Polícia

Suspeito de mandar matar Dom e Bruno é preso

Um homem suspeito de ser mandante dos assassinatos do indigenista brasileiro Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips foi preso nesta quinta-feira (08/07) pela Polícia Federal em Tabatinga, no estado do Amazonas. O peruano Rubens Villar Coelho, conhecido como Colômbia, foi detido por uso de documento falso, e nega envolvimento na morte de ambos.

Conforme informações divulgadas pela Rede Globo, o suspeito foi até a sede da Polícia Federal em Tabatinga na tarde desta quinta-feira para declarar que não teria envolvimento nas mortes de Bruno e Dom. A cidade de Tabatinga fica próxima de Atalaia do Norte, para onde Bruno e Dom viajavam a partir da comunidade de São Rafael quando foram mortos.

Montagem de duas fotos mostra do lado esquerdo Bruno Pereira, com colar típico de índio no pescoço, e Dom Phillips à direita com floresta ao fundo.
Bruno Pereira e Dom Phillips (Reprodução)

Ao chegar à delegacia e se identificar, Colômbia foi detido porque teria apresentado um documento falso. Ele estaria portando outros dois documentos falsos – um brasileiro e um colombiano. A pena para esse tipo de crime é de seis anos de detenção e ele não cabe soltura por pagamento de fiança.

Ele já era investigado por suspeita de tráfico e de envolvimento com a pesca ilegal na região do Vale do Javari, terra indígena da qual parte do território integra a cidade de Atalaia do Norte. 

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Até o momento, três suspeitos estão presos pela morte do indigenista e do jornalista. A PF suspeita que os irmãos Amarildo e Oseney da Costa de Oliveira, além de Jeferson da Silva Lima e outras cinco pessoas já indiciadas, seriam empregados de Colômbia na região.

Assassinato de Phillips e Pereira

Phillips, de 57 anos, e Pereira, de 41, desapareceram em 5 de junho numa região remota da Amazônia, onde avançaram nos últimos anos a mineração, a pesca e a extração de madeira ilegais, bem como o tráfico de drogas. Dez dias depois, um pescador, Amarildo da Costa de Oliveira, suspeito de participar do crime, confessou os assassinatos e indicou onde estavam os corpos das vítimas, que teriam sido mortas a tiros, depois esquartejadas, queimadas e enterradas.

No entanto, as investigações sobre o caso continuam, incluindo a busca pelo real motivo, as circunstâncias dos homicídios, se houve algum mandante, além de mais pessoas envolvidas.

A União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), que deu início às buscas pela dupla no mesmo dia em que Phillips e Pereira foram vistos com vida pela última vez, classificou os assassinatos de “crime político” e alertou que os suspeitos presos pelos assassinatos “fazem parte de um grupo maior”.

Phillips estava na região recolhendo material para um livro que escrevia sobre preservação da Amazônia. Já Pereira, atualmente licenciado, era um dos funcionários mais experientes da Funai em atuação no Vale do Javari. Ele supervisionou o escritório regional da entidade e a coordenação de grupos indígenas isolados antes de sair de licença.

Falas de Bolsonaro são criticadas

Durante as buscas, o presidente Jair Bolsonaro fez uma série de declarações que provocaram repúdio de ativistas de direitos humanos e organizações que representam jornalistas.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), por exemplo, repudiou as declarações de Bolsonaro sobre o caso afirmando que “lamentavelmente autoridades governamentais sugeriram que as próprias vítimas eram responsáveis pela tragédia.”

Em sua primeira declaração sobre o caso, Bolsonaro afirmou que Bruno Pereira e Dom Phillps sabiam dos riscos existentes na região e chamou de “aventura não recomendável” o trabalho que as vítimas faziam. Ele também afirmou que o jornalista britânico era “malvisto na região” e disse que ele deveria ter segurança redobrada na “excursão” que fazia.

Nesta quinta-feira, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução condenando “veementemente” tanto os assassinatos da dupla quanto a “violência crescente” no Brasil contra ativistas de direitos humanos e do meio ambiente, povos indígenas, minorias e jornalistas.

Na mesma votação, os eurodeputados também condenaram a “retórica agressiva” e “declarações intimidadoras” de Bolsonaro.

A Anistia Internacional afirmou que os comentários de Bolsonaro sobre o caso foram “cruéis e insensíveis”.

gb/bl (ots)

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