Leito de UTI em hospital com camas vazias

Casos de síndrome respiratória aumentam em 14 Estados

A última atualização do boletim InfoGripe, publicado semanalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou na última quinta-feira (5) um aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nos adultos em 14 estados do Brasil.

Os últimos levantamentos, obtidos através de informações disponibilizadas no Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe) durante o mês, observavam a alta da SRAG apenas entre as crianças.

Dentre os estados que registraram um crescimento nos casos de SRAG, estão Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima e Santa Catarina.

Recentemente, diversos estados e municípios flexibilizaram as medidas protetivas que visavam o combate à Covid-19 devido à diminuição de casos e mortes, além do avanço da vacinação contra o coronavírus. Pesquisadores indicam que as altas da SRAG podem ser motivadas por essas decisões.

Agente de saúde com equipamentos de proteção no corpo, mãos, rosto e cabelo coleta amostra de exame enquanto paciente, uma mulher, usando máscara, aguarda sentada ao fundo.

Capital restringe testes de covid-19 e gripe a pessoas de risco

A Prefeitura de São Paulo informou que a partir de hoje (15) apenas pessoas consideradas de risco terão testes de covid-19 e gripe realizados nas unidades de saúde. Os demais pacientes receberão diagnóstico clínico, caso apresentam mais de dois sintomas, sem necessidade de coleta de amostras de exames.

A medida foi tomada “devido à grande demanda nos atendimentos de Síndrome Gripal (SG)”, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

“Pertencem ao grupo de risco: pessoas não vacinadas ou com apenas uma dose de vacina, gestantes e puérperas, indivíduos com comorbidades a critério médico, profissionais de saúde e população em situação de rua”, informa a nota distribuída à imprensa hoje.

Agente de saúde com equipamentos de proteção no corpo, mãos, rosto e cabelo coleta amostra de exame enquanto paciente, uma mulher, usando máscara, aguarda sentada ao fundo.
(Pref. de São Paulo)

“Para esse público, quem apresentar dois ou mais sintomas gripais, será submetido ao RT-PCR ou teste rápido antígeno, de acordo com a disponibilidade do insumo”, esclarece.

Para pessoas fora do grupo considerado de risco e que apresentarem dois ou mais sintomas gripais, o diagnóstico será realizado prioritariamente de forma clínica, “considerando o histórico de contato próximo ou domiciliar nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas com pessoas confirmadas para Covid-19”.

A secretaria diz também que o paciente com covid-19, seja via teste ou resultado clínico, “deverá permanecer em isolamento por sete dias (após início de sintomas) e, se ao final desse período, ele não apresentar sintomas respiratórios e febre por um período de 24 horas, sem uso de antitérmico, será liberado do isolamento. Caso contrário, deverá permanecer em quarentena até o décimo dia”, destaca.

Sintomas

Os sintomas gripais agudos são caracterizados por pelo menos dois dos seguintes sinais, segundo a Prefeitura: febre (mesmo que referida); calafrios; dor de garganta; tosse; coriza; e distúrbios olfativos ou distúrbios gustativos.  

“Em crianças, além dos sintomas anteriores, considera-se também obstrução nasal, na ausência de outro diagnóstico específico. Em idosos devem-se considerar também critérios específicos de agravamento, como síncope, confusão mental, sonolência excessiva, irritabilidade e inapetência”.

Na suspeita da Covid-19, a febre pode estar ausente e sintomas gastrointestinais (diarreia) podem estar presentes.

Entrada do estacionamento de local para testagem de covid. Pessoas na porta paradas e faixa com a frase "testagem covid-19" no alto.

Casos respiratórios graves sobem 135% em todo país

O boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado hoje (15), mostra que houve um aumento de 135% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) das últimas três semanas de novembro em relação às três últimas semanas. Passou de 5,6 mil casos para 13 mil. 

“A velocidade com que a covid-19 se espalha entre a população cresceu semanalmente de 4% para 30%”, disse o pesquisador Marcelo Gomes, responsável pelo InfoGripe.

Os dados apontam um crescimento em todas as faixas etárias a partir de 10 anos de idade, desde o final de novembro e início de dezembro até o momento atual. Os números de laboratório indicam que esse aumento foi consequência tanto da epidemia de gripe quanto pela retomada do crescimento de casos de covid-19.

