Anvisa diz que quarentena de argentinos foi ordenada no sábado

Imprensa do país vizinho fala em papelão das autoridades brasileiras
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(Lucas Figueiredo/CBF/via Fotos Públicas)

Depois da suspensão da partida entre Brasil e Argentina, neste domingo (05/09), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que a seleção argentina sabia pelo menos desde sábado que quatro de seus jogadores deveriam cumprir quarentena.

A ordem de quarentena foi dada durante uma reunião entre a Anvisa, a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), a CBF e a delegação argentina, afirmou a agência sanitária.

A Anvisa comunicou que sabia da situação irregular dos quatro jogadores argentinos desde a sexta-feira, quando a delegação argentina chegou ao Brasil.

A agência acrescentou que, desde então, tentou fazer com que os atletas cumprissem a quarentena obrigatória de 14 dias. A Polícia Federal foi acionada na manhã de domingo para garantir o cumprimento da ordem de quarentena, acrescentou.

“A decisão de interromper o jogo nunca esteve na alçada de atuação da agência”, afirmou a Anvisa.

PF: Não houve deportação

Anvisa paralisa jogo entre Brasil e Argentina; partida é encerrada
(TV Globo/Reprodução)

Uma portaria do Ministério da Saúde proíbe, em caráter temporário, a entrada de estrangeiros que vieram do Reino Unido, da Irlanda do Norte, da África do Sul e da Índia e exige quarentena de 14 dias.

A Polícia Federal afirmou, nesta segunda-feira, que os quatro jogadores argentinos não serão investigados e também não foram deportados. Eles foram acusados de prestar informações falsas sobre a estada deles no Reino Unido.

Os quatros jogadores são Emiliano Martinez, Emiliano Buendia, Giovani Lo Celso e Cristian Romero. Eles jogam no Reino Unido. A Anvisa afirmou que eles ocultaram a passagem pelo Reino Unido na hora de entrar no Brasil.

A diretora nacional de Migração da Argentina, Florencia Carignano, disse que as autoridades brasileiras poderiam ter atuado no momento do ingresso dos jogadores no país e não esperado três dias para suspender uma partida com entrada de agentes em campo.

A posição dela reflete a opinião de muitos argentinos, que afirmam que as autoridades brasileiras poderiam ter agido mais cedo em vez de esperar pelo início do jogo e invadir o gramado.

“Faz três dias que estamos aqui. Poderiam ter vindo no primeiro dia e não assim”, comentou o capitão argentino, Lionel Messi, durante um diálogo em campo com o coordenador da seleção brasileira, Juninho Paulista.

Na mira da CPI da Covid

A CPI da Covid quer investigar se o governo brasileiro realmente autorizou os quatro jogadores argentinos a disputarem a partida, como noticiou o site G1. O senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI, disse que a comissão prepara um requerimento para que a CBF informe qual autoridade brasileira teria dado essa suposta autorização.

Randolfe afirmou que várias pessoas disseram que havia um acordo com o governo brasileiro para a participação dos quatro jogadores, e membros da delegação argentina afirmaram que a Conmebol havia dito que os argentinos poderiam jogar.

AFA e CBF expressam surpresa

A imprensa argentina noticiou que a Associação de Futebol Argentino (AFA) tinha autorização da Conmebol para jogar com todos os jogadores.

A AFA manifestou insatisfação e surpresa com a decisão de suspender a partida em São Paulo, que seria válida pela sexta rodada das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022.

“Deve-se notar que a delegação albiceleste estava no Brasil desde 3 de setembro às 8 horas da manhã, cumprindo todos os protocolos de saúde atuais regulamentados pela Conmebol”, afirmou em comunicado.

O presidente interino da CBF, Ednaldo Rodrigues, disse que a Anvisa “excedeu os limites do bom senso” ao interromper o jogo. ” Poderia ter evitado tudo isso. Todos levaram um susto. Este episódio é lamentável. O Brasil-Argentina desperta interesse em todo o mundo”, declarou à TV Globo.

“Papelão”

Na Argentina, a suspensão da partida, com a entrada de agentes da Anvisa no gramado, é o assunto dominante na imprensa desde a tarde de domingo. O episódio foi chamado de escândalo mundial e “papelão”.

A partida entre Brasil e Argentina foi interrompida nos primeiros minutos de jogo, em São Paulo, porque agentes da Anvisa entraram em campo devido ao descumprimento da quarentena pelos argentinos. Em seguida a partida foi suspensa.

Por Deutsche Welle
as/ek (Efe, ots)

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