(Gullane Entretenimento/Reprodução)

Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil 

Famoso por interpretar 007, Sean Connery morre aos 90 anos

O ator Sean Connery, de 90 anos, morreu hoje (31) nas Bahamas. Ele ficou mundialmente conhecido nos cinemas desempenhando o papel de James Bond. Morreu dormindo, revelaram familiares.

Famoso por interpretar 007, Sean Connery morre aos 90 anos
Connery ganhou um Oscar, dois prêmios Bafta e três Globos de Ouro(Divulgação)

Nascido na Escócia, ele foi o primeiro a dar vida a 007-James Bond nas telas e protagonizou esse papel durante sete filmes do famoso espião britânico. Desempenhou 94 papéis ao longo de mais de 50 anos de carreira.

A carreira de ator ficou marcada por vários outros papéis, onde até foi pai de Indiana Jones. Outros filmes de Sean Connery foram “A Caçada ao Outubro Vermelho”, “Indiana Jones e a Última Cruzada”, “O Rochedo” ou “O Nome da Rosa”.

Connery ganhou um Oscar, dois prêmios Bafta e três Globos de Ouro.

Segundo o seu filho, Connery morreu durante o sono “com muitos familiares por perto”, depois de “estar mal há algum tempo”. 

ator escocês Sean Connery no papel de James Bond
Sean Connery ficou famoso como James Bond   (Reuters/Britta Pedersen/Direitos reservados)

“Estamos todos tentando compreender este enorme acontecimento [a morte], visto que aconteceu tão recentemente, apesar de o meu pai já estar mal há algum tempo”, declarou Jason Connery.

“É um dia triste para todos os que conheciam e amavam o meu pai e é uma triste perda para todas as pessoas pelo mundo afora que apreciaram o maravilhoso dom que ele tinha como ator”, acrescentou.

Há muito tempo apoiador da independência da Escócia, Sean Connery disse, durante um referendo de 2014, que consideraria sair da sua casa nas Bahamas para viver na Escócia caso esta se separasse do Reino Unido.

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, reagiu à morte do ator. “Fiquei de coração partido ao saber, esta manhã, da morte de Sir Sean Connery. A nossa nação está em luto por um dos seus mais amados filhos”, disse.

Por NHK