Entrada do estacionamento de local para testagem de covid. Pessoas na porta paradas e faixa com a frase "testagem covid-19" no alto.
(Tomaz Silva/Agência Brasil)

Das 27 unidades federativas, 25 apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a SE 1 (período de 2 a 8 de janeiro de 2022). O estado do Rio de Janeiro, embora mostre estabilidade na tendência de longo prazo, tem indícios de crescimento na de curto prazo. Apenas Roraima mostra sinal de estabilidade nas tendências de longo e curto prazo.

Com exceção de Roraima e do Rio de Janeiro, todos os estados têm sinal de crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda (SRAG) na tendência de longo prazo, sendo que todos esses estão com o indicador em nível forte (probabilidade > 95%): Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Destes, apenas Amazonas e Rondônia apresentam sinal de estabilidade na tendência de curto prazo. Todos os demais apresentam sinal de crescimento, sendo este sinal moderado (probabilidade > 75%) no Amapá, Pará e Piauí e forte em todos os demais. No Rio de Janeiro observa-se sinal forte de crescimento na tendência de curto prazo, embora a tendência de longo prazo esteja em situação de estabilidade.

Exames laboratoriais

Em todas as faixas etárias verifica-se aumento significativo de casos associados ao vírus Influenza A (gripe) ao final de novembro e ao longo do mês de dezembro, tendo inclusive superado os registros de covid-19 em algumas dessas semanas. No entanto, os dados relativos ao final de dezembro e à primeira semana de janeiro apontam para a retomada do cenário de predomínio da covid-19.

Na população infantil, na qual os vírus sincicial respiratório (VSR) e Influenza A ainda prevalecem, também verifica-se tendência de aumento nos casos positivos para a covid-19. O pesquisador Marcelo Gomes observa que o cenário de aumento de casos graves de Influenza e de covid-19, anteriores às festas de final de ano, sugerem que tais eventos podem ter representado risco significativo para a população, especialmente em eventos com muitas pessoas.

Segundo Marcelo Gomes, “esse fato torna fundamental a retomada de ações de conscientização da população e minimização de risco para mitigar o impacto ao longo do início do ano de 2022. Tais dados também deixam claro a importância do cancelamento de grandes eventos de Réveillon por parte das autoridades de diversas localidades, ainda que os dados de notificação estivessem apresentando problemas na sua divulgação”.

Os dados laboratoriais por unidades da federação seguem um quadro muito similar em praticamente todos os estados, “sendo claro o início da epidemia de Influenza A no Rio de Janeiro e rapidamente se espalhando para o restante do país”, comenta Gomes. Quanto à retomada do crescimento de SRAG associados à covid-19, o boletim mostra uma reversão clara a partir da segunda quinzena de dezembro em diversos estados, embora em alguns estados do Norte e Nordeste a covid-19 tenha mantido alta positividade ao longo de todo o final do ano: Amapá, Maranhão e Pará apresentam tendência de crescimento nesses casos desde os meses de outubro ou novembro. 

O pesquisador Marcelo Gomes alertou para o fato de que “sempre há atraso entre a identificação de casos, o resultado laboratorial e a inserção do resultado no [Sistema de Vigilância Epidemiológica da Gripe] Sivep-Gripe. Com isso, a população viral associada a casos recentes pode sofrer alterações significativas em atualizações seguintes”.

Por Agência Brasil

Mulher caminha de máscara pela calçada em frente a uma loja aberta e com pessoas dentro do estabelecimento.

São Paulo descarta medidas restritivas para conter gripe e covid-19

Mesmo com a alta de casos e de internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) nos últimos dias, o Centro de Contingenciamento do Coronavírus em São Paulo não acha necessário voltar a fechar o comércio e endurecer as medidas restritivas contra o novo coronavírus (covid-19) no momento.

“O comitê científico não vê, neste momento, a implementação de novas medidas restritivas. Entendemos que o aumento de casos não está sendo acompanhado de forma que cause preocupação nas internações. E as orientações continuam as mesmas: evitar aglomerações, seja em ambiente fechado ou aberto. Essa variante [a Ômicron] tem capacidade de transmissibilidade muito alta”, disse João Gabbardo, coordenador executivo do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

Mulher caminha de máscara pela calçada em frente a uma loja aberta e com pessoas dentro do estabelecimento.
(Rovena Rosa/Agência Brasil)

“Mesmo que a gente tenha percebido uma movimentação maior nas internações, um aumento de 30% na última semana, estamos partindo de um patamar que estava muito baixo”, explicou. Segundo ele, apesar de percentualmente representar um grande aumento, isso não vai colocar em risco a capacidade de atendimento das redes de hospitais do estado.

