Homem é morto após joga carro contra policiais no Capitólio nos EUA

Na tarde desta sexta-feira (2), o Capitólio, o Congresso Americano, foi invadido por um carro que teria sido jogado por um homem em uma barreira do local. Tiros teriam sido ouvidos e agora forte esquema de segurança foi instalado após um lockdown ser decretado, ou seja, ninguém entra ou sai do prédio.

De acordo com a polícia do Capitólio, há relatos de que alguém bateu com o veículo em dois oficiais. Um suspeito está sob custódia. Ambos os policiais estão feridos. Todos os três foram transportados para o hospital.

De acordo com a NBC, o motorista do carro teria pulado do veículo segurando uma faca.

Segundo o New York Times, o Congresso americano está em recesso, então a maior parte dos funcionários não estavam no prédio. E o presidente Biden deixou Washington mais cedo nesta sexta e foi para Camp David, base militar e casa de campo da presidência.

Os funcionários que estavam no Capitólio foram instruídos a ficar longe das portas e janelas, mas autorizados a locomover dentro dos prédios. “Se você está do lado de fora, procure abrigo”, dizia a mensagem enviada pela polícia do Capitólio.

Navio gigante continua encalhado no Canal de Suez

O porta-contêineres gigante da Evergreen continua encalhado no Canal de Suez, bloqueando uma via fundamental por onde passam cerca de 12% de todo o comércio mundial. A suspensão do tráfego pelo canal, que liga a Europa à Ásia já provocou a subida dos custos de transporte e o desvio de vários petroleiros. Os trabalhos de remoção poderão demorar vários dias ou até semanas, estimam os especialistas.

A via marítima histórica liga vários continentes desde o século 19 e é essencial para o transporte de petróleo procedente do Médio Oriente. O petroleiro é do tamanho de um arranha-céu ou de quatro campos de futebol, com cerca de 400 metros de comprimento, 59 de largura, 219 toneladas e capacidade para transportar 20 mil contêineres.

As autoridades egípcias já reabriram uma passagem antiga do canal para desviar algumas embarcações, mas o desbloqueio da via principal poderá levar dias ou até semanas.

Este é um bloqueio sem precedentes nos últimos anos em uma das principais artérias econômicas do mundo, por onde passa cerca de 12% do comércio global.

Pelo menos 150 navios que tentavam fazer a travessia entre a Ásia e a Europa estão impedidos de circular. Os navios transportam desde petróleo a cimento, peças de automóveis, bens de consumo, como roupas e móveis. Pelo menos 30 petroleiros estão em ambos os lados do canal.

Como aconteceu

O porta-contêineres tem o nome de Ever Given é é propriedade da empresa japonesa Shoei Kisen, mas é operado pela Evergreen Marine Corp, sediada em Taiwan. O navio saiu da China e era esperado em Roterdã, nos Países Baixos, na próxima terça-feira (30).

Ainda não se sabe ao certo o que provocou o incidente, mas o navio ficou encalhado depois de uma tempestade de areia na última terça-feira (23), com ventos fortes (rajadas de 30 nós, cerca de 56 quilômetros por hora) e pouca visibilidade. Mas não há explicação de como encalhou, dado o enorme peso da embarcação, preparada para suportar rajadas de vento muito superiores.

Este o segundo grande incidente que envolve o Ever Given. Em 2019, o navio bateu em um pequeno barco atracado no Rio Elba, na cidade de Hamburgo. À época, as autoridades explicaram que a colisão ocorreu devido a ventos fortes.

No momento em que encalhou no Canal de Suez, o navio era conduzido por dois representantes da autoridade do canal do Egito, Bernhard Schulte Shipmanagement. Essa empresa, responsável pela gestão do Ever Given, informou que a tripulação de 25 pessoas já está em terra e em segurança.

*Com informações da RTP – Rádio e Televisão de Portugal

Alemanha: Comissão recomenda vacina de Oxford só para quem tem até 65 anos

Vacina de Oxford/AstraZeneca é produzida no Brasil pela Fiocruz (Fiocruz/Reprodução)

A Comissão Permanente de Vacinação da Alemanha (Stiko, em alemão) recomendou o uso da vacina contra covid-19 da empresa AstraZeneca e da Universidade de Oxford apenas para pessoas com menos de 65 anos, comunicou nesta quinta-feira (28/01) o Ministério da Saúde alemão.

Segundo a comissão, que é ligada ao Instituto Robert Koch (RKI), não há dados suficientes para avaliar a eficácia da vacina em pessoas com mais de 65 anos. Assim, a recomendação foi restrita para as pessoas com idade entre os 18 e os 64 anos.

À parte essa limitação, a vacina da AstraZeneca foi considerada pela comissão tão apropriada para o uso quanto as da Pfizer-Biontech e Moderna.

Ao contrário destas duas últimas, a vacina da AstraZeneca ainda não foi autorizada para uso na União Europeia. A autorização pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) é esperada para esta sexta-feira. No Brasil, a vacina de Oxford-AstraZeneca já foi aprovada pela Anvisa . 

