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Com bolsa integral, irmãos refugiados concluem faculdade

Os colombianos Boris e Miguel estão se formando em Relações Internacionais (ACNUR/Reprodução)

Os irmãos colombianos Boris e Miguel descobriram nas redes sociais da organização Cáritas no Rio de Janeiro, parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), a oferta de graduação gratuita destinada a pessoas em situação de refúgio.

Agora, eles estão prestes a ser formar, juntos, em Relações Internacionais, graças a uma bolsa de estudos oferecida pela Universidade Católica de Santos (UNISANTOS).

A colação de grau, marcada para fevereiro, encerra o ciclo iniciado há quase quatro anos, quando a dupla encarou uma viagem às pressas do Rio de Janeiro para a Baixada Santista, a fim de prestar o exame de admissão facilitada.



Mas nada disso teria sido possível sem a influência da pessoa que é a verdadeira força da família: a mãe, Nelly Camacho.

Nelly chegou ao Brasil em 2012, sozinha, como solicitante de refúgio. “O início foi um pouco tenso”, conta a colombiana. “Quando você sai de um país de um dia para o outro, sem programar nada, você não está preparado. Tive muita insegurança e instabilidade emocional, fora a dificuldade de comunicação”, lembra.

Nos primeiros seis meses, por meio da assistência do Programa de Atendimento a Refugiados (PARES) da Cáritas RJ, ela conseguiu toda a documentação necessária e começou a trabalhar como recepcionista bilíngue, enquanto frequentava ainda os cursos de português e artesanato oferecidos pela instituição.

Os filhos chegaram nos meses seguintes. No início de 2015, ambos estavam trabalhando – Miguel, no estacionamento de um aeroporto; e Boris, em uma das principais atrações turísticas do Rio de Janeiro. Tudo mudou quando Nelly viu, nas redes sociais do PARES Cáritas RJ, uma notícia sobre graduação gratuita para refugiados na UNISANTOS.

“Lembro como se fosse hoje”, conta ela. “Era manhã. Não sabia onde ficava Santos, mas liguei para os meus filhos, que estavam trabalhando, na hora, porque a prova seria naquela mesma semana. Tinha que ser uma decisão rápida.”

Quando eles chegaram em casa, se inscreveram no processo seletivo. Nelly pagou as passagens. Miguel e Boris chegaram à cidade na manhã do exame, foram direto para a instituição de ensino, fizeram a prova e voltaram para o Rio no mesmo dia. Na semana seguinte, já receberam a notícia da aprovação.

Miguel lembra-se daquele momento. “A mudança para Santos não foi fácil. Não conhecíamos ninguém e não sabíamos onde iríamos morar, mas a maior dificuldade foi econômica”.

Apesar da bolsa de estudos de 100%, os irmãos tinham que se sustentar, pagando aluguel e alimentação. Entregaram currículos e, em três meses, estavam trabalhando. Mas os desafios continuaram.

“Conciliar o trabalho com o curso era difícil, já que, às vezes, a demanda aumentava na faculdade”, complementa Boris.

Superados os quatro anos de esforços, os irmãos agora não veem a hora de pôr as mãos no diploma no início de 2019. Miguel já até conseguiu emprego em uma empresa de comércio exterior e logística internacional, em Santos. Boris também está trabalhando, mas não na área de formação.

Em um mundo em que apenas 1% dos jovens refugiados do mundo estão matriculados em universidades, a formatura dos irmãos colombianos é um evento a ser celebrado. Eles reconhecem a importância da educação para quem teve de deixar seu país de origem forçadamente.

“Faz toda a diferença, já que, além de trazer desenvolvimento pessoal e profissional, a educação permite que o processo de adaptação com o local (de acolhida) e seu entorno seja mais naturalizado. É, sem dúvida, uma ferramenta que traz desenvolvimento. Mudou e continuará a mudar a minha vida”, conclui Boris.

Nelly, que permaneceu vivendo no Rio de Janeiro durante todo esse período, está orgulhosa. Ela lembra que Boris e Miguel não são os primeiros filhos a entrar na faculdade, e ressalta que essa conquista familiar, no Brasil, tem gosto diferente.

“Meus filhos mais velhos fizeram faculdade na Colômbia, numa situação diferente. Era muito frustrante pensar que os mais novos não teriam essa oportunidade. Então, para mim, é muito significativo e valioso ver que, com tanto esforço, tanta luta, tantos sacrifícios, eles cursaram a graduação”, comemora a colombiana.

*Conteúdo: ONU Brasil

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