A taxa de internação em todo o estado ainda é baixa e está em torno de 27,7% neste momento, informou Gabbardo. Mas o aumento observado nos últimos dias e, principalmente, as notícias de explosão de casos em outros países da Europa e também nos Estados Unidos, já vem acendendo um alerta nas autoridades de São Paulo.

Desde dezembro, apesar de problemas no sistema Sivep-Gripe estarem dificultando a contabilização de casos, o estado vem observando um aumento de casos e de internações por síndrome respiratória aguda grave. Esses casos, segundo o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, englobam não só as confirmações de covid-19, mas também de H3N2 e de outros vírus respiratórios. Só de ontem (4) para hoje (5), as internações em unidades de terapia intensiva (UTIs) passaram de 1.163 para 1.281 em todo o estado de São Paulo. Já na enfermaria, o aumento foi maior, passou de 1.881 ontem para 2.123 hoje.

“Tivemos um leve incremento hoje de 26,66 % [em UTIs) e, nas enfermarias, esse incremento acabou sendo maior”, informou o secretário. “O maior aporte de internação acaba sendo em enfermaria”, acrescentou.

Vacinação

Até então, o avanço da vacinação fez os casos e internações despencarem em São Paulo. Mas com o surgimento de uma nova variante, a Ômicron, que é mais transmissível, e com o aparecimento de uma nova variante do vírus Influenza H3N2, chamada Darwin, o Brasil vem enfrentando um novo aumento de casos, de procura por testes e de internações. Especialistas têm apontado que o país deve enfrentar novamente um momento difícil da pandemia já nas próximas semanas.

De acordo com Jean Gorinchteyn, uma das explicações para o aumento de casos é que as pessoas relaxaram no uso da máscara. “Nós tivemos um aumento de síndromes respiratórias especialmente nos prontos-socorros. Isso se deve à covid-19, à própria Influenza, especialmente a H3N2, a mais prevalente, e a outros vírus respiratórios, como o resfriado comum. Portanto, esses quadros denotam claramente que as pessoas retiraram as máscaras de forma muito abrupta, especialmente nos ambientes de confraternização e nos ambientes sociais, favorecendo dessa forma a transmissão”, disse o secretário. 

“E vimos o aparecimento de uma nova variante [do coronavírus], a Ômicron, que hoje corresponde a 66% de todos os casos de covid-19 detectados. É uma cepa mais infectante, o que faz com que tenhamos aumento na assistência. Mas felizmente temos a vacina [contra a covid-19], que faz com que o impacto de pessoas graves fosse muito reduzido e estivesse muito mais relacionado à gripe do que à covid-19”, acrescentou.

Postos de saúde

Além do aumento de internações, o estado de São Paulo vem observando um grande aumento na procura por postos de saúde, com grandes filas de espera por atendimento. Para Gabbardo, uma das explicações para essa grande procura é o fato de haver poucos lugares fazendo testes. 

“Temos que achar uma solução para isso. O aumento da testagem em locais diferentes e de mais fácil acesso da população é fundamental para não ter acúmulo nas unidades de saúde”, disse.

O infectologista Ésper Kallas, também integrante do comitê, disse que os médicos têm notado um aumento expressivo de casos de covid-19 com quadros mais leves em pessoas que tomaram duas ou três doses da vacina.

Carnaval

Para os integrantes do Centro de Contingência, não há condições, neste momento, para a realização do carnaval. Mas a decisão não cabe a eles, mas aos prefeitos. “O carnaval pode ser analisado em dois aspectos. O primeiro são os desfiles de escolas de samba, em que é situação parecida com estádios de futebol, em que há possibilidade de ter controle, exigindo que todos estejam vacinados e que continuem usando máscaras. Mas o carnaval de rua nós não temos como fazer um controle, pois fica liberada a participação de todos, não tem como verificar a vacinação e a aglomeração é imensa. Eu acho que é impensável manter o carnaval nessas condições”, disse Gabbardo. “Mesmo no desfile de carnaval temos que pensar que as pessoas que vão chegar para o desfile vão se aglomerar no trem, no ônibus. E isso é um risco muito alto”, alertou.

Por Agência Brasil

Ilustração de ampola transparente com porção de sangue, com sinais positivo e negativo como alternativas, sendo que o o positivo está assinalado. A palavra covid-19 está escrita na parte transparente da ampola. Ao fundo, a ilustração de uma pessoa passando mal, com a mão encostada na testa.