Após a comissão alemã recomendar a vacina apenas para quem tem menos de 65 anos, a autoridade de saúde do Reino Unido (PHE, na sigla em inglês), onde a vacina já está em uso, afirmou que a vacina é segura e produz resposta imune também em idosos. 

“Houve muito poucos casos em pessoas idosas nos ensaios clínicos da AstraZeneca para observar níveis precisos de proteção neste grupo, mas os dados sobre respostas imunes foram muito tranquilizadores”, disse Mary Ramsay, Diretora de Imunização do PHE, em comunicado.

Reportagens na imprensa alemã levantaram dúvidas

Nesta segunda-feira, dois jornais alemães, Handelsblatt Bild, afirmaram que o governo alemão temia que a vacina não recebesse aprovação das autoridades reguladoras europeias por apresentar uma eficácia de apenas 8% ou de menos de 10% em idosos. As reportagens citaram pessoas anônimas no governo, mas não especificaram como esse número apareceu.

No dia seguinte, o ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, classificou de especulações as reportagens sobre a baixa eficácia da vacina da AstraZeneca contra a covid-19 em pessoas com mais de 65 anos.

O Ministério da Saúde alemão sugeriu que as publicações podem ter confundido o percentual de participantes idosos do estudo com a eficácia. “À primeira vista, parece que duas coisas foram confundidas nas reportagens: cerca de 8% dos participantes do estudo de eficácia da AstraZeneca tinham entre 56 e 69 anos de idade. E apenas de 3% a 4% acima de 70 anos”, declarou a pasta. “No entanto, isso não implica uma eficácia de apenas 8% em idosos.”

O conteúdo das reportagens do Handelsblatt Bild já havia sido rejeitado na véspera pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, parceira da empresa no desenvolvimento da vacina. A farmacêutica classificou as reportagens de “completamente incorretas” e disse que dados publicados na revista The Lancet em novembro mostram que a vacina teve resultados robustos em idosos.

Um porta-voz de Oxford disse que a vacina mostrou “respostas imunológicas semelhantes em adultos jovens e idosos e um bom perfil de segurança”. De fato, em novembro os desenvolvedores da vacina publicaram um estudo na revista The Lancet apontando que estudos preliminares mostraram uma “resposta imune robusta em adultos saudáveis entre 56 e 69 anos e pessoas acima de 70 anos”.

O epidemiologista Stephen Evans, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, disse ao site Science Media Centre que “os dados randomizados não sugerem que a vacina da AstraZeneca seja significativamente menos eficaz na velhice”.

O tom das reportagens alemãs rendeu críticas furiosas por parte da imprensa do Reino Unido, país de origem da vacina. Alguns jornalistas britânicos chamaram os jornais alemães de “irresponsáveis” e de fornecer munição gratuita para grupos antivacina, além de provocar pânico infundado.

Dados escassos

Mas, apesar de rejeitar o conteúdo das reportagens, o Ministério da Saúde alemão apontou já nesta terça-feira que “é conhecido desde o outono europeu que menos pessoas idosas estiveram envolvidas nos primeiros estudos apresentados pela AstraZeneca do que em estudos de outros fabricantes”.

No final de dezembro, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido (MHRA) já tinha apontado que havia poucos dados sobre os efeitos da vacina em pessoas acima de 65 anos. Segundo a agência, pouco menos de 6% dos participantes dos estudos tinham mais de 65 anos. Em contraste, os estudos globais da vacina da Pfizer-Biontech contaram com 41% de voluntários entre 56 e 85 anos.

Além disso, os autores do estudo da AstraZeneca apontaram num estudo publicado em dezembro na The Lancet que “a eficácia da vacina em grupos de idade mais avançada não pôde ser avaliada, mas será determinada, se houver dados suficientes disponíveis, em uma análise futura após o surgimento de mais casos”.

Os testes conduzidos pela AstraZeneca no Reino Unido começaram com adultos com até 55 anos, porque inicialmente a empresa focou em pessoal de saúde e trabalhadores da linha de frente na ativa. Os participantes idosos do teste foram recrutados mais tarde.

Portanto, a empresa tinha menos dados sobre esse grupo quando submeteu os dados aos reguladores britânicos. Mesmo em sua resposta ao jornais alemães divulgada na segunda-feira, a empresa não apresentou números, preferindo destacar as aprovações que recebeu no Reino Unido e a publicação em revistas científicas.

A avaliação da vacina pela EMA está prevista para ocorrer até sexta-feira e deve ajudar a elucidar as dúvidas sobre a eficácia da vacina e as informações conflitantes que foram publicadas.

AstraZeneca sob pressão

A publicação das reportagens ocorreu num momento em que a AstraZeneca está sob pressão da União Europeia por causa de atrasos anunciados para cumprir a entrega de vacinas acordadas contratualmente com o bloco. O grupo anglo-sueco anunciou na última sexta-feira que, após a aprovação de sua vacina, espera entregar apenas 31 milhões de doses, em vez de 80 milhões, até o final de março. A UE disse que recebeu uma justificativa insatisfatória para os atrasos.

O imunizante da AstraZeneca-Oxford é encarado com grande expectativa por diversos governos, já que dispensa a complexa operação de refrigeração da vacina da Pfizer-Biontech.