Brasil e vários países registram casos de flurona

Pelo menos três estados brasileiros têm relatos de pacientes que apresentaram infecção simultânea de coronavírus e do vírus de gripe, o que tem sido chamado de “flurona” — uma junção das palavras “flu”, (gripe em inglês), com “corona”.

Nos últimos dias, outros países também registraram o fenômeno, detectado pela primeira vez nos Estados Unidos durante o primeiro ano da pandemia de covid-19.

No Brasil, foram noticiados casos de flurona nos estados de Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo.

Ilustração de ampola transparente com porção de sangue, com sinais positivo e negativo como alternativas, sendo que o o positivo está assinalado. A palavra covid-19 está escrita na parte transparente da ampola. Ao fundo, a ilustração de uma pessoa passando mal, com a mão encostada na testa.
(Gerd Altmann/Pixabay)

No Rio de Janeiro, um adolescente de 16 anos testou positivo para as duas doenças. A família dele informou ter confirmado a infecção através de testes realizados em dois laboratórios particulares. Segundo informações da TV Globo, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio confirmou um segundo caso no estado.

No Ceará, foram contabilizados três casos desde dezembro, todos em Fortaleza, incluindo um bebê de um ano. Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), duas crianças estiveram internadas em unidades particulares sem agravamento do quadro clínico e já receberam alta. O terceiro paciente é um homem de 52 anos que não precisou de internação e cumpre isolamento.

Ao menos um caso foi relatado em São Paulo, e diversas secretarias estaduais de Saúde investigam casos suspeitos e deve aumentar a contagem de confirmações nos próximos dias.

Israel, Hungria e Espanha

No último sábado (01/01), o governo de Israel registrou um caso dessa infecção dupla do coronavírus e do vírus influenza numa grávida não vacinada. Ela recebeu alta em 30 de dezembro após ser tratada de sintomas leves derivados da infecção simultânea, segundo o jornal Times of Israel.

Especialistas do Ministério da Saúde israelense acreditam que haja casos semelhantes, ainda não identificados, quando o país registra quase 2 mil internações por gripe, enquanto os testes positivos para coronavírus da variante ômicron aumentam.

A circulação dos vírus influenza e covid-19 ao mesmo tempo preocupa principalmente pelo risco para a população mais vulnerável, já que as duas doenças afetam o aparelho respiratório superior, alertam especialistas.

Na Hungria, o laboratório privado Neumann Labs identificou a presença de flurona em dois casos, ambos envolvendo menores de 30 anos, informou o jornal digital Népszava nesta terça-feira.

Na Espanha, os primeiros casos de flurona foram identificados na região da Catalunha. “Temos um ou outro caso, mas eles não representam uma diferença em relação aos outros. São poucos, são circunstanciais e não têm mais relevância”, explicou a diretora do Serviço Catalão de Saúde, Gemma Craywinckel, na segunda-feira.

Por Deutsche Welle

Mão de pessoa segura um frasco da vacina contra a gripe enquanto outros frascos estão dentro da caixa, colocada sobre outras caixas fechadas da mesma vacina.

H3N2: Butantan começa produzir nova vacina da gripe

O Instituto Butantan iniciou a produção da nova vacina contra a gripe para ser utilizada pelo SUS em 2022. Novidade do novo imunizante é que ele é trivalente, ou seja, trará proteção contra os vírus H1N1, H3N2 (do subtipo Darwin) e a cepa B.

“Já produzimos 100% do IFA do H1N1 em setembro. Estamos em vias de terminar o IFA da cepa B e em janeiro começamos a produzir o IFA do H3N2. Na primeira quinzena de fevereiro está previsto o início das formulações e do envase”, explicou Ricardo Oliveira, diretor de produção do Instituto Butantan.

Mão de pessoa segura um frasco da vacina contra a gripe enquanto outros frascos estão dentro da caixa, colocada sobre outras caixas fechadas da mesma vacina.
(Gov. do Estado de SP)

A vacina será produzia em uma fábrica do próprio Butantan, que produz separadamente os IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) das três cepas. Depois de pronto, eles são misturados em uma outra fábrica de formulação e envase.

A nova vacina será fundamental para proteger a população, já que o país sofre com um surto de H3N2. Os atuais imunizantes não protegem contra essa atual cepa.

O Butantan produz, anualmente, 80 milhões de doses de vacina, que são ofertados para a campanha nacional de vacinação. Por ser sazonal, a vacina é modificada a cada ano, baseado nos três subtipos do vírus influenza que mais circularam no último ano no hemisfério Sul, conforme indicação da OMS (Organização Mundial da Saúde).

Por TV Cultura

Fachada do hospital da brasilândia. Arquitetura feita em concreto, com fachada de vidro. Jardim na parte da frente.

Gripe dispara e Capital destina parte de hospital para atender pacientes

A Prefeitura de São Paulo está concentrando os pacientes com sintomas gripais no Hospital Municipal da Brasilândia. A medida, iniciada no último sábado (18), foi tomada por causa do aumento no número de pessoas com sintomas respiratórios.

“A estratégia da gestão municipal é concentrar os pacientes em uma unidade para o devido acompanhamento e também realizar o painel viral das pessoas internadas, contribuindo para a identificação da cepa viral de influenza, entre outros vírus, que circulam na capital”, esclarece o município, em nota.  

A Capital registrou um salto no número de casos este mês. Para efeito de comparação, em novembro foram registrados 111.949 atendimentos de pessoas com sintomas gripais, sendo 56.220 suspeitos de Covid-19.

Fachada do hospital da brasilândia. Arquitetura feita em concreto, com fachada de vidro. Jardim na parte da frente.
(pref. de São Paulo

Já em dezembro, em apenas 15 dias, foram 91.882 atendimentos a pessoas com quadro respiratório, sendo 45.325 suspeitos de Covid-19.

“Os nossos especialistas já identificam diferentes agentes infecciosos e precisamos garantir o melhor atendimento aos usuários dos serviços”, ressalta Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde.

Neste momento, segundo a Prefeitura, 46 pacientes estão internados por problemas respiratórios, sendo 16 em UTI.

O hospital da Brasilândia conta com 406 leitos, dos quais 258 serão destinados aos pacientes com Srag, sendo 158 de enfermaria e 100 de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

Isabella Ballalai fala ao microfone. É uma mulher branca, loira, cabelos perto dos ombros. Veste um blazer branco, com blusa preta por baixo e está com um óculos pendurado no pescoço. Com a mão direita, aponta para o alto. Ao fundo, um banner com a logomarca da Sociedade Brasileira de Imunizações.

Brasil vive cenário de gripe para o outono, alerta vice-presidente da SBIm

Algumas regiões do Brasil estão enfrentando um surto de influenza, a gripe comum, provocado por uma nova cepa do vírus H3N2. O epicentro é a Região Metropolitana do Rio, onde foi declarado estado de epidemia, mas o número de novos casos também está crescendo em outros locais, como nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia.

Na última terça-feira (14/12), o secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido, reconheceu que havia um “surto” de gripe na cidade. A monitoração precisa dos novos casos, porém, está prejudicada por conta da instabilidade em sistemas federais de registro.

A nova cepa foi batizada de Darwin, nome da cidade da Austrália onde foi identificada pela primeira vez, neste ano. Ela será considerada na formulação da vacina contra gripe de 2022, que deve começar a ser distribuída no Brasil em fevereiro ou março.

Isabella Ballalai fala ao microfone. É uma mulher branca, loira, cabelos perto dos ombros. Veste um blazer branco, com blusa preta por baixo e está com um óculos pendurado no pescoço. Com a mão direita, aponta para o alto. Ao fundo, um banner com a logomarca da Sociedade Brasileira de Imunizações.
Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (Arquivo/SBIm/Reprodução)

A médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma à DW Brasil que o ciclo da gripe começou de forma muito antecipada neste ano e que o país vive, na prática, o cenário “previsto para o nosso outono-inverno de 2022”.

Ballalai explica que a vacina contra a gripe aplicada no primeiro semestre não protege contra essa cepa, e que os sintomas da influenza provocada pelo atual surto não são mais graves do que as gripes de anos anteriores, mas demandam cuidado.

“Não estamos vendo maior gravidade, mas aquilo que se espera de um surto de influenza, com a gravidade esperada. Emergências lotadas, não por gravidade, mas em busca de atendimento, internações e alguns óbitos esperados pela doença.”

Para evitar contaminação, as medidas são semelhantes às adotadas contra a covid-19: uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento.

DW Brasil: Por que o surto de gripe está acontecendo no verão neste ano?

Isabella Ballalai: É uma pergunta que não quer calar. Não temos evidências científicas para afirmar exatamente por que isso está acontecendo, mas há algumas suspeitas e considerações. Primeiro, o vírus influenza circula o ano inteiro no Brasil, não somente nos meses da sazonalidade. Na maior parte do país isso acontece nos meses do outono e inverno. Mas no Norte do Brasil a sazonalidade é antecipada, em dezembro e janeiro é quando começa por lá.