A vacina da AstraZeneca também é a principal aposta do governo do presidente Jair Bolsonaro. O Brasil fechou uma parceria com a empresa para a fabricação de doses em território nacional, por meio da Fiocruz. No entanto, a produção, inicialmente prevista para começar em fevereiro, deve ficar para março, devido a problemas na obtenção de insumos. Na semana passada, o país importou 2 milhões de doses prontas dessa vacina.

Por Deutsche Welle

as/jps/ek (DPA, AFP, Reuters, ots)

“Depender da soja brasileira é endossar desmatamento na Amazônia”, diz Macron

Presidente da França, Emmanuel Macron (Arquivo/G20 Argentina/via Fotos Públicas)

O presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar o desmatamento na Amazônia nesta terça-feira (12/01), afirmando que a Europa precisa investir mais no cultivo de soja em seu território, senão estará “endossando” o desflorestamento em terras brasileiras.

“Continuar dependendo da soja brasileira é endossar o desmatamento da Amazônia”, escreveu Macron em postagem no Twitter. “Somos coerentes com as nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa!”, completou.

O texto acompanha um vídeo de 30 segundos, em que o presidente francês destaca que, “quando importamos a soja produzida a um ritmo rápido a partir da floresta destruída no Brasil, nós não somos coerentes” com as ambições ecológicas europeias.

“Nós precisamos da soja brasileira para viver? Então nós vamos produzir soja europeia ou equivalente”, acrescenta ele no vídeo, após uma visita a agricultores orgânicos na cidade de Tilly nesta terça-feira.

A publicação vem um dia depois da One Planet Summit, uma cúpula liderada por Macron com a participação de chefes de Estado, empresários e representantes de organizações não governamentais, dedicada à preservação da biodiversidade.

Críticas à política ambiental

O aumento do desmatamento na Amazônia e em outros biomas brasileiros nos últimos dois anos gerou uma onda de indignação internacional, com Macron sendo uma das vozes mais críticas à política ambiental do presidente Jair Bolsonaro.

Os líderes francês e brasileiro chegaram a trocar farpas públicas. Em 2019, Macron disse que as queimadas no Brasil – cujas imagens correram o mundo e aumentaram a pressão sobre o governo brasileiro – eram uma “crise global” e precisavam ser discutidas “com urgência” pelo G7.

À época, a posição de Macron irritou Bolsonaro, que reagiu afirmando que a postura do francês evocava “mentalidade colonialista descabida no século 21”. Membros do governo Bolsonaro e filhos do presidente chegaram a xingar Macron nas redes sociais, e o próprio presidente fez um insulto machista à primeira-dama francesa, Brigitte Macron.

A situação do meio ambiente no Brasil levou inclusive alguns países europeus a ameaçarem não ratificar o acordo de livre-comércio assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, que ainda precisa ser confirmado pelos parlamentos de ambas as partes.

Em agosto de 2020, a chanceler federal da Alemanha, Angela Merkel, se uniu a Macron como voz crítica ao acordo. Por meio de seu porta-voz, ela disse ter “sérias dúvidas” sobre a implementação do pacto comercial devido ao aumento do desmatamento na Amazônia.

Segundo o porta-voz, Berlim observa “com grande preocupação” o desmatamento e as queimadas na região. “Nesse sentido, surgem sérias dúvidas sobre se, no momento, uma implementação do acordo pode ser garantida dentro do espírito pretendido. Vemos isso com ceticismo”, alertou.

Em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia cresceu 85%, atingindo 9.165 quilômetros quadrados, o maior nível registrado no bioma desde 2016, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Europa importadora de soja

A Europa é uma grande importadora de soja da América Latina, principalmente do Brasil. O cultivo e a importação de soja para ser usada, por exemplo, como ração para pecuária e biocombustível têm sido fortemente criticados por impulsionar o desflorestamento.

Um relatório apresentado na semana passada em Berlim, intitulado Fleischatlas 2021 (“Atlas da carne 2021”), apontou que 50% dos produtos agrícolas enviados do Brasil à União Europeia, especialmente soja, carne bovina e café, são produto do desmatamento.

Já entre os países europeus, a França é o maior produtor de soja. Em 2020, o governo francês anunciou um plano para aumentar a produção local do grão, visando reduzir a dependência das importações, uma vez que o país continua comprando soja de outros países, sobretudo do Brasil – o que já gerou protestos de organizações ambientalistas como o Greenpeace.

Varejistas franceses também anunciaram que, a partir de 2021, não mais comprariam soja brasileira que tivesse sido cultivada em áreas desmatadas.

Por Deutsche Welle

EK/dpa/lusa/ots

Putin reconhece vitória de Biden, e Bolsonaro segue em silêncio

(Arquivo/Wilson Dias/Agência Brasil)

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, parabenizou nesta terça-feira (15/12) o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, por sua vitória nas eleições americanas, e afirmou esperar que seus países possam superar diferenças para promover segurança e estabilidade global.