É a primeira vez que a gente assiste a uma antecipação tão grande. Já aconteceu em 2016, quando o surto de influenza no Brasil começou em janeiro e fevereiro. Foi um ano de muita circulação do vírus e de muito caos, pois a antecipação pegou todo mundo despreparado, já que a vacina no Brasil chega em fevereiro e março.

Outro fator é o uso da máscara, que diminui bastante a transmissão da influenza. Então temos uma população que não estava exposta ao vírus, mesmo que ele estivesse circulando entre nós. As pessoas estavam trancadas em casa ou saindo pouco, e usando máscaras e os cuidados de higienização de mãos e etc. Essas barreiras aumentam o número de suscetíveis, que são as pessoas que não tiveram contato ou que tiveram pouco contato com o vírus.

E neste ano tivemos uma das piores coberturas vacinais para influenza no Brasil. Estava todo mundo em plena campanha da covid-19, muito mais preocupado em se vacinar contra a covid-19 do que contra influenza. É provável que o somatório disso tudo tenha levado a essa antecipação. A cepa prevalente que está circulando entre nós é a H3N2 Darwin, que foi anunciada pela Organização Mundial de Saúde como uma das que fará parte da vacina para 2022. Então estamos vivendo hoje o cenário previsto para o nosso outono-inverno de 2022.

Os sintomas da H3N2 são os mesmos de uma gripe comum?

Está todo mundo entendendo que é uma gripe mais forte, mais grave, mas não é. Tem a influenza de cada ano, o que é diferente é que essa chegou antecipadamente. Mas assusta todo mundo, após o pior momento da covid, e encontrou uma população sem vacina. Então faz esse número grande de casos como foi em 2016. Mas o H3N2, o H1N1 e mesmo os influenza do tipo B têm a mesma gravidade.

Normalmente as pessoas entendem que o H1N1 é mais grave, porque foi o causador da pandemia de 2009 e agora a tendência é achar que o H3N2 é mais grave, mas não. Não estamos vendo maior gravidade, mas aquilo que se espera de um surto de influenza, com a gravidade esperada. Emergências lotadas, não por gravidade, mas em busca de atendimento, internações e alguns óbitos esperados pela doença.

Quem é mais vulnerável ao H3N2?

Para a influenza, independente da cepa, o idoso é o mais vulnerável, além dos pacientes com doenças crônicas, semelhante ao grupo de risco da covid-19, e as crianças menores de seis anos. As crianças menores de seis anos são as que mais transmitem e por mais tempo. Elas tiveram um aumento de mais de 50% nas internações, mas morrem menos do que os outros grupos de risco.

A vacina aplicada neste ano contra a gripe ajuda de alguma forma no combate à cepa Darwin do H3N2?

Frascos de vacina contra a gripe sobre a mesa. No rótulo, informações sobre o vírus influenza.
(Arquivo/Agência Brasil)

As evidências, ainda não publicadas, são que no Brasil a proteção cruzada, que seria a proteção contra a cepa Darwin com uma vacina que não contenha a Darwin, é muito baixa. Além disso, depois de seis meses a vacina da influenza basicamente não protege mais. Então quem foi vacinado em abril já perdeu essa proteção, e a proteção cruzada tem sido baixa. Não dá para a gente pensar em se vacinar com a vacina deste ano com o objetivo de diminuir esse surto, não é uma estratégia muito efetiva. É claro que outros influenza estão circulando, mas não são eles os causadores do surto.

Para quem ainda não tomou a vacina contra a gripe neste ano, vale a pena tomar agora ou esperar a vacina do ano que vem?

Tomar a vacina agora significa se proteger contra outras cepas que estão circulando, mas que não temos um número grande de casos. Vacinar agora, para proteger desse surto, não é uma medida efetiva. E é importante dizer que quem se vacinar agora precisa se vacinar também o ano que vem. É um grande risco as pessoas entenderem que já estão vacinadas. Não é verdade, a vacina é diferente e provavelmente essa cepa da H3N2 vai continuar sendo a mais circulante entre nós. E só a vacina do ano que vem, que deve chegar em fevereiro ou março, é que vai proteger adequadamente dela.

Quem tomou a vacina contra covid-19 e decidir tomar agora a contra a gripe, tem que esperar?

Não. Hoje já temos dados e não se recomenda mais os 14 dias de intervalo entre uma vacina, seja de influenza ou de qualquer outra, e a vacina contra covid-19.

O que as pessoas precisam fazer para evitar pegar a H3N2?

Usar máscara. É a melhor barreira contra esse surto da influenza, já que a gente já precisa usar as máscaras para covid-19. Esse cuidado é fundamental. A influenza é bastante transmissível, talvez até mais do que a própria covid-19, e é uma doença potencialmente grave também.

É importante lembrar que precisamos também alavancar o número de pessoas com a segunda e a terceira doses da vacina contra a covid-19. No Brasil, a maioria dos casos de hospitalização por Síndrome Respiratória Aguda Grave é causada pela covid-19, e não pela influenza.

Por Bruno Lupion, da Deutsche Welle

Frascos de vacina contra a gripe sobre a mesa. No rótulo, informações sobre o vírus influenza.

Capital realiza testes rápidos para síndrome gripal

A prefeitura de São Paulo começou a fazer testes rápidos para síndrome gripal em suas unidades de Pronto Atendimento (UPA), de assistências Médica Ambulatorial (AMA), de prontos Atendimento (PA) e prontos-socorros. O teste está sendo feito no setor de triagem para identificar os casos positivos de covid-19.

O método utilizado nos pacientes é o de antígeno, para identificar os casos com maior rapidez e manter o monitoramento do paciente na capital paulista.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS), na última semana houve um aumento significativo de pessoas com síndrome gripal que procuraram suas unidades de saúde.

(Arquivo/Agência Brasil)

“Em novembro de 2021, a SMS registrou um total de 111.949 atendimentos de pessoas com sintomas gripais, sendo 56.220 suspeitos de covid-19. Neste mês, na primeira quinzena, a SMS registra um total de 91.882 atendimentos com quadro respiratório, sendo 45.325 suspeitos de covid-19”, informou a secretaria.

A secretaria informou ainda que continua monitorando o cenário epidemiológico das doenças virais no município, incluindo o vírus influenza (gripe). A vigilância é feita por amostras de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e em casos de síndrome gripal com a coleta de amostras de secreção nasal nos casos de SRAG de pacientes internados nas unidades de Terapia Intensiva (UTI) e com a coleta dessas amostras nas unidades de saúde sentinelas, como AMA, hospitais infantis e gerais, tanto público como privados.

A Secretaria de Saúde disse que as amostras são encaminhadas ao Laboratório de Saúde Pública do Instituto Adolfo Lutz, que identifica a doença e o tipo de vírus. “A identificação dos tipos de cepas virais circulantes permite avaliar o comportamento do vírus da gripe na cidade, subsidiando a SMS em suas ações de assistência, vacinação, campanhas de educação em saúde e demais intervenções pertinentes”.

Segundo os dados da secretaria, neste ano foram notificados na cidade 119.873 casos de SRAG, com necessidade de hospitalização. Desses, 205 (0,2%) foram confirmados como provocados pelo vírus influenza. Em 2020, foram notificados 120.850 casos de SRAG com hospitalização, dos quais 242 foram classificados como SRAG por influenza. Dos 205 casos de SRAG com hospitalização, 20 (9,8%) foram positivos para influenza A (H1N1) pdm09A, quatro (3,8% para influenza A (H3) sazonal, 134 (34,3%) para influenza A (não subtipado) e 47 (19,9%) para influenza B.

A orientação da Secretaria de Saúde é a de que todos continuem com o distanciamento de, pelo menos, um metro, cobrir a boca e nariz quando tossir ou espirrar e lavar as mãos imediatamente após contato com secreções respiratórias, medidas importantes para a prevenção tanto contra o vírus influenza quanto contra a covid-19.

“A influenza sazonal é uma doença infecciosa febril aguda com maior risco de complicações em alguns grupos vulneráveis. A doença pode evoluir para formas mais graves como SRAG e até óbito”, alertou a secretaria.

Por Agência Brasil

Estado amplia vacinação da gripe para toda população a partir de segunda-feira

O Estado de São Paulo decidiu ampliar campanha de vacinação contra a gripe a partir de segunda-feira (12). Com término da campanha dos grupos prioritários nesta sexta-feira (9), as doses remanescentes poderão ser aplicadas em pessoas de outras faixas etárias.

Conforme balanço desta segunda-feira (5), 8,4 milhões de doses foram aplicadas nos públicos-alvo, correspondendo a uma cobertura vacinal de 45,9%, entre um total de 18 milhões de pessoas que integram as categorias indicadas na campanha. Com exceção dos indígenas – único grupo a atingir 100% de cobertura -, todos os demais públicos têm coberturas inferiores a 65%.