Putin ainda não havia reconhecido o resultado do pleito nos Estados Unidos, e enviou sua mensagem um dia após o Colégio Eleitoral americano ter confirmado Biden como o próximo presidente do país.

No início de novembro, após Biden ter sido declarado vencedor do pleito, o Kremlin declarou que aguardaria “o fim das disputas políticas internas” antes de parabenizá-lo. O presidente eleito dos Estados Unidos adotou durante a campanha uma posição dura em relação à Rússia, e acusou o país de ter interferido nas eleições de 2016 em benefício do atual presidente americano, Donald Trump.

Em sua mensagem, Putin desejou a Biden “sucesso” e disse confiar que “Rússia e Estados Unidos, que têm uma responsabilidade especial pela segurança e estabilidade global, possam, apesar de suas diferenças, realmente contribuir para resolver muitos dos problemas e desafios que o mundo enfrenta hoje”.

O presidente russo também afirmou que “a cooperação russo-americana baseada nos princípios de igualdade e respeito mútuo são do interesse dos habitantes de ambos os países e de toda a comunidade internacional”. “Da minha parte, estou pronto para colaboração e contatos com o senhor”, disse Putin.

Trump não reagiu de imediato à decisão do Colégio Eleitoral, mas, em uma aparente tentativa de tirar o foco do assunto, foi ao Twitter logo depois para anunciar que o procurador-geral do país, William Barr, deixará o cargo nos próximos dias. Trump vinha expressando sua insatisfação com Barr nas últimas semanas, devido às questões legais relacionadas com a eleição.

Polônia também parabeniza, Bolsonaro silencia

O presidente polonês, Andrzej Duda, também enviou mensagem a Biden nesta terça-feira parabenizando-o pela vitória. Assim como Putin, Duda não havia felicitado Biden no início de novembro, após ele ter sido declarado vencedor das eleições. O presidente polonês é um dos líderes mundiais que mantêm uma relação próxima com Trump.

“Após a votação do Colégio Eleitoral, gostaria de parabenizá-lo por ter concluído com sucesso o processo eleitoral para se tornar o 46º presidente dos Estados Unidos, e desejo ao senhor um mandato de muito sucesso”, escreveu Duda.

Com as mensagens de Putin e Duda, o presidente Jair Bolsonaro se torna o último líder de um país relevante a não ter ainda parabenizado Biden por sua vitória, gesto que na linguagem diplomática equivale ao reconhecimento do resultado eleitoral. No dia 29 de novembro, Bolsonaro afirmou que tinha havido fraude nas eleições dos Estados Unidos, sem apresentar provas. 

Nos dois primeiros anos de seu mandato, o presidente brasileiro construiu uma relação de alinhamento automático ao governo Trump, em busca de concessões que mostraram poucos resultados para o Brasil. 

“Virar a página”

Em pronunciamento logo após a decisão do Colégio Eleitoral, Biden afirmou que havia chegado a hora de seu país “virar a página”.

“Nesta batalha pela alma da América, a democracia prevaleceu”, disse Biden em discurso depois da confirmação de sua vitória. “Nós, o povo, votamos. A fé em nossas instituições foi mantida. A integridade de nossas eleições segue intacta.”

Biden obteve 306 votos no Colégio Eleitoral. São necessários 270 para vencer a eleição.

O Congresso dos EUA se reunirá em 6 de janeiro para certificar os votos do Colégio Eleitoral. A posse de Biden e de sua vice, Kamala Harris, está agendada para o dia 20 de janeiro.

BL/afp/dpa/ots

Por Deutsche Welle

Itália proíbe viagens no Natal e Ano Novo

Voluntários da ANPAS prestam assistência na Itália no combate ao Covid-19 (Arquivo/Anpas/via Fotos Públicas)

O governo da Itália quer manter os cidadãos do país em casa durante o Natal e o Ano Novo. Medidas nesse sentido foram definidas na noite desta quarta-feira (02/11) pelo governo do primeiro-ministro Giuseppe Conte e deverão virar decreto nesta quinta, segundo a imprensa italiana.

Pelas regras, ficará proibido viajar de uma região do país para a outra entre 21 de dezembro e 6 de janeiro. A regra valerá para todas as regiões, e não apenas para aquelas com elevadas taxas de infecções pelo novo coronavírus. Nos dias 25 e 26 de dezembro e 1º de janeiro, será proibido até mesmo deixar a própria cidade.

Há exceções para viagens a trabalho, por motivos de saúde e situações de emergência.

Outra regra prevê uma quarentena obrigatória de dez dias para quem chegar à Itália vindo do exterior a partir de 20 de dezembro.

O objetivo das medidas é limitar atividades como viajar para esquiar e grandes reuniões festivas no Natal e na véspera do Ano Novo.

Hotéis poderão ficar abertos, mas apenas poderão receber hóspedes da própria região. Festas em hotéis e restaurantes, como as de Ano Novo, estão proibidas.

Bares e restaurantes deverão continuar fechando às 18h. Depois só poderão vender comida e bebida para consumo fora da estabelecimento. Lojas podem ficar abertas até as 21h para evitar aglomerações.

O decreto também mantém um toque de recolher entre as 11h e as 5h, ampliado até as 7h no dia 1º de janeiro.

Governo teme terceira onda

Em declarações ao Senado, o ministro da Saúde, Roberto Speranza, disse que o governo quer evitar uma terceira onda da pandemia de covid-19.

Ele disse que o modelo de classificação das regiões em zonas vermelhas, laranjas e amarelas, de acordo com o índice de risco, será mantido, pois essa decisão deu resultados.

Quem mora numa zona vermelha já enfrenta hoje grandes limitações de movimento, mas quem mora em áreas amarelas ainda pode viajar entre regiões de áreas amarelas.

“Não será um Natal como qualquer outro, mas será uma contribuição de todos para ajudar a evitar a propagação do vírus e para aliviar a carga sobre as instalações de saúde”, acrescentou.

Speranza também disse que o retorno às escolas para alunos do ensino médio está sendo preparado, mas também não anunciou datas, já que existe um debate sobre permitir o retorno já em dezembro ou esperar até depois das férias de Natal.

“Para estabilizar os primeiros bons resultados, precisamos de outras semanas de sacrifícios e depois de outras semanas de manutenção. A propagação ainda é muito alta, temos que ter cuidado para não interpretar um primeiro raio de sol como um fim de tudo isso. Não tenhamos ilusões, se baixarmos a guarda, a terceira onda vai dobrar a esquina”, disse Speranza.

Nas últimas 24 horas, a Itália registrou 785 mortes por covid-19 e 19.350 novos casos da doença.

AS/efe/afp/dpa/kna/ard

Por Deutsche Welle

Hospitais de Berlim rejeitam pacientes devido a Covid-19

Um dos maiores hospitais da Alemanha, situado em Berlim, anunciou que não está mais aceitando pacientes em seu setor de emergência devido aos muitos casos de covid-19, segundo reportagem publicada neste sábado (28/11) pelo jornal Der Tagesspiegel. De acordo com o jornal Berliner Zeitung, outros três hospitais da capital alemã não estão mais acolhendo novos pacientes em suas unidades de tratamento intensivo, devido à sobrecarga de doentes.

A clínica Vivantes no bairro berlinense de Neukölln não deve mais aceitar pacientes no setor de emergência. De acordo com Der Tagesspiegel, a administração do hospital instruiu as ambulâncias a levarem pacientes para outros hospitais da cidade.

O hospital possui um pronto-socorro de alta frequência, considerado um dos mais importantes da capital alemã e arredores. De acordo com o periódico, 85% dos 1.200 leitos do hospital estão ocupados.

“O problema não são os leitos ocupados, mas sim a falta de pessoal de enfermagem”, afirmou Thomas Werner, médico da clínica Vivantes do bairro de Friedrichshain. Ele acrescentou que na maioria dos setores hospitalares há falta de cerca de 15% de profissionais de enfermagem, “porque eles próprios estão doentes ou em quarentena”.

De acordo com o diário Berliner Zeitung três outras clínicas berlinenses pararam de aceitar novos pacientes em suas UTIs, devido à sobrecarga de pacientes nesses setores. Outras clínicas também reportam estarem com leitos limitados em suas UTIs.

UTIs alemãs têm alta lotação

O país registrou mais de 1 milhão de casos de covid-19 desde o início da pandemia. O número de pacientes com vírus em terapia intensiva disparou de cerca de 360 ​​no início de outubro para mais de 3.500 na semana passada.

Isso apesar de uma série de medidas restritivas impostas na Alemanha desde o dia 2 de novembro para tentar conter uma segunda onda de contágio, com fechamento de restaurantes, bares, academias e áreas de lazer, enquanto escolas, lojas e salões de cabeleireiro continuam abertos.

As medidas impediram o aumento exponencial dos casos de coronavírus, mas as cifras de infecções continuam altas no país. Neste sábado, a Alemanha registrou 21.695 novos casos confirmados de coronavírus, de acordo com o Instituto Robert Koch (RKI), agência governamental alemã de controle e prevenção de doenças infecciosas.

Também neste sábado, a Europa registrou mais de 400 mil mortos em decorrência da covid-19. O Reino Unido foi responsável por 57.551 óbitos, seguido pela Itália, com 53.677; França, com 51.914, e Espanha, com 44.668.

França, Irlanda e Bélgica flexibilizam

Apesar disso, alguns países europeus estão relaxando suas restrições. Na França, o comércio pode reabrir a partir deste sábado. No entanto, restaurantes, bares e cafés, bem como instalações desportivas e culturais permanecem fechados. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a propagação do vírus diminuiu, mas que são necessários mais esforços para prevenir uma terceira onda. Pessoas podem ter mais tempo para praticar esportes e caminhadas ao ar livre. Em vez de uma hora por dia, agora são permitidas três. Os cidadãos tiveram ampliada a distância em que podem se afastar de seus lares, de um perímetro de um quilômetro para 20 quilômetros.