Assim, a expansão para a população em geral foi definida pela Secretaria de Estado da Saúde em conjunto com os municípios e permite que mais pessoas se protejam contra o vírus Influenza.

“Contamos com a participação de todos que integram estes públicos para que procurem os postos até esta sexta-feira (9) e garantam sua proteção contra a gripe. Estas pessoas ainda terão prioridade a partir do dia 12, mas toda a população poderá se vacinar enquanto houver doses disponíveis na rede”, diz a médica da Divisão de Imunização da Secretaria, Helena Sato.

Etapas

Visando reduzir aglomerações para reforçar a prevenção à COVID-19, o cronograma da campanha foi dividido em três etapas e, mesmo entre os grupos inseridos anteriormente e que ainda podem comparecer aos postos, ainda há baixa adesão.

A primeira etapa começou em 12 de abril, voltada a 5,5 milhões de pessoas. Desse total, somente 3,1 milhões aderiram à campanha até o momento, somando 2 milhões crianças 64,1% de cobertura vacinal), 234,8 mil gestantes (53,7%), 850,1 mil profissionais da saúde (54,7%) e 44 mil puérperas (62,6%). Também foram vacinados 6,6 mil indígenas, plenamente alcançados com a campanha.

Outras 7,8 milhões de pessoas estavam incluídas na segunda etapa, realizada a partir de 11 de maio. Somente 4 milhões procuraram os postos até o momento. Entre os idosos, que tradicionalmente têm alto engajamento na campanha, foram aplicadas 4 milhões de doses, o que equivale a apenas 55,2% da cobertura vacinal. Também foram imunizados 289 mil professores, com 53,1% de alcance (confira abaixo dados por região).

Esta terceira e última etapa da campanha, que começou no dia 9 de junho, previa 5,1 milhões pessoas com comorbidades e com deficiência (física, auditiva, visual, intelectual e mental ou múltipla); caminhoneiros, trabalhadores portuários e de transporte coletivo; profissionais das forças armadas, de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional; população privada de liberdade e jovens e adolescentes sob medidas socioeducativas. Porém, até hoje (5), somente 881 mil pessoas destes grupos se imunizaram.

Seguindo a legislação, devem ser priorizados nas salas vacinais os idosos com mais de 80 anos e há triagem diferenciada e orientações para quem apresentar sintomas respiratórios.

O Instituto Butantan disponibiliza ao Brasil 80 milhões de doses da para a campanha nacional, com produção integral do imunizante e sem necessidade de importação de matéria-prima. O imunizante deste ano é constituído por três cepas de Influenza: A/Victoria/2570/2018 (H1N1)pdm09; A/Hong Kong/2671/2019 (H3N2); e B/Washington/02/2019 (linhagem B/Victoria).

Em 2020, o Estado de São Paulo registrou 809 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atribuíveis ao vírus Influenza e 119 óbitos.

“A gripe e a COVID-19 são doenças respiratórias que circulam simultaneamente aqui no Estado. Por isso, toda medida preventiva é necessária para cuidar de si e do próximo. A vacina é totalmente segura e não causa gripe, pois é composta apenas de fragmentos do vírus que garantem a devida proteção”, complementa Núbia.

COVID-19

Quem está nos grupos da campanha de gripe e também estiver entre os públicos da vacinação contra COVID-19 deve respeitar um intervalo de 14 dias para receber doses destinadas a prevenção contra estas doenças.

Se houver interesse em intercalar o cronograma, como o imunizante contra o novo coronavírus é aplicado em duas doses, é possível receber a primeira, aguardar 14 dias para receber a da gripe, e depois esperar no mínimo mais 14 dias para receber a segunda dose contra COVID-19.

Respeitando os protocolos de prevenção, as salas de vacinação deverão manter organização do ambiente e evitar aglomerações, com distanciamento entre mesas e profissionais e pacientes, além da disponibilização de álcool para higienização das mãos.

A aplicação da vacina contra a gripe deve ocorrer em sala distinta da reservada para imunização contra COVID-19.

Os profissionais estão orientados a fazer triagem com identificação de paciente com sintomas respiratórios, como tosse, coriza e falta de ar. Os que apresentarem apenas tosse ou coriza poderão receber a vacina, com a orientação para procurar um serviço de saúde. A mesma recomendação será dada aos que apresentarem febre ou mau estado geral, e neste caso a aplicação da vacina precisará ser reprogramada até a recuperação do quadro clínico.

Por Gov. do Estado