A Irlanda está relaxando as medidas de restrição após um lockdown de seis semanas. A partir da próxima semana, todas as lojas, restaurantes e estúdios de ginástica podem reabrir, conforme anunciou o primeiro-ministro do país, Michael Martin. A partir de 18 de dezembro, as viagens entre os municípios devem ser permitidas novamente, para possibilitar um Natal “diferente, mas especial”. Entre 18 de dezembro e 6 de janeiro, até três famílias podem se reunir novamente em particular. A Irlanda foi um dos primeiros países europeus a impor novamente um bloqueio na segunda onda coronavírus.

Também na Bélgica, a partir de 1º de dezembro, o comércio poderá reabrir sob rígidas regras de higiene – não só apenas lojas de produtos essenciais, como até agora. Apesar da redução do números de casos e internações no país nas últimas semanas, a situação continua tensa, segundo o primeiro-ministro belga, Alexander De Croo. “Não sobreviveríamos a uma terceira onda”, alertou. Ainda permanecem em vigor no país restrições sociais e o toque de recolher noturno. Uma proibição de fogos de artifício em todo o país continua válida durante as festas de Ano Novo. Restaurantes e bares permanecem fechados, assim como cabeleireiros e outros serviços.

MD/dpa/rtr/afp

Por Deutsche Welle

China e mais 14 países criam maior pacto comercial do mundo

Xi Jinping, presidente da China (Xinhua/Reprodução)

Foi oficializada neste domingo (15/11), em conferência virtual, a criação do maior tratado comercial do mundo, que envolve a China e outros 14 países da região Ásia-Pacífico, deixa de fora os Estados Unidos e abarca uma área onde vivem mais de 2,2 bilhões de pessoas.

O tratado RCEP (Parceria Regional Econômica Abrangente) abrangerá um terço da atividade comercial do planeta, e seus signatários esperam que sua criação ajude os países a sair mais rápido da turbulência imposta pela pandemia de coronavírus.

“Tenho o prazer de dizer que, após oito anos de trabalho duro, a partir de hoje, concluímos oficialmente as negociações da RCEP para a assinatura”, afirmou o primeiro-ministro do Vietnã, Nguyen Xuan Phuc, “país-anfitrião” da cúpula online.

Segundo o premiê, a conclusão das negociações da RCEP envia uma mensagem forte ao mundo, ao “reafirmar o papel de liderança da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) em defesa do multilateralismo.”

“O acordo apoia o sistema comercial multilateral, criando uma nova estrutura comercial na região, permitindo a facilitação do comércio sustentável, revitalizando as cadeias de abastecimento interrompidas pela covid-19 e ajudando na recuperação pós-pandêmica”, completou Phuc.

Além dos dez membros da Asean, o tratado inclui China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia. As autoridades dizem que o acordo deixa a porta aberta para que a Índia, que desistiu devido a uma oposição interna feroz às abertura de mercado, volte a aderir ao bloco.

Menos integração que a UE

O acordo prevê reduzir as já baixas tarifas ao comércio entre os países-membros, mas é menos abrangente do que o Tratado Transpacífico, que envolvia 11 países e do qual o presidente americano, Donald Trump, se retirou logo após tomar posse.

Não se espera que o tratado selado neste domingo vá tão longe quanto a União Europeia na integração das economias nacionais, mas sim que se baseie nos acordos de livre-comércio já existentes para facilitar as trocas entre os países.

O acordo tem fortes ramificações simbólicas, ao mostrar que, quase quatro anos após Trump ter lançado sua política “America First”, de forjar acordos comerciais com países de forma individual, a Ásia continua comprometida com o multilateralismo.

Antes da reunião deste domingo, o primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, disse que transmitiria com firmeza o apoio de seu governo “à ampliação de uma zona econômica livre e justa, incluindo a possibilidade de um futuro retorno da Índia ao acordo, e a esperança de ganhar apoio dos outros países”.

“O acordo é também uma vitória para a China, de longe o maior mercado da região com mais de 1,3 bilhão de pessoas. Ele permite que Pequim se lance como líder da globalização e da cooperação multilateral e lhe dá maior influência sobre as regras que regem o comércio regional”, escreveu o economista Gareth Leather, especialista em mercado asiático em relatório do instituto Capital Economics.

China: “Vitória do multilateralismo”

A agência oficial chinesa Xinhua News Agency citou o primeiro-ministro Li Keqiang saudando o acordo como uma vitória contra o protecionismo.

“A assinatura do RCEP não é apenas uma conquista marcante da cooperação regional da Ásia Oriental, mas também uma vitória do multilateralismo e do livre-comércio”, disse Li.

Agora que o oponente do Trump, Joe Biden, foi declarado presidente eleito, a região está atenta para ver como a política americana sobre comércio e outras questões vai evoluir.

Analistas são céticos de que Biden vai se esforçar muito para aderir novamente ao pacto comercial Transpacífico ou para reverter muitas das sanções comerciais impostas à China pelo governo Trump, dada a frustração generalizada com os dados comerciais e de direitos humanos de Pequim e as acusações de espionagem e roubo de tecnologia.

Críticos dizem que acordos de livre-comércio tendem a encorajar as empresas a transferir empregos da indústria local para o exterior. E essa é uma preocupação do eleitorado, por exemplo, das regiões de Michigan e Pensilvânia, que Biden precisou conquistar para vencer as eleições de 3 de novembro.

Mas dada a preocupação com a crescente influência da China, avaliam especialistas, Biden provavelmente buscará muito mais envolvimento com o Sudeste Asiático para proteger os EUA.

O mercado do Sudeste Asiático, em rápido crescimento e cada vez mais influente, tem 650 milhões de pessoas e, duramente atingido pela pandemia, está procurando urgentemente novos motores para o crescimento.

O tratado RCEP originalmente teria incluído cerca de 3,6 bilhões de pessoas e abrangia cerca de um terço do comércio mundial e do PIB global. Sem a Índia, ainda cobre mais de 2 bilhões de pessoas e cerca de um terço de toda a atividade comercial do mundo.

RPR/apafp

Por Deutsche Welle

Oito em cada dez americanos reconhecem Biden como vencedor da eleição

Praticamente oito em cada dez norte-americanos reconhecem o presidente eleito Joe Biden como o vencedor da eleição presidencial nos Estados Unidos, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na noite de terça-feira (10/11). O democrata foi anunciado como vencedor no sábado, após ultrapassar a marca de 270 votos no Colégio Eleitoral americano.

Mesmo assim, o presidente Donald Trump vem se recusando a reconhecer a derrota e vem tumultuando o processo de transição. Na segunda-feira, por exemplo, seu governo bloqueou o acesso da equipe de Biden a informações e recursos para que seja iniciada a transição de poder. A atitude contrasta com a transição de 2016, quando o então presidente Barack Obama recebeu um recém-eleito Trump na Casa Branca uma semana após o pleito para oficializar o início da passagem de poder.

No voto popular, Biden recebeu até agora 76,3 milhões de votos, ou 50,7% do total, contra 71,6 milhões, ou 47,6%, de Trump. A contagem de votos ainda prossegue em três estados, mas Biden já acumula 279 ou 290 votos no Colégio Eleitoral, de acordo com diversos levantamentos. Trump tem apenas 214.

Oficialmente, o vencedor da eleição só é anunciado em 14 de dezembro, quando os delegados de todos os 50 estados se reúnem em Washington no Colégio Eleitoral para confirmar os resultados estaduais. Não há nos EUA um órgão central que compile os resultados estaduais. Normalmente, o resultado é projetado logo após o pleito pela imprensa. O anúncio do desfecho da eleição é facilitado quando um dos lados concede a derrota – o que não vem sendo o caso com Trump.

Apesar da recusa do republicano, dezenas de líderes mundiais, de países como Alemanha e Canadá, e todos os ex-presidentes vivos dos EUA, incluindo o republicano George W. Bush, já felicitaram Biden pela vitória. A maior parte do povo americano também parece concordar que Biden é o vencedor.

A pesquisa nacional Reuters/Ipsos, que foi conduzida entre a tarde de sábado até esta terça-feira, concluiu que 79% dos adultos nos Estados Unidos acreditam que Biden conquistou a Casa Branca. Outros 13% disseram que a eleição ainda não está decidida, 3% acham que Trump venceu, e 5% dizem que não sabem.

Todos os entrevistados que se identificaram como democratas disseram que Biden foi o vencedor. Já entre os republicanos, a média foi menor, mas ainda assim seis em cada dez eleitores que se identificam com o partido de Trump apontaram que o democrata Biden é o vencedor.

O estudo ainda mostrou que 72% dos americanos acreditam que o perdedor da eleição precisa admitir a derrota.

Trump não só não reconheceu o resultado da disputa. Pouco depois do pleito, ele chegou a declarar vitória prematuramente, muito antes da apuração completa dos votos, e denunciou repetidamente, sem apresentar evidências, que está sendo vítima de fraude eleitoral generalizada.

Nos últimos dias, membros do seu governo também passaram a abraçar mais abertamente a narrativa do chefe. Na terça-feira, ao ser questionado sobre a transição de poder, o secretário de Estado Mike Pompeo afirmou que haverá uma “transição de poder suave para um segundo mandato de Trump”, sinalizando que o círculo do presidente pretende arrastar a questão até pelo menos a metade de dezembro, quando o Colégio Eleitoral oficializar o resultado.

Trump já deixou claro que pretende contestar o resultado nos tribunais, especialmente na Suprema Corte, onde o republicano indicou três dos nove juízes. Sua campanha também chegou a pedir recontagens em vários estados-chave, mas não foi bem-sucedida. Os republicanos ainda agiram para tentar barrar a contagem de votos em três estados. As ofensivas causaram ultraje nos EUA e foram criticadas até mesmo por alguns republicanos.

Paralelamente, Trump também celebrou os bons resultados do Partido Republicano na eleição para a Câmara dos Representantes, mas neste caso evitou apontar qualquer suspeita de fraude no pleito. 

Não é a primeira vez que Trump recorre a esse tipo de tática sem qualquer base. Em 2016, ele venceu no Colégio Eleitoral, mas perdeu no voto popular para Hillary Clinton. Com o ego ferido, disse que os democratas haviam arregimentado milhões de imigrantes ilegais para votar. Uma comissão foi formada pelo seu governo para investigar. Nenhuma evidência de irregularidade foi encontrada, e o colegiado foi extinto em 2018.

Na terça-feira, diante da insistência de Trump em não reconhecer a derrota, o democrata Biden afirmou que a atitude do republicano é uma “vergonha”. “Nós vamos seguir, vamos adiante, de maneira consistente, construindo juntos nosso governo, a Casa Branca, e revisando quem iremos escolher para os cargos de gabinete, e nada vai impedir isso”, disse o democrata.

JPS/rtr/ots

Por Deutsche Welle

Congresso do Peru aprova impeachment do presidente

Martin Vizcarra, presidente do Peru (Redes Sociais/Reprodução)

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, foi destituído do cargo pelo Congresso do país nesta segunda-feira (09/11) por “incapacidade moral”. Foi o segundo processo contra o mandatário em menos de dois meses.

Na votação em plenário, que terminou com 105 votos favoráveis aos impeachment – eram necessários 87 –, os parlamentares decidiram que Vizcarra é moralmente incapaz de exercer o cargo devido a acusações de que teria praticado corrupção quando era governador da região de Moquegua, entre 2011 e 2014.

A decisão do Congresso surpreendeu muitos analistas políticos no país, uma vez que tudo indicava que não haveria um número suficiente de parlamentares para aprovar a destituição.

A presidência passa a ser ocupada pelo presidente do Congresso, Manuel Merino, do grupo político Ação Popular, de oposição ao governo de Vizcarra. Ele deverá cumprir o mandato até julho de 2021. Em abril haverá eleição para presidente.

Merino era o segundo na linha de sucessão no país após a renúncia da vice-presidente Mercedes Aráoz, em outubro de 2019, um dia após a deflagração de uma crise institucional na qual Vizcarra dissolveu o Congresso, que, por sua vez, suspendeu o mandato do chefe de Estado.

Aráoz, que havia sido empossada no cargo de presidente do Peru pelo Congresso dias antes, disse que a ordem constitucional do país havia sido rompida e que não havia condições para que ela exercesse a função de presidente.

Nesta segunda-feira, Vizcarra apresentou pessoalmente sua defesa no Congresso e negou categoricamente ter recebido qualquer tipo de propina. Ele fez duras críticas ao processo de destituição, que disse ter sido aberto com base em delações premiadas não homologadas pela Justiça.

“Não há provas de flagrante delito, nem haverá, porque não cometi um crime, não recebi propina. Estes são fatos falsos, não corroborados, num processo de investigação está apenas começando, são hipóteses”, afirmou em sua defesa.

Entretanto, o presidente foi acusado de mentir, de imoralidade e de corrupção, além de ser responsabilizado pela instabilidade política que o país atravessa. A votação deixou clara a falta de apoio a Vizcarra, até mesmo entre membros de sua base.

Em setembro, Vizcarra já havia escapado de um primeiro processo de impeachment, após seu assistente pessoal vazar gravações na qual o presidente parecia querer ocultar reuniões suas com o desconhecido músico Richard Swing, que conseguiu contratos públicos supostamente por ser seu amigo pessoal.

O pedido de destituição foi negado pela maioria dos parlamentares com o objetivo de manter a estabilidade no país e após Merino, a força motriz por trás do processo, ter entrado em contato com as Forças Armadas na tentativa de criar um “governo paralelo” antes mesmo de as alegações contra o presidente se tornarem conhecidas.

Quedas sucessivas de presidentes no Peru

Vizcarra, que inicialmente era vice-presidente, assumiu o mandato em março de 2018 após a renúncia do então presidente Pedro Pablo Kuczynski, conhecido como PPK, que havia sido acusado de receber propinas da Odebrecht e enfrentou duas tentativas de impeachment.

PPK não foi o primeiro presidente do Peru a ser envolvido em escândalos da Odebrecht. Em fevereiro de 2016, seu antecessor, Ollanta Humala, que governou o país de 2011 a 2016, foi acusado de receber propinas da empreiteira brasileira, mas mesmo assim permaneceu no poder até o final do mandato.

O antecessor de Humala, Alan García, presidente do Peru de 2006 a 2011, também viu seu nome ligado a suspeitas de recebimento de propina da Odebrecht e teve destino trágico. Em abril de 2019, García se matou com um tiro após se tornar alvo de uma ordem de prisão preventiva.

Alejandro Toledo, antecessor de García, que governou o país de 2001 a 2006, também foi acusado de receber propinas da Odebrecht e teve sua prisão decretada em fevereiro de 2017. Ele permaneceu foragido até julho de 2019, quando foi preso nos Estados Unidos e atualmente enfrenta um processo de extradição para o Peru.

A destituição de Vizcarra gerou fortes reações de alguns dos candidatos à presidência nas eleições marcadas para abril de 2021. O favorito nas pesquisas, George Forsyth, disse se tratar de um “golpe de Estado disfarçado” e pediu calma e vigilância à população. A candidata Verónika Mendoza, uma das principais líderes da esquerda peruana, pediu que os cidadãos se mobilizem para rechaçar a decisão do Congresso.

RC/efe/lusa

Por Deutsche